domingo, 7 de agosto de 2016

ESPORTE E ESPORTIVIDADE. As vaias da torcida brasileira aos adversários na Rio 2016 não combinam com o espírito olímpico





As Olimpíadas tornaram-se o maior evento da Terra e o Rio de Janeiro conquistou o direito de sediar os Jogos de 2016 vencendo um grande número de cidades-candidatas do mundo todo.

E o tão sonhado momento para quem ama o esporte chegou. A Rio 2016 começou e, por alguns dias, somos o centro das atenções do mundo. São as atenções dos muitos milhares de visitantes que vieram ao Rio de Janeiro torcer pelos atletas dos seus países e de bilhões de pessoas que acompanham as notícias e imagens transmitidas pela TV, redes sociais, etc.

Somos anfitriões dos Jogos Olímpicos, mas estes não são exclusivamente nossos. A nossa responsabilidade é enorme: organizar e garantir a qualidade da festa. Como cidade-olímpica, o Rio de Janeiro recebe atletas do mundo todo, que aqui estão para alcançar o grande sonho de suas vidas - a consagração olímpica. Portanto, atletas de outros países estarão aqui com o mesmo objetivo que os heróis esportivos do nosso país.

Diante disso, preocupa-nos o comportamento da torcida brasileira nos estádios e arenas olímpicas. A torcida tem sistematicamente vaiado (quando não provoca ou insulta) os adversários do Brasil, como se verificou também nos Jogos Pan Americanos de 2007 e na Copa do Mundo de 2014. Agora, na Rio 2016, as vaias aconteceram até na festa de abertura dos Jogos no Maracanã, quando, por exemplo, a delegação argentina foi vaiada. O mesmo tem acontecido nos jogos com adversários de outras nacionalidades.

Há que se reconhecer e respeitar a trajetória pessoal de cada atleta, o esforço que há por trás da preparação, tanto de vencedores como de vencidos.


Numa das transmissões pela TV, diante de uma constrangedora vaia, ainda ouvimos o locutor na televisão dizer que “a torcida faz a sua parte, pressionando o adversário”.

Incentivar os nossos atletas não significa desrespeitar e menosprezar os adversários, pois a vaia aqui tem o mesmo significado que em outros países: a reprovação. A torcida “fazer a sua parte” deveria significar estimular os seus atletas, reconhecer a qualidade e a beleza do lance, a destreza, a força, a perfeição, a conquista. E nossos atletas tem talento suficiente para vencer nas regras do esporte e nos princípios da esportividade. Diminuir o adversário é se render à mediocridade. É desmerecer a própria vitória.

É preciso entender o esporte como um ritual simbólico de superação, mas sob bases civilizadas e pacíficas. O adversário não é inimigo. Há que se reconhecer e respeitar a trajetória pessoal de cada atleta, o esforço que há por trás da preparação, tanto de vencedores como de vencidos.

Além disso, há muito mais por trás do esporte do que consagrar campeões. Para cada campeão, existe todo um contingente de atletas que dão sentido e grandeza ao esporte. Estes também são desrespeitados no ato da vaia.

Onde há esporte, tem que haver também educação, cultura e cidadania. E se almejamos ser uma verdadeira cidade-olímpica, essa cidadania precisa ter também uma dimensão olímpica, ou seja, com o olhar solidário para o mundo, para os outros povos e para os demais atletas.

Axel Grael








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