quarta-feira, 22 de junho de 2011

Operação da Secretaria do Ambiente demole residência ilegal em praia de Maricá


A residência estava dentro de uma Área de Proteção Permanente, considerada área não edificante.

Uma casa que estava sendo construída sobre a areia da Praia de Ponta Negra, no Município de Maricá, foi demolida hoje (22/06) em operação contra a impunidade ambiental comandada pela Cicca (Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais), da Secretaria de Estado do Ambiente.

A residência estava dentro de uma Área de Proteção Permanente, considerada área não edificante. O proprietário Jorge Antonio de Carvalho dos Santos desmatou vegetação de restinga, considerada fixadora de dunas, para dar início às obras.Segundo o coordenador da Cicca, José Maurício Padrone, mesmo depois que foi constatada a ilegalidade da construção em 5 de maio passado, o proprietário ignorou todas as advertências e notificações, e acelerou o ritmo das obras. Ele chegou a entrar com um requerimento junto ao Inea (Instituto Estadual do Ambiente), solicitando a legalização do imóvel. O pedido foi indeferido pela Procuradoria do Inea, pois, pelo Código Florestal, a área não pode ser edificada por estar dentro de uma APP.

Segundo o superintendente regional do Inea para Baía da Guanabara, Ramon Vicente Neves, todo o procedimento administrativo foi cumprido, desde a primeira vistoria até a demolição. Ele afirma ainda que o proprietário não apresentou fundamentos legais para a construção, e por isso não restou outra alternativa a não ser a demolição.

A operação teve apoio do Inea e do Batalhão Florestal da PM. A Cicca contou com a ajuda de 13 trabalhadores, uma retro escavadeira e dois caminhões para a retirada dos entulhos. O proprietário vai responder por crime ambiental, e será obrigado a arcar com todos os custos.

FONTE: SEA-Secretaria de Estado do Ambiente

Brasil investe proporcionalmente menos que outros países na proteção às florestas


Um estudo coordenado pelo Centro para o Monitoramento da Conservação Mundial do Programa da ONU para o Meio Ambiente revela que, numa lista de nove países, o Brasil é o que menos investe na preservação de cada hectare de suas florestas.

Enquanto o Brasil desembolsa, em média, R$ 4,43 por cada hectare de suas unidades de conservação, na Argentina o índice é cinco vezes maior (R$ 21,37), no México, nove vezes (R$ 39,71) e, na África do Sul, 15 vezes (R$ 67,09).

A disparidade é ainda maior se os gastos brasileiros são comparados com os de países desenvolvidos: nos Estados Unidos, país da lista que mais investe na conservação ambiental, são R$156,12 por hectare (35 vezes a mais que o Brasil) e, na Nova Zelândia, R$ 110,39. A lista, integrada também por Costa Rica, Canadá e Austrália, agrega países que, a exemplo do Brasil, têm grande parte de seus territórios ocupados por parques naturais ou índices sociais semelhantes aos brasileiros.

O estudo "Contribuição das unidades de conservação para a economia nacional", divulgado neste mês e feito em parceria entre o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Ministério do Meio Ambiente, calculou quanto o Brasil fatura com a preservação de suas florestas e quanto poderá ganhar caso amplie os investimentos no setor, o que permitiria maior aproveitamento de seus recursos naturais e incremento no número de turistas.

Um dos autores do estudo, o pesquisador da UFRJ Carlos Eduardo Young, diz à BBC Brasil que a intenção foi mostrar que a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico são compatíveis.

Segundo ele, é preciso resistir ao impulso de tirar um proveito econômico de curto prazo das florestas, em nome de um desenvolvimento mais duradouro e inclusivo.

“Nós comprovamos que, do jeito que está, as florestas brasileiras já garantem à sociedade um retorno financeiro superior ao que é investido nelas. Se melhorarmos o sistema de gestão, o valor do benefício pode crescer significativamente.”

Investimentos

O estudo calcula que, caso o governo garanta a conservação nessas áreas e invista mais nelas, o aproveitamento econômico desses territórios, que cobrem cerca de 15% do país, pode gerar ao menos R$ 5,77 bilhões por ano.

O valor viria de produtos florestais (como castanha-do-pará ou madeira em áreas de extração controlada, por exemplo), turismo, estoque de carbono conservado, água e receitas tributárias, baseada no modelo de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) Ecológico adotado por alguns Estados.

Para isso, no entanto, Young diz que o país teria de ampliar os investimentos no setor, atualmente em torno de R$ 300 milhões por ano nas reservas federais, para cerca de R$ 550 milhões anuais para o sistema federal, R$ 350 milhões para os sistemas estaduais (a serem empregados sobretudo em maior fiscalização), além de cerca de R$ 1,8 bilhão para gastos em infraestrutura para o turismo.

Hoje, segundo o estudo, há um funcionário brasileiro para cada 18.600 hectares protegidos, número bastante inferior aos da África do Sul (1 para cada 1.176 hectares), dos Estados Unidos (1 para 2.125), Argentina (1 para 2.400) e Canadá (1 para 5.257).

Ainda de acordo com o estudo, a exploração legal de produtos oriundos de florestas naturais já gera cerca de R$ 3,79 bilhões ao Brasil por ano, ao passo que a receita de ICMS Ecológico repassada aos municípios pela existência de unidades de conservação em seus territórios é de R$ 402,7 milhões. Não há dados abrangentes sobre receitas advindas do turismo.

Young explica, no entanto, que os benefícios econômicos da preservação ambiental são ainda mais amplos, já que grande parte da água que abastece as usinas hidrelétricas nacionais, provendo energia às indústrias e às cidades país, advém de unidades de conservação ambiental; que o turismo em áreas protegidas é fonte central de recursos para muitos municípios brasileiros; e que o desenvolvimento de fármacos e cosméticos muitas vezes se dá por meio de pesquisas sobre espécies vegetais protegidas em unidades de conservação.

Mesmo assim, diz que, por se tratar de produtos e serviços em geral de natureza pública, seu valor não é percebido pela sociedade, que na maior parte dos casos não paga diretamente pelo seu consumo ou uso.

O pesquisador afirma ainda que a dicotomia agricultura X conservação ambiental, que ganhou força durante as discussões sobre o novo Código Florestal que tramita no Congresso, é falsa:

“Não somos contra o desenvolvimento da agricultura, muito pelo contrário. Achamos, aliás, que a conservação ambiental favorece os agricultores, na medida em que lhes garante água para a irrigação, ameniza efeitos de enchentes e impede a erosão de terrenos montanhosos, que podem ser muito prejudiciais aos produtores”.

Ele alerta, no entanto, que caso o novo Código reduza as áreas mínimas de conservação exigidas em cada propriedade, o país abrirá mão de uma riqueza maior. “Vivemos um momento decisivo, que determinará se saberemos usar os recursos naturais valiosos de que dispomos e que são um dos nossos maiores diferenciais”, afirma.

Fonte: BBC

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Membros da equipe do Projeto Grael participam de evento de limpeza das Ilhas Cagarras

Fuzzarca, barco escola do Projeto Grael.
Do Fuzzarca avista-se outros participantes que participaram do evento deslocando-se para as ilhas de caiaque.
Fuzzarca diante da Ilha Comprida. Ao fundo, o Guaiuba, traineira do cmte Ermel, grande parceiro e colaborador do Projeto Grael.

Barcos de participantes do evento.

Membros da equipe do Projeto Grael com o resultado da limpeza da Ilha Comprida.

O Fuzzarca aguarda serenamente o retorno da sua tripulação.

O Arquipélago das Cagarras é um Monumento Natural instituído pelo Governo Federal (Lei 12.229/2010) e gerido pelo Instituto Chico Mendes. Localiza-se do lado de fora da Baía de Guanabara e é um dos destinos preferidos dos navegadores da região.


Localização do Arquipélagodas Cagarras, no alinhamento da Ponta do Arpoador, compondo a paisagem da orla Zona Sul do Rio de Janeiro.

A área é protegida e a pesca não é permitida e o desembarque nas Ilhas só é possível com uma autorização prévia. Mesmo assim, como o trabalho dos participantes do evento comprovou, uma grande quantidade de lixo deixado por pescadores e curiosos pode ser encontrado.

O oceanógrafo Vinicius Palermo, do Projeto Grael, fez o seguinte relato:

Saímos no sábado (18/06/2011), às 8:00h da manhã e seguimos por quase duas horas até a Ilha Cumprida. Por lá encontramos com muitos canoistas, com o pessoal do Instituto Aqualung que distribuiu o material para a coleta (sacos e luvas), além de camisetas. Estavam presentes o pessoal do Conselho Gestor do MONA, como representantes do Inea, entre várias outras instituições. Até a traineira do Ermel (Guaiuba) com uma equipe de mergulho para a limpeza mais profunda.

Desembarcamos na Ilha das Palmeiras para uma limpeza rápida, onde encontramos garrafas de águas, um pouco de material de pesca, além de pilhas grandes – largadas de lanternas e até utilizadas como chumbo para a pesca.
Pelo Projeto Grael, participaram da atividade o oceanógrafo Vinicius Palermo, Lais e Jorge, que comandou o Fuzzarca. A bordo também estava um casal de convidados do Projeto Grael.

Valeu, galera.

Encontrado flutuando na Baía de Guanabara...

A carcaça de uma geladeira encontrada por equipe do Projeto Grael flutuando na Baía de Guanabara

Projeto Grael recolhe carcaça de geladeira na Baía de Guanabara

Oceanógrafo alerta para perigo de materiais à deriva para a navegação

Por Mariane Thamsten
Da Velassessoria

Ex-alunos do Projeto Grael que participam do Projeto Águas Limpas recolheram, somente nesta semana, duas tartarugas médio porte mortas e uma carcaça de geladeira nas proximidades do Iate Clube Brasileiro, na enseada de São Francisco, em Niterói, no Rio de Janeiro. Os animais foram encontrados já em estágio de decomposição e, por isso, não foi possível identificar a provável causa da morte.

Neste mesmo período, foram recolhidas boias de cultivo de marisco abandonadas, além de destroços de uma embarcação. O oceanógrafo Vinícius Palermo, coordenador do Projeto Águas Limpas, alerta que "materiais à deriva - como os encontrados pelos jovens do Projeto Grael – representam um sério risco às embarcações, inclusive aos catamarãs da Barcas S/A que fazem a travessia Praça XV-Charitas".

Os jovens atuam na Baía de Guanabara a bordo de uma embarcação específica para recolher o lixo flutuante da água. De acordo com eles, de janeiro até hoje, foram recolhidas cinco tartarugas mortas, de diferentes tamanhos e espécies.

Conheça o Projeto Águas Limpas

Dois integrantes do Projeto Grael operam uma embarcação específica para retirar resíduos flutuantes (entre sólidos e líquidos) da Baía de Guanabara. A iniciativa, inédita, é uma parceria entre a concessionária Águas de Niterói, Ministério Público do Rio de Janeiro, com o apoio da Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN).

A embarcação, feita de alumínio, possui uma caçamba basculante que realiza um peneiramento das camadas superficiais da baía. Os resíduos sólidos são armazenados em um contêiner com capacidade para 500 kg. Já o óleo flutuante é depositado em uma caixa separadora, com capacidade para mil litros. Paralelo ao processo de remoção do lixo ocorrerá o monitoramento ambiental da região, promovido pelo Projeto Grael, para avaliar os resultados da operação.

A limpeza, o estudo e o monitoramento do lixo flutuante na Baía de Guanabara são realizados através da operacionalização de uma embarcação automatizada (Cataglop Light), adquirida pela concessionária Águas de Niterói com apoio do Ministério Público, através da Promotoria de Defesa do Consumidor e da Promotoria do Meio Ambiente, ambas do Núcleo Niterói. A verba destinada a este programa pela concessionária de água e esgoto do município, provém de Termo de Ajustamento de Conduta elaborado no Inquérito Civil 19/02 da PJTCDC – Niterói, referente à parcela não reclamada da devolução do ICMS aos consumidores.

Clique aqui para acompanhar o blog do Projeto Águas Limpas.
 
Fonte: Revista Náutica

Sem controle, dívida da vela causa lamentos e já põe 2016 em risco

Débito com Governo bate R$ 100 milhões, impede novos patrocínios e ameaça evolução do esporte, que deu 16 medalhas olímpicas ao país

Além de ver a iminente saída da classe Star da agenda olímpica no Rio-2016, a vela brasileira tem outro motivo ainda mais contundente para se preocupar: a Confederação Brasileira da modalidade acumula cerca de R$ 100 milhões em dívidas, especialmente com o Governo, e vem enfrentando dificuldades para angariar novos acordos de patrocínio.

Ex-presidente da entidade, o iatista Lars Grael, duas vezes medalhista de bronze em Olimpíadas, lamentou o cenário e resumiu o que tentou fazer há quatro anos.

- É um capítulo triste da vela brasileira. Um esporte com 16 medalhas olímpicas (seis de ouro) está com uma inadimplência permanente. Quando assumi, em 2007, constatei a dívida e fomos nos reunir. O valor era exorbitante, não havia meios para saná-lo. No dia seguinte, convocamos uma assembleia geral para começar as intervenções - disse.

Carlos Martins, atual mandatário da Confederação Brasileira de Vela, lembrou que o Comitê Olímpico Brasileiro está tentando equacionar o problema, para que exista autonomia em busca de investimentos. Mas a situação não é simples.

- Esse suporte é muito pouco, o COB tem interesses prioritários, é normal. E a Confederação de Vela está ligada às classes brasileiras. Principalmente as iniciais, como a Optimist, a Laser e a 420 - explicou Aldévio Leão, secretário da classe Optimist.

Embora já haja uma pré-definição da equipe que vai a Londres, no ano que vem, e o Brasil siga como um dos grandes favoritos, com Robert Scheidt, Torben Grael, Marcelo Ferreira e companhia, para as Olimpíadas de 2016 as novas gerações já estão correndo riscos.

 
Confira a matéria do SporTV News
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domingo, 19 de junho de 2011

''Senado precisa modificar o Código Florestal''

Dr. Paulo Nogueira-Neto.

Aos 89 anos, o pai do ambientalismo brasileiro defende que a reforma da lei seja feita com respaldo científico e subsídios

Andrea Vialli - O Estado de S.Paulo

Brasília, 23 de maio. Na véspera da votação do projeto de reforma do Código Florestal na Câmara dos Deputados, um grupo de ex-ministros do Meio Ambiente peregrinou pelo Congresso para levar suas contribuições à polêmica proposta do relator Aldo Rebelo (PC do B), que seria aprovada no dia seguinte.

Entre eles estava Paulo Nogueira-Neto, o primeiro a ocupar a pasta, quando ainda era uma secretaria especial no governo militar. Aos 89 anos e se locomovendo com a ajuda de uma cadeira de rodas, Nogueira-Neto fez questão de participar do encontro. "Não queremos prejudicar a agricultura. Estamos pedindo que a reforma do Código Florestal seja feita com respaldo científico", diz ele, um dos mais respeitados ícones do ambientalismo brasileiro.

De sua residência em São Paulo - um espaço de 4 mil m2 reflorestado por ele, com espécies da Mata Atlântica - Nogueira-Neto falou ao Estado.

O sr., com outros sete ex-ministros do Meio Ambiente, levou aos parlamentares contribuições para o novo Código. Como foi?

Eu fui "convocado" às pressas. Num domingo, depois do almoço, a (ex-senadora) Marina Silva me telefonou e pediu para ir imediatamente para Brasília. Fui até o Aeroporto de Viracopos, comprei uma passagem e fui. À noite já estava lá. Nós falamos com o presidente do Senado, da Câmara, todos com boa vontade em nos atender.

Depois vocês foram falar com a presidente Dilma Rousseff.

Fomos falar com a presidente. Pedimos o encontro de última hora, mas ela nos recebeu. E, para nós, foi uma agradável surpresa verificar que as preocupações dela eram praticamente as nossas. Queremos fazer uma legislação que seja eficiente, boa. Não queremos prejudicar a agricultura. Mas também não podemos prejudicar o meio ambiente, agravar o efeito climático.

Houve algum compromisso por parte da presidência?

Dilma absolutamente não concorda com a anistia a quem desmatou. Ela tem compromissos internacionais, está preocupada com os efeitos do desmatamento. Saímos de lá contentes.

Em compensação, a Câmara aprovou a reforma do Código Florestal por 410 votos a favor, 63 contrários e 1 abstenção.

Eu atribuo a grande derrota na Câmara a fatores políticos, que independem de nossa vontade. Grande parte dos deputados que votaram contra nós votou, na verdade, contra o governo. Havia a questão do Palocci (o ex-ministro Antonio Palocci). Mas esse texto não deverá ter vida longa. No Senado, será possível reverter a derrota na Câmara.

Qual a expectativa para as negociações do Código no Senado?

Tudo indica que teremos ainda três ou quatro meses para discutir o assunto no Senado. O que pedimos é a coisa mais lógica: que se reforme o Código com respaldo científico. Nesse tempo será possível informar os senadores dos riscos que o País corre se o Código for aprovado do jeito que está. O Código do Aldo Rebelo tem coisas boas, mas há pontos desastrosos.

Quais são os pontos bons e os desastrosos?

É desastroso o fato de que os Estados poderão dar a palavra final sobre o desmatamento. O texto reproduz o Código antigo em vários pontos, mas lá no meio há um dispositivo que permite aos Estados, sem intervenção da União, derrubar o que quiserem. Já se fala em um desmatamento do tamanho do Paraná. Isso é gravíssimo. Nós queremos uma legislação equilibrada, sem prejuízos à agricultura. A Embrapa merece os maiores elogios, pois aumentou a produtividade. Nisso estamos de pleno acordo, o Brasil precisa de uma agricultura moderna.

Rebelo diz que a lei atual penaliza o produtor. Qual sua opinião?

O problema é a falta de compreensão. Aldo Rebelo acredita que há uma conspiração internacional, que as ONGs querem que o Brasil fique numa condição agrícola difícil. Não conheço nenhuma ONG que tenha criado dificuldades para a agricultura brasileira. Agora, é verdade que as ONGs internacionais estão preocupadas com o desmatamento no Brasil. E nós também estamos. E se não estamos, deveríamos estar, por causa do aquecimento climático.

Governos anteriores incentivaram a ocupação da Amazônia e a derrubada da floresta. Hoje qual seria o caminho para o desenvolvimento sustentável na região?

Primeiro, é preciso um bom Código Florestal para segurar o desmatamento. Segundo, é necessário subsidiar os produtos da floresta para que as populações locais a proteja. Mas temos de dar um passo além, pagar mais do que esses produtos valem, como fazem na Europa. Incluir nessa conta o valor dos serviços ambientais prestados. Se estivesse no governo, faria isso com urgência, para não acontecer o que ocorre no Acre hoje em dia. Os antigos seringueiros estão começando a criar gado para não morrer de fome.

E as hidrelétricas na Amazônia, podem trazer a prosperidade que o governo espera? Como ficam os impactos ambientais?

O aproveitamento dos rios têm de seguir cuidados especiais para reduzir o impacto. É preciso fazer eclusas, para que os peixes possam migrar e os rios sejam aproveitados para navegação. Outra coisa: as represas não podem ser muito grandes. Reservatório bloqueia a migração da fauna terrestre. Mas a energia do futuro é a fusão nuclear, obtida de dois isótopos de hidrogênio. É possível fazer energia barata, abundante, pouco radioativa. A energia do futuro é essa, além dos reforços da solar e eólica. Quando essa energia estiver disponível, as hidrelétricas ficarão obsoletas.

E como fica a exploração do pré-sal no momento em que o mundo busca uma transição para fontes mais limpas?

Não sou contra a exploração do pré-sal, porque o País pode precisar dele para seu desenvolvimento. Mas tem de ser feito de forma ordenada. O Brasil deve plantar grandes extensões de florestas para compensar essas emissões. Também precisamos de planejamento das cidades costeiras. Nós não podemos permitir que ocorra a favelização da Serra do Mar.

Desde que o sr. foi secretário especial de Meio Ambiente (de 1974 a 1986), o que mudou no País em termos de conscientização ambiental?

O País mudou muito. Eu sou testemunha disso. Antes, nós ambientalistas éramos malvistos. A opinião pública, achava que primeiro precisava desenvolver para depois, então, pensar no meio ambiente. Na secretaria, um dos principais desafios era despertar a consciência para isso. Me deram cinco funcionários, três salas e nenhum poder de multar. Fizemos a Política Nacional de Meio Ambiente, durante o governo Figueiredo, que é a base de nossa legislação ambiental.

Fonte: Estadão

Projeto Grael conquista a prata no Campeonato Estadual da Classe Ranger 22

Tripulação do Projeto Grael comemora a bordo do Set Point. Parabens, pessoal! Foto Mariane Thamsten.

Competição reuniu mais de 60 velejadores nas águas agitadas da Baía de Guanabara neste fim de semana

Foi com o mar agitado, frio e tempo nublado que quatro jovens integrantes do Projeto Grael conquistaram o segundo lugar do 31º Campeonato Estadual da Classe Ranger 22, que terminou neste fim de semana, no Iate Clube do Rio de Janeiro, na Urca. O Set Point foi comandado por Samuel Gonçalves, de 23 anos, e contou com a tripulação formada por Jonatas Gonçalves, Thiago Coutinho e Radson Souza. Além de sua experiência no veleiro de 22 pés, Samuca carrega no currículo a recente conquista da regata oceânica Cape Town-Rio (fevereiro-2011), além de pertencer à equipe do bicampeão olímpico Torben Grael no barco da classe S40.

O título do campeonato ficou nas mãos do veleiro Rio Summer, comandado pelo juiz de regata Ricardo Lobato, cuja tripulação foi composta por Isaac Mazal, Daniel Pariz e Fernando Gioia. O segundo lugar geral foi conquistado pelo Catraio, com Luiz Beckman, Paulo Sérgio, Alexandre Muto e Jorge Machado.

Confira o resultado final do 31º Campeonato Estadual de Ranger 22

1- Rio Summer – comandante: Ricardo Lobato
2- Set Point – comandante: Samuel Gonçalves
3- Catraio – comandante: Luiz Beckman
4- Meia-noite II – comandante: Francisco Mendes
5- Les Must – comandante: Jean Claude Schotte
6- Marochka – comandante: Renato de Figueiredo
7- Hook – comandante: Alexandre Haddad
8- Carioquinha – comandante: Alexandre Oliveira
9- Mastership II – comandante: Antenor Magalhães
10- Dominus – comandante: Lauro Valente
11- Nadja Linda – comandante: José Inácio dos Santos
12- Petisso – comandante: Edgar Pohlmann
13- Vagal – comandante: Luiz Gurgel
14- Wind Kiss – comandante: Marta Carvalho
15- Brisa do Mar – comandante: Eduardo Gomensoro
16- Sirius – comandante: Luciano Castro

Saiba mais sobre o Projeto Grael

O Projeto Grael foi criado há treze anos em Niterói por uma iniciativa dos irmãos Torben e Lars Grael e do velejador Marcelo Ferreira. Atualmente, o irmão mais velho, Axel Grael, ex-presidente da Feema e também velejador, é o presidente da instituição.

Desde a sua fundação, o Projeto Grael, também conhecido como Instituto Rumo Náutico, vem desenvolvendo uma metodologia própria de esporte e educação, que serviu como base para outros programas semelhantes, como o Navega São Paulo, do Governo do Estado de São Paulo, e o Projeto Navegar/Segundo Tempo, iniciativa federal desenvolvida em diversas cidades brasileiras. O Projeto Grael recebe doações de pessoas físicas, assim como jurídicas, através de doação voluntária e da Lei de Incentivo ao Esporte.

Projeto Grael
Mariane Thamsten

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Fonte: Esporte Site

OSCIPs, denúncias e novas burocracias. A solução é o marco legal

Na última semana (14/06), diante de uma denúncia publicada um dia antes no jornal O Globo que OSCIP's estariam sendo negociadas na internet por R$ 25.000, o Governo Federal anunciou "medidas moralizadoras" e mais controle sobre as organizações.

OSCIP é a abreviação do termo Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, que se refere a certas ONG's que são registradas e certificadas pelo Ministério da Justiça caso cumpram várias exigências formais e gerenciais estabelecidas na Lei 9790/1999 e suas regulamentações. Conforme previsto na lei, as OSCIPs teriam algumas "vantagens" para receber repasses de recursos dos órgãos públicos.

Não é surpresa ou uma novidade que surjam denúncias sobre a existência de ONG's picaretas, liderados por indivíduos ou grupos inescrupulosos. Parece que nenhum setor da sociedade brasileira está imune a este drama nacional que é a corrupção, a malandragem e a prática de irregularidades para auferir mesquinhos benefícios financeiros, patrimoniais ou vantagens políticas.

A Constituição Federal, no Capítulo dedicado aos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, assegura aos brasileiros a plena liberdade de associação (Art. 5). Portanto, organizar-se e atuar em ONGs é um direito do brasileiro e a sua existência são legítimos e indispensáveis instrumentos da prática democrática. Graças a elas, a cidadania tem a sua prática aperfeiçoada e a sociedade vence muitas das suas dificuldades.

Como militante de ONG's ambientalistas, comunitárias, sociais e de caráter técnico desde a adolescência, vejo com indignação quando o movimento associativo é manchado por esses desvios de conduta e sempre celebro a cobrança pela lisura e pela transparência do setor.

No entanto, causa-me também muita preocupação o fato que quase sempre estas "ações moralizadoras" que são sempre anunciadas a cada nova denúncia resultam invariavelmente em acréscimos de procedimentos burocráticos, sem que resultem necessariamente na qualidade do controle e na efetiva moralização do setor.

O caso denunciado pelo O Globo é um exemplo disso. A matéria repete outra denúncia de igual teor veiculada pela TV há pouco tempo, em cuja matéria o responsável pela fraude com OSCIPs foi até entrevistado. Como pode-se ver, as medidas anunciadas à época não inibiram que a mesma prática persistisse. E as ONG's sérias, que cumprem missões relevantes para a sociedade, são expostas a ainda mais burocracia.

O Instituto Rumo Náutico (Projeto Grael) é uma OSCIP, como são muitas das principais organizações no país. E as medidas apresentadas na matéria abaixo ("prestação de contas anual") não se constituem qualquer novidade, pois já são a regra vigente, sendo então cumpridas, por exemplo, pelo Projeto Grael. Mas, surpreende ver na matéria que apenas cerca de 30% das OSCIP's cumprem esta exigência.

Mas é importante alertar que atender às exigências citadas não é uma tarefa fácil. Por exemplo, a prestação de contas precisa ser feita no site do Ministério que na maior parte do tempo não funciona. Simplesmente, não se consegue transmitir as informações digitadas nas planilhas.

O fato é que a carga burocrática sobre a ação das ONG's já é enorme e cresce a cada dia, principalmente quando estas acessam recursos das leis de incentivos fiscais ou quando se relacionam com o poder público. O cumprimento da burocracia faz com que o custo da "atividade meio" (gestão e prestação de contas) destas organizações seja cada vez maior, em detrimento dos recursos que efetivamente chegam às atividades fim destas organizações: que é servir à Sociedade. Ou seja, o dinheiro que supre a burocracia faz falta aos resultados sociais, ambientais, etc, que estas organizações se dedicam a promover.

O Brasil precisa urgente de um novo marco legal para regular a ação das ONGs. Que as denúncias ajudem a avançar neste sentido pois é a saída.


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Terça-feira, 14 de junho de 2011 às 19:32

Governo define novas regras para fiscalização e monitoramento das Oscips

A partir de agora as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips) deverão prestar contas anualmente ao Ministério da Justiça, informou nesta terça-feira (14/6) o secretário-executivo da pasta, Luiz Paulo Barreto, ao anunciar as medidas adotadas pelo governo federal para ampliar o controle e fiscalização dessas entidades.



Barreto concedeu entrevista coletiva no Palácio do Planalto após audiência com a presidenta Dilma Rousseff, que aprovou as novas regras. Além da prestação de contas todos os anos, o governo decidiu implantar, no âmbito do Ministério da Justiça, uma ouvidoria para receber denúncias e encaminhá-las aos órgãos competentes, como a Polícia Federal e Ministério Público, além de instituir convênios com os governos estaduais e municipais para otimizar o controle das atividades dessas organizações. As regras passam a valer imediatamente, informou o secretário-executivo.

Atualmente, cerca de 30% das 5,4 mil Oscips do país prestam contas todos os anos ao Ministério da Justiça. Entretanto – continuou Barreto – como não há legislação que obrigue tal medida, a grande maioria optava por não fazer a prestação de contas. A partir de agora, as entidades que não se adequarem à nova normatização perderão o selo de Oscip.

“Vamos dar um passo bastante grande para um melhor controle de uma atividade que é hoje credenciada pelo Estado, que parte do pressuposto da parceria público-privada. E por tratar, muitas vezes, da aplicação de recursos públicos precisa ter fiscalização mais pronta, precisa ter mais controle do Estado brasileiro, não só quanto à qualificação, mas também quanto ao funcionamento e quanto ao próprio exercício e atuação dessas entidades em nosso país”, disse.

Outra providência comunicada à presidenta, que será adotada “a médio prazo” segundo Barreto, é a criação de um grupo de trabalho (GT) para analisar toda a legislação referente às Oscips. O GT apresentará, num prazo de 90 dias, propostas de alteração normativa “para melhorar todo o controle desse processo”. A portaria que institui o grupo de trabalho foi assinada hoje pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informou.


Fonte: Blog do Planalto

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Veja artigo publicado sobre o mesmo assunto no Informe ABONG, N 488, de 07/07/2011 a 04/08/2011.

sábado, 18 de junho de 2011

Projeto Grael e parceiros testam uma nova metodologia para monitorar correntes da Baía de Guanabara

Em parceria com a empresa Prooceano, com os laboratórios LAMMA (Meteorologia-UFRJ) e LAMCE (COPPE-UFRJ) e com o patrocínio da empresa BG Brasil, o Projeto Grael  desenvolve o Projeto Baía de Guanabara com o objetivo de monitorar as correntes da Baía de Guanabara.

Para alcançar estes objetivos, uma tripulação composta por ex-alunos do Projeto Grael mantém uma rotina de lançamento de derivadores na Baía de Guanabara, equipamentos que são transportados pelas correntes e emitem sinais automáticos, on-line e em tempo real sobre a sua posição (GPS), temperatura da água e outras informações para os pesquisadores (UFRJ) e especialistas (Prooceano) que analisam os dados.


Coral, embarcação do Projeto Baía de Guanabara, operada por equipe do Projeto Grael, lança derivadores na Baía de Guanabara. Foto Axel Grael.

Nesta semana, uma nova metodologia foi testada para permitir que os derivadores sejam lançados à noite. Os equipamentos foram lançados no fim da tarde para ser recolhido na manhã seguinte.

No dia 16, após localizar o equipamento de acordo com as coordenadas enviadas pelo derivador, verificou-se que seu posicionamento era junto ao antigo estaleiro Transnave, hoje, administrado pela Locar. Feito o contato com a empresa, a lancha Coral, do Projeto Grael, obteve permissão para retirar o equipamento, que localizava-se nas proximidades de um rebocador.

Ao chegar ao Estaleiro Locar, a equipe do Projeto Grael foi recebida pelo engenheiro responsável e por outros técnicos da empresa que demonstraram muito interesse pelo trabalho realizado e convidaram o Projeto Grael e seus parceiros para apresentarem uma palestra sobre o Projeto Baía de Guanabara.

Agradecemos a atenção e o interesse dos novos amigos do Projeto Grael.

Derivador flutua ao largo do Estaleiro. Foto acervo do Projeto Baía de Guanabara.

Membro da equipe do Projeto Baía de Guanabara explica o seu trabalho aos técnicos da Locar.

Resgate do derivador.

PROJETO GRAEL: Aula prática de Meteorologia e Oceanografia na Baía de Guanabara

Dentre os cursos oferecidos pelo Projeto Grael está o de Meteorologia e Oceanografia, que é ministrado em parceria com a Departamento de Meteorologia da UFRJ.

Na última semana, o curso desenvolveu uma programação prática na Baía de Guanabara, a bordo do barco Guaiuba, do comandante Ermel, grande parceiro do Projeto Grael.

A aula prática foi ministrada por pesquisadores da UFRJ e pelo oceanógrafo do Projeto Grael, Vinícius Palermo.



Aula prática na Baía de Guanabara. Foto acervo do Projeto Grael.

Coleta de amostras da água da Baía de Guanabara. Foto acervo do Projeto Grael.


Análise a bordo do material coletado. Foto acervo do Projeto Grael.

Alunos e pesquisadores da UFRJ a bordo do Guaiúba. Foto acervo do Projeto Grael.