sábado, 18 de fevereiro de 2017

Secretário de Cultura de Niterói anuncia regulamentação da lei de incentivo ao setor



Novos desafios. O secretário de Cultura, Marcos Gomes, busca consolidar os espaços da cidade - Analice Paron


Por Renan Almeida

Em entrevista, Marcos Gomes explica os planos da secretaria para a Cultura

NITERÓI - Vinte anos depois da primeira passagem pelo governo municipal como secretário, Marcos Gomes reassumiu este ano a pasta da Cultura, que comandou também entre 1997 e 2001, durante o segundo mandato de Jorge Roberto Silveira, e na gestão de Godofredo Pinto, em 2003. O secretário começou no setor cultural como produtor, na década de 1970. Depois, foi vereador durante dois mandatos, entre 1988 e 1996 — sempre à frente da Comissão de Cultura da Câmara. No Legislativo, criou a Lei do Patrimônio Cultural, e, como secretário, realizou o projeto Grandes Encontros, que promovia intercâmbio cultural com outros países. Aos 65 anos, novamente à frente da pasta, que em 2017 tem orçamento de R$ 26 milhões, declarou, em entrevista exclusiva ao GLOBO-Niterói, que não busca reeditar ou trazer projetos próprios, mas revigorar os espaços culturais da cidade e, principalmente, viabilizar este ano a aplicação da lei de incentivo à cultura. Criada em janeiro de 2016 pelo prefeito Rodrigo Neves, mas até hoje sem uso por falta de regulamentação, a lei permite que produtores captem recursos junto a empresas da cidade, que podem deduzir até 20% do ISS no caso de investimentos em financiamentos de projetos culturais. Os contribuintes poderão deduzir até 20% do IPTU.

LEI DE INCENTIVO À CULTURA

Vamos fazer o dever de casa porque, no ano que vem, ela precisa estar pronta para quem participar da lei poder captar. Até meados deste ano, conseguiremos fechar a regulamentação e amarrar a questão orçamentária com a Fazenda, para que, em janeiro de 2018, o produtor já possa receber o dinheiro. Se não fizermos isso hoje, a lei não funcionará no ano que vem. Durante este ano já vai ter gente em condições de buscar (apoiadores) para receber o dinheiro em 2018.

MUSEU DO CINEMA

O Reserva Cultural, todos sabemos, é o novo ponto de encontro da cidade. E hoje temos outro desafio, que é dar vida ao prédio em formato de rolo. E nós vamos dar. Primeiro faremos o auditório multiuso (primeiro andar). Acredito que consigamos ainda este ano (concluir). Depois vamos para o museu (segundo andar) e em seguida para o terceiro andar. Ao fim desses quatro anos, o rolo estará funcionando. Não é fácil, fica ao lado de um cinema que está sendo respeitado, elogiado por todo mundo. Então, não podemos fazer algo de qualquer maneira.

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA

O MAC tem um potencial fabuloso, virou nosso cartão-postal. Temos um desafio ali: para cada mil pessoas que vão ao museu, só 500 entram. Temos que tornar o MAC cada vez mais atrativo, não só pela paisagem. O museu este ano já está com novo diretor (Marcelo Velloso), que trouxe também um curador (o mexicano Pablo León de la Barra), de projeção internacional. Acho que isso vai fazer o MAC dar um passo à frente.


Antigo e moderno. O Museu Janete Costa de Cultura Popular é a aposta do novo secretário - Zeca Gonçalves / Zeca Gonçalves/10-11-2016



MUSEU JANETE COSTA DE CULTURA POPULAR

Avançamos muito nos últimos quatro anos com o Solar do Jambeiro, que passou a ter ocupação. Uma parcela grande da cidade não o conhecia, e passou a conhecer (foi o museu com maior número de visitantes em 2016 — ano em que o MAC ficou fechado por seis meses para reformas —, passando de uma média de quatro mil pessoas para 40 mil). Em frente ao Solar, temos o Janete Costa, um lugar lindo. Vamos dar outra estruturação a ele. Já escolhemos uma nova diretora (Daniela Magalhães), e trabalhamos com muito carinho a curadoria, para ele passar a entrar no circuito dos museus da cidade. Conversamos com uma pessoa para a curadoria, e estou esperando fechar direitinho para, então, anunciar. Assim como o MAC, acredito muito que vamos dar um avanço na relação do niteroiense com o Janete Costa.

REGIÃO OCEÂNICA

Se tem uma coisa pela qual vou lutar é que, até o final desta gestão, tenhamos um equipamento de ponta na Região Oceânica. Tanto ela quanto a Zona Norte são carentes de equipamentos. É um problema de todos os grandes centros. Os equipamentos se desenvolvem onde está a classe média, a classe média alta. E a população pobre, que necessita mais, precisa fazer o deslocamento. Se tem um desafio que está colocado para esta gestão, para todos nós, para a cidade, é deixar para a Zona Norte e para a Região Oceânica um equipamento cultural de ponta. Um espaço multiuso para oficinas, dança e peças de teatro. E com auditório. Esse é um desejo, um sonho, não é uma promessa. Mas a gente consegue.

CAMINHO NIEMEYER GRADEADO

Não foi fechado durante a minha gestão (como diretor do Caminho). Mas entendo até o porquê. E ele nunca ficou fechado, vamos ser justos: passou a funcionar com visitas guiadas. O que houve é que um grupo muito grande de jovens começou a ir para lá, o que era uma coisa legal, descobrindo que aquele é um dos melhores lugares para se sentar, ver o pôr do sol. Mas tem um problema de segurança, que é algo daquela região. E, depois que saímos, o gestor achou melhor deixar só para visitas guiadas. Não quero muito falar disso, mas o melhor caminho é que ele seja aberto. Para isso, é preciso ter condições objetivas de segurança, gente trabalhando. Enquanto mantivemos aberto, não dava para dormir bem de noite. Estava sempre preocupado, porque a guarda tem limites, não dá para ter uma quantidade grande de policiais, como o lugar exige. Mas estou muito esperançoso com a nova gestão que está no Caminho. Esperançoso de que ela consiga reabrir o espaço para que todos possam ir lá o tempo todo, não apenas os turistas.

TEATRO POPULAR

O Teatro Popular tem um novo diretor, Alexandre Santini, uma pessoa da área. Não tenho dúvidas de que teremos uma retomada ali. Estamos conversando com a direção do Caminho Niemeyer, mas o Santini está tomando pé, e vamos criar uma programação de qualidade. Vai participar dos nossos editais, o que não acontecia, e vamos ter mais um espaço em condições, principalmente, para o teatro e para a dança. Como o MAC tem o desafio de capturar os visitantes, acho que o Teatro Popular precisa de uma mediação com o terminal (João Goulart). São centenas de milhares de pessoas, que potencialmente não vão ao teatro, porque, sabemos, estão cansadas do trabalho e falta dinheiro. Temos que considerar isso tudo. Nossa vitória enquanto gestores é conseguir canalizar as pessoas e vê-las, mais à frente, às quintas e sextas, passarem pelo terminal e irem ao Teatro Popular. O Caminho Niemeyer conseguiu diálogo com uma parcela de jovens que passaram a frequentar o local à tarde. Mas não conseguimos isso ainda com o público do terminal. Temos um teatro para 450 pessoas, sendo que 250 mil passam ali diariamente, sem entrar. Temos que ver isso: o horário, o preço. Ainda não pensamos em tudo, estamos trabalhando. Mas é pensar em fazer o Teatro Popular ficar popular mesmo.

ORÇAMENTO

Estamos lutando para ter pelo menos o mesmo orçamento do ano passado (R$ 26 milhões). Teremos, ainda, em torno de R$ 4 milhões em emendas parlamentares a nível de governo federal. Tem todo um trabalho jurídico para esse dinheiro chegar aqui. Acreditamos que, mais para o fim do ano, teremos em torno de R$ 4 milhões em emendas chegando para a Cultura.

MONUMENTOS

É algo com que nos comprometemos, talvez provocados por vocês (GLOBO-Niterói), que mostraram que, na cidade, atualmente, não tem estátuas ou bustos de mulher. Achei essa observação superlegal. E essa é uma questão que o André Diniz já havia dito: nós vamos ter uma obra de arte que homenageie uma mulher. Já estamos fazendo hoje um levantamento preciso de todos os bens tombados, todas as estátuas, recuperando esse histórico.

Fonte: O Globo Niterói









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