sábado, 23 de janeiro de 2010

Orçamento da área ambiental do RJ ultrapassa meio bilhão de reais

O INEA – Instituto Estadual do Ambiente - comemorou um ano de existência na quinta-feira. Durante o evento, o presidente, Luiz Firmino Martins Pereira, discursou sobre o balanço das realizações e sobre o processo de implantação do novo órgão, que substituiu as antigas FEEMA, SERLA e o IEF. O presidente anunciou que, em 2010, o orçamento da área ambiental do RJ ultrapassará meio bilhão de reais, graças à implantação de novas formas de arrecadação e novos fundos para a gestão financeira dos recursos. Nunca houve tantos recursos disponíveis para o meio ambiente do Estado do Rio de Janeiro. Em seu pronunciamento, a secretária Estadual do Ambiente, Marilene Ramos, afirmou que parte dos recursos serão investidos em benefício da qualidade ambiental da Baía de Guanabara, inclusive na redução do lixo flutuante.

Na ocasião da comemoração do aniversário do INEA, foi inaugurado uma galeria com fotos dos ex-presidentes dos órgãos ambientais que deram origem ao INEA: a Feema, IEF e SERLA.

Foi um momento agradável de reencontro com colegas da FEEMA e do IEF, órgãos que eu tive a honra de presidir.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 23/01/10.

RJ ultrapassa meta de 10% do território protegido por parques

O INEA acaba de anunciar a criação do Parque Estadual da Costa do Sol, que protegerá remanescentes de ecossistemas de restinga da Região dos Lagos. A grande inovação que o novo parque traz é o fato de ser criado na forma de mosaico, envolvendo 27 fragmentos que, embora próximos, são isolados entre si. Juntas, as áreas somam 5.500 hectares, protegendo regiões dos municípios de Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Cabo Frio. As prefeituras das cidades envolvidas participarão da gestão do parque em consórcio com o INEA. Essa já é uma experiência consolidada na região, uma vez que, através de um consórcio, esses municípios já alcançaram excelentes resultados na recuperação da Lagoa de Araruama. Com o Parque, o RJ ultrapassará a marca de 10% do território protegido e aumentará a proteção dos ecossistemas da faixa litorânea.

Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 23/01/10.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Demonstração de barcos solares no ICRJ

Lars Grael a bordo do Peixe Galo, barco movido a energia solar. Foto Marcelo Rhenius/ Regattapix-ICRJ.

Veja vídeo do programa Globo Esporte (20 de janeiro de 2010) que mostra Lars Grael pilotando o Peixe Galo, barco movido a energia solar montado por instrutores e alunos do Projeto Grael.


A apresentação do Peixe Galo aconteceu durante o Campeonato Mundial da Classe Star, que está acontecendo no Rio de Janeiro, com sede no Iate Clube do Rio de Janeiro. No vídeo você verá uma divertida brincadeira.
  • Lars Grael pilotava o Peixe Galo, do Projeto Grael.
  • Ross MacDonald, canadense e ex campeão mundial, pilotando o Copacabana, da UFRJ
  • George Szabo, americano e atual campeão olímpico, pilotando o Ipanema, da também da UFRJ.

As instituições buscam patrocínio para participar da Frisian Challenge, uma competição de barcos movidos a energia solar, na Holanda.

O barco Peixe Galo, do Projeto Grael, participou do Desafio Solar 2009, em Parati, quando sagrou-se vicecampeão, perdendo apenas para o barco da Universidade Federal de Santa Catarina. Para o evento, o barco solar do Projeto Grael contou com o patrocínio da G-Comex e da Optima Batteries.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Para entender o Haiti

Apresento a seguir a sugestão para a leitura de dois textos importantes para se entender os problemas que levaram o Haiti ao caos, mesmo antes da total ruína imposta pelo terremoto.

Uma história de injustiça e perseguição
No Blog "Ecopolítica", de Sérgio Abranches, você verá uma descrição do processo histórico que massacrou o Haiti, primeiro país a conquistar a sua independência nas Américas. Leia em http://www.ecopolitica.com.br/2010/01/18/pense-no-haiti-reze-pelo-haiti-seja-um-haitiano/


Os dois lados de uma mesma ilha


Outro Blog, intitulado "A ficha caiu", publica o texto "O preço das decisões equivocadas", e faz uma análise da crise humanitária do Haiti sob a ótica da sustentabilidade. Numa interessante comparação entre os dois países que dividem a Ilha de Hispaniola (Haiti e República Dominicana), mostra a diferença entre os impactos ambientais do modelo de desenvolvimento dos dois países que dividem a essa que foi a primeira terra pisada por Colombo nas Américas. A foto acima, obtida no Blog, mas que originalmente é de uma palestra de Al Gore, mostra um trecho da fronteira entre o Haiti e a República Dominicana. O lado direito esquerdo da foto é o Haiti. Enquanto a República Dominicana possui 74 unidades de conservação, cobrindo 32% do seu território. O lado esquerdo, com as montanhas todas desmatadas, é o Haiti. Pressionada por sua triste história, desde a sua origem, foi imposto à população do Haiti a sina de lutar pela sobrevivência da forma mais injusta e insustentável. Ao país restou apenas quatro unidades de conservação, que quase não existem mais. As consequências do processo histórico de devastação pode ser verificado também nos indicadores econômicos. Enquanto a renda per capita de um haitiano é de US$ 1,3 mil (antes do terremoto), a de um dominicano é de US$ 7,4 mil. No Brasil, a renda per capita é de US$ 9,4 mil, para comparar.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Carros saindo de cena?

Engarrafamento na rodovia entre São Paulo e Santos.


Um dos mais influentes ambientalistas do mundo, Lester Brown, presidente do Instituto de Políticas da Terra, publicou um relatório em que anuncia que o amor centenário dos americanos pelos automóveis pode estar diminuindo. Números apresentados no relatório intitulado “Plano B 4.0: Mobilizando para salvar a civilização”, mostram que a frota de veículos nos EUA encolheu em 4 milhões de unidades em 2009. Foram vendidos 10 milhões de carros novos, enquanto 14 milhões foram desmontados e retirados das ruas. Apesar de ser um número tímido perto do tamanho da frota americana – mesmo reduzida, terminou o ano com 246 milhões de veículos - essa seria a primeira vez na história, desde a II Guerra Mundial, que isso aconteceu.

Brown afirma ainda acreditar que a tendência de redução do número de carros deve continuar até 2020. Ao analisar os motivos, o relatório afirma que não foi apenas a crise econômica que desestimulou o afastamento dos carros. A saturação do mercado (existem cinco carros para cada quatro motoristas licenciados nos EUA), insegurança com relação ao petróleo, aumento no preço dos combustíveis, frustração com os engarrafamentos, a crescente preocupação com os impactos climáticos dos veículos com motor a combustão. A queda no interesse pelos carros é maior entre os jovens. O Instituto do Transporte do Texas calculou que os custos dos engarrafamentos nos EUA (desperdício de combustível e tempo) saltaram de US$ 17 bilhões em 1982 para US$ 87 bilhões em 2007.

Você já calculou os seus prejuízos com os nossos congestionamentos diários?

Outras partes do mundo também têm demonstrado essa tendência com relação aos automóveis. No Japão, a venda de automóveis despencou 21% desde 1990. Na Alemanha, conheci um prédio em Berlim, em que os seus moradores venderam seus próprios carros e passaram a usar apenas um veículo de forma partilhada. Lá, há anos a população prefere as ciclovias às ruas de automóveis. No Brasil, mesmo com as cidades já abarrotadas de automóveis, ainda estamos apegados ao rodoviarismo e ávidos por mais carros.

Nessa semana, um alento. O Ministério das Cidades anunciou que investirá R$ 7,68 bilhões em mobilidade urbana nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Somado às contrapartidas estaduais e municipais, os investimentos chegarão a R$ 11,48 bilhões, a serem aplicados em 47 projetos. Os investimentos serão prioritariamente em soluções de transporte mais eficientes.

Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 16/01/10

Dra Zilda Arns, uma grande brasileira

Ainda estamos em meados de janeiro e já temos mais uma grande tragédia a lamentar em 2010: depois de Angra dos Reis/Ilha Grande, São Luis do Paraitinga, São Paulo, Baixada Fluminense e agora o terremoto do Haiti. O flagelo de um povo, cujo sofrimento parece não ter fim, comove a todos.

As cenas do Haiti assustam. O desastre humanitário em um país já tão depauperado e miserável produz cenas comoventes.

Na catástrofe, perdemos uma grande brasileira: doutora Zilda Arns, fundadora e líder da Pastoral da Criança. Assim como outras grandes lideranças sociais brasileiras como Chico Mendes e Betinho, ela era uma bela inspiração para todos, pela sua perseverança, pela qualidade da sua liderança e também pelos seus métodos vitoriosos. Quem atua no movimento social, sabe o quanto é difícil atrair, manter e gerir o trabalho voluntário no Brasil.

A Dra. Zilda sabia perfeitamente como fazê-lo. Diante do drama da desnutrição e da elevada mortalidade infantil no país, valeu-se da grande capilaridade da Igreja na sociedade, arregimentou um exército de 261 mil voluntários, presentes em 4.066 municípios, dando assistência a 1,8 milhões de crianças e 95 mil gestantes a cada mês. Um trabalho gigante e só uma pessoa muito especial poderia liderá-lo. E o segredo do sucesso da Pastoral da Criança estava na absoluta descentralização das ações, baseada na independência das equipes locais e, sobretudo, na maciça formação e treinamento de lideranças. Aos 75 anos, a Dra. Zilda dedicava-se a um novo sonho: promover o braço internacional da Pastoral da Criança. E foi isso que a levou ao Haiti.

As cenas que vemos da tragédia no país mostram que Dra. Zilda morreu cumprindo a sua missão de vida, que era servir aos desassistidos e praticar a frase que ensinou: “amar é fazer o outro crescer”.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Matéria no site UOL



15/01/2010 - 07h04
Lixo coloca em dúvida projeto no 1º Mundial do Rio olímpico

Bruno Doro
Em São Paulo


O Campeonato Mundial da classe Star começa neste sábado no Rio de Janeiro. Primeiro evento de uma modalidade olímpica desse porte realizado na cidade desde que os brasileiros ganharam a disputa pelas Olimpíadas de 2016, a competição de vela será realizada sob a aura de dúvida.Com as fortes chuvas que atingiram o estado do Rio nas últimas semanas, a Baía de Guanabara está imunda. A quantidade de lixo flutuante, como sacos plásticos e garrafas pet, é grande nas águas que deveriam ser usadas na competição. E a perspectiva não é das melhores para os próximos anos.

Segundo o engenheiro ambiental Axel Grael, irmão dos medalhista olímpicos Torben e Lars, o plano de despoluição da Baía de Guanabara é ambicioso. Talvez ambicioso demais. “O que foi apresentado no dossiê para as Olimpíadas é o projeto que o Estado já tinha feito. A diferença é que eles espremeram tudo. O que devia ser feito em dez anos, terá de ser feito em seis. A meta é reduzir em 80% o esgoto despejado na Baía. E esse é um número muito alto”, explica.

Grael fala com conhecimento de causa. Ele foi presidente da Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) até 2008. No período, foi um dos responsáveis pela elaboração do PDGB, o plano de despoluição do local. Além disso, também coordenou a preparação da Baía para outro evento importante, as provas de vela do Pan-Americano de 2007.

“Para o Pan, o que fizemos foi usar aquelas bóias de contenção de óleo, para também conter o lixo flutuante. Deu certo. Mas para 2016, estamos falando de algo muito maior. Não podemos comparar Pan com Olimpíadas”, lembra.

De acordo com ele, o grande desafio para o Rio não é a melhora da qualidade da água, mas a conscientizarão das pessoas. “A redução do esgoto que é despejado na Baía é um problema do Estado e isso tem de ser resolvido. Agora, o lixo flutuante, é culpa da população, que joga de tudo na calha dos rios e os rios fazem com que tudo chegue à Baía”.

A solução, para Grael, é aumentar o nível de envolvimento da população. “Quando você fala em PDGB, as cifras chegam a R$ 1,3 bilhão. É um número que, para o cidadão comum, parece muito grande, longe da sua realidade. Tão grande que afasta as pessoas. Mas o processo de despoluição precisa chegar à escala do cidadão. Claro que não é uma substituição do dever do Estado. É o governo que tem de fazer estação de tratamento, rede de esgoto. Mas tem coisas que estão na escala do cidadão”.

Para ilustrar a sugestão, ele usa a enseada de São Francisco, em Niterói, como exemplo: “Em Niterói, nós conhecemos todos os pontos de chegada de poluentes e as causas. Nessa escala, podemos pensar em soluções. Como é no bairro, você pode falar com o fulano que jogou lixo no córrego, explicar que isso chegou à praia e causou o problema. Tudo fica mais pessoal. Aí, se você tem uma praia que está limpa, a vizinha se anima. É uma contaminação positiva que pode ajudar muito”.

O medo, porém, é que todo esse programa não surta o efeito necessário até 2016. “A cara do Rio vai estar exposta. E a gente corre grande risco de, se não mostrar resultados, alterar o projeto olímpico e tirarem a vela do Rio. Temos de perseguir as soluções, porque seria um vexame completo perder a oportunidade que essa motivação olímpica oferece”.

Enquanto a baía não melhora, os velejadores seguem lidando com o lixo. O Mundial de Star, por exemplo, terá apenas uma de suas seis regatas disputadas dentro da Guanabara. As demais serão em mar aberto.

A realização das provas no local foi alvo de discussão dos velejadores. Uma série de questões logísticas sugeria que fazer o campeonato em mar aberto era mais fácil. E o lixo tornou a decisão mais simples. Mas não evitou reclamações.

“Eu fui voto vencido nessas discussões. Na minha opinião, para a vela seria melhor que todas as regatas fossem dentro da baia. Fica mais perto do público, é mais fácil visualizar a competição. E, independentemente das condições da água, com lixo ou não, o melhor velejador vai sempre vencer”, disse Alan Adler, um dos brasileiros que já foi campeão mundial da classe.

Dono de dez títulos mundiais, nove na Laser e um na Star, Robert Scheidt acha que a decisão é a acertada. “O lixo incomoda, é obvio. A pior coisa que pode acontecer com um velejador é perceber que você está perdendo rendimento por um fator externo, seja um saco plástico, algas, redes de pesca. Você sempre procura dar o máximo e acaba frustrado por algum problema que não é seu”.

O Mundial de Star, realizado pelo Iate Clube do Rio de Janeiro, começa neste sábado, com a primeira regata que vale para a classificação, e termina na próxima sexta. Só uma regata será disputada por dia. No total, são 81 barcos inscritos.

Começa o mundial de Star


Será realizada nesse sábado, às 13 horas, na Baía de Guanabara, a primeira regata do 86 Campeonato Mundial da Classe Star. Apenas a primeira e a última regatas serão disputadas dentro da Baía. As outras quatro serão disputadas fora da Baía. Portanto, hoje é uma das melhores oportunidades para que o público possa assistir à disputa. Em Niterói, o melhor lugar da orla para ver os barcos deverá ser no aterro da Boa Viagem. O evento reúne 81 tripulações de 20 países, sendo que dentre os participantes estão 11 campeões mundiais.
O grande número de inscritos e o alto nível dos competidores devem-se à escolha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Todos querem se ambientar com a futura raia olímpica. Quanto às chances dos brasileiros, Lars Grael analisou em seu blog da seguinte forma: Robert Scheidt e Bruno Prada deverão torcer para ventos fortes. Torben Grael e Marcelo Ferreira deverão ter mais chances com ventos médios e o próprio Lars Grael, com seu proeiro Ronald Seiffert, poderá surpreender caso os ventos sejam mais fracos.
Quanto aos estrangeiros, a grande preocupação é não conhecerem a raia tão bem como os brasileiros. O inglês Ian Percy, ex-campeão mundial, usou o bom humor para se referir à situação: “Vou fazer tudo o que o Lars fizer”. O lixo flutuante continua sendo a grande reclamação dos velejadores. E o problema deve ser agravado para a regata de hoje, depois das fortes chuvas de ontem. A presença do lixo foi um dos motivos que fez com que a organização optasse por fazer a maior parte das regatas em mar aberto, frustrando as tripulações locais que perdem a vantagem de conhecer melhor os ventos e correntes da difícil “raia da Escola Naval”.
O mundial será curto, com apenas seis regatas. Portanto, não há espaço para erros, pois a recuperação de um mal resultado será muito difícil.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Bloom de algas causam manchas gigantescas no litoral argentino

Imagens da NASA, publicadas em 12 de janeiro de 2010.


Numa colisão de correntes, um grande bloom de algas (proliferação anormal da população de algas planctônicas) espalha-se por todo litoral ao sul do Rio da Prata. A imagem à esquerda mostra a dispersão das algas, que parecem ter se propagado a partir de um foco no Rio da Prata. Na imagem à esquerda, verifica-se a temperatura da água do mar, no mesmo período.

Os palpites de Lars Grael para o Campeonato Mundial da Classe Star

Barcos treinam para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro.


Robert Scheidt e Bruno Prada descem uma onda. Foto Fred Hoffmann.


Barco de Lars Grael é o primeiro a passar pela medição e pesagem. Foto Fred Hoffmann.

A primeira regata oficial do 86 Campeonato Mundial da Classe Star acontecerá no sábado, a partir de 13 horas, numa raia montada na Baía de Guanabara, mesmo local da última regata do campeonato, programada para o dia 22. O público poderá acompanhar as provas de vários pontos: Urca, praia do Flamengo, no Rio, e do Museu de Arte Contemporânea e da praia da Icaraí, em Niterói.

Em seu site (http://www.larsgrael.com.br/), Lars Grael arrisca um palpite sobre as chances dos principais velejadores que disputarão o Campeonato Mundial da Classe Star. Veja a seguir:


>>>>>>>>>

Campeonato Mundial de Star 2010 - Prever o imprevisível?

Texto de Lars Grael



O Iate Clube do Rio de Janeiro irá sediar o Campeonato Mundial de Vela da Classe Star de 15 a 23 deste mês de janeiro. É a 4ª vez que o ICRJ sedia este título jamais conquistado por um brasileiro em águas brasileiras...

A Classe Star reune os mais famosos e laureados velejadores oriundos de diversas classes tanto no Brasil quanto no plano internacional. Na competição com 81 inscritos, arriscar uma previsão é flertar com a sorte e com a ilógica.

1- Com ventos fortes, a previsibilidade aumentaria sobre três comandantes:
  • Os Brasileiros Robert Scheidt / Bruno Prada: Robert um dos maiores vitoriosos da vela Mundial e seu proeiro Bruno Prada que é um dos mais técnicos e bem sucedidos proeiros da atualidade. A dupla foi campeã mundial em 2007, Prata nos Jogos de Pequim em 2008 e encerrou 2009 na 2ª colocação do ranking internacional.
  • Fredrik Loof da Suecia: Loof é um Bi-campeão Mundial de Star, Bronze em Pequim e expert nos ventos fortes.
  • Ian Percy do Reino Unido: Percy foi Ouro em Pequim e Campeão Mundial. Grande velocista e na verdade como os outros dois acima,candidatos em qualquer condição de vento.
2- Nos ventos fracos, a previsibilidade é mínima e nada fácil de apontar favoritos.
  • Eu arriscaria na dupla suiça do comandante Flavio Marazzi e seu barco revolucionário. Marazzi é veloz porém inconstante. Foi campeão Europeu em 2007, recém campeão Sul-Americano aqui no Rio e encerrou 2009 como o líder do ranking mundial.
  • Dentre outros candidatos, eu destacaria a dupla norte-americana George Szabo e Rick Peters que são os atuais campeões mundiais.
  • Nestas condições, eu e meu proeiro Ronald Seifert apresentamos nossas melhores chances como na 3ª colocação do campeonato Mundial de 2009 e da conquista de títulos nacionais e da competitiva Taça Royal Thames realizada recentemente nas águas do campeonato Mundial.
3- Nos ventos médios, somam-se a todos estes candidatos, inúmeros nomes, com destaque para:
  • Torben Grael / Marcelo Ferreira: Torben ao longo dos seus 30 anos dedicados a classe Star, conquistou 4 medalhas olímpicas e um título mundial. Marcelo veleja com Torben a 22 anos e é Bi-campeão mundial além de 3 medalhas olímpicas. A dupla está de volta e já mostrou que está na briga na conquista do bronze no Campeonato Sul-Americano de 2009.

  • Alan Adler / Guilherme Almeida: Alan, além de franco atirador de mira aguçada, é um ex-campeão mundial e acaba de sagrar-se Vice-campeão Sul-Americano.
Na esquadra brasileira de 25 Stars, temos que observar nomes de alto respeito com destaque para:
  • Gastão Brun: Bi-Campeão Mundial de Soling e Campeão Norte-Americano e Bi-Campeão Sul-Americano de Star.
  • André Mirsky: Maior revelação da classe Star nacional, está motivado e conta com barco novo e o mais consagrado treinador de Staristas, o polonês Andy. Seu proeiro Marcelo Jordão, era meu proeiro na conquista do título Sul-Americano de 2008.
  • Alessandro Pascolato: É campeão mundial master e gran master e ex-campeão nacional. "Dino Pascolato" é exemplo de dedicação e competência sobre um Star. Seu proeiro Henry Boennig é o maior velejador da classe Finn do Brasil da atualidade.
  • John King: Velejador instintivo e astuto, é um dos maiores conhecedores da raia de regatas carioca. Seu proeiro Norman MacPherson é um ex-campeão Sul-Americano nas classes Laser e Soling.
  • Reinaldo Conrad: O patriarca dos medalhistas olímpicos do Brasil, deve ser respeitado por todos por suas qualidade inquestionáveis.
  • Peter Ficker: Medalhista olímpico e panamericano.
5- Dos meus companheiros da Flotilha Paranoá de Brasília, a surpresa pode vir no vento fraco com alguns nomes como:
  • Guilherme Raulino: Ex-campeão Sul-brasileiro de Snipe, Guilherme veleja com o Bi-Campeão Sul-Americano de Star Marco Lagoa.
  • Cesar Castro: "Cri-Cri" como é chamado, é um expert em ventos suaves e navega meu Star reserva "Get Back".
  • Gabriel Raulino: Talentoso e irreverente, Gabriel foi líder de regata no recente campeonato Sul-Americano.
  • Luis André Reis: "Culé" como é chamado, foi medalhista panamericano na classe Snipe e veleja com meu ex-proeiro, o bom e técnico Renato (Tinha) Moura.
Os demais brasileiros na raia:
  • Horacio Carabelli/SC: Vice-Campeão Mundial de Snipe e recém vencedor da Volvo Ocean Race.
  • Francisco Siemsem Bulhões Carvalho da Fonseca:/ RJ. Oriundo de famílias de campeões. Esbanja talento.
  • Sergio Goretkin/RJ.
  • Mauricio Bueno/SP: vice-campeão brasileiro de Finn e veleja com o talentoso Jorginho Zarif.
  • Renato Cunha Faria/RJ: foi medalha de bronze em campeonato mundial da classe Soling.
  • Fabio Bodra/SP: Ex-Campeão da Classe Finn, é competitivo e respeitado.
  • Admar Gonzaga/DF: Secretário Nacional da Classe Star.
  • João Marcos de Almeida/RJ.
  • Renato Valentim/SP.
  • Bruno Caruso: Presidente da Federação de Vela de São Paulo - FEVESP.
Valerá á pena conferir e fico na conclusão do "só sei que nada sei"!
Bons Ventos em 2010!!!
Lars Grael