domingo, 25 de janeiro de 2026

Eólica e solar superam geração a combustíveis fósseis na UE pela primeira vez

Ilustração de ClimaInfo por Ian Stiepcich

Para o Ember, o marco alcançado pelo bloco em 2025 é um ponto de virada crucial para as energias renováveis em uma era de instabilidade geopolítica.

Em 2025, pela primeira vez, a geração elétrica eólica e solar na União Europeia (UE) superou a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis. É o que mostra o relatório “European Electricity Review 2026”, do think tank Ember, lançado na 4ª feira (21/1).

Turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos geraram 30% da eletricidade da UE no ano passado, mostra o documento. Já as termelétricas a carvão, gás e outros combustíveis de origem fóssil responderam por 29% da demanda elétrica, relatam The Guardian e Al Jazeera.

Sozinha, a energia solar foi responsável por 13% da geração elétrica e cresceu mais de 20% pelo quarto ano consecutivo, superando tanto o carvão quanto a hidreletricidade, destaca a Reuters. A geração solar cresceu em todos os países da UE, com a ampla instalação de painéis solares, e forneceu mais de um quinto da eletricidade em Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Holanda em 2025.

Analista sênior de Energia da Ember e principal autora do relatório, Beatrice Petrovich, afirma que o marco é um “ponto de virada crucial” de importância estratégica para a UE, que tem demonstrado crescente preocupação com sua dependência energética de outros países. “A importância disso vai além do setor de energia”, disse ela. “O perigo de depender de combustíveis fósseis é iminente em um cenário geopolítico instável.”

Em dezembro passado, a UE aprovou uma legislação que proíbe as importações de gás fóssil da Rússia até ao final de 2027. No entanto, surgiram novas dependências com o aumento das importações de gás liquefeito (GNL) dos EUA. A forte dependência de um único fornecedor ameaça a segurança do bloco e enfraquece o poder de negociação em contextos geopolíticos e em disputas comerciais, reforça a Ember.

Por isso, a expansão de projetos de armazenamento, sobretudo de baterias, o reforço da rede e o aumento da flexibilidade do lado da demanda permitem uma maior participação solar e eólica no mix energético. O que não só melhorará a segurança energética, mas também é crucial para garantir preços previsíveis e estáveis, reforça o think tank.A virada renovável da UE foi repercutida também em ESG News, Renewables Now, ANSA, Business Green e SustainableViews.

Fonte: ClimaInfo


Um comentário:

  1. A informação trazida no post é muito relevante e merece ser contextualizada. O fato de a energia eólica e solar terem superado, pela primeira vez, a geração a partir de combustíveis fósseis na União Europeia é um marco histórico — sobretudo porque a UE parte de uma matriz tradicionalmente dependente de carvão, gás e nuclear. Trata-se de uma transição difícil, custosa e politicamente sensível, que ganha ainda mais peso no cenário geopolítico pós-crise do gás russo.
    Quando comparamos com o Brasil, o contraste é interessante. A matriz elétrica brasileira já é majoritariamente renovável há décadas, com cerca de 85–90% da eletricidade proveniente de fontes limpas, sobretudo hidrelétricas, complementadas por eólica, solar e biomassa. Ou seja, enquanto a Europa comemora a superação dos fósseis por eólica e solar, o Brasil já opera, há muito tempo, um sistema elétrico de baixíssimas emissões, ainda que com desafios próprios, como dependência climática e gargalos de transmissão.

    Essa diferença estrutural é fundamental para o debate sobre o Acordo Mercosul–União Europeia. A UE costuma impor exigências ambientais rigorosas — muitas vezes legítimas —, mas é preciso reconhecer que, no campo energético e elétrico, os países do Mercosul, especialmente o Brasil, largam em vantagem ambiental. O risco é que cláusulas ambientais sejam usadas de forma assimétrica, mais como barreira comercial do que como instrumento real de cooperação climática.

    Se a União Europeia avança corretamente ao descarbonizar sua matriz elétrica, o acordo com o Mercosul deveria refletir isso em termos de parceria estratégica, com:

    - reconhecimento das matrizes energéticas mais limpas do bloco sul-americano;
    - cooperação tecnológica (armazenamento, hidrogênio verde, redes inteligentes);
    - financiamento e transferência de tecnologia, e não apenas exigências unilaterais.

    Em síntese, o avanço europeu destacado no post é digno de nota e celebração, mas ele também reforça um ponto essencial: a transição energética precisa ser vista de forma comparada e justa, especialmente quando entra no terreno das relações comerciais internacionais. Brasil e Mercosul não são “vilões climáticos” no setor elétrico — ao contrário, podem ser parte relevante da solução global.

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