sábado, 3 de outubro de 2009

Lars Grael: "Por um Brasil Olímpico"


Publico, a seguir, artigo de autoria de Lars Grael, distribuído por sua Assessoria de Comunicação.


Por um Brasil Olímpico

Estamos todos eufóricos com a conquista histórica do Rio 2016! Quem percebeu que no anúncio final já não existia a presença da SMR Juan Carlos, já havia notado que aquela era a senha de que o Rio tinha sido a cidade escolhida. Vitória do COB, dos três níveis de governos - e da política de seus governantes -, dos atletas e de todos que apostaram na vitória brasileira. Um placar de 66 a 32 foi uma vitória contundente! Triunfo do Brasil que emerge do Terceiro Mundo para um patamar de respeitabilidade de uma nação que merece e exige reconhecimento. A estabilidade democrática, a estabilidade da moeda, o crescimento de nossas empresas privadas para o status de empresas transnacionais, nossas conquistas esportivas, nossa auto-suficiência energética, a captação da Copa do Mundo, dentre outros fatores, deram ao Brasil esta imagem de credibilidade comprovada pelos membros do Comitê Olímpico Internacional.

Nosso próximo alvo será a conquista de uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU. Isto, se não tropeçarmos na relação incestuosa com líderes populistas de caricatas repúblicas da banana. Com os jogos de 2016, virá um novo ciclo de investimentos e prosperidade econômica para o Rio de Janeiro e muito mais foco ao esporte brasileiro. Chamo atenção porém, que mais importante que sediar uma Olimpíada pura e simplesmente - como Atlanta e Atenas -, ou modernizar e valorizar uma metrópole – caso de Barcelona, Sidney e Pequim -, o imperativo é criarmos um Brasil verdadeiramente olímpico.

O Brasil Olímpico seria o reencontro da Educação com o Esporte. Seria propagar os conceitos olímpicos como meio de valorização da juventude. Seria promover o esporte como meio de inclusão social, de prevenção a vi olência, de propagação de uma cultura da paz, de promoção de bem estar e qualidade de vida. Para toda a população. Teríamos que ter em mente, que tão importante quanto sediar os Jogos Mundiais Militares, a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, seria organizar o maior e mais abrangente Jogos Estudantis Brasileiros, por exemplo.

"O Brasil Olímpico seria o reencontro da Educação com o Esporte".

Por que não? Nós podemos! Políticas de Educação e Saúde não irão prosperar sem estar harmonizadas com a política do esporte e da valorização do Profissional de Educação Física. Não devemos construir instalações desportivas sem antes respeitarmos o dinheiro público e recuperarmos os equipamentos esportivos abandonados e sucateados em todo território nacional. Não devemos tomar decisões, sem ouvir os atletas. O Atleta tem credibilidade e prestígio para defender muitas causas. E o Rio 2016 foi a mais importante delas. Por outro lado, o atleta formador de opinião e consagrado, tem que ter direito ao voto e a parcela relevante da definição de uma política esportiva. Tem que ser um protagonista e não mero coadjuvante. Capacitar os gestores esportivos e profissionalizar a gestão esportiva pública e privada, será outra necessidade. Toda a nossa respeitabilidade advirá da transparência destes atos e da democratização das entidades de administração do desporto.

"Teríamos que ter em mente, que tão importante quanto sediar os Jogos Mundiais Militares, a Copa do Mundo de Futebol e os Jogos Olímpicos, seria organizar o maior e mais abrangente Jogos Estudantis Brasileiros, por exemplo".


O Brasil flertou com as candidaturas olímpicas de Brasília 2000 e Rio 2004. Na candidatura de Rio 2008, jogou para adquirir experiência e poder ganhar no futuro. Em 2000, estive eu, o Ministro Carlos Melles e Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, em uma audiência na sede do COI, em Lausanne, na Suiça, com seu então presidente, o espanhol madrilenho Juan Antonio Samaranch. Perguntamos a ele com franqueza, qual seria a chance do Brasil sediar uma Olimpíada? Ele disse, "...provem primeiro à comunidade esportiva internacional, que vocês podem organizar com magnitude um evento continental..." Surgiu então, em 2001, o projeto Panamericano de 2007. Antes conquistamos os Jogos sulamericanos da ODESUR de 2002. E isso foi vital para conquistarmos os votos dos nossos vizinhos. Depois superamos a cidade de San Antonio, nos EUA, e conquistamos o Pan Rio 2007. A receita estava certa e Nuzman e seus aliados trabalharam diuturnamente para esta conquista. Mérito ainda do Ministro Orlando Silva, do Governador Sérgio Cabral, do Prefeito Eduardo Paes, dos atletas lá presentes - dentre eles meu irmão Torben -, e da forte credibilidade internacional do Presidente Lula.

Passada a euforia, começemos a pensar no Brasil Olímpico, de TODOS!

Lars Grael

Medalhas de bronze nos Jogos Olímpicos de Seul e Atlanta.
Ex-Secretário Nacional de Esporte (2001/2002)
Ex-Secretário da Juventude, Esporte e Lazer do Estado de SP (2003/2006)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Comemorando o Rio Olímpico

Escrevo aqui no calor do resultado, como um amante do esporte, como um emocionado torcedor do Rio de Janeiro e, portanto, peço desculpas pela perspectiva pessoal da minha comemoração aqui na Coluna. Enfim, chegou a notícia tão esperada: o Rio será a sede olímpica dos Jogos de 2016! E podemos nos orgulhar que conseguimos isso ralando muito. Foram três candidaturas, muitos erros e muitos aprendizados para, enfim, conquistar a direito de sediar os Jogos Olímpicos, o maior evento da Terra. Eu tive a sorte de participar, de diferentes formas, da preparação das três candidaturas e sou testemunha do amadurecimento do projeto Rio de Janeiro. O que apresentamos agora em Copenhague tinha realmente qualidade e merecia vencer. E, enquanto esperava angustiado pelo resultado, muita coisa passou na passou na minha cabeça: a decisão foi na Dinamarca, terra de origem do meu avô, Preben Schmidt, um pioneiro do esporte da vela no Brasil. E, como um representante do seu legado, lá estava meu irmão, Torben Grael, recordista mundial de medalhas olímpicas na vela, fazendo parte da delegação brasileira. O número que os votantes teriam que digitar para votar no Rio de Janeiro era 7, número de medalhas olímpicas conquistadas pelos meus irmãos: cinco do Torben e duas do Lars. A porta-voz dos atletas brasileiros era a bela e talentosa velejadora niteroiense e medalhista olímpica em Pequim, Isabel Swan, do Rio Yacht Club. Muitas outras evidências pareciam prenunciar a sorte do Rio de Janeiro.
Como o meu irmão Lars Grael me disse antes que o Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (e ex-velejador olímpico da classe Finn), lesse o resultado final da eleição, já se podia antecipar que a vitória seria carioca, pois Sua Majestade o rei Juan Carlos da Espanha, já não estava no local destinado à delegação madrilenha. E veio o resultado: o Rio teve uma vitória contundente: 66 a 32 votos. Enfim, ganhamos por que era a nossa vez, era a vez de uma olimpíada sul-americana. Mas como disse em entrevista o economista Sérgio Besserman, ganhamos os Jogos também por que temos história esportiva, um mercado promissor e um projeto convincente. Bem, garantir para o Rio os Jogos de 2016 é apenas o começo e, como disse em Copenhague o presidente Lula, o trabalho começa hoje, imediatamente. Mãos a obra Rio, mãos a obra Brasil.
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Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 03/10/10.

O legado mais importante

Uma das mais insistentes perguntas dos técnicos e dirigentes do COI era sobre o legado. O que o Rio herdará dos investimentos da Rio 2016? Não há dúvidas que teremos muitos investimentos que disponibilizarão novos equipamentos, infraestrutura, serviços, imagem, etc. Mas, creio que o legado mais importante a ser celebrado pelo Rio de Janeiro será expurgar o baixo astral, o derrotismo que já foi tão deletério para o Rio de Janeiro.
É a minha opinião que mesmo se tivéssemos perdido a indicação olímpica, já teríamos como legado a construção de um projeto de cidade, de futuro e uma motivação para o consenso, algo tão raro na história do nosso estado. A Rio 2016 será a oportunidade de motivar a construção de um novo Rio de Janeiro. Problemas? Claro que temos, mas temos tudo para superá-los. A cidade nunca teve uma conjuntura tão favorável.
Escrevendo sobre o assunto em seu Blog, Lars Grael afirma que mais importante que sediar uma Olimpíada pura e simplesmente (como Atlanta e Atenas) e modernizar e valorizar uma metrópole (Barcelona, Sidney e Pequim), é criar um Brasil Olímpico. O Brasil Olímpico seria o reencontro da Educação com o Esporte. Seria propagar os valores olímpicos como meio de valorização da juventude. Seria promover o esporte como meio de inclusão social, de prevenção a violência, de propagação de uma cultura da PAZ, de promoção de bem estar e qualidade de vida. Teríamos que ter em mente, que tão importante quanto sediar os Jogos Mundiais Militares, Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos, seria organizar o maior e mais abrangente Jogos Estudantis Brasileiros. Investir na base social do esporte. Como dizem Obama e Lula: Nós podemos, não?
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Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 03/10/09.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Velejadores (d)eficientes fazem história no Clube Naval


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Júlio, Jonas e Guta fazem parte do grupo de velejadores da iniciativa de vela adaptada do Clube Naval Charitas. (Foto do Orkut de Samuel Gonçalves)
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Niterói é o berço da vela no Brasil. O primeiro iate clube, as primeiras regatas...


Passado o tempo, a primazia transformou-se em qualidade. Ao longo das décadas, Niterói tornou-se a cidade do maior número de medalhistas olímpicos, do maior número de medalhas e nos barcos que velejam nas águas de Niterói estão inúmeros atletas que já conquistaram dezenas de títulos mundiais... Enfim, a cidade é sem dúvida a maior referência da vela nacional.

Quem tem estado no mar, tem testemunhado que mais uma vez Niterói, atraves do Clube Naval Charitas, dá exemplo ao país. Uma tripulação muito especial tem sido presença constante. Darke de Mattos, Rossano e Jonas, formam uma tripulação de deficientes físicos. O primeiro tem uma paralisia num lado do corpo, outro veleja sem ter as duas mãos e o terceiro é cego. O quarto tripulante é a Zuca, o cão guia de Jonas, que não abandona o seu parceiro nem na hora de velejar e, de clandestina a bordo, já é parte integrante da tripulação. Como treinador, mais uma pessoa muito especial: Samuel Gonçalves. Samuel iniciou-se na vela no Projeto Grael e também conquistou o seu espaço na vela com muito talento e determinação.

Não deixe de ver uma matéria recentemente veiculada pelo SporTv sobre essa galera que vai longe.


http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM1121705-7824-ATLETAS+PARAOLIMPICOS+DO+IATISMO+BRASILEIRO+JA+SONHAM+COM+OS+JOGOS+DE,00.html

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

COB divulga equipe de atletas que reforçará o lobby da Rio 2016

Edson Arantes do Nascimento, Pelé, desembarcou na tarde deste domingo, dia 27 de setembro, em Copenhague, Dinamarca, para defender a candidatura Rio 2016 à sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. Pelé, o primeiro embaixador da candidatura brasileira, chega para liderar o time de 15 atletas que irão participar desta última semana de campanha na capital dinamarquesa.Pelé causou comoção ao desembarcar no aeroporto de Copenhague, posando para fotos e autografando camisas de crianças. Ele disse estar feliz e confiante no trabalho desenvolvido pelo Comitê Rio 2016. "Só jogo em time vencedor", declarou. "Vim agora dos Estados Unidos e, conversando com as pessoas, tenho sentido que o Brasil tem aqui sua grande chance. A América do Sul nunca teve uma Olimpíada. São 500 milhões esperando por essa oportunidade".
Até quinta-feira, estarão se unirão a Pelé, em Copenhague, os seguintes atletas olímpicos e paraolímpicos:

-Adriana Behar, medalhista olímpica, vôlei de praia (prata, Sydney 2000 e Atenas 2004)
-Bernard Rajzman, medalhista olímpico, vôlei (prata, Los Angeles 84)
-Cesar Cielo, medalhista olímpico, natação (ouro -50m livre, bronze -100m livre, Pequim 2008)
-Daiane dos Santos, atleta olímpica (Atenas 2004, Pequim 2008), ouro no Campeonato Mundial de Ginástica 2003
-Daniel Dias, nove medalhas paraolímpicas (quatro ouros, quatro pratas, um bronze, Pequim 2008)
-Edson Arantes do Nascimento (Pelé), eleito Atleta do Século pelo COI e tricampeão mundial de futebol
-Gustavo Kuerten, atleta olímpico ( Sydney 2000 e Atenas 2004), tricampeão em Roland Garros (1997, 2000 and 2001)
-Hortencia Marcari, medalhista olímpica, basquete (prata, Atlanta 1996)
-Isabel Swan, medalhista olímpica, vela (bronze, Pequim 2008)
-Janeth Arcain, medalhista olímpica, basquete (prata, Atlanta 1996 e bronze, Sydney 2000)
-Roseane Ferreira dos Santos, medalhista paraolímpica, atletismo (dois ouros, Sydney 2000)
-Torben Grael, medalhista olímpico, vela (ouro, Atlanta 1996 e Atenas 2004; prata, Los Angeles 1984; bronze, Seul 1988 e Sydney 2000).

Completam o time de atletas três jovens que representam o futuro do esporte brasileiro e o poder de transformação e de inclusão social pelo do esporte: Bárbara Leôncio, ouro nos 200 m rasos no Mundial de Menores, em Ostrava 2006; Paula Andressa Dias Clementino, do atletismo e Vitor Hugo Silva Mourao dos Santos, do judô. Ainda no esporte, o treinador Carlos Alberto Parreira, campeão mundial de futebol (Copa do Mundo de 1994), também estará em Copenhague para declarar seu apoio ao Rio 2016.
O time de 15 atletas integra a delegação oficial do Rio 2016, composta por 60 (sessenta) pessoas, número determinado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para todas as cidades candidatas. Além do esporte, a delegação contempla representantes dos três poderes do Estado brasileiro (Executivo, Legislativo e Judiciário) e de setores da sociedade, com o objetivo de reafirmar aos membros do COI o total apoio e garantias institucionais apresentadas ao longo da candidatura.
O Rio de Janeiro disputa a sede dos Jogos Olímpicos com Chicago, Madri e Tóquio. A cidade sede será escolhida na próxima sexta-feira, dia 2 de outubro, durante a 121ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional, em Copenhague.

Do site do Comitê Olímpico Brasileiro 2016: www.cob.org.br

Uma ótima frase

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domingo, 27 de setembro de 2009

Novos tempos no Parque Estadual da Serra da Tiririca

Pedra de Itaquatiara. Parque Estadual da Serra da Tiririca. Foto Axel Grael.

Lembrando as origens do Parque da Serra da Tiririca

Tenho orgulho de ter participado do grupo de ambientalistas que sonhou e lutou pela criação do Parque, a partir do final da década de 80. Depois, em 1991, eu era o presidente do IEF - Instituto Estadual de Florestas (órgão já extinto e que administrava os parques estaduais), quando conseguimos na ALERJ- Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, a aprovação da Lei que criou o Parque. A história mostra que, quase sempre, a criação das unidades de conservação ocorre por iniciativa governamental. No caso da Serra da Tiririca, a proposta foi uma rara iniciativa de origem comunitária.

Coube a ambientalistas do Movimento Cidadania Ecológica (que eu presidia na ocasião, mas que teve como liderança no projeto “Tiririca”, os biólogos Paulo Bidegain e Alba Simon - que contaram com os trabalhos pioneiros dos também biólogos Jorge Antônio Lourenço Pontes, Paulo Carvalho e do geólogo Cláudio Martins), dar forma ao estudo técnico que embasou a criação do Parque. Do Cidadania Ecológica surgiu até mesmo a minuta de projeto de lei que foi apresentada ao presidente da Comissão de Meio Ambiente da ALERJ, o deputado Carlos Minc (hoje ministro do Meio Ambiente), que, por sua vez, deu prosseguimento à tramitação do Projeto de Lei. Muitas outras pessoas e organizações participaram ativamente do processo, contribuindo, principalmente com a mobilização comunitária e a vigília militante que afastou muitas ameaças, em particular da ação imobiliária que sempre cobiçou as terras da Serra da Tiririca. A aprovação da Lei 1901/91 consolidou a iniciativa destas organizações da sociedade civil de Niterói a Maricá.

De lá para cá, foram muitas lutas coletivas, mas, também, muitas brigas internas na militância. Esse parece ser um mal inevitável nas lutas sociais, tão suscetíveis às naturais divergências de opiniões, mas principalmente às vaidades, “estrelismos”, ambições eleitorais, aparelhamentos partidários, enfim, coisas do mundo real.

Parque avança

Depois de tanta luta, é uma grande satisfação ver o belo trabalho realizado pela atual administração do Parque Estadual da Serra da Tiririca, onde o engenheiro florestal Adriano Melo e sua equipe avançam na proteção do Parque com muita consistência e determinação.

Os tempos agora são outros. O Parque avança ainda com o apoio da comunidade, mas agora também com o respaldo de uma estrutura institucional que se aperfeiçoa, se organiza e mostra resultados. Temos agora com a infraestrutura da Sede do Parque, trilhas com melhores cuidados, uma equipe com um maior número de profissionais, viaturas. Podemos dizer que ainda estamos longe do ideal, mas os avanços são claros e precisam ser reconhecidos e celebrados. Li hoje a notícia da criação de um corpo de voluntários que já chega a 80 pessoas formalmente cadastradas e que passarão por treinamentos para potencializar a sua atuação. Ótima iniciativa. É um grande alento ver se reconstituir em torno do Parque uma nova militância cidadã e voluntária, agora motivada pela própria estrutura administrativa do Parque.

O maior protagonismo governamental na conservação da Serra da Tiririca não é nem melhor, nem pior do que tínhamos antes, é apenas um cenário diferente. Afinal, não era com isso que sonhávamos? Embora, nunca tenha deixado de existir uma militância em torno do parque, esta perdeu contingente, energia e o seu foco com o passar dos anos. A volta de uma militância mais ativa, representativa e independente também seria saudável para que os avanços se consolidem e evitar que se retroceda, hipótese que nunca se pode descartar.

O que aconteceu com os antigos ambientalistas?

A desmobilização não foi um fenômeno específico da luta pela Serra da Tiririca, mas considero que todo o movimento associativista, ambientalista ou comunitário, retrocedeu nos últimos anos. Quem viu a força das associações comunitárias nos anos 80 e início dos anos 90, e vê o que restou agora, não pode ter outra conclusão. De lá para cá, paradoxalmente, enquanto a temática ambiental ganhava gradativamente o grande público, os ambientalistas fluminenses foram saindo de cena. As ONG’s atuais, ou mudaram de forma de atuação (em muitos casos passaram a se assemelhar a escritórios de projetos) ou perderam organicidade e, por conseguinte, a legitimidade. Com a desmobilização, ONGs viraram ING’s (indivíduos não-governamentais) e até IG’s (indivíduos Governamentais). Salvo raras e heroicas excessões, são poucos e abnegados "gatos-pingados" por trás de cada grife associativa. Não desmereço essas iniciativas, muito pelo contrário, até colaboro com algumas, mas o fato é que elas já não conseguem mais a mesma repercussão na sociedade de tempos atrás.

O problema é que fracassamos na renovação de quadros nessas ONG’s. Não sei se podemos culpar a despolitização e o individualismo das novas gerações ou se devemos vestir a carapuça e reconhecer que menosprezamos a importância da atração de novos militantes. As longas e intermináveis brigas nas trincheiras ambientalistas podem também ter afastado essa nova militância, desinteressada em atuar em campo tão deteriorado por conflitos pessoais menores.

Axel Grael

sábado, 26 de setembro de 2009

Na surdina, Congresso reduz UCs

O Congresso Nacional parece mesmo ter tomado gosto por atos secretos, obscuros e afins. A última foi aprontada na última terça-feira durante a votação na Câmara de emendas apresentadas à Medida Provisória (MP) 462 - destinada originalmente a ajudar os municípios a enfrentar a queda de receitas provocada pela crise financeira internacional. No processo foram incluídas proposições que não tinha nada a ver com tema, prática que tem sido chamado pelos próprios deputados (os honestos no caso) de contrabando. E surpresa, as propostas aprovadas reduzem unidades de conservação e facilitam o licenciamento de obras danosas ao meio ambiente.

A emenda nº 7 trata da alteração dos limites da Reserva Extrativista (Resex) Baia do Iguape (BA), unidade de conservação localizada na área mais preservada da Baia de Todos os Santos – estuário do rio Paraguaçu. “O objetivo desta alteração é liberar área da Resex para a construção de um Polo Industrial Naval, projeto proposto e defendido pelo governo da Bahia”, alerta Rogério Mucugê, representante do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá).

A emenda nº 6 inclui o Porto Sul em Ilhéus (BA) no Plano Nacional de Viação. “Lá, resta uma das mais importantes áreas de remanescentes de Mata Atlântica do país. A preservação de sua zona costeira é considerada pelo Ministério do Meio Ambiente fundamental para a conservação marinha”, aponta Leandra Gonçalves, da Campanha Oceanos do Greenpeace. “O senador Romero Jucá, autor dessa proposta, tem, entre seus financiadores de campanha, empresas portuárias e por isso quer agora passar o trator em cima da área”,diz a ambientalista. A emenda nº 21 prevê uma redução drástica nos limites da Floresta Nacional (Flona) de Roraima, que passaria a ter apenas 6,3% de seu território original. De uma área atual de 2,66 milhões de hectares, a Flona ficaria com 167 mil hectares.

Do site O Eco, www.oeco.com.br , em 25/09/09.

Semana decisiva para o Rio Olímpico!!!


Está chegando a hora! Na próxima sexta-feira, dia 02 de outubro, o Comitê Olímpico Internacional (COI) se reunirá em Copenhagem, na Dinamarca, para decidir qual cidade será a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Confesso que inicialmente fui muito cético quanto às chances do Rio ser escolhido, mas, hoje, vejo que uma vitória do Rio de Janeiro é uma possibilidade muito plausível. Já na terceira candidatura, o Rio conseguiu amadurecer muito e a sua proposição ganhou força e consistência.

Na longa trajetória, o Rio venceu etapas: sediou o Pan 2007, trouxe os jogos mundiais militares (2010), a Copa do Mundo de Futebol (2014) e até promoveu, recentemente, importantes eventos da vela, como o Campeonato Mundial de Optimist, o Mundial da Juventude de Búzios. Tudo isso fez crescer a credibilidade do Rio e do Brasil para promover a milionária festa olímpica. Além disso, a conjuntura ajuda o Rio. Outras cidades candidatas (Tóquio, Madri e Chicago) contavam prioritariamente com investimentos privados e foram prejudicadas pela crise financeira mundial, forçando-as a mudanças de rumo de última hora para atrair investimentos públicos. Isso lá fora não é fácil. A governança do cidadão sobre o orçamento público é muito mais efetiva do que aqui e as prioridades de investimento são pactuadas pela sociedade em complexos e longos processos de negociação. Mudanças nessas prioridades demanda uma repactuação do destino dessas verbas, o que não é uma tarefa trivial.

A maior dependência de recursos públicos afastou o consenso em torno dos Jogos e as candidaturas passaram a enfrentar uma significativa oposição local. Diferente de seus concorrentes, o Rio de Janeiro, desde o início, construiu a sua proposta em torno de recursos públicos e conta com os Jogos para alavancar investimentos e avançar para a solução de seus problemas sociais, ambientais e de infraestrutura. A candidatura do Rio é de fato a mais consensual.
Mas, teremos que torcer bastante, pois a história mostra que nem sempre as decisões dos representantes que votam na Assembléia do COI seguem lógicas muito lineares. Até a sexta feira ainda haverá muito trabalho de bastidor e, para a defesa da Rio 2016, o COB convocou uma verdadeira tropa de elite. De Niterói, partem para Copenhagem os medalhistas olímpicos Torben Grael e Isabel Swan para reforçar o lobby brasileiro. Boa sorte ao Rio.
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Publicado na Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 26/09/09.

Brasil 1, o filme!


Amanhã, 27/09/09, às 19:30, haverá a pré-estréia do filme Senhores do Vento: uma odisséia do Brasil na Regata Volvo Ocean Race, como parte do Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, na Avenida Barão de Tefé, 75, Zona Portuária do Rio de Janeiro. O filme é um documentário de Isabella Nicolas e registra a saga do Brasil 1, barco comandado por Torben Grael na edição de 2005/2006 da regata. Mesmo tendo quebrado um mastro e passado por muitas dificuldades, na sua primeira participação na regata de volta ao mundo, o barco brasileiro conquistou um lugar no pódio, terminando em terceiro lugar. A experiência do Brasil 1 motivou a segunda participação de Torben Grael na Regata de Volta ao Mundo, em competição que terminou em junho de 2009, com a vitória do velejador de Niterói.
Da Coluna Rumo Náutico, Jornal O Fluminense, 26 de setembro de 2009.