quarta-feira, 3 de junho de 2015

CHÁCARA DO VINTÉM: uma relíquia da história do abastecimento de água em Niterói




A cidade de Niterói nunca contou com fartos mananciais para abastecê-la e, por muito tempo, este foi um dos maiores obstáculo para o seu desenvolvimento urbano.

Segundo os professores Eloisa Souto e César Ornelas, do curso de Licenciatura em História do Centro Universitário La Salle do Rio de Janeiro - UNILASALLE, os primeiros passos para a solução do abastecimento público de água da cidade surgiu em 1835, por iniciativa do presidente da Província do Rio de Janeiro, Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, que investiu na prospecção e canalização de águas.

Os mananciais mais promisores estavam nas serranias compostas pelos morros atualmente denominados de São Lourenço, Boa Vista, Juca Branco e Serrão, que ainda apresentam nascentes bem ativas. O governo provincial construiu um aqueduto do Morro de São Lourenço para a adução de águas para o abastecimento de um chafariz no Largo Municipal, atual Praça D. Pedro II ou Jardim de São João, no Centro de Niterói.

Foram construídos um aqueduto, caixas de depuração e canalizações, tendo o sistema sido inaugurado em 1837.

A disponibilidade de água não foi suficiente, e as autoridades e engenheiros passaram a buscar outros alternativas para completar a oferta de água. Em 1838, o presidente da Província, Paulino José Soares de Sousa, futuro Visconde de Uruguai, desapropriou a Chácara do Vintém, cujos direitos sobre a água do proprietário, conselheiro José Caetano de Andrade Pinto (major da Guarda Nacional e Conselheiro do Império), haviam sido avaliados em 6:000$000 (seis contos de réis). Com a desapropriação da Chácara do Vintém a infraestrutura de abastecimento foi reforçada.

A medida que as obras avançavam, crescia também a população da cidade e o problema de demanda por abastecimento de água persistia. Em 1860, a cidade passou a captar água em mananciais mais distantes, no Rio da Vicência, localidade hoje chamada de Baldeador e ainda conhecida popularmente como Caixa D´Agua, no Fonseca. No final do século XIX, a Província extendeu a sua busca por água para o Rio Macacu, que originou o sistema Imunana-Laranjal, de onde provém atualmente as águas que abastecem Niterói e outros municípios do Leste da Baía de Guanabara.

Ontem, dia 02 de junho de 2015, a convite do padre João Cláudio Nascimento, estive no Bairro de Fátima com os pesquisadores do UNILASALLE, professor Cesar Ornellas (Coordenador do Projeto Aqueduto da Chácara do Vintém) e a professora Eloisa Souto (Coordenadora do Laboratório de Estudos sobre Memória, Patrimônio e Representações - LEMPAR), do secretário de Participação Social, da Prefeitura de Niterói, além de integrantes do Escritório de Gestão de Projetos - EGP (vinculado à Vice-Prefeitura) e representantes da EMUSA.

Na visita, percorremos as construções históricas e discutimos estratégias para a sua proteção. Conforme afirmei no encontro, o sistema da Chácara do Vintém é um valioso patrimônio da cidade e a sua proteção está em consonância com as seguintes iniciativas municipais: Programa Niterói Mais Verde, desenvolvimento do turismo e a obtenção do reconhecimento de Niterói como cidade histórica.

Através do EGP, vamos incluir a Chácara do Vintém como uma das prioridades dos próximos investimentos da Prefeitura.

Axel Grael
Vice-Prefeito de Niterói


As informações históricas acima citadas tiveram como referência o "Projeto da Chácara do Vintém: patrimônio histório e memória comunitária", coordenado pelo professor César Ornellas.


Fotos da visita à Chacara do Vintém:





Percorrendo o aqueduto.


 



Prédio do Reservatório de Água do sistema.

Bica, onde a população podia obter água, ao custo de um vintém.



Área do manancial, onde a água era captada.

Sistema túneis de adução de água.

 Fotos de Leonardo Simplício e Axel Grael.







Um comentário:

  1. Muito bacana !!
    enfim alguém de Niterói vai salvar essa obra!
    meu pai diz que uma parte dessa obra foram os índios que fizeram e que quando pequeno sempre buscava água no que ele chamava de (pontilhão)!

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