quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Educação integral é ameaça a ONGs?

Fonte: Jornal Brasil Econômico


06/12/2010 - A aprendizagem é ponto crítico para a melhoria da educação. Apesar dos avanços, o último relatório da organização Movimento Todos pela Educação, aponta, por exemplo, que apenas 11 em cada cem estudantes do terceiro ano do ensino médio saem da escola com o conhecimento esperado em matemática.

Sem ensino de qualidade, deficiências como essa não se resolvem. A busca de solução está na educação de tempo integral, sistema que prevê, a partir da jornada ampliada na escola, a diversificação do currículo, com conteúdos que podem dar mais vida aos aprendizados obrigatórios e colocar o mundo atual dentro da escola.

Significa a possibilidade de aulas mais atraentes e significativas, essenciais para combater a evasão escolar.

O programa Mais Educação, do MEC, vai nessa direção. É recente, começou a ser implantado nas redes públicas estaduais e municipais de ensino em 2008, certamente inspirado, em certa medida, no trabalho que organizações da sociedade civil já faziam e fazem, oferecendo a crianças, adolescentes e jovens atividades no contra-turno escolar (esporte, artes, tecnologia, preparação para o trabalho).

Ou seja, uma garantia de ganho de qualidade no ensino enquanto a política pública dá seus primeiros passos.

A educação integral é ainda um cenário para o futuro, mas há organizações não governamentais receosas de perder espaço nesse caminho.

"Hoje, a maioria das ONGs oferece seu programa no contra-turno: se o aluno vai à escola de manhã, participa das atividades à tarde. Se a escola será de turno único, como será possível?", pergunta Axel Grael, que comanda o Projeto Grael, um dos finalistas na última edição do Prêmio Empreendedor Social.

Grael acha necessário e possível conciliar, "fazendo com que a atuação destas organizações sejam mais integradas na agenda da escola".

Maria Antonia Goulart, até recentemente na coordenação de um bem-sucedido programa de educação na rede pública de ensino de Nova Iguaçu (RJ), lembra que o Mais Educação do MEC tem como um de seus pilares a aliança do poder público com a sociedade civil, garantindo inclusive recursos por meio do projeto Dinheiro Direto na Escola.

Em Nova Iguaçu, as ONGs também puderam atuar participando de editais que geraram convênios. "Fizemos parcerias com mais de 50 instituições locais. O requisito básico é o trabalho da ONG estar alinhado com o projeto pedagógico da escola e a política educacional", diz Goulart.

Há muitos outros aspectos a administrar. Às vezes, há uma visão equivocada de que a escola fica com a parte "pior" (o português, a matemática) e a ONG com a "boa" (as atividades de natação, teatro ou de tecnologia).

Outra questão é o espaço. Se a escola não comporta todas as atividades ou quer oferecer ao aluno outros locais de aprendizagem, precisa garantir a mobilidade segura.

Para Fernando Rossetti, diretor executivo do Gife, grupo que reúne instituições, fundações e empresas com projetos sociais, a maioria na área de educação, um desafio para as ONGs é a profissionalização.

Elas precisam de gestão transparente para atuarem como parceiras na política pública. Outro desafio está na postura: ver nessa política uma ameaça ou uma oportunidade para inovar?

Lélia Chacon é jornalista e editora do site e revista Onda Jovem, do Instituto Votorantim.

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http://www.semesg.org.br/pt-br/site.php?secao=noticias&pub=2160

Projeto Grael - Formatura das Turmas 2010 (com correção no horário)

Projeto Águas Limpas, que retira o lixo flutuante da Baía de Guanabara, lança o seu Blog

O Projeto Águas Limpas, uma parceria entre o Projeto Grael, a empresa Águas de Niterói, a Clin e o Ministério Públido do Estado do Rio de Janeiro, tem por objetivo manter uma rotina permanente de retirada do lixo flutuante da Baía de Guanabara. Para executar esta tarefa, foi adquirida uma embarcação especial para esta finalidade e foram capacitados três ex-alunos formados pelo Projeto Grael para a sua operação.

Agora você poderá saber mais sobre o desenvolvimento deste trabalho acessando o Blog http://www.projetoaguaslimpas.blogspot.com/

Reproduzimos, a seguir, notícia postada no Blog:

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INÍCIO DAS CHUVAS DE VERÃO


Embarcação Águas Limpas, trabalhando duro para dar conta de tanto lixo.

No primeiro final de semana de dezembro de 2010, após fortes chuvas na região do fundo da Baía de Guanabara, batemos um recorde de lixo flutuante retirado da enseada de Icaraí. Nos dois dias foram recolhidos cerca de 300kg de lixo flutuante. No domingo, chamou a atenção a presença de uma significativa quantidade de barcos de oferenda. Um deles, de aproximadamente dois metros de comprimento, poderia apresentar perigo à navegação durante a noite. O material foi retirado com todo o respeito ao culto religioso e também ao meio ambiente.



Um perigo ã navegação.
Foi recolhido um tronco de árvore nos arredores da enseada de Icaraí. O tronco, pesando cerca de 50kg, estava apenas com uma pequena parte aparente na superfície da água e que facilmente poderia atingir uma embarcação desavisada ou até mesmo o Catamarã (Charitas - Pç XV), como já tem ocorrido.


Veja notícia de incidente envolvendo o sistema de barcas Rio-Niterói.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Projetos ambientais ajudam a conhecer e melhorar a Baía de Guanabara

Registro de grande aglomeração de lixo flutuante na Baía de Guanabara. Foto da equipe do Projeto Grael participante do Projeto Baía de Guanabara

Lixo na Baía de Guanabara. Foto Projeto Baía de Guanabara.


Localização do ponto onde a mancha de lixo foi localizada a mancha de lixo acima.

Embarcação Coral, especialmente adquirida para o trabalho de monitoramento das correntes da Baía de Guanabara. Na foto, a tripulação composta por ex-alunos do Projeto Grael (que registrou as imagens acima) simula a atividade de lançamento de derivadores, equipamentos que registram as correntes. A bordo, Marina Silva (homônima da ex-candidata à presidência), madrinha do barco.


As fotos acima registram parte da rotina dos ex-alunos do Projeto Grael, hoje contratados para atuar no Projeto Baía de Guanabara que visa levantar dados coletados in loco que ajudem no conhecimento e na divulgação da qualidade ambiental da aía.

O Projeto Baía de Guanabara é uma iniciativa da BG Brasil, da Prooceano, do Projeto Grael e dos laboratórios LAMMA (UFRJ) e LAMCE (COPPE-UFRJ).

Através do Projeto, são gerados dados semanais sobre as correntes, coletados com o auxílio de derivadores, em jornadas de 12 horas, correspondentes a um ciclo de maré. Os dados são disponibilizados ao público através do site http://www.projetobaiadeguanabara.com.br/, onde pode-se também obter mais informações sobre a metodologia utilizada.

Além do Projeto Baía de Guanabara, o Projeto Grael também desenvolve outra iniciativa envolvendo os seus alunos, visando retirar das águas da Baía o lixo flutuante. Trata-se do Projeto Águas Limpas, que tem a parceria da empresa Águas de Niterói - concessionária de águas e esgoto da cidade - e a CLIN, empresa municipal responsável pela limpeza de Niterói, além do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Embarcação Águas Limpas, operado por ex-alunos do Projeto Grael, treinados para retirar o lixo flutuante da Baía de Guanabara. 

Revista Náutica: Três alunos do Projeto Grael são selecionados para correr Cape Town-Rio

08/12/2010 - 12:33

Três alunos foram convidados para correr a famosa regata internacional

Da Velassessoria
Assessoria de imprensa

Três alunos do Projeto Grael, em Niterói foram selecionados para participar da regata Cape Town-Rio, que acontecerá entre janeiro e fevereiro de 2011. O convite partiu do comodoro do Royal Cape Yacht Club, John Martin, durante visita ao Rio de Janeiro para tratar da realização da Regata Cidade do Cabo-Rio, em parceria com o Iate Clube do Rio de Janeiro.

Samuel Gonçalves, Alex Sandro Mattos e Hallan Batista embarcam no dia 1° de janeiro para a África do Sul graças ao patrocínio da empresa Wellstream, que atua no setor offshore. A largada da competição está prevista para acontecer no dia 15 de janeiro. Os três jovens atravessarão o Atlântico a bordo de um veleiro de 41 pés da Marinha da África do Sul. Eles virão acompanhados por outros três tripulantes sul-africanos. A estimativa é que a travessia até o Rio de Janeiro dure entre 15 e 20 dias, sem escalas. Antes da viagem, os meninos entraram numa rotina de treinamentos: o presidente do Projeto Grael, Axel Grael, fez uma parceria com a academia Niterói Swim, em Icaraí, onde os alunos fazem uma série de exercícios voltados aos movimentos a bordo.

Além de participar com jovens na competição, o Projeto Grael dará apoio à organização da prova. A regata, além de se tornar um marco na história do Projeto Grael, vai marcar também o resgate de um evento tradicional da vela oceânica para o Rio de Janeiro. Nas duas últimas edições, a prova foi realizada com chegada em Salvador, na Bahia. O Rio havia perdido eventos importantes para outras cidades, como aconteceu recentemente com a regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race (VOR), vencida na última edição pelo brasileiro Torben Grael.

“Ao longo do tempo, a Baía de Guanabara foi perdendo espaço como palco da vela para lugares como Búzios (RJ), Ilhabela (SP) e Salvador (BA). Neste contexto, esperamos que a volta da Regata Cidade do Cabo-Rio seja um marco do resgate da tradição do Rio de Janeiro em sediar eventos da vela oceânica internacional”, destaca Axel Grael.

Conheça os alunos do Projeto Grael que vão participar da Cape Town-Rio:

Samuel Gonçalves, 23 anos, morador do Fonseca, em Niterói/RJ, estuda Desenho Industrial na Universidade Federal Fluminense (UFF) e tem o certificado da Federação Brasileira de Vela como gerente de regatas. Já participou de várias competições de alto nível como o Campeonato Mundial da Juventude da Isaf (órgão máximo da vela), em Búzios, Rio de Janeiro, em 2009, e no XV Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. Samuel ganhou muitos títulos na vela nacional, como o tricampeonato brasileiro da classe Ranger 22, e conta com 4.025 milhas náuticas navegadas. Para ele, a Cape Town-Rio será um passo para um sonho maior, que é dar a volta ao mundo. Atualmente, Samuel faz parte da tripulação do ídolo Torben Grael no barco S40.

Alex Sandro Mattos, 21 anos, morador da comunidade do Preventório, em Charitas/Niterói, entrou para o Projeto Grael em 2002, onde se formou em mecânica diesel, marcenaria, eletrônica, fibra de vidro e vela avançada. Atualmente, se prepara para o concurso da FAETEC no curso de Construções Navais. Alex Sandro sonha em ser velejador, mas devido às dificuldades de patrocínio no Brasil, esse sonho se torna mais distante e teme que a vela acabe se tornando apenas um hobby. O jovem está ansioso para a primeira viagem internacional e acredita que através dessa experiência muitas outras oportunidades virão.

Hallan Batista, 22, também morador do Preventório, já participou de várias competições como o Campeonato Estadual de Ranger, em 2009 e 2010, Regata Santos-Rio, em 2009 e 2010, e do Circuito Rio de 2008 a 2010. Hallan entrou para o Projeto Grael em 2006, onde cursou capotaria, refrigeração e eletrônica. No projeto foi também monitor de vela. Ele sonha em ser oceanógrafo e está ansioso para ver o barco no qual irá velejar na Cape Town-Rio.

Saiba mais sobre o Projeto Grael

O Projeto Grael foi criado há doze anos por uma iniciativa dos irmãos Torben e Lars Grael e o velejador Marcelo Ferreira. Atualmente, o irmão mais velho, Axel Grael, ex-presidente da Feema e também velejador, é o presidente da instituição.

Desde a sua fundação, o Projeto Grael, também conhecido como Instituto Rumo Náutico, vem desenvolvendo uma metodologia própria de esporte e educação, que serviu como base para outros programas semelhantes, como o Navega São Paulo, do Governo do Estado de São Paulo, e o Projeto Navegar, iniciativa federal desenvolvida em diversas cidades brasileiras.

Fonte: Site da Revista Náutica

domingo, 5 de dezembro de 2010

Lars Grael participa de corrida em Brasília contra a corrupção

Lars Grael. Foto de Renata Grael.

O jornal Correio Braziliense (2 de dezembro de 2010), publicou matéria em que anuncia que o velejador Lars Grael será um dos "padrinhos" da Corrida Venceremos a Corrupção, que será realizada em Brasília, no próximo dia 12, com percurso de 4 quilômetro pela Explanada dos Ministérios.

O velejador Lars Grael, dono de duas medalhas olímpicas e que é amputado, participará do evento caminhando um percurso de um quilômetro. Sua esposa Renata Grael correrá os 4 km.

Veja a matéria do Correio Braziliense



Mais informações: http://www.venceremosacorrupcao.net.br/

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quanto vale uma árvore? "Erva-de-passarinho" destrói a arborização de Niterói



Árvore em São Francisco, Niterói, sofre com infestação da erva-de-passarinho. (Foto de Axel Grael, 2010).

Árvore com a copa totalmente tomada por infestação de erva-de-passarinho. Foto de Axel Grael, 2010.

Nem todos percebem da mesma forma a beleza e as vantagens de se ter uma cidade arborizada. Como sou engenheiro florestal, tenho o hábito de andar pelas calçadas sempre olhando para o alto e observando as árvores, procurando identificá-las, descobrir a movimentação de aves, micos e muitos outros bichos que ainda temos o privilégio de encontrar no meio da cidade.

No entanto, uma dolorosa constatação é o descaso com que a arborização da cidade é tratada. Árvores urbanas devem ser vistas como uma herança para as atuais gerações deixada por pessoas que no passado tiveram a inciativa de planta-las. 

ERVA-DE PASSARINHO

Pelas ruas, vemos uma impressionante quantidade de árvores infestadas pela erva-de-passarinho, um vegetal parasita que se fixa nos galhos das árvores e que acaba causando-lhes a morte, seja pela sucção da seiva, seja pela ação física do seu peso sobre os galhos ou mesmo o sufocamento pela completa ocupação da copa da árvore hospedeira.

Outros sérios riscos à arborização são:
  • SELEÇÃO DE ESPÉCIES ERRADAS: A introdução de espécies inadequadas à arborização das cidades. Algumas espécies são de porte incompatível, com o tamanho das caçadas, outras têm características biológicas que as tornam intolerantes ao calçamento inadequado ("golas" com espaços insuficientes as levam a quebrar as calçadas), etc. As árvores mais comuns nas ruas das cidades são de espécies exóticas, ou seja, foram trazidas de outros países. Isso impede que a população conheça e valorize as nossas árvores nativas. Outro problema é que uma visão imediatista faz com que se dê preferência a espécies de rápido crescimento. Normalmente, árvores que crescem rápido, ficam velhas rápido e morrem cedo. Esse é um dos motivos que se verificam tantas árvores com problemas fitossanitários (doenças). Na cidade do Rio de Janeiro, verificam-se "casos clássicos" dos inconvenientes de espécies inadequadas: as Sterculia foetida, apesar de serem muito belas, exalam um odor insuportável, como já alerta o nome científico da espécie. Também, as Couroupita guianensis, igualmente bela e de curiosa floração, mas que produz pesadas e malcheirosas cabaças que podem causar danos ao caírem.
  • PODAS: podas feitas por equipes incapazes e despreparadas mutilam as árvores. Vemos árvores desfiguradas, desequilibradas ou severamente danificadas por poda excessiva.
  • ARVOREFOBIA: algumas pessoas - "urbanóides" em excesso - têm uma atitude de verdadeiro horror às árvores. Compram um terreno, uma casa, e a primeira coisa que fazem é cortar todas as árvores. Já conversei com alguns e os argumentos são os mais variados: "as folhas sujam o jardim", "dá mosquito", "se ventar vai cair", etc.
QUANTO VALE UMA ÁRVORE NA CIDADE?

Um estudo divulgado recentemente pelo Serviço Florestal dos EUA (US Forest Service) revela dados interessantes sobre o valor e a importância das árvores:
  • Na cidade de Chicago, as 3,6 milhões de árvores urbanas reduzem 890 toneladas de poluentes/ano, beneficiando a cidade com serviços ambientais calculados em US$ 6,4 milhões
  • Na cidade de Sacramento, casas com árvores plantadas na sua face Sul e Leste reduziram a conta de energia em US$ 25,16, em média.
  • Na cidade de Portland, casas com árvores no jardim ou na sua proximidade, aumentaram o seu valor médio de venda em US$ 8.870 e foram vendidas, em média, dois dias mais rápido do que as outras.
  • Nos EUA, o carbono fixado nas 3,8 bilhões de árvores urbanas geram um benefício calculado em US$ 14 bilhões em emissões. E se precisassem ser plantadas para gerar o mesmo benefício em retenção de carbono, demandariam um investimento de US$ 4 bilhões.
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Mais informações:
- Relatório do US Forest Service: clique aqui
- Informações sobre a Erva-de-Passarinho - Revista Floresta: clique aqui
- Tree Hugger

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Resposta à pergunta do amigo Antônio Maggessi feita aqui no Blog sobre o que fazer para se livrar da erva-de-passarinho:
Oi Maggessi,

A única forma de se livrar da erva-de-passarinho é a sua remoção física por meio de podas.

CUIDADOS AO EXECUTAR A PODA: A poda deve ser cuidadosa pois a erva-de-passarinho possui um tipo de raiz chamada haustório que se espalha por baixo da casca da árvore hospedeira, normalmente escaminhando-se em direção ã base do galho. É através desta estrutura que ela suga a seiva da árvore. Para eliminar a erva-de-passarinho, é preciso que não fique remanescente do haustório, pois o vegetal parasita poderá rebrotar.

ONDE PODAR: Dependendo do tipo de árvore hospedeira, quando estas tem cascas mais finas e lisas (justamente as mais vulneráveis à infestação), olhando-se o galho afetado com cuidado pode-se observar a extensão e a ramificação dos haustórios. A poda, então deve ser feita a alguns centímetros (20 cm) abaixo da extemidade observada do hastório. Na dúvida, ou quando não for possível identificar a extensão do hastório, faça a poda do galho a pelo menos 1 metro do local de infestação.

FAÇA A PODA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL: Por ser necessário a intervenção radical, com a extirpação do galho infestado, quanto mais cedo a infestação for identificada e removida, menos drástica será a poda e menor o dano à árvore.

O QUE FAZER COM A ERVA-DE-PASSARINHO RETIRADA? Deve ser incinerada, enterrada ou até mesmo feito a sua compostagem, desde que com os cuidados necessários para que fique longe do acesso aos passarinhos. Caso fique exposta, a mesma poderá ser novamente levada pelas aves a outros galhos, causando a reinfestação. Assim é feita a sua dispersão deste vegetal parasita. As aves parecem atraídas pelos ramos tenros da erva-de-passarinho e as transporta de galho em galho. Daí o nome vulgar da planta.

COMO PREVINIR? Não é muito fácil. O melhor é evitar fontes de dispersão próximos às suas árvores. Caso aviste em árvores nas proximidades da sua casa, peça que vizinhos ou a própria Prefeitura, responsável pela arborização das ruas, façam o tratamento.

Axel Grael
Engenheiro florestal

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Informações sobre o Projeto Grael no site do Prêmio Empreendedor Social 2010

Axel Grael, presidente do Projeto Grael.

Quem é ele?
Axel Schmidt Grael, 52, engenheiro florestal e ambientalista, casado, nasceu em São Paulo e mora em Niterói (RJ).


Organização: Instituto Rumo Náutico/Projeto Grael
Ano de fundação: 2000
http://www.projetograel.org.br/


O Projeto Grael trabalha a cultura da maritimidade e amplia o acesso aos esportes náuticos, utilizando sua prática como instrumento de educação, estímulo à profissionalização e promoção da cidadania. É pioneiro no país no uso da vela como ferramenta central de capacitação e inclusão social. Com programas voltados para estudantes da rede pública de ensino de 9 a 24 anos de idade, o instituto atende a cerca de 700 jovens por ano em sua sede, em Niterói, e já formou mais de 10 mil pessoas ao longo de 12 anos. Atualmente, opera outra unidade em Três Marias (MG) e estuda a viabilidade de abrir mais de dez franquias sociais em diversos Estados.


Mar de oportunidades

Engenheiro florestal inova ao fazer dos esportes náuticos instrumentos de educação, profissionalização e integração social

SILVIA DE MOURA
ENVIADA ESPECIAL A NITERÓI(RJ)

Aos cinco anos, o engenheiro florestal Axel Schmidt Grael, 52, ganhou seu primeiro veleiro. O brinquedo foi um presente do avô materno, um dinamarquês apaixonado pelo esporte a vela. O barco foi batizado com o nome de Munin (memória), um dos corvos mensageiros de Odin, na mitologia nórdica. Ao irmão menor, coube um barco com o nome do outro corvo, Hugin (pensamento). Os veleiros, da classe pinguim, tinham 11 pés –ou 3,4 metros de comprimento.

Os garotos eram tão pequenos que nem tinham peso suficiente para comandar o barco. De início, ele velejava com pessoas mais velhas e, aos poucos, foi se aventurando sozinho. "Eu saía às 7h, navegava, virava, e um marinheiro do clube ia me buscar e trazer de volta para a praia. Tirava a água do barco, ia, virava, e ele ia me buscar, sempre me dando bronca por eu ter ido de novo e tão longe." Na teimosia da criança nascia o velejador.

Aos 17 anos, cansado de voltar com o barco e o corpo sujos após velejar na baía de Guanabara, Axel organizou uma manifestação contra as fábricas de sardinha, que lançavam rejeitos no mar. Ele reuniu a "garotada" (cerca de 70 embarcações) e fizeram uma regata de protesto em volta de uma ilhota. A ação resultou na fundação da ONG More (Movimento de Resistência Ecológica) _"o nome era bem adolescente, bem década de 1970". Naquele momento surgia o ambientalista.

A briga seguinte foi pela preservação da serra da Tiririca (RJ) e a transformação do local em um parque. A campanha rendeu a indicação para que presidisse o Instituto Estadual das Florestas. "A tramitação do projeto andou, e eu peguei na outra ponta, já com a responsabilidade de implantar o parque." Axel foi ainda presidente da Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) e subsecretário estadual do Meio Ambiente.

"Meu futuro estava na profissão que eu escolhi, nem tanto como atleta. Mesmo se eu tivesse me dedicado, mas por talento, por opção e até por biotipo, não teria ido tão longe quanto eles [Lars Grael e Torben Grael, medalhistas olímpicos] foram."

Diz que Lars é um relações-públicas por excelência, e Torben, muito pragmático e objetivo. Define a si próprio como o homem da concepção e da gestão. Ele acredita que a natureza de cada irmão confere um bom equilíbrio para o Instituto Rumo Náutico.

Reconhece que a vela é um esporte caro, mas com a vantagem de não ser feita apenas por donos de embarcações. "Um barco precisa de uma tripulação. Muita gente às vezes deixa de velejar, deixa de competir, por falta de tripulantes. Nós temos uma fábrica de tripulantes à disposição."

Sobre os alunos do Projeto Grael, brinca que tem 350 filhos por semestre. E se emociona ao lembrar de um ex-beneficiário. "Ele nos mostrou a carteira de trabalho assinada e falou: 'Meu pai nunca teve isso'". O primeiro salário do jovem era superior ao do pai. "De certa forma, consegui reunir profissão, hobby e utopia em torno de uma mesma coisa", resume Axel.

INOVAÇÃO

O Projeto Grael é pioneiro no uso de esportes náuticos para o desenvolvimento de programas sociais, educativos e ambientais, tendo obtido reconhecimento pela Isaf (International Sailing Federation) como uma iniciativa inovadora e de referência para países em desenvolvimento.

A inovação acontece em duas frentes:
  • no objeto, ao ter construído sua ação na cadeia produtiva da indústria náutica e voltada para atender estudantes da rede pública de educação;
  • no método, ao ter desenvolvido um programa educativo e profissionalizante usando como motivação o fascínio que os barcos exercem nos jovens. O aprender a velejar desdobra-se em oportunidades de aprender uma profissão e sobre ciências (meteorologia, oceanografia, física, materiais), ambiente e cidadania.
O projeto modificou o acesso de estudantes da rede pública aos esportes náuticos. Ao vislumbrar seu potencial educacional, vem mostrando que a náutica não precisa ser elitista nem exclusiva.

Entre suas atividades, merece destaque o programa ambiental, que prioriza a atuação em demandas reais e não na simulação de situações para fins pedagógicos. Por exemplo, em um dos projetos, os alunos cooperam efetivamente com pesquisadores, órgãos públicos e outras ONGs no estudo e monitoramento das condições ambientais da baía de Guanabara, enquanto em outro operam embarcações que retiram o lixo flutuante da baía.

SUSTENTABILIDADE

Com orçamento para este ano de R$ 2 milhões (um crescimento de 50% sobre o R$ 1,35 milhão de 2009), o Projeto Grael tem mais da metade de seu financiamento vinculado a projetos de patrocínio de empresas privadas, sobretudo por repasses ligados a leis de incentivo fiscal. Também tem no poder público (22%) importante fonte de recursos financeiros. Em momentos de crise (principalmente quando há atrasos de repasses, comuns em ano eleitoral), a organização tem recorrido a doações de um de seus fundadores, o velejador Torben Grael.

A fim de se precaver contra essa oscilação, trabalha atualmente para diversificar as fontes de receita e elaborou uma estratégia de manutenção e ampliação do relacionamento com cada parceiro. Também se prepara para gerar receita própria por meio de prestação de serviços especializados, como a realização de eventos náuticos (campeonatos esportivos) e corporativos.

Desde que o empreendedor social passou a se dedicar com maior regularidade ao instituto, em 2008, o Projeto Grael entrou em uma fase de profissionalização administrativo-pedagógica. Com uma equipe maior e qualificada, a organização apresenta atualmente um crescimento acelerado, porém estruturado, e tem boas perspectivas de atingir um porte maior no longo prazo.

Principais parceiros: Águas de Niterói, Bailly, BG Brasil, BMYD, Brasco, CCR, Cemig, Central de Penas, Colgate, Confederação Brasileira de Vela e Motor, Clin, Clube Naval Charitas, Compão, Corpo de Bombeiros, Criança Esperança, ESPN, Estaleiro Aliança, G-Comex, H2O Niterói, Instituto Baía de Guanabara, Instituto Wal Mart, Itaú Social, JP Morgan, Oi Futuro, Prefeitura de Niterói, Pró-Oceano, PMN, Ministério do Esporte, Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Unipli, Vinhas Advogados.

IMPACTO SOCIAL

No primeiro semestre de 2010, o Projeto Grael ofereceu 304 vagas para os cursos e programas náuticos educacionais em sua sede, em Niterói. Foram 231 vagas para as atividades do programa esportivo náutico e 73 para o programa profissionalizante. A unidade de Três Marias (MG) beneficia 200 estudantes da rede pública. No total, o instituto aponta ter beneficiado diretamente mais de 10 mil jovens nos 12 anos de existência (considerando o período pré-formalização).

Em 2009, foi criado um plano político-pedagógico responsável por sistematizar conhecimentos e monitorar e avaliar o impacto social sobre seus beneficiários. Desde então, vem efetuando coletas de dados com parte dos alunos (do grupo chamado de Estrelas do Mar, que são os com maior potencial esportivo), professores e escolas públicas. Entre os resultados, observou-se que os principais motivos de atração de jovens é aprender uma profissão e conquistar lugar no mercado de trabalho. Essas pesquisas, ainda incipientes, devem ser ampliadas no futuro.

Mais pontualmente, em 2008, foi realizada uma avaliação econômica e dos impactos sociais do projeto, utilizando a metodologia da Fundação Itaú Social. Os principais resultados demonstram que o programa profissionalizante aumenta em 27% a chance de o aluno obter um emprego, com taxa interna de retorno de 31%. Observou-se que, do grupo de tratamento, 62% estão trabalhando, 38% deles no mercado náutico, com média salarial mensal de R$ 534. Avalia-se que a organização deve trabalhar continuamente para aumentar esses índices.

Qualitativamente, a vela, além de ajudar a desenvolver o físico e o intelecto, promove autoestima, socialização e competição com solidariedade, como demonstram alunos entrevistados durante a visita. Parte deles já conquista títulos nacionais e regionais, atua como árbitros de regata e presta serviços profissionais em eventos náuticos, clubes e marinas.

ALCANCE E ABRANGÊNCIA

O Projeto Grael surgiu em Niterói (RJ), entre 1998 e 2000 (formalização). Um ano depois, uma unidade foi aberta em Vitória (ES) e, em 2004, em Maricá (RJ), ambas inativas atualmente. Em 2010, teve início a unidade de Três Marias (MG). Hoje, o instituto analisa a criação de dez unidades, sendo que em processo de negociação mais avançada estão Mundaú (CE), por iniciativa da comunidade local; Salvador (BA) e Rio Grande (RS), em parceria com empresas locais; Guarujá (SP), com a prefeitura e empresas do município; e Ribeirão das Lajes (RJ) e Santa Branca (SP), com patrocínio da Light, a exemplo do trabalho efetuado pela Cemig em Três Marias. Piraí (RJ), São Sebastião (SP) e Brasília (DF) são outros que demonstraram interesse no projeto.

Por iniciativa própria, está sendo organizada a Rede Náutica Educativa, reunindo outros trabalhos de náutica social e educativa no país. Para isso, foram realizados treinamentos em Recife, Fortaleza e Maceió. A partir de uma parceria internacional, a organização também tem um trabalho de implantação experimental em Maryland, nos EUA.

REPLICABILIDADE

A replicação do Projeto Grael é uma das premissas que constam de seu planejamento estratégico e diversas ações começavam a ser conduzidas nesse sentido durante a visita do prêmio, haja vista o interesse demonstrado por mais de dez municípios em multiplicar a experiência.

O instituto teve como laboratório o processo de replicação para os municípios de Vitória e Maricá. Neles, uma série de obstáculos foi enfrentada, em razão de interferências políticas (tentativa de uso do projeto para fins eleitoreiros, mudança de governo e quebra de contrato, burocracia e corrupção de órgãos públicos etc.), culminando com o fechamento de ambas as unidades (Maricá está em negociação para reabertura). As dificuldades recentes com atrasos de repasses e burocracia oriundos da Lei de Incentivo ao Esporte também serviram de norteadores para o projeto estabelecer a obrigatoriedade de haver patrocinador direto na abertura de novas unidades.

Nesse contexto, nota-se um esforço contínuo de mudança cultural em prol da documentação e da sistematização de rotinas, tendo como foco a decisão de desenvolver uma franquia social. Atualmente, as rotinas estão sendo sistematizadas com apoio do software Sagres, recém-criado pelo instituto como instrumento de uniformização metodológica com as unidades franqueadas. O software –hoje em processo de implementação– permitirá o registro de variadas informações pedagógicas e a geração de planilhas e gráficos de acompanhamento, além de facilitar a interação entre as diferentes áreas da organização, de forma automática.

POLÍTICAS PÚBLICAS

A iniciativa influencia políticas públicas no país. Inspirado no Projeto Grael, o ex-secretário Nacional de Esportes Lars Grael, cofundador do instituto, lançou o Projeto Navegar, implantado em mais de 30 localidades do país. A partir de 2003, na Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer de São Paulo, Lars implantou o Projeto Navega São Paulo, também com a tecnologia social do Projeto Grael. Assim, o número de unidades de náutica social no país, criadas sob inspiração do instituto, passa de 40. Deve-se ressaltar, porém, que a efetividade desses trabalhos muitas vezes é ameaçada pela falta de comprometimento dos núcleos.

Grande parte do trabalho de educação ambiental de despoluição e monitoramento da baía de Guanabara é realizada em parceria com pesquisadores de universidades federais.

Na cidade de Niterói, o Projeto Grael foi precursor de um programa que passou a ser estimulado pela prefeitura municipal, o Projeto Nomes, que reúne outros atletas com iniciativas sociais, como o Projeto Gerson (futebol), Projeto Fernanda Keller (triatlo) e o Projeto Tatuí (surfe). Outra parceria se dá com a Central de Penas Alternativas, que encaminha menores infratores da lei para trabalho no instituto. Com as escolas públicas, busca estabelecer um trabalho conjunto com benefícios aos alunos, mas não sem resistência por parte da engessada estrutura educacional.

Por fim, tendo em foco a democratização dos esportes náuticos, a organização trabalha para a construção de rampas públicas de acesso de embarcações à água, já que atualmente elas são exclusivas de clubes de iates. A iniciativa ainda não foi concretizada.

MÉTODOS E ESTRATÉGIAS

A náutica é transversal a todas as atividades do Projeto Grael. Da biblioteca especializada ao laboratório de informática, à educação ambiental e às oficinas profissionalizantes, o elemento central de trabalho são os esportes náuticos. Pelo poder de atração que exerce nos jovens, a vela é utilizada como ferramenta de aprendizado. A diferença do instituto para os clubes de iates, entretanto, além de seu público-alvo –estudantes da rede pública de 9 a 24 anos–, é que no projeto a vela é um meio, e não o objetivo. Enquanto nos clubes as crianças são obrigadas a competir, no Projeto Grael apenas 34 competem atualmente –todas, porém, aprendem a velejar.

O Projeto Grael prioriza a atuação em demandas reais e não na simulação de situações para fins pedagógicos. As atividades são coletivas – por exemplo, na oficina de marcenaria, todos constroem um caiaque como trabalho final. O método pedagógico também visa elevar a autoestima – muitas vezes combalida – dos alunos. Assim, quando apresentam bom desempenho, enviam-se aos pais cartas de elogio, fugindo à lógica tradicional e negativa de repreensão. Outro elemento estratégico é o vínculo de longo prazo com os alunos. Os cursos são divididos em módulos que podem ser cursados conforme o interesse dos estudantes; caso pretendam cumprir todo o programa, podem permanecer na organização por cerca de quatro anos.

GESTÃO

Sobretudo nos últimos dois anos, a organização reverteu o quadro de crescimento passivo e instável e, por meio da profissionalização da gestão administrativa e pedagógica, vem construindo uma base para a expansão contínua e sustentável. Angariou uma equipe de profissionais dedicados com a causa e com experiência tanto de mercado como na área social e adquiriu softwares de gestão financeira e pedagógica. A mudança vem se refletindo paulatinamente em sistematização e padronização dos processos e aumento de eficiência operacional, seja na atuação pedagógica, seja em marketing e na captação de recursos. Mais recentemente, a equipe lançou-se no desenvolvimento de um planejamento estratégico, apoiado pelo Instituto Hartmann Regueira em parceria com a Fundação Avina e o Instituto Unibanco. Nesse processo, foi também realizada uma revisão e atualização dos planos de curso e aula.

Todo esse trabalho é realizado a fim de superar os desafios diários do projeto, que ainda tem muito a evoluir, sobretudo em termos de sustentabilidade financeira e impacto social.

PROGRAMAS E ATIVIDADES
As ações educacionais são divididas em quatro programas principais:

Programa de Desenvolvimento Esportivo Náutico – para a iniciação esportiva na vela, remo e canoagem. Subdivide-se em quatro projetos:

  • Vela e Remo: facilitação do acesso aos esportes de vela, remo e outras práticas náuticas para jovens carentes;
  • Estrelas do Mar: visa viabilizar a participação de alunos e ex-alunos com os melhores desempenhos nas competições esportivas náuticas;
  • Monitores Náuticos: capacitação para atuar como auxiliar ou instrutor de vela;
  • Todos a Bordo (em implantação): objetiva dar uma oportunidade de acesso aos esportes náuticos, em particular à vela, para portadores de deficiência.
Programa Futuro de Vento em Popa – para capacitar profissionais para o mercado náutico e promover a empregabilidade. Subdivide-se em três projetos:

    Projeto Grael: Oficina profissionalizante de marcenaria.
  • Iniciação Profissionalizante: oficinas de fibra de vidro e materiais compostos, mecânica, carpintaria, capotaria, refrigeração e eletrônica e custo de gestor das embarcações;
  • Geração de Renda: em fase de conclusão, voltado para familiares dos alunos, que aprenderam a desenvolver e comercializar produtos ao público da área náutica;
  • Inclusão Digital Aplicada: prioriza sua aplicação em ferramentas ligadas aos aspectos náuticos, tais como regatas, e a cursos profissionalizantes, como apresentações, textos e planilhas relacionadas à vida profissional e acadêmica.
Programa Navegando no Conhecimento – são cursos de educação complementar subdivididos em cinco projetos:
  • Terra a Vista: conjunto de iniciativas que têm por finalidade promover o interesse e aproximar os alunos da atividade acadêmica, em que aprendem na prática disciplinas como ambiente, geografia, história, meteorologia e oceanografia;
  • Baía de Guanabara: estuda-se a dinâmica das correntes da baía de olho em sua despoluição. Os alunos lançam em pontos estratégicos na água derivadores oceânicos, aparelhos que emitem sinais de posição geográfica, velocidade e temperatura via satélite;
  • Niterói Águas Limpas: educação ambiental por meio da coleta de lixo flutuante da baía de Guanabara;
  • Caravela Cultural: por meio da arte, busca-se resgatar e promover a cultura da maritimidade e estimular a criatividade em torno de temas náuticos;
  • Física a Bordo (a ser implantado): visa aproveitar os potenciais educacionais da vela ou remo para ampliar os conhecimentos gerais e promover o reforço escolar.
Programa de Desenvolvimento Institucional – desenvolvimento de infraestrutura (obras de melhoria na sede), biblioteca náutica e projeto de voluntariado.

Samuel Gonçalves, ex-aluno do Projeto Grael

DEPOIMENTO

"No segundo semestre de 2001, eles fizeram uma palestra na minha escola. Foi meu primeiro contato com o esporte náutico. Eu já conhecia a praia, já nadava. Mas barco a vela nem tinha ouvido falar.

Fiz o curso o básico e depois o avançado. O curso era só dois dias na semana, e eu vinha os cinco dias da semana. Eu gostei tanto que vinha, ajudava o professor a dar aula, e sempre sobrava um barquinho. Eu pegava o último barquinho e ia velejar também.

Quando acabou o curso, eu e meus outros amigos ficamos botando uma pressão no Axel e nos coordenadores da época: 'Pô, a gente não quer sair'. Aí eles criaram o curso avançado 3 de regata, que só teve um semestre, só foi a nossa turma.

Foi só alguma coisa para manter a gente dentro do projeto. Em 2003, eu fui da primeira turma do profissionalizante, que durou um ano e meio. Nesse meio tempo, o pai de uma professora, que tem um barco grande a vela, precisava de dois tripulantes. Foi a primeira competição fora do projeto e a primeira medalha. A partir daí, eu tive meu contato já com os clubes, abri mais o universo.

Terminei o ensino fundamental e passei na escola técnica. O curso que escolhi foi máquinas navais. Passei então na Uerj em desenho industrial, por gostar de desenvolver novas coisas, resolver problemas e uma profissão que não me prendesse dentro do escritório.

Na classe ranger 22 sou tricampeão brasileiro como tripulante e bicampeão estadual como comandante do barco. Neste ano recebi o convite para participar do campeonato europeu da classe star. Nós terminamos em terceiro lugar master.

O Torben Grael estava participando e me convidou para ser tripulante dele no S40. Hoje em dia eu velejo com ele nesse barco de oceano para dez pessoas.

A minha vida é dividida em duas partes: antes e depois do Projeto Grael. Desde o dia em que pisei a primeira vez aqui, minha vida modificou completamente, deu uma guinada. Essa acolhida que eu tive foi muito parte do Axel. Ele é bem exigente, mas é uma pessoa tranquila, fácil de conviver. Se eu ficar uma semana sem velejar, fico doente."

Samuel Freitas Moraes Gonçalves, 23, estudante universitário, tricampeão brasileiro de vela e ex-aluno Instituto Rumo Náutico/Projeto Grael
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Fonte: apresentação de Axel Grael no site do Prêmio Empreendedor Social 2010.
Fotos de Renato Stockler/Na Lata

A honra de ser finalista do Prêmio Empreendedor Social 2010

Os seis empreendedores sociais finalistas. Da direita para a esquerda: Carlos Zuma, Roberto Kikawa, Axel Grael, Márcia Rolon, Sueli de Lima e o representante de José Júnior, do AfroReggae, que não pode comparecer devido a sua atuação de mediação comunitária nos conflitos que assolaram o Rio de Janeiro naqueles dias.

No dia 25 de novembro, foram anunciados em cerimônia no MASP, em São Paulo, os vencedores do Prêmio Empreendedor Social 2010 e do Prêmio Empreendedor Social do Futuro (atividades iniciadas de 12 a 36 meses), iniciativa da Folha de São Paulo e da Fundação Schwab,  Para chegar aos vencedores, os organizadores analisaram o trabalho de 266 inscritos, de 23 estados e do Distrito Federal, selecionando como finalistas, seis candidatos ao Prêmio Empreendedor Social e quatro a Empreendedor Social do Futuro.

Mirjam Schoening, diretora executiva da Fundação Schwab disse que o Brasil foi recordista de inscrições e teve o processo mais competitivo de seleção para o Prêmio, dentre todos os 47 países participantes.

Foi com muito orgulho que recebemos a confirmação que o PROJETO GRAEL estava entre os finalistas da categoria principal. Mostra a boa repercussão do trabalho que desenvolvemos.

RJ TEVE MAIS DA METADE DAS ORGANIZAÇÕES FINALISTAS

É bastante significativo que quatro dos seis empreendedores finalistas tenham sido do Rio de Janeiro. O resultado mostra a importância e a qualidade do terceiro setor fluminense, que deve ser visto como uma grande esperaça para que o estado consiga reverter a grave crise social que enfrenta, que cuminou com os conflitos armados que puseram fim a ocupação das comunidades do Complexo do Alemão. Por coincidência, e por forte simbolismo, o conflito teve o seu início justamente no dia da premiação, o que impossibilitou a participação no evento de um dos mais importants nomes dentre os participantes, o José Júnior, do AfroReggae, que estava envolvido nos esforços de resolução de conflitos naquelas comunidades.

A construção de um futuro de paz e justiça social no Rio de Janeiro dependerá dos esforços governamentais, mas, sobretudo, da capacidade de reação, mobilização e organização da sociedade civil. Consideramos que a forte presença do Rio de Janeiro em um seleto grupo de excelência em empreendedorismo social, como conseguiu-se reunir no presente Prêmio, mostra que a sociedade fluminense tem este potencial e esta vocação.

PRÊMIO EMPREENDEDOR SOCIAL 2010

Os finalistas do Prêmio são listados, a seguir, em ordem alfabética:
  • Axel Grael:  engenheiro florestal e ambientalista, presidente do  Projeto Grael, com sede em Niterói, RJ.
  • Carlos Eduardo Zuma: psicólogo, fundador do Instituto Noos de Pesquisas Sistêmicas e Desenvolvimento de Redes Sociais. Rio de Janeiro, RJ.
  • José Júnior: líder comunitário, fundador do Grupo Cultural AfroReggae, Rio de Janeiro, RJ.
  • Márcia Rolon: bailarina e formada em educação física, lidera o Instituto Homem Pantaneiro/Escola de Artes Moinho Cultural, Corumbá, MS.
  • Roberto Kikawa: médico, idealizador do Projeto CIES. São Paulo, SP.
  • Sueli de Lima: artista plástica e educadora, fundadora da Casa da Arte de Educar. Rio de Janeiro, RJ.

VENCEDOR


Roberto Kikawa, idealizador do Projeto CIES, vencedor do Prêmio Empreendedor Social 2010.

Centro Médico Móvel, pronto para receber o público.

O vencedor de 2010, escolhido pelo Juri, foi o médico gastroenterologista Roberto Kikawa, idealizador do impressionante Projeto CIES - Centro de Integração Educação e Saúde, uma bem estruturada iniciativa que leva atendimento médico preventivo, especializado e de alta tecnologia a comunidades carentes. O atendimento é feito por meio de um centro médico móvel avançado: a chamada "Carreta da Saúde", como é conhecido um caminhão com 100 m2 de área útil quando aberto e que atende até dez especialidades. O CIES já beneficiou mais de 24 mil pessoas, atingiu 15 cidades de três Estados e atraiu o interesse de outras 50 no Brasil e no exterior (Angola, Colômbia, Itália, Níger, Panamá e Venezuela).


PRÊMIO EMPREENDEDOR SOCIAL DE FUTURO


Wagner Gomes de Souza, fundador da ADEL

O vencedor do Prêmio, que é concedido a empreendedores dedicados a iniciativas em formação, de 1 a 3 anos de existência, foi o economista Francisco Wagner de Souza, fundador da ADEL - Agência de Desenvolvimento Econômico Local, de Pentecoste, Ceará. Trata-se de uma jovem e bem sucedida iniciativa de apoio aos agricultores do sertão daquela região do Ceará.

Os outros candidatos finalistas foram:
  • Karina Rehavia, do Ninui Informação na Internet e Comércio de Artesanato, de Parati, RJ.
  • Marcelo Feijó de Mello, do Instituto Prove, São Paulo, SP.
  • Ricardo Cardim, da Associação Amigos das Árvores, de São paulo, SP.
PARABÉNS AOS VENCEDORES E QUE O SUCESSO CONTINUE PARA TODOS.