quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O esporte pode mudar o Brasil

Alunos do Projeto Grael. Foto de Fred Hoffmann.

Em 2014, as cidades-sede da Copa podem ser exemplos para o resto do país, garantindo esporte educacional em 100% de suas escolas públicas.

O Brasil terá uma grande oportunidade pela frente: a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. O simples fato de hospedar esses eventos já é motivo de orgulho para o país. No entanto, eles podem significar mais que um momento inédito. É também um grande desafio.

Como atletas e brasileiros, não tememos desafios: isso nos encoraja a trabalhar para que essa oportunidade única gere resultados duradouros. E são esses resultados que chamamos de legado dos eventos esportivos.
Legado é o que esses eventos deixam ao país que os sedia. Fazem parte o impacto econômico, a geração de empregos, os estádios e toda infraestrutura construída no país. Contudo, há outros aspectos dessa herança: os legados social, ambiental e esportivo.

A realização de um megaevento pode ser um catalisador de mudanças para uma cidade, um Estado, um país. O espectador, em termos numéricos, é um percentual pequeno em relação à sociedade anfitriã. Os investimentos públicos ou feitos com benefícios fiscais devem retornar aos cidadãos; por isso, o legado social e ambiental trata de todo o impacto gerado no espaço urbano, incluindo educação, saúde, emprego e construções sustentáveis.

Temos o exemplo de Barcelona e seu processo de reestruturação urbana, que mudou a imagem da Espanha no mundo.

Para nós, atletas, o esporte deve possibilitar a participação de todos e ajudar a construir uma sociedade inclusiva. O esporte de alto rendimento deve ser fruto da universalização da atividade esportiva e, de forma sistêmica, integrar escola, programas e federações. O legado deve resultar em políticas efetivas, continuadas, com diagnóstico e avaliações, aumento e transparência dos recursos aplicados.

É também importante termos metas concretas. Como marco, em 2014, as cidades-sede dos eventos podem ser exemplos para o resto do país, dobrando a atividade esportiva da população e garantindo esporte educacional em 100% das escolas públicas. Em 2016, essas metas poderiam se estender para todo o Brasil.

Por isso, é preciso investir no planejamento de longo prazo e construir um sistema de informação sobre esporte. Hoje, sabemos pouco sobre a prática esportiva no país e para onde estamos indo.

O último grande levantamento foi em 2003, com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais, que demonstrava que o pessoal dedicado à área do esporte nas prefeituras era de 1,4% e que somente 12% das escolas públicas municipais possuíam instalações esportivas.

Apenas 7,4% dos municípios tinham complexo esportivo, 67% deles concentrados na região Sudeste. E percebeu-se que a maior parte das cidades investe em futebol (95,5%), futsal (66%), vôlei (60,5%) e atletismo (43,6%).

Para lutar por um legado social e para o esporte, nós nos reunimos em uma associação, a Atletas pela Cidadania. Levamos essa pauta para o ministro da Educação e para o ministro do Esporte, e ambos se dispuseram a trabalhar por um diagnóstico sobre o esporte no país e para criar um comitê interministerial, para consolidar uma política integrada, que assegure o esporte educacional. Além disso, o ministro Orlando Silva propôs a criação de um comitê responsável pelo legado para o esporte.

Sabemos que este é só o início de um trabalho. Queremos contribuir com esse debate, pois acreditamos que assim, jogando em equipe, podemos ajudar o país não só na conquista de medalhas mas também em seu desenvolvimento.

RAÍ OLIVEIRA, MAGIC PAULA, ANA MOSER e JOAQUIM CRUZ são diretores e membros do Grupo de Esporte da organização sem fins lucrativos Atletas pela Cidadania.
--------------------------------------------------------------------------------
Publicado na Folha de S. Paulo, 05/09/2010 em Tendências e Debates
--------------------------------------------------------------------------------
Saiba mais sobre o Atletas pela Cidadania.

Ministério tem mais de R$ 50 bilhões para investir em saneamento básico

Espuma causada pela poluição extravasa do Rio Tietê e avança sobre a rua. (imagem de 2003). 


De acordo com o chefe de gabinete do ministro das Cidades, Leodegar Ticoski, somente o órgão dispõe de mais de R$ 50 bilhões para investimento em saneamento. Apesar do volume de recursos, mais de metade da população brasileira permanece sem coleta de esgoto, conforme destacou o presidente da mesa, deputado Toninho Pinheiro (PP-MG).

Segundo Ticoski, os principais entraves para a realização dos projetos do setor são o licenciamento ambiental, a falta de projetos adequados e a titularidade das áreas em que os trabalhos são realizados. “Uma obra de saneamento leva, em média, cinco anos para ser finalizada”, acrescentou.

Para Toninho Pinheiro, o ministério precisa encontrar uma solução. “Fazer rede de esgoto é fácil, mas é impossível para o ministro fazer obras acontecerem sozinho”, afirmou. A solução, em sua opinião, consiste em transferir os recursos para o município “e encontrar meios de fiscalizar, para que não sejam desviados”.

Além das verbas para saneamento, o Ministério das Cidades ainda dispõe de R$ 1,5 bilhão destinados a projetos de erradicação dos lixões, acrescentou Tocoski.

Leodegar Ticoski participa do seminário Articulação política pela sustentabilidade – encontro brasileiro de secretários de meio ambiente, que ocorre no auditório Nereu Ramos. O evento foi promovido pelo Centro de Altos Estudos em Sustentabilidade da Academia Brasileira de Filosofia (ABF), em parceria com a Comissão de Meio Ambiente da Câmara, a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema), a Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma), a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), a Eco.X - Distribuindo Sustentabilidade e a AP.ecos - Agência de Promoção Eco Sustentável.

http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/MEIO-AMBIENTE/204509-MINISTERIO-TEM-MAIS-DE-R$-50-BILHOES-PARA-INVESTIR-EM-SANEAMENTO-BASICO.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mundo precisa reduzir 8,5% das emissões de CO2 até 2020, aponta estudo

Emissões globais aumentaram na última década/Foto: Kibae Park/UN

Ainda há tempo para manter o aumento da temperatura mundial abaixo do limite de 2°C adotado pela comunidade internacional, mas desde que o nível de emissões de gases causadores do efeito estufa diminua para 44 gigatoneladas de CO2 equivalente até 2020, em relação as 48 gigatoneladas emitidas em 2010 (redução de 8,5%).

A conclusão consta no estudo Emission pathways consistent with a 2 °C global temperature limit, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciência Atmosférica e Climática de Zurique e da Universidade de Melbourne. O trabalho analisou dois cenários de emissões de dióxido de carbono (CO2), nos quais foi constatada a necessidade da redução de emissões já mencionada para que a temperatura mundial deixe de superar o limite de 2ºC, o que evitaria mais escassez de recursos naturais, insegurança alimentar e migrações forçadas, por exemplo.

De acordo com o estudo, caso a redução de 8,5% das emissões fosse alcançada, a probabilidade da temperatura se manter abaixo do aumento de dois graus seria maior do que 66%. O trabalho pondera, entretanto, que manter o clima em um nível aceitável depende dos países, no que diz respeito ao cumprimento de metas de cortes dos gases.

O estudo alerta que os governos dos países demonstram um esforço insuficiente nesse sentido, uma vez que as emissões de CO2 aumentaram na última década. Os cientistas enfatizam que sem um compromisso firme para colocar em prática ações de mitigação das mudanças climáticas há um grande risco de que a temperatura mundial ultrapasse a média de 2ºC nas próximas décadas, o que resultaria em consequências devastadoras.

Entre o final de novembro e o início de dezembro, será realizada a 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP-17), em Durban (África do Sul). Durante a cúpula, os representantes dos países deverão discutir a possibilidade de elaboração de uma nova fase do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. No entanto, o que foi negociado até o momento indica que a chance de um acordo nesse sentido é pequena, uma vez que os governos das nações que mais poluem o mundo (China e EUA) se recusam a aderir a um novo tratado.

- Conheça o estudo sobre o aquecimento global na íntegra (em inglês)

Com informações de agências internacionais.

Fonte: Ecodesenvolvimento

Logística reversa: óleo lubrificante será o primeiro produto regulado pela PNRS


A forma como os óleos já utilizados e as respectivas embalagens serão recolhidos e reciclados será tema de um acordo setorial/Foto: Divulgação

O setor de óleos lubrificantes deve ser o primeiro a ter a cadeia de logística reversa regulamentada conforme a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A forma como os óleos já utilizados e as respectivas embalagens serão recolhidos e reciclados será tema de um acordo setorial, que deve ser concluído e posto em prática ainda neste ano.

Segundo o secretário de recursos hídricos e ambiente urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Nabil Bonduki, os termos do acordo já foram discutidos com os representantes do setor. Eles estão, agora, passando por uma avaliação jurídica do ministério.

Quando essa avaliação terminar, o texto do acordo será aberto para sugestões por um mês. “Nós entendemos que, se possível, até o final deste ano ou no máximo começo do ano que vem, vai ser assinado este acordo”, projetou Bonduki, que participou na segunda-feira, 24 de outubro, de um debate sobre resíduos sólidos promovido pela Fundação Getulio Vargas, em São Paulo.

A PNRS prevê que cinco setores específicos terão um sistema de logística reversa definido. Todos esses segmentos terão que estabelecer a cadeia de responsabilidades, envolvendo produtores, distribuidores, vendedores, transportadores, consumidores e governos na destinação de seus resíduos.

Além do setor de óleos lubrificantes, também terão que se integrar à política nacional de descarte e reciclagem os de lâmpadas fluorescentes, medicamentos, eletroeletrônicos e embalagens em geral, que já discutem os acordos setoriais.

Bonduki ressalvou, porém, que esses acordos estão mais atrasados. A discussão deve ser priorizada pelo governo federal quando o acordo do setor de óleos lubrificantes for finalizado.

Fonte: Ecodesenvolvimento

População da Índia cresce 'um Brasil' em 10 anos

Índia tem mais habitantes que EUA, Brasil, Paquistão e Bangladesh juntos (Foto: AP)

A população da Índia aumentou na última década quase o equivalente a um Brasil, segundo os resultados do censo de 2011 do país.
Nos últimos dez anos, a população indiana aumentou em 181 milhões de pessoas – quase o mesmo que a população total do Brasil, de pouco mais de 190 milhões de habitantes, segundo os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

Com uma população de 1,21 bilhão, a Índia tem mais habitantes que os Estados Unidos, Brasil, Paquistão e Bangladesh juntos.

O censo da Índia, feito a cada dez anos, é o maior do mundo. Cerca de 2,5 milhões de funcionários visitaram as residências em cerca de 7 mil cidades e 600 mil vilarejos.

Desde 1872, o levantamento é a principal fonte de informações da Índia, não apenas para formulação de políticas públicas por parte do governo, como também para a tomada de decisões estratégicas do setor privado.

No ano passado, todas as pessoas com mais de 15 anos de idade foram fotografadas e tiveram suas impressões digitais recolhidas para criar um banco de dados biométricos.

O governo usará as informações para emitir carteiras de identidade para os indianos semelhantes às que são usadas no Brasil, hoje inéditas no país.

Entre as dificuldades do exercício, estão o alto nível de analfabetismo entre a população, milhões de moradores sem-teto, assim como a ameaça de violência em áreas do país disputadas por movimentos insurgentes.

Fonte: BBC

-------------------------------------

Brasileiros são 190 milhões, mas crescimento é o menor já registrado


População urbana ganhou 23 milhões de integrantes na última década.



João Fellet
Da BBC Brasil em São Paulo

A população do Brasil, que passou a englobar 190,7 milhões de pessoas em 2010, cresce no menor ritmo já registrado (1,12% ao ano) e de maneira desigual pelo território do país, com as maiores taxas concentradas nas regiões Norte e Centro-Oeste.
.
As informações constam da Sinopse do Censo Demográfico 2010, que contém os primeiros resultados definitivos do último censo e foi divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Segundo a pesquisa, a população brasileira cresceu 12,3% desde 2000, quando havia 169,8 milhões de habitantes no país, e chegou a 190.755.799.
Nesse período, seguindo tendência das últimas décadas, a população rural perdeu 2 milhões de pessoas e reduziu sua participação para 15,6% do total. Já a população urbana ganhou 23 milhões membros e hoje representa 84,4% do total dos brasileiros.

Novas fronteiras agrícolas

Os dez Estados onde a população mais cresceu nos últimos dez anos estão nas regiões Norte e Centro-Oeste. À frente deles, Amapá, Roraima e Acre tiveram crescimento demográfico anual de 3,45%, 3,34% e 2,78%, respectivamente.

Gabriel Borges, pesquisador da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, diz à BBC Brasil que o maior crescimento no Norte e no Centro-Oeste reflete em grande medida a migração interna para novas regiões de agronegócio, as chamadas “novas fronteiras agrícolas”.

Mas ele ressalta que a maioria desses migrantes se integrou à população urbana dessas regiões, e não ao campo.

Já as unidades da Federação com menor crescimento demográfico foram o Rio Grande do Sul, com 0,49%, a Bahia, com 0,7%, e o Paraná, com 0,89%.

Maiores cidades

O Censo revela poucas mudanças no ranking das maiores cidades brasileiras: São Paulo segue à frente, com 11,2 milhões de habitantes, seguida pelo Rio de Janeiro (6,3 milhões), por Salvador (2,6 milhões) e Brasília (2 milhões).

Logo abaixo, Fortaleza (2,4 milhões) ultrapassou Belo Horizonte (2,3 milhões), e Manaus (1,9 milhão) deixou para trás Curitiba (1,7 milhão). Recife (1,5 milhão) e Porto Alegre (1,4 milhão) completam a lista das dez maiores.

Embora permaneçam à frente, São Paulo e Rio estão entre as quatro capitais que menos cresceram nos últimos dez anos, com incremento populacional médio de 0,76% ao ano.

No outro extremo, Palmas e Boa Vista cresceram, respectivamente, 5,21% e 3,55%.

As capitais de Tocantins e Roraima se enquadram no conjunto de municípios com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, grupo que apresentou maior crescimento nos últimos dez anos.

Já cidades com 5 mil a 10 mil moradores tiveram perda populacional de 0,97% ao ano.

Para a realização do Censo, que serve de parâmetro para políticas públicas e ocorre a cada dez anos, foram visitados 67,6 milhões de domicílios.

Os recenseadores não conseguiram fazer a entrevista em 901 mil. Nesses casos, usou-se a metodologia para estimar o número de habitantes.

Fonte: BBC

População mundial atingirá 7 bilhões no dia 31 de outubro, diz ONU



A população mundial está crescendo em uma velocidade jamais vista e vai chegar a 7 bilhões no dia 31 de outubro, segundo a ONU.

Em 2050, este número deve alcançar 9,3 bilhões.

Alguns dos fatores que contribuem para o rápido aumento populacional são a alta taxa de natalidade em alguns países e a maior longevidade da população. Hoje, 893 milhões de pessoas tem mais de 60 anos.

Até a metade deste século, segundo a ONU, este número vai praticamente triplicar, chegando a 2,4 bilhões.

A expectativa de vida média atual é de 68 anos, quando era de apenas 48 anos em 1950.

População envelhecida

Na Grã-Bretanha, o número de pessoas com mais de 85 anos mais do que dobrou entre 1985 e 2010 para 1,4 milhão, enquanto o percentual de pessoas com menos de 16 anos caiu de 21% para 19% no mesmo período, segundo estatísticas oficiais.

Aos 85 anos, Helen Moores atribui longevidade a vida ativa
Aos 85 anos, Helen Moores representa esta faixa da população britânica que está crescendo. Ela vive sozinha em Londres e atribui a longevidade a uma vida ativa e de muito trabalho.

"Eu me alistei no Exército aos 17 anos e servi por 12 anos em diversos países: Cingapura, Hong Kong, Egito e Chipre, onde conheci meu marido, 42 anos atrás", conta ela.

Moores diz que hoje tem uma vida confortável, mas teme que seus netos não tenham tanta sorte. Com a população trabalhando cada vez mais antes de se aposentar, ela acha que há menos oportunidades para jovens saindo da universidade.

"Eu me preocupo com eles. Não sei se vai haver empregos suficientes."

Baby boom

Zâmbia tem uma das populações que crescem mais
rapidamente no mundo
Já na Zâmbia, no sul da África, a grande questão para o governo é o altíssimo número de nascimentos. Com uma população de 13 milhões de pessoas, as estimativas são de que esse número triplique até 2050 e chegue a 100 milhões até o fim do século, fazendo com que o país tenha uma das populações mais crescem no planeta.

Enquanto a fertilidade global caiu de cinco para 2,5 crianças desde 1950, as mulheres de Zâmbia tem seis filhos, em média.

Este também era o número de crianças que Robert e Catherine Phiri, de Lusaka, queriam ter, mas após o nascimento do terceiro bebê, eles não sabem se terão condições de criar mais filhos.

Robert trabalha como agricultor e ganha menos que o salário mínimo.

"É difícil comprar roupas. Todo o dinheiro é usado em comida. Compramos coisas usadas quando podemos", diz Catherine.

Ainda assim, a família tem grandes expectativas para os filhos, incluindo uma menina recém-nascida, que ainda não tem nome.

"Quando ela crescer, quero que ela vá para a escola e universidade para nos ajudar. Temos tão pouco dinheiro e nos preocupamos com o futuro", afirma Robert.

Segundo a ONU, que divulga nesta quarta-feira um relatório sobre o Estado da População Mundial, é preciso mais planejamento e investimento nas pessoas para lidar com a crescente população mundial e suas consequências - a necessidade por mais alimentos, água e energia e a maior produção de lixo e poluição.

"Permitindo que as pessoas melhores suas próprias vidas, podemos apoiar cidades sustentáveis, que sirvam como catalisadoras para o progresso, forças de trabalho produtivas que estimulem o crescimento econômico, populações jovens que contribuam para o bem-estar das economias e sociedades, e uma geração de pessoas idosas saudáveis, que estejam ativamente envolvidas nas questões sociais e econômicas de suas comunidades."

Fonte: BBC

RJ: Grandes indústrias terão que declarar emissões de gás carbônico


Nos próximos dias, as grandes indústrias fluminenses estarão recebendo formulários de declaração de emissões, em que terão de informar a quantidade de gás carbônico emitida em cada unidade, especificando a fonte de energia que movimenta a empresa.

Segundo o secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, as informações vão formar um banco de dados que servirá de base para as compensações a serem exigidas no processo de renovação das licenças ambientais das companhias.

“Dessa forma, começamos a atuar pelo cumprimento das metas de redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme consta no Decreto do Clima, assinado no mês passado pelo governador Sérgio Cabral”, disse Minc por meio de sua assessoria de imprensa.

Segundo a Secretaria Estadual do Ambiente, é com base na situação de cada empresa que o estado estabelecerá as condições para diminuir e compensar as emissões..

Para estabelecer com quanto cada setor da economia vai contribuir para a redução das emissões de gás carbônico no estado, o governo encomendou estudo à Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“Haverá também o mapeamento dos custos das ações, e cada empresa terá plano próprio”, informou Minc, acrescentando que a renovação das licenças que vencem em 2012 já trará mecanismos de abatimento, compensação ou redução das emissões.

Carlos Minc lembrou a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre a Secretaria do Ambiente e a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), que prevê, como forma de compensação ambiental, o desembolso de R$ 1 bilhão pela Petrobras para ser investido no estado.

Os recursos do TAC, segundo a secretaria, serão aplicados em uma série de projetos, entre eles o que reduz as emissões atmosféricas da Reduc, o que melhora o tratamento de efluentes da refinaria, o que prevê a construção de uma Unidade de Tratamento de Rio (UTR) na Foz do Rio Irajá, o de macrodrenagem de Campos Elíseos e o que viabilizará a compra do gás produzido com o lixo descartado no aterro controlado de Gramacho.

“Esses compromissos são condições determinadas pela Secretaria do Ambiente e pelo Instituto Estadual do Ambiente para a renovação da licença de operação da Reduc, que precisa ser feita a cada cinco anos”, disse Minc.

Reportagem de Nielmar de Oliveira, da Agência Brasil, publicada pelo EcoDebate, 25/10/2011

Fonte: Ecodebate

Minc: até 2012, 86% do lixo produzido no estado será depositado em aterros sanitários


Até o final de 2012, 86% do lixo do Estado do Rio de Janeiro deixará de ser jogado em lixões, passando a ter destinação final correta, em aterros sanitários. O anúncio foi feito hoje (24/10) pelo secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, no lançamento do Contador Regressivo de Lixões, nome dado ao sistema adotado pela Secretaria do Ambiente (SEA) e pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para atingir a meta Lixão Zero, que prevê a erradicação de todos os lixões dos municípios fluminense até 2014.

Segundo o secretário Carlos Minc, entre 2008 e 2010, apenas 12% dos resíduos do estado eram descartados em aterros sanitários. Em 2011, este número mais que triplicou, chegando a quase 40%. Hoje o estado conta com 19 aterros em operação. A previsão é que até o final do ano que vem estejam em funcionamento outros 11aterros sanitários, atingindo a marca de 30 aterros em atividade. Em novembro de 2012, o Rio deverá estar dando destinação final correta a 86% do seu lixo.

“De acordo com a Constituição Federal, a gestão do lixo é atribuição das prefeituras, mas o caso estava preocupante e decidimos chamar a responsabilidade para nós: desde2007, estamos interditando lixões, realizando audiências públicas sobre o tema, licenciando aterros sanitários e destinando recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) para construir aterros sanitários”, disse o secretário.

Presente à coletiva que lançou o Contador Regressivo de Lixões, a presidente do Inea, Marilene Ramos, falou sobre o Programa de Compra de Lixo Tratado, que se destina a fornecer apoio técnico e financeiro ao município que se dispuser a dar destinação final do lixo urbano em locais de tratamento e destinação sanitária com licenças ambientais aprovadas.

“Muitas vezes os prefeitos querem resolver o problema do lixo em suas cidades, mas encontram obstáculos técnicos e financeiros. Pelo programa, o governo estadual firma convênios com os municípios a fim de apoiá-los financeiramente, por um período máximo de cinco anos, na transferência imediata do envio de lixo para os aterros sanitários licenciados, no próprio município ou em cidade vizinha”, disse Marilene.

Segundo o secretário Carlos Minc, a distribuição do ICMS Verde também tem contribuído para que os municípios se envolvam no programa de erradicação dos lixões: “Município que investe mais no tratamento do seu lixo ganha mais recursos”.

Há cinco anos, aproximadamente 90% dos resíduos do estado eram descartados em lixões, multiplicando doenças e atraindo vetores patológicos. Além de contaminar o solo, o chorume gerado pela decomposição de matéria orgânica acaba atingindo o lençol freático. No entanto, só em 2011 já foram desativados 16 lixões.

Fonte: SEA

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lars Grael deu a dica: ótima entrevista sobre as contradições do esporte no Brasil

BOLA QUADRADA NO CAMPO ENLAMEADO
'Esporte no Brasil é o seguinte: a gerência é privada, mas os recursos são públicos. Assim fica fácil', diz economista Elena Landau

O Estado de S.Paulo
CHRISTIAN CARVALHO CRUZ

Botafoguense tem cada uma... Dia desses a economista e advogada carioca Elena Landau praticava caminhada e sentiu uma dor aguda no quadril. "Fisgada no ilíaco. Meu amigo, você sabe o que é uma fisgada no ilíaco?", ela destrincha, na maior das intimidades atléticas com o músculo acomodado nas cavidades ósseas das ancas. Com dificuldade para andar, foi afastada pelo departamento médico das cadeiras do Engenhão, de onde costuma ver as partidas do Botafogo quando o time joga no Rio. Trocou o estádio pela sala de casa. A visão direta do campo, pela intermediação da TV. Bem sem graça, ela achou. "Só que aí o Botafogo começou a subir na tabela e eu não quis arriscar: melhorei do ilíaco, mas não voltei pro estádio", conta.

O time ainda vai bem no Campeonato Brasileiro, com chance de ser campeão. Se isso tem a ver com a heterodoxia de arquibancada de Elena, não há como saber. Mas não deixa de ser curioso comparar. Integrante da linha de economistas da PUC-RJ que formaram a zaga do governo FHC, naqueles tempos ela era chamada de ortodoxa por comandar - "sem jogo de cintura", diriam os oposicionistas de então - o processo de privatização das empresas públicas. A plaquinha na porta do escritório ajudava nessa imagem: diretora de desestatização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

É de dentro da área, portanto, que Elena fala: "O projeto da Copa do Mundo no Brasil está errado de partida. É um evento privado, destinado a atender interesses privados, mas que conta com recursos públicos. Tem cidade que faria melhor uso do dinheiro do BNDES se construísse metrô e corredor de ônibus, porque não tem renda nem público suficiente para fazer um payback do investimento". Elena hoje trabalha como advogada numa grande banca no Rio e assessora o Instituto Teotônio Vilela, órgão de estudos ligado ao PSDB.

Numa semana rica em bolas quadradas rolando por campos enlameados - acusações contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, ONGs de fachada, queda de braço entre o governo e a Fifa por meias-entradas e venda de cerveja nos estádios da Copa - o Aliás convocou Elena para comentar o jogo, mas ela avisou: "Houve um tempo em que eu acreditava que a gestão do esporte brasileiro podia mudar. Montei uma consultoria esportiva e até trabalhei no Atlético Mineiro e no Botafogo". Diz que desistiu por cansaço. Deu cãibra na paciência, estiramento no desencanto. Sentiu-se vencida pelo jogo travado que se disputa no setor e, apesar de conhecer bem a cancha, agora prefere atuar como uma torcedora especializada, por assim dizer. "Hoje em dia os meus comentários sobre esporte são de pessoa física." A eles, pois.

Esporte é questão de Estado?

Depende. O esporte ligado a educação, sociabilidade, cidadania e formação do indivíduo, como agente transformador de vidas, este é questão de Estado. Mas Copa do Mundo certamente não é. Trata-se de um evento privado. Como um show do U2 ou do Justin Bieber. Uma Copa só seria assunto de Estado se usada para alavancar uma transformação do espaço urbano. E, pelo que estamos vendo atualmente e também pela experiência dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, sabemos que não é esse o caso. O Pan de 2007 não revitalizou nada, não melhorou a cidade. Tem o estádio do Engenhão, que é onde joga o meu Botafogo e é até um bom estádio. Mas e o entorno? Aquilo é um abandono só, não há sequer transporte público decente para chegar lá. Acho importante separar esses conceitos entre público e privado para entender as causas da precariedade do esporte no Brasil.

Terceirizar o esporte para ONGs seria uma dessas causas?

O Brasil conseguiu desmoralizar a utilização das ONGs, que conceitualmente têm valor. Mas houve um exagero nessa terceirização do esporte. No fundo, as ONGs de esporte fazem hoje o que a escola pública fazia antigamente, mas deixou de fazer por causa do abandono e da decadência do ensino público, decadência física, inclusive. Há colégios que não têm quadra de esportes e precisam fazer convênio com academia de ginástica para ter aula de educação física. Para resumir, eu diria que o Estado brasileiro deixou de cumprir seu papel. Se achamos que o esporte é suficientemente relevante a ponto de ter um ministério específico, precisamos definir uma política esportiva clara para o País. Mas ministério no Brasil serve para assegurar governabilidade, preencher cotas dos partidos da coalizão.

Nada se salva em termos de política esportiva por aqui?

Em 2016 vamos sediar uma Olimpíada no Rio. Ok. Mas queremos desenvolver seriamente quantas modalidades olímpicas até lá? Três? Trinta? Temos aptidão para todas elas? Vamos investir só nas quais já somos bons ou também nas quais precisamos melhorar? O Brasil nem sequer sabe responder a essas perguntas. O projeto do Ministério do Esporte para a Olimpíada no Rio em 2016 é só fazer a Olimpíada no Rio em 2016. É um projeto de obras, não um projeto esportivo. A Austrália, quando sediou os Jogos em 2000, criou um programa para a natação que dá frutos até hoje. Eles não queriam passar o vexame de não ganhar medalha dentro de casa. No Brasil impera a mentalidade da escavadeira: "Oba, vamos sediar uma Olimpíada porque assim podemos usar o orçamento pra fazer obra. Se ficarmos em último lugar no quadro de medalhas, não tem problema". É vergonhoso ver os ginastas brasileiros, que são uns heróis, talentosíssimos, mendigando patrocínio. E ao mesmo tempo ver uma ONG levando dinheiro do governo para comprar camiseta. Que diabo o governo tem que comprar camiseta pra ONG?! Por outro lado, não acho que ONG deva formar atletas olímpicos. Como se forma um atleta de competição, eu não sei. O Brasil vive de modismos, de ídolos momentâneos, como a seleção de vôlei do Bernardinho, o Gustavo Kuerten no tênis, anos atrás.

Mas por que nunca aproveitamos essas modas para criar uma política esportiva consistente?

O problema é que o Brasil não tem uma filosofia de trabalho nesse sentido, não segue nenhum dos dois modelos básicos de programas esportivos que conhecemos: o de participação maciça do Estado no desenvolvimento de atletas, como em Cuba ou na China, e o de formação nas escolas e universidades, como nos Estados Unidos. Aqui não temos nem um nem outro. Estamos perdidos no meio do caminho. Apesar de dizerem que nós temos a participação do Estado nos esportes, o fato é que o Brasil privatizou - e privatizou mal - os esportes. Entregou sem critério nenhum para federações e confederações, que não passam de feudos políticos. Então, quem cuida do esporte brasileiro? As ONGs, micro-organismos pulverizados e sem uma política unificada e organizada, ou as federações e confederações. Ou seja, quando é conveniente, o esporte é público, e aí pede dinheiro ao governo para os programas das ONGs, e quando não é conveniente, quando tem que prestar contas, ser transparente, reclama-se da interferência do governo em assunto privado. Eu sou a última pessoa a ser contra privatização de alguma coisa, mas vejo claramente uma apropriação indevida do esporte brasileiro pelo setor privado. Nosso modelo é o seguinte: a gerência é privada, mas os recursos são públicos. Assim fica fácil.

Qualquer semelhança com a Copa de 2014 é mera coincidência?

A Copa do Mundo é um evento da Fifa. Não é de governo de país nenhum e ninguém obriga um governo a se oferecer para sediá-la. Quem tem vontade de receber uma Copa se candidata porque quer. E desde o começo conhece as regras estabelecidas pelo dono do negócio, no caso, a Fifa. Então não vale agora, no final do segundo tempo, vir discutir se o Brasil está vendendo sua soberania ao ceder a pressões da Fifa para mudar esta e aquela legislação interna. Isso é uma bravata, uma coisa nacionalista, ufanismo bobo. Quando apresentou sua candidatura, o Brasil sabia perfeitamente onde estava se metendo. E aí fica discutindo a filigrana da meia-entrada e da venda de bebida dentro dos estádios. Aliás, deveriam aproveitar o momento para liberar de vez a venda de bebida. Isso é uma hipocrisia. Bebe-se tranquilamente nas barraquinhas em torno do estádio. E até parece que as torcidas organizadas deixam de brigar porque não podem mais beber. É simples resolver a questão da violência. O cidadão arrumou encrenca? Que ele seja retirado, fichado e impedido de voltar. A Inglaterra fez isso e funcionou...

Você falava que o Brasil conhecia as regras do jogo quando apresentou a candidatura.

Por causa do nosso histórico futebolístico, nós até gostaríamos de acreditar que para a Fifa é uma honra fazer uma copa no Brasil, o "país do futebol". Mas a Fifa, obviamente, não poderia estar ligando menos pra isso. O que ela quer é ganhar o dinheiro dela e acabou. Ela chega, não coloca um tostão, ganha bilhões e vai embora. Isso não é novidade. O projeto da Copa no Brasil está errado desde a partida, porque foi feito pela CBF, também uma empresa privada, a fim de preservar seus feudos políticos regionais. É um projeto sem sentido. O governo brasileiro entra com dinheiro público - dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto - em um projeto privado destinado a atender somente a interesses privados. Aí vem o BNDES e financia estádios em locais que jamais terão público suficiente para fazer um payback do investimento. Jamais. Isso é dinheiro a fundo perdido. Nem o estádio do Corinthians vai dar retorno. Teria se o clube colocasse 60 mil pessoas lá dentro em todos os jogos. Mas vemos pelo Campeonato Brasileiro que a média de público do Corinthians, que tem a maior torcida do Brasil (os flamenguistas que me desculpem), mal chega à metade disso. Se o setor privado tivesse se interessado pela construção dos estádios, o BNDES poderia financiar a transformação urbana das cidades. Eu não vou citar quais, para não melindrar prefeitos e governadores, mas tem cidade aí que certamente faria melhor uso do dinheiro do BNDES se construísse metrô e corredor de ônibus.

Por que o setor privado não se interessou pelos estádios?

Por que eles não vão dar dinheiro. Fizeram algum estudo econômico sério nas sedes da Copa? Desconheço. Vamos ter estádio digno de país com renda per capita de US$ 10 mil encravados em cidade com renda per capita que é um quinto disso. Como é que a iniciativa privada vai se interessar por algo assim? Mas o problema maior é mais antigo, vem antes da Copa. Nós devíamos estar nos perguntando por que o Brasil, com toda sua força de pentacampeão do mundo e gerador de craques, não tem estádios com nível internacional até hoje. A resposta é simples: porque não tem público, a média de público é deprimente, e não tem público porque o futebol brasileiro não é feito para atender o público. Quem programa um jogo de futebol para as 10 da noite de quarta-feira não está interessado na receita gerada pelo público. Mas deveria estar, porque um tipo de geração de receita não exclui o outro. Na Europa adotam um modelo de receita tripla: tem a parte da televisão, a do público pagante e a do marketing dos clubes. Só que lá, quando você vai assistir a um jogo de futebol, o estádio é limpo, confortável, seguro, tem transporte público na porta, comida de qualidade, lojas, lugar marcado, horário decente para que o jogo seja um programa familiar e um calendário imexível. Não tem esse negócio de adiar jogo porque vai haver um amistoso inútil da seleção contra o Gabão só para satisfazer interesse de patrocinador da federação. Desse modo, o público é garantido; e público garantido faz brilhar os olhos do setor privado. Mas o que temos no Brasil? Se a CBF não faz nada direito no futebol interno, como é que podemos esperar que ela possa fazer uma Copa direito?

Você estatizaria a CBF?

Eu preferiria que não fosse privada. Ao contrário do que se fez no setor elétrico, por exemplo, em que a exploração do serviço foi concedida mediante licitação, nunca houve uma licitação que desse à CBF o direito e o monopólio de representar o futebol brasileiro. Mas não tem como mudar. Não há elemento jurídico para isso. Me incomoda que a CBF não esteja preocupada com o futebol brasileiro. Não vejo problema que ela ganhe dinheiro, desde que licitamente, mas acho mal resolvido o uso que ela faz dos símbolos da Nação. A CBF não tem dinheiro público, não tem subvenção, só que usa o verde-amarelo da nossa Bandeira, canta o Hino Nacional... Quem a elegeu para fazer isso por nós e quanto ela paga ao governo para usar esses símbolos? Então, eu preferiria que ela não fosse privada. Nós brasileiros damos muito mais à CBF do que a CBF dá para nós. O futebol brasileiro não amedronta mais adversário nenhum. Jogamos de igual para igual com a Costa Rica. E eu tenho certeza que a decadência está diretamente relacionada a essa administração da CBF.

A Fifa alega que pode ter prejuízo de R$ 1,8 bilhão se não houver as adequações que ela espera na Lei Geral da Copa.

Prejuízo?! Como é que ela pode ter prejuízo num negócio em que não está gastando nada? Não estou entendendo essa conta. A Fifa deve estar procurando uma desculpa, pensando se vale a pena fazer a Copa no Brasil ou não. Mas ela não vai levar o evento para outro país. A relação entre Fifa e CBF é muito forte. A Fifa só tira a Copa do Brasil se o Ricardo Teixeira (presidente da CBF) quiser, não tem nada a ver com o governo brasileiro.

Qual a sua avaliação sobre as denúncias de corrupção contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o impacto delas na organização da Copa?

Me parece que desde o início da gestão a presidente Dilma Rousseff tinha a ideia de contar com alguém de fora do ministério para tocar a Copa. É um evento específico, não precisava misturar com o dia a dia do ministério. Mas isso não vingou. O fato de a presidente assumir o controle da Copa mostrou a importância que o governo brasileiro está dando ao evento, o que é muito bom. Dá mais moral para o cronograma, para a execução das obras. Agora os envolvidos terão de despachar diretamente com a presidente da República, e ela já tem essa imagem de gestora determinada, incisiva. Talvez seja uma boa oportunidade de colocar alguém no ministério com perfil estritamente técnico, para que a pasta deixe de ser só essa simples repassadora de verba para ONGs.

ELENA LANDAU é economista, advogada, ex-diretora do BNDES, ex-consultora em Gestão Esportiva e botafoguense

Fonte: Estadão

Eles querem unir ideal e lucro

Os negócios sociais, que buscam melhorar o mundo sem abrir mão da rentabilidade, crescem no País e chamam a atenção de investidores.

Marina Gazzoni, de O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Os empresários Oliver Mizne e Carlos Furlan uniram a vontade de resolver um problema social a uma oportunidade de negócios capaz de tornar suas carreiras mais gratificantes. Em 2001, eles deixaram o mercado financeiro para criar a Ideal Invest, financeira que vende um sistema alternativo de crédito universitário. Nos últimos cinco anos, a empresa emprestou R$ 250 milhões a 20 mil estudantes brasileiros.

A Ideal Invest faz parte de um grupo de empresas que nasce com um objetivo maior do que o lucro. São negócios sociais, que buscam melhorar as condições socioeconômicas de populações menos favorecidas sem abrir mão da rentabilidade. No Brasil, esse setor é conhecido como "dois e meio", pois mistura a visão estratégica das empresas privadas com objetivos similares aos das ONGs. Estima-se que existam 140 empreendimentos do gênero no País, segundo um levantamento coordenado por três instituições ligadas ao setor - Potencia Venture, Fundação Avina e Ande Polo Brasil.

Os negócios sociais já despertaram a atenção dos fundos de investimentos. Segundo um estudo do JP Morgan, eles devem receber aportes de até US$ 1 trilhão até 2020. O banco estima que o potencial de rentabilidade do setor possa chegar a US$ 667 bilhões no fim desse período.

Pioneiro. A primeira grande iniciativa no mundo é do vencedor do Nobel da Paz de 2006, Muhammad Yunus. Ele criou em 1976 o banco Grameen, em Bangladesh, para emprestar dinheiro a populações carentes. Foi assim que nasceu o microcrédito. Desde então, o banco já liberou US$ 11 bilhões para mais de 8 milhões de pessoas.

O modelo do Grameen foi a principal inspiração do carioca Rodrigo Baggio para lançar uma empresa social. O empresário, que havia fundado uma ONG de inclusão digital há quatro anos foi convidado pelo próprio Yunus para conhecer as atividades do Grameen, em Bangladesh. "Voltei decidido a montar um negócio social no Brasil", diz.

Baggio pediu - e ganhou - uma consultoria da McKinsey para montar um plano de negócios. Foi assim que surgiu a CDI Lan, uma empresa que usa o espaço de 6.500 lan houses para oferecer produtos a comunidades carentes. O Banco do Brasil, por exemplo, transformou algumas lan houses em correspondentes bancários. Elas ganham comissão, a CDI recebe pela ativação do serviço e o banco tem um canal de vendas dentro das favelas.

A CDI Lan nasceu como uma divisão da ONG, mas é uma sociedade anônima desde o início do ano. Ela vendeu 25% de participação ao fundo Vox Capital em troca de um aporte que pode chegar a R$ 550 mil. A companhia não divulga o faturamento, mas diz que já opera no azul.

Encontrar o caminho da rentabilidade nem sempre é fácil. "A maioria das empresas nasce com a ideia de resolver um problema social e depois procura um modelo de viabilidade", diz Renato Kiyama, gerente da Artemisia, entidade que dá consultoria para empreendedores. Uma das empresas que passaram pela aceleradora de negócios da Artemisia foi a Solidarium. Ela vende produtos artesanais, feitos por pequenos produtores, para gigantes como Walmart, Lojas Renner e Tok&Stok. "Começamos com uma loja no shopping, mas como a marca não era conhecida, quase falimos", diz o CEO e fundador, Tiago Dalvi.

A solução foi vender sob encomenda. Neste ano, a empresa deve faturar entre R$ 500 mil e R$ 700 mil - e lucrar 12% disso. Mas não ganhou sozinha. "A renda dos produtores está entre um e 1,5 salário mínimo. Mas, antes de entrar no projeto, a maioria vivia abaixo da linha da pobreza (menos de US$ 2 ao dia)", diz Dalvi.

A marca francesa Veja, que produz tênis no Brasil com algodão cearense e borracha da Amazônia, aboliu a publicidade para conseguir viabilizar um modelo de "comércio justo"competitivo. "O nosso custo de produção é de três a quatro vezes maior que o de outras marcas por atender questões de dignidade social e ambiental", diz o diretor de comunicação da companhia, Hugo Charbit. Em 2010, foram fabricados no Brasil 120 mil pares, em um processo que envolve cerca de 360 famílias produtoras.

O tênis é vendido na Europa por um preço médio 100. O sucesso, no entanto, não é atribuído ao apelo social. "Não é caridade. Vendemos em lojas onde pessoas normalmente compram seus sapatos e não apenas para o público que responde a apelos sociais", diz Charbit.

Iogurte. O apelo "politicamente correto, mas sem prejuízo" já atraiu grandes empresas. Uma das primeiras a criar uma divisão de negócios sociais foi a Danone, que estreou no segmento em 2006, em parceria com o Grameen. A empresa criou uma fábrica em Bangladesh para fazer o iogurte Shokti +, enriquecido em nutrientes para crianças subnutridas. Cada pote de 60 gramas sai por menos de US$ 0,10. No ano passado, a empresa vendeu 72 mil itens por dia no país.

Os empreendimentos sociais da Danone estão em seis países, mas não chegaram ao Brasil. Por aqui, o potencial é grande. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mais de 100 milhões de pessoas vivem com menos de R$ 465 por mês.

Fonte: Estadão