sexta-feira, 3 de abril de 2026

MMA atualiza previsões climáticas e risco de incêndios florestais para os próximos meses

Encontro reuniu representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da sociedade civil e instituições de pesquisa - Foto: Joédson Alves/Arquivo Agência Brasil

Dados apresentados em reunião coordenada pela pasta apoiarão atuação na prevenção e combate aos incêndios em 2026

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) promoveu, na última terça-feira (24/3), a segunda reunião com especialistas para debater as perspectivas climáticas para 2026 e o risco de incêndios florestais em todos os biomas brasileiros. O encontro virtual reuniu mais de 80 técnicos e representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além da sociedade civil e instituições de pesquisa para alinhar diagnósticos e estratégias de atuação.

Os dados mais recentes confirmam as análises da última reunião e indicam que o cenário de altas temperaturas em todo o país se mantém, com chuvas abaixo da média e temperaturas acima dos níveis históricos, especialmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste.

As informações também indicam que, entre abril e junho, a previsão é de chuvas acima da média na Amazônia e abaixo da média nas demais regiões do país.

Os especialistas destacaram, no entanto, a presença de áreas de seca severa concentradas entre Pará e Mato Grosso, além da situação do Pantanal e Matopiba, que seguem como principais pontos de atenção. Essas regiões acumulam déficit hídrico de longo prazo e registram aumento significativo das temperaturas nos últimos anos, o que eleva o risco de incêndios.

Outro fator preocupante é a possível ocorrência de um El Niño no segundo semestre. O fenômeno tende a prolongar a estação seca e intensificar o risco de fogo, especialmente entre outubro e novembro, período historicamente mais crítico no Pantanal, Cerrado e no leste da Amazônia.

As informações apresentadas irão subsidiar a atuação do MMA e de suas unidades vinculadas no planejamento e na implementação de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em 2026, em articulação com estados, municípios e a sociedade civil.

O secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, destacou o processo de implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). “Avançamos com instrumentos importantes, como a recente aprovação da Estratégia Nacional de Brigadas Voluntárias”, afirmou.

Segundo ele, o Governo do Brasil vem estruturando ações em diferentes níveis. “Estamos organizando uma base institucional mais robusta e, ao mesmo tempo, fortalecendo iniciativas nos territórios, com foco na preparação, organização e resiliência das comunidades, ampliando a capacidade de resposta aos incêndios”, completou.

As previsões climáticas e os indicadores de perigo de fogo foram apresentados por representantes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).

Também participaram representantes da Casa Civil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de órgãos estaduais, federais, pesquisadores, sociedade civil e membros do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (Comif).

Ações de prevenção e combate aos incêndios florestais

Desde 2023, o Governo do Brasil conduz uma série de medidas para prevenir e combater os incêndios florestais. Confira:
  • contratação do maior contingente de brigadistas federais da história, formado por 4385 profissionais – 2600 do Ibama e 1.785 do ICMBio, um aumento de 26% em relação ao ano de 2024.
  • a infraestrutura para 2025 incluiu sete novos helicópteros para uso do Ibama em ações de enfrentamento aos incêndios e desmatamento. A renovação da frota aumenta em 75% a capacidade de transporte de agentes e brigadistas, em 40% a quantidade de horas de voo por ano e em 133% a capacidade de lançamento de água.
  • desde 2023, o Fundo Amazônia aprovou R$ 405 milhões para apoiar os Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal na prevenção e combate a incêndios florestais. Destes, já foram contratados 370 milhões. São projetos no valor de R$ 45 milhões cada para Roraima, Amapá, Pará, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins e de aproximadamente R$ 21 milhões e R$ 34 milhões para Acre e Rondônia, respectivamente.
  • pela primeira vez, o Fundo Amazônia apoiará também ações de prevenção e combate a incêndios em estados fora da Amazônia, como no Cerrado e Pantanal. Em julho, foram aprovados R$ 150 milhões para os Corpos de Bombeiros Militares e brigadas florestais de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Piauí e Distrito Federal. O projeto, de autoria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foi apresentado por meio de um trabalho interministerial.
  • sanção da Lei 15.143/2025, que amplia a capacidade de respostas aos incêndios florestais, permite a transferência de recursos diretamente do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) para estados e municípios e garante mais agilidade na contratação de brigadistas, reduzindo o intervalo da sua recontratação para três meses. A lei permite ainda o uso de aeronaves estrangeiras em emergências ambientais.
  • anúncio dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas (PPCDs), pela primeira vez, para todos os biomas brasileiros, com estratégias específicas para a preservação ambiental em diferentes eixos até 2027 (acesse aqui);
  • desde janeiro de 2025, o MMA realizou sete reuniões com especialistas de órgãos públicos e universidades para avaliar a situação climática e previsões futuras, além de seu impacto sobre a ocorrência de grandes incêndios florestais de comportamento extremo;
  • publicação de edital que prevê recursos no valor de R$ 32 milhões do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) em conjunto com o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD) para apoio a municípios prioritários na Amazônia e Pantanal na implementação de Planos Operativos de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (junho de 2025);
  • retomada da Sala de Situação Interministerial sobre Incêndios do Governo do Brasil, integrada por 10 ministérios e outros seis órgãos federais (maio e junho de 2025). O grupo se reúne de forma periódica para monitorar a evolução do quadro climático e sua repercussão sobre o risco de incêndios, bem como para apoios mútuos em ações de prevenção e combate;
  • conclusão dos Planos de Prevenção e Combate a Incêndios dos Biomas Pantanal e Amazônia para a temporada deste ano, elaborado conjuntamente entre o Governo do Brasil e os estados que abrigam o bioma (maio de 2025).
  • veiculação de campanha de prevenção e combate aos incêndios florestais criminosos na Amazônia Legal voltada ao Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará e Roraima, estados que mais sofreram com os incêndios no último ano (abril de maio de 2025);
  • publicação de portaria pelo MMA (nº1.623/2026) que declara emergência ambiental por risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A norma identifica áreas em risco de incêndios em todo o país e os períodos de maior vulnerabilidade para viabilizar a contratação emergencial de brigadistas federais.
  • Decreto n° 12.189, assinado pelo presidente Lula, que aumenta as punições por incêndios florestais no país;
  • aprovação da resolução que institui a Estratégia Nacional do Voluntariado no Manejo Integrado do Fogo. A medida amplia participação da sociedade na prevenção e combate a incêndios florestais e estabelece diretrizes para brigadas voluntárias.
Acesse aqui as apresentações completas:

Inmet
Cemaden
Lasa/UFRJ
Inpe


Fonte: MMA



Nova regra do crédito rural obriga bancos a serem “fiscais” do desmatamento

 


Uma nova regra que entrou em vigor na 4ª feira (1º/4) exige que bancos verifiquem se os solicitantes de crédito rural tiveram áreas desmatadas em suas propriedades após 31 de julho de 2019 na Amazônia ou em áreas de vegetação nativa de forma irregular. A busca deve ser feita com ferramentas do sistema PRODES, do INPE. Caso a instituição financeira confirme o desmate, o agricultor deverá apresentar provas de autorização da supressão da vegetação para que seu empréstimo seja aprovado.

A nova regra abrange cerca de US$ 53 bilhões (R$ 273 bilhões) em empréstimos a agricultores com subsídios federais – cerca de um terço do crédito rural no Brasil, explica a CNN Brasil. Também afeta as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), um tipo de financiamento privado popular entre investidores individuais por ser isento de imposto de renda. Em 2025, os investimentos via LCAs chegaram a US$ 114 bilhões (R$ 587 bilhões). Segundo a Dinheiro Rural, os agricultores usam o recurso para investir em suas propriedades e cobrir custos operacionais, como o plantio de novas culturas.

Cerca de 17% de todo o crédito rural concedido entre 2020 e 2024 foi destinado a propriedades em terras desmatadas entre 2020 e 2023.

A nova política ainda inclui uma cláusula que bloqueia crédito subsidiado para propriedades caso os recursos sejam usados para desmatar vegetação nativa, mesmo que o proprietário tenha autorização. “Você ainda pode fazer isso, mas com seu próprio dinheiro, não com dinheiro público”, disse André Lima, secretário Extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental no Ministério do Meio Ambiente (MMA).

As entidades do setor financeiro não criticaram a nova regra, relata a Reuters. Um executivo sênior de um grande banco chegou a dizer que a medida pode, inclusive, reduzir riscos para os bancos.

Já o agro não recebeu bem a nova política. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) afirmou que trabalhará para mudar a regra no Congresso, onde a bancada ruralista manda. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) não perdeu tempo: mandou um pedido aos membros do Conselho Monetário Nacional (CMN) para adiar a regra, informa o Globo Rural.

Cerca de 17% de todo o crédito rural concedido entre 2020 e 2024 foi destinado a propriedades em terras desmatadas entre 2020 e 2023, segundo uma análise de dados públicos e imagens de satélite feita pela Climate Policy Initiative, da PUC-Rio.

Fonte: ClimaInfo


MARTINE GRAEL COMANDARÁ O BRASIL NO SAILGP NO PRÓXIMO FIM DE SEMANA. Niterói será a base logística





Martine Grael é a comandante do Mubadala Brazil SailGP Team. É a primeira e única mulher a liderar uma equipe na mais competitiva e sofisticada modalidade da vela mundial.

Você já ouviu falar na Sail Grand Prix (ou SailGP)? É uma das mais radicais e sofisticadas modalidades da vela mundial e o próximo evento acontecerá na Baía de Guanabara no próximo final de semana (11 e 12 de abril de 2026). Será o Enel Rio Sail Grand Prix. As regatas acontecerão próximo ao Aterro do Flamengo e você pode adquirir ingressos para assistir bem de pertinho.

O Brasil possui uma equipe na competição: o Mubadala Brazil SailGP Team, comandado pela bi-campeã olímpica Martine Grael, minha querida sobrinha, velejadora do Rio Yacht Club, de Niterói.  Seu irmão, Marco Grael (na posição de grinder), também faz parte da tripulação, que conta com mais 5 velejadores. A equipe estreou no ano passado e está na sua segunda temporada. A primeira vitória da equipe brasileira aconteceu na etapa de Nova York, em junho de 2025.


Tecnologia e performance

Chamados de Fórmula 1 dos mares, os barcos da SailGP são os F50, cujo projeto foi desenvolvido ao longo de 10 anos com o uso da mais moderna tecnologia de design e material, para garantir alta performance, competitividade e muita adrenalina. São catamarãs que navegam sobre "foils", estruturas que permitem que os barcos "voem sobre as águas", mantendo o mínimo de contato com o mar e, assim, transformam o máximo da energia em velocidade. Além da tecnologia dos cascos e dos foils, os barcos são equipados com velas em forma de asas, que também são decisivas na performance. Movidos exclusivamente pelo vento, os barcos chegam a mais de 100 km/hora e garantem um espetáculo de tecnologia e exigem muita capacidade técnica das equipes. 

Quando eu ainda estava como prefeito de Niterói (2021-2024) ajudei a trazer o SailGP para a Baía de Guanabara e ter a nossa cidade co-sediando o evento. O "Box" de cada uma das 13 equipes do Sail GP (Brasil, Suécia, Austrália, Nova Zelândia, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Canadá, Itália, Dinamarca, Suiça e Estados Unidos) estarão no Caminho Niemeyer, em Niterói.

Falta pouco para torcermos muito pela Martine, Marco e toda a equipe do Mubadala Brazil SailGP Team. 

Axel Grael


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