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terça-feira, 28 de julho de 2020

Setor de comércio e serviços deve puxar a retomada econômica em Niterói




A retomada da economia e a geração de vagas de emprego é a grande prioridade para os próximos meses em Niterói e deveria ser também em todo o país. 

Com todas as medidas tomadas pela Prefeitura de Niterói para o enfrentamento da pandemia, com a estruturação da área de Saúde para atender a enorme demanda que surgiu, com a organização de um programa social para atender aos profissionais que tiveram frustração de receitas devido ao isolamento social - programa que eu coordenei e que ofereceu auxílio para mais de 50 mil famílias -, e o programa de apoio à economia, que foi estruturado para apoiar as empresas para que honrassem a sua folha de pagamentos e mantivessem um capital de giro. Com isso, Niterói enfrentou com mais segurança a crise sanitária e poderá ter uma melhor capacidade de reação na retomada da economia.

A  matéria abaixo, publicada em O Globo, mostra dados interessantes sobre a importância dos setores de comércio e serviços para a retomada da economia no período pós-Covid 19. 

Axel Grael



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No asfalto da Rua Nóbrega, no polo gastronômico do Jardim Icaraí, as boas-vindas aos clientes. Foto: ROBERTO MOREYRA / Agência O Globo



Setor de comércio e serviços deve puxar a retomada econômica em Niterói

Participação do município na arrecadação do ICMS aumentou 3,7% no primeiro semestre, mesmo com pandemia

Leonardo Sodre

NITERÓI - Depois de amargar mais de três meses com as portas fechadas, o setor de comércio e serviços em Niterói volta à ativa e mostra que pode ser a mola propulsora da retomada econômica na cidade. Prova disso é que, mesmo com a crise provocada pelo novo coronavírus — o que levou ao fechamento de centenas de lojas na cidade — , a participação do município no índice do Imposto Sobre Mercadorias e Serviços (ICMS), no primeiro semestre, cresceu 3,7% em relação ao mesmo período do ano passado, em meio a uma retração de 6,1% no estado e de 2,5% na capital.




Além de ser considerado um termômetro das movimentações geradas pelo setor no período, o índice da Secretaria de Estado da Fazenda impacta diretamente nos repasses referentes ao ICMS aos quais Niterói terá direito a receber no ano que vem. Secretária municipal de Fazenda, Giovanna Victer diz que, apesar do saldo positivo, a estimativa era de um crescimento maior, que não ocorreu por conta da pandemia:

— Poderíamos ter crescido muito mais. A expectativa era de uns R$ 40 milhões a mais. A atividade de comércio e serviços em Niterói é muito pujante, e para trazer um reflexo mais justo da atividade econômica aqui na região estamos há quatro anos atuando para identificar distorções de empresas que vendem aqui, mas registram o repasse dos tributos em outras cidades, a maioria no Rio. Isso tem feito o índice de Niterói melhorar a cada ano.

O recolhimento do Imposto Sobre Serviço (ISS) voltou a ser feito em julho pela prefeitura de Niterói, depois de três meses suspenso em razão da crise sanitária. Giovanna diz que as quantias referentes ao período serão parceladas em 12 vezes, com pagamento a partir de janeiro do ano que vem.

— Isso dará mais fôlego para o setor. O que esperamos também é que a população, assim como foi fundamental para os bons resultados na área da saúde, cumprindo o isolamento social, também se empenhe e dê prioridade a consumir na cidade. Que ela retorne às lojas daqui, porque muita gente criou o hábito de comprar pela internet. Todos somos responsáveis pela retomada econômica em Niterói. Se voltarmos às ruas com segurança, vamos contribuir para que esse ciclo volte de forma mais vigorosa — considera.

PEQUENOS SOFREM MAIS

Para o diretor-executivo do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análise econômicas (Ifec), João Gomes, o crescimento de Niterói no índice do ICMS foi puxado pelas movimentações feitas por grandes empresas no primeiro semestre. A avaliação é feita em cima do impacto maior da crise nas de menor porte.

— De cerca de 300 mil microempresas no estado, pelo menos 50% entraram no vermelho e precisam de crédito para se salvar. O índice da Secretaria estadual de Fazenda não mostra as movimentações discriminadas por empresas, mas certamente o que elevou o patamar em Niterói foram grandes movimentações feitas por algumas grandes empresas durante o período, com uma melhora significativa em junho — conclui.

APETITE, COM SEGURANÇA

Os últimos negócios do setor de produtos e serviços a retomarem suas atividades em Niterói foram restaurantes, lanchonete e cafeterias, no dia 13 deste mês, e bares e academias, na segunda-feira passada. Ainda há restrições para funcionamento impostas pelas autoridades, mas o apetite dos empresários é grande.

Rossy Borges, proprietário da UpSports Studio, comemora a primeira semana de retomada das atividades e reforça que os alunos estão cada vez mais dispostos a voltar aos treinos, seguindo todos os protocolos de segurança.

— Estamos atendendo às normas sanitárias adotadas em todos lugares do mundo e que estão se mostrando eficazes. Pesquisas feitas em universidades de Oslo e de Madri revelam que o risco de contágio em academias não é maior do que em lugares como supermercado, farmácias ou shoppings. A da Noruega, inclusive, diz que não houve aumento de casos de Covid-19 relacionado à reabertura das academias. Por isso, esperamos nos recuperar o mais rápido possível — diz Borges.

No Jardim Icaraí, onde funciona um dos principais polos gastronômicos da cidade, bares da Rua Nóbrega deram as boas-vindas aos clientes, com mesas dispostas para respeitar o distanciamento e oferecendo itens de higiene.






sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Pesquisa de opinião: maioria dos eleitores diz que leis ambientais não são obstáculo para o crescimento econômico



Os resultados são baseados em 496.038 respostas da Sintonia Eleitoral, um questionário desenvolvido por uma empresa canadense e oferecido com exclusividade no Brasil pelo G1 durante a campanha eleitoral.

Por G1
A maior parte das pessoas que responderam à Sintonia Eleitoral discordaram da ideia de que as leis ambientais são um obstáculo para o crescimento econômico.

É o que revela uma pesquisa realizada a partir das respostas dos leitores do G1 à Sintonia Eleitoral (veja ao final desta reportagem a metodologia da pesquisa). A ferramenta, uma parceria entre a empresa canadense Vox Pop Labs e o G1, permite identificar qual presidenciável é mais alinhado às ideias do eleitor.

Ao responder ao Sintonia Eleitoral, o leitor dizia o quanto concordava com 30 afirmações e, a partir dessas respostas, a ferramenta indicava em que ponto do espectro ideológico o leitor estava e como ele se situava em relação aos candidatos. Mais de 1 milhão de pessoas responderam ao questionário.

Ao longo desta semana, o G1 publicará os detalhamentos de todas as 30 perguntas.

Veja os gráficos:









Metodologia

Desenvolvida por uma equipe de cientistas sociais e estatísticos da Vox Pop Labs, a Sintonia Eleitoral é uma ferramenta de engajamento cívico oferecida no Brasil exclusivamente pelo G1. Os resultados são baseados em 496.038 respostas da Sintonia Eleitoral entre 21 de setembro e 29 de outubro. A ferramenta tinha, até esta terça, 1,139 milhão de testes realizados.

Diferentemente de pesquisas de opinião online, os respondentes da Sintonia Eleitoral não são pré-selecionados. Tal qual as pesquisas de opinião, porém, os dados são uma amostra não aleatória da população e foram ponderados para se aproximar de uma amostra representativa da população. Os dados da Sintonia Eleitoral foram ponderados por gênero, idade, educação e região para assegurar uma composição da amostra que reflita a atual população do Brasil de acordo com os dados do Censo e outras estimativas populacionais.

O QUE PENSA QUEM RESPONDEU À SINTONIA ELEITORAL

Acesse a Sintonia Eleitoral

Maioria diz que economia deve ser 'muito mais' aberta a negociar com o mundo

Eleitores: governo deveria vender propriedades públicas a aumentar impostos

Eleitores defendem educação gratuita da creche à universidade

Brasil se divide sobre liberdade para ensino de diferentes perspectivas políticas

Polarização quanto à privatização da Petrobras

Maioria defende que governo controle preço do petróleo

Eleitores apoiam leis ambientais mais rigorosas

Maioria diz que leis ambientais não são obstáculo para o crescimento econômico

Maior parte diz que funcionários públicos devem ser autorizados a fazer greve

96% dos leitores defendem direito de protestar

94% concordam 'muito' que governo deve reduzir a corrupção

Para 78%, Lava Jato contribui efetivamente para combater a corrupção

Maioria acha que poder dos militares deve aumentar para combater corrupção

Maior parte é contra facilitar compra de arma no Brasil

Povos indígenas devem ter controle sobre território, dizem eleitores

Para maioria, governo deve fazer mais para reduzir distância entre ricos e pobres

Maioria prefere manter as regras atuais para aborto

Maioria acha que só pessoas físicas podem doar para partidos políticos

Eleitores se dividem quanto ao número de refugiados que o Brasil deve admitir

71% acham que Bolsa Família deve continuar

Homossexuais devem ter o mesmo direito que heterossexuais

Maioria não acha que casamento deva ser apenas entre homem e mulher

Eleitores se dividem quanto ao equilíbrio das contas públicas a qualquer custo

Para maioria, grandes empresas deveriam pagar mais impostos

Para 70%, mais ricos devem pagar mais impostos

Eleitores se dividem quanto a gastos em transporte público

Para maioria, sistema previdência é insustentável

Para mais de 70%, idade para se aposentar deve ser igual ou maior que a atual

Maioria é contra aprovação, pelo Congresso, de cotas para mulheres em cargos públicos

Maioria é contra a legalização da maconha


Fonte: G1












sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Política pública incentiva a adoção de Sistemas Agroflorestais em São Paulo



Agricultor do Sepé em SAF Biodiverso - Foto: Luiz Octávio Ramos Filho


Desde 2014, a Equipe de Agroecologia da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) colabora na execução de uma política pública que visa incentivar os agricultores familiares do estado de São Paulo a adotarem os sistemas agroflorestais como atividade produtiva sustentável.

Trata-se do Microbacias II - Programa de Desenvolvimento Rural Sustentável (PDRS), cujo componente ambiental é executado pela Coordenadoria de Biodiversidade e Recursos Naturais (CBRN), vinculada à Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA-SP).

Por meio de editais públicos, o programa fornece apoio técnico financeiro para atividades produtivas inovadoras desenvolvidas por agricultores familiares, que contribuam para a conservação e recuperação da biodiversidade e outros recursos naturais, gerando renda e ao mesmo tempo mitigando os efeitos das mudanças climáticas. “Neste sentido, os Sistemas Agroflorestais foram definidos como a principal estratégia a ser incentivada", explica o pesquisador Luiz Octávio Ramos Filho, da Embrapa Meio Ambiente.

Foram firmados 21 convênios com cooperativas, associações de agricultores familiares e ONGs ambientais de todo o Estado, principalmente em assentamentos rurais, envolvendo a implantação de aproximadamente 600ha de SAFs.

No bojo dessa política pública, foi instituído pela SMA o Grupo de trabalho Painel Agroflorestal, composto por pesquisadores e técnicos de diversas instituições, incluindo a Embrapa Meio Ambiente, visando apoiar o desenvolvimento de estratégias e ações relacionadas ao monitoramento dos sistemas implantados, considerando aspectos ecológicos, econômicos e sociais. O grupo colabora na elaboração do protocolo de monitoramento, definição e validação de indicadores biofísicos e socioeconômicos. Além de contribuir com o Painel Agroflorestal, a equipe de Agroecologia da Embrapa Meio Ambiente participa diretamente de um dos projetos apoiados pelo programa, desenvolvido no Assentamento Sepé Tiaraju, em Serrana e Serra Azul, SP. Iniciado em setembro de 2014, o projeto Fortalecimento do uso de sistemas agroflorestais como alternativa de produção sustentável no Assentamento Sepé Tiaraju buscou consolidar e ampliar o número de famílias que adotam SAFs, bem como desenvolver processos para maior agregação de valor dos produtos agroflorestais gerados. A instituição proponente é a Cooperativa Agroecológica de Manejo e Conservação da Biodiversidade dos Agricultores Familiares do Assentamento Sepé Tiaraju (Cooperecos), e além da Embrapa, participam como parceiros a Cooperagrosepé, a Associação Fraterra, a Unesp, a UFSCar, a ONG Mutirão Agroflorestal e o Instituto Biossistêmico.

Uma das principais metas é a implantação de 35 parcelas de SAF’s agroecológicos e biodiversos no assentamento, totalizando 25,4ha. Buscando atender os interesses e as características das famílias, bem como a aptidão ecológica e econômica regional, foram elaborados desenhos individuais para cada área, obedecendo um padrão similar: plantio de linhas de árvores, espaçadas em 5 a 6 metros, alternando-se linhas destinadas à produção econômica - linhas de produção, compostas principalmente por frutíferas e algumas espécies madeireiras; e linhas destinadas à produção de biomassa – linhas de poda, compostas principalmente por espécies nativas de diversos grupos ecológicos, as quais serão manejadas por meio de podas periódicas, com a biomassa gerada distribuída na linha de produção, visando garantir a nutrição das espécies e a autossuficiência do sistema. Com o espaçamento médio adotado de 4 metros entre árvores em cada linha, chegou-se a uma densidade de 400 árvores por hectare, padrão mínimo exigido no edital.

Em todas as linhas foi previsto o plantio de bananeiras entre uma árvore e outra, para garantir renda a partir do segundo ano, além da produção inicial de biomassa e sombra até que as árvores lenhosas se desenvolvam.

O uso da área de entrelinhas ficou a critério de cada agricultor, podendo tanto ser utilizada para o cultivo de culturas anuais (feijão, milho, mandioca, abóbora, hortaliças), como para o manejo de gramíneas ou adubos verdes visando a obtenção de biomassa para nutrição das linhas de árvores.

Em termos de biodiversidade, os desenhos dos SAFs contemplaram em média 30 espécies, de diferentes grupos ecológicos e estratos, sendo pelo menos 50% de nativas. Os principais “carros-chefe” (culturas perenes de valor econômico) adotados foram manga, abacate e citros, além de diversas outras frutíferas exóticas ou nativas, como pitanga, graviola, uvaia e cereja do rio grande. Em menor proporção, alguns SAFs tinham previsto como carro chefe o café e madeiras, como cedro ou mogno africano.

Outra importante meta foi a capacitação de 35 famílias, com diversas atividades sobre planejamento, desenho, dinâmica e manejo dos SAFs, como dias-de-campo, cursos e visitas, além de mutirões de implantação e manejo, com a participação das famílias assentadas, além da equipe técnica e convidados.

Sob o ponto de vista da Embrapa, a colaboração com esse programa e o envolvimento direto com a execução do projeto no Assentamento Sepé Tiaraju representou um importante avanço na linha de pesquisa sobre sistemas biodiversos agroecológicos, permitindo vivenciar os enormes desafios envolvidos na ampliação da escala de adoção de sistemas bastante complexos como os SAFs. Ao mesmo tempo, propiciou aprendizados que contribuem diretamente para outros projetos, como o Monitoramento e avaliação econômica de Sistemas Agroflorestais agroecológicos: estudos de caso no estado de São Paulo (ECOSAF); o projeto Soluções tecnológicas para a adequação da paisagem rural ao Código Florestal Brasileiro, que tem como uma das atividades a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) com diferentes tecnologias e modelos de restauração ecológica adequados à legislação ambiental no Bioma Mata Atlântica do Estado de São Paulo; o projeto Sistematização participativa de experiências e intercâmbio de conhecimentos em sistemas agroflorestais voltados à agricultura familiar em regiões da Mata Atlântica no sul e sudeste do Brasil (SEISAF) e a Rede de agroecologia Leste Paulista – Alta Mogiana (projeto ECOFORTE).

Sob o ponto de vista da política pública, a execução do PDRS tem permitido um significativo avanço na adoção de SAFs em todo o estado. Por outro lado, segundo o pesquisador Joel Queiroga, da Embrapa Meio Ambiente, “observa-se que a forma como a CBRN executa o programa tem permitido articular uma importante rede de atores que trabalham com agrofloresta no estado”. Fortalece-se assim a perspectiva de que esse órgão estadual trabalhe mais fortemente no incentivo aos sistemas agroflorestais como estratégia produtiva que recupera a biodiversidade e permite o uso mais sustentável dos recursos naturais. De acordo com Neide Araújo, coordenadora do PDRS-SMA, “a CBRN tem vivenciado com os agricultores muitos impactos positivos de diversas dimensões, relacionados às melhorias na qualidade dos solos, a redução de erosão e do uso da água, bem como os avanços na organização dos produtores e a retomada de práticas coletivas de trabalho, de aprendizado e discussão. Com isso, há o fortalecimento das organizações, o aumento da produção e da renda dos agricultores familiares”.

Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente
meio-ambiente.imprensa@embrapa.br
Telefone: 19 3311 2608

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/


Fonte: EMBRAPA











sábado, 11 de novembro de 2017

Portal disponibiliza 2.500 obras da iconografia brasileira



“Cabocle Indien civilisé”, JeanBaptiste Debret, 1834 (Acervo/Pinacoteca de São Paulo).


Brasiliana Iconográfica reúne itens dos acervos da Biblioteca Nacional, Pinacoteca, Instituto Moreira Salles e Itaú Cultural



Um conjunto de 2.500 imagens da história e da cultura brasileiras, oriundas do acervo de quatro instituições públicas e privadas de arte, está disponível para consulta online e gratuita. Lançado na última sexta-feira (27), o portal Brasiliana Iconográfica reúne desenhos, pinturas, estudos científicos, aquarelas e gravuras que datam desde o século 16, com os primeiros registros de portugueses no Brasil, até o início do 20.

A iniciativa é uma colaboração entre a Biblioteca Nacional, a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Instituto Moreira Salles e o Itaú Cultural, que digitalizaram a parte de seus acervos relativa à brasiliana — como são chamadas as coleções de iconografia brasileira — e que vão gerir temporariamente o site. Outras instituições, nacionais e estrangeiras, devem se somar ao portal já no ano que vem.

O projeto levou quase dois anos para ser desenvolvido, segundo Mônica Carneiro Alves. A curadora do portal pela Fundação Biblioteca Nacional conta que foram necessárias “inúmeras reuniões” para “garantir a uniformidade entre as diversas formas de tratar a informação em instituições com características distintas”. A facilidade de navegação foi assegurada, segundo Mônica, com a “elaboração de uma linguagem comum para a descrição dos principais pontos de acesso, como autoria, linha do tempo e assuntos”.


“Floresta virgem do Brasil”, Charles Othon Frédéric Jean Baptiste de Clarac, c. 1822 (Acervo/IMS)


Neste primeiro momento, o portal terá a curadoria de Valéria Piccoli, que é curadora-chefe da Pinacoteca de São Paulo. Ela destaca na iniciativa “a possibilidade de criar em ambiente virtual um museu que jamais poderia existir fisicamente”, uma vez que “reunir num mesmo local de consulta imagens que estão dispersas por vários países do mundo abre infinitas possibilidades de pesquisa e de cruzamento de dados, que hoje dificilmente podem acontecer”.

“Sabemos que muitas coleções no Brasil ainda sofrem com falta de catalogação adequada e de um inventário exaustivo de seus acervos”, comenta Piccoli ao advogar pela digitalização destas obras. “A preservação digital pode ser um instrumento importante para que essas coleções sejam plenamente divulgadas e conhecidas do público, prevenindo eventuais ocorrências e até desaparecimento de obras”.

Destaques do acervo

Pintores brasileiros e estrangeiros figuram no acervo, mas o foco do portal está nos chamados artistas viajantes — como é o caso de Leone Righini. Um conjunto de quatro pinturas atribuídas ao pintor italiano e disponíveis no site, por exemplo, revela a São Luís do Maranhão no século 19. “Os artistas, de modo geral, vinham para o Rio de Janeiro, que é, sem dúvida, o lugar mais retratado pelos estrangeiros desde sempre”, explica Valéria. “Daí a raridade dessas obras de São Luis na década de 1860”.

“Sítio Sossego ”, Leone Righini, 1865 (Acervo/Pinacoteca)


Piccoli também destaca a disponibilização de obras em papel, menos expostas nas instituições por exigirem maiores cuidados de conservação. Entre estas estão as aquarelas feitas por Félix Taunay no centro do Rio em 1823 e um mapa do Brasil produzido na Holanda em 1647, por Joan Blaeu. “Tudo isso estará disponível para consulta com um zoom excelente, que permite ver muitos detalhes”, completa a curadora.

O mais conhecido entre os artistas viajantes, Jean-Baptiste Debret, que chegou ao país com a Missão Artística Francesa, também tem obras incluídas no portal. Entre os destaques estão um exemplar de sua Viagem Pitoresca (1834-1839), da Biblioteca Nacional; a tela Casamento de D. Pedro I e D. Amélia, de 1829, cuja autoria só foi reconhecida em 2007, quando foi adquirida pela Brasiliana Itaú; e uma rara pintura a óleo feita pelo artista em 1816, do acervo da Pinacoteca.


“Dama em literia, carregada por escravos e suas acompanhantes”, Jean-Baptiste Debret (Acervo/Biblioteca Nacional)


O portal também conta com textos e análises das obras no acervo, elaborados pela jornalista Laura Greenhalgh e por profissionais das instituições. Três artigos já estão no ar: dois da equipe da Pinacoteca — sobre as Missões Francesa (1816) e Austríaca (1817) — e um da equipe do Instituto Moreira Salles sobre o pintor Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806–1879), discípulo de Debret.

“Temos o compromisso de trazer periodicamente para o portal contribuições de estudiosos de brasiliana, para que ele se torne um repositório de imagens, bem como um site de referência em termos de reflexão e novas leituras sobre o assunto”, garante Valéria Piccoli.

A curadora também adiantou os planos de expansão da Brasiliana Iconográfica. Já no ano que vem duas coleções brasileiras e uma internacional devem ser acrescentadas ao portal. Também está prevista a tradução do conteúdo do portal para o inglês, com o objetivo de permitir o acesso a pesquisadores e curiosos de outras partes do mundo.


Veja outros itens no acervo da Brasiliana Iconográfica:


“Paisagem do Amazonas”, Franz Keller (Acervo/Biblioteca Nacional)

“Vista do Rio de Janeiro”, Enrique Casanova, c. 1883 (Acervo/IMS)



“Cidade de São Paulo”, Charles Landseer, 1825–26 (Acervo/IMS)


“Casamento de D. Pedro I e D. Amélia”, Jean-Baptiste Debret, 1829 (Acervo/Brasiliana Itaú)

“Aspecto tirado a bordo da fragata Áustria em sua viagem para o Rio de Janeiro”, Thomas Ender, 1817 (Acervo/Biblioteca Nacional)

O portal pode ser acessado no endereço brasilianaiconografica.art.br.












sábado, 28 de outubro de 2017

MUDANÇAS CLIMÁTICAS: Emissões do Brasil sobem 9% em 2016





Dados do SEEG mostram que país lançou mais gases de efeito estufa no ar mesmo em meio à pior recessão de sua história; desmatamento puxou elevação, a maior em 13 anos

SÃO PAULO/BRASÍLIA/BELÉM/PIRACICABA, 25/10/2017 – As emissões nacionais de gases de efeito estufa subiram 8,9% em 2016 em comparação com o ano anterior. É o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004.

O país emitiu no ano passado 2,278 bilhões de toneladas brutas de gás carbônico equivalente (CO2e), contra 2,091 bilhões em 2015. Trata-se de 3,4% do total mundial, o que mantém o Brasil como sétimo maior poluidor do planeta.

Os dados são da nova edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), que será lançada nesta quinta-feira (26), em São Paulo (SP), pelo Observatório do Clima.

O crescimento é o segundo consecutivo, e ocorre em meio à pior recessão da história do Brasil. Em 2015 e 2016, a elevação acumulada das emissões foi de 12,3%, contra um tombo de 7,4 pontos no PIB (Produto Interno Bruto), que recuou 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. O Brasil se torna, assim, a única grande economia do mundo a aumentar a poluição sem gerar riqueza para sua sociedade.

A elevação nas emissões no ano passado se deveu à alta de 27% no desmatamento na Amazônia. As emissões por mudança de uso da terra cresceram 23% no ano passado, respondendo por 51% de todos os gases de efeito estufa que o Brasil lançou no ar.

Por outro lado, quase todos os outros setores da economia tiveram queda nas emissões. A mais expressiva foi no setor de energia, que viu um recuo de 7,3% – a maior baixa em um ano desde o início da série histórica, em 1970. O setor de processos industriais teve redução de 5,9%, e o de resíduos, 0,7%. As emissões da agropecuária subiram 1,7%.


* VEJA AQUI OS DADOS E AS FIGURAS DO SEEG


Hoje, a atividade agropecuária é, de longe, a principal responsável pelas emissões de gases de efeito estufa no país: ela respondeu por 74% das emissões nacionais em 2016, somando as emissões diretas da agropecuária (22%) e as emissões por mudança de uso da terra (51%). Se fosse um país, o agronegócio brasileiro seria o oitavo maior poluidor do planeta, com emissões brutas de 1,6 bilhão de toneladas (acima do Japão, com 1,3 bilhão). Entre 1990 e 2016, o setor de uso da terra no Brasil emitiu mais de 50 bilhões de toneladas de CO2e, o equivalente a um ano de emissões mundiais.

“O descontrole do desmatamento, em especial na Amazônia, nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO2 a mais em 2016 do que em 2015. É mais do que duas vezes o que a Bélgica emite por ano”, disse Ane Alencar, pesquisadora do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e responsável pelos cálculos de emissões por mudança de uso da terra no SEEG. “Isso é dramático, porque o desmatamento é em sua maior parte ilegal e não se reflete no PIB do país.”

Com efeito, a chamada intensidade de carbono da economia brasileira, ou seja, o total emitido por unidade de PIB gerada, cresceu 13% – na contramão da maior parte das grandes economias, em que a intensidade de carbono vem declinando. Em 2016, o Brasil emitiu 1,1 tCO2e para cada milhão de dólares de PIB (MUSD), enquanto a média global é de 0,7 tCO2e/MUSD. Para uma economia de baixo carbono em meados do século, estima-se que este valor deveria ser inferior a 0,1.

No setor de energia, que antes da crise vinha crescendo rapidamente em emissões, a queda de 7,3% foi puxada pela retração da economia e pelo crescimento da participação das energias renováveis na matriz elétrica.

As emissões associadas à geração de eletricidade caíram 30% no ano passado. Isso se deveu à redução da participação das usinas termelétricas fósseis, cuja geração caiu 28% devido à recuperação parcial dos reservatórios das hidrelétricas – que aumentaram sua geração em 6% graças às chuvas no Centro-Sul em 2016 – e à desaceleração da economia. “Além disso, a geração por fontes renováveis não hídricas, principalmente eólica e biomassa, cresceu 19%”, afirmou Marcelo Cremer, pesquisador do Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente).

A maior parte das emissões do setor de energia – 48% – segue atrelada ao setor de transportes. Nos últimos três anos o consumo de combustível em veículos leves se manteve constante, mas em 2016 a gasolina aumentou 4% e o etanol caiu 10%. “A troca de etanol por gasolina tende a aumentar emissões, mas por outro lado, a redução no consumo de óleo diesel, querosene de aviação e óleo combustível, na esteira da crise, fez com que as emissões de transportes se mantivessem praticamente idênticas às de 2015”, concluiu Cremer.

No setor de resíduos, o que teve maior crescimento percentual desde 1970 (mais de 500%), a oscilação para baixo se deveu também à recessão. “Apesar do crescimento das emissões provenientes do tratamento de efluentes, o setor teve queda, relacionada à redução da geração de resíduos sólidos urbanos e à diminuição do envio do material coletado para aterros sanitários”, disse Igor Albuquerque Reis, do ICLEI-Governos Locais pela Sustentabilidade.

Segundo ele, a recessão que atingiu as prefeituras Brasil afora afetou as políticas municipais de eliminação dos lixões proposta pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010. Isso paradoxalmente reduz as emissões, já que os aterros sanitários, embora sejam a melhor destinação para o lixo, emitem mais metano (que, no entanto, pode ser usado para gerar energia e reduzir emissões).

A crise também é uma explicação, embora igualmente paradoxal, para o aumento das emissões no setor de agropecuária: os abates de bovinos recuaram pelo segundo ano consecutivo, devido principalmente a uma queda na demanda por carne em função da crise e competitividade das demais carnes, como a de porco (que tem tido abates recordes). “Atingimos uma população de bovinos de corte jamais vista”, diz Ciniro Costa Júnior, analista de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora. Só de gado de corte o Brasil tinha em 2016 mais de 198 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE. Como bois e vacas emitem metano (o gás de efeito estufa mais importante depois do CO2) durante a digestão e pela degradação do esterco, menos gado sendo abatido significa mais bois no pasto e nos currais e mais emissões.

Além do aumento do rebanho, também contribuiu para o crescimento das emissões do setor – que foi o maior desde 2011 – um salto inédito no consumo de fertilizantes nitrogenados, que emitem óxido nitroso (N2O) um gás 265 vezes mais potente que o CO2 no aquecimento global. Depois de uma queda de entre 2014 e 2015, ele cresceu 23% em 2016, algo nunca visto antes, o que levou a um aumento proporcional de aumento nas emissões dessa fonte.

O SEEG fez, ainda, pelo segundo ano consecutivo, uma estimativa das emissões e remoções pelo manejo dos solos agrícolas, que não são computadas no inventário nacional divulgado pelo governo. Solos degradados emitem CO2 e solos bem manejados, pelo contrário, removem CO2 da atmosfera. Entender e estimar essas emissões e remoções é fundamental para o cumprimento das metas do Brasil no Acordo de Paris, já que elas envolvem restaurar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas.

Se fossem contabilizadas, as variações de carbono no solo resultariam num aumento de 5% na emissão total do setor agropecuário, devido à grande quantidade pastagens degradadas no país. “Nós temos mostrado que dá para fazer essa estimativa, e isso deveria estimular o governo a fazer também”, afirmou Costa Júnior.

A VISÃO DO OC:

AGROPECUÁRIA AMEAÇA METAS, MAS PODE SER SALVAÇÃO DO CLIMA

O cenário atual acende uma luz amarela para o cumprimento da Política Nacional de Mudanças Climáticas. A lei estabelece que o Brasil precisa chegar a 2020 com emissões não superiores a 2,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalente – exatamente o que foi emitido em 2016. Se não reverter o desmatamento, o país pode não cumprir a meta caso as emissões dos outros setores retomem o ritmo de alta de antes da recessão, em especial o de energia.

“Nos últimos anos nós temos caminhado no sentido contrário à meta. Patinamos ao redor de 2 bilhões de toneladas por ano e agora saltamos para 2,2 bilhões”, disse André Ferretti, gerente de Estratégias de Conservação da Fundação Grupo Boticário e coordenador-geral do Observatório do Clima.

“Temos hoje a pior manchete climática do planeta: aumento de emissões em razão de desenfreada destruição florestal e totalmente dissociado da economia. Não vai adiantar o governo e os ruralistas dizerem lá fora que o agro é pop; não vão convencer a comunidade internacional e os mercados de que está tudo bem por aqui”, afirmou Carlos Rittl, secretário-executivo do OC. “O Brasil que chegará no mês que vem à COP23 já é um risco para os objetivos do Acordo de Paris.”


“O Brasil que chegará no mês que vem à COP23 já é um risco para os objetivos do Acordo de Paris.”



Se por um lado a atividade agropecuária lidera as emissões do Brasil, por outro lado pode estar aí a chave para a salvação da lavoura – e do clima.

“As emissões ligadas à atividade agropecuária quase sempre representaram 70% ou mais das emissões totais do Brasil. Mas elas podem chegar a zero com decisões nossas”, afirmou Tasso Azevedo, coordenador técnico do SEEG. Segundo ele, o país pode zerar o desmatamento e expandir a agricultura de baixo carbono a toda a agropecuária. Isso implica um melhor ambiente para o agronegócio, mais renda para o produtor e menos risco de secas e queimadas. “O nosso maior desafio no combate à mudança climática é também a nossa maior oportunidade. Temos a felicidade de ser um país onde essas coisas coincidem.”

BRUTO OU LÍQUIDO?

Há duas maneiras de reportar os dados de emissão do país: pode-se falar em emissões brutas (ou seja, o total que efetivamente vai para a atmosfera como produto de ações humanas) ou líquidas, em que se subtrai dessa conta o carbono retirado da atmosfera por ações humanas como a restauração de florestas.

O IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, autoriza os países a descontar de sua contabilidade as chamadas remoções antropogênicas. O Brasil faz isso, considerando “antropogênicas” as remoções de CO2 por unidades de conservação e terras indígenas. Estima-se um fator de remoção e multiplica-se esse fator pela área florestal em TIs e UCs. O resultado é uma “deflação” que pode chegar a centenas de milhões de toneladas de CO2 equivalente nos inventários nacionais de emissão.

Os técnicos do SEEG consideram essa contabilidade problemática, já que não há nenhuma garantia de que as florestas nessas áreas protegidas, em sua maioria florestas tropicais maduras, estejam de fato removendo carbono nessa quantidade. Por exemplo, o fator de remoção usado no Terceiro Inventário Nacional, de 2016, difere do segundo, de 2010, o que torna as remoções do Segundo Inventário quase três vezes maiores.

Por essa razão, o OC prefere apresentar os dados do SEEG em remoções brutas, embora, por transparência e comparabilidade, sempre publique também as emissões líquidas.

POR QUE OS DADOS DO SEEG MUDARAM?

Em 2017, toda a série histórica do SEEG foi ajustada, por isso, os números de 2015 e dos anos anteriores não são os mesmos que divulgamos no ano passado. Mas calma, a gente explica: o que aconteceu foi que o SEEG usou uma metodologia mais atual para fazer as contas.

Contabilidades nacionais de emissão são baseadas nas diretrizes do IPCC. De tempos em tempos, sempre que publica um relatório de avaliação novo, o IPCC aprimora essas diretrizes, para refletir melhor o conhecimento científico. Por exemplo, os fatores usados para calcular quanto uma determinada atividade (a queima de cimento, por exemplo) emite mudam, assim como os potenciais de aquecimento global dos vários gases de efeito estufa.

O Terceiro Inventário Nacional de emissões de gases de efeito estufa usa as diretrizes publicadas pelo IPCC em seu Segundo Relatório de Avaliação (SAR, ou AR2), de 1995. A União Europeia também usa o AR2.

No entanto, a NDC, a meta brasileira no Acordo de Paris, foi desenhada usando os fatores de emissão do relatório mais recente do IPCC, o AR5, de 2013. Para permitir o melhor acompanhamento da política pública, o SEEG converteu toda a série de dados para AR5. Mas na plataforma também é possível acessar os dados na “linguagem” antiga.

GLOSSÁRIO

GEE – Gás de efeito estufa. Moléculas com propriedade de reter calor na atmosfera, causando o aquecimento global. Os de origem antropogênica controlados pelos acordos do clima são seis: CO2 (gás carbônico, produzido por desmatamento e queima de combustíveis), CH4 (metano, produzido por desmatamento, queima de combustíveis, plantações de arroz e ruminantes), N2O (óxido nitroso, produzido pelo uso de fertilizantes), SF6 (hexafluoreto de enxofre, usado na indústria), HFCs (hidrofluorocarbonos, usados em refrigeração) e PFCs (perfluorcarbonos, também usados na indústria)

Gás carbônico equivalente (CO2e) – Soma de todos os principais gases de efeito estufa “convertidos” para o potencial de aquecimento global do CO2, o principal deles. Uma molécula de metano, por exemplo, é 28 vezes mais potente que uma molécula de CO2 para aquecer a Terra em cem anos.

MUT – Mudança de Uso da Terra. Atividades que englobam o desmatamento, o reflorestamento, a regeneração e a calagem. As emissões do setor de MUT são, em sua esmagadora maioria, resultantes de desmatamento.

Emissão bruta/emissão líquida – Ver box.

GWP – Potencial de aquecimento global, na sigla em inglês (global warming potential). Medida do quanto um determinado gás de efeito estufa é capaz de aprisionar calor na atmosfera, em relação ao dióxido de carbono (cujo potencial de aquecimento global é igual a 1). É a medida mais usada em inventários de emissões.

SOBRE O SEEG

O Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa foi criado em 2012 para atender a uma determinação da PNMC (Política Nacional de Mudanças Climáticas). O Decreto 7.390/2010, que regulamenta a PNMC, estabeleceu que o país deveria produzir estimativas anuais de emissão, de forma a acompanhar a execução da política. O governo, porém, nunca produziu essas estimativas. Os inventários nacionais, instrumentos fundamentais para conhecer em detalhe o perfil de emissões do país, são publicados apenas de cinco em cinco anos, portanto, não conseguem captar as dinâmicas de curto prazo da economia, o que é necessário para a implementação de políticas públicas.

O SEEG foi a primeira iniciativa nacional de produção de estimativas anuais para toda a economia. Ele foi lançado em 2012 e incorporado ao Observatório do Clima em 2013. Hoje em sua quinta coleção, é uma das maiores bases de dados nacionais sobre emissões de gases estufa do mundo, compreendendo as emissões brasileiras de cinco setores (Agropecuária, Energia, Mudança de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos) de 1970 a 2016 – exceto o setor de Mudança de Uso da Terra, que não tem dados anteriores a 1990.

As estimativas são geradas segundo as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Todos os dados do SEEG são disponibilizados em plataforma digital, onde se pode consultar os dados diretamente, assim como também obter por download a base de dados completa, com mais de 3,3 milhões de registros, já preparada para consultas com tabelas dinâmicas. Os principais dados de atividades utilizados nos cálculos também são disponibilizados através da plataforma. Nela é possível acessar infográficos sobre as emissões de cada setor, notas metodológicas que explicam detalhadamente como o levantamento e produção de dados são realizados e uma avaliação da qualidade dos mesmos.

A partir de 2014, o SEEG passou a ser adotado por coletivos de outros países. O primeiro SEEG implementado fora do Brasil foi no Peru e o segundo, na Índia. O SEEG Global pode ser acessado pelo endereço: http://seeg.world.

Atuaram no SEEG 5 pesquisadores das ONGs: Ipam e Imazon (Mudança de Uso da Terra), Imaflora (Agropecuária), Iema (Energia e Processos Industriais) e Resíduos (ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade).

SOBRE O OC

O Observatório do Clima é a principal rede da sociedade civil brasileira atuando na área de mudanças climáticas. Fundado há 15 anos, em 2002, O OC reúne hoje 43 organizações não-governamentais que se dedicam a acompanhar as políticas públicas de clima no Brasil e promover debates com a sociedade. Conheça mais sobre o nosso trabalho e saiba quem são nossos membros:

www.observatoriodoclima.eco.br

Fonte: Observatório do Clima




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segunda-feira, 17 de julho de 2017

Caixas de pizza podem baratear reflorestamento







Fotos Felipe Ferreira


Técnica simples e barata pode auxiliar na reabilitação de áreas degradadas com um custo até 50% menor em comparação aos métodos tradicionais. Trata-se do uso de papelão para controle do capim no coroamento (capina ao redor) de mudas em ações de reflorestamento. O produtor pode utilizar até mesmo caixas usadas de pizza. Desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Agrobiologia, a técnica pode viabilizar financeiramente a adoção da recuperação de pastagens para pequenos produtores. O Brasil tem hoje cerca de 21 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal que precisam ser restauradas, a maioria sob uso de pastagem.

O Brasil tem hoje cerca de 21 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal que precisam ser restauradas, a maioria sob uso de pastagem.


Esse método já utilizado em lavouras é novidade em ações de reflorestamento com espécies nativas. Nos projetos de recomposição florestal, a maior parte dos custos está associada ao controle de plantas daninhas que colocam em risco o crescimento e a sobrevivência das mudas. Cerca de dois terços do investimento é destinado ao controle da chamada matocompetição. “Temos várias soluções para isso. O uso de herbicida é a mais comum na agricultura, mas é pouco utilizada no setor florestal com foco ambiental, principalmente porque são áreas próximas a recursos hídricos”, explica o pesquisador Alexander Resende.

A técnica é simples e utiliza um disco ou placa de papelão, novo ou reutilizado, para proteger a base das mudas de espécies florestais nos primeiros anos de plantio. A proteção faz com que as gramíneas, que exercem forte competição com as espécies de reflorestamento, não se desenvolvam. Com isso, o crescimento das mudas ocorre da mesma forma como se fosse feito o controle da forma tradicional com enxadas, foices e roçadeiras. Mas o método tradicional exige muita mão de obra, com rendimento operacional baixo, o que onera os projetos de reabilitação ambiental.

O pesquisador Guilherme Chaer conta que os experimentos no campo mostraram que, além de impedir o crescimento das gramíneas, o papelão aumenta a taxa de sobrevivência das mudas. “De onze espécies avaliadas, nove apresentaram índice de sobrevivência igual ou superior a 80% quando coroadas com papelão, enquanto apenas três atingiram esse índice quando coroadas com a enxada”, disse Chaer.

Embora aumente a sobrevivência das mudas em campo, o papelão não afeta o crescimento das plantas em relação ao tratamento manual. Por sua vez, ele pode diminuir em até 10º C a temperatura do solo superficial nos dias mais quentes e também reduz a perda de água por evaporação. “Isso faz uma diferença enorme para a planta, tanto para aliviar o estresse térmico como o estresse hídrico. Ao perder menos água, a planta se beneficia”, comenta.

O papelão "pode diminuir em até 10º C a temperatura do solo superficial nos dias mais quentes e também reduz a perda de água por evaporação".


A pesquisa avaliou o potencial do papelão de suprimir quatro espécies de gramíneas mais comuns em região de Mata Atlântica: brachiarão, capim-colonião, capim-rabo-de-burro e capim-quicuio. Em todas elas, o papelão atuou de forma a inibir seu desenvolvimento.

Técnica permite o uso de caixas de pizza

Os primeiros experimentos de campo foram feitos com embalagens arredondadas utilizadas para pizza. O objetivo era avaliar a durabilidade em campo do papelão tratado com substâncias para retardar sua taxa de decomposição e, consequentemente, prolongar o efeito supressor das gramíneas. Os resultados mostraram que, em condições de campo, o papelão apresenta eficiência de até mais de um ano se impregnado com uma solução à base de sulfato de cobre.

Para se ter uma ideia da economia que a técnica possibilita ao agricultor, num coroamento comum feito com enxada, o produtor gasta em torno de R$ 5.800,00 por hectare no primeiro ano após o plantio, considerando quatro coroamentos ao longo do ano. Mas ao optar pelo coroamento com papelão, o custo cai para de R$ 2.800,00.


Segundo Chaer, o sulfato de cobre reduz a incidência de fungos que decompõem a lignina do material, preservando-o por mais tempo. “A solução, derivada de soluções utilizadas para tratamento de madeira, é simples de preparar, apresenta baixo custo e baixa toxicidade, uma vez que não utiliza o dicromato de potássio comum nestes produtos”.

Para se ter uma ideia da economia que a técnica possibilita ao agricultor, num coroamento comum feito com enxada, o produtor gasta em torno de R$ 5.800,00 por hectare no primeiro ano após o plantio, considerando quatro coroamentos ao longo do ano. Mas ao optar pelo coroamento com papelão, o custo cai para de R$ 2.800,00. Esses cálculos foram feitos com embalagens de papelão novas compradas no varejo. Mas, se quiser baixar ainda mais este custo, o agricultor pode optar por utilizar papelão reciclado.


Ana Lucia Ferreira (MTB 16913/RJ)
Embrapa Agrobiologia
agrobiologia.imprensa@embrapa.br
Telefone: (21) 3441-1500

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/


Fonte: Embrapa




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Um dos grandes desafios enfrentados nos projetos de reflorestamento é o crescimento de plantas daninhas junto com as mudas recém-inseridas no ambiente. Esse foi o ponto de partida do livro Controle de plantas daninhas em restauração florestal, editado pelo pesquisador da Embrapa Agrobiologia Alexander Resende e pelo professor da UFRRJ Paulo Sérgio dos Santos Leles. A obra conta com a contribuição de diversos autores – entre engenheiros florestais, agrônomos e biólogos – e será lançada no próximo dia 23, às 17 horas, na Universidade, durante o workshop Desafios da restauração florestal no Estado do Rio de Janeiro.

O objetivo do livro foi reunir um material consistente sobre as diferentes estratégias utilizadas para controlar as plantas daninhas, especialmente tendo em vista a premente necessidade de plantio florestal em grandes áreas para adequação de propriedades ao cadastro ambiental rural. “Restaurar áreas onde a matriz predominante é formada por pastagem é um desafio, que pode ser vencido a partir de técnicas muitas vezes mais relacionadas ao bom planejamento do que a elevados investimentos”, destacam os editores, na apresentação do livro. A obra chama a atenção para questões que devem ser levadas em conta antes, durante e após o plantio das mudas.

A obra é dividida em cinco capítulos. O primeiro contextualiza o problema do controle de plantas daninhas na restauração florestal; o segundo trata da escolha de espécies e de espaçamento como ferramentas de controle dessas plantas. O terceiro capítulo, por sua vez, fala sobre o uso de herbicidas na restauração florestal. Já o quarto aborda o uso de plantas companheiras para o controle das daninhas. Por último, o quinto capítulo fala do controle de plantas daninhas em propriedades rurais, visando à restauração florestal.

O livro está disponível gratuitamente para download no portal da Embrapa, aqui.

Liliane Bello (MTb 01799/GO)
Embrapa Agrobiologia
agrobiologia.imprensa@embrapa.br
Telefone: (21) 3441-1500

Fonte: Embrapa



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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O que está acontecendo sob a copa das árvores da Amazônia?



Uma onça-pintada na Amazônia. EMILIANO ESTERCI RAMALHO


Projeto internacional usa a inteligência artificial para medir a saúde da floresta com uma rede de sensores instalados debaixo da cobertura vegetal

A atividade humana reduz a biodiversidade da Amazônia. Alguns estudos, como um artigo publicado na revista Nature em julho, apontam inclusive perdas próximas – ou superiores – à metade das espécies nas áreas onde a cobertura florestal foi reduzida em 20%. Mas, até que ponto esses resultados são precisos? Um projeto internacional procura responder à pergunta, pelo menos no que diz respeito ao conhecimento da fauna. Para conseguir isso, os pesquisadores que estão por trás da iniciativa instalarão uma rede de sensores na reserva natural de Mamirauá (Estado do Amazonas).

Para os responsáveis pela iniciativa, chamada Providence, as ferramentas utilizadas até agora têm sérias limitações. A exploração com drones ou satélites permite conhecer exaustivamente o estado da cobertura florestal e saber, por exemplo, se uma área de floresta está sofrendo os estragos do desmatamento. No entanto, tudo o que acontece abaixo da copa das árvores escapa ao seu olhar. E, apesar de que as observações de campo permitem obter informações detalhadas sobre o estado da fauna, estas exigem que cientistas trabalhem em um ponto da floresta. Um método caro por causa dos investimentos necessários para realizar uma expedição e pelo risco que implica para os próprios cientistas. Além disso, tais estudos só permitem conhecer a situação de uma determinada porção da massa florestal.

Para preencher a lacuna, os pesquisadores instalarão uma rede de sensores em diferentes pontos da reserva natural de Mamirauá, na região da Amazônia central. Cada um dos nós da rede terá microfones e câmeras, permitindo captar automaticamente imagens e sons de animais que vivem na área. Os dados coletados serão transmitidos via satélite em tempo real para que pesquisadores de todo o mundo possam aproveitá-los. A ideia é ter um método para coletar informações sobre o que acontece com a fauna no interior da floresta de forma contínua, ampliando ao máximo a área de estudo. Tudo isso reduz ao mínimo a presença humana e os custos decorrentes de colocá-la no terreno. Participam desse esforço cientistas do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá; do Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha (UPC), através da Fundação Sense of Silence, o centro de pesquisa australiano CSIRO e da Universidade Federal do Amazonas.

De onde veio a ideia? A julgar pela explicação de Michel André, diretor do Laboratório de Aplicações Bioacústicas da UPC, o acaso teve muito a ver: “Há um interesse na preservação dos botos-cor-de-rosa em Mamirauá. Há dois anos, instalámos lá a primeira estação [de hidrofones] debaixo d’água [para medir a presença deles no local]. Uma vez lá, em contato com os pesquisadores, ouvindo as dificuldades que encontravam para fazer estudos sob a cobertura vegetal, propusemos colocar microfones em vez de hidrofones”.

Na verdade, o centro dirigido por André usa, há 20 anos, esses aparelhos para investigar “o impacto acústico das atividades humanas na conservação dos ecossistemas marinhos”. Um ponto de partida ideal: essa tecnologia permite obter dados a partir dos sons marinhos, embora no ambiente marinho o som se propague com muito menos nitidez do que no ar. Para a obtenção de imagens, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá entrou em contato com o centro CSIRO, especializado em reconhecimento automático de imagens.

André explica que, graças à inteligência artificial, os nós da rede podem aprender a “associar um som a uma determinada espécie”. Inclusive nas ocasiões em que o som não seja completamente audível. “Existem muitos parâmetros de identificação relacionados com um som. É possível programar a rede para que ela busque nos parâmetros e seja capaz de calcular se é possível atribuir um som a uma determinada espécie”, explica.

A experiência submarina dos pesquisadores da UPC também traz outra vantagem. Trata-se das máquinas preparadas para trabalhar em grandes profundidades sob “condições ambientais extremas”, como uma pressão várias vezes superior à da atmosfera terrestre: “Isso nos permitiu projetar equipamentos capazes de suportar o calor e a umidade da Amazônia, com manutenção mínima”.

Até março 2018, dez desses sensores serão instalados em vários pontos da reserva de Mamirauá. O objetivo dessa primeira fase é constatar se a rede pode funcionar na prática, identificando a partir de amostras de sons e imagens animais como “onças, macacos e botos-cor-de-rosa. Espécies emblemáticas ou importantes porque estão em risco de extinção”, diz André. Para executar essa tarefa, o projeto conta com 1,4 milhão de dólares (cerca de 4,36 milhões de reais) da Fundação Gordon and Betty Moore.

Se a rede for capaz de cumprir sua missão, entre março de 2018 e fevereiro 2019 serão instalados 1.000 nós de nova geração. Eles devem ser capazes de captar mais sinais acústicos e visuais a um custo menor. Os dados obtidos em tempo real, ademais, serão enviados a para uma plataforma online para ser disponibilizados ao público e à comunidade científica. Numa terceira fase, a rede será expandida para 1.000 nós, que serão instalados por toda a Amazônia. “Quando estiverem funcionando entenderemos a biodiversidade. Isso deve ser visto como o início do projeto”, conclui.

André está esperançoso. Além das observações com drones, as informações sobre o estado da fauna da reserva de Mamirauá estão escasseando. Há menos informações ainda sobre o impacto que a atividade humana pode ter tido nessa região: embora as condições do lugar – situado no cruzamento dos rios Japurá e Amazonas, facilmente inundável – tornem difícil que o corte de árvores seja uma prática florestal, a pesca excessiva é um problema. Se o projeto obtiver os resultados esperados, saber como a atividade humana afeta a fauna da Amazônia será um pouco mais fácil. Tanto na reserva quanto nas áreas do pulmão verde em que o corte descontrolado de árvores ressurge apesar dos esforços da Administração brasileira para detê-lo.

Por: David Fernández Guerrero
Fonte original: El País

Fonte: Portal Amazônia