quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cidade terá duas Plataformas Urbanas Digitais




A Prefeitura de Niterói vai construir este ano duas Plataformas Urbanas Digitais: uma no Módulo de Ação Comunitária (Maquinho), que fica no morro do Palácio, no Ingá, e outra na Engenhoca.Um dos projetos do programa Niterói Digital, que visa democratizar o uso das tecnologias da informação na cidade, as Plataformas Urbanas Digitais serão espaços educativos, revestidos de uma arquitetura moderna e futurista com recursos tecnológicos. Na plataforma do Maquinho, será implementado o projeto Arte, Cidadania e Tecnologia na qual serão oferecidos cursos de formação, entretenimento, manifestações artísticas, bem como um meio de exercício de sua cidadania.

A plataforma contará também com um Telecentro (espaço de universalização digital e de acesso à Internet e oferta de cursos).

No local, funcionarão ainda um estúdio de áudio ( gravação, edição de áudio, com vistas a criação futura de uma rádio comunitária), um cinema comunitário (para exposição de filmes, shows e outras atividades formativas e de entretenimento), uma midiateca (sala de jogos interativos e educacionais, cursos de língua estrangeira, na modalidade à distância, e cursos de fotografia.

A plataforma do Maquinho irá preservar a história da criação do espaço no que se refere ao trabalho realizado em sintonia com o MAC (Museu de Arte Comtemporânea).

Com o objetivo de se obter uma governança democrática e uma gerência participativa, será eleito um Comitê Gestor com ampla participação das instituições situadas na comunidade e de representações de secretarias municipais e outros órgãos da Prefeitura.

O Comitê Gestor será composto por representantes do posto de saúde, creches da comunidade, da FAN (Fundação de Artes de Niterói), do MAC, da Associação de Moradores, do Colégio Estadual Aurelino Leal, da Faculdade de Direito da UFF, da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia e da Fundação Municipal de Educação.

Fonte: Prefeitura de Niterói


Polícia Ambiental prende homens por caça ilegal em São Gonçalo


Logo após apreender os materiais, as equipes encontraram três suspeitos de praticar caça ilegal de animais. Foto: Divulgação/Lei Seca Maricá

Foram encontradas duas espingardas calibre 12, uma espingarda calibre 20 e uma garrucha. Foto: Divulgação/Lei Seca Maricá.


Em operação realizada pela 6ª Unidade de Polícia Ambiental, foram encontradas armas, munições e 3 suspeitos de praticar caça de animais em área de proteção

Três homens foram presos durante uma operação de combate a crimes ambientais em área de preservação da Serra da Tiririca em Guaxindiba na última quarta-feira (19/02).

A operação foi realizada por policiais da 6ª Unidade de Polícia Ambiental (UPAm) com apoio da equipe de fiscalização do Parque Estadual da Serra Tiririca. Foram localizadas duas espingardas calibre 12, uma espingarda calibre 20 e uma garrucha (arma de fogo que possui o cano curto), e foi encontrada ainda uma caixa de papelão com farta munição.

Logo após apreender os materiais, as equipes encontraram três suspeitos de praticar caça ilegal de animais, Leandro Ferreira da Silva, de 23 anos, Lucas Pitanguy do Nascimento de 29 anos e Ely Ferreira do Nascimento de 41 anos, todos foram levados para a 74ª DP, localizada em Alcântara.

Fonte: O Fluminense

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Terminal recebe fiscais de acessibilidade em Niterói


Durante a operação três ônibus foram retirados de circulação após irregularidades constatadas. Foto: Evelen Gouvêa

Paula Valviesse

Coordenadoria de Acessibilidade de Niterói, em parceria com São Gonçalo, realizou operação para fiscalizar o cumprimento da lei de acessibilidade e três ônibus foram enviados à garagem.

Coordenadoria de Acessibilidade de Niterói realizou nesta quarta (19), em conjunto com a Subsecretaria da Pessoa com Deficiência de São Gonçalo, a fiscalização de ônibus municipais e intermunicipais no Terminal Rodoviário João Goulart, no Centro de Niterói. O objetivo foi verificar se está sendo cumprida a Lei de Acessibilidade.

No total, três coletivos avaliados não atenderam aos critérios estabelecidos e foram recolhidos para a garagem, além das empresas que foram multadas. Como 2014 é o último ano para que as empresas de ônibus se adaptem à lei, com todos os modelos e marcas de veículos acessíveis à pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, a fiscalização conjunta visou a conscientização e ainda a informação dos motoristas, cobradores e, principalmente, dos responsáveis pelo transporte coletivo rodoviário.

Com auxílio da Niterói Transporte e Trânsito (NitTrans), que designou agentes para atuar na fiscalização junto com a coordenadoria. Um dos coletivos foi autuado e por conta do elevador que não estava funcionando. Outros dois por apresentarem riscos ao usuários. A multa por descumprimento da lei é de R$ 1 mil por veículo e o coletivo só é liberado após resolver o problema.

Segundo a secretária de Acessibilidade e Cidadania de Niterói, Tânia Rodrigues, além da preparação dos funcionários, com a capacitação que foi oferecida pela coordenadoria, sobre como utilizar os equipamentos, é importante manter a fiscalização. A secretaria explica ainda que recebeu muitas reclamações sobre a situação precária dos elevadores, o que culminou na ação, realizada em conjunto para beneficiar os usuários dos dois municípios.

“Nós temos alguns ônibus que ainda não foram trocados e esse é o último ano para que as empresas se adequem a lei. Fizemos uma preparação dos motorista sobre como utilizar os equipamentos de acessibilidade e vamos fazer uma reciclagem desses profissionais. Para isso, contamos com a ajuda de alguns cadeirantes que pegam ônibus todos os dias, eles vieram para poder testar os elevadores, pois são pessoas que estão acostumadas a se locomoverem sozinhas e precisam do transporte público”, conta Tânia Rodrigues.

Ainda de acordo com a secretária, durante a fiscalização foram constatados outros problemas, como a falta de manutenção dos elevadores. Para ela, o ideal à pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida são os ônibus com piso baixo. Além disso, ônibus de uma porta e micro-ônibus estão irregulares.

“Temos ônibus de uma porta utilizando indevidamente os símbolos internacionais de acesso e, quando isso acontece, entramos em contato com o Ministério Público. Temos ainda linhas que fazem uso apenas de micro-ônibus, que não contemplam a acessibilidade. Neste caso será solicitado a substituição desses veículos pelos tradicionais”, esclarece a secretária.

O trabalho conjunto realizado nesta quarta será repetido por mais vezes, com fiscalizações realizadas também no município de São Gonçalo. De acordo com o subsecretário da Pessoa com Deficiência de São Gonçalo, Anderson Lopes, a medida passará a ação permanente pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzidas.

Fonte: O Fluminense


Inscreva seu projeto no Programa Itaú Ecomudança 2014




Iniciativa está com as inscrições abertas até 28 de fevereiro e agora apoia também projetos de mobilidade e de agricultura sustentável.

O edital do Programa Ecomudança do Itaú Unibanco 2014, lançado em 21 de janeiro, traz novidades. A partir deste ano, a iniciativa, que há cinco edições transforma os investimentos dos clientes da instituição em benefícios para a sociedade, passa a ter seis categorias, ante quatro dos anos anteriores. São elas: Eficiência Energética; Energia Renovável; Florestas; Manejo de Resíduos; Mobilidade; e Agricultura Sustentável, as últimas inéditas.

O valor destinado a esta 6ª edição é de R$ 542 mil, dos quais 30% poderão ser utilizados no financiamento de implantação de projetos ambientais – ação inédita no programa. “Para aumentar o impacto do Ecomudança, a partir de agora teremos a opção de financiamento a juros reduzidos como forma de apoiar ONGs e empresas de pequeno e médio porte na implementação de projetos ambientais”, diz Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade do Itaú Unibanco. “Isso certamente aumentará o comprometimento dos favorecidos com o desenvolvimento e a continuidade do projeto. Vale dizer também que as doações continuarão”, acrescenta ela.

A verba do programa é proveniente dos fundos de renda fixa Itaú Ecomudança, que destinam 30% da taxa de administração para a iniciativa. De 2009 para cá, já foram repassados quase R$ 3 milhões e beneficiadas 18 entidades de 13 Estados brasileiros.

O objetivo do Ecomudança é estimular e fomentar projetos que visam reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Os projetos inscritos são avaliados de acordo com a potencial capacidade de redução desses gases, replicação e geração de outros impactos socioambientais positivos. “Para a modalidade ‘doação’, só podem se candidatar ONGs constituídas no Brasil, com sede no território nacional, que são responsáveis diretas por um projeto ambiental relacionado aos temas citados. Já no caso da modalidade ‘financiamento’, além de ONGs, podem se candidatar também pequenas e médias empresas e cooperativas”, informa a executiva.

Denise Hills explica também que a inclusão das novas categorias do Ecomudança – Mobilidade e Agricultura Sustentável – reforça ainda mais o compromisso do Itaú Unibanco com a sociedade. “Uma de nossas bandeiras é o transporte sustentável. Por isso, queremos conhecer melhor e incentivar atividades que promovam meios de transporte com baixa emissão de gases de efeito estufa, como bicicletas, bicicletas elétricas, carros elétricos, barcos elétricos ou similares. Já no caso da Agricultura Sustentável, entendemos que é de fundamental importância reconhecer projetos que sejam ligadas à produção de alimentos ou produtos não madereiros, como agrofloresta ou agricultura orgânica, capazes de evitar emissões de gases de efeito estufa decorrentes do uso de fertilizantes”, afirma Denise.

Somente no ano passado, mais de 150 projetos, das mais diversas regiões do Brasil, foram inscritos no Ecomudança. Após quatro etapas de seleção – triagem, avaliação, visitas técnicas e conselho consultivo –, os cinco escolhidos em 2013 foram:

- ONG Ecoa – Ecologia e Ação, que recebeu R$ 155.000,00 para implementar filtros de água, biodigestores e turbinas eólicas em dez comunidades de Poconé e Corumbá, no Mato Grosso do Sul.

- Instituto Brasileiro de Ecologia e Sustentabilidade – IBES, que recebeu R$ 277.171,84 para a implementação de dez hectares de florestas no Semiárido e 20 hectares em sistemas agrosilvipastoris em Poço Redondo e Pacatuba, no Sergipe.

- ONG Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus, que recebeu R$ 140.000,00 para implantar uma cadeia produtiva agroflorestal em Pauiní e Boca do Acre, no Amazonas, tendo o cacau, madeiras nativas e árvores oleaginosas como base.

- ONG Agência Ambiental Pick-upau, que recebeu R$ 104.000,00 para ampliar a biodiversidade das aldeias guaranis Tenonde Porã e Krukutu, de São Paulo, com a produção de 30 mil mudas por ano de espécies arbóreas e arbustivas nativas.

- Grupo Ambientalista de Lençóis, que recebeu R$ 65.000,00 para a implantação de programa de coleta e processamento de resíduos provenientes das pousadas e hotéis de Lençóis, na Bahia, bem como os restos de poda da arborização urbana.

Mais informações e inscrições: Pelo site www.itau.com.br/ecomudanca. As inscrições vão até 28 de fevereiro de 2014.

Pesquisa aponta forte retomada de grandes doações de pessoas físicas nos EUA




17/02/2014 Um levantamento da The Chronicle of Philantropy, publicação voltada para o setor filantrópico, indica uma forte retomada de grandes doações de pessoas físicas nos Estados Unidos em 2013. Tomando como base apenas valores acima de U$ 100 milhões e doações feitas de maneira pública, a pesquisa mostra que o montante chegou a U$ 3,4 bilhões.

Apenas o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, e sua esposa, Priscilla Chan, repassaram quase um terço do valor total. Eles destinaram 18 milhões de ações da empresa de tecnologia, o equivalente a cerca de U$ 990 milhões, para a Silicon Valley Community Foundation. Foi a primeira vez que pessoas com menos de 30 anos lideraram o ranking, segundo o levantamento. No ano passado, o casal já havia ficado em segundo lugar no ranking, doando a mesma quantidade de ações, mas que na época valiam U$ 500 milhões.

Além disso, em 2012, apenas 11 pessoas doaram mais de U$ 100 milhões. No ano passado, foram 16. Isso, segundo a publicação, marcaria uma retomada das grandes doações de pessoas físicas.

No ano retrasado, na verdade, o valor absoluto doado foi maior do que no ano passado: total de U$ 5 bilhões. No entanto, o megainvestidor Warren Buffet ajudou a desequilibrar os números de 2012: sozinho, fez três doações de U$ 1 bilhão para as fundações de seus filhos. Sem a parte de Buffet, os recursos doados por indivíduos (nos parâmetros considerados pela The Chronicle of Philantropy) somaram U$ 2 bilhões. Mesmo com o bom desempenho em 2013, as doações acima de U$ 100 milhões ainda não atingiram as marcas de antes da crise econômica. Em 2007, foi doado um total de U$ 4,1 bilhões.

Ainda assim, a perspectiva é de que o crescimento continue. A editora da The Chronicle of Philantropy, Stacy Palmer, afirmou ao Huffington Post que “as pessoas parecem mais otimistas com a economia, e, certamente, o mercado de ações forte incentivou muitas doações”. Por isso, ela conclui que “parece que teremos um ano melhor”.

Beneficiários

Segundo o estudo, o ensino superior foi quem mais se beneficiou das grandes doações. Das 15 iniciativas que constam da lista, 12 foram para instituições desse setor.

Se Zuckerberg e Priscilla Chan destinaram recursos a uma entidade comunitária, os segundos colocados no ranking investiram forte em pesquisas universitárias. Philip Knight, cofundador da Nike, e sua esposa, Penelope, deram U$ 500 milhões para a Oregon Health and Science University Foundation, voltada a pesquisas sobre câncer.

Já Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova Iorque e fundador de uma empresa de comunicação que leva seu nome, destinou U$ 350 milhões para a Johns Hopkins University, com o objetivo de promover estudos interdisciplinares e dar ajuda financeira para estudantes de graduação.

Fonte: IDIS

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17/02/2014 - O jornal quinzenal “The Chronicle of Philantropy” faz, todo ano, uma lista das maiores doações feitas publicamente por norte-americanos. Considerando apenas as maiores de 1 milhão de dólares, foram doados U$ 9,6 bilhões em 2013. No Brasil esses números são desconhecidos - aqui, não se sabe quanto, ou mesmo se, os detentores de grande fortuna doam a causas sociais. Para entender essa realidade, o IDIS convidou quatro especialistas para comentar. Entre os pontos em comum observados, eles indicam a necessidade de criar uma cultura de doação (ainda incipiente no Brasil, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos) e a importância de falar publicamente sobre doações para inspirar outras pessoas.
 
Alguns apontaram, no silêncio dos milionários brasileiros, razões de segurança; outros veem um problema mais de fundo, a desigualdade social, que faria a elite viver em uma redoma e, por isso, não ter senso coletivo.
 
Veja abaixo os principais trechos das respostas:
 
 
Joana Mortari, diretora da Associação Acorde:
 
“Nos Estados Unidos, declarar a doação é algo positivo e valorizado. As pessoas doam para inspirar e também para serem reconhecidas e admiradas. No Brasil, a admiração está apenas no ganhar, e não no doar. Os valores são diferentes.”
 
“Muitos aqui dizem que o problema é a falta de incentivo fiscal para doação. Mas, se doar fosse um valor e gerasse reconhecimento social (status), as pessoas tirariam do caixa e não ficariam esperando um dinheiro de renúncia fiscal para doar – dinheiro que, aliás, é considerado para muitos como do governo, já que o poder público está abrindo mão de um recolhimento. Incentivo ajuda, mas a falta dele não é o centro do problema.”
 
“O norte-americano tem um sentimento de construção coletiva da nação, de corresponsabilidade com o governo na construção do país. Já no Brasil nós delegamos ao governo e ponto. Assim, há uma sensação coletiva de que se pagamos os impostos, fizemos nossa parte. Nesse contexto, declarar grandes doações inspira mais críticas do que seguidores. Acrescente a isso que existe um problema de segurança, e pronto: não há nenhum bom motivo mesmo para declarar doações.”
 
“Precisamos mudar esse sistema de valores ao fomentar a cultura de doação. Quando doar for motivo de orgulho e reconhecimento social, fazer o ranking será o mais fácil.”
 
 
Paula Fabiani, diretora-executiva do IDIS:
 
“Temos poucos dados nessa área. Estudos como o Censo e a Pesquisa de Orçamento Familiar, ambos do IBGE, não abordam de forma direta a questão da doação no país. Os bancos tampouco mapeiam os valores relativos à doação de seus clientes de alto poder aquisitivo. E as informações das declarações de Imposto de Renda também não nos fornecem um bom panorama, pois há poucas possibilidades de utilização de incentivo fiscal (o que não estimula o doador a declarar a doação), a declaração de Imposto de Renda simplificada não permite informar a doação, e o universo de declarações completa se restringe a algo em torno de 10 milhões de brasileiros.”
 
“Faltam motivadores para a declaração da doação, pois o governo não realiza campanhas nem dá suporte para incentivar esse tipo de atitude.”
 
“Existem evidências para se pensar que o investidor social privado é relutante em expor os valores de doação. Uma razão importante é o fato de as doações ocorrerem via empresa, para a qual há incentivos fiscais mais abrangentes. Outro motivo reportado por alguns é a questão da segurança. Além disso, a exposição gera um aumento no volume de solicitações de doações.”
 
“Não existem estudos que demonstram um panorama das grandes doações individuais, como ocorre nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. A inexistência dessa informação dificulta a identificação do tamanho do setor filantrópico e sua evolução ao longo dos anos, assim como a própria ação das organizações da sociedade civil na captação de recursos.”
 
“Em 2013, assistimos à maior doação individual do ano nos Estados Unidos, e de um indivíduo com menos de 30 anos: Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook doou US$ 1 bilhão para a Silicon Valley Community Foundation. Não temos informações dessa natureza para inspirar nossos investidores sociais no Brasil.”
 
“Os filantropos brasileiros precisam se sentir parte de uma comunidade e, para isso, precisam de informações sobre essa comunidade. É imperativo realizar um mapeamento periódico que permita ao setor e ao governo buscar políticas públicas mais favoráveis e acompanhar o impacto destas no desenvolvimento do setor filantrópico no país.”
 
 
Marcos Flávio Azzi, fundador do Instituto Azzi
 
“O topo de tudo é a falta de senso coletivo, a vida ‘guetizada’ que as pessoas vivem. Pode-se tranquilamente viver num oásis de primeiro mundo, completamente isolado do Brasil como um todo. Disso, derivam todos os problemas.”
 
“O senso coletivo da classe baixa é maior. Ela vive a realidade, usa os instrumentos públicos, o hospital, a escola, o transporte coletivo, o parque.”
 
“Aqui, a pessoa não é elogiada por fazer doação nem recriminada por não fazer, e isso já abre um abismo entre a gente e os norte-americanos”
 
“Ter comportamento altruísta é doar uma parcela relevante do patrimônio, de forma recorrente, com um objetivo específico e impessoal, sem esperar algum tipo de benefício. Aqui, as pessoas de alto poder aquisitivo fazem exatamente o oposto: a doação é esporádica, não é recorrente, é irrelevante em relação ao patrimônio e, geralmente, visando algum benefício – porque um amigo pediu ou tem algum incentivo fiscal”.
 
“Mais importante do que ter incentivos fiscais é ter desincentivos para não doar. Nos Estados Unidos, as heranças são taxadas em 50%, enquanto em São Paulo são só 4%. Os norte-americanos não doam porque há incentivos, mas sim porque ser filantropo vem de berço – isso é que forçou a criação dos incentivos”.
 
“Para melhorar a situação do investimento social privado no Brasil, é preciso aproximar cada vez mais a classe alta do coletivo, usando instrumentos que tornem o coletivo mais presente; o incentivo fiscal é importante, claro, mas tem de fazer umas 20 coisas para reverter a situação atual”.
 
 
Anna Maria Peliano, pesquisadora do Ipea, coordenadora do estudo “Benchmark do investimento social corporativo”
 
“Há pesquisas sobre empresas, mas não para doações individuais, ainda que o investimento social privado de negócios familiares tenha a ver com as opiniões dos donos. A situação lembra a da filantropia corporativa de duas décadas atrás. O investimento social corporativo na década de 90 também não era divulgado, não se valorizava falar sobre isso”.
 
“O brasileiro não tem tradição de divulgar doações, diferentemente dos Estados Unidos. É importante falar sobre investimento social privado, principalmente os grandes doadores. Isso estimula os outros a fazerem o mesmo e cria uma cultura de doação”.
 
“Para melhorar o ambiente do investimento social privado no Brasil, é preciso estruturar, organizar, divulgar. A sociedade começa a valorizar, a ver que não é só promoção individual. Deve-se trazer exemplos, estruturas, práticas.”

Fonte: IDIS

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Prefeitura implanta nas escolas da rede municipal projeto inovador de prevenção ao uso do crack





Livreto com desenhos de Daniel Azulay integra ações de prevenção do programa Crack, É Possível Vencer

O lançamento do livreto “Eu e Você, Bem Longe do Crack”, na noite da terça-feira (18.2), no Solar do Jambeiro, marcou mais um passo do programa Crack É Possível Vencer no âmbito do município de Niterói. A prefeitura aderiu ao programa do governo federal em março de 2013 e, desde então, vem implantando uma série de iniciativas nos eixos de prevenção, cuidado e autoridade. O livro é uma das ferramentas de prevenção e será utilizado pela Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia para conscientização de crianças e jovens da rede municipal de ensino.

O livreto, em linguagem de quadrinhos, foi escrito por Vangi Souza e Luiz Claudio Gomes, e tem ilustrações do desenhista e educador Daniel Azulay. Vangi e Azulay participaram do evento de lançamento e autografaram a obra. O professor Pirajá, tradicional personagem criado pelo desenhista, explica de forma lúdica o que é a droga e a forma como ela atua no organismo, levando à total dependência. Durante a apresentação, Azulay explicou o processo de criação. 

“Queria compartilhar com vocês a dificuldade que foi fazer esse trabalho. Em mais de 40 anos como artista gráfico e educador, eu nunca tive uma dificuldade de concepção, de representar protagonistas numa situação tão trágica. Os personagens dessa história são infelizes. Procurei de forma artística representar a tragédia social do crack, na velocidade com que ele se expande. Mas escrevemos a história do crack de uma forma preventiva, que é o foco do livreto, mostrando o que a pessoa começa a perder com a droga. O que existe de positivo na vida e vai deteriorando com o uso do crack. Nosso objetivo com esta obra é apresentar uma ferramenta aos professores para que sejam multiplicadores de uma conscientização, em conjunto com a comunidade escolar, nas ações educativas ”, disse o ilustrador.

Vangi Souza destacou a visão de vanguarda da Prefeitura de Niterói em utilizar o livreto como ferramenta de prevenção. “Esse trabalho iniciado em Niterói é a pedra fundamental do projeto desenvolvido pela Editora Zit. Estou muito honrado de estar aqui e fazer parte deste momento. Estamos aqui para unir forças e desestimular o uso do crack. Além do livreto, vamos produzir material pedagógico de apoio para trabalharmos o tema da educação infantil até o fundamental II”, explicou o escritor.

O evento de lançamento contou também com as presenças dos titulares das pastas das secretarias municipais envolvidas no programa: Maria Célia Vasconcellos (Secretaria Executiva), Waldeck Carneiro (Educação, Ciência e Tecnologia); Chico D’Angelo (Saúde), Bira Marques (Assistência Social e Direitos Humanos), Marcus Jardim (Ordem Pública) e José Henrique Antunes (presidente da Fundação Municipal de Educação). Um grupo de alunos da Escola Municipal João Brasil também esteve presente e ganhou o livreto autografado.

A secretária Maria Célia ressaltou que, em menos de um ano, desde a adesão ao programa nacional, todas as linhas – cuidado, prevenção e autoridade– foram implantadas no município.

“Esse livro é uma solução inteligente e inovadora para um tema tão difícil. Hoje temos o consultório de rua, a Unidade Atendimento Infantil (UAI), os educadores sociais e a nossa Guarda Municipal totalmente envolvida nesse trabalho nos locais de uso de crack. Agora a gente completa, com o lançamento deste trabalho, que não é apenas um lançamento, mas um projeto com proposta pedagógica, que terá continuidade. Estou muito satisfeita em estar aqui”, disse a secretária.

Maria Célia anunciou um outro passo importante do programa, no eixo autoridade. No dia 10 de março terá início o curso de policiamento comunitário destinado a guardas municipais, policiais militares e civis e bombeiros.

O secretário de Educação, Waldeck Carneiro, disse que o livreto é uma iniciativa que se integra aos esforços do município em enfrentar o grave problema do crack, que reúne várias secretarias num trabalho integrado. “Estamos atuando em diferentes vertentes e a nós da educação cabe a prevenção. Este livreto dará subsídios aos professores para que desenvolvam ações em sala de aula”, afirmou.

Fonte: Prefeitura de Niterói




LABIRINTOS DA LIBERDADE EM CONFLITO


Clique na imagem para ler melhor.


Texto de postagem de Luiz Guilherme Vergara no Facebook:

Hoje temos mais um importante Museu-Forum que se desdobra da exposição de Carlos Vergara - e transborda para uma visão de museus, hospitais, escolas e porque não, sistemas de resgates de cidadania - sem paredes. A crise das instituições formadores de cidadania, na sua falta de atenção e investimentos qualitativos, vão engrossar as demandas por uma política punitiva de segurança. Nem a causa e nem o efeito se resolvem. A punição e vigilância não podem ser vistos como tratamentos de uma enfermidade social crônica da condição humana. Trocar lâmpadas não resolve o problema do dínamo - da distribuição e transformação de energia.

 Agradeço aos colaboradores do Forum - Labirintos da Liberdade em Conflito.



Bairro Novo asfaltará mais 70 ruas da Região Oceânica


Rodrigo Neves vistoriou andamento das obras na Região Oceânica. Foto: Divulgação/ Luciana Santos


Rodrigo neves participou de vistoria de obras de pavimentação e microdrenagem nos bairros Piratininga e Peixoto. Nova etapa será lançada na segunda quinzena de março

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, fez uma vistoria na manhã desta terça-feira (18/2) nas obras do programa Bairro Novo que estão sendo realizadas em Piratininga e no Bairro Peixoto, na Região Oceânica. O projeto é uma parceria entre a Prefeitura e o governo estadual para pavimentação e microdrenagem de ruas.

Segundo o prefeito, na segunda quinzena de março, serão entregues mais cinco ruas do programa em Piratininga: novos trechos das Orestes Barbosa e João Pinto, Eduardo Souto, Geógrafa Amora e Moacir Gomes. A vistoria e a entrega das ruas contará com a presença do vice-governador e coordenador de infraestrutura do Estado, Luiz Fernando Pezão. No início deste mês, já tinham sido inauguradas as obras da Comendador Thomaz Silva, Trovador José Nagle, Doutor Celso Dias, Jornalista Alarico Maciel, além dos primeiros trechos da Orestes Barbosa e da João Pinto.

Ainda na segunda quinzena de março, será lançada mais uma etapa do programa, que vai realizar obras em cerca de 70 ruas das localidades de Engenho do Mato, Maravista e Serra Grande. Para a segunda quinzena de abril, a previsão é de que outras sete ruas contempladas pelo programa sejam entregues no Bairro Peixoto e Piratininga, como a Ignês Peixoto, Fernando Peixoto, Vera Lúcia Peixoto e X. Rodrigo Neves afirmou que, até o fim deste ano, a meta é entregar de 80 a 100 ruas na Região Oceânica."Com o Bairro Novo, estão sendo investidos R$ 100 milhões em obras de infraestrutura urbana, redes de drenagem e pavimentação na Região Oceânica.

As obras começaram e outubro e seis ruas foram entregues. Isso só foi possível graças a união entre a Prefeitura e o governo estadual. É o maior investimento em infraestrutura da história da Região Oceânica que ficou durante décadas abandonada. Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida da população e fazer com que os niteroienses possam usufruir das belezas naturais da região que precisa de um desenvolvimento mais sustentável", disse o prefeito.

Durante a visita às obras, o prefeito conversou com moradores e funcionários que elogiaram as intervenções. Uma delas foi a representante comercial Vilma Gatto, de 73 anos. Há 40 anos, ela tem casa na rua Geógrafa Amora e esperava por melhorias.

"A rua nunca havia recebido obras. Está uma maravilha e tudo acontecendo muito rápido. Antigamente alagava tudo e crescia muito mato", disse.

Leonardo Soares, 33 anos, está trabalhando na conclusão da caixa ralo e calçada da rua João Pinto e afirmou que as obras vão trazer muito crescimento para a região e também para ele.

"A equipe é muito boa e trabalha com responsabilidade. Está tudo bem adiantado", declarou.
Morador de Maravista há dez anos, Antônio Valdemir Sousa Rodrigues, de 38 anos, disse estar orgulhoso de participar das intervenções na rua Ignês Peixoto, no Bairro Peixoto.

“Contribuir para melhorar a qualidade de vida da população é tudo", afirmou.

A técnica em segurança do trabalho da empresa encarregada das obras, a FW Engenharia, Viviane Benevides Rodrigues, de 38 anos, afirmou que as obras são de muita importância para os moradores. Ela disse que a população se queixava muito do alagamento das ruas, que levava água para dentro das casas. Moradora de Santa Rosa, Viviane afirmou que estão sendo tomados todos os cuidados para evitar acidentes.

"Todos os funcionários usam EPI (Equipamentos de Proteção Individual), são abastecidos com água o tempo todo. Quando há uso de maquinário, as áreas são isoladas e sinalizadas para proteger também os moradores. A Prefeitura também realiza um trabalho social informando previamente à população sobre tudo que será feito na rua", explicou.

Fonte: O Fluminense


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Desaceleração deve ser tendência nos grandes centros do século 21


Pós-perimetral: Zona portuária terá passeio público entre Praça Mauá e Armazém 6. Divulgação

Ruas mais amigáveis para os pedestres, passeios públicos no lugar de perimetrais e praças substituindo estacionamentos promoverão uma nova forma do cidadão se relacionar com os espaços públicos

Saiba como o Rio deve se preparar para a concepção urbana do futuro

Bolívar Torres

RIO - Junto com as toneladas de concreto da Perimetral, também é implodido um símbolo de uma velha filosofia. Quando construído, na década de 1950, o elevado ajudou difundir no Rio uma mentalidade típica dos anos 1960 e 1970, e que se estende até os dias de hoje: a das cidades fluidas e aceleradas, planejadas principalmente em função dos carros. Parte da zona central carioca deixou de ser um lugar de interação social e bem-estar e se tornou uma simples via de passagem de veículos. Espaços caminháveis encolheram em diversas áreas da cidade, e deram lugar a ambientes hostis a pedestres.

Taxado como “old mobility” (velha mobilidade) pelos defensores das novas tendências urbanísticas, o conceito perde força pelo mundo. As razões são muitas: altas do preço do petróleo, aumento das horas perdidas dentro de carros (uma recente pesquisa mostrou que a Cidade Maravilhosa tem o terceiro pior trânsito do mundo) e de doenças causadas pela poluição do ar. Diante disso, não seria absurdo dizer que o fim da Perimetral, junto com a abertura de praças, boulevards e vias mais amigáveis aos pedestres, pode sinalizar o rompimento com uma maneira ultrapassada de planejar espaços urbanos. Entre os urbanistas, há um consenso de que atualizar a visão de mobilidade, contemplando a desaceleração e priorizando a qualidade de vida, é um dos maiores desafios para o futuro do Rio e das cidades brasileiras.

- O Brasil se urbanizou muito mais depressa do que outras partes do mundo, gerando distorções que existem até hoje - diz Valter Caldana, arquiteto e urbanista, diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie. - O mais grave é não enfrentarmos este problema com olhos no futuro. O mundo está percebendo que a qualidade de vida passa pela cidade de baixa velocidade, com projetos que priorizem o pedestre e promovam uma nova relação entre o cidadão e a cidade. A demolição da Perimetral é um excelente indicador de mudança, que tem que ser seguido por outras cidades brasileiras, como São Paulo em relação ao Minhocão, por exemplo.

Já no final dos anos 60, quando o Brasil começava a multiplicar seus viadutos, um jovem economista americano chamado Eric Britton passou a defender novas formas de deslocamento, condenando o simplismo da “velha mobilidade”. Ele foi um dos primeiros a perceber que a complexidade de uma cidade não passava apenas por seus sistemas de transportes, mas também pelas experiências humanas e suas interações sociais. Cabia ao design urbano criar um ambiente propício para elas.

Hoje, Britton é diretor da EcoPlan International, uma rede independente que fornece conselhos estratégicos para governos e empresas sobre questões técnico-sociais e desenvolvimento sustentável, e também é professor do Institut Supérieur de Gestion, de Paris. Procurado pela Revista Amanhã, Britton mostrou certa frustração ao ser perguntado sobre soluções para desacelerar as cidades e criar maneiras mais amigáveis de se deslocar pelos espaços. A própria pergunta, segundo ele, demonstra que ainda há muito que ser feito, não apenas no Brasil.

- Sabíamos quase tudo que precisávamos para construir lindas cidades nos anos 1970. Alguns as fizeram. Mas toda uma geração passou e eu ainda estou tentando fazer isso acontecer - lamenta.

Britton conhece o contexto brasileiro. Esteve algumas vezes no país e, no fim dos anos 1970, até lançou um livro dedicado às estratégias de transporte para o Brasil, intitulado “Preparando-se para os anos 80”. Acostumado a usar analogias, ele compara as cidades atuais a uma pessoa doente. Para tirá-las da UTI, é preciso que a sociedade discuta, com diversos grupos procurando juntos por soluções.

- Sabemos que o futuro da cidade é ter menos carros, mas ainda assim muitos carros, e se movendo em lugares diferentes, e de maneiras diferentes - prevê. - Se as cidades não derem atenção à nova mobilidade, elas terão perdas econômicas. No século XXI, as cidades competem entre si. E se um lugar com um trânsito caótico como São Paulo não resolver seus problemas, os jovens brasileiros irão para outros com melhor qualidade de vida. As indústrias internacionais não irão estabelecer serviços e fábricas, porque sabem que não terão lá seus melhores funcionários.

Valter Caldana cita quatro questões urgentes para tornar as cidades mais agradáveis para a circulação: enterrar a fiação, priorizar a chamada pedestrianização através de calçamento, aumentar a arborização e criar leis que fiscalizem anúncios.

Já a mobilidade do futuro é frequentemente associada a um retorno das cidades vagarosas e, consequentemente, mais sustentáveis. Mas este novo ritmo depende de muitos fatores. A diversidade dos transportes coletivos é um deles. Meios alternativos e livres de combustível deverão ligar alguns pontos.

No Rio, as novidades passam pelo futuro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que até 2016 tem a promessa de circular no Centro e na Região Portuária do Rio; e um possível aproveitamento do transporte hidroviário, hoje muito abaixo do que a geografia carioca oferece. Com suas lagoas, a Barra poderia se beneficiar de um projeto da Grove Boats SA, que prevê a criação de um barco eletro-solar integrado ao novo metrô e outros meios de transporte, como bicicletas e vans.

Outro fator importante é um maior adensamento, com mais pessoas mudando-se para as zonas centrais, perto dos seus locais de trabalhos — o que reduziria a necessidade de deslocamentos.

O novo ritmo das cidades

No futuro, é possível sonhar com mudanças radicais. Assim como Copenhague transformou com sucesso uma de suas mais movimentadas ruas centrais num agradável calçadão, o Rio poderia fazer o mesmo com parte da Avenida Rio Branco, por exemplo. A revolução urbana, contudo, não depende apenas de grandes obras e projetos superdimensionados. Iniciativas simples podem promover mudanças significativas.

Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, Washington Fajardo lembra que pequenas intervenções transformaram alguns pontos da cidade. Ao acabar com um retorno para carros na Lapa, toda uma pequena área do bairro se revitalizou: prédios abandonados foram recuperados e o comércio floresceu. Num lugar antes quase deserto, hoje é possível tomar um chopp e observar o movimento.

- A cidade é cheia destes retorninhos desnecessários, que tiram o espaço para o pedestre e sugam a vida social - lembra.

Ele cita também a ampliação da Praça Tiradentes após a retirada de um estacionamento. Segundo o secretário, o espaço “reconquistou sua significância”. Há ainda a própria derrubada da Perimetral, que permitirá a criação de um passeio público arborizado entre o Armazém 7 e a Praça Mauá, com 44 mil metros quadrados para os pedestres.

- São duas escalas: conquistar melhorias com maior interação e o aumento do comércio local nestes pontos caminháveis, mas também pensar nas pessoas que moram longe - diz Fajardo. - Quem mora em Campo Grande precisa chegar no Centro com facilidade. Este retorno à cidade mais caminhável não pode estimular uma agenda conservadora, com uma cidade que se fecha em feudos. O espaço público é um lugar de contatos, e para isso os grandes deslocamentos precisam funcionar bem.

Nos primórdios da chamada “car culture” (cultura do carro), o automóvel virou símbolo de liberdade. Era visto com romantismo pela geração Beat e seu livro-manifesto “On the road”. Hoje, tudo mudou. Para Britton, “velha mobilidade” é ficar horas preso dentro do seu carro, procurando por vagas; já a nova mobilidade, como bicicletas e transportantes alternativos, é a “liberdade destilada”.
Na metade dos anos 2000, a cidade de Bogotá se tornou referência ao perceber que as pessoas não precisavam ser ricas para se sentirem ricas. Ao reduzir o domínio dos carros e oferecer mais espaços públicos à população, ela lhes devolveu alguns prazeres simples, como a convivências nas ruas e a possibilidade de sentar, respirar e olhar à sua volta com calma.

Pauta de protestos

Com a nova política, Bogotá se tornou uma cidade agradável para pessoas de 8 a 80 anos. E melhorou sua segurança. A razão é simples: lugares com mais pedestres parecem mais seguros. E, como diversos estudos comprovam, lugares que parecem mais seguros também costumam ser, de fato, mais seguros.

Para Valter Caldana, a velha mobilidade inibe a sensação de pertencimento e, consequentemente, o cuidado com o patrimônio público. Neste sentido, ajudaria a explicar as recentes manifestações pelo país. Entre outras exigências, a população anseia recuperar um espaço que lhe foi tomado.

- As jornadas de junho e julho foram um marco do urbanístico porque resultaram numa marcha pelos direitos urbanos. Uma das pautas era: “queremos outro modelo de cidade, porque este se esgotou”.

Soluções simples

Menos retornos para carros. Transformar retornos desnecessários em calçamento ajuda revitalizar o comércio em determinadas áreas.
Enterrar fiação elétrica. O investimento é caro, mas o custo-benefício compensa.
Arborização. Estudos comprovam que contato com o verde torna as pessoas mais felizes.
Fiscalização de publicidade. Poluição visual de cartazes e anúncios prejudica o deslocamento e a interação humana.
Design. Pequenas melhorias nos espaços - como plantas, jardins e cores vivas - podem oferecer maior sensação de conforto e, consequentemente, de segurança.

Soluções complexas

Fechamento de ruas. Dependendo do caso, pode ser complexo ou simples. Com um bom planejamento, ruas movimentadas e barulhentas podem ser fechadas para o tráfego e reservadas para o lazer dos pedestres em determinadas horas do dia.
Boulevards. Quanto mais passeios públicos, mais interação social e desaceleramento.
Rede cicloviária. Diminui o trânsito e a poluição.
Transporte público. Deve ser melhorado e diversificado oferecendo meios alternativos, como barcos e trens elétricos.
Substituir estacionamentos por praças. A prática só se torna possível se acompanhada por políticas para desestimular o uso do carro.

Fonte: O Globo - Revista Amanhã

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