sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EUA registram verão mais quente em 132 anos

 

Verão meteorológico, definido entre os meses de junho e agosto, atingiu temperatura média de 23,6°C no território continental do país.

Resumo
  • Verão mais quente da história: segundo a NOAA, o verão de 2026 (junho-agosto) nos EUA continentais registrou temperatura média de 23,6°C, superando os recordes de 1936 (Dust Bowl) e 2021 em 0,2°C - o mais quente em 132 anos de medições.
  • Tendência de aquecimento acelerado: com o recorde de 2026, quatro dos cinco verões mais quentes já registrados ocorreram nos últimos cinco anos, incluindo 2022 e 2024. Agosto também foi o mais quente desde 1895, com média de 24,2°C e máximas diárias de 31,4°C.
  • El Niño amplia riscos para setembro: calor extremo, seca e ventos fortes já alimentaram incêndios florestais catastróficos. Com o El Niño caminhando para se tornar muito forte, a NOAA prevê temperaturas acima da média em setembro e risco elevado de incêndios no Noroeste e no Vale do Mississipi.

O país do (pseudo) negacionista climático Donald Trump “torrou” nos últimos meses. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional (NOAA, sigla em inglês), os Estados Unidos continentais (os 48 estados contíguos e o Alasca, excluindo o Havaí) tiveram em 2026 o verão mais quente desde o início dos registros de temperatura, há 132 anos.

O verão meteorológico, definido entre os meses de junho e agosto, atingiu uma temperatura média de 23,6°C neste ano. A CNN destaca que esse número supera em 0,2°C os registros prévios dos verões de 1936, na época do Dust Bowl – período de grave crise ambiental, agrícola e econômica que atingiu as Grandes Planícies dos EUA e do Canadá durante a década de 1930 – e de 2021, de acordo com a NOAA.

Com o recorde de 2026, quatro dos verões mais quentes já registrados ocorreram nos últimos cinco anos, com 2022 e 2024 em 4º e 5º lugares, respectivamente, detalha a Folha. O que reflete a influência das mudanças climáticas, cuja causa principal é a queima de combustíveis fósseis.

O ano também registrou o mês de agosto mais quente nos EUA desde o início das medições, em 1895, com temperaturas médias de 24,2°C. As temperaturas máximas diurnas médias foram de 31,4°C em todo o território continental, também a mais quente já registrada.

A maior parte dos EUA registrou temperaturas acima da média ou muito acima da média no mês passado. Condições próximas ao normal só foram observadas em áreas das planícies do norte e do meio-oeste, segundo a NOAA. O calor extremo, somado ao tempo seco e a fortes ventos, facilitou a proliferação de incêndios florestais, levando a cenários catastróficos em algumas regiões.

E com o El Niño a um milímetro de se tornar muito forte (saiba mais aqui), a agência prevê que as temperaturas de setembro também deverão ficar acima da média em grande parte dos EUA continentais. A seca deverá persistir neste mês em áreas significativas do território estadunidense, como o noroeste e o Vale do Mississipi, com potencial significativo de incêndios florestais acima da média.

Washington Post, USA Today, CBS, Phys e Al Jazeera também noticiaram o recorde de temperatura nos EUA.

Fonte: ClimaInfo


quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Secas já deixam cerca de 1.700 municípios brasileiros sob alto risco de falta de água

Vista aérea da represa Jaguari-Jacareí durante seca de 2025. Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Crise climática adiciona novos extremos a regiões que historicamente convivem com o problema, mostra levantamento do Observatório do Clima sobre índices da plataforma AdaptaBrasil

Por Aldem Bourscheit

Dos 5.569 municípios brasileiros, 1.699 estão sob risco alto ou muito alto de sofrer com a falta de água em razão de períodos de seca. O número equivale a 30,5% dos municípios do país, sujeitos a consequências mais graves em um mundo mais quente, marcado pela intensificação dos eventos extremos, entre eles as estiagens severas. A análise foi realizada pelo Observatório do Clima com base em dados do AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O problema se concentra no Nordeste. Todos os 15 municípios classificados com risco muito alto ficam na região e, em oito dos nove estados nordestinos, há ao menos uma cidade nessa faixa. Os demais municípios com risco alto estão espalhados pelas cinco regiões do país.

Fora do Nordeste, os índices recuam, mas o problema continua. Brasília (DF), Governador Valadares (MG), Capanema (PA) e Pelotas (RS), por exemplo, estão na faixa de risco alto.

“A gente não vai viver os próximos 30 anos como a gente viveu nos últimos 30 anos”, Jean Ometto

O AdaptaBrasil avalia o risco de impacto das mudanças climáticas no balanço hídrico a partir da combinação de três fatores: ameaça, exposição e vulnerabilidade do município.

Conforme Jean Ometto, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador científico do AdaptaBrasil, a ameaça mede quanto fatores como mudanças na chuva e na temperatura podem reduzir a água disponível. “A grosso modo, o que a gente chama de ameaça de escassez são os aspectos físicos do sistema”, disse.

A exposição mostra quem e o que pode ser atingido pela falta d’água, das pessoas às atividades econômicas que dependem do recurso, como irrigação e pecuária. Já a vulnerabilidade mostra quanto o município pode sofrer e que condições ele tem para reagir à escassez. Entram nessa conta itens como gestão da água, reservatórios e alternativas de abastecimento. “É quanto o município atuou ou atua para reduzir o risco de faltar água”, detalhou Ometto.

Juazeiro e Recife são os municípios com maior risco de falta d’água no país. O primeiro fica no semiárido do norte da Bahia, às margens do São Francisco. O outro é a capital pernambucana, na Mata Atlântica litorânea.

Quando avaliados os três fatores que compõem o risco, tem-se que Juazeiro e Recife têm ameaça média, vulnerabilidade alta e exposição máxima. Assim, municípios tão diferentes chegam ao mesmo patamar por razões que vão bem além de chover pouco.

Mapa de risco de impacto do estresse hídrico no Brasil. Fonte: AdaptaBrasil/MCTI

A forma como cada município lida com tais fatores — e o grau de risco que recebe — também fica explícita no caso de Guaribas, no sudoeste do Piauí. No território, historicamente sujeito a estiagens, ameaça e vulnerabilidade são médias, mas a exposição é muito baixa. Com isso, o risco final cai para muito baixo. “Isso quer dizer que não vai ter seca? Não!”, afirmou Ometto.

Na Amazônia, a combinação muda outra vez. Pelos dados da plataforma, Manaus tem o maior risco no estado do Amazonas, mas fica apenas na faixa média. Sua exposição é máxima, mas os níveis menores de ameaça e vulnerabilidade puxam o resultado para baixo.

Isso não significa que a água seja sempre abundante na região. Ometto citou áreas onde poços secam na época menos chuvosa e comunidades precisam recorrer a cisternas. “Você pode estar numa região […] abundante de água e ter problema de distribuição”, resumiu.

A crise do clima entra na conta do risco ao alterar chuvas, intensificar secas e interferir na disponibilidade de água no país, adicionando novos extremos a regiões que já convivem com problemas antigos.

Para Diosmar Santana Filho, geógrafo e pesquisador da Associação de Pesquisa Iyaleta, de Salvador (BA), a escassez merece atenção especial. “Secas e longas estiagens são o maior evento climático do Brasil”, avaliou, citando a frequência de emergências e calamidades ligadas à falta d’água, sobretudo no semiárido nordestino.

No outro extremo estão municípios que agora têm de lidar com fortes chuvas e inundações, como é o caso de pequenos municípios nordestinos.

Dos índices à ação

Ometto pontuou que o AdaptaBrasil não foi criado como um sistema de alerta, mas para ser uma referência nacional para antecipar riscos e orientar decisões climáticas. Ou seja, os dados ganham ainda maior utilidade se entrarem no planejamento político.

“Essa escala de risco é uma escala de orientação”, afirmou. O passo seguinte é abrir os dados de cada município, entender o que empurra seu índice para cima e identificar onde o poder público pode agir.

Isso pode significar melhorar a gestão da água, buscar novas fontes, ampliar cisternas e reservatórios ou estudar alternativas subterrâneas. “O que ele não vai conseguir mexer é no ‘botãozinho do clima’”, resumiu Ometto. “Mas nas ações no município ele consegue”.

Conhecer os riscos também pode ajudar uma prefeitura a buscar recursos. Segundo Ometto, municípios que conseguem mostrar onde estão mais vulneráveis têm melhores condições de justificar investimentos em adaptação.

Mas nem todos conseguem bancá-los. Outro levantamento do OC encontrou 1.594 municípios com risco médio a muito alto de deslizamentos e/ou enxurradas e baixa capacidade fiscal. São cidades que precisam investir em adaptação, mas têm mais dificuldade para conseguir crédito e financiar obras.

Para Santana Filho, fortalecer quem executa as políticas “na ponta” é essencial. “Investir hoje em pesquisa, capacitação e aumentar as capacidades de gestão pública local […] é um primeiro ponto”, afirmou.

Ometto vai na mesma direção. Para ele, a mudança do padrão climático precisa entrar na gestão cotidiana de estados e municípios. A lógica que por décadas orientou a agricultura, o uso dos mananciais e a relação com os recursos naturais já não serve para o clima atual nem para o futuro.

“A gente não vai viver os próximos 30 anos como a gente viveu nos últimos 30 anos”, ressaltou o cientista.

Os dados municipais analisados pelo OC têm 2020 como ano de referência, mas o AdaptaBrasil vem sendo atualizado com novas bases e modelagens, incluindo informações de órgãos federais como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e projeções climáticas usadas pelo IPCC, sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima.

Fonte: Observatório do Clima 





domingo, 13 de setembro de 2026

Niterói proíbe publicidade de bets em espaços públicos e publicidade exterior na cidade

 


A Prefeitura de Niterói proibiu a publicidade de plataformas de apostas esportivas e jogos de quota fixa, as chamadas bets, em espaços públicos e na publicidade exterior em todo o município. A medida foi oficializada pelo prefeito Rodrigo Neves por meio de decreto publicado nesta quarta-feira (9) e estabelece prazo máximo de dez dias para a retirada de anúncios que estejam em desacordo com as novas regras.

“A expansão das apostas on-line é uma realidade que exige responsabilidade do poder público. Não podemos naturalizar uma publicidade que chega diariamente às nossas crianças e aos nossos jovens e que pode estimular comportamentos capazes de gerar dependência, endividamento e sofrimento para muitas famílias. Niterói está usando os instrumentos que o município tem para proteger a população e, principalmente, nossas crianças e adolescentes”, afirma o prefeito Rodrigo Neves.

A proibição alcança diferentes formas de divulgação das empresas de apostas, incluindo marcas, nomes empresariais, plataformas digitais, sites, aplicativos, promoções, campanhas, bônus e premiações. Também ficam vedados logomarcas, símbolos, mascotes, slogans e outros elementos que permitam identificar direta ou indiretamente as empresas ou plataformas de apostas.

A decisão tem como um dos principais objetivos reduzir a exposição da população, especialmente de crianças e adolescentes, à publicidade de jogos de apostas. O decreto considera os riscos associados ao jogo compulsivo e seus impactos sobre a saúde mental e o bem-estar social, além da necessidade de garantir proteção integral ao público infantojuvenil.

A medida é restrita às competências municipais sobre publicidade exterior e utilização dos espaços públicos. O decreto não interfere na autorização ou no funcionamento das empresas de apostas, atividade regulamentada pela União.

A fiscalização ficará a cargo da Secretaria de Ordem Pública (Seop), em articulação com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade (SMU). Em caso de descumprimento, empresas anunciantes e responsáveis pela exibição da publicidade poderão sofrer as sanções previstas no Código de Posturas do Município, além da cassação ou anulação da autorização e da determinação de retirada imediata da peça publicitária irregular.

Os anúncios que já estão instalados terão prazo máximo e improrrogável de dez dias, contado a partir da publicação do decreto, para serem retirados ou adequados. Durante esse período, fica suspensa a aplicação das multas previstas para a infração.

A proibição também vale para campanhas publicitárias e eventos contratados, patrocinados ou realizados pela administração municipal, inclusive quando a propaganda de bets estiver visível a partir da área externa do evento. Órgãos e entidades da Prefeitura também deverão observar as novas regras em contratos, concessões, permissões, autorizações e licenças que envolvam exploração publicitária em bens e espaços públicos.

Fonte: Prefeitura de Niterói


Marquês do Paraná ultrapassa 8 mil ciclistas em um único dia e estabelece novo recorde

 

A ciclovia da Avenida Marquês do Paraná alcançou uma nova marca de circulação de ciclistas em Niterói. Na última semana, 8.213 bicicletas passaram pela via em um único dia, o maior número já registrado no local. A contagem supera o recorde anterior, alcançado em maio deste ano, quando foram contabilizadas 7.965 passagens e é 28% superior ao registrado no início de 2025.

Localizada em um dos principais eixos de ligação entre o Centro e a Zona Sul, a ciclovia tem o fluxo acompanhado pelo Contabike, sistema de monitoramento da Eco-Counter Brasil. A nova marca representa 248 passagens a mais em relação ao recorde de maio, um crescimento de 3,1%. A Marquês do Paraná é a ciclovia mais movimentada do Brasil, segundo dados da Eco-Counter.

Além da Marquês do Paraná, Niterói conta com outros oito pontos de contagem de ciclistas: Avenida Roberto Silveira, Avenida Amaral Peixoto, Avenida Quintino Bocaiúva, Rotatória de Camboinhas, Avenida Irene Lopes Sodré, Parque Orla de Piratininga e Túnel Charitas-Cafubá, nos dois sentidos. Os equipamentos permitem acompanhar o fluxo de bicicletas em diferentes regiões da cidade e ajudam a monitorar o uso da infraestrutura cicloviária.

“Esse é um dado que ajuda a dimensionar o papel que a bicicleta já ocupa na mobilidade de Niterói e mostra que ela não é apenas uma opção de lazer, mas faz parte dos trajetos cotidianos de milhares de pessoas. Ultrapassar a marca de 8 mil ciclistas em um único dia em uma ciclovia mostra a dimensão que esse meio de transporte alcançou na cidade”, afirma Filipe Simões, coordenador do Niterói de Bicicleta.

Fonte: Prefeitura de Niterói