terça-feira, 25 de setembro de 2012

PARNIT: Um pouco da história da Casa da Princesa, no Preventório, que terá um Centro de Convivência para Idosos.



Hospital Paula Cândido, Jurujuba, Niterói. 1913.
Fonte: Chrysostomo e Vidal, "Do depósito à hospedaria de imigrantes"

CASA DA PRINCESA SERÁ UM CENTRO DE CONVIVÊNCIA PARA IDOSOS: Maquete da Casa da Princesa, indicando o resultado final das obras de reforma que estão sendo realizadas pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

O Governo do Estado do Rio de Janeiro pretende inaugurar no início de 2013 as obras de reforma de um importante patrimônio histórico de Niterói, que é a Casa da Princesa, localizado na Praia do Preventório. O imóvel que estava em ruínas, já foi a sede da fazenda que dominou toda a Enseada de Jurujuba e onde ficaram hospedados membros da nobreza, no Século XIX.

Para que a importância do lugar e a relevância da obra de restauração seja reconhecida, apresento, a seguir, trechos do livro:
Visconde de Taunay (1948): "MEMÓRIAS DO VISCONDE DE TAUNAY". Publicado pelo IPE - Instituto Progresso Editorial, São Paulo, SP. 649 p.
O livro é uma leitura deliciosa para quem ama a cidade de Niterói. Apresenta um relato detalhado da região e os costumes do povo simples que habitava os atuais bairros de São Francisco, Charitas e Preventório, além de Jurujuba.

Leia, a seguir, alguns trechos do livro:



1852: VISCONDE DE TAUNAY PASSOU TEMPORADA NA CASA DA PRINCESA, JURUJUBA:
 
  • O LOCAL: “Em meados de 1852, fomos passar boa temporada na Jurujuba, para lá da baía do Rio de Janeiro, por detrás do maciço rochoso da Fortaleza de Santa Cruz, um dos mais pitorescos locais da baía, que os tem tanto e tão variados. Habitávamos vasta casa abarracada e em parte ladrilhada, pertencente ao Governo e que meu pai ou alugou, ou ocupou gratuitamente, por algum tempo – não sei bem”.
  • A CASA E O CENÁRIO: “Tenho bem vivas as amenas perspectivas que se desfrutavam de diversos pontos da casa da Jurujuba, edificada no alto de suave outeiro, já sobre o grosso da povoaçãozinha à esquerda, já sobre a praia da frente, no nosso porto de desembarque, já sobre a praia da igreja, por onde se ia à praia de Fora, isto é, à orla do mar alto, fora da Barra. Ali costumava ir pescar com o Tomás e os filhos da Benedita, mulher do pescador Fortunato, que aos sábados, habitualmente, levava meu pai de manhã cedo à praia das Flexas, em São Domingos, tomando ele daí, a pé, rumo às barcas. Ia a São Cristóvão ter com o Imperador e juntos faziam leituras, quer de jornais de Europa, quer dos grandes clássicos”.
  • PERIGOS DA BAÍA DE GUANABARA: “A preocupação única era às tardes dos dias em que meu pai vinha ao Rio de Janeiro. Receávamos sempre temporal na travessia da baía, que se cortava exatamente em frente à barra. Ficávamos à janela sobressaltados e ansiosos até vermos o bote, em que costumava voltar dobrar a ponta do morro fronteira à casa e que entrava muito mar a dentro. Dali em diante não havia mais perigo possível, quando para lá o risco, muitas vezes corrido, era real e não pequeno”.
  • ARAÇÁS: “... minha Mãe, receosa sempre da agitação daquele mar, facilmente não nos dava licença de lá irmos. Quando tal acontecia, subíamos o morro fronteiro à casa pertencente à chácara de um Sr. Borges, onde abundavam excelentes araçás de coroa e goiabas, descíamos do outro lado e nos achávamos naquela praia (Obs: de Fora), mais enseada do que outra cousa, de branquíssimas areias”.
  • CONCHAS: “Outro divertimento era apanharmos conchas e por isto intituláramos praia das conchas, uma abrazinha dominada por cabana de esfarrapados pescadores e andrajosas mulheres, onde as havia comumente bem bonitas e não muito estragadas. (...) Certa vez, pessoas de minha família estenderam a pesquisa até Itaipu, pra lá da Praia de Fora, e dali trouxeram bonitos búzios e conchas univalvas bem interessantes, com o que fiquei em extremo pesaroso de não ter participado desemelhante passeio”.
  • BANHO DE MAR: “De manhã cedo o banho de mar, descendo todos nós a interminável sucessão de escadinhas de tijolos, ou então o bonito caminho lateral, que meu pai abrira para dispensar aquele incômodo meio de se chegar à praia. (...) Na praia da casa apanhávamos mamareis e baiacus cujo ventre, com apendicezinhos à maneira de espinhos, incha, mal sai o peixe fora d’água, imprestáveis para se comer e até venenosos”.

Faluas atracadas no Centro de Niterói. Foto da década de 1920.

EM FINS DE 1856 O AUTOR RETORNOU A JURUJUBA E CONTINUOU REGISTRANDO A SUA EXPERIÊNCIA

 
  • BELEZA DA VISTA - ICARAÍ E MONTANHAS: “... as belíssimas paisagens daquela localidade, tão próxima do Rio de Janeiro e contudo, tão pouco apreciada e até conhecida. Estende-se bem defronte da Praia de Icaraí, metido nuns recessos de praias, a sopé das montanhas que, do outro lado, da baía findam na fortaleza de Santa Cruz. Tem pois vista sobre a Guanabara de um lado e, de outro, transposta uma fita de terra ou restinga, sobre o oceano desabrigado, o que lá se chama a praia de fora”.
  • PASSEIO AO PICO: “O passeio ao Alto do Pico, isto é, o cabeço a cavaleiro sobre Santa Cruz é penoso pela íngrime subida por entre o mato ralo, mas uma vez chegado lá em cima, tem o espectador a mais ampla compensação de todas as canseiras. A paisagem que dali desfrutam os olhos, embelezados na grandeza e variedade de tudo quanto abrangem, constitui, talvez, a mais formosa e estupenda perspectiva de todo o Rio de Janeiro, sem exceção da tão falada do Corcovado. A razão é simples. De lá se descortinam mais trechos da parte de fora da Barra e não se fica tão alto, acentuando-se melhor todas as particularidades, todas as minúcias encerradas naquele mágico horizonte”.
  • HOSPITAL: “Visitava-nos, de vez em quando, o Dr. Bento José da Costa, diretor do hospital dos doentes de febre amarela no saco da Jurujuba, isto entre o Morro do Cavalão e o lugar chamado Charita, corruptela da palavra Charitas”.
  • TRANSPORTE DE FALUA: “Saimos da Jurujuba (...) embarcando às duas da tarde, em grande falua (*) que, ainda com noite já feita navegava longe do porto do Rio e com algum perigo. Não foi, pois, sem satisfação que desembarcamos no cais Pharoux, sacudindo o sono em que vínhamos quase todos mergulhados”.
(*) FALUA é um tipo de embarcação à vela que era muito utilizada na Baía de Guanabara.


Axel Grael


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PARNIT - RECÉM CRIADO PARQUE MUNICIPAL DE NITERÓI PROTEGE REMANESCENTES DA EXUBERANTE FLORESTA DO MORRO DA VIRAÇÃO



A foto acima, que ilustra a presente postagem, mostra a beleza do casario e o vigor da vegetação que em 1913 ainda recobria a encosta do Morro da Viração, onde hoje está a comunidade do Preventório.

Após mais de um século de processo contínuo de degradação, o prefeito de Niterói Rodrigo Neves decretou, em 22/10/2014, a criação do Programa Niterói Mais Verde, que instituiu também o Parque Municipal de Niterói - PARNIT, juntamente com outras novas áreas protegidas para a cidade de Niterói.

O PARNIT abrange toda a área do Morro da Viração, registrada na foto. As áreas protegidas pelo referido decreto, somados às áreas já protegidas anteriormente pelo Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET, permitem que Niterói possa contar hoje com mais de 43% do seu território protegido por unidades de conservação.

E não pararemos por ai. Juntamente com o trabalho de desenvolvimento do Plano Urbanístico de Regional da região de Pendotiba, novas áreas protegidas serão criadas, expandindo ainda mais os instrumentos de proteção dos remanescentes de vegetação que já ostentaram no passado a riqueza e a exuberância demonstrada na belíssima foto.

Essa memória inspira o nosso trabalho.

Axel Grael


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