segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Editorial O Globo: "Novos desastres climáticos desafiam as autoridades"

Enchentes no Rio Grande do Sul — Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo

Pelo menos 83% do território do Rio e metade dos municípios brasileiros são vulneráveis a tragédias ambientais

Por Editorial

A tragédia das chuvas na Região Serrana do Rio, um dos maiores desastres naturais da História do país, com mais de 900 mortes, completou 15 anos ontem. Desde 2011, líderes mundiais participaram de 14 conferências do clima, os alertas de especialistas sobre a iminência de novas catástrofes foram mais enfáticos e constantes, e novas tragédias aconteceram para confirmar que não são alarmistas. Temporais mataram 242 pessoas em Petrópolis e 133 em Pernambuco em 2022, 65 no Litoral Paulista em 2023 e 185 no Rio Grande do Sul em 2024, deixando cidades inteiras debaixo de água. Os números assustadores aparentemente não bastaram para que as medidas de prevenção necessárias fossem tomadas.

Editorial: Mudança climática impõe às cidades maior preparação

Reportagem do GLOBO mostrou que, apenas no conjunto de 30 municípios do estado do Rio, 83% do território é vulnerável a novas tragédias, segundo o relatório de avaliação de riscos de desastres provocados por chuvas, elaborado pela secretaria estadual de Planejamento e Gestão e pelo Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos. Nessas áreas, há quase 1,7 milhão de domicílios em risco. Os municípios com a maior parcela do território sujeita a catástrofes são justamente os mais atingidos em episódios anteriores: Nova Friburgo, 96,3%; Bom Jardim, 94,3%; Petrópolis, 93,6%; Teresópolis, 91,8%.

Nos demais estados brasileiros, a situação não é diferente. Segundo a plataforma Adapta Brasil, 2.807 dos 5.570 municípios do país já estão em situação de alta ou muito alta vulnerabilidade climática. O dado consta do relatório “Cidades verdes-azuis resilientes”, que reúne conhecimento científico e tecnológico atualizado para apoiar programas e ações de governos, empresas e da própria sociedade na construção de ambientes urbanos mais preparados e sustentáveis diante da crise climática.

Já passou da hora de os governos federal, estaduais e municipais agirem com urgência para, se não evitar por completo, ao menos minimizar os efeitos de tragédias climáticas. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) considera fundamental que as autoridades estejam preparadas para que o socorro imediato inclua — além da disponibilidade de abrigos temporários, medicamentos, alimentos e água — apoio psicológico a todos os impactados, assim como a identificação de áreas seguras e o estabelecimento de rotas de fuga. A lista de investimentos prementes tem de incluir aprimoramento da comunicação, para que a população compreenda riscos, alertas e alarmes. É necessário ainda atualizar mapeamentos de áreas suscetíveis aos riscos, dar destino adequado aos resíduos sólidos, priorizar obras de engenharia, reurbanização, arborização e drenagem, recuperar a vegetação nas margens de rios e controlar a erosão.

O investimento é alto, mas não há outro caminho. Ninguém espera mais que as metas de redução das emissões de gases causadores de efeito estufa sejam cumpridas e evitem que os desastres naturais se tornem cada vez mais frequentes e extremos. É preciso estarmos prontos para reduzir danos. Tragédias podem ocorrer a qualquer momento. Nenhum governante poderá alegar que terá sido por falta de aviso.

Fonte: O Globo


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