domingo, 12 de outubro de 2014

Revista Pollution Engineering: Entrevista com Axel Grael - Despoluindo a Baía da Guanabara






Na edição de Setembro de 2013 da revista Pollution Engineering foi divulgado um estudo exclusivo do Instituto Trata Brasil a respeito do saneamento básico brasileiro, uma avaliação dos serviços de saneamento básico prestado nas 100 maiores cidades do país. O Rio de Janeiro ocupa a posição 57 no “Ranking do Saneamento” e, dentre os diversos indicadores cuja soma leva à esta posição, um dos mais importantes é o “Indicador de Esgoto Tratado Por Água Consumida”. Neste quesito a cidade fecha com 51,92%, ou seja, quase a metade de seu esgoto é descartado sem tratamento.

Com relação ao esgoto não tratado, a cidade procede da mesma forma que boa parte das outras cidades litorâneas de norte a sul de nosso país: descarta o esgoto da maneira mais fácil, despejando no rio mais próximo, que acaba desembocando no mar ou diretamente no mar. Somente uma parte da cidade do Rio de Janeiro está voltada para o mar aberto. De todo o esgoto gerado na cidade, uma parte é escoada por emissários submarinos, como o de Ipanema e da Barra da Tijuca, para o mar aberto em tubulações que podem chegar a alguns quilômetros de distância da praia.
 
Além disso, boa parte da orla do Rio de Janeiro, inclusive o centro da cidade, está voltada para a Baía da Guanabara. E é para lá que é descartado o maior volume de esgoto da cidade. Além de parte do município de Rio de Janeiro, também compõem a assim chamada bacia hidrográfica da Baía da Guanabara os municípios de Belford Roxo, Cachoeiras do Macacu, Duque de Caxias, Itaboraí, Guapimirim, Magé, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Rio Bonito, São Gonçalo e São João do Meriti.

Devido aos níveis baixíssimos de tratamento apresentados por algumas cidades, observa-se que todo o esgoto in natura ou semitratado é lançado diretamente na Baía da Guanabara, o que causa grandes impactos ambientais. Ela é uma das maiores baías do país, sua boca estreita tem cerca de 1,7 km, ao fundo chega a medir aproximadamente 29 km e ocupa uma área superior a 380 km2, contém 35 rios tributários e 53 praias. Além disso, a baía exerce grande influência econômica à região, proporciona lazer à população e possui um importante ecossistema.

Em 04 de dezembro de 2013, o Governo do Estado do Rio de Janeiro assinou um convênio de cooperação com o Estado de Maryland, nos Estados Unidos, para a realização de um projeto para compartilhar experiências entre os estados, em governança, e sistemas tecnológicos, e na recuperação e limpeza da Baía de Guanabara. O objetivo era fomentar atividades de cooperação técnica com o estado de Maryland, focado na parceria e na experiência norte-americana de despoluição da importante Baía de Chesapeake, que fica no Nordeste dos Estados Unidos, próxima a Nova York.

Axel Grael é vice-prefeito de Niterói, formou-se em Engenharia Florestal e possui uma carreira diversificada acumulando experiência no setor privado, governamental, na área social, e no movimento ambientalista, além da experiência acadêmica. Por seu extenso envolvimento nas questões ambientais referentes à Baía de Guanabara e por seu vasto conhecimento neste assunto, o Sr. Grael nos forneceu seu ponto de vista sobre os últimos acontecimentos, a trajetória da despoluição da Baía de Guanabara atual e futura, histórico de investimentos, processos administrativos e previsões para as Olimpíadas de 2016.


Revista PE: Como o senhor enxerga a visita do Governador de Maryland ao Brasil e, desde a assinatura dos acordos de cooperação, quais são as previsões?

Axel Grael: São várias coisas que se fundem com essa visita do Governador de Maryland, Martin O'Malley. A primeira é essa parceria Rio-Maryland que existe há mais de 50 anos e a vinda do Governador para o Brasil foi em parte motivada por essa celebração de 50 anos (OBS: a parceria foi mantida ao longo deste tempo pelo Comitê Rio de Janeiro-Maryland, da organização Companheiros das Américas. O comitê é presidido por Axel Grael. Saiba mais sobre a parceria aqui). Nessas parcerias mantidas pelo Comitê existem várias frentes de cooperação, como na área esportiva, cultura, o programa farmer-to-farmer - no qual, por exemplo, os donos das fazendas históricas do Vale do Paraíba trocaram experiências com os donos das fazendas históricas produtoras de tabaco do estado de Maryland. Eles compartilham a mesma história, vieram de uma cultura escravista, com produção agrícola, tiveram um apogeu e declínio. Existe também uma ativa cooperação na área ambiental.

Na área ambiental, houve, e ainda há, por exemplo, cooperação “parque a parque”, entre parques estaduais daqui com parques estaduais de lá, e dessas parcerias existe a mais antiga na área ambiental, que é a parceria entre a Baía de Chesapeake e a Baía de Guanabara. São baías muito diferentes: a americana é uma baía de clima temperado e aqui é tropical; lá é bem mais comprida, com longos braços que avançam para dentro do continente, devido ao relevo e à própria origem geológica regional. A nossa é mais gorda com uma boca estreita; nós temos uma troca de água mais lenta do que a de Chesapeake; mas uma das similaridades foi que as duas iniciaram um programa de despoluição na mesma época, só que eles começaram o programa já num patamar bem mais adiantado que o nosso.


Baía de Chesapeake.


Eles investiram mais, mas também enfrentam uma realidade complexa e precisam superar problemas sérios. Um desses problemas é que a Baía de Chesapeake é rodeada por 4 estados, governados por partidos diferentes. Há Maryland, que depende mais da Baía de Chesapeake, que tem uma tradição democrata, muito mais ambientalista e é quem “carrega os programas nas costas” e investe mais. Já a Pensilvânia é um estado com uma economia mais rural, tipicamente republicano e que não demonstra o mesmo interesse pela despoluição da baía. Eles acreditam que isso tudo é balela, que mudança climática é bobagem, então eles reagem muito contra, e isso gera vários problemas para Maryland, pois o programa estabelece uma série de obrigações para os estados e municípios, que são sistematicamente descumpridos pela Pensilvânia. Por exemplo, agricultores de Maryland alegam que sofreriam competição desleal dos agricultores da Pensilvânia, que não são submetidos às mesmas exigências ambientais. Por exemplo, exige-se que agricultores de Maryland que precisam cumprir metas de redução de aportes de nutrientes provenientes dos fertilizantes aplicados em suas propriedades nos rios, que desaguam na Baía de Chesapeake. A consequência da polêmica é notada nos resultados ambientais. Se olharmos os resultados do monitoramento e o mapa ambiental da Baía de Chesapeake percebemos que os avanços estão todos perto de Maryland, e alguns bons avanços também verificam-se na Virginia e Distrito de Columbia. Mas, eles também têm muito trabalho pela frente.

Mapa da poluição (OD) na Baía de Chesapeake.


Enquanto isso, nós, aqui, estamos tentando resolver problemas ainda do século 19, que é tratar esgoto. Eles já resolveram isso. As grandes preocupações deles são, por exemplo, a quantidade de nutrientes, non-point sources - que é a poluição não pontual, como drenagem das rodovias, entre outros. Trata-se de um outro nível de preocupação.

O que eu falei para o governador Martin O'Malley: “vocês são como aquele irmão mais velho, quando eu crescer eu serei assim”. Então, quero dizer que nós estamos ainda numa escala de problemas mais atrasada, mas quando resolvermos isso aqui nós vamos estar preocupados com o que eles estão preocupados agora, então interessa muito essa parceria porque nos ajuda a planejar as próximas etapas.

Mas o mais importante dessa parceria Chesapeake e Guanabara é uma coisa que eu bato muito na tecla: governança. Eu acho que o grande problema da Baía de Guanabara, hoje, é que não há um modelo de governança. Quem é que responde pela Baía de Guanabara? Ninguém.

Há a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), que opera e mantém a captação, tratamento, adução, distribuição das redes de águas, além da coleta, transporte, tratamento e destino final dos esgotos gerados dos municípios conveniados do Estado do Rio de Janeiro, mas por exemplo, Niterói tem sua própria concessão, que é a Águas de Niterói; o órgão ambiental, que é o INEA (Instituto Estadual do Ambiente), que corresponde à CETESB em São Paulo, tem a obrigação de pegar no pé de todo mundo que polui; a Companhia Docas do Rio de Janeiro, que cuida da parte portuária; a Capitania dos Portos, que cuida da navegação; a Agetransp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro), que é a agência reguladora dos serviços de transporte; o IBAMA, que atua na questão da pesca; há os municípios atuando também; enfim, são vários órgãos que mesmo que façam todos muito bem o que tem que ser feito falta um maestro pra esta orquestra, cada um toca uma música, então esse é um grande problema.

Portanto, eu sempre defendi que tivéssemos uma Bay Authority como existe na Baía de Sidney, de São Francisco, e em várias outras baías.

Mas, o melhor aprendizado para nós na experiência de Maryland e da gestão da Baía de Chesapeake está no sistema de Agreements (acordos), frutos de pactuações na sociedade, estabelecendo metas e responsabilidades para os diferentes atores sociais: o programa de despoluição, portanto, não é uma ação apenas de governo! Dos Agreements surgem as Policies, que estabelecem as regras e os procedimentos operacionais. Além disso, há o interessante programa chamado BayStat, um modelo transparente e eficiente de gestão das políticas públicas baseado no estabelecimento de metas de eficiência na redução de parâmetros ambientais, por exemplo: DBO, nutrientes, etc. As reuniões do BayStat ocorrem com periodicidade definida e as reuniões são presididas diretamente pelo governador Martin O'Malley. Com base nos parâmetros monitorados em tempo real, o governador cobra de cada um dos seus secretários o cumprimento das metas estabelecidas para aquele mês quando a reunião ocorre. As reuniões são públicas.

OBS: Saiba mais aqui.

Revista PE: E caso isso viesse a acontecer, como, em sua visão, funcionaria a escolha de uma Bay Authority para a Baía de Guanabara? Por voto? Quem elegeria essa pessoa?

Axel Grael: Eu acho que quem tem que criar é o Governo do Estado, mas aí tem algumas polêmicas, pois como também envolve órgãos federais, alguns acham que a iniciativa deveria ser federal. Eu não concordo. Esta é uma baía estadual, então faz sentido que a iniciativa seja do estado, mesmo que existam órgãos federais atuando, como a Marinha, IBAMA e DOCAS.

Enfim, ainda não há um consenso. A Baía de Chesapeake também não conseguiu instituir uma agência de baía, uma Bay Authority, porque a Pensilvânia resiste. Eles já têm isso tudo planejado, então interessa um pouco acompanhar o debate que eles mantêm. Funciona muito bem, o estado de Maryland com seus municípios, e é esse modelo que eu acho interessante aprendermos com eles.

Eu participei muito do processo de discussão da Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), que foram 10 anos de debate no país quando se instituiu o modelo atual dos comitês de bacia, das agências de bacia etc, e isso foi completamente atrapalhado por uma lógica que veio depois e esbarrou nisso tudo, que é a lógica das agências reguladoras. A ANA (Agência Nacional das Águas) veio com uma lógica que bateu de frente com a lógica da PNRH, que tinha como premissa a descentralização para as bacias hidrográficas, enquanto a ANA veio com uma outra lógica de concentrar tudo novamente. Então, hoje, nós vivemos um dilema.

São disputas políticas importantes no cenário partidário e a ANA olha muito para a escala federal, o que rompe com toda a lógica do que se planejou durante 10 anos e que gerou a PNRH. Então, por exemplo, aqui na Baía de Guanabara, nós temos um comitê da baía, só que há esse comitê, que se reúne regularmente, mas as decisões não são tomadas no âmbito do comitê, então o comitê só se reúne, reúne e reúne. Inclusive, sou um dos fundadores e já fui presidente do Instituto Baía de Guanabara, e o instituto chegou a ter a secretaria executiva deste comitê, até que decidiu sair, entregou a secretaria e falou: “o que estamos fazendo aqui?”. Foi aprovado o PDBG (Plano de Despoluição da Baía de Guanabara) e depois o Pacto pelo Saneamento (PSAN), que acabou de ser iniciado ano passado. É uma segunda negociação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e no PSAN estão todas as prioridades. Nem a composição, mesmo da planilha deste empréstimo, passou pelo conselho, então pra que serve o conselho?

Por um lado parece que esta governança existe e ela serve para conciliar alguns conflitos, mas não os mais importantes, por que o que está acontecendo hoje na Baía de Guanabara e que também passa ao lado desse conselho? A Baía de Guanabara está mudando rapidamente de um padrão de uso tradicional, que é pesca, navegação, atividade portuária, recreação, praia, esportes, entre outros, para um outro tipo de uso que é a logística offshore e a infraestrutura de petróleo, óleo e gás. E essa mudança obviamente gera conflitos, e quem faz a mediação desses conflitos? Ninguém. Então, nesses conflitos ou ganha o mais forte, que é a Petrobras, ou acaba judicializado, que é o pior dos mundos, porque a gente não tem um modelo judicional que é capaz de mediar esses conflitos. Então esse é um cenário mais institucional.

Agora, na questão da poluição em si, a baía tem 4 grandes preocupações: assoreamento, esgoto ou saneamento, poluição industrial e, por último, a questão do lixo.

Na questão do assoreamento, praticamente não se resolveu nada. Hoje, nós temos vastas áreas da Baía de Guanabara onde não há mais coluna d’água, na maré baixa o sedimento já aflora todo, que é a região da Ilha do Governador, Caxias e Magé, onde hoje em dia as fotos aéreas mostram o fundo da baía, e para se ter uma ideia, tinha uma regata na década de 40 que saía da baía, dava a volta em Paquetá, Ilha do Governador e voltava. Eram 2 dias de regata, e hoje em dia isso não é possível, o barco encalharia na areia. Portanto, a questão do assoreamento não se resolveu. E como isso poderia se resolver? Foi proposto, 20 anos atrás, o reflorestamento das encostas, não permitindo mais o desmatamento e fazer o calçamento das ruas na baixada fluminense. Não aconteceu.

Na questão do saneamento também avançamos muito pouco. O PDBG, que foi o primeiro programa de despoluição, tinha como prioridade principal o saneamento, ou seja, 70% dos recursos eram para esse fim. Mas, naquela época, eu fiz parte da comissão que decidiu os projetos a serem priorizados pelo PDBG e fui o voto vencido, o único voto divergente, pois havia um dilema: havia uma capacidade de endividamento, então o estado não podia captar mais recursos do que um determinado limite. Obviamente, este limite não era suficiente para tudo que tinha que ser feito, então, ou fazia-se redes de captação de esgoto muito extensas, e aí não havia dinheiro pra fazer estações eficientes, ou fazia-se estações muito boas, com redes menores. Eu fui o único a votar por redes menores e estações melhores.

Acabou que o que foi feito foram redes bastante amplas e estações com tratamento primário. O que aconteceu foi exatamente o que eu havia previsto naquela época: antes o esgoto corria pela rua, infiltrava em algum lugar, parava em uma drenagem natural, um canal ou algo parecido ali perto e dias ou horas depois chegava na Baía de Guanabara. E nesse trajeto todo ele já ia se degradando. A partir do momento em que foi implantada uma rede extensa, o esgoto foi captado e levado rapidamente a um ponto só, onde um tratamento primário foi aplicado, e depois lança-se em um ponto só. O efeito para a baía foi o aumento de carga orgânica, não a diminuição da carga orgânica.

No entanto, a decisão não foi de toda errada. O esgoto foi retirado da porta das pessoas, e isso foi importante, mas a Baía de Guanabara teve um aumento de DBO (Demanda Biológica de Oxigênio), um aumento de carga orgânica, e com um agravante: de acordo com a composição do PDBG, 70% dos recursos vinham do BID, 30% eram contrapartida do estado. O estado, por sua vez, contratou por intermédio do banco japonês (que já mudou de nome várias vezes, na época era OECF, já foi JBIC e hoje em dia é JICA) um financiamento para cobrir a sua contrapartida destes 30%. O valor total é mais ou menos entre 700 milhões e 1 bilhão de dólares, mas os japoneses também exigiam uma contrapartida. Então o estado tinha a contrapartida da contrapartida, eram duas fontes mais a contrapartida do estado. As duas fontes que foram dinheiros contratados, isso bem ou mal andou, e o que era a contrapartida do estado não andou, e essa contrapartida do estado era, por exemplo, fazer os troncos coletores, que pegariam o esgoto que vinha daquelas redes que foram implantadas e o jogaria na estação, isso não foi feito.

Então, uma grande quantidade de esgoto era coletada mas faltou o final, que era pegar essa grande quantidade de esgoto e jogar na estação. Então, durante muito tempo, essa grande quantidade de esgoto foi para o Rio Sarapuí praticamente in-natura. O impacto disso para a Baía de Guanabara foi enorme. Somente agora, mais recentemente, que esses troncos mais importantes foram feitos, mas o impacto já foi causado.

Depois temos a Estação da Alegria, que antigamente era referida com orgulho como “a maior estação de tratamento do mundo”. Eu não vejo vantagem nenhuma nisso. Ainda mais sendo uma estação primária. Eu preferiria muito mais o modelo de redes menores, como é feito em outros países. Mas, enfim, esse projeto não andou mais do que isso, ele pega parte da baixada fluminense, zona norte do Rio de Janeiro, e vários municípios como São João de Meriti, Nova Iguaçu, Caxias, Queimados, e esses municípios estão entre os 10 piores do país. Então, dos 10 piores municípios do Ranking do Trata Brasil, divulgado em 2013, nós temos 3 no Rio de Janeiro, e são municípios populosos, portanto, essa carga orgânica é muito grande.

Niterói, no entanto, é um contraste com essa realidade. Mesmo os municípios do Rio tendo um índice de tratamento muito baixo, Niterói tem quase 90% da população com esgoto tratado, mas aí é uma outra história, pois também temos nossos problemas a resolver. Eu acho que existe um problema mesmo aqui onde a eficiência é a maior na bacia. Precisamos melhorar muito nossa capacidade de saneamento nas comunidades. Fazemos bem nos bairros, mas na cidade informal temos que melhorar muito. A comunidade do Preventório, que fica próxima à baía, tem rede, mas se andarmos por lá há cachoeiras de esgoto descendo, então por que tem rede e continua tendo cachoeira de esgoto?

A parte da poluição industrial foi onde o programa avançou mais, por mérito do programa e pelas empresas também, que por forças de mercado, de legislação, acabaram modernizando seus equipamentos. Até por uma questão de competição mesmo, para se relacionar com o mercado é necessário ter uma produção mais confiável em termos ambientais, e também por ação do órgão ambiental que multou, fez TAC com a Reduc e com os principais poluidores da baía.

Este órgão, na época, era a FEEMA (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente). Inicialmente, havia uma prioridade da despoluição das 50 maiores indústrias poluidoras, depois chegou a 130 maiores poluidoras. Com isso, hoje, em termos de metais pesados, poluição química, DQO (Demanda Química de Oxigênio), entre outros fatores, nós melhoramos muito. Foi onde nós conseguimos avançar mais.

Quanto ao lixo, os problemas continuam na mídia. Continuamos tendo muito problema com lixo flutuante, e é aí que chegamos na questão da Olimpíada.

Revista PE: O senhor considera que os Jogos Olímpicos vieram em um momento interessante?

Axel Grael: Eu estava no Governo do Estado. Eu era o presidente da FEEMA na época da candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas, e eu representava o governo do estado no grupo que decidiu sobre a nossa proposta. Então, os compromissos que entraram no caderno de encargos (que é o que você promete para as Olimpíadas) que nós apresentamos naquela época, para mim foi muito frustrante, porque não foi nada ambicioso. O que nós apresentamos era tudo aquilo que já estava programado. Não fizemos um superprojeto de poluição. Eu tentei fazer, mas não consegui. O que eu consegui fazer foi pegar o que a CEDAE já tinha planejado fazer até 2016, o que os outros órgãos estavam planejando fazer até 2016, juntei tudo num pacote, e entreguei lá. Então, esse compromisso de fazer 80% de despoluição da baía veio disso, ou seja, não teve ambição nenhuma. Foi apenas o que já estava planejado. E nem isso foi cumprido.

Então pensamos: está tudo perdido? Não. Estamos passando pelo constrangimento de ver os atletas estrangeiros (que estão vindo treinar aqui) aterrorizados. Se as Olimpíadas fossem hoje nós estaríamos oferecendo a pior raia olímpica da história, a raia de Vela. Nunca uma olimpíada ocorreu em um lugar tão ruim. Mesmo Qingdao, em Pequim, que tinha muitos problemas, não estava tão ruim. Então, isso é um constrangimento muito grande. Tem solução até 2016? Eu acho que existem paliativos, que é o que está sendo feito agora, que podem dar um bom resultado.

O problema é a implantação dessas UTRs, por exemplo, que são as Unidades de Tratamento de Rio. São estações compactas, que são construídas em cima da calha do rio. A vazão do Rio é bombeada para dentro da estação. Ela trata e devolve pro Rio a água em condições muito melhores. Então, qual é o problema disso? A qualidade da água que vai chegar na Baía de Guanabara é resolvida, mas todos os problemas que resultaram naquela poluição rio acima continuam acontecendo, e com um agravante, porque hoje se você levantar uma campanha em defesa do rio lá em São Gonçalo, a chance disso repercutir é muito menor do que o grito que se tem agora pela Baía de Guanabara, em função dessa vergonha mundial que estamos passando. Então, a hora que a poluição daquele rio deixa de chegar à Baía de Guanabara, aí mesmo que você tira toda a prioridade do saneamento daquela bacia, quer dizer, você afastou a consequência que poderia dar mais repercussão política. Então, é bom para a Baía de Guanabara, mas continua a mesma coisa para quem mora rio acima. Mas é um paliativo e é melhor do que nada.

A segunda coisa que está sendo feita é pôr em todos os principais rios contribuintes da Baía de Guanabara as ecobarreiras, que são estruturas de cabo de aço que seguram o lixo fisicamente, o que acaba sendo a mesma coisa: as pessoas continuam jogando lixo no rio, mas mais para frente alguém represa, segura aquele lixo, e retira, portanto, ele não vem pra Baía de Guanabara. E o que ainda passar por isso, tem um programa sendo planejado, inclusive com a ajuda do Projeto Grael, para retirar o lixo flutuante da baía. Então, essas coisas vão resultar em melhorias e é bom, pois, pelo menos, para o ecossistema da Baía de Guanabara, por exemplo, os botos que vivem aqui, os peixes, enfim, será como “soro na veia”. Vamos ver quando passadas as Olimpíadas, o que nós vamos fazer para que essa prioridade continue sendo elevada.

Revista PE: Somente essas medidas são suficientes para sanar o problema e melhorar a imagem da baía até os Jogos Olímpicos?

Axel Grael: Não, não são. Gostaríamos de ter agora (dois anos antes das Olimpíadas) algo próximo a 60%, 70% da poluição resolvida, porque, afinal, nós prometemos ao mundo quando nos candidatamos. E isso não vai acontecer. É uma frustração enorme, ainda mais para mim, que desde os 17 anos estou falando pela Baía da Guanabara. Nunca tivemos uma chance como a de agora e não aproveitamos bem. Então é bastante frustrante, mas, enfim, o legado que poderíamos ter seria muito maior, mas teremos um legado pelo menos no âmbito do espelho d’água na baía.

Revista PE: Em sua opinião, há alguma chance de não haver raia olímpica na Baía de Guanabara?

Axel Grael: Não, com certeza vai ter. Esse foi um dos argumentos mais fortes da candidatura do Rio, que foi ter todos os jogos, todas as competições, no município do Rio de Janeiro, num raio de 10 km. Então isso seria um rompimento muito grande. Eu acho que poderia ser um plano B, se isso gerar uma coisa muito forte, fazer as competições fora da barra. O que pra nós é muito ruim, porque aqui conhecemos bem. Os velejadores brasileiros que velejam aqui desde criancinha conhecem os macetes daqui, e lá fora ficaria mais igual para todo mundo. Então, tomara que melhore bastante a Baía de Guanabara para que façamos as regatas aqui.

Revista PE: A educação parece ser o ponto básico para a atual situação se encontrar desta maneira. De que modo é possível reverter este quadro?

Axel Grael: Eu acho que a educação é um ponto muito básico. Educação em todos os sentidos. Eu acho que educação para que as pessoas tenham uma atitude individual melhor, para que você não jogue o seu lixo no rio, é o mais trivial na educação. Até mesmo a educação da elite, do governo, dos tomadores de decisão, que é dar a prioridade ao saneamento.

O resumo dessa história toda que eu falei é que, mais uma vez, vários outros desafios eram enormes, por exemplo: era necessário melhorar a mobilidade da cidade do Rio de Janeiro, então surgiram transolímpica e outras. Ou seja, milhares de imóveis foram desapropriados, os desafios foram enfrentados, mas o saneamento não foi uma prioridade, aí é uma questão do governante, de ele priorizar o que a sociedade prioriza. Ele põe dinheiro onde o dinheiro repercute, então, provavelmente, avaliou-se que se repercutiria mais o investimento em mobilidade do que em saneamento, então lá andou e aqui não.

Portanto, eu acho que o básico é a educação, pois as pessoas precisam ter uma capacidade de discernimento de saber que isso é importante. Eu, como vice-prefeito, agora acompanho muito o esforço para manter a cidade limpa, porque suja-se muito. Então, a Clin, que é a nossa empresa de limpeza urbana e coleta de lixo, tem em suas equipes gente que trabalha com rapel. Eles se penduram para tirar o lixo das encostas, e uma vez eu vi o funcionário pendurado tirando o lixo e, enquanto ele estava lá, quase acertaram um saco de lixo nele. Então há de se melhorar muito na compreensão. Mas não é como se as pessoas não soubessem que isso não se pode fazer. Quem jogou aquele saco de lixo sabe que não pode fazer aquilo, mas acha que ninguém está vendo. É uma mistura de preguiça com desrespeito, e isso acontece com todo mundo, rico ou pobre. No bairro onde eu moro eu já vi gente atravessar a rua e jogar o saco de lixo dentro do canal. E não era o empregado da casa não, era o dono.

Não falta informação, falta cidadania, civismo e senso de coletividade.

Revista PE: Coloque em poucas palavras como o senhor está atuando aqui. Onde se integra esse outro lado seu? O foco ambiental do Projeto Grael.

Axel Grael: O que fazemos, na verdade, é reunir aqui vários sonhos da família Grael. Então, primeiro, abrir oportunidades para ter uma experiência de praticar um esporte náutico para um contingente enorme da população que não teria acesso a isso se não fosse pelo programa. A alternativa de quem não vem para cá é ir para um iate clube, o que talvez não seja viável para essas pessoas, então, primeiro foi isso, dar uma oportunidade náutica a essa garotada.

Depois, foi transformar barcos em instrumento de educação. Os barcos são muito bons para isso, quando você aprende a velejar, você aprende a olhar para o mar e identificar rajadas de vento, correntes, enfim, te aproxima do meio ambiente, então é fácil você transformar o que um garoto aprendeu aqui, essa sensibilidade de identificar ventos, isso tudo é interpretar a natureza, e quem consegue isso já deu um grande passo para uma boa educação ambiental.

Além disso, a vela é um esporte tecnológico, é um esporte que permite que se faça programas profissionalizantes, por exemplo. Eu acho que nenhum outro esporte tem como o fazer. É possível ver quanta coisa ensinamos para os participantes, um desdobramento direto com o que os barcos permitem. Então, se alguém aprende sobre a fibra de vidro, fazer barco de fibra, depois que se aprende as técnicas de fibra de vidro, pode-se fazer barco, piscina, entre outras coisas.

Com a capotaria, aprende-se a fazer toldos para barcos, mas é possível fazer esse toldo em uma casa, são todos desdobramentos diretos, a partir do interesse que os participantes têm pelos barcos. Então é diferente, por exemplo, como você faria a mesma coisa com futebol ou voleibol? Vai ensiná-los a fazer bola? É diferente. Então existem muitas coisas legais e programas muito bons feitos em torno de outros esportes, mas a vela é mais legal para isso, porque linka direto. Os outros são mais indiretos. É por meio da disciplina, entre outros, por exemplo, que você faz o núcleo educativo, o nosso já é mais direto.

E a questão ambiental, então ele está gerando emprego para os garotos aqui, que são contratados, com carteira assinada, e estão aí trabalhando pela Baía de Guanabara, então há outros desdobramentos também, e aí tem todo um programa educativo, porque ficar retirando plástico boiando é como “enxugar gelo”, mas você tem que transformar isso numa forma de denúncia, de comprometimento, de todos esses meninos que estão aqui, para não deixar e prevenir para que essas coisas não aconteçam mais.

Revista PE: E quanto ao fundo da baía?

Axel Grael: Temos grandes parcelas da baía que estão hoje comprometidas para navegação e a tendência, a longo prazo, é que essas áreas todas, se tudo correr bem, se transformem em vastos manguezais. Agora, dragar aquela área toda é praticamente impossível. Não pela prática da dragagem em si, mas onde colocar esse material todo? É mais sobre o destino final. E hoje uma das grandes polêmicas da Baía de Guanabara é quanto à disposição do material dragado, pois essa corrida, logística offshore aqui na baía, demanda muitas dragagens.

Está sendo construído um porto próximo ao Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Só ali, acho que serão 5 milhões de metros cúbicos a serem dragados, então, onde isso será descartado? Hoje existe um local, fora da barra, onde as dragas pegam esses sedimentos e levam pra lá, jogam e voltam, o que eu sempre fui contra. Tratamos essa questão da dragagem de uma forma muito pontual. É sempre assim: “Preciso fazer um porto em tal lugar, vou ter que dragar”. Então é feita a licença ambiental do porto e licencia aquela dragagem. Daqui a pouco: “Está chegando um porta-aviões, uma operação, tem que dragar um poço, o porta-aviões não chega lá”, aí draga correndo e joga lá fora.

Então o que a gente precisa, em vez de ficar nesse varejão de cada vez que ocorrer um pânico ter que fazer rapidamente uma dragagem, é de um plano diretor de dragagem para a baía, no qual se jogue em perspectiva tudo o que será necessário nos próximos 40, 50 anos. Aí sim esse problema será colocado dentro de uma escala de planejamento e saberemos o que fazer com esse material dragado.

Hoje, jogar lá fora é uma péssima solução e, inclusive, contraria o Brasil que é signatário da Convenção de Londres, que não permite o lançamento de material em oceano. E nós, o estamos fazendo? Então, tem que planejar. Nós temos a elevação do nível dos oceanos em função das mudanças climáticas, algumas áreas precisam ter a cota elevada, agora, qual é o impacto ambiental de você pegar um sedimento de salinidade alta e jogar isso em terra firme?

Ou seja, não está resolvendo. Isso ainda se resolve no varejo e de sufoco em sufoco. E é sempre assim: “Um porto do Rio fechou um contrato e se você não dragar imediatamente ele o perderá”. Para a economia do estado vai ser muito ruim, aí vem pressão de todos os lados e quem está lá no órgão ambiental tem que decidir, e acaba sendo: “Então está bom, desta vez vamos fazer”, e aí continua pensando em planejar, e assim você é atropelado o tempo todo.

Maryland x Brasil

A grande dificuldade de adaptar a experiência de Maryland para a nossa realidade é o marco legal. Se tem uma coisa que eu admiro muito na experiência americana é que eles têm um princípio constitucional que é “law and enforcement”. Toda lei tem que estabelecer quem implementa e de onde vem o dinheiro. Então, eles agora, lá em Maryland, estão num debate interessantíssimo até, que os adversários chamam de “rain tax”, o imposto sobre a chuva, porque é uma taxa que está se implantando para a drenagem. Então, por exemplo, se você é dono de um estacionamento, todo impermeabilizado, e você gera uma grande quantidade de água, de runoff (escoamento) para a rede de drenagem da cidade, você tem que pagar por isso. Portanto, o que eles querem, ou seja, a grande preocupação deles, hoje, é a drenagem da stormwater (água da chuva). Então você anda pela cidade lá e vê que têm muitos sistemas legais de infiltração, de não deixar que ocorram inundações. Lá, de ponto em ponto, a água entra por bacias de infiltração.

As nossas soluções são sempre de "transporte de água" (os rios na perspectiva apenas hidráulica e não como considerados como um ecossistema), mas em algum lugar essa água vai acumular, principalmente em relevos como o nosso, que se têm áreas montanhosas, muito declivosas e áreas planas logo em seguida. A água vem com grande velocidade e depois há uma área de dissipação de baixa energia. Portanto, não tem jeito. O negócio não é transportar rápido para jusante, o negócio é fazer o que eles estão fazendo lá: infiltrar, só que isso custa caríssimo. Então, eles querem obrigar isso por lei, e para obrigar é isso: quem executa e de onde vem o dinheiro.

Então, por exemplo, tudo nosso aqui é meio sombrio. Nós estamos criando um parque municipal aqui próximo e com a delegação lá de Maryland, veio o Richard Dolesh, que é um excelente especialista em parques, e a primeira pergunta dele foi: “Bom, quem é o dono da área?” Essa pergunta quando é feita aqui a resposta tem que ter umas 2 horas, pois tudo tem uma resposta enorme. O PDBG, por exemplo, aqui, fazemos um empréstimo num banco internacional, no BID. Lá não, eles criariam uma forma, ou orçamentaria ou de cobrar taxas, uma forma de financiar aquele custo e isso é sempre buscado de uma forma criativa. Quem paga mais é quem gera mais aquele problema.

Lá toda legislação ou política pública precisa definir a origem dos recursos para implementa-la. É um dos princípios constitucionais do país: "Law and enforcement": toda lei deve definir quem implementa e com que recursos. Nós já temos uma carga tributária muito maior que a deles. Falar de mais imposto aqui ninguém aguenta, mas as contas são pagas de qualquer forma, ou a política é simplesmente abandonada, sem implementação. São as famosas "leis que não pegaram". Então transportar a experiência deles direto pra cá é difícil.

Revista PE: Os norte-americanos entenderam essa realidade?

Axel Grael: É difícil. Certa vez, eu estava falando com alguns japoneses sobre o programa de despoluição da Macrobacia de Jacarepaguá que eu coordenava na Prefeitura do Rio (SMAC) e explicava a eles os instrumentos do Código Florestal Brasileiro: "não pode ocupar áreas acima de 45 graus, não pode ocupar beira de rio etc.", mas aí eles pegavam as imagens de satélite do local e diziam: “Se não pode, por que tem?”

Eles se surpreenderam também com a nossa lei de desapropriação. Não existe isso lá, esse poder que se tem aqui de desapropriar uma área. Nossa lei é muito forte: na hora que a desapropriação é decretada, é “perdeu playboy, já era”, você vai discutir o valor daquilo com o governo, mas a chance de você não perder sua propriedade é muito pequena, só se o governo cometer um erro administrativo, o que é muito difícil, mas senão já era.


Fonte: Pollution Engineering


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OBS:

A entrevista foi concedida em dezembro de 2013, na sede do Projeto Grael, em Jurujuba, Niterói.

O texto da entrevista aqui publicada no Blog do Axel Grael recebeu algumas revisões e complementações sobre o texto publicado na revista, feitas por mim, para permitir uma melhor compreensão. Agradeço aos editores pela oportunidade de expor ideias sobre a despoluição da Baía de Guanabara.

Axel Grael



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    HIGH LINE: parque em Nova York criado sobre viaduto de linha férrea desativada, torna-se atração e atrai investimentos


    Parque suspenso em Nova York recebe prédios de astros do design

    O paulista Isay Weinfeld será o mais novo integrante daquele que vem sendo considerado o maior museu de arquitetura a céu aberto do mundo: o High Line
    por O Globo
    Composição de duas fotos mostra o High Line, em Nova York - NYT


    NOVA YORK - Shigeru Ban, o arquiteto japonês que levou o prêmio Pritzker este ano, está lá. Estrelas do naipe de Jean Nouvel e Frank Gehry também. Outras, como Norman Foster e Zaha Hadid, já começam a marcar presença. E o paulista Isay Weinfeld será o mais novo integrante daquele que vem sendo considerado o maior museu de arquitetura a céu aberto do mundo: o High Line - parque suspenso construído ao longo de uma antiga ferrovia no Chelsea, em Manhattan, entre a 10ª e a 11ª avenidas - virou uma passarela cercada por prédios de vanguarda assinados pelos criadores mais celebrados do planeta. E a recente inauguração da terceira fase da plataforma elevada, que agora se estende até a Rua 34, só criou mais espaço para a tendência.

    - Não consigo pensar em outro lugar com tantos projetos impactantes de arquitetura lado a lado - diz Weinfeld. - É impressionante o que está pipocando à beira do High Line, onde todo arquiteto bacana tem ou gostaria de ter algum projeto. A gente passa e só vê construção, mais uma vez mudando a cara de um bairro da cidade. Fico muito honrado de poder estar lá.

    O empreendimento projetado pelo brasileiro - contíguo ao edifício da iraquiana Zaha Hadid, já em construção - será composto de duas torres residenciais e ocupará toda a extensão norte-sul do quarteirão entre as ruas 27 e 28. Um túnel vai cortar o terreno, criando um jardim privado para os moradores dos 36 apartamentos, que terão entre um e quatro quartos. O nome do complexo, aliás, será Jardim. Contratado por empreendedores americanos, Weinfeld vem trabalhando em silêncio há um ano. O lançamento deve ser em fevereiro, quando o estande de vendas fica pronto.

    Os imóveis projetados pelos chamados starchitects em volta do High Line custam, em média, 50% mais caro. O prédio de Shigeru Ban, por exemplo, tem um três quartos à venda por US$ 7 milhões, e outro similar no mercado de aluguéis por US$ 15 mil mensais. Um quarto e sala no edifício do francês Jean Nouvel está anunciado por US$ 2 milhões (o aluguel sai por US$ 8 mil). Já no prédio do inglês Norman Foster, ainda em obras, uma cobertura foi vendida por US$ 50 milhões.

    - Existe cada vez mais valor na arquitetura criativa. Basta dizer que o pé quadrado no prédio do Shigeru Ban custava US$ 1.800 quando foi inaugurado, em 2011, e agora já passa de US$ 3 mil - compara a corretora Yana Milanova, da Town, líder no mercado imobiliário de luxo nova-iorquino. - A região está muito mais atraente.

    Nem sempre foi assim. O oeste de Chelsea foi inicialmente ocupado por fábricas e armazéns, ainda nos anos 1930. Quando a indústria começou a migrar para os subúrbios, nas décadas de 1960 e 1970, os espaços foram tomados por empresas da indústria criativa. Vinte anos depois, chegaram as galerias de arte, egressas do SoHo. E o High Line, desenhado pela empresa de arquitetura Diller Sofidio + Renfro - responsável também pelo projeto do novo Museu da Imagem e do Som, na Praia de Copacabana -, mudou de vez o destino da região.

    - Até recentemente, a 10ª Avenida era o mais a oeste que alguém moraria no bairro. Mas os novos empreendimentos são predominantemente residenciais. A área tem uma série de elementos favoráveis: fica perto da estrada que beira o Rio Hudson, ou seja, é fácil de chegar e sair; os prédios não são muito altos, então há muita luz natural. Virou um objeto de desejo - afirma Yana, lembrando que ainda há terrenos (hoje ocupados por estacionamentos) disponíveis por US$ 700 o pé quadrado, e que o Hudson Yards, megaempreendimento em construção no extremo norte do High Line, trará uma quantidade significativa de imóveis comerciais e residenciais à região, que ganhará uma estação de metrô na 11ª Avenida, na altura da Rua 34.

    Muito além das fachadas surpreendentes, os prédios que transformaram o High Line numa vitrine da arquitetura contemporânea mundial trazem toda a sorte de amenidades que se imagina encontrar em empreendimentos do gênero - piscina, serviço de concierge, salas de ginástica, de massagem, de crianças. Mas outros luxos chamam a atenção: no 22 Eleventh Avenue, da alemã Annabelle Selldorf, os moradores contam com elevadores para carros, que são estacionados ao lado da porta de entrada de cada apartamento. E no 522 West 29th, um dos dois projetos concebidos pelo malaio radicado em Cingapura Soo Chan para o mesmo quarteirão e que devem ficar prontos em 2016, a maioria das 27 unidades terá piscina.

    O primeiro edifício criado com o High Line em mente - e o único erguido em cima dele - foi o Standard Hotel, de Todd Schliemann, inaugurado poucos meses antes do próprio parque, em 2009 (ao seu lado, no limite sul da plataforma suspensa, está em fase final de construção o novo museu Whitney, desenhado pelo italiano Renzo Piano). Na Rua 19, um condomínio de duas torres que sobem com a assinatura do dinamarquês Thomas Juul-Hansen terá um lobby comum embaixo dos antigos trilhos. Já o prédio do americano Neil Denari, na Rua 23, vai ficando mais largo nos andares superiores, reclinando-se para cima do High Line.

    - Todos os prédios têm uma relação direta ou indireta com o High Line - resume Weinfeld.

    Curador de arquitetura do MoMA, o português Pedro Gadanho é um entusiasta do parque, que, para ele, alterou o modo de se ver a cidade enquanto se passeia pela plataforma elevada.

    - Também foi criada uma outra alteração de percepção mais sutil: a de que as estruturas obsoletas da cidade podem ser reinventadas e tornadas de novo o centro das atenções, se o redesenho e a reutilização forem inteligentes e aproveitarem as especificidades da condição local. E isso foi o que transformou o High Line num modelo que todos querem repetir - acredita.

    Mas Gadanho enxerga nas mudanças ocorridas no bairro uma faca de dois gumes:

    - Por um lado, o sucesso da iniciativa é evidente, e valorizou a área para além de todas as expectativas. Por outro, a certo ponto o projeto parece uma vítima do seu sucesso, e é frequente ouvir os habitantes locais queixarem-se do excesso de turistas, e do fato de que já não podem usufruir de um espaço que supostamente era também deles. E ao mesmo tempo em que o High Line atraiu novos projetos, a transformação poderá ser radical no sentido da gentrificação.

    Fonte: O Globo
     





    Rio de Janeiro responde por 80% da alta da renda nas metrópoles

     
    Região metropolitana ganha com eventos, indústria e serviços
     
    por
     
    Washington Miranda desistiu de trabalhar no comércio e agora atua como técnico em eletricidade - Custódio Coimbra / Custódio Coimbra


    RIO - Uma combinação de grandes eventos esportivos, expansão do setor de óleo e gás e a sofisticação de serviços está mudando a cara do mercado de trabalho no Rio. Prova disso é que a região metropolitana tem sido o grande motor da renda no mercado de trabalho local. Sozinha, responde por 80% do crescimento de 2,5% da renda média em agosto nas seis principais regiões do país (São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Recife) na comparação com igual mês do ano passado. Não fosse o desempenho do Rio, o avanço médio das regiões nessa base de comparação seria de apenas 0,6%, calcula o economista e especialista em mercado de trabalho do Ibre/FGV Fernando de Holanda Barbosa Filho.

    Desde abril do ano passado, o Rio já supera a renda média de São Paulo, e a diferença vem aumentando. Os contrastes não se limitam a isso. Se em vez do Rio fosse São Paulo a sair do mapa, a renda nas seis regiões até subiria mais: 3,6%. Segundo Barbosa Filho, enquanto no último ano o mercado de trabalho na região metropolitana de São Paulo vem se ressentindo da desaceleração do emprego industrial, no Rio, nunca houve um período tão aquecido.

    — A tendência é que o Rio tenha um mercado descolado do resto das regiões até as Olimpíadas. No ano que vem, a produção de petróleo deve aumentar e a construção deve permanecer ativa. Mesmo com um ajuste da economia esperado no ano que vem (o que pode significar aumento da taxa de desemprego e queda na renda real), o rendimento não deve mudar no Rio — afirma o economista.

    Em compensação, a inflação acumulada em 12 meses até setembro no Rio foi de 7,63%, o maior patamar entre as regiões.

    Além do fôlego nos salários, o Rio conquistou em agosto a mais baixa taxa de desemprego entre as principais regiões, de apenas 3% em agosto (último dado disponível). Caso se exclua o Rio — o segundo maior mercado entre as seis principais regiões metropolitanas do país — da conta, a taxa de desemprego média subiria de 5% para 5,6%.

    Para o economista do Ibre/FGV, os bons números do mercado de trabalho do Rio estão camuflando a desaceleração do mercado metropolitano brasileiro.




    — A foto (da média das regiões) parece mais bonita do que realmente é — sintetiza Barbosa Filho.

    Salários na construção: alta de 20,4%

    A criação de vagas na construção civil vem crescendo bem acima da média nacional nos últimos anos, com obras da Copa, metrô, Zona Portuária, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e BRT e lidera os avanços na renda dos fluminenses, com salários 20,4% maiores que no mesmo mês do ano passado.

    A melhora no mercado já é sentida por Washington Miranda, de 33 anos, morador de Nova Iguaçu, que tem ensino médio completo e curso técnico em elétrica pelo Senai. Ele acaba de ser contratado pela Hochtief, empresa de construção, para trabalhar num canteiro de obras na Praça Onze. Lembra que quando começou a trabalhar no setor, em 2012, ganhava em torno de R$ 960, e hoje o ganho já chega a R$ 1.580.

    — O mercado está muito aquecido, recebi outras propostas antes de começar aqui nessa obra. Meu currículo não é dos melhores, mas tenho bons cursos. Se tivesse inglês, teria muito mais oportunidades em multinacionais — afirma.

    Por ora, Washington tem um uma rotina apertada de trabalho e estudos. Para chegar na obra às 7h sai de casa às 4h30m. Depois do trabalho, vai para a faculdade de engenharia elétrica, de onde sai às 22h30m. Ele vê recompensa no sacrifício e possibilidade de ascensão.

    — Sempre gostei de elétrica, mas só me interessei mesmo quando comecei a trabalhar na área. O salário foi melhorando, e o interesse foi aumentando também. Hoje, estudo e trabalho com o que eu gosto — diz.

    Segundo o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos e as eleições podem ter aberto oportunidades, especialmente para os trabalhadores da construção no Rio.

    — O Rio é a grande porta de entrada para esses eventos. Na construção, um trabalhador que era pedreiro e fazia pequenos consertos, bicos foi para o canteiro de obras ou tem uma pequena empresa e agora presta serviços. Essa mudança nos últimos anos reduziu a oferta de mão de obra e aumentou os salários — afirma Azeredo.

    Desigual: capital x periferia

    A jovem Fernanda Couto, 24 anos, acaba de se formar como engenheira civil na UFRJ, e conseguiu ser efetivada na construtora OAS, onde estagiou. Trabalha na obra da TransOlímpica, via expressa que interligará o Complexo Esportivo de Deodoro à Vila dos Atletas, no Riocentro. Como engenheira júnior, uma espécie de trainee, ganha cerca de R$ 6.300 por 44 horas de jornada semanal e se diz satisfeita.

    — Na engenharia, o que falta são engenheiros qualificados em áreas específicas. Faltam profissionais qualificados também em áreas como pedreiro e eletricista — afirma.

    E a maior demanda na construção pode ter “roubado” trabalhadores também do comércio e ampliado salários, na opinião de Christian Travassos, economista da Fecomércio-Rio. Washington foi um dos que desistiram do comércio para trabalhar na construção. Depois de trabalhar por dois anos em uma loja de departamentos, optou por ser técnico em obras.

    — Minha esposa continua trabalhando no comércio e dividimos as despesas em casa. Conseguimos pagar as contas de casa, minha faculdade, colégio para o nosso filho — afirma ele.

    Em agosto, os salários no comércio do Rio subiram 12,1% na comparação com igual mês do ano passado, o segundo maior avanço na região. Segundo Travassos, a valorização dos salários no comércio é ainda mais longa. Entre 2007 e 2013, o piso dos trabalhadores do comércio no Rio subiu 117,2%, acima da renda média da região e do salário mínimo nacional e ainda 2,4 vezes a mais que a inflação.

    — Os grande eventos têm um efeito de aumentar a demanda por trabalhadores no comércio, mas a construção civil está crescendo e precisa empregar pessoas, também diminuindo a mão de obra. Além disso, temos uma legislação mais amarrada no Rio, com um piso. Existe um descolamento no setor e os salários sobem de forma alheia à produtividade — avalia.

    Para o economista Mauro Osório, da UFRJ, a principal explicação para o aumento da renda no Rio tão acima do resto das regiões está no fato de que, mais do que em qualquer outro lugar, os trabalhadores, em geral, têm optado por deixar o mercado de trabalho, o que também ajuda a diminuir a oferta de mão de obra. No comércio, onde um quarto dos trabalhadores são jovens, muitos têm saído, embora não tenham aumentado as matrículas em universidades.

    — Houve uma queda brutal do desemprego no Rio, mas sem a geração de emprego — afirma.

    Não se pode botar na conta apenas de grandes eventos o aumento dos salários no Rio, dizem especialistas. A indústria de transformação também tem contribuído para o aumento da renda do fluminense, com alta de 8,1% em agosto na comparação com igual mês do ano anterior, também o maior avanço entre as regiões.

    — Há uma mudança no perfil da indústria de transformação no Rio de Janeiro, uma sofisticação dos setores ligados a petróleo e gás, como no caso da naval, e de uma série de serviços que surgem na cadeia e também têm se sofisticado — afirma Osório.

    O economista lembra que a despeito dos bons indicadores, o Rio também divide de forma desigual o emprego, com muita concentração de vagas e salário na capital e fraqueza no entorno. Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), a geração de vagas formais nos municípios que compõem a periferia da região metropolitana no ano passado cresceu apenas 2,4%. Já na capital, a alta chegou a 5,7%, e no interior do estado, a 6,1%.

    — Aqui os trabalhadores moram na periferia e trabalham na capital, o que explica esse trânsito caótico. O Rio melhorou, se dinamizou, mas, ao lado dessa janela de oportunidade, é preciso investir em infraestrutura e em qualificação profissional para consolidar o ciclo virtuoso — afirma.

    Fonte: O Globo





    sábado, 11 de outubro de 2014

    US east coast cities face frequent flooding due to climate change





    Dozens of America’s east coast cities face routine tidal flooding under climate change, researchers said on Wednesday.

    Miami – where the habitues of South Beach are used to sloshing through water at high tide – will deploy new pumps this week to hold back the waters of the King Tides, the highest annual high tides, which are projected to crest at 3.5 feet (1.07m).

    Other cities are going to have to undertake similar measures if they want to avoid soggy streets in the future, the researchers said.

    The report, Encroaching Tides: How Sea Level Rise and Tidal Flooding Threaten U.S. East and Gulf Coast Communities over the Next 30 Years, from the Union of Concerned Scientists (UCS), found most of the towns on America’s east coast will see triple the number of flooding events by 2030.

    By 2045, those towns will see 10 times as many tidal floods – and those floods will seep further inland, and last longer, the researchers said.

    Many coastal towns already see dozens of small tidal floods every year, typically lasting only a few hours.

    But the frequency of such events is marching upwards because of sea level rise – which at some points along the east coast is more than twice the global average.

    Some east coast towns have recorded four times as many flood days as in 1970, the report found.

    Washington DC, which already experiences flooding from the Potomac river during hurricanes, will see chronic flooding – with 388 occurrences a year by 2045, according to the report.

    Annapolis, Maryland, Lewisetta, Virginia, and Wilmington, North Carolina, will see more than 300 tidal floods a year.

    Miami – which now experiences about six tidal floods a year – will also get wetter.

    “Further down the coast, Miami Beach, in 30 years, would experience more than 200 tidal floods a year,” said Erika Spanger-Siegfried, a UCS analyst and co-author of the report. “ Some could affect much of the art-deco historic district of South Beach ... Without serious intervention, frequent flooding will start to disrupt daily life and change the way an area functions.”

    The researchers used National Weather Service flood advisories and records from 52 tide gauges in coastal towns from Portland, Maine to Freeport, Texas to make their projections.

    In nearly all of the towns, tidal floods will be a regular occurrence, they found. By 2030, most of the towns could expect to see flooding in some areas 24 times a year. Some of those towns would see 48 floods a year.

    The frequency of those floods will worsen over time, the researchers said. By 2045, half of the towns can expect to see more than 100 tidal floods a year. Nine of those towns would see tidal floods 240 times a year by 2045.

    Those cities can also expect to spend more time under-water. By 2045, flood-prone areas of Wilmington, North Carolina will spend more than 345 hours a year underwater.

    Baltimore’s inner harbour is projected to be under water for more than 875 hours a year by 2045.

    And the floods are also expected to worsen – with deeper waters penetrating further inland, and threatening more property, the researchers found.

    Original source: http://www.theguardian.com

    Fonte: ECOticias




    sexta-feira, 10 de outubro de 2014

    Por que desmatar 79% da área de mananciais secou São Paulo


    MARCIA HIROTA*


    
    Reservatório Jaguari em 2010 (Foto: Divulgação)

    Reservatório Jaguari em 2014 (Foto: Divulgação).


    Estudo da Fundação SOS Mata Atlântica divulgado com exclusividade por ÉPOCA constatou que a cobertura florestal nativa na bacia hidrográfica e nos mananciais que compõem o Sistema Cantareira, centro da crise no abastecimento de água que assola São Paulo, está pior do que se imaginava. Hoje, restam apenas 488 km2 (21,5%) de vegetação nativa na bacia hidrográfica e nos 2.270 km2 do conjunto de seis represas que formam o Sistema Cantareira. As fotos acima mostram uma comparação do volume de água no reservatório Jaguari em 2010 e 2014.

    O levantamento avaliou também os 5.082 km de rios que formam o sistema. Desse total, apenas 23,5% (1.196 km) contam com vegetação nativa em área superior a um hectare em seu entorno. Outros 76,5% (3.886 km) estão sem matas ciliares, em áreas alteradas, ocupadas por pastagens, agricultura e silvicultura, entre outros usos.

    >> A diminuição da mata nos mananciais e a lição da seca em São Paulo

    O estudo teve como base o último Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, que avaliou a situação da vegetação nos 17 Estados com ocorrência do bioma, no período 2012-2013. O Atlas, que monitora o bioma há 28 anos, é uma iniciativa da Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com patrocínio de Bradesco Cartões e execução técnica da Arcplan.

    Com base em imagens de satélite, o Atlas da Mata Atlântica utiliza a tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para monitorar os remanescentes florestais acima de 3 hectares. Neste estudo sobre o Sistema Cantareira, realizado pela SOS Mata Atlântica e Arcplan, foram identificadas as áreas de até 1 hectare.




    As análises foram avaliadas em nível municipal, indicando os municípios com total de áreas naturais mais preservados. As cidades observadas foram: Camanducaia (19,6% de vegetação nativa), Extrema (15,2%), Itapeva (7,9%) e Sapucaí Mirim (42%), em Minas Gerais; Bragança Paulista (3,2%), Caieiras (50,2%), Franco da Rocha (40,8%), Joanópolis (18,8%), Mairiporã (36,6%), Nazaré Paulista (24,7%), Piracaia (17,7%) e Vargem (17,9%), em São Paulo.

    As florestas naturais protegem as nascentes e todo fluxo hídrico. Com esses índices de vegetação, não é de se estranhar que o Sistema Cantareira opere, atualmente, com o menor nível histórico de seus reservatórios, já que para ter água é preciso ter também florestas

    Leia nossa cobertura sobre a crise da água.

    E o que fazer diante deste quadro?

    O primeiro desafio é proteger o que resta de Mata Atlântica e manter, com rigor, o monitoramento e a fiscalização dessas áreas para evitar a ocorrência de novos desmatamentos. Importante lembrar que Minas Gerais, Estado que reúne não apenas as nascentes de rios que formam o Sistema Cantareira, mas também das bacias dos rios Doce, São Francisco e Paraíba do Sul, entre outros, é o recordista do desmatamento da Mata Atlântica pelo quinto ano consecutivo, de acordo com os últimos dados do Atlas da Mata Atlântica.
    O segundo ponto é promover a recuperação florestal nessas regiões, incluindo-se aqui investimentos públicos e privados para restauração florestal e programas de Pagamentos Por Serviços Ambientais (PSA) voltados aos proprietários de terras, municípios e Unidades de Conservação que as preservarem.

    Com o objetivo de estimular esse esforço, a Fundação SOS Mata Atlântica lançará ainda neste mês um novo edital do programa Clickarvore, com apoio do Bradesco Cartões e Bradesco Capitalização, para a doação de 1 milhão de mudas de espécies nativas para restauração na Bacia do Cantareira. Essas mudas possibilitarão a recuperação de até 400 hectares de áreas, que por sua vez podem promover a conservação de 4 milhões de litros de água por ano. A ideia é que os projetos selecionados colaborem para conservar e proteger os recursos hídricos conectando, nessas regiões, os poucos fragmentos de mata que hoje encontram-se isolados.

    Pode parecer pouco, tendo em vista o tamanho do desafio, mas é um primeiro passo para trazer de volta as florestas e a água ao Sistema Cantareira. Esperamos que essa iniciativa contribua para o fortalecimento de políticas públicas efetivas e que possa marcar o início de esforços conjuntos da sociedade, iniciativa privada e do poder público para a recuperação desse importante manancial. Afinal, a grave escassez que enfrentamos neste ano reforça a necessidade do Estado promover a proteção dos mananciais e a gestão integrada e compartilhada da água.

    A restauração da cobertura florestal nas áreas de mananciais é o pontapé para a recuperação das reservas de água. No entanto, para que traga resultados efetivos, essa iniciativa precisa ser somada a uma ação urgente e firme do Governo do Estado no sentido de implementar efetivamente instrumentos econômicos como o PSA e a cobrança pelo uso da água a todos os usuários, o que garantirá a sustentabilidade do sistema e o acesso à agua em quantidade e qualidade para a sociedade.


    *Marcia Hirota é diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica
    Fonte: Época




    Informações sobre o EBOLA









    Fundo da Amazônia já investiu R$ 919 milhões em projetos de conservação ambiental



    O Fundo da Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já financiou 63 projetos que visam a preservação e uso sustentável das florestas desde a sua criação em 2008. Os investimentos foram da ordem de R$ 919 milhões. No total, o fundo conta com R$ 1,724 bilhão disponíveis. Um dos últimos projetos aprovados recebeu cerca de R$ 15,7 milhões para gestão de terras indígenas.





    O objetivo do Fundo da Amazônia é captar doações voluntárias para ações que lutem e monitorem o desmatamento, promover a preservação e uso sustentável do bioma Amazônia. Na Conferência do Clima de Bali, a COP 13 em 2007, a delegação brasileira apresentou a ideia geral do Fundo, que foi credenciado para obter doações voluntárias de países. A primeira doação partiu da Noruega, contribuindo com 96% do total disponível atualmente.

    “A Noruega se destaca internacionalmente em termos de preocupação com as questões climáticas”, explica Juliana Santiago, chefe de departamento do Fundo Amazônia.

    O Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA) definiu as prioridades vinculadas diretamente ao Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM) para o biênio 2013-2014. O Plano conta com três eixos de atuação: ordenamento territorial, monitoramento e controle e estímulo a atividades produtivas e sustentáveis. Um dos principais esforços para o cumprimento do plano são projetos de regularização ambiental das propriedades rurais no País, visando à implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR).

    Mudança climática

    A preservação da Amazônia é fundamental para mitigar os efeitos da mudança climática. Com 4,2 milhões de quilômetros quadrados e com um dos maiores estoques de carbono, a floresta é peça fundamental para a manutenção da vida na Terra.

    “Está comprovado que a Amazônia tem um papel extremamente significativo na regulação climática”, afirma Juliana.

    Para ela, o governo brasileiro “tem feito sua parte” e investe “muito” nas ações de preservação. O fundo age como replicador de esforços, em uma lógica de compensação. O montante mobilizado no Fundo não pode, por exemplo, entrar no Orçamento. Ele age como linha auxiliar no combate ao desmatamento.

    De acordo com Juliana, cerca de 23 milhões de pessoas vivem na Amazônia e 70% dessas vivem em áreas urbanas. Por isso, a importância da contribuição da comunidade indígena, cerca de 350 mil pessoas que vivem no bioma, e dos extrativistas, que são estimulados ao manejo sustentável, pessoas em contato direto com a floresta. “É também um grande desafio social”, defende Juliana.

    Fonte: Blog do Planalto





    ‘Outubro Rosa’ alerta sobre câncer de mama em Niterói


    Teatro Popular, no Centro, é dos locais de Niterói que aderiu a iniciativa.


    Poliana Couto

    Construções consideradas pontos turísticos da cidade ganham iluminação especial para lembrar sobre a importância da prevenção e de buscar o diagnóstico precoce da doença

    Outubro é o mês escolhido para a campanha “Outubro Rosa”, voltada para a conscientização da prevenção do câncer de mama. A campanha foi criada com objetivo de alertar as mulheres sobre a importância da prevenção e de buscar o diagnóstico precoce da doença. Em Niterói, vários eventos serão realizados para conscientizar a sociedade e as mulheres: a programação é extensa incluindo a iluminação e decoração de alguns prédios e monumentos históricos da cidade.

    Alguns pontos, como a Câmara Municipal e o Teatro Popular, já se encontram iluminados com a cor da campanha ou enfeitados com o laço rosa em prol da iniciativa. Ontem, às 19h, o Museu de Arte Contemporânea (MAC) recebeu uma iluminação especial na cor rosa, seguida do coquetel de abertura da exposição “The Scar Project”, em cartaz na varanda do museu.

    Amanhã, a Caminhada Outubro Rosa terá concentração às 10h, em frente ao Clube de Regatas Icaraí. No dia 15, às 14h, a médica Thereza Cypreste fará palestra na sede da Companhia de Limpeza Urbana (Clin). No dia 29, às 19h, no Teatro Municipal, a cantora Juliana Maia fará apresentação em prol da Associação das Amigas da Mama (Adama). E no dia 30, às 9h, Thereza Cypreste fará uma palestra para merendeiras, no MAC.

    No esporte – O abraço ao “Outubro Rosa” motivou ações até em cenários mais associados ao público masculino, como o Maracanã. No sábado, durante o jogo entre Flamengo e Santos, o estádio ficou colorido de rosa. Na quarta-feira, o “Maraca” ganhou novamente a cor do “Outubro Rosa” no jogo entre Botafogo e Palmeiras, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ontem, o estádio voltou a ficar iluminado de cor-de-rosa durante o confronto entre Fluminense e Atlético Mineiro, na disputa por uma vaga no G-4. Todas as iniciativas tiveram apoio da Secretaria Estadual de Saúde, do estádio, dos clubes e da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.

    Diagnóstico – O câncer de mama é o mais temido pelas mulheres, por conta da sua alta incidência e pelos efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e da imagem pessoal. No ano passado, no Rio de Janeiro, houve mais de 6 mil internações de pacientes vítimas do câncer de mama. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente este ano serão diagnosticados no Brasil mais de 50 mil novos casos da doença.

    Campanha – O movimento surgiu em 1990 na primeira Corrida pela Cura, realizada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, e desde então, vem sendo promovida anualmente na cidade. Somente em 1997 é que entidades das cidades de Yuba e Lodi, também nos Estados Unidos, começaram a promover atividades voltadas para o diagnóstico e prevenção da doença, escolhendo o mês de outubro como epicentro das ações.

    Hoje, o “Outubro Rosa” é realizado em vários lugares do mundo. A ideia é lembrar as mulheres sobre a importância de manter os exames em dia. Apesar de ser o tipo de câncer de maior incidência feminina, quando descoberto precocemente, a chance de cura é de 95%.
    Fonte: O Fluminense




    Niterói recebe Semana Nacional de Ciência e Tecnologia


    Niterói recebe Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Foto: divulgação


    A abertura oficial da programação vai contar com o Espetáculo “Matéria” com a Cia de Dança Lúmini, no Teatro Municipal de Niterói, no centro.

    Entre os dias 13 e 19 de outubro, será realizada em todo país mais uma edição da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), evento criado em 2004 com o objetivo de mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em torno de temas e atividades científicas, valorizando a criatividade, inovação e destacando a importância da ciência e da tecnologia para a vida de todas as pessoas e para o desenvolvimento pessoal.
     
    A abertura Oficial da programação começa na segunda-feira (13) com o Espetáculo “Matéria” com a Cia de Dança Lúmini, no Teatro Municipal de Niterói, às 19h. Confira a programação completa do evento:
     
    Segunda-Feira - 13/10/2014
     
    Abertura Oficial– Espetáculo “Matéria” com a Cia de Dança Lúmini.
     
    Local: Teatro Municipal de Niterói.
    Horário:19h
     
    ✓ FÓRUM VIRTUAL “A Escola que Queremos”
    Público: Alunos da Rede Municipal de Educação de Niterói
    Período: 09 a 17 de outubro de 2014.
     
    ✓ Apresentação de Trabalhos de Iniciação Científica pelos “Jovens Cientistas” do Instituto Vital Brazil.
    Local:  Auditório do Instituto Vital Brazil.
    Horário: 14h
     
    Terça-Feira - 14/10/2014
     
    Caminhos de Darwin: Caminhada entre a Praça do Engenho do Mato (Niterói, RJ) até a fazenda Itaocaia (Maricá, RJ).
     
    Local de encontro: UMEI Olga Benário, Praça do Engenho do Mato.
    Horário: 8 h
     
    ✓ Seminário de Educação Infantil:
     
    Local: Auditório Prof. Amaury Pereira Muniz (FME).
    Palestra: Tecnologia na Educação.
    Profª Dra. Andrea Serpa (UFF).
    Relato de Experiência: Profª Roberta e Joana (UMEI Hermógenes Reis).
    Horário: 8h30 às 12h
     
    Palestra: Afetividade na Educação.
    Profª Mônica Picanço (UFF).
    Horário: 13h30 às 17h
     
    ✓ Oficinas de Animação (Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias/FME).
    Local: Escolas Municipais, por Polo.
    Horário: 14h e 19h
     
    Quarta-Feira - 15/10/2014
     
    Atividades na Plataforma Urbana Digital da Educação – Macquinho.
     
    Posse do Conselho Gestor da Plataforma Urbana Digital do Macquinho.
    Atividades com tecnologias digitais, oficinas, edição de vídeo e animação digital.
    Local: Plataforma Urbana Digital da Educação – Macquinho.
    Horário: 9 às 18 h
     
    Quinta-Feira - 16/10/2014
     
    ✓ Seminário de Educação Infantil
    Local: Auditório Prof. Amaury Pereira Muniz (FME).
    Palestra: Documentação Pedagógica na Ed. Infantil.
    Profª Luciana Ostetto (UFF).
    Horário: 8h30 às 12h
     
    Palestra: Desenvolvimento de Bebês.
    Profª Rosana Santos (UFRJ)
    Horário: 13h30 às 17h
     
    ✓ Atividades de Inclusão Digital
    Local: Telecentro Presidente João Goulart, Terminal Rodoviário, próximo à Estação das Barcas, Centro.
    Horário: 9 às 12 horas
     
    ✓ Oficinas de Animação (Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias/FME)
    Local: Escolas Municipais, por Polo.
    Horários: 9h e 14h
     
    ✓ Extração de veneno de cobras (aberto ao público). Exposição permanente do Jardim da Instituição.
    Local: Instituto Vital Brazil.
    Horário: 14h
     
    ✓ Certificação dos cursos de informática e cidadania digital dos Telecentros e anúncio de novos cursos, com a presença do Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação Sr. Clélio Campolina.
    Conferência: Inclusão Digital e Políticas Públicas.
    Conferencista: Dr. Marcos Mazoni – Diretor-Presidente do SERPRO.
    Local: Memorial Roberto Silveira  (Caminho Niemeyer - Rua Jornalista Rogério Coelho Neto, s/n°, Centro, Niterói.
    Horário: 15 às 17h
     
    Sexta-Feira - 17/10/2014
     
    ✓ I Feira Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Niterói – escolas municipais, estaduais, privadas e instituições parceiras (Cia espetáculo e oficinas circenses, Casa da Descoberta, Planetário Inflável, Vital Brazil, Ciência Sob Tendas – UFF, IFEC, DRM, Guardiões do Mar, Casa do Artesão, Laboratório de Robótica e Brinquedoteca da Unilasalle, Robótica Educacional, Programação com Scratch, Animação e Jornal Digital da Assessoria de Mídias e Novas Tecnologias/FME, Tecnologia Assistiva com Assessoria de Educação Especial/FME, Projetos Instituintes com a Assessoria Especial de Articulação Pedagógica/FME, Peça Teatral: “Da alquimia à química de Lavoisier”, Palestras, Cinema, entre outras parcerias).
    Local:  Cantareira, São Domingos, Niterói (Museu do Cinema).
    Horário: 9 às 19h
     
    Sábado - 18/10/2014
     
    ✓ Encerramento da Semana Nacional de C&T
    Conferência: Ciência e Tecnologia como fatores para desenvolvimento nacional.
    Conferencista: Representante do  Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação
    Local: Auditório do Museu de Arte Contemporânea - MAC, 10h.
     
    ✓ Feira Plínio Leitense
    Local: Colégio Plínio Leite - Rua Visconde do Rio Branco, 137 - Centro, Niterói. A partir de 9h.


    Fonte: O Fluminense