sábado, 29 de agosto de 2009

APA Tamoios: má notícia



Enquanto celebramos avanços no Parque dos Três Picos, na Baía da Ilha Grande, paraíso dos navegantes e ainda conhecida de "Costa Verde", os ambientalistas alertam para problemas da edição do Decreto Estadual n° 41.921, de 22/06/09, que alterou a Zona de Conservação da Viva Silvestre (ZCVS) da Área de Proteção Ambiental de Tamoios (APA), que abrange, de uma forma geral, a franja litorânea do continente, da Ilha Grande e das demais ilhas da região. A medida flexibiliza a construção de residências unifamiliares e empreendimentos turísticos nas áreas “comprovadamente impactadas por uso anterior”. Recebemos inúmeras mensagens de ambientalistas denunciando que a medida teria sido implantada sem consulta ou informação prévia ao Conselho Gestor da APA, criticando que os critérios do Decreto beneficiariam os desmatadores e que liberaria empreendimentos que, hoje, conflitam com a legislação. Os membros do Conselho Gestor se mostram indignados, uma vez que a medida atropela todo o esforço de planejamento que desenvolviam.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 29/08/09.

Parque Estadual dos Três Picos: ótima notícia


Foto Axel Grael

Ontem, 28/08/09, com a presença do ministro Carlos Minc, foi anunciada a ampliação do Parque Estadual dos Três Picos, com a incorporação de 12.440 hectares de terras aos municípios de Cachoeiras de Macacu, Silva Jardim e Nova Friburgo, Teresópolis e Guapimirim. A nova área se soma aos 46.350 hectares originais desse, que já era o maior parque do Estado. A área é valiosíssima para a conservação da biodiversidade, pois lá , podem ser encontradas 65% das espécies de aves da Mata Atlântica. Outra grande notícia foi que o INEA “recebeu as chaves”, dadas pela Justiça, do primeiro imóvel desapropriado, fruto do trabalho do Núcleo de Regularização Fundiária, equipe que tem a atribuição de resolver os conflitos fundiários que estão entre os maiores desafios da gestão de unidades de conservação no Estado. Além disso, o estado já certificou mais de 20 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), sendo que 15 em caráter definitivo.
Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael, Jornal O Fluminense, 29/08/09.

Aventura ou irresponsabilidade?

A mídia náutica internacional tem sido tomada por notícias de velejadores cada vez mais jovens, que se lançam ao mar em busca de aventura e, principalmente, de recorde, prestígio e fama. Nessa semana, o inglês Mike Perham bateu o recorde como o velejador mais jovem a dar a volta ao mundo solo. Agora, as notícias são de uma menina de 13 anos, Laura Dekker, que está provocando uma grande polêmica na Holanda, pois também decidiu dar a volta ao mundo em solitário, em um barco de 8,3 metros. A determinação da velejadora impressiona a alguns, mas não a todos. Em maio, Laura Dekker velejou da Holanda para a Inglaterra, onde foi detida ao chegar. Como seus pais se recusaram a buscá-la, as autoridades britânicas a enviaram para um orfanato. Agora, autoridades holandesas recorreram à Justiça para impedir a sua viagem, reivindicando assumir a tutela da jovem, já que os pais da menina apóiam a sua aventura. O argumento das autoridades é que a viagem de dois anos seria de alto risco e que o longo tempo de isolamento a bordo prejudicaria a capacidade de socialização da menina. Mas, juristas divergem sobre o caso, com dúvidas se, diante das leis do país, a Justiça poderia impedir a intenção de Laura Dekker , uma vez que ela tem o apoio dos pais. A decisão da Justiça holandesa sobre a jovem estava prevista para ontem. Se permitida, a partida de Dekker para a volta ao mundo é prevista para o dia 1 de setembro.

Regata de saveiros na Bahia


Foto: Regata João das Botas 2009. Divulgação Blog ABVC
Na semana passada, falamos aqui na coluna sobre a incrível Regata de Canoas de São Fidélis. Hoje é dia de mais um evento de barcos tradicionais, com a disputa da Regata Aratu-Maragogipe, na Baía de Todos os Santos, na Bahia. A competição, que já existe há 40 anos, reúne mais de 200 barcos e tem como grande atrativo a presença dos históricos saveiros, que transportavam cargas e passageiros pela Baía de Todos os Santos. Na época colonial, mais de 2 mil saveiros velejavam na região, restando hoje apenas cerca de 20 embarcações, segundo o presidente da Fundação Viva Saveiro, Pedro Bocca. Vale ressaltar que aqui na região Sudeste, é comum chamar-se de saveiros os barcos que na verdade são escunas. Nesse ano, os organizadores da regata convidaram Torben Grael para prestigiar o evento. Torben estará presente, junto com sua esposa Andrea e os filhos Marco e Martine, a bordo do saveiro Sombra da Lua, um modelo vela de içar, que foi um dos cartões-postais da Bahia, nos anos 1960. Que a iniciativa dos baianos nos inspire a resgatar os barcos tradicionais que ainda existem no Rio de Janeiro. Já perdemos as faluas da Baía de Guanabara, que foram extintas no início do século XX. Estamos unidos ao sonho de Lulu Assumpção, líder comunitária de São Fidélis, no Rio de Janeiro. Ainda há tempo de salvar as últimas pranchas do Rio Paraíba do Sul.
Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 29 de agosto de 2009.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Saindo do vermelho

É com renovado ânimo que vemos que a questão ambiental cada vez mais permeia a sociedade. Seja pela crescente consciência da importância dos temas ambientais ou até por mecanismos de mercado, que influenciam cada vez mais o mundo corporativo. Como exemplo disto, divulgou-se nessa semana que das 30 maiores empresas brasileiras, nove (Petrobras, Vale, Neoenergia, CSN, Eletropaulo, Sabesp, Ultrapar, Cemig e CPFL) mencionam contingências ambientais em seus balanços financeiros. Para quem não é do ramo, ajudamos a entender. Tradicionalmente, as empresas preocupavam-se em ter uma dotação orçamentária para situações de contingência em três áreas: tributária, cível e trabalhista. Com isso, podem cobrir despesas inesperadas com ações na justiça, multas por acidentes, etc. Agora, estas empresas passam a incluir também uma rubrica para “Contingências Ambientais”. Estas contingências são mencionadas em balanço quando são avaliadas como perdas “prováveis” ou “possíveis”, de acordo com o tipo de atividade da empresa. O fato é relevante, pois demonstra o crescimento da preocupação dos investidores com a responsabilidade e os passivos ambientais das empresas, repercutindo no planejamento e na gestão das mesmas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Força do vento



O setor elétrico brasileiro tem estado no centro das críticas dos ambientalistas, devido aos impactos ambientais de projetos na Amazônia e a opção pelo aumento da geração de energias sujas na nossa matriz energética, como a do carvão, nuclear, etc. O Ministério das Minas e Energia fará um leilão no final de novembro para a compra de energia eólica, podendo chegar a entre 3 e 4 mil megawatts (MW). A medida é um grande passo para que se alcance um modelo de atriz energética mais verde para o país, mas ainda é um avanço tímido. Segundo o próprio MME, o setor elétrico já recebeu 441 projetos de geração eólica, que caso fosse totalmente implantado poderia resultar num potencial de 13.341 MW, o que corresponderia a quase a capacidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Até o final de 2009, a capacidade de geração eólica do Brasil estará em 427 MW e em fins de 2010 estará em 684 MW, independente do leilão ora em curso. Segundo o ministro Edson Lobão, o potencial do Brasil poderia chegar a 140 mil MW, mais do que é gerado atualmente no mundo todo: 120 mil MW. Que bons ventos ventilem o setor elétrico nacional.


Publicado na Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 18/07/09

Mariza Formaggini: fotógrafa parceira do Projeto Grael é premiada


Observando tudo a sotavento. Tatui, o marujo-mascote que não perdia uma chance de velejar com os meninos do Projeto Grael. Foto de Mariza Formaggini.

A fotógrafa niteroiense Mariza Formaggini acaba de ganhar o 1º Lugar - Categoria Livre no 2º Concurso Nacional da Consigo - a Melhor Imagem, realizado em São Paulo. A foto vencedora mostra o Museu de Arte Contemporânea sob um céu carregado de nuvens e com um impressionante efeito natural de luzes.

Em um trabalho voluntário, Mariza acompanhou a rotina do Projeto Grael e sua lente inspirada registrou lindas cenas da nossa garotada velejando e participado de outras atividades educativas, da nossa equipe em atividade e até o nosso "marujo" Tatuí, que infelizmente não veleja mais entre nós.
Parabens, Mariza!!

Amazônica: interação floresta, água e clima.

"Nuvens-pipoca" formadas no período da tarde, pela transpiração da floresta. Imagem divulgada pelo Earth Observatory, NASA. 26/08/09. Fonte: http://earthobservatory.nasa.gov


A bela imagem (MODIS/Aqua) aqui apresentada, divulgada ao público pela NASA (vide referência acima), é uma verdadeira aula sobre a Amazônia. A cena foi obtida há poucos dias (19/08/09) e comprova de forma didática a importância da Floresta Amazônica para o clima e para o regime hídrico. Na época das chuvas, a região recebe muita umidade que chega do Oceano e é transportado pelos ventos pela Amazônia. No período de estiagem, perído em que a imagem foi regisrada, as fartas nuvens carregadas de chuva desaparecem de toda a região e ficam evidentes os processos de pequena escala que influenciam o clima local, pricipalmente no período mais quente do dia, ou seja nas tardes(como no horário da imagem). A cena revela a interação da floresta e da atmosfera para formar um padrão uniforme, com as chamadas "nuvens-pipoca" (popcorn clouds) regularmente espalhadas pela região.


As pequenas nuvens têm origem no vapor emitido pelo processo de transpiração das plantas. O sol forte, mais intenso nessa época do ano, incide sobre o solo e sobre a floresta, que se aquecem e, por sua vez aquecem o ar que se movimenta verticalmente, levando o vapor para cima. Um pouco mais acima, a atmosfera mais fria condensa a água, formando essas pequenas nuvens. É interessante observar que as nuvens se concentram exatamente sobre as áreas florestadas e, surpreendentemente, não sobre os rios, várzeas e igapós (florestas inundadas)!


É fácil entender, então, a consequência que o desmatamento causaria à região retratada nessa imagem. Esse processo, fundamental para o clima, cessaria.


Há algum tempo atrás, era comum ouvir-se que a Amazônia seria o "pulmão do mundo". Hoje, sabe-se que não é bem assim. Se formos fazer uma analogia semelhante, seria melhor descrever o papel mais fundamental da Floresta Amazônica, como:

  • A "caixa d'água": por lançar na atmosfera milhões de litros de água por ano, em forma de vapor, que, somando-se à umidade que chega do Oceano, formam as chuvas.
  • O "ar condicionado": por regular a temperatura

Ambas as qualidades interferem decisivamente na maior parte do Continente e o seu papel para todo o planeta ainda está por ser melhor conhecida.

Axel Grael
Engenheiro florestal

domingo, 23 de agosto de 2009

Lagoa Rodrigo de Freitas despoluída


Mais uma emblemática bandeira ambientalista do Rio de Janeiro caminha para a solução. Um dos mais espetaculares cenários cariocas, a Lagoa Rodrigo de Freitas, sofreu um processo histórico de degradação, com um drástico aterro das suas margens, a poluição e o assoreamento. As mortandades de peixes, que já eram manchetes de jornais na década de 1930, foram se tornando cada vez mais freqüentes. Em 1986, a indignação com a crescente poluição reuniu mais de 30 mil pessoas ambientalistas num inesquecível “Abraço à Lagoa”. Nessa semana, o Governo do Estado inaugurou mais uma Elevatória de Esgoto do sistema sanitário que protege a Lagoa Rodrigo de Freitas, ocasião em que o governador Sergio Cabral e autoridades sanitárias e ambientais anunciaram os ótimos índices ambientais da Lagoa, o que é de fato uma excelente notícia. Quantas vezes, como presidente da Feema, enfrentamos essas emergências, a pressão da imprensa, o conflito político e a ira da população diante das recorrentes mortandades de peixes que lá se verificavam. O problema era a poluição acarretada pelo esgoto, que roubava o oxigênio que faltava aos peixes, causando a morte das espécies mais sensíveis. Além da desoladora cena dos cardumes agonizantes, está vivo na lembrança do carioca o constrangedor “bate-boca” público entre o Estado e o Município do Rio de Janeiro, sobre de quem era a culpa do problema. Na verdade, o problema era de todos. A Cedae era a grande vilã. Gerenciava um sistema sanitário em colapso e omitia sistematicamente informações, inclusive dos órgãos ambientais. A prefeitura, por sua vez, também tinha muita culpa, pois não conseguia evitar as ligações clandestinas de esgoto nas redes pluviais e por ter permitido o adensamento populacional da região, sem que houvesse um sistema de esgotos que o suportasse. O auge do problema foi em 1999, quando houve o rompimento do Emissário Submarino de Ipanema, expondo o caos sanitário que a Zona Sul do Rio vivia. Em pleno verão, as praias da Zona Sul tiveram que ser interditadas. Os problemas só começaram a ser superados a partir do ano 2000, quando gradativamente adotou-se uma agenda positiva para o salvamento da lagoa e os tão esperados investimentos na recuperação da rede sanitária local começaram a ser implementados pelo Estado e os resultados têm sido muito bons. Motivados pelo sucesso carioca, não custa para nós, niteroienses, sonharmos com a Lagoa de Piratininga também despoluída. Mas, aí, ainda falta muito.


Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael, Jornal O Fluminense, 22/08/09

História do Projeto Grael em livro

O Projeto Grael publicará o livro Um mar de oportunidade, em que será apresentada a história e a metodologia pioneira, desenvolvida para utilizar os esportes náuticos para proporcionar um programa sócio-educacional. O livro mostrará a trajetória de uma ideia nascida na década de 80 e viabilizada em 1998, que no início era vista com desconfiança por alguns críticos, que não acreditavam que um esporte elitista poderia ser um instrumento de inclusão social. Hoje, prestigiado por prêmios importantes e reconhecido inclusive por trabalhos e teses acadêmicas, o Projeto Grael tem sido um modelo para iniciativas no Brasil e no exterior. A iniciativa da publicação foi aprovada na Lei Estadual de Incentivo à Cultura e o Projeto Grael negocia o apoio de patrocinadores para viabilizar a obra.

Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael, no Jornal O Fluminense, 22/08/09.