sábado, 25 de outubro de 2025

COP30: Conheça as cartas emitidas pelo presidente da COP, o embaixador André Corrêa do Lago

Ana Toni, diretora executiva, e o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A medida que se aproxima a COP30 (Belém, de 10 a 21 de novembro de 2025), aumentam as preocupações com os desafios do encontro que se realizará numa difícil conjuntura mundial. Será preciso superar o negacionismo e a sabotagem de Trump, o aparente recuo da Comunidade Europeia e outros desafios. Os europeus sempre foram propulsores dos avanços mas, pressionados pela guerra na Ucrânia e o enfraquecimento da OTAN, agora estão divididos entre investir no enfrentamento da emergência climática ou em armas.

Nas últimas COP's e encontros sobre o clima, uma grande expectativa foi se acumulando sobre a COP30. Impasses e polêmicas eram postergados: "Na COP30 a gente resolve", diziam...

A COP30 acontecerá dez anos após o Acordo de Paris, celebrado em 2015 (COP21), quando os países se comprometeram, através de seus planos nacionais de ação climática - as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), a reduzir as emissões dos gases do efeito estufa - GEE e adotar medidas de adaptação às mudanças climáticas. Nenhum país cumpriu o que prometeu!

Por isso, o principal resultado esperado da COP30 é a apresentação de novas NDCs, mais ambiciosas, embora factíveis, bem como a adoção de medidas para a sua efetiva implementação. No entanto, apenas 67 paises apresentaram suas NDCs renovadas! A expectativa é que até a COP30 o número de NDCs chegue a 105.

A ciência alerta que estamos num momento crítico para o futuro climático da Terra e as medidas de mitigação e adaptação nunca foram tão urgentes.

Diante da importância da COP30, a presidência brasileira, exercida pelo embaixador André Corrêa do Lago e por Ana Toni, diretora executiva (CEO), tem feito um grande esforço para garantir os resultados da Conferência. Corretamente, os dirigentes têm pressionado para que a COP30 deixe a retórica dos alertas e a longa fase de negociações (já dura 30 anos) e inaugure a fase de ação efetiva, repetindo o bordão: "Implementation, implementation, implementation..."

CARTAS DIPLOMÁTICAS

Chamando as nações do mundo para a implementação da agenda climática, a Presidência da COP30 emitiu oito Cartas para a comunidade internacional, demarcando a importância dos temas que estarão em debate em Belém e exortando os países à responsabilidade, a abandonar a quase letargia que nos deparamos e instando todos à ação.

A Carta mais recente, a oitava, foi publicada no dia 23 de outubro e dedicada ao tema da Adaptação às Mudanças Climáticas, "como o próximo passo da evolução humana" e "a primeira parte de nossa sobrevivência". Importante observar que a Adaptação é uma medida que envolve diretamente as cidades e as ações efetivas estão acontecendo de fato na instância local.

De forma contundente, com muitos chamados à reflexão, o presidente André Corrêa do Lago afirma:

"À medida que a era dos alertas dá lugar à era das consequências, a humanidade se depara com uma verdade profunda: a adaptação climática deixou de ser uma escolha que sucede a mitigação; ela é a primeira parte de nossa sobrevivência. Em cada momento decisivo de nossa evolução, nossa espécie conquistou seu lugar neste planeta por meio da adaptação – aprendendo, inovando e transformando as próprias condições da vida. A adaptação sempre exigiu a coragem de abandonar o que já não nos serve, preservando, ao mesmo tempo, aquilo que nos define.

Hoje, essa verdade evolutiva revela-se novamente com urgência. A biologia evolutiva confirma o que a sabedoria ancestral sempre reconheceu: a sobrevivência nunca pertenceu apenas aos mais fortes, mas aos mais cooperativos – aqueles capazes de cultivar relações simbióticas que sustentam a vida em equilíbrio. A cooperação tem sido a essência de nossa humanidade no processo de seleção natural".

Sobre as ações de adaptação, a COP30 terá três prioridades de ações globais e nacionais a serem debatidas em Belém: 

"Do objetivo último da Convenção ao objetivo de longo prazo do Acordo de Paris quanto a resiliência, do Objetivo Global de Adaptação (GGA) aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs), a COP30 deve ser a COP da adaptação. Ambição e ação em adaptação serão essenciais para que, em Belém, possamos avançar em três prioridades: (i) fortalecer o multilateralismo; (ii) aproximar o regime climático da vida cotidiana das pessoas; e (iii) acelerar a implementação climática".

Sobre os impactos da inação e procrastinação das medidas inevitáveis que o mundo precisa adotar, a Carta não faz rodeios e alerta: 

"Dados inéditos do Índice Global de Pobreza Multidimensional de 2025, publicados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em 17 de outubro, revelam que 1,1 bilhão de pessoas, de um total de 6,3 bilhões em 109 países, vivem em pobreza multidimensional aguda – mais da metade delas crianças. Desses 1,1 bilhão, 887 milhões vivem em regiões que já enfrentam ao menos um grande risco climático, e 309 milhões enfrentam três ou mais riscos simultaneamente. A empatia nos obriga a perceber as vidas humanas por trás desses números – pequenos e microempreendedores perdendo seus negócios e sonhos, famílias deslocadas por enchentes, agricultores vendo seus campos secarem, crianças caminhando quilômetros em busca de água.

Sem adaptação, a mudança do clima se torna um multiplicador da pobreza, destruindo meios de subsistência, deslocando trabalhadores e aprofundando a fome. À medida que os impactos se intensificam, a inação não representa uma falha técnica, mas sim uma escolha política sobre quem vive e quem morre. O filósofo africano Achille Mbembe denunciou essa lógica como “necropolítica” – o uso do poder para decidir quais vidas são protegidas e quais consideradas descartáveis. Como formuladores de políticas e atores políticos, não somos menos responsáveis por atos de omissão.

A adaptação é tão vital para a proteção das economias quanto para a preservação das vidas humanas. Os desastres relacionados ao clima já custam à África entre 2% e 5% do PIB a cada ano. Nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), um único furacão pode comprometer décadas de progresso, como demonstrou a devastação causada pelo Ciclone Freddy em partes do Oceano Índico e do Caribe. Nos Países Menos Desenvolvidos (LDCs), as secas e enchentes recorrentes – do Sahel ao Chifre da África e ao Sudeste Asiático – comprometem a segurança alimentar, pressionam as finanças públicas e revertem conquistas de desenvolvimento arduamente alcançadas. Nos países da América Latina. os impactos climáticos também vêm agravando as desigualdades e aumentando as vulnerabilidades.

Estas não são apenas crises ambientais; são alertas fiscais, fraturas sociais e riscos sistêmicos à estabilidade global. A inação em relação à adaptação desencadeia instabilidade com repercussões globais no médio e longo prazo. Ao mesmo tempo, recursos nacionais que poderiam ser destinados a transições de baixo carbono e resilientes ao clima são cada vez mais consumidos por respostas emergenciais. À medida que as lacunas de adaptação se ampliam, o peso crescente das perdas e danos reduz ainda mais o espaço fiscal para investimentos de longo prazo, sobretudo nos países em desenvolvimento".
Adaptar não é uma escolha, mas uma necessidade:
A adaptação não é uma alternativa ao desenvolvimento – é a própria essência do desenvolvimento sustentável em um mundo em mudança climática. Ela fortalece a estabilidade fiscal, reduz o risco dos investimentos e aumenta a produtividade. Cada estrada resiliente, cada escola adaptada ao clima, cada sistema de alerta precoce se paga em perdas evitadas. O Banco Mundial estima que medidas robustas de adaptação podem gerar até quatro vezes o seu custo em benefícios econômicos. O financiamento para adaptação, portanto, não deve ser visto apenas como assistência.
Sobre o descumprimento das promessas de financiamento e a relevância das ações locais:
" (...) o financiamento para adaptação ainda representa menos de um terço do total do financiamento climático, muito aquém das necessidades. A falta crônica de investimentos deixa os países vulneráveis, obrigando-os a desviar recursos escassos da saúde, da educação e da infraestrutura para respostas emergenciais e ações de recuperação. O desequilíbrio entre mitigação e adaptação enfraquece a resiliência coletiva e perpetua desigualdades estruturais. Muitas comunidades já realizam iniciativas locais e experimentais de adaptação, mas esses esforços são frequentemente pouco reconhecidos, subfinanciados e mal conectados ao planejamento nacional".
Corrêa do Lago fala de uma nova economia: a economia da adaptação:
"(...) o surgimento de uma economia da adaptação, capaz de moldar novos caminhos para um crescimento e desenvolvimento positivos para o clima, ainda está por emergir. São necessários esforços adicionais para integrar plenamente a adaptação à ampla transição econômica que todos enfrentamos, garantindo que comportamentos preventivos e a resiliência permaneçam no centro das políticas econômicas, das práticas de compras públicas e dos novos mecanismos de incentivos financeiros. Soluções baseadas na natureza e sinergias entre clima e biodiversidade podem acelerar essa mudança: investir em florestas, áreas úmidas, manguezais e outros ecossistemas protege a natureza e fortalece economias resilientes e inteligentes para o clima".
O documento conclui reafirmando a necessidade de ênfase na implementação e adotando "uma agenda global guiada pelo cuidado". 
"Para além das negociações, a Agenda de Ação Climática da COP30 deve apresentar soluções concretas, para que Belém também seja lembrada como a COP da implementação da adaptação. Convidamos todas as iniciativas a trazerem suas melhores soluções e o mais alto nível de ambição para fechar lacunas em políticas e práticas – por exemplo, em saúde, segurança alimentar, gestão da água, financiamento para adaptação, cidades e regiões, infraestrutura, micro e pequenas empresas, entre outros.

A COP30 acontece no epicentro da crise climática. No entanto, das águas que avançam e dos céus que se transformam, emerge uma força mais profunda – a determinação das pessoas em proteger o que amam. Em Belém, honremos essa determinação e a transformemos em uma agenda global guiada pelo cuidado, não pela indiferença; pela interdependência, não pelo individualismo; pela coragem, não pela resignação. Em Belém, onde os rios encontram o mar, renovemos a aliança entre a humanidade e a natureza – transformando vulnerabilidade em solidariedade, cooperação em resiliência e adaptação em evolução. Mudando por escolha, juntos".

CARTAS ANTERIORES

Em março, a Presidência da COP30 publicou a primeira Carta. Veja, a seguir, o conteúdo de cada um dos documentos:

A primeira Carta trouxe a mensagem da cooperação entre os povos e propôs um esforço coletivo global e lançou ao mundo o conceito de Mutirão, de grande repercussão nos evento climáticos de preparação para a COP30. Veja alguns trechos:

"Ao aceitar a realidade e combater a catástrofe, o cinismo e o negacionismo, a COP30 deve ser o momento da esperança e das possibilidades por meio da ação – jamais da paralisia e da fragmentação. Devemos enfrentar a mudança do clima juntos e reativar nossas habilidades coletivas e individuais de resposta: nossas "responsa-habilidades".

"A cultura brasileira herdou dos povos indígenas nativos do Brasil o conceito de 'mutirão' ('motirõ' em tupi-guarani). A presidência da COP30 convida a comunidade internacional a se juntar ao Brasil em um mutirão global contra a mudança do clima”.

A Presidência convoca também os governos subnacionais: "A líderes e partes interessadas além da UNFCCC – em finanças, governos subnacionais, setor privado, sociedade civil, academia e tecnologia – a próxima presidência da COP30 os convida a participar do nosso "mutirão" global. A humanidade precisa de vocês".

Afirma que a UNFCCC passa da visão para a ação, conclamando a comunidade internacional a mobilizar-se diante da urgência climática.

Enfatizou a mobilização de esforços e detalhou três objetivos: reforçar as negociações multilaterais, aproximar o debate climático da vida das pessoas e acelerar a implementação do Acordo de Paris. O alerta sobre a dimensão da Crise Planetária:

"O relatório “Estado do Clima Global”, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), confirmou que 2024 foi o ano mais quente já registrado, tendo a concentração atmosférica de dióxido de carbono alcançado o nível mais alto dos últimos 800 mil anos. Notam-se sinais claros de uma crise planetária no aumento da temperatura dos oceanos, na diminuição da cobertura do gelo marinho e massa das geleiras e no crescente nível do mar".

A Presidência da COP30 refere-se a quatro Círculos de Liderança: (i) o "Círculo dos Presidentes das COP", (ii) o "Círculo dos Povos", (iii) o "Círculo de Ministros da Fazenda" e (iv) o "Círculo do Balanço Ético Global". Como ondas que se formam e se fundem em uma implacável corrente, esses círculos fluirão juntos, canalizando a sabedoria coletiva para gerar renovação e evolução.

Refere-se aos impasses entre os negociadores e pede que se encontrem soluções conjuntas. Dirige-se aos atores sociais que participarão da SB62: 

"Em um contexto em que a urgência climática ocorre em interação com desafios geopolíticos e socioeconômicos crescentes, a Presidência da COP30 espera que todas as delegações se orientem por três prioridades interconectadas para o SB62 e a COP30: (1) reforçar o multilateralismo e o regime climático sob a UNFCCC; (2) conectar o regime climático à vida real das pessoas; e (3) acelerar a implementação do Acordo de Paris estimulando ações e ajustes estruturais em todas as instituições capazes de contribuir para esse objetivo".

Participei da SB62. Veja aqui as minhas anotações do evento realizado em Bonn, em junho de 2025.

A Carta também destacou outros pontos importantes: "Atingir essas metas inter-relacionadas exigirá mais do que compromisso. Exigirá uma mudança na forma como pensamos e trabalhamos juntos. O pensamento sistêmico — tema do qual tratei em minha última carta — é a chave para a exponencialidade na cooperação, a justiça nas transições e a sustentabilidade dos resultados. Assim como na nossa política, economia e sociedade — e no planeta onde tudo isso se insere —, as negociações também compreendem uma "ecologia de perspectivas", igualmente vulnerável a riscos de pontos de não-retorno e de danos irreparáveis ao processo decisório. Esperamos que o Mutirão global também leve os negociadores a se engajar no cuidado e no reparo dessa ecologia compartilhada no processo que construímos juntos. Temos a responsabilidade e a agência para evoluir da competição para a simbiose".

Foca na Agenda de Ação, em temas como: triplicar o uso de energia renovável, duplicar a eficiência energética e investir para parar e reverter o desmatamento. A Carta vai direta ao ponto:

"O primeiro Balanço Global (GST) é nossa bússola para a Missão 1.5. Ele orienta nossos esforços coletivos para perseguir os objetivos do Acordo de Paris, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza. A Agenda de Ação deve criar a motivação coletiva para a plena implementação do GST. Deve mobilizar todas as partes interessadas para trabalhar ao lado dos governos em prol de causas globais, como interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. Também deve apoiar a aceleração da transição energética em todo o mundo, incluindo a triplicação da capacidade global de energia renovável, a duplicação da taxa média anual global de melhorias na eficiência energética até 2030 e a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos, de maneira justa, ordenada e equitativa".

"Para apoiar a plena implementação do GST, a Agenda de Ação da COP30 será moldada como um "celeiro de soluções" — um repositório de iniciativas concretas que conectam a ambição climática com oportunidades de desenvolvimento em investimentos, inovação, finanças, tecnologia e capacitação. Guiada pelo teor do GST, a Presidência da COP30 propõe que a Agenda de Ação seja organizada em seis eixos temáticos que abrangem mitigação, adaptação e meios de implementação: (i) Transição nos Setores de Energia, Indústria e Transporte; (ii) Gestão Sustentável de Florestas, Oceanos e Biodiversidade; (iii) Transformação da Agricultura e Sistemas Alimentares; (iv) Construção de Resiliência em Cidades, Infraestrutura e Água; (v) Promoção do Desenvolvimento Humano e Social; e, finalmente, o eixo transversal, (vi) Catalisadores e Aceleradores, incluindo Financiamento, Tecnologia e Capacitação".

Faz um apelo às pessoas para que assumam o protagonismo na resposta às questões do clima e defende uma especial atenção para populações mais vulneráveis.

"Somos os povos das Nações Unidas, resolvidos a salvar as gerações futuras do flagelo dos riscos emergentes. Sabemos, no fundo das nossas almas e através das nossas instituições, que pertencemos uns aos outros. Encontramos sentido em honrar os nossos antepassados e em salvaguardar o futuro dos nossos filhos. Achamos propósito em unir as nossas forças e combinar os nossos esforços em prol da proteção, da justiça e da prosperidade compartilhadas.

Somos pessoas em famílias, cidades e países. Somos pessoas em negócios, mercados e finanças. Somos pessoas da natureza, de ecossistemas e do planeta. Em um clima em transformação, as experiências humanas de perda e de convivência não são abstratas. Elas são geográficas, corpóreas, sagradas. Transformam-se em memórias, luto e coragem. Que as honremos na COP30".

Lança o lema: "Mudar por escolha: juntos!"

A presidência da COP convocou os países a estabelecer novas metas de redução de gases de efeito estufa - condição essencial para mais ambiciosas para que seja possível frear o aumento da temperatura global.

Refere-se aos resultados da SB62: "Nesta carta, refletirei sobre as 62ª sessões do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA) e do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) da UNFCCC (SB62), que foram realizadas em Bonn, Alemanha, de 16 a 26 de junho de 2025. Com base no que a Presidência ouviu das Partes em Bonn, apresento abaixo os próximos passos em nosso caminho rumo à COP30.

Na minha terceira carta, convidei os negociadores a se engajarem como co-construtores de uma infraestrutura global de confiança, trabalhando juntos em modo de força-tarefa para garantir progressos significativos na SB62. As sessões de junho em Bonn alcançaram encaminhamentos satisfatórios que podem abrir caminho para resultados bem-sucedidos na COP30, incluindo questões pendentes de negociação relacionadas a (i) indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA) no âmbito do Programa de Trabalho Emirados Árabes Unidos-Belém, (ii) o Diálogo sobre a implementação dos resultados do Balanço Global (GST) e (iii) o Programa de Trabalho sobre Transição Justa (JTWP)".

Cobra das empresas que liderem ações concretas para transformar compromissos em realidade.

"Diante de um cenário de incerteza sistêmica, em que a urgência climática interage com desafios geopolíticos e socioeconômicos cada vez mais complexos, uma tendência é certa: a transição climática em curso é irreversível. Em diversos setores, líderes visionários e pioneiros já anteciparam as mudanças radicais que se avizinham e escolheram, há décadas, agir, iniciando uma revolução sustentável em muitos segmentos da economia. Como mencionei em minha primeira carta, os líderes empresariais que anteciparem essas mudanças radicais serão aqueles que prosperarão, ao construir resiliência e aproveitar as extraordinárias oportunidades que a transição em curso oferece. Hoje, conclamo todos os líderes empresariais a se unirem ao mundo em Belém. Façam parte desse movimento, juntando-se à mobilização global por um futuro mais próspero, resiliente e sustentável".

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Enfim, é uma corrida contra o relógio e o relógio está ganhando. E o preço da derrota é enorme e cresce a cada dia. A falta de ação é uma irresponsabilidade perante as atuais e futuras gerações. 

As ações virão: pela razão ou pelo desastre. Que façamos por merecer a designação que demos a nós mesmos: Homo sapiens. Que venha pela sabedoria.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Membro do Comitê Global do ICLEI
Doutorando PPGAU/UFF


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Renovada na Sail GP, Martine Grael sonha com etapa do Rio em 2026: 'Estou esperando demais por esse dia'

 

Martine Grael é capitão do barco brasileiro na Sail GP — Foto: Divulgação/AT Films


Evento deste ano foi cancelado por problemas nas embarcações, mas está confirmado para abril do próximo ano.

Por Tatiana Furtado

Bicampeã olímpica na vela, no Rio e em Tóquio, Martine Grael traz no semblante a alegria pueril de quem ganhou um brinquedo novo neste ano. No caso, o “brinquedo” custa alguns milhões de dólares, tem 15 metros de comprimento, conta com a mais alta tecnologia de aerodinâmica náutica e pode chegar a 100km/h. Capitã da equipe brasileira estreante na Sail GP — considerada a Fórmula 1 dos mares —, ela tirou algumas semanas de folga no Rio antes da última etapa da temporada, no final de novembro, em Abu Dhabi.

Única mulher a liderar uma embarcação entre as 12 nações presentes na competição, Martine compartilhou a nova experiência com outros oito velejadores —incluindo o irmão Marco — e mais de 20 profissionais de outras áreas. E o saldo até aqui transparece na empolgação da atleta de 34 anos.

—Esse projeto me estimulou demais, é um espetáculo a corrida. Já são cinco anos de competição e sempre visualizei como sendo o top da vela mundial — diz Martine Grael, que será uma das personagens principais do documentário sobre o time brasileiro produzido pela Globoplay, com estreia em dezembro.

Saiba mais sobre a SailGP, modalidade radical da vela mundial com barcos que ultrapassam os 100 km/h. Martine é a primeira mulher a comandar um barco na SailGP e, mesmo na temporada de estreia, já venceu duas regatas. Em abril do ano que vem, vamos torcer por Martine e a tripulação do Mubadala Brazil SailGP Team, que representa o nosso país.

Em seu ano de estreia, ela viveu a emoção de comandar o barco na primeira vitória brasileira numa regata da competição, em Nova York — o Brasil ficou em quarto na etapa americana. Mês passado, a equipe sentiu novamente o gostinho do topo, ao vencer a regata geral de Cádiz.

Mas também teve que conviver com as dificuldades de uma embarcação extremamente tecnológica e dependente de uma comunicação afiada entre os tripulantes. Além dos percalços devido a acidentes e avarias com o barco que impediram a participação completa em duas etapas (Sassnitz, na Alemanha, e Genebra, na Suíça).

—São pequenas vitórias do time que não são exatamente de resultado mas o q conseguimos chegar na água. Há uma cultura de time muito legal. Ao entrar numa liga que já existe há tempo, precisamos saber onde queremos chegar — afirma a capitã.

Assista a primeira vitória de Martine e do Mubadala Brazil SailGP Team, em Nova York.

Os novos desafios, no entanto, deram um novo colorido à vida de uma atleta que se dedicou quase integralmente aos últimos quatro ciclos olímpicos, com presença em três Olimpíadas consecutivas — e duas medalhas de ouro na categoria 49erFX. Los Angeles-2028 já não tem o mesmo apelo, mas ela não descarta totalmente.

Recentemente, Martine se uniu novamente à parceira Kahena Kunze no Mundial da categoria, em Cagliari, na Itália. Elas terminaram em 9º lugar.

— Nós nos divertimos muito — conta Martine, acrescentando. — Não penso em 2028 agora. Minha energia está toda na Sail GP. Foram 13 anos de parceria, estávamos com pouca evolução, cometendo os mesmos erros. Precisava fazer algo diferente.

Pelo visto, Martine também não vai pensar no ciclo olímpico no próximo ano. A expectativa para a temporada 2026 é maior ainda. Finalmente, o Rio vai sediar uma etapa da Sail GP — a desse ano teve que ser cancelada por causa de problemas estruturais das embarcações. O evento já tem data marcada: 11 e 12 de abril, no Aterro do Flamengo:

—Estou esperando demais por esse dia.

Fonte: O Globo



quinta-feira, 23 de outubro de 2025

COP30: negociações acontecerão em uma Amazônia mais quente e seca

Ouriços de castanha vazios, após a seca recorde de 2024. RF1. Lúcia Muzell

Com secas severas em 2023 e 2024, 40% da floresta amazônica está em algum estágio de degradação.

Enquanto autoridades, negociadores e sociedade civil se preparam para a COP30, estudos mostram que a Amazônia é uma floresta que tenta se recuperar de secas e calor extremos. A temperatura tem aumentado de 0,3°C a 0,4°C por década e 40% do bioma já está em algum estágio de degradação.

A RFI acompanhou como as mudanças climáticas são sentidas pelos Povos Tradicionais, que se alimentam e comercializam a castanha, planta sensível ao aumento das temperaturas. “O verão [de 2024] castigou o nosso castanhal e não teve frutos”, relembra o cacique Kwain Asurini, da Terra Indígena (TI) Koatinemo (PA). “A gente também está sentindo essa mudança climática aqui, mesmo sendo a floresta. A floresta sente que o aquecimento está, cada vez mais, prejudicando a própria floresta.”

Iuri Parakanã, um dos caciques da TI Apyterewa (PA), descreve a situação como “um desespero” para Terra do Meio, região amazônica preservada entre os rios Xingu e Iriri, com cerca de 8 milhões de hectares. Ele conta que, em 2024, a mandioca também não cresceu como deveria.

O ano de 2023 e 2024 foi marcado pela influência do El Niño, que alterou os padrões de precipitação na região, o que gerou a seca histórica dos principais rios da Amazônia. Em 2024, a região também teve uma das temporadas mais avassaladoras de incêndios florestais em mais de duas décadas na América do Sul, lembra o Mongabay Brasil.

A degradação florestal gerada pelos incêndios emitiu 791 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), número sete vezes maior que a média nos dois anos anteriores. O cientista do Painel de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Carlos Nobre, adverte para o período de regeneração da floresta depois de episódios tão extremos: “Quando tem uma seca muito forte, são quatro ou cinco anos para começar a recompor. Mas aí vem uma outra seca, então, o que está acontecendo é que com essas quatro secas muito fortes, aumentou demais a área degradada na Amazônia.”

Algumas organizações levarão à COP30 a demanda da população que já sente as mudanças da floresta. É o caso do Observatório das Baixadas, criado em 2024, para promover educação ambiental e engajamento comunitário, conectando moradores de periferias brasileiras.

“Trazemos a ideia de que a emergência climática também está aqui nas nossas comunidades, nas ruas inundadas, nas secas e cheias frequentes da Amazônia. Quando falamos sobre clima no Norte do país, a gente destaca o risco de o açaí acabar até 2050, por exemplo”, explica Waleska Queiroz, uma das fundadoras da organização, n’O Globo.

O projeto conta com o Atlas das Baixadas, que mapeia os problemas socioambientais das “baixadas” (periferias). Construído de forma colaborativa, ele já possui cerca de cem contribuições individuais e deve ganhar nova edição neste mês.

Levar as demandas da juventude preta para a COP30 também é missão do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Na Folha, a assessora de clima e juventude do Geledés, Ester Sena, afirma que os jovens afrodescendentes enfrentam obstáculos estruturais para acessar o direito ao território e ao meio ambiente saudável, mas que ainda assim a juventude negra tem liderado iniciativas de reflorestamento, agroecologia, energia limpa e educação ambiental.

“O Movimento Negro não está dialogando agora sobre a crise climática, mas desde a Eco 92. O objetivo é avançar nas conquistas para as próximas gerações”, pontua.

Em Tempo: As organizações Instituto Igarapé e Amazon Investor Coalition publicaram o estudo Fora do Radar, que documenta riscos para a sociedade civil e empreendimentos verdes e as estratégias locais para enfrentá-los. No caso brasileiro, as organizações apontam que desmatamento ilegal, insegurança fundiária e captura institucional convivem com falhas de fiscalização e órgãos subfinanciados, com o adicional de exploração de organizações criminosas na região, conta a Revista Exame.

Fonte: ClimaInfo


ONU: aquecimento global de 1,5°C é inevitável, reconhece Guterres


Segundo o secretário-geral da ONU, reduções substanciais nas emissões de carbono nas próximas décadas ainda podem reverter o cenário.

Em mais um apelo à comunidade internacional, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que o aumento da temperatura média do planeta nos próximos anos deve superar o limite de 1,5oC em relação aos níveis pré-industriais, definido pelo Acordo de Paris. Mas ressaltou que o quadro pode ser revertido de modo a conter as mudanças climáticas neste século.

“Uma coisa já está clara: não conseguiremos conter o aquecimento global abaixo de 1,5°C nos próximos anos. A ultrapassagem agora é inevitável, o que significa que teremos um período, maior ou menor, com maior ou menor intensidade, acima de 1,5°C nos próximos anos”, disse Guterres no congresso da Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta 4ª feira (22/10) em Genebra, na Suíça.

Para o secretário-geral da ONU, essa situação reforça a necessidade de sistemas de alerta precoce de desastres naturais, considerando os impactos que o aquecimento atual já garante. Por outro lado, ele ressaltou que o quadro não é irreversível: ainda há tempo e condições para os países conseguirem conter o aumento da temperatura média global dentro do limite mais rígido do Acordo de Paris até o final deste século.

“Se houver uma mudança de paradigma e as pessoas assumirem seriamente que precisamos lidar com o problema, é possível antecipar o máximo possível para chegar ao zero líquido [de emissões] e, em seguida, ficar consistentemente com líquido negativo no futuro para que as temperaturas caiam novamente e o 1,5°C ainda permaneça possível antes do final do século”, destacou Guterres.

De fato, o panorama não é otimista. Como a AFP observou, a pouco mais de duas semanas até a COP30, nem metade dos quase 200 países signatários do Acordo de Paris entregaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC). Considerando os poucos que entregaram seus novos compromissos climáticos – que, segundo Guterres, equivalem a 70% das emissões globais -, a perspectiva é de uma redução coletiva de 10% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) até 2035, um número muito abaixo dos 60% de redução que os cientistas indicam como necessário para se conter o aquecimento global em menos de 1,5oC.

O caminho para a reversão deste cenário é um só: precisamos reduzir as emissões de GEE de forma substancial e sustentada o quanto antes possível, sob o risco de mudanças climáticas ainda mais imprevisíveis e devastadoras no futuro. “A ciência nos diz que é necessário ter muito mais ambição”, alertou o chefe da ONU.

Sobre a COP30, Guterres afirmou que espera o fim do impasse sobre financiamento climático, que ainda divide países ricos e pobres. “No Brasil, os líderes precisam concordar com um plano confiável para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático até 2035 para os países em desenvolvimento. As nações desenvolvidas devem honrar [também] seu compromisso de dobrar o financiamento para adaptação para pelo menos US$ 40 bilhões neste ano e implementar rapidamente ferramentas comprovadas para desbloquear bilhões e mais em financiamento concessional”, disse.

A fala de Guterres no congresso da OMM também foi repercutida pela Reuters, Estadão, Folha e UOL, entre outros.

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Em tempo: Uma análise do Climate Central divulgada ontem mostrou o tamanho do prejuízo causado pelos eventos climáticos extremos que ocorreram no 1º semestre de 2025 nos EUA. Segundo o levantamento, a primeira metade deste ano foi a mais custosa já registrada, puxada em parte pelos megaincêndios que devastaram Los Angeles em janeiro. Nesse período, foram observados 14 desastres climáticos com danos de pelo menos US$ 1 bilhão cada. No total, esses eventos provocaram danos de US$ 101 bilhões, considerando perda de casas, empresas, rodovias e outras infraestruturas. Só os incêndios na Califórnia custaram US$ 61 bilhões. A notícia é do Guardian.

Fonte: ClimaInfo


Planeta está muito distante das metas do clima combinadas há 10 anos no Acordo de Paris, aponta estudo


Planeta está muito distante das metas combinadas há 10 anos no Acordo de Paris, aponta estudo — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Ao falar do Brasil, o texto destaca que a situação melhorou na Amazônia recentemente, mas que nos últimos dez anos o país foi um dos que mais contribuíram para o desmatamento.

Por Jornal Nacional

Um relatório sobre mudanças climáticas divulgado nesta quarta-feira (22) mostra que o mundo está muito longe de cumprir as metas firmadas há dez anos em Paris.

Praticamente não tem notícia boa. O planeta está fora da rota em todos os 45 parâmetros analisados. O relatório da organização independente WRI, Estado da Ação Climática, afirma que o uso de carvão bateu recorde em 2024 - logo o maior poluente entre os combustíveis fósseis. Também em 2024, no mundo todo, o desmatamento foi equivalente a quase 22 campos de futebol por minuto.

Ao falar do Brasil, o texto destaca que a situação melhorou na Amazônia recentemente, mas que nos últimos dez anos o país foi um dos que mais contribuíram para o desmatamento.

Outro problema é que o financiamento climático - o dinheiro que os países ricos repassariam para os mais pobres se adaptarem - ainda está muito abaixo do necessário. A solução é correr. Para o planeta entrar no caminho certo até 2030, é preciso acelerar, por exemplo:
  • o uso de transportes como VLT e metrô em cinco vezes;
  • diminuir o desmatamento nove vezes mais rápido;
  • e o uso de carvão dez vezes mais.
De bom no relatório, o crescimento da produção de energia limpa, principalmente eólica e solar. Mas ainda precisa mais do que dobrar nos próximos cinco anos. Os poucos progressos são insuficientes para o mundo atingir o objetivo lá de Paris, dez anos atrás: limitar o aquecimento do planeta a 1,5ºC em relação ao período pré-industrial.

A Conferência do Clima em Belém do Pará, a COP30, é daqui a menos de 20 dias. O relatório desta quarta-feira (22) coloca mais pressão nos governos. As pesquisadoras Clea Schumer e Sophia Boehm falaram com o Jornal Nacional.

"Estamos ansiosas pela COP no Brasil. Nós já sabemos o que precisa ser feito para combater a crise climática: ampliar o uso de energia solar e eólica, de veículos elétricos, interromper o desmatamento e eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis”, afirma Sophia Boehm.

“Nossa esperança é que os países transformem os compromissos em ações reais e que acelerem a mudança para fontes renováveis de energia”, diz Clea Schumer.

Fonte: G1


quarta-feira, 22 de outubro de 2025

ENTREVISTA: COP30 - Axel Grael defende “menos blá-blá-blá e mais implementação” na luta contra as mudanças climáticas

Axel destacou o papel das cidades na luta contra a crise climática. Foto A Tribuna.

Ex-prefeito de Niterói estará com a delegação da cidade em Belém

João Eduardo Dutra

Faltam 20 dias para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP30, que será realizada em Belém, no Pará, região Norte do Brasil. Às vésperas do encontro, o ambientalista e ex-prefeito de Niterói, Axel Grael, avalia que o mundo chega a um ponto crítico na luta contra as mudanças climáticas.

Axel está há mais de três décadas, desde a Rio-92, acompanhando as negociações internacionais sobre o clima. Porém, o ex-prefeito destaca que os avanços estão muito aquém da urgência climática.

“O que preocupa muito é que, ao longo desses 30 anos, a gente avançou muito menos do que a emergência climática exige. Ainda estamos discutindo como financiar as ações e que medidas serão tomadas. Em termos efetivos de controle da crise climática, o avanço foi muito pequeno”, disse o ex-prefeito.

Segundo ele, a COP30, que marca dez anos do Acordo de Paris, carrega o simbolismo de ser a “COP da verdade”, quando os países precisarão renovar suas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e demonstrar se realmente cumpriram o que prometeram em 2015.

“O problema é que nenhum país do mundo cumpriu o que prometeu em Paris. Portanto, a COP30 era vista como uma conferência em que todos falariam a verdade e se comprometeriam com metas mais ambiciosas”, disse o ambientalista.

Além disso, Axel relembrou a frustração da COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, quando havia a expectativa de aprovar 1,3 trilhão de dólares para cumprir a agenda climática, mas o compromisso foi de apenas 500 bilhões, menos da metade do pleiteado, e ainda sim ninguém se mexeu para cumprir o que foi combinado.

“Se você somar com desertificação e biodiversidade, nós estamos falando de mais ou menos 2,5 trilhões (US$) que a gente precisa para salvar o mundo, até 2035. Parece uma cifra absurda, mas o que o mundo gasta em armas é cerca de 3 trilhões por ano. Ou seja, não é por falta de dinheiro, é por falta de prioridade”, comenta Axel.

Para Grael, a lentidão nas negociações internacionais tem sido agravada por um contexto geopolítico desfavorável, marcado por guerras, pressões econômicas e pela atuação de lobbies de grandes setores poluidores, que, segundo ele, “estagnaram a agenda do clima”.

Apesar do ceticismo quanto à ambição global para combater a crise climática, Grael vê com bons olhos a liderança brasileira na condução da conferência, sob a presidência do embaixador André Corrêa do Lago e da CEO Ana Toni.

“Dentro da realidade, o Brasil está conduzindo muito bem. O lema é claro: chega de reunião, chega de blá-blá-blá. O foco agora é implementação, implementação, implementação”, falou Grael.

O ambientalista critica, no entanto, as contradições que persistem, inclusive no Brasil, entre o discurso ambiental e a continuidade da exploração de combustíveis fósseis. “O Brasil está sinalizando para o mundo que é hora de arregaçar as mangas, mas, ao mesmo tempo, abre novas frentes de exploração de petróleo. Essa é uma contradição que o mundo todo vive, e o Brasil reproduz.”

Ainda assim, ele mantém expectativa positiva quanto à COP30, principalmente pelo papel que as cidades vêm desempenhando.

“Os estados nacionais não estão conseguindo cumprir o papel deles, e a agenda não anda. Por outro lado, as cidades estão avançando. Se há exemplos concretos, eles vêm das cidades”, afirmou Axel.

Ele cita casos como Paris, que está retirando o tráfego de 800 ruas para reduzir ilhas de calor, e Copenhague, que planeja ser neutra em carbono até 2035. Em Niterói, Grael destaca que a cidade foi pioneira ao criar uma Secretaria do Clima e ao aprovar um Plano de Ação Climática com metas de redução de emissões: “34% até 2030, 40% até 2040 e neutralidade até 2050,” contou o ex-chefe do executivo.

A cidade de Niterói levará uma delegação à COP30, liderada pelo atual prefeito, Rodrigo Neves, pela vice-prefeita, Isabel Swan, e pelo próprio Axel Grael, que também representa o ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade), uma rede global que reúne mais de 2,5 mil cidades.

“É hora de parar de conversar e começar a agir. O planeta precisa de menos discurso e mais implementação”, concluiu Axel Grael.

Fonte: A Tribuna



terça-feira, 21 de outubro de 2025

Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP) é apresentado em Webinar técnico




No vídeo acima, a geógrafa Dionê Marinho Castro, que foi a coordenadora técnica do PRO Sustentável (Programa Região Oceânica Sustentável), apresentou a experiência de Niterói na implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP, o maior investimento em Soluções Baseadas na Natureza - SbN no Brasil. 

A Prefeitura de Niterói prepara-se agora para implantar do PRO Sustentável II, beneficiando desta vez a Lagoa de Itaipu.

Assista ao vídeo e saiba mais sobre este projeto emblemático da cidade de Niterói.

Axel Grael



segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Clima em crise: humanidade não pode perder mais um ano e mais uma COP

Seca e outros extremos climáticos ganham força à medida que a humanidade adia ações reais contra a crise do clima. Foto: Diego Rego Monteiro / Creative Commons

Presidência da conferência recebeu prioridades da sociedade civil para qualificar negociações e decisões de novembro

Aldem Bourscheit 

Organizações da sociedade civil listaram à presidência da COP30 – sob a batuta do Brasil – seis eixos para destravar as negociações em Belém (PA), mês que vem. A mensagem central é acelerar ações nesta década para conter a emergência climática e recuperar a confiança em processos das Nações Unidas.

Esse senso de urgência, contudo, desponta num contexto global especialmente adverso.

Lembrando os conflitos políticos, econômicos e bélicos mundiais, Claudio Angelo, coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, ressalta que a conferência será diferente de outras porque ocorre no pior momento possível da cooperação internacional. “Mas o fracasso não é uma opção”, disse.

Para tanto, o primeiro eixo pede metas e ações nacionais mais fortes para cortar emissões. Afinal, hoje as NDCs (do Inglês Nationally Determined Contribution), que cada país apresenta junto ao Acordo de Paris, de 2015, não devem manter o aumento médio da temperatura abaixo de 1,5ºC.

Atenta à principal fonte de emissões no Brasil, a especialista em Política Climática do Greenpeace, Anna Cárcamo, afirmou que a COP pode acelerar ações para zerar o desmate e a degradação florestais. “Mas, é preciso ampliar o financiamento para que países em desenvolvimento cumpram metas de corte de emissões”, agregou.

O segundo eixo propõe um cronograma com monitoramento para acelerar a transição energética e afastar a economia dos combustíveis fósseis. O terceiro defende um mecanismo global de financiamento, assistência técnica e transferência de tecnologias para que essa mudança não piore desigualdades sociais.

Nessa rota, a coordenadora de pesquisa da Plataforma Cipó, Beatriz Mattos, espera que o entendimento sobre justiça climática esteja no centro das discussões da COP30. “A conferência precisa garantir que as ações climáticas contribuam para reduzir – e não reproduzir – desigualdades”, ressaltou.

Organizações e movimentos civis se reuniram por dois dias, em Brasília (DF), para qualificar eixos de negociações para a COP30. Foto: Claudio Angelo / Observatório do Clima

Já na quarta linha de ação, a sociedade civil cobra a implantação de acordos da COP28 (nos Emirados Árabes) para reforçar a resiliência à crise climática. Isso inclui aprovar indicadores e triplicar, em relação a 2022, o financiamento para adaptação.

“Não há resiliência possível, sem previsibilidade no financiamento da adaptação à mudança climática”, avaliou Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa. “Sem uma meta de financiamento para adaptação na COP 30, vamos cair num abismo [de recursos] já no próximo ano”.

O quinto eixo propõe um programa de trabalho e um espaço permanente de diálogo para alinhar as três Convenções do Rio (Clima, Biodiversidade e Desertificação), não esquecendo de tratar de dinheiro, de causas de desmate e dos direitos de povos indígenas, quilombolas e comunidades locais.

Por fim, o sexto eixo quer engrossar as finanças climáticas priorizando recursos públicos e de países ricos para os em desenvolvimento, focado em cumprir o Acordo de Paris e cortar subsídios aos fósseis. Na linguagem das conferências, é um plano de transição entre a COP29 (Azerbaijão) e a COP30 (Brasil).

As propostas acima resultaram do evento “O Caminho para Belém: contribuições da sociedade civil”, nos últimos dias 14 e 15. O mesmo foi organizado por Greenpeace Brasil, Instituto Clima e Sociedade, Laclima, Instituto Talanoa, Observatório do Clima, Plataforma Cipó, TNC Brasil, Transforma e WWF-Brasil.

*Com informações do Observatório do Clima.

Fonte: ((O)) Eco



Meta do Brasil de acabar com desmatamento ilegal até 2030 não é suficiente, diz Carlos Nobre

 

Programa Roda Viva do dia 13 de outubro de 2025 trouxe o cientista climático Carlos Nobre para o centro do debate. Créditos - Nadja Kouchi _ Acervo TV Cultura

Cientista climático rebate, no programa Roda Viva, declarações feitas por Alckmin. Para pesquisador, país precisa acabar com toda e qualquer destruição

A declaração feita pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, na segunda-feira (13), de que o Brasil estaria comprometido em acabar com o desmatamento ilegal até 2030 foi rebatida pelo cientista climático Carlos Nobre. Para o pesquisador, uma das maiores vozes da ciência do clima no mundo, se realmente quiser fazer frente à crise climática, país precisa acabar com todo desmatamento, não só o ilegal, diz.

A análise foi feita também na segunda-feira (13), durante o Roda Viva, programa da TV Cultura que contou com a participação a repórter especial de ((o))eco, Cristiane Prizibisczki, na bancada de entrevistadores.

Assista à entrevista de Carlos Nobre no Roda Viva.

Nobre lembrou que a Amazônia está à beira de alcançar o ponto de não-retorno, quando a floresta tropical não conseguirá mais se restabelecer devido ao intenso desmatamento e degradação que tem sofrido.

Alguns estudos indicam que certas áreas do bioma, principalmente na porção sul, conhecida como Arco do Desmatamento, já teriam ultrapassado este ponto, a partir do qual a floresta passa a ter características de savana.

Segundo Carlos Nobre, o fim de todo desmatamento – não só o ilegal – seria essecial para evitar que não só a Amazônia chegasse a este ponto de inflexão, mas também outros biomas brasileiros.

“Temos que zerar todo o desmatamento. Estudos recentes mostram que não é só a Amazônia que está na beira do ponto de não retorno, mas também o Cerrado, a Caatinga…o Pantanal está diminuindo muito. Então, veja bem, todos esses biomas estão com um risco enorme. Então, o que temos que fazer? Zerar totalmente o desmatamento e, ao mesmo tempo, criar grandes projetos de restauração florestal”, disse.

Fonte: ((O)) Eco


domingo, 19 de outubro de 2025

VOTE EM MARTINE GRAEL E NO PROJETO GRAEL PARA O PRÊMIO MÁXIMO DA VELA MUNDIAL

A WORLD SAILING, órgão máximo do esporte da Vela mundial, está recebendo votos para escolher o Velejador do Ano 2025 (Rolex World Sailor of the Year 2025), o maior reconhecimento que um velejador pode receber pela sua atuação e pela sua contribuição ao esporte da Vela. 

O Brasil concorre ao prêmio com dois nomes entre os finalistas: Martine Grael (Velejadora do Ano, 2025) e Projeto Grael (Prêmio de Sustentabilidade e Impacto Social)

A ESCOLHA ESTÁ NAS SUAS MÃOS. VOCÊ PODE AJUDAR VOTANDO

Saiba mais, a seguir:

MARTINE GRAEL: candidata a Melhor Velejadora do Ano 

Martine Grael

Em 2025, Martine Grael ganhou grande destaque mais uma vez pelo seu pioneirismo, por ser a primeira mulher a comandar uma equipe no SailGP, uma das mais sofisticadas e tecnológicas categorias da vela mundial. Martine lidera a equipe Mubadala Brazil, a primeira participação de um país latino-americano na competição, que mesmo sendo a temporada de estreia, já venceu duas regatas. Dentre outros tripulantes, Martine conta com o irmão Marco Grael, que também faz parte da tripulação brasileira.

Um dos grandes nomes da vela mundial, Martine mantém a tradição da família Grael (filha de Torben Grael, 5 medalhas olímpicas) e já conquistou duas medalhas de ouro olímpico para o Brasil (Rio, 2016 e Tóquio, 2020) e um campeonato mundial na Classe 49erFX, ao lado de Kahena Kunze. Martine também foi a primeira brasileira a participar da Regata de Volta ao Mundo (Volvo Ocean Race), em 2018.

Martine já venceu o Prêmio, em 2014, honraria também conquistada por Torben Grael, em 2009, ano que venceu a Regata de Volta ao Mundo. 


Velejadores do Projeto Grael.

PROJETO GRAEL: candidato ao Prêmio de Sustentabilidade e Impacto Social

O Projeto Grael concorre ao prêmio na categoria World Sailing 11th Hour Racing Impact Award, que reconhece iniciativas de sustentabilidade e de impacto social, que tenham a vela como base de atuação. 

Fundado pela família Grael, em 1998, o Projeto Grael tem por objetivo dar acesso a estudantes da rede pública de educação aos esportes náuticos, atendendo participantes entre 9 e 29 anos. O Projeto Grael oferece oportunidades nas seguintes áreas:

  • Esportes náuticos: vela, remo e canoagem; 
  • Cursos profissionalizantes, com oficinas de: Fibra de Vidro, Carpintaria, Mecânica de Motor de Popa, Mecânica de Motor Diesel, Instalações Elétricas Náuticas, Instalações Elétricas com ênfase em Energia Fotovoltaica, Capotaria Náutica. O foco do trabalho é preparar para o primeiro emprego e o pilar profissionalizante já inseriu no mercado de trabalho cerca de 4.200 jovens.
  • Programa Ambiental: através da prática esportiva náutica surge o interesse e a sensibilidade para os temas ambientais. Por isso, promovemos atividades com o foco prioritário na Baía de Guanabara, sua biodiversidade, sua qualidade ambiental e questões relacionadas à realidade socioambiental.

O Projeto Grael tem a sua sede em Jurujuba, Niterói, e mantém atividades também em Mangaratiba (RJ). Desde a sua fundação o Projeto Grael já beneficiou em suas atividades mais de 20.000 crianças e jovens. As atividades são mantidas com patrocínios privados, beneficiado pela legislação de incentivos fiscais ou por doações diretas. O Projeto Grael não recebe recursos públicos diretos.

Caso seja vencedor da World Sailing 11th Hour Racing Impact Award, além do reconhecimento e do troféu, o Projeto Grael receberá 10.000 dólares para avançar no desenvolvimento das suas atividades.


O SEU VOTO É FUNDAMENTAL

Para votar, acesse o link e escolha as candidaturas de Martine Grael e do Projeto Grael. Na página, clique no botão "CAST YOUR VOTE NOW", depois vá descendo clicando na seta na parte de baixo e à direita da página e, enfim, escolha dentre os finalistas de cada categoria.
O VOTO É MUITO IMPORTANTE. Já somos finalistas. Falta a sua ajuda. O voto do público tem peso de 50% na definição e os outros 50% serão definidos por critérios da World Sailing. A votação estará aberta até o dia 26 de outubro.

MUITO OBRIGADO E BONS VENTOS A TODOS!!!!!

Axel Grael