domingo, 24 de junho de 2018

PRO-SUSTENTÁVEL: Orla de Piratininga vai passar por processo de revitalização



A beleza da Lagoa de Piratininga. Foto de Evelen Gouvêa.


Carolina Ribeiro

Escolha de consórcio permitirá a realização de obras de infraestrutura, drenagem e recuperação ambiental

Neste segundo semestre do ano, a atenção estará voltada para Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. A prefeitura da cidade escolheu o consórcio que fará o projeto básico e executivo e outros estudos, no valor de R$ 1,7 milhão, para a implantação do Parque Orla Piratininga, que pretende levar obras de infraestrutura, drenagem e recuperação ambiental para a Lagoa de Piratininga. Junto a isso, uma empresa será selecionada nos próximos dias para monitorar o sistema lagunar da região. Ainda neste ano, sem data divulgada, o calçadão da orla da praia, que está destruído em uma parte, será revitalizado.

O projeto desenvolvido pela Prefeitura de Niterói para o Parque Orla prevê obras de infraestrutura, drenagem, manejo de águas pluviais, pavimentação e recuperação ambiental para a Lagoa. Anunciado o consórcio vencedor, as empresas precisam de cerca de um mês para se adequarem, de acordo com o secretário executivo Axel Grael. Após, o estudo levará sete meses para ficar pronto. Já as intervenções começam após a aprovação dos projetos pelo Executivo, com recursos do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO-Sustentável).

“O parque vai requalificar e mudar a centralidade do bairro. Além da importância ambiental, ele será um espaço bonito, com área de lazer, ciclovia; e vai recolocar a Lagoa de Piratininga como ponto central do bairro”, comenta Axel. 


Os projetos previstos e em andamento pela Prefeitura de Niterói prometem transformar o bairro de Piratininga, na Região Oceânica. Foto: Evelen Gouvêa


O investimento do Parque Orla, que terá 9km de extensão, será de R$ 17 milhões, de acordo com as últimas informações divulgadas pela Prefeitura de Niterói. O consórcio escolhido fará o projeto em cima do plano desenvolvido pelo Executivo, desenhado pela ótica do paisagismo ecológico, preservando a Lagoa e seus ecossistemas associados, e sem aterro de seu espelho-d’água.

“Iremos recuperar o ecossistema do entorno também utilizando jardins filtrantes, que vão ajudar a lagoa a filtrar sedimentos e poluentes. O projeto inclui ainda trilhas, equipamentos de lazer, acesso ao espelho-d’água e esportes náuticos”, conta o secretário.

Um dos benefícios do projeto para a região, além da recuperação ambiental, é a implantação do sistema cicloviário articulado com o novo sistema viário e no entorno da lagoa de Piratininga. O parque será favorecido para pedestres e ciclistas. Além disso, também há o objetivo de manter e fomentar a atividade pesqueira na região, já que muitos dos pescadores mantiveram sua ligação com a Lagoa de Piratininga ao longo dos anos. No entorno da lagoa há diversas miniconstruções de terminais pesqueiros e depósitos de barco. Quanto a isso, Grael afirmou que o projeto também estudará a questão.

“Queremos estimular a atividade dos pescadores, e justamente abrir os acessos ao espelho-d’água. Mas não podemos ter construção no lado da ciclovia, por isso o entorno será ordenado. O projeto que vai estabelecer como será feito. Vamos continuar ouvindo a comunidade, apresentando o projeto ao longo de seu processo, para que, de forma participativa, tenhamos o resultado que todos nós esperamos”, explica.




O secretário executivo Axel Grael adiantou que, nesta terça-feira (26), sairá o resultado da empresa que fará o monitoramento do sistema lagunar, analisando parâmetros físicos, químicos e biológicos do sistema para que haja um melhor conhecimento dos problemas existentes no local.

“Assim, quando aparecer um fenômeno como a espuma da última semana, entenderemos melhor o que está acontecendo. Precisamos saber o que acontece para estabelecer melhorias e a recuperação da lagoa”, finaliza Grael, completando que a espuma encontrada ainda está em análise.

O anúncio das obras foi aprovado pela população. O lojista Weverson Borges, de 47 anos, tem seu comércio há 11 anos próximo à Lagoa, e sempre ouve de seus clientes que a região precisa de melhorias. Turistas ainda perguntam se a Lagoa de Piratininga é limpa ou balneável.

“A região tem um potencial incrível para o turismo que nunca foi aproveitado por conta da poluição. Com esse projeto, os finais de semana serão movimentados por aqui, famílias e amigos poderão aproveitar...”, acredita.

Vencedor – O consórcio escolhido para o Parque Orla Piratininga foi o Ilhas Ecológicas de Piratininga, formado pelas empresas Village Construções, Embyá Paisagismo, Urbanismo e Arquitetura, Kaan Architecten – Serviços de Arquitetura, Gesto Arquitetura e Phytorestore.

O PRO-Sustentável tem prazo de execução de dois anos, e investimentos de R$ 350 milhões, financiados pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina – Cooperação Andina de Fomento (CAF). O programa contempla obras de infraestrutura, urbanização e de sustentabilidade ambiental, incluindo pavimentação das vias oceânicas, requalificação nas áreas do entorno da TransOceânica, sistema de controle semafórico, iluminação, renaturalização do Rio Jacaré, projeto paisagístico, além da construção de um Centro de Referência em Sustentabilidade Urbana e de um plano de gestão para a Região Oceânica.

Memória – Desde o último final de semana, uma espuma densa invadiu um dos trechos da lagoa e se alastrou por toda a extensão, na altura da localidade do Tibau, no Jardim Imbuí. Segundo a Prefeitura de Niterói, a mancha foi provocada por uma emulsão, derivada do contato da água do mar com as algas. Na última quinta-feira (21), não havia mais espuma no local. No mês passado, um outro fenômeno chamou a atenção dos pescadores após o espelho-d’água adquirir uma tonalidade esverdeada, devido ao alto nível de esgoto e do excesso de algas na área.

Calçadão – Com um trecho destruído há 2 anos, o calçadão de Piratininga deverá ser entregue ainda neste ano. Na abertura dos trabalhos legislativos na Câmara Municipal de Niterói deste ano, o prefeito Rodrigo Neves informou o que estava planejado para a cidade até 2020. Em 2018, a gestão teria uma agenda ainda mais forte nas áreas de infraestrutura e recuperação dos espaços públicos. Entre elas, os projetos do parque lagunar de Piratininga e as obras de recuperação do calçadão da praia do bairro.

A força de uma ressaca no fim de abril de 2016 destruiu parte do calçadão de Piratininga, entre o primeiro e o sexto quiosque. O quarto e o quinto precisaram ser interditados na época, sendo o quarto de maneira definitiva, já que teve sua estrutura danificada junto com a calçada e está interditado desde então, assim como um trecho do calçadão.

Em novembro passado, a prefeitura deu início a um estudo de modelagem da orla para a revitalização do calçadão, visando entender a dinâmica de correntes e ondas, topografia e o ecossistema, além de programar também uma simulação dos impactos na orla de Piratininga. A previsão era de que o resultado fosse apresentado ainda neste ano. O objetivo é solucionar definitivamente o problema que é corriqueiro na praia, para que novas intervenções não voltem a ser destruídas. O estudo fará a modelagem matemática da orla para um futuro detalhamento do projeto. A partir do resultado será definido o tipo de intervenção a ser feita no local.






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