terça-feira, 26 de julho de 2011

WWF Brasil seleciona profissional


A direção do WWF-Brasil anuncia seleção de profissional para a vaga de Coordenador em Gestão de Projetos, Desenho e Avaliação de Impactos. O(a) profissional irá atuar na análise e aperfeiçoamento do ciclo de projetos do WWF-Brasil e do processo de gestão de seus programas na área de conservação, seu monitoramento e avaliação.

Do edital publicado pela organização destacamos a seguinte síntese de informações:

Sumário Executivo:


Nos últimos anos a pasta de conservação do WWF-Brasil tem crescido consideravelmente e devido à amplitude geográfica e a variedade de questões que abrange, tem se tornado bastante complexa, num contexto brasileiro marcado por um rápido crescimento socioeconômico, associado a um paradigma tradicional de desenvolvimento. Desejamos melhorar nosso desempenho nas diversas etapas do ciclo de desenvolvimento de projetos e aperfeiçoar o desenho de programas, e poder identificar os impactos do nosso trabalho.

Entre as áreas mais importantes que requerem atenção específica está o desenvolvimento de processos de aprendizagem e sistemas de gestão de conhecimento, associados às etapas de monitoramento e avaliação como parte do ciclo de gestão dos projetos e do desenho dos programas. Dois aspectos relacionados entre si, são de suma importância:

1. melhorar a qualidade do ciclo completo de projetos por meio de uma expansão da fase de desenho e a inclusão de processos de incorporação de lições aprendidas e geração de novas abordagens; e

2. estabelecer um sistema adequado de monitoramento e avaliação para prover diversos tipos de indicadores capazes de informar os gerentes de projetos, coordenadores de programas, tomadores de decisões, afiliados, doadores e o público em geral, em acordo com as recomendações e especificações dos planos estratégicos do WWF-Brasil, e a Estrutura do Programa Global (GPF) da Rede WWF, iniciativas do WWF e os Indicadores Básicos de Desempenho da Rede WWF.

Nesse contexto, o objetivo organizacional associado à função do especialista é de apoiar os esforços do WWF-Brasil para ser uma organização aprendiz, com um ambiente organizacional interno instigante e propício à inovação e sinergia entre os programas de conservação e outras áreas do WWF-Brasil (Comunicação, Relações Corporativas, Marketing, etc), outros membros da Rede WWF e parceiros. Portanto a função do especialista em desenho é auxiliar os técnicos e colegas do WWF-Brasil a fortalecer o desenho de programas de conservação e aperfeiçoar o desenvolvimento dos projetos e seu monitoramento e avaliação. Com o tempo, o especialista em D&I ajudará na avaliação dos impactos das atividades e investimentos do WWF-Brasil para alcançar suas metas estratégicas, contribuindo para consolidar a credibilidade e a eficiência da organização.

Saiba mais no link: https://www.elancers.net/vagas/e_mostra_vaga.asp?id=940106

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Petrobras lançará edital para selecionar projetos de esporte e cidadania


O Programa Petrobras Esporte & Cidadania foi construído em alinhamento com a Política Nacional do Esporte, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento do esporte olímpico brasileiro e contribuir para a democratização do acesso popular a práticas desportivas.

Até 2014, serão investidos cerca de R$ 265 milhões em quatro segmentos - Esporte de Rendimento, Esporte Educacional, Esporte de Participação, Memória do Esporte - que contemplarão crianças, adolescentes, atletas e diversos outros profissionais relacionados ao mundo do esporte.

Fonte: Petrobras

Torben Grael lidera a Volta da França a Vela

Torben Grael e Bertrand Pace: boa parceria. 

Desde o dia 24 de junho está acontecendo a Volta da França a Vela. E o Brasil está muito bem representado por nada menos do que Torben Grael. Ele participa da competição ao lado do francês Bertrand Pacé, representando a equipe Aleph. Apesar de nunca terem velejado juntos, os dois são velhos conhecidos da Copa América e já estão mais do que entrosados. A prova disso é a liderança da competição.

Torben se juntou a Pace para as disputas das pernas mediterrâneas. Ainda falta uma semana para o fim da competição, o que inclui três pernas longas e nove barla-sotas.

Fonte: Bog do Murillo Novaes.

Corrida contra o tempo para salvar a Baía de Guanabara

Lixo acumulado na Ilha de Brocoió. Foto de Fernando Lemos, 01/12/2009.

Poluição, esgoto, assoreamento e despejo irregular de lixo sufocam o ecossistema escolhido para as provas de vela dos Jogos Olímpicos de 2016

As águas escuras, quase sempre com algum lixo visível e dejetos, foram no século 19 o local escolhido por Dom João VI para seus banhos de mar. As praias abrigadas, paradisíacas, pelo que contam os relatos daquele tempo, são hoje o ralo de cerca de 10 milhões de moradores da região metropolitana do Rio. E o que se vê na Baía de Guanabara é que, desde os banhos do monarca, não se pensou nem se agiu de forma minimamente eficiente para preservar um ecossistema vital para toda essa gente.

Imaginar um Rio pronto para os Jogos Olímpicos de 2016 com a Guanabara nas condições atuais é impossível. E, apesar dos rios de dinheiro já empregados em programas de despoluição e em saneamento, só um projeto de dimensões olímpicas parece adequado para reverter o quadro que vem causando progressivamente a morte da baía.

A Baía de Guanabara vai receber as competições de vela das Olimpíadas de 2016. Mas quem navega diariamente no espelho d’água, nos dias de hoje – cerca de 100 mil passageiros por dia, pelas contas da Barcas S.A. –, disputa espaço com uma quantidade inestimável de lixo lançado nas encostas e cursos d’água dos municípios no entorno da ‘boca banguela’ – como cantou Caetano Veloso, na música em que cita as impressões de Claude Levi Strauss sobre a baía.

Nessas condições, realizar uma competição olímpica é impensável. Palavra de quem entende. “O detrito prejudica a performance do velejador imediatamente. O lixo pode enganchar no barco e torná-lo lento. Eventualmente, é possível que isso defina ou modifique o resultado de uma regata. Repercutirá super mal”, argumenta o iatista com maior número de medalhas olímpicas, Torben Grael.

Gilberto Rodrigues Corrêa, de 58 anos, não é iatista. Mas entende como poucos o que é navegar na Guanabara. Ele é segundo oficial de máquinas da marinha mercante. Trabalha nas barcas há 34 anos fazendo o trajeto para Paquetá e para a Ilha do Governador. Em uma de suas viagens do dia, contou à reportagem do site de VEJA sobre a época em que os passageiros desembarcavam em Paquetá e ele aproveitava para mergulhar na baía, até o horário de retorno da embarcação ao Rio.

“O detrito prejudica a performance do velejador imediatamente. O lixo pode enganchar no barco e torná-lo lento. Eventualmente, é possível que isso defina ou modifique o resultado de uma regata. Repercutirá super mal”. Velejador Torben Grael.

Olhando para água, diz: “Sou um admirador disso daqui”. A cor da Guanabara já não é a mesma. De tão escura, não se vê nada além da superfície. Mergulhar? Nem pensar. “Piorou muito”, afirma. De uns tempos para cá, Corrêa passou a ver as barcas à deriva. O motivo é o lixo, que impede o prosseguimento da viagem até que o funcionário vá remover a sujeira.

Em um passeio pela baía, um passageiro avista sem dificuldades pedaços de isopor, peixes mortos, garrafas pet, sacolas de plástico, e, dependendo do dia, móveis, geladeira e até luvas de box. O lixo chega por 45 rios que desembocam nas águas da Guanabara. O esgoto também, pois nem 25% dele são tratados. O problema é visível: um terço da população do Rio de Janeiro vive em condições inadequadas, sem saneamento. O resultado não surpreende. A poluição dos rios do município de São Gonçalo, por exemplo, está 500% acima do permitido.

Quando o assunto é a despoluição da baía, o dinheiro some com a mesma facilidade com que o lixo aparece. Em 1993, o então governador Leonel Brizola lançou o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que durou até 2006 e custou um bilhão de dólares. Na prática, nenhuma diferença foi notada na baía. Três estações de Tratamento de Esgoto foram erguidas há mais de dez anos, mas até hoje não funcionam. O problema, nesse caso, não é de difícil compreensão: os ‘doutores’ da época não previram que, para chegar às estações, seria necessário existir a rede de esgoto, que continua incompleta.

Só agora, através de um novo projeto chamado Programa de Saneamento dos Municípios do entorno da Baía de Guanabara (PSAM), é que os troncos construídos para levar o esgoto serão interligados a essas estações. No caso de São Gonçalo, os dutos ainda não existem.

O PSAM terá recursos do PAC, do fundo estadual de conservação estadual e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ao total, serão 640 milhões de dólares. As obras têm início previsto em 2012 e será preciso correr contra o tempo para o investimento ter algum efeito a tempo dos Jogos Olímpicos. A ação, nesse caso, não pode ser isolada: o entorno da baía recebe a influência de uma área 10 vezes maior do que a dela. Ou seja, se todo o lixo e a poluição desaparecessem em um passe de mágica, mas nada fosse feito nos rios, na coleta de lixo de favelas nesse entorno, em algumas horas a poluição recomeçaria.

Os sedimentos não param de chegar à Baía de Guanabara em quantidade maior do que o natural. Um estudo feito pela UFF mostra que a taxa desses sedimentos na época de ocupação indígena era de apenas 0,14 centímetro ao ano, considerada normal. De 1922 a 1957, a taxa foi para 0,49 centímetro. No intervalo entre 1997 a 2004, a baía começou a perder 1,25 centímetros anuais. O resultado é uma ainda imperceptível, mas mortal, redução da profundidade do espelho d’água.

Algumas metas do PSAM para 2016: o funcionamento das três estações já prontas, a ampliação da maior estação de esgoto da cidade do Rio, chamada Alegria, de 2.500 litros por segundo para 7.400 litros, a criação de uma outra em Alcântara e a construção de dutos na Baixada Fluminense. O objetivo principal é aumentar de 30% para 60% o esgoto tratado no Rio de Janeiro, e dentro desse aumento a Guanabara não está sozinha – há ainda a Baixada de Jacarepaguá, toda a Barra da Tijuca e áreas com sistema precário em bairros próximos do centro do Rio.

O processo será lento. “Os benefícios sobre a baía não se darão imediatamente. Serão necessários anos para surtir efeito. Primeiro, vamos interromper a evasão de esgotos para o mar. Depois vem o processo de recuperação da baía”, afirma o superintendente da secretaria de estado do Ambiente, Gelson Serva, que tem a difícil tarefa de melhorar a situação da Baía de Guanabara até os Jogos Olímpicos. “Nas Olimpíadas sentiremos um avanço. Mas será progressivo até 2020”, prevê.

Educação e paciência – A ambição de melhorar significativamente a água da baía em cinco anos parece impossível. Primeiro teria que limpar todos os rios, o que já é muita coisa. Depois, tem a questão do lixo, que passa por uma tarefa ainda mais difícil: a educação. “É inviável deixar a Baía limpa até 2016”, afirma o professor de geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) José Antônio Baptista Neto. E a lista das tarefas vai além. Os lixões do entorno da Guanabara, como o de Gramacho, ainda lançam chorume. É trabalho para décadas. Pelos cálculos de Baptista, uma política séria de saneamento só teria efeito após 20 anos.

Voltar ao cenário que levava Dom João VI a se banhar na Baía de Guanabara é impossível. E mesmo com todo o dinheiro que se promete investir, os envolvidos na despoluição admitem que a meta é devolver à água um aspecto aceitável. Isso significa, em uma perspectiva realista, que se todas as promessas respeitarem o cronograma previsto, será possível chegar em 2016 com a baía um pouco menos escura e com uma quantidade menor de lixo boiando pelas águas. A construção de aproximadamente 40 ‘ecopontos' até o final de 2011 é uma ação da secretaria estadual do Ambiente que tem por objetivo reduzir a quantidade de dejetos despejados pela população nos rios.

“A Baía de Guanabara é a imagem do Brasil mais usada no exterior. Uma imagem suja também prejudica a imagem do país. Ela é a nossa sala de visitas. Os dois aeroportos ficam dentro dela”, argumenta Dora Negreiros, presidente da ONG Baía de Guanabara.

“A Baía de Guanabara é a imagem do Brasil mais usada no exterior. Uma imagem suja também prejudica a imagem do país. Ela é a nossa sala de visitas. Os dois aeroportos ficam dentro dela”. Dora Negreiros, presidente do Instituto Baía de Guanabara - IBG.

A professora de química da PUC-Rio Angela Wagener lembra ainda que outras ações são necessárias, como replantar a cabeceira dos rios e a mata ciliar. Caso contrário, a cada chuva continuará a chegar à baía uma enxurrada de sedimentos, causados em parte pelo desmatamento das florestas. O solo é lavado e levado para a Guanabara. “Não adianta dragar e não fechar as torneiras que levam os sedimentos e o material contaminado. Senão, é como tentar enxugar o oceano”, explica Angela.

Fonte: Revista VEJA

domingo, 24 de julho de 2011

Tripulações brasileiras comandadas por Martine e Haddad brilharam nos Jogos Militares

Tripulação brasileira da classe HPE, comandada por Martine Grael e com Isabel Swan, Fernanda e Renata Decnop e Juliana Mota, conquistou a medalha de ouro na categora feminina...

... e prata na categoria Open, na qual disputaram inclusive contra tripulações masculinas. Foram superadas apenas pela equipe da Ucrânia, comandada por Braslavets, que já foi medalhista olímpico na classe 470.

A tripulação masculina, comandada por Henrique Haddad foram campeões invictos na categoria Match Race.

Equipe brasileira de vela militar - feminina e masculina - posa vitoriosa com o técnico Riquinha Lebreiro, com o cmte Montes e com o almirante Gamboa.
Os representantes brasileiros na vela nos V Jogos Mundiais Militares arrebentaram. Na disputa na modalidade Match Race, os velejadores comandados por Henrique Haddad mostraram uma superioridade incontestável e venceram invictos.

Já as meninas venceram a disputa feminina também com facilidade, garantindo a medalha de ouro por antecipação, dois dias antes do fim da competição. Na continuidade, a tripulação comandada por Martine Grael buscou o título na categoria Open, que inclui todos os velejadores na classe, não apenas as tripulações femininas. No último dia de regatas - sexta feira, 22 de julho - as meninas não conseguiram superar o barco da Ucrânia, mas conquistaram a medalha de prata.

Um grande resultado, que foi comemorado como um presente muito especial por Torben Grael - pai de Martine - e pelo tio-coruja Axel Grael. Ambos celebravam também o aniversário na data.

Parabéns a toda a equipe.

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Todas as fotos são de Fred Hoffmann.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Tripulação de Martine Grael fatura medalha de ouro na Fleet feminina

Barco da filha de Torben ainda disputa o ouro na categoria Open Fleet

Capitaneada por Martine Grael, a equipe feminina da Marinha do Brasil conquistou, nesta quarta-feira, a medalha de ouro na categoria Fleet feminina dos Jogos Mundiais Militares. A embarcação, que também tem Isabel Swan, Juliana Motta, Renata Decnop e Fernanda Decnop garantiu o título com três regatas de antecipação.

Tripulação brasileira nos V Jogos Mundiais Militares, comandada por Martine Grael (filha de Torben Grael), garantiu a medalha de ouro com dois dias de antecipação e agora luta pelo título na categoria Open Fleet, que inclui as tripulações masculinas.

- Estamos muito felizes com o resultado. A consagração da medalha de ouro é a coroação de muito trabalho, não só da gente, mas também de toda a Marinha. Estamos em casa, então a sensação não poderia ser melhor. Essa medalha é para todo mundo que acompanhou a gente e também para quem está trabalhando nos Jogos. Essa vitória nos dá ainda mais força para lutar pela medalha no geral - disse Isabel Swan.

Velejadoras do Rio Yacht Club, Isabel Swan (medalha de bronze em Pequim) e Martine Grael (campeã mundial da juventude) fazem parte da tripulação brasileira nos V Jogos Mundiais Militares.

Martine - filha do campeão olímpico Torben Grael - e sua tripulação ainda estão na briga pelo ouro na categoria Open Fleet, em que participam barcos masculinos e mistos. O Brasil está na vice-liderança, com 29 pontos perdidos. A Ucrânia, líder, tem 25.

Fonte: Globo Esporte

10 anos da morte de Sir Peter Blake, assassinado por piratas no Amapá.

No Rio de Janeiro, Torben Grael encontra-se com Peter Blake, lenda da vela mundial, pouco antes do trágico assassinato do neozelandês por piratas no Amapá. Na ocasião, o velejador e ambientalista recebeu jovens velejadores da Baía de Guanabara e alunos do Projeto Grael. 

Peter Blake posa diante do Seamaster, barco laboratório no qual desenvolvia a campanha "Blake Expeditions", para alertar sobre os problemas ambientais dos rios e ocenos.

Peter Blake durante a Whitbread, regata de Volta ao Mundo vencida pelo velejador.
No dia 6 de dezembro fará 10 anos que um dos maiores velejadores da história, o neozelandês Peter Blake, foi assassinado por assaltantes que invadiram o seu barco próximo a Macapá, no Amapá. O velejador e ambientalista voltava de uma expedição de dois meses à Amazônia, a bordo do Seamaster, barco-laboratório que estudava o problema da contaminação da água do amr e dos rios pelo mundo.

A lamentável (e contrangedora para nós brasileiros) perda de Blake não foi suficiente para que medidas de segurança fossem tomadas para melhorar o policiamento das águas amazônicas.

Agora, diante da escalada dos casos de crimes cometidos contra barcos de transporte e de turismo nos rios da Amazônia, parece que há uma iniciativa de aumentar a fiscalização e a presença das autoridades policiais e da Marinha nas águas.

O episódio nos faz retornar a um tema fundamental. O Brasil precisa ter uma Guarda Costeira, que haja na segurança da navegação no nosso litoral, rios e hidrovias.

O Brasil deve ser o único país com grande extensão de águas navegáveis a não contar com uma Guarda Costeira.

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Leia mais sobre a segurança na Amazônia aqui no Blog: Pará quer criar força especial para combater a pirataria nos rios
Leia mais sobre o debate sobre a necessidade de uma Guarda Costeira no Brasil: Minha opinião, o exemplo do US Coast Guard
Saiba mais sobre Sir Peter Blake e as atividades da Sir Peter Blake Trust

Pará quer criar força especial para combater pirataria nos rios

Segurança precária ameaça o desenvolvimento do turismo náutico na Amazônia. Piratas da Amazônia já vitimaram Sir Peter Blake, um dos maiores velejadores da história e ídolo do esporte em seu país: a Nova Zelândia. Após aposentar-se da sua brilhante carreira nas regatas, Blake passou a dedicar-se a causas ambientais, alertando sobre os problemas de poluição dos oceanos e rios. Em 2001, quando concluía uma expedição de dois meses à Amazônia a bordo do barco-laboratório "Seamaster", foi assassinado por piratas no Amapá. Pouco antes do seu trágico fim, Peter Blake havia passado pelo Rio de Janeiro e recebeu alunos do Projeto Grael e outros jovens velejadores a bordo do "Seamaster", quando deu uma aula sobre meio ambiente e falou de sua missão em defesa do planeta.

Rio Xingu. Insegurança e riscos para navegadores.

João Fellet
Da BBC Brasil em Brasília


Uma lancha com 11 homens armados se aproxima de um navio. A quadrilha atira para o alto, obrigando a embarcação a parar, e sobe a bordo. Agride com socos e pontapés parte dos 140 passageiros, rouba todos os seus pertences e foge.

O ataque, ocorrido no mês passado, não teve como cenário o oceano Índico ou o Golfo de Aden, áreas de atuação de piratas somalis, mas sim o norte do Pará. Suas vítimas, que perderam cerca de R$ 15 mil em dinheiro, além de joias e celulares, viajavam entre Soure, maior cidade na Ilha de Marajó, e Belém, a capital do Estado.

Para impedir ataques como esse – só no primeiro semestre deste ano, foram registrados 18 casos semelhantes nos arredores da Ilha de Marajó –, a polícia do Pará pretende criar uma unidade antipirataria, que agregará policiais civis e militares, além de membros do Corpo de Bombeiros.

Em entrevista à BBC Brasil, o secretário de Segurança do Estado, Luiz Fernandes Rocha, afirma que o grupo reunirá entre 70 e 80 homens e terá como função “agregar forças de todas as instituições policiais para combater a pirataria de forma mais rápida, tornando as ações mais coordenadas e direcionadas”.

Segundo Rocha, um projeto de lei prevendo a criação da unidade, por ora batizada de Grupamento Fluvial, será encaminhado à Assembleia Legislativa assim que terminar o recesso de julho. Ele diz esperar que em até três meses o grupo, que desempenhará as funções de policiamento ostensivo, investigação e atendimento a vítimas, possa tornar-se efetivo.

“Mais do que baixar as ocorrências, nossa intenção é dar tranquilidade aos moradores, mostrar que polícia vai estar próxima deles”, afirma.

Barcos rápidos

Além da realocação de policiais e bombeiros, o secretário conta que a criação da unidade exigirá a compra de embarcações rápidas, para fazer frente à agilidade dos “ratos d’água”, como define os criminosos.

Rocha diz não saber, contudo, quantos veículos novos serão necessários, já que a secretaria deverá primeiro finalizar um levantamento sobre quantos barcos atualmente fora de uso por problemas técnicos poderão ser repassados à unidade.

Mais à frente, o secretário afirma que o grupo antipirataria poderá contar também com helicópteros – segundo ele, uma aeronave já está disponível, e há previsão de comprar outras três.

Rocha atribui a pirataria à disseminação das drogas no Estado. “Notamos que muitos municípios pequenos e distritos onde antes não havia casos relacionados ao consumo de drogas hoje já enfrentam problemas. E muitos usuários recorrem ao crime para sustentar o vício.”

"Notamos que muitos municípios pequenos e distritos onde antes não havia casos relacionados ao consumo de drogas hoje já enfrentam problemas. E muitos usuários recorrem ao crime para sustentar o vício."
Luiz Fernandes Rocha, secretário de Segurança do Pará
Ele nega, porém, que os ataques tenham se tornado mais frequentes, dizendo ter havido redução de 15% dos casos no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2010.

Ainda assim, a própria secretaria admite que muitos casos podem não ser registrados, já que há comunidades ribeirinhas isoladas, longe de delegacias.

Fase de testes

O delegado João Bosco Rodrigues, diretor de Polícia Especializada e encarregado pelas ações da Polícia Civil nos rios paraenses, diz à BBC Brasil que o novo grupamento antipirataria funcionou em caráter experimental há um mês, quando ocorreu a Operação Carnapijó.

Segundo Rodrigues, a operação agregou membros das polícias estaduais e da Marinha e identificou quadrilhas que atuam nas ilhas próximas a Belém.

Ele conta que há, entre os criminosos, grupos organizados, que detêm armamentos pesados e são provenientes de várias regiões do Estado, mas as quadrilhas em geral são compostas por ribeirinhos, que usam revólveres e conhecem muito bem as regiões onde atuam.

“Estamos na maior bacia hidrográfica do mundo. Nossa geografia favorece esse tipo de ação criminosa.”

Proteção armada

Enquanto o grupo não é criado, moradores se mobilizam contra os piratas. Um habitante de Abaetetuba, uma das cidades mais afetadas por ataques, conta à BBC Brasil que ribeirinhos estão comprando armas para se proteger.

Estamos na maior bacia hidrográfica do mundo. Nossa geografia favorece esse tipo de ação criminosa"

João Bosco Rodrigues, diretor de Polícia Especializada e encarregado pelas ações da Polícia Civil nos rios paraenses

Segundo ele, que não quis ser identificado, quatro piratas foram surpreendidos no fim de 2010 ao tentar furtar o motor de um barco aportado. No embate, dois criminosos teriam sido mortos.

O morador conta que a mobilização dos barqueiros ocorreu porque se tornaram frequentes, nos últimos anos, casos de pirataria na região. Os criminosos, diz ele, costumam visar embarcações pequenas, roubando seus motores e deixando os barqueiros à deriva. Por isso, afirma que muitos se recusam a viajar à noite, quando o risco de ataques aumenta.

Além das perdas materiais, os ribeirinhos temem os métodos violentos dos piratas. “Eles agridem de graça, atiram de graça, matam de graça.”

Também em resposta às ações, o morador conta que muitos barcos maiores, de linhas regulares, passaram a circular com seguranças armados à paisana entre os passageiros.

Fonte: BBC Brasil

terça-feira, 19 de julho de 2011

Votação para a criação de Santuário no Atlântico Sul é impedida por países caçadores de baleias


CBI possui 89 membros entre defensores e caçadores de baleias / Foto: Guarda La`

A votação para criação de um santuário destinado a cetáceos no Atlântico Sul foi recusada pelos países caçadores de baleia, liderado pelo Japão, nesta quinta-feira, 14 de julho, último dia da sessão anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI).

A iniciativa proposta pela Argentina e pelo Brasil provocou novos temores de tensões. Os delegados japoneses, seguidos pelos islandeses e por vários países africanos e caribenhos, abandonaram a sala de negociação quando o presidente propôs a votação. As negociações prosseguiam a portas fechadas.

CBI

A CBI, única instituição de gestão dos grandes cetáceos, prefere adotar as medidas por consenso para tentar superar as enormes divergências entre os países protetores de baleias e os caçadores (Japão, Noruega, Islândia e seus aliados).

Argentina e Brasil, dois dos 89 membros da comissão, solicitaram a votação da proposta de instaurar um santuário para impedir a caça comercial no Atlântico sul, uma medida mais simbólica que efetiva devido à moratória internacional em vigor sobre a prática.

Durante as discussões o comissário adjunto da delegação japonesa, Joji Morishita, alegou que pensou que “uma votação teria um efeito bastante negativo no bom ambiente que conseguimos criar nesta organização", mas afirmou compreender a importância da proposta. Morishita ainda disse que as delegações dos países caçadores abandonariam a sala para impedir o quórum necessário (45 países) para proceder a votação.

"Não acredito que se acontecesse uma votação isto seria o fim da Comissão Baleeira", defendeu o representante do Brasil, Marcus Paranaguá, que recordou que a proposta do santuário está sobre a mesa desde 2001.

Riscos para cetáceos

A CBI discutiu na segunda-feira, 11 de julho, a problemática dos lixos plásticos na superfície dos oceanos como uma ameaça para as baleias e os golfinhos.

No ano de 1999, uma baleia da espécie Cuvier encalhou com 33kg de plástico no corpo na cidade de Biscarrosse, na França. Outro fato marcante foi registrado em 2008, onde foram encontrados 134 tipos de redes nos estômagos de duas baleias da espécie Cachalote, encalhadas no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos.

"A ameaça dos dejetos de plástico para inúmeros animais marinhos foi estabelecida há tempos, mas a ameaça para as baleias e os golfinhos é menos clara", analisou o autor, Mark Simmonds, cientista-chefe da Sociedade para a Conservação dos Golfinhos e Baleias (WDCS, na sigla em inglês). "Mas já foi estabelecido que esses dejetos podem causar danos aos animais, seja porque os ingerem ou porque ficam enredados neles", concluiu.

Fonte: Ecodesenvolvimento

Mudanças climáticas levaram quase 20% dos municípios a situação de emergência em 2010

Enchente em Teresópolis. Foto Valter Campanato/ABr

Em 2010, quase 20% dos municípios brasileiros decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública por causa de eventos climáticos. No total, 1.084 notificaram às autoridades problemas graves como enchentes ou estiagem. Os números são da Agência Nacional de Águas (ANA), que vai divulgar nesta terça-feira, 19 de julho, um novo panorama dos recursos hídricos no Brasil, com dados de 2010. Em comparação com 2009, o número de ocorrências caiu cerca de 40%.

De acordo com os dados, 563 municípios brasileiros decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública devido à ocorrência de cheias, causadas por chuvas acima da média histórica. Os estados mais atingidos foram São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Bahia e os da Região Sul.

Já a estiagem atingiu principalmente o Semiárido e a região amazônica, que concentram a maioria dos 521 municípios que tiveram problemas severos com a falta de chuvas.

O Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil – Informe 2011 também trará dados sobre a qualidade das bacias brasileiras, a quantidade de água usada para irrigação, a geração hidrelétrica e a gestão dos recursos hídricos no país.

Fonte: Ecodesenvolvimento