sábado, 10 de maio de 2025

Lançada uma boa ferramenta para a restauração da Mata Atlântica no estado de São Paulo


Ferramenta teve como sistema de estudo a Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados no mundo (foto: Clarice Borges-Matos)

Ferramenta identifica áreas ecologicamente equivalentes para orientar projetos de restauração

Modelo projetado para atender à legislação vigente usa dados de biodiversidade, paisagem e serviços ecossistêmicos e poderá dar suporte a políticas públicas

Luciana Constantino

Com recordes sucessivos de altas temperaturas no mundo e a ocorrência mais frequente de eventos climáticos extremos, a restauração ecológica de áreas degradadas e os novos mercados que a envolvem – como o de carbono e o de biodiversidade – têm ganhado destaque. Nesse cenário, pesquisadores brasileiros desenvolveram uma ferramenta para tornar mais eficazes esquemas de compensação ambiental, uma obrigação legal para minimizar ou reparar danos causados pela ação humana ao meio ambiente.

Chamada de Condition Assessment Framework (nome em inglês para Esquema de Avaliação de Condição Ambiental), a nova ferramenta permite avaliar a equivalência ecológica de uma área a ser restaurada ou protegida em relação à degradada considerando três importantes atributos: biodiversidade, paisagem e serviços ecossistêmicos. Foi projetada para atender com compensações mais precisas às exigências de reserva legal da Lei de Proteção da Vegetação Nativa (nº 12.651/2012) e teve como sistema de estudo a Mata Atlântica, um dos biomas mais biodiversos e ameaçados no mundo.

Apontou que a combinação de proteção e restauração é a melhor alternativa para resolver os chamados “déficits de vegetação nativa”, garantindo benefícios ambientais e socioeconômicos. Esses déficits ocorrem quando a cobertura de floresta em uma propriedade está abaixo do mínimo exigido por lei, não sendo suficiente para auxiliar na manutenção da capacidade de funcionamento dos ecossistemas, com biodiversidade e ciclos de água e carbono equilibrados, por exemplo.

Os resultados da aplicação do Condition Assessment Framework mostraram que proteção seguida de restauração conseguiu resolver 99,47% do déficit no bioma Mata Atlântica no Estado de São Paulo, com adicionalidade e custo (US$ 1,29 bilhão) intermediários. Vale explicar que, no contexto ambiental, a adicionalidade ocorre quando os resultados positivos gerados, como a redução de emissões, não teriam ocorrido de outra maneira, ou seja, sem que o projeto específico fosse realizado.

Quando as estratégias são analisadas individualmente, a restauração é a mais eficaz e com maior adicionalidade (98,99% de resolução), porém tem valor elevado (US$ 2,1 bilhões). Em seguida, com eficácia bem menor, ficaram as estratégias de proteção (40,22% e US$ 14,3 milhões) e regularização fundiária em Unidades de Conservação (0,15% e US$ 104 mil).

O modelo, segundo os cientistas, é o primeiro a integrar as demandas atuais de avaliação de equivalência, a partir de um método relativamente simples e de dados espacialmente explícitos analisados em Sistemas de Informações Geográficas (GIS). Flexível, permite adaptação para outros biomas e legislações, mostrando-se uma inovação promissora a ser usada em projetos de compensação e conservação.

Distribuição espacial do déficit de Reserva Legal (RL) em hectares (ha) resolvido em cada hexágono pelas estratégias de compensação aplicadas nos cenários testados. No primeiro cenário, o teste foi apenas da estratégia de proteção da floresta usando somente os excedentes de RL. No segundo, a área de proteção foi o excedente somada às RL de pequenas propriedades (< 4 módulos fiscais). No terceiro e no quarto cenários, as estratégias de restauração e de regularização fundiária em Unidade de Conservação (UC) foram testadas separadamente. Por fim, os últimos cenários testaram formas de proteção seguidas de restauração, apresentando resultados muitos semelhantes e que demonstraram o melhor custo-benefício para compensação de RL

No futuro, pode vir a ser adaptado a créditos de biodiversidade – um novo mercado em formulação que busca financiar iniciativas de conservação, protegendo ou restaurando espécies nativas – e para análise de corredores ecológicos.

A descrição da metodologia está publicada em um artigo na revista Environmental and Sustainability Indicators e os resultados da aplicação do método estão em outro na Environmental Impact Assessment Review.

“Fizemos o teste na Mata Atlântica, avaliando uma região no interior do Estado de São Paulo e outra na parte costeira. Observamos que o método realmente detecta as diferenças ambientais entre áreas. No interior, apesar de mais desmatado, é possível encontrar mais áreas ecologicamente equivalentes do que próximo à costa, onde há muita heterogeneidade ambiental”, diz a pesquisadora Clarice Borges-Matos, primeira autora dos artigos, que à época estava no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) e, atualmente, está na Escola Politécnica (Poli) da USP.

Apoiada pela FAPESP por meio do Programa BIOTA e de bolsas (17/26684-4 e 18/22881-2), a pesquisa é parte do doutorado de Borges-Matos, sob a orientação do professor Jean Paul Metzger, que também assina os dois artigos.

“A tese foi focada em como medir a equivalência ecológica e mostrar a possibilidade de fazer uma compensação usando esses critérios. Ao levar a equivalência em consideração, as áreas a serem compensadas terão similaridade com as originalmente devastadas, tanto em biodiversidade como em serviços ecossistêmicos. Por exemplo, se uma mata oferecia o serviço de polinização, é preciso que ele continue existindo em áreas a serem compensadas. A equivalência deve ser tanto em termos de composição de espécies quanto de função ecológica”, explica Metzger à Agência FAPESP.

A legislação

A Lei de Proteção da Vegetação Nativa, conhecida como novo Código Florestal, estabelece regras para uso da terra e proteção ambiental dentro de propriedades privadas, as chamadas reservas legais. Exige que uma parte da área rural seja mantida com vegetação nativa, sem prejuízo da aplicação das normas sobre as Áreas de Preservação Permanente.

Nos Estados da Amazônia Legal, é obrigatório manter a cobertura de vegetação em 80% da área dos imóveis situados na floresta, em 35% no Cerrado e 20% em campos gerais – o mesmo porcentual para o restante do país.

Os déficits na extensão da reserva legal devem ser compensados por meio de proteção da vegetação existente em outra propriedade ou restauração. A única exigência ambiental é que a compensação seja realizada dentro do mesmo bioma onde há o déficit.

Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela equivalência ecológica de espécies e ecossistemas específicos em negociações de compensação de reserva legal. Em um novo julgamento, cinco anos depois, estabeleceu que a equivalência deveria ser estendida a todas as formas de compensação presentes na lei. Essa exigência, no entanto, foi questionada sob argumentos como: falta de definição das formas de mensurar a equivalência ecológica e dos níveis de equivalência a serem buscados.

Em 2024, o STF manteve o bioma como único mecanismo compensatório. Ter apenas esse critério como requerimento ambiental pode levar à implementação das compensações para áreas muito distintas daquelas onde houve a perda de vegetação, já que os biomas brasileiros são muito heterogêneos. Além disso, em algumas regiões, como em São Paulo, é possível que toda ou a maior parte das áreas compensadas fique em excedentes de reserva legal, ou seja, vegetação já existente, com pouca restauração.

A equivalência ecológica é importante não só para assegurar ambientes e recursos aos animais e plantas nativas como para proteger fontes e cursos d’água, conter erosões, além da manutenção de outros serviços ecossistêmicos, entre eles a polinização natural, indispensável para boa parte da agricultura.

“A restauração ecológica tem sido vista como uma questão funcional, não apenas de área. Na hierarquia da mitigação [um esquema aplicado para controlar impactos de empreendimentos sobre o meio ambiente], se não conseguimos evitar o dano, é necessário minimizá-lo e compensá-lo com impacto positivo. Nesse sentido, métricas como essas são muito úteis e poderão ser usadas de várias formas”, completa Metzger, que estuda o tema há anos e participou como autor principal da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

O Brasil reafirmou recentemente a meta estabelecida no Acordo de Paris de restaurar pelo menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030 – uma área pouco menor que o território do Amapá. Em outubro de 2024, lançou a revisão do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que define diretrizes para acelerar e dar escala à restauração.

De acordo com a rede MapBiomas, o Brasil teve entre 11% e 25% de sua vegetação nativa suscetível à degradação entre 1986 e 2021 – correspondente a uma área que varia de 60,3 milhões de hectares a 135 milhões de hectares. A Amazônia, por exemplo, somente no ano passado teve a maior área degradada dos últimos 15 anos por causa do aumento dos incêndios. Enquanto no desmatamento a vegetação é totalmente cortada, na degradação há perda gradual, decorrente do fogo, da remoção de árvores selecionadas e dos efeitos das mudanças climáticas.

Na prática

Ao aplicar o método na Mata Atlântica em São Paulo, os pesquisadores concluíram que as regiões mais próximas à costa (sul do Estado) apresentaram atributos com valores mais positivos em termos ambientais e maior heterogeneidade espacial do que as áreas do interior (noroeste), com padrão oposto.

Para a seleção dos atributos de equivalência ecológica foram analisados dados que incluem desde a variedade de espécies de pássaros, anfíbios e árvores até a cobertura florestal e estoque de carbono. Os atributos são inseridos individualmente, permitindo várias análises. E os atributos selecionados são apresentados de forma separada, garantindo transparência e entendimento do que será compensado.

Borges-Matos iniciou os estudos de sua tese fazendo uma revisão bibliográfica sobre as métricas de equivalência ecológica utilizadas em compensações ambientais já desenvolvidas e propostas até 2023. O resultado foi publicado na revista Environmental Management.

No ano em que a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30) é realizada pela primeira vez na Amazônia, os resultados obtidos na pesquisa ganham ainda mais importância, pois podem ampliar o entendimento de que a integração da equivalência ecológica em negociações traz benefícios sociais, econômicos e ambientais. Além de conservar a biodiversidade e retornar serviços ecossistêmicos perdidos, contribuem para mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas, com benefícios para comunidades locais e produtores rurais, avaliam os cientistas.

Os artigos A new methodological framework to assess ecological equivalence in compensation schemes e Combining protection and restoration strategies enables cost-effective compensation with ecological equivalence in Brazil podem ser lidos, respectivamente, em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2665972725000169?via%3Dihub#bib58 e www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0195925525001192.

Fonte: Agência FAPESP




sexta-feira, 9 de maio de 2025

VISITA AO PARQUE ORLA DE PIRATININGA ALFREDO SIRKIS

Um dos projetos que eu mais me orgulho de ter realizado é o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP: um sonho de muitos anos, desde o início da década de 1980, na época do Movimento de Resistência Ecológica - MORE, quando eu organizava manifestações pela despoluição do sistema lagunar de Piratininga e Itaipu e defendíamos a recuperação daquele grande patrimônio natural e paisagístico de Niterói. 

Em 2013, já como vice-prefeito de Niterói, fizemos um convênio com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente/INEA, responsável legal pelas lagoas e lagunas do estado, e propusemos a cogestão das lagoas no município, ou seja, a Prefeitura ajudaria na gestão das lagoas de Piratininga e Itaipu. Desde então, começamos - finalmente - uma história de cuidados com as lagoas. Já são mais de R$ 250 milhões investidos pela Prefeitura na proteção, recuperação e requalificação do entorno das lagoas.

Hoje, temos o POP implantado e as obras pioneiras de Renaturalização do Rio Jacaré concluídas (ambas entregues em 2024). Atualmente, estão em andamento as seguintes obras:

  • de recuperação do canal de Itaipu - iniciada em 2024.
  • de restauração do Túnel do Tibau, que teve a complexa solução, o projeto desenvolvidos na minha gestão, assim como o lançamento da licitação. 

Acompanho o dia-a-dia do POP, conversando com a secretária da SECONSER, Dayse Monassa e o biólogo Alexandre Moraes da Silva e, sempre que posso, dou uma passadinha lá. Hoje, de manhã cedo, foi dia de visita. Passei pelo POP e dei uma olhada nos serviços de conservação e os avanços de infraestrutura. Vi, mais uma vez, o trabalho de implantação do Pomar Urbano, a manutenção dos jardins filtrantes e o efluente dos vertedores, que levam a água já limpa para a Lagoa de Piratininga.

Parte do pomar do POP

Serviços de manutenção.

Imagem geral do POP, próximo à Fazendinha do Cafubá.

Aproveitei para conversar com moradores.

Encontrei com a professora Michelle Hama Yoga, que dá aulas de Yoga no Centro Ecocultural Sueli Pontes todas as sextas-feiras. O Centro Ecocultural Sueli Pontes é uma das grandes referências do POP e lá vc pode saber tudo sobre o funcionamento das Soluções Baseadas na Natureza do POP, o ecossistema da Lagoa de Piratininga e da Região Oceânica.

POP

O POP começou a ser planejado em 2017, quando demos início à idealização do Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável. Em 2018, contratamos o Projeto Executivo e a sua implantação. O resultado foi apresentado de 2019, quando anunciamos o lançamento do edital para as obras de implantação do POP. As obras começaram efetivamente no final de 2020 e tive o orgulho de inaugurá-lo como prefeito em 2024, fechando, portanto, um ciclo de 7 anos desde o início da sua concepção.

Com a inauguração do POP, entregamos também o Centro EcoCultural Sueli Pontes, também chamado de Eco-POP, que além de ser a sede do parque, oferece uma exposição permanente sobre o ecossistema da Região Oceânica e do Sistema Lagunar, além de uma programação cultural e de educação ambiental. O POP possui 680 mil metros quadrados, conta com 8 píeres e 17 praças, incluindo jardins filtrantes que tratam as águas pluviais sem o uso de produtos químicos. As praças criadas em função do POP ganharam nomes em homenagem a lideranças comunitárias e ambientalistas e, dentre elas, merece destaque à Ilha do Tibau, onde são oferecidos uma infraestrutura esportiva e social, com programas de iniciação esportiva conduzidos pelo projeto Núcleo Avançado de Sustentabilidade, Cultura e Esporte - NASCE. 

O POP, não apenas protege o meio ambiente e trata as águas das drenagens urbanas e dos rios, mas também promove a recuperação de uma área degradada, oferecendo novos espaços para cultura e esporte. Além disso, promove a justiça ambiental, sendo um local acessível para pessoas de diferentes origens sociais e transformando uma região antes inóspita em um ambiente de convivência e inclusão.

Só com o contrato de manutenção do parque, são 102 empregos diretos. O POP cada vez mais, se inclui no cotidiano dos niteroienses e participa da economia, também com oportunidades de lazer, recreação e geração de renda. Areas antes abandonadas e excluídas do convívio do niteroienses, já estão à disposição da população. Bairros limítrofes, antes de costas para a Lagoa de Piratininga, hoje descobrem o tesouro que têm na sua vizinhança. 

Soluções Baseadas na Natureza - SbN

Diante das mudanças climáticas e o aumento da frequência de episódios causados pelas chuvas e secas, há uma crescente preocupação com a resiliência das cidades e com a necessidade de protege-las. Uma das recomendações é a adoção de técnicas conhecidas como Soluções Baseadas na Natureza - SbN e Niterói é uma referência. Temos o maior investimento no Brasil e na América Latina em SbN, principalmente nos Jardins Filtrantes do POP e no projeto de Renaturalização do Rio Jacaré, a primeira iniciativa do tipo realizada num rio urbano.

POP e a bicicleta

Também está disponível para a população uma ciclovia de 10 km no contorno do POP e que fará parte futuramente da Ciclovia TransLagunar, que ligará o Túnel Charitas-Cafubá às praias de Itaipu e Itacoatiara. A TransLagunar existirá a partir da futura implantação da Ciclovia-Parque da Lagoa de Itaipu.


A ciclovia do POP já tem mostrado um movimento significativo, mostrando o grande potencial da futura TransLagunar. Segundo dados indicados acima, do sistema ContaBike, do programa Niterói de Bicicleta, que tem um contador de bicicletas na ciclovia do POP, nos dando uma perspectiva do número médio de usuários: a média diária é de 402 ciclistas, 3.043/semana e 13.234/mês, mostrando que uma área da cidade que era esquecida e degradada, hoje está cada vez mais dentro do cotidiano da população.

Dimensão social do POP

Para se ter uma dimensão social do POP recomendamos a leitura de Regularização Fundiária da Comunidade da Ciclovia / Barreira e também Requalificação urbana e Ambiental da Comunidade da Ciclovia/Barreira, Mobilização Social Educação Ambiental e Sanitária.

Também está disponível para a população uma ciclovia de 10 km no contorno do POP e que fará parte futuramente da Ciclovia TransLagunar, que ligará o Túnel Charitas-Cafubá às praias de Itaipu e Itacoatiara. A TransLagunar existirá a partir da futura implantação da Ciclovia-Parque da Lagoa de Itaipu.

Prêmios

Com investimentos de mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de Niterói o parque já faturou diversos prêmios. Em setembro do ano passado, levou o Prêmio Firjan de Sustentabilidade 2023 na categoria Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Em junho de 2023, foi escolhido pelo “Prêmio Cidades Sustentáveis: acelerando a implementação da Agenda 2030” como o melhor projeto ambiental do país. Em maio, foi vencedor na categoria “Desenvolvimento Urbano Sustentável e Mobilidade” do LATAM Smart City Awards 2023, entregue no México.

Prefeito de Niterói (2021-2024)




quarta-feira, 7 de maio de 2025

Grupos científicos se unem nos EUA para concluir relatório climático cancelado por Trump

Mais uma reação importante da sociedade americana para reagir contra as atitudes reativas do governo Trump contra a sustentabilidade e as medidas relativas às mudanças climáticas. Como já escrevi aqui no Blog, a atitude negacionista e conspiratória de Trump contra estes temas de prioridade global são uma grande preocupação, mas não é mais como foi na sua primeira gestão (2017-2021) quando o mundo ficou surpreso e, de certa forma imóvel, diante dos ataques trumpistas.

Como vemos na matéria abaixo, vemos uma crescente reação da sociedade americana e, diante da atitude federal americana, vemos a reação dos governos subnacionais do país, da ciência e da cidadania, assumindo a frente das medidas necessárias (saiba mais aqui). A COP30, a se realizar daqui a poucos meses em Belém do Pará, sentirá os impactos da posição estadunidense, mas saberá superar. As ações seguirão avançando. 

Trump cada vez se isola mais, abre mão da liderança mundial que os EUA sempre buscaram manter e as consequências para a população americana (e para o mundo) serão graves.

O futuro mostrará o tamanho do estrago, mas com o correto enfrentamento, seguiremos avançando no caminho certo.

Axel Grael

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Grupos científicos se unem nos EUA para concluir relatório climático cancelado por Trump

Iniciativa é impulsionada pela demissão de 400 cientistas e temor quanto à interrupção de pesquisas climáticas.

O governo de Donald Trump nos Estados Unidos demitiu quase 400 cientistas responsáveis pela Avaliação Nacional do Clima (NCA, da sigla em Inglês), relatório federal que analisa os impactos das mudanças climáticas nos EUA a cada quatro anos. A medida, vista como um ataque à Ciência Climática, levou a União Geofísica Americana (AGU, da sigla em Inglês) e a Sociedade Meteorológica Americana (AMS) a anunciarem na última semana a criação de uma coleção especial de pesquisas independentes para preservar os dados descartados.

Inédita, a iniciativa visa evitar um apagão de informações essenciais para políticas públicas, já que a próxima edição oficial do relatório, prevista para 2027, pode ser drasticamente reduzida devido às demissões. A decisão de Trump coloca em risco a base científica que orienta governos e empresas no combate aos efeitos das mudanças climáticas, como secas, enchentes e incêndios florestais.

A Avaliação Nacional do Clima é exigida por lei desde 1990 e serve como ferramenta vital para Adaptação e Mitigação. A Casa Branca afirmou que “avalia o escopo” do próximo relatório, sinalizando possível censura a descobertas que contradigam o negacionismo vigente. Especialistas alertam que, sem dados precisos, os EUA ficarão vulneráveis a crises ambientais e econômicas.

O NY Times lembrou que a iniciativa não substitui o relatório federal oficial, mas busca preservar pesquisas cruciais. Enquanto a Casa Branca alega estar “reavaliando” o escopo do relatório climático nacional, conforme e-mail enviado aos pesquisadores demitidos, especialistas alertam que o corte de verbas e equipe pode inviabilizar a próxima edição do documento.

Os autores do relatório alternativo, que já trabalhavam há um ano em capítulos sobre modelos climáticos e adaptação urbana ao calor, agora terão na publicação alternativa uma chance de divulgar seus estudos. “Não substitui a avaliação oficial, mas permite concluir pesquisas já iniciadas”, destacou Jason West, cientista que participou da edição anterior, ressaltando a importância do processo de revisão governamental e pública do relatório original. Anjuli Bamzai, ex-presidente da Sociedade Meteorológica, destacou que o relatório oficial fornece cenários para os próximos 25 e 100 anos, fundamentais para o planejamento de infraestrutura e políticas públicas., informou a Associated Press.

Nature, Guardian, Bloomberg, CBS News, Deutsche Welle, CNN, Reuters, entre outros, repercutiram a iniciativa das entidades científicas norte-americanas.

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Em tempo: Não são só os cientistas: o ataque direto de Trump à geração de energia eólica também ganhou sua devida reação. Uma coalizão liderada por procuradores-gerais democratas de 17 estados e do Distrito de Columbia (distrito equivalente ao nosso Distrito Federal) moveu uma ação no tribunal federal de Boston para barrar a suspensão indefinida de licenças para projetos eólicos decretada pelo presidente dos EUA em 20 de janeiro, noticiaram Guardian, NY Times e Reuters. Os autores da ação alegam que a decisão é ilegal e ameaça um setor vital de energia limpa, com a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, acusando a administração de “destruir” uma fonte energética em crescimento. O processo busca anular a medida - que paralisa tanto projetos offshore quanto terrestres - e impedir que agências federais a cumpram, enquanto a Casa Branca mantém silêncio sobre o caso.

Fonte: ClimaInfo


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LEIA TAMBÉM:

NEGACIONISMO CLIMÁTICO DE TRUMP É UM CRIME CONTRA O PLANETA, MAS EUA SERÃO OS MAIORES PERDEDORES

terça-feira, 6 de maio de 2025

Como as cidades podem se preparar para a emergência climática? Um guia para prefeitas e prefeitos

Desde o início da minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024), fiz parte da diretoria da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos - FNP, organização que reúne mais de 500 municípios, dentre os maiores do país. Inicialmente, assumi a função de Vice-Presidente para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ODS e, posteriormente, em 19/04/2024, assumi a Vice-Presidência Nacional da FNP. 

Em março de 2022, foi criada a Comissão Permanente da FNP de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres (CASD), que era presidida pela Renata Sene, prefeita de Francisco Morato (SP) e eu fui eleito o vice-presidente. Em outubro de 2023, assumi a presidência da CASD, onde fiquei até abril de 2025, portanto até há poucos dias.

A CASD atuou no apoio da atuação de municípios em ações solidárias com outros municípios em situação de emergência e atuou junto ao governo federal no sentido de promover políticas públicas e legislação que fortaleça a ação preventiva e de respostas a desastres climáticos. Também atuamos de forma a ajudar os prefeitos a prevenir se prepararem para agir em situações de contingências e de recuperação de desastres climáticos.

Essas informações agora estão expressas na publicação "Como Preparar seu Município para a Emergência Climática: guia para prefeitas e prefeitos", que foi lançada recentemente pela FNP e pelo WRI, organização que dá apoio técnico às atividades da CASD.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


LEIA MAIS PUBLICAÇÕES E INFORMAÇÕES SOBRE A CASD aqui.


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Capa da publicação da CASD/ FNP/ WRI


A emergência climática deixou de ser uma previsão distante para se tornar uma realidade nas cidades brasileiras. Centros urbanos são suscetíveis a eventos como chuvas intensas, secas severas e ondas de calor. Com frequência e intensidade cada vez maiores, esses eventos extremos geram custos sociais, econômicos e ambientais que desafiam a capacidade dos municípios.

Somente em 2024, as perdas econômicas em função de eventos climáticos extremos no Brasil superaram R$ 35 bilhões. Os custos da inação são muito superiores aos da prevenção e adaptação. Ainda que não sejam capazes de responder sozinhas, as lideranças municipais precisam urgentemente incorporar as agendas de adaptação e gestão de risco e desastres (GRD), desafio amplificado em um país de marcantes desigualdades territoriais.

O guia “Como preparar seu município para a emergência climática”, da Comissão Permanente da FNP de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres (Casd, antiga Comissão de Cidades Atingidas ou Sujeitas a Desastres), busca ajudar prefeitas e prefeitos nesse processo. A publicação, elaborada por especialistas do WRI Brasil, reúne informações essenciais e os marcos legais e de governança da GRD e adaptação climática no Brasil. Também apresenta um roteiro estratégico para que as cidades se preparem para agir antes, durante e depois dos desastres climáticos – com especial atenção ao que prefeitas e prefeitos devem fazer.

A seguir, compartilhamos alguns destaques da publicação, que pode ser baixada gratuitamente por este link.

Entendendo os riscos para agir com eficácia

Investir em medidas preventivas não apenas salva vidas e reduz danos, mas também se revela economicamente mais vantajoso do que arcar com os altos custos da recuperação pós-desastre. Desastres não são meramente "naturais", mas sim o resultado da interação complexa entre ameaças e vulnerabilidades de pessoas, bens e infraestrutura, muitas vezes intensificadas pela ação humana no ambiente. O guia apresenta os conceitos de gestão de riscos de desastres e de adaptação, com um panorama das ações e das interseções dessas agendas.

Marco regulatório e governança

Quais as responsabilidades dos municípios na GRD e na adaptação, segundo as políticas públicas federais? Por exemplo: qual o ente federativo é responsável por mapear áreas de risco? E quais os órgãos federais são responsáveis por cada ação de GRD? São os mesmos encarregados da agenda de adaptação? Para muitos municípios pequenos e médios, essas são perguntas de difícil resposta. O guia as apresenta de forma direta e didática.

Estratégias para enfrentar a emergência climática

Chegamos, então, às estratégias para adaptação e GRD por parte dos municípios. É deles grande parte da atribuição por implementar políticas e planos para tratar dos impactos da emergência climática, uma vez que concentram demandas de planejamento e gestão necessárias para reduzir vulnerabilidades e riscos relacionados à mudança do clima. Eis um grande desafio para muitas cidades.

Apenas 28% dos municípios brasileiros dispõem de mapeamento de risco, e somente 23 cidades brasileiras contavam com planos de ação climática publicados em 2024. É seguro afirmar que não há cultura de prevenção a riscos climáticos no Brasil. Quantos dos 478 municípios gaúchos atingidos pelas inundações de 2024 terão implementado ações preventivas após o desastre?

A abordagem reativa é cada vez mais custosa e menos eficaz. O guia propõe mudar o foco na prevenção e mitigação de riscos, e apresenta competências e ações de âmbito municipal organizadas em três momentos:
  • Antes do desastre: uma boa estratégia deve conter medidas que busquem a prevenção e redução de riscos enquanto aumentam a capacidade de resposta e de adaptação do município.
  • Durante o desastre: as ações de resposta são aquelas realizadas durante e imediatamente após um desastre com o objetivo de salvar vidas, reduzir os impactos na saúde, garantir a segurança pública e atender às necessidades básicas de subsistência das pessoas afetadas. Incluem muitas vezes a realização de ações de socorro concomitantes ao monitoramento da situação e à comunicação de alertas e alarmes.
  • Após o desastre: a recuperação engloba a restauração ambiental e melhoramento de equipamentos públicos, infraestruturas, instalações, ecossistemas, meios de sustento e condições de vida das comunidades afetadas por desastres, além da recuperação da economia e da imagem da cidade atingida.
Liderando um futuro mais resiliente

O guia “Como preparar seu município para a emergência climática” é um recurso para apoiar prefeitas e prefeitos na liderança da ação climática local. Ele é parte das ações da Comissão Permanente da FNP de Adaptação Urbana e Prevenção de Desastres (Casd), que conta com apoio do WRI Brasil e oferece aos municípios oportunidades de capacitação, articulação e troca de experiências. Com informação de qualidade, planejamento estratégico e articulação em rede, é possível reduzir os riscos e aumentar a resiliência das cidades brasileiras.

Fonte: WRI



sexta-feira, 2 de maio de 2025

Brasil tem quase 4.000 minas abandonadas sem recuperação ambiental e social


Instituto Escolhas

Recuperação de áreas degradadas pela mineração não vem sendo feita, deixando para a sociedade os prejuízos ambientais, sociais e financeiros.

Há no Brasil 3.943 empreendimentos autorizados a explorar minérios com indícios de abandono. O número representa 11% do total de lavras permitidas do país, mostra o estudo “Recuperação de áreas de mineração: um tema crítico e estratégico”, do Instituto Escolhas.

O levantamento, feito com base em informações da Agência Nacional de Mineração (ANM) levantadas até 2022, chama a atenção para riscos de áreas exploradas não serem recuperadas, o que é uma obrigação legal das mineradoras. O resultado disso é a contaminação do solo e das águas, além da instabilidade física das minas abandonadas, informam Reuters e UOL. Uma conta que é paga por toda a sociedade, principalmente pelas comunidades do entorno.

Dessas operações, 54% estão vinculadas às concessões de lavra ligadas principalmente à extração de minerais metálicos e não metálicos, e 34% relacionadas ao regime de licenciamento, ligado à extração de areia, argilas, saibro, rochas britadas e ornamentais. Os estados campeões em minas abandonadas são Minas Gerais (22%), Rio Grande do Sul (12%), São Paulo (11%) e Santa Catarina (8%), detalha o levantamento.

O estudo ainda revelou que há 33 mil hectares de terras abandonadas por garimpos ilegais em Terras Indígenas e Unidades de Conservação. E destaca problemas na fiscalização, causados principalmente por causa do quadro de funcionários da ANM.

A agência informou ao UOL que conta com cerca de 100 fiscais para atuar em todo o país. Para definir os empreendimentos a serem fiscalizados, o órgão informou que utiliza um sistema de ranqueamento que considera diversos critérios, inclusive o risco de abandono. “O primeiro responsável é quem começa um projeto de mineração. Se esse empreendedor não cumpre com seu dever, é dever do Estado brasileiro fiscalizar e cobrar que a recuperação seja feita. E estamos falhando em controlar isso. Estamos virando um cemitério de minas abandonadas”, disse Larissa Rodrigues, diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas, ao Jornal da Globo.

Fonte: ClimaInfo


STF determina desapropriação de terras por incêndios e desmatamento ilegal

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Decisão também suspende a regularização fundiária dessas áreas e obriga União e estados a cobrar indenização contra os responsáveis.

Em decisão publicada no dia 28/4, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a União desaproprie imóveis rurais onde forem comprovados desmatamento ilegal ou incêndios criminosos. Assinada pelo ministro Flávio Dino, a decisão também suspende a regularização fundiária nessas áreas e obriga os governos federal e estaduais a adotarem medidas contra a legalização de terras com ilícitos ambientais comprovados, além de exigir ações indenizatórias contra os responsáveis.

A medida visa proteger especialmente a Amazônia e o Pantanal, biomas que registraram aumento alarmante de queimadas. A decisão atende à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 743), proposta em 2020 pela Rede Sustentabilidade com apoio de organizações ambientais como Observatório do Clima (OC), WWF e Greenpeace.

Ao Brasil de Fato, o advogado do OC, Paulo Busse, classificou a decisão como bem-vinda e bem fundamentada, destacando que fortalecerá o combate estatal aos crimes ambientais. Ele ressaltou que o processo continuará tramitando para ampliar a proteção a áreas atingidas por incêndios não criminosos, agravados pela crise climática, para as quais as organizações defendem maior investimento em brigadistas e equipamentos de combate ao fogo.

A determinação de Dino permite também que estados e DF sigam usando sistemas próprios para autorizar a retirada de vegetação nativa, mas as licenças devem constar no sistema nacional que controla produtos florestais, o Sinaflor, informou ((o)) eco.

O caso também abriu discussão sobre a inclusão de territórios quilombolas na política de cancelamento de Cadastros Ambientais Rurais (CAR) irregulares. Esses cadastros, feitos por autodeclaração, frequentemente são usados para grilagem de Terras Públicas, Indígenas e Quilombolas, gerando graves conflitos socioambientais.

Estadão, Folha, O Globo, Correio Braziliense, g1, CNN Brasil, Poder 360, Metrópoles, Deutsche Welle, entre outros, repercutiram a decisão.

Fonte: ClimaInfo


Governo Federal anuncia o 2º Leilão Eco Invest, voltado à recuperação de terras degradadas

Objetivo é recuperar 1 milhão de hectares de terras degradadas, nos biomas da Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal - Foto: Acervo MMA

Leilão tem como objetivo mobilizar recursos para recuperar 1 milhão de hectares de terras degradadas no âmbito do Programa Caminho Verde Brasil

O Governo Federal, por meio do Tesouro Nacional, anunciou o lançamento do 2º Leilão Eco Invest, nesta segunda-feira, 28 de abril. O leilão visa mobilizar recursos para financiar projetos de recuperação de terras degradadas e promover a conversão dessas áreas em sistemas produtivos sustentáveis.

O objetivo é recuperar 1 milhão de hectares de terras degradadas, nos biomas da Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. O bioma Amazônico, por suas peculiaridades, será tratado de forma customizada e em leilão exclusivo, previsto para os próximos meses.

Este é o segundo leilão do programa Eco Invest – coordenado conjuntamente pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) – que integra o Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica do Ministério da Fazenda, uma estratégia voltada à transição da economia brasileira por meio da bioeconomia, da indústria verde e das finanças sustentáveis. Nesta etapa, o leilão, no âmbito do Caminho Verde Brasil, conta com a parceria do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“O leilão do Ecoinvest, um dos pilares do Novo Brasil, Programa de Transformação Ecológica do nosso governo, promove o apoio financeiro à recuperação de áreas degradadas, buscando incorporar técnicas e tecnologias sustentáveis que induzirão a elevados ganhos de produtividade, com maior capacidade hídrica e expansão da cobertura vegetal permanente, contribuindo para um futuro próspero e mais previsível ao produtor rural”, explicou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O foco do leilão é atrair capital privado por meio de instituições financeiras locais, para financiar projetos que promovam a conversão de terras degradadas em sistemas produtivos sustentáveis. Esses projetos deverão seguir critérios ambientais rigorosos, incluindo a recuperação do solo e a preservação ambiental. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, este programa agrega impacto social, ao promover a inclusão produtiva dos pequenos produtores e ao fortalecer o abastecimento interno de alimentos em função da elevação da produtividade sustentável de áreas atualmente degradadas.

“O Eco Invest representa um avanço concreto na recuperação de terras degradadas e na promoção da agricultura sustentável no Brasil. Ao estabelecer critérios ambientais rigorosos e exigir práticas como a conservação do solo, a proteção das águas e o combate ao desmatamento, garantimos que o desenvolvimento econômico venha acompanhado de inclusão social e preservação ambiental”, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Atualmente, cerca de 280 milhões de hectares no Brasil são usados para a agropecuária, sendo 165 milhões de hectares de pastagens, dos quais 82 milhões estão degradados. A meta do Governo é recuperar até 40 milhões de hectares de pastagens nos próximos dez anos. Para este leilão, a expectativa é recuperar 1 milhão de hectares em terras degradadas nos biomas já mencionados.

"Com o Ecoinvest o Brasil introduziu um programa inovador com grande capacidade de impacto e potencial de replicabilidade internacional. Ao combinar hedge cambial, blended finance e boa estruturação, o Ecoinvest mostra como superar barreiras ao investimento — e destravar bilhões em capital privado. Para nós do BID, o Ecoinvest é fonte de grande satisfação. É a prova que conseguimos impacto e escala em nossas ações quando atuamos em conjunto e com inovação", afirmou Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

CAMINHO VERDE BRASIL - O Governo Federal também está lançando, nesta segunda-feira (28), o Programa Caminho Verde Brasil, com a proposta de recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas, em dez anos, para serem utilizados exclusivamente na agricultura sustentável. O Eco Invest Brasil vai financiar a primeira fase da iniciativa, que permitirá a recuperação de até 1 milhão de hectares. Para as próximas etapas, o Mapa está buscando recursos de investidores internacionais e de países interessados em promover o desenvolvimento sustentável.

“Podemos praticamente dobrar a área de produção de alimentos no Brasil sem desmatamento, evitando a expansão sobre áreas de vegetação nativa. É uma grande oportunidade para captar investimentos internacionais e contribuir com a segurança alimentar e nutricional do planeta”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.

O Caminho Verde Brasil é um programa de estado, coordenado pelo Mapa e realizado em parceria com vários ministérios, instituições financeiras e representantes de diferentes segmentos do setor agropecuário e autarquias federais.

CHAMADA DE PROJETOS - Como novidade importante, o Tesouro Nacional lançou uma chamada de projetos online, permitindo que cooperativas, empresas e produtores organizados enviem suas propostas de projetos de recuperação de terras degradadas. Essa iniciativa visa aumentar as chances de seleção pelos bancos participantes para receberem recursos do Eco Invest. As propostas podem ser enviadas até 13 de junho de 2025, para o e-mail projetosecoinvest@tesouro.gov.br.

A inclusão dessa chamada representa um passo importante para que mais interessados possam colocar seus projetos em destaque para mais Instituições a fim de se beneficiarem com o financiamento e contribuir para os objetivos do programa.

MODELO - O leilão será realizado no modelo de financiamento parcial (Blended Finance), no qual os recursos públicos do Eco Invest atuarão como capital catalisador para atrair investimentos privados. Cada lance será avaliado com base no nível de alavancagem proposto e no volume de hectares a serem recuperados, sendo exigido um valor mínimo de R$ 100 milhões. Também será possível (e incentivado) criar Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) para estruturar as operações, viabilizando o surgimento de novos veículos financeiros dedicados a temática e atraindo ainda mais capital ao programa. A expectativa é de alavancar até R$ 10 bilhões em investimentos totais para a recuperação de terras.

DIRETRIZES - Os recursos mobilizados por meio do leilão serão destinados a produtores rurais, cooperativas agropecuárias e empresas ligadas às cadeias produtivas do agronegócio, tais como fabricantes de bioinsumos, empresas de tecnologia agrícola, frigoríficos, processadoras de alimentos, usinas de biocombustíveis e traders. O objetivo é garantir que a restauração ambiental venha acompanhada de inclusão social e produtiva.

Para tanto, os projetos financiados deverão cumprir critérios ambientais rigorosos. Entre as exigências, destacam-se o monitoramento contínuo do impacto ambiental, incluindo a medição das emissões de gases de efeito estufa – GEE; análise periódica do índice de qualidade do solo e ampliação da cobertura vegetal permanente. Além disso, as instituições financeiras participantes deverão destinar pelo menos 50% de sua carteira de investimentos para a produção de alimentos, com destaque para proteína animal e lavouras. A recuperação da Caatinga também deverá ser priorizada nas alocações.

Após a publicação da portaria, as propostas devem ser apresentadas até 13 de junho de 2025.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social. Presidência da República


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Sobre o programa

O Programa Eco Invest Brasil - Mobilização de Capital Privado Externo e Proteção Cambial é uma iniciativa do Governo Brasileiro criada para facilitar a atração de investimentos privados estrangeiros essenciais para a transformação ecológica do país. O programa é parte do Plano de Transformação Ecológica do Brasil, que visa promover um novo modelo de desenvolvimento econômico mais inclusivo e sustentável.

O Eco Invest Brasil adota conceitos inovadores e boas práticas financeiras, incorporando critérios climáticos, ambientais, sociais e de governança. Ele foi instituído no âmbito do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), que disponibiliza recursos para financiar projetos, estudos e empreendimentos que visem à redução de emissões de gases de efeito estufa e à adaptação aos efeitos da mudança do clima.

O Eco Invest Brasil tem como princípios fundamentais:
  • Mobilizar capital privado externo: Captar investimento privado estrangeiro para a transformação ecológica do Brasil.
  • Estimular o crescimento dos mercados de capitais: Promover o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil, incentivando o efeito de atração de investimentos.
  • Desenvolver uma rede de colaboração público-privada: Formar parcerias entre instituições e o governo federal, bancos multilaterais, instituições financeiras públicas e privadas e investidores nacionais e internacionais.
  • Promover a concorrência entre as instituições financeiras locais: Abrir o Programa a todos os agentes financeiros para estimular a concorrência saudável entre as instituições.
  • Integrar empresas globalmente: Aprofundar, de forma segura, a integração financeira das empresas brasileiras com o sistema financeiro internacional.
  • Garantir as melhores práticas: Adotar as melhores práticas em governança, em accountability e no monitoramento dos impactos do Programa, por meio de relatórios de alocação de recursos e de impacto, bem como avaliações externas independentes, com a inclusão transversal de critérios climáticos, ambientais e sociais em todos esses processos.
Para alcance desses princípios e dos objetivos do programa, o Eco Invest Brasil oferecerá quatro sublinhas de crédito diferentes, destinadas a investidores nacionais e estrangeiros:
  • Linha de Blended Finance (financiamento parcial) para Mobilização de Capital Privado Externo;
  • Linha de Liquidez e Mitigação de Efeitos da Volatilidade Cambial;
  • Linha de Crédito para Fomento ao Hedge Cambial (derivativos cambiais ou outros ativos financeiros);
  • Linha de Crédito para Estruturação de Projetos.
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quinta-feira, 1 de maio de 2025

Como os dinamarqueses desenvolveram sua cultura do ciclismo


Por Constanza Martínez Gaete

Em 1892 teve início a construção da primeira ciclovia da Dinamarca, localizada na Rua Esplanaden, em Copenhague. A obra foi inaugurada em 1896, sendo uma das vias exclusivas para ciclistas mais antigas do mundo.

A partir deste feito, considerado um marco na mobilidade da cidade, foram realizados outros projetos que buscaram fomentar o uso da bicicleta como meio de transporte urbano, contribuindo para tornar a capital dinamarquesa mundialmente reconhecida por sua cultura do ciclismo.

Veja, a seguir, mais informações sobre os primeiros projetos cicloviários em Copenhague.

Escola de Ciclismo para Mulheres


Essa imagem do arquivo histórico da cidade mostra como, já no início do século XIX, as mulheres frequentavam uma escola de ciclismo.

Federação de Ciclistas Dinamarqueses


Em 1905, com o objetivo de exigir a construção de ciclovias nas ruas, foi fundada a Federação de Ciclistas Dinamarqueses. Naquela época, o automóvel ainda não dominava todo o espaço público, quem o fazia eram as carroças de tração animal, cujos donos se opunham às ciclovias.

No entanto, em 1900 foi realizada a contagem do número de carruagens e ciclistas: o resultado foi esmagador, 18 carruagens contra 9.000 ciclistas percorriam as ruas da cidade diariamente. Esses números serviram de respaldo para que, dois anos depois, fosse construída uma ciclovia de 3 metros de largura.

Mapa com a infraestrutura cicloviária de Copenhague


Em 1916, a capital dinamarquesa já contava com uma boa infraestrutura para o contingente de bicicletas, que era representada nos mapas da cidade. Nos anos seguintes, essa infraestrutura continuou crescendo, configurando uma rede em 1935, como se observa no mapa a seguir:


Hora do rush para os ciclistas


"A necessidade de uma ciclovia era tão óbvia em 1955 como em 2015." Comenta Mikael Colville-Andersen sobre essa imagem registrada em 1955, que mostra os ciclistas durante a hora do rush no bairro de Østerbro, em Copenhague.

Ciclovias


Ainda que não existam muitas explicações sobre o motivo, entre os anos 50 e 60 foi eliminada boa parte da infraestrutura cicloviária.

No entanto, no início dos anos 80 foi iniciada a reconstrução das faixas, porém, diferentemente das anteriores, estas eram segregadas dos automóveis.

Ciclovias de 1915 nos dias de hoje




As imagens acima foram registradas na mesma rua do bairro Østerbro em 1915 e no ano presente. Em ambas fotos aparece a ciclovia por onde passam hoje 20 mil ciclistas todos os dias.

Via Plataforma Urbana.

Fonte: ArchDaily


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ESPÍRITO SANTO ESTRUTURA FUNDO DE DESCARBONIZAÇÃO COM RECURSOS DO FUNDO SOBERANO DO ESTADO

 


Seguindo a estratégia de fomento a atividades econômicas sustentáveis no Espírito Santo, o Bandes, na qualidade de Agente de Desenvolvimento e Banco Operador do Fundo Soberano do Estado do Espírito Santo (FUNSES), está lançando um edital de Chamada Pública para a seleção de gestores para o novo Fundo de Descarbonização.

Um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) será estruturado por gestora especializada e contará com aporte de R$ 500 milhões do FUNSES. Criado pela Lei Complementar nº 914/2019, o FUNSES tem como objetivo assegurar uma gestão responsável e de longo prazo das receitas oriundas da exploração de petróleo e gás natural, beneficiando as gerações atuais e futuras.

O novo Fundo de Descarbonização vai apoiar financeiramente projetos que ajudem a reduzir a emissão de gases poluentes, especialmente nos setores de energia e indústria. Se trata de um Fundo de Investimento Sustentável, nos termos das regras e parâmetros emitidos pela ANBIMA, considerando fatores ambientais, sociais e de governança (ASG). Entre as iniciativas que poderão ser financiadas estão projetos de eficiência energética, geração de energia solar, produção e uso de biometano, reflorestamento, entre outros que contribuam para diminuir a pegada de carbono no estado.

Essa iniciativa está alinhada com o Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) do Espírito Santo, lançado em 2023, que tem como meta tornar o estado neutro em carbono até 2050. O financiamento é uma peça-chave nesse processo, pois viabiliza a execução das ações previstas e garante a continuidade das políticas públicas voltadas para a sustentabilidade.

Saiba mais aqui: Fundo de Descarbonização


MAIS DOIS PROJETOS DE NITERÓI SÃO PREMIADOS


Niterói tem merecido destaque em diversas premiações, comprovando a qualidade da gestao publica da cidade. Agora foi em dose dupla, uma vez que foram contempladas duas ações da Prefeitura, desenvolvidas durante a minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024). Os novos prêmios para a administração pública da cidade foram para os seguintes projetos: 
1- Projeto de inspeção georreferenciada com vídeo inspeção robótica e monitoramento da rede de drenagem municipal e 
2- Previne Niterói: Inovando e fortalecendo a Integridade e o Compliance na administração pública em Niterói. 

As duas iniciativas foram reconhecidas pelo Prêmio InovaCidade 2025, promovido pelo Instituto Smart City Business America, de São Paulo.

O primeiro projeto premiado é de iniciativa da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos. Foi idealizado em 2023 e contratado em março de 2024, com o objetivo de inspecionar as drenagens da cidade. A tecnologia foi adotada, por exemplo, para inspecionar o Rio Icaraí, que em vários trechos encontra-se sob prédio, ruas, Complexo do Caio Martins etc. O objetivo foi verificar ligações clandestinas de esgoto, obstruções e interferências que atrapalhem a vazão do rio, o que contribui para as situações de alagamento na Avenida Roberto Silveira e entorno. O equipamento tem sido utilizado em outras regiões da cidade também. 

O segundo projeto é da Controladoria Geral do Município. Refere-se a várias medidas administrativas adotadas pela gestão municipal para promover o Compliance e a Integridade dos órgãos da Prefeitura.

Leia, a seguir, mais detalhes dos projetos, conforme consta no site do Prêmio:

Organização: Prefeitura de Niterói – SECONSER
Cidade: Niterói – Estado: RJ

Título do Trabalho: Projeto de inspeção georreferenciada com vídeo inspeção robótica e monitoramento da rede de drenagem municipal


O projeto desenvolvido pela SECONSER, órgão municipal de Niterói (RJ), tem como objetivo modernizar a gestão da infraestrutura de drenagem urbana por meio de tecnologias inovadoras como vídeo inspeção robótica, sensores inteligentes e georreferenciamento. A iniciativa promove um diagnóstico preciso da rede pluvial e dos corpos hídricos urbanos, contribuindo para o planejamento estratégico de manutenção e prevenção de riscos em períodos chuvosos.

A metodologia combina ferramentas como Pipe Crawlers (robôs de vídeo inspeção), sensores de monitoramento em tempo real e sistemas de geoprocessamento com integração a plataformas GIS. O processo inclui o mapeamento georreferenciado da rede de drenagem, a coleta de imagens internas das tubulações e a análise de parâmetros como nível, vazão e qualidade da água em pontos críticos da cidade. Com isso, o projeto permite identificar obstruções, colapsos, conexões irregulares e desgastes estruturais, subsidiando a tomada de decisões técnicas com base em dados confiáveis.

Além de atualizar o cadastro técnico municipal, a iniciativa oferece informações detalhadas sobre o estado de conservação dos ativos urbanos. Os dados gerados facilitam o planejamento de ações de manutenção preventiva e corretiva, otimizando recursos públicos e reduzindo o tempo de resposta a eventos climáticos extremos. A abordagem preventiva, baseada em dados e com alto poder preditivo, posiciona Niterói como uma cidade inteligente e resiliente diante dos desafios ambientais.

O projeto ainda fortalece a governança urbana por meio da digitalização de ativos e da construção de uma base de dados integrada e atualizada. A combinação entre tecnologia, sustentabilidade e gestão pública eficiente torna a proposta replicável para outros municípios que enfrentam desafios semelhantes na área de drenagem urbana.

Resultados e impactos trazidos pelo projeto:
• Mapeamento georreferenciado e digital da rede de drenagem urbana de Niterói;
• Diagnóstico técnico e preciso do estado de conservação das tubulações;
• Identificação de áreas assoreadas, obstruídas ou inadequadas por bacia de contribuição;
• Planejamento mais eficaz de serviços de limpeza e correção;
• Aumento da capacidade de resposta e redução de riscos em períodos chuvosos;
• Contribuição direta para uma cidade mais sustentável e segura.

Link para um site ou um vídeo explicativo:
http://www.seconser.niteroi.rj.gov.br/

Contato: Ricardo Lanzellotti, Secretário
lanzellotti2@gmail.com

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Organização: Prefeitura de Niterói – Controladoria Geral do Município de Niterói
Cidade: Niterói – Estado: RJ


Título do Trabalho: Previne Niterói: Inovando e fortalecendo a Integridade e o Compliance na administração pública em Niterói

A gestão de Niterói tem se destacado, desde 2013, pelo fortalecimento da governança pública, tornando-se referência em transparência e integridade no Brasil. Com a implementação da Lei Municipal nº 3.466/2020 e o Decreto nº 13.877/2021, que estabeleceram a política de Integridade e Compliance, o município criou o “Previne Niterói”, ampliando boas práticas em todos os órgãos municipais. Essa abordagem inovadora tem promovido transparência, ética, sustentabilidade e inclusão social, posicionando a cidade como exemplo de boa governança.

O “Previne Niterói” busca integrar a ética e a transparência à administração pública. Criado com o objetivo de combater a corrupção, fortalecer o controle interno e a gestão pública, a iniciativa também se alinha com a inclusão social e com o desenvolvimento sustentável. O programa inclui políticas inclusivas, capacitação de servidores e ações sustentáveis para promover uma gestão pública eficiente e justa.

Além da implementação de políticas de compliance, o programa criou materiais de apoio, cursos e treinamentos para servidores e gestores, visando fortalecer os controles internos, as comissões de ética e a ouvidoria. Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o programa se destaca pela capacidade de unir eficiência administrativa, responsabilidade ambiental e social, criando uma cultura organizacional baseada na integridade e no respeito.

Resultados e impactos trazidos pelo projeto:

O “Previne Niterói” apresentou resultados significativos como a entrega de 100% dos Planos de Integridade e Compliance no primeiro biênio (2021/2022). Foram executadas 866 ações de integridade, criados 76 registros no Banco de Boas Práticas e realizadas 52 oficinas de monitoramento. O programa certificou 08 secretarias com o Selo de Integridade e Compliance e 02 gestoras de Sistemas de Integridade. Esses resultados reforçaram a transparência, reduziram desvios e promoveram maior participação cidadã, posicionando Niterói como um modelo nacional de boas práticas administrativas.

Link para um site ou um vídeo explicativo:
https://www.controladoria.niteroi.rj.gov.br/controladoria/integridade-e-compliance/plano-de-integridade-previne-niteroi

Contato: Arlindo Nascimento Rocha, Consultor
arlindonascimento.rocha@gmail.com