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domingo, 29 de março de 2026

PLANAVEG: Concluído primeiro leilão para concessão de área para restauração

Momento da batida do martelo após leilão na B3, em São Paulo - Foto: Fernando Donasci/MMA

Na B3, Governo do Brasil realiza primeira concessão do país para restauração com base em créditos de carbono na Flona do Bom Futuro

Certame representa marco na política ambiental brasileira ao estabelecer a restauração florestal como pilar da atividade econômica, estimulando a inclusão social e geração de renda.

Governo do Brasil realizou, nesta quarta-feira (25/3), na B3, em São Paulo (SP), o primeiro leilão de concessão voltado à restauração florestal com geração de créditos de carbono. O certame foi conduzido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e teve como objeto a Unidade de Manejo II (UM II) da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia.

A empresa brasileira Re.green, especializada em recuperação de ecossistemas, foi a vencedora do leilão e será a responsável por gerir a área de 51,2 mil hectares ao longo dos próximos 40 anos. A iniciativa prevê a restauração de 6.290 hectares de áreas degradadas, com foco na recomposição das funções ecológicas, conservação da biodiversidade e contribuição para o enfrentamento da mudança do clima.

O modelo de concessão é inédito no país e representa um marco na política ambiental brasileira ao estabelecer a restauração florestal como pilar da atividade econômica. A proposta permite ao parceiro privado a comercialização de créditos de carbono e de produtos da silvicultura de espécies nativas como fontes de financiamento para custear a recuperação da floresta.

A concessão contribuirá para que o Brasil atinja o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). Já há, no país, 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação, quase um terço da meta.

Já há, no país, 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação, quase um terço da meta. Saiba mais aqui.

“Essa é uma proposta inédita. Somos um país de cultura extrativista, mesmo que em bases sustentáveis. Por meio desta iniciativa, estamos impulsionando a agenda de restauração, que gera como frutos, neste caso, créditos de carbono. Esse ineditismo significa uma virada, uma mudança de paradigma. Por isso, celebramos o resultado do leilão”, destaca a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

O diretor-geral do SFB, Garo Batmanian, ressaltou que o resultado do leilão comprova a viabilidade da modelagem estruturada pelo órgão. "A restauração é uma necessidade no Brasil para protegermos nossos biomas e garantirmos que as populações locais possam utilizar os serviços ambientais gerados. O sucesso do leilão de hoje é um marco que coincide com os 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro, iniciando uma nova fase. Esta é a nossa primeira iniciativa focada em recuperação ecológica, mas já atuamos com concessões há 18 anos, somando 26 contratos vigentes em constante aprimoramento. Toda essa dinâmica integra as comunidades locais, gerando emprego e renda. Essa iniciativa representa um avanço histórico pelo impacto fundamental que a restauração traz para a conservação da natureza no país", disse.

“A Floresta Nacional do Bom Futuro é uma das Unidades de Conservação mais pressionadas da Amazônia”, pontuou a diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “A escolha de Bom Futuro sinaliza a decisão de começar exatamente pelo caso mais desafiador, demonstrando nosso compromisso com a recuperação dessas áreas e a retomada da governança territorial.”

Na avaliação do superintendente da Área de Solução de Infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ian Ramalho, o projeto representa um avanço importante para a agenda de restauração no país. “É uma experiência capaz de iluminar o caminho para a restauração necessária nas florestas brasileiras em áreas públicas”, afirmou.

Impactos socioeconômicos e ambientais

A proposta da Re.green atendeu a todos os rigorosos critérios técnicos, financeiros e ambientais exigidos pelo edital estruturado pelo SFB. Os principais números projetados para a unidade arrematada incluem:
  • Área total sob gestão: 51.211 hectares.
  • Área de restauração direta: 6.290 hectares.
  • Investimento estimado (Capex): R$ 87 milhões ao longo de 40 anos.
  • Impacto climático: Potencial de geração de 1.897.302 toneladas de CO2 equivalente.
  • Geração de empregos: 479 postos de trabalho na região (272 diretos e 207 indiretos).
  • Retorno financeiro: Outorga média anual de R$ 89 mil, com repasses garantidos ao SFB, Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), estado, município e ICMBio.
Um dos diferenciais do projeto é a inclusão produtiva das comunidades locais. O povo indígena Karitiana, que foi consultado durante o processo de estruturação do edital, manifestou interesse e terá participação ativa na cadeia produtiva, com atuação no fornecimento de sementes e mudas de espécies nativas, insumos essenciais para a restauração ecológica na região.

Próximos Passos

A concessão da Flona de Bom Futuro integra um conjunto mais amplo de estruturação de ativos ambientais pelo Governo do Brasil. Atualmente, em parceria com o BNDES e o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o SFB estrutura 17 novos projetos de concessão, sendo 10 de manejo florestal sustentável e sete focados em restauração florestal.

O SFB realizará agora uma avaliação técnica detalhada deste primeiro processo para incorporar aprendizados e aprimorar os próximos editais, incluindo a UMF I (lote que não recebeu propostas nesta rodada), visando ampliar a competitividade sem abrir mão da integridade ambiental.

Fonte: MMA


domingo, 22 de março de 2026

MapBiomas mostra onde a recuperação da vegetação nativa está acontecendo no Brasil



Autoria: Luana Carvalho
Revisão: Fernanda Rodrigues
Foto: © Vitor Lauro Zanelatto

A restauração da vegetação nativa é cada vez mais reconhecida como estratégica para o clima, a biodiversidade e a economia no mundo. Dando um novo passo nessa agenda, o MapBiomas lançou o Monitor da Recuperação, ferramenta que amplia a transparência sobre onde e como está acontecendo a recomposição da vegetação no Brasil.


Com base em sensoriamento remoto e em séries históricas que vão de 1985 a 2024, o Monitor da Recuperação identifica, em resolução de 30 metros, o andamento da recuperação da vegetação nativa. A análise combina índices de vegetação, transições de cobertura e uso da terra e a classe atual de cobertura vegetal, permitindo observar onde a vegetação está se recuperando, em que ritmo e sob quais pressões, como degradação, fogo, vegetação secundária e bordas florestais.

Diferentemente de plataformas baseadas em cadastros ou autorrelatos, o Monitor faz uma leitura automática, independente e espacialmente integrada do território, oferecendo um retrato contínuo e comparável ao longo do tempo. “A ideia é observar todos os lugares que, por algum motivo, deveriam estar passando por um processo de regeneração e avaliar se isso está acontecendo ou não”, explica Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas. “É uma ferramenta que auxilia quem formula políticas públicas e também quem precisa monitorar projetos e áreas em grande escala”, finaliza.

O Monitor integra dados de instituições como o IBAMA, o ICMBio, secretarias estaduais de meio ambiente e plataformas parceiras, como o Observatório da Restauração e Reflorestamento (ORR) e o SARE (Sistema de Áreas em Recuperação do Estado de São Paulo). A maior parte das áreas vem de embargos federais e estaduais, desde áreas de desmatamento, com exigência legal de recuperação, até iniciativas voluntárias de regeneração.

Mais do que um novo produto, o Monitor da Recuperação representa uma mudança de fase no campo da restauração. Essa base permite avaliar resultados concretos de recomposição da vegetação nativa, seja ativa ou passiva, e apoiar o planejamento e a fiscalização ambiental em diferentes escalas. O lançamento marca a maturação do campo da restauração, ao combinar compromisso social com verificação técnica e monitoramento independente em larga escala.

Um ecossistema de monitoramento complementar

O lançamento do Monitor não substitui as plataformas existentes, ele as complementa, fortalecendo um ecossistema de monitoramento que combina diferentes escalas e metodologias.

A Plataforma Geoespacial do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica tem foco na mobilização, no reconhecimento e no monitoramento participativo das ações de restauração no bioma, funcionando como uma vitrine das iniciativas declaradas. Mostra quem está restaurando, onde e com qual técnica, seu diferencial está na origem e finalidade dos dados: as informações são fornecidas pelos próprios executores das ações, o que permite reconhecer e valorizar os esforços coletivos, dependendo da adesão voluntária para ampliar a cobertura e representatividade. A plataforma do Pacto reflete as iniciativas em execução e os compromissos assumidos pelos atores da restauração na Mata Atlântica.

Já o Observatório da Restauração e Reflorestamento (ORR), coordenado pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, articula os coletivos biomáticos brasileiros, aproveitando a capilaridade que possuem no território para a circulação fluida e qualificada de dados sobre restauração. Atua com o Governo Federal, apoiando a Comissão Nacional para Recuperação da Vegetação Nativa (Conaveg), se colocando como a camada de recuperação voluntária no Brasil. Depende também do auto-reporte das instituições e organizações que executam, financiam ou apoiam ações de restauração. Mostrando especialmente como a restauração está acontecendo, reunindo dados de campo, técnicas utilizadas e motivações (como carbono, PSA, técnica ou regularização ambiental).

Em escala global, a Restor atua como uma plataforma aberta de dados geoespaciais que conecta milhares de iniciativas de restauração e conservação em mais de 140 países. Com o propósito de integrar e comunicar, reúne informações locais sobre projetos, espécies e diversas camadas ecológicas, cruzando-as com bases globais de satélite para oferecer uma visão no cenário mundial, divulgando também editais de financiamento. Em parceria institucional com a FAO, a plataforma colabora com o Framework for Ecosystem Restoration Monitoring (FERM), sistema oficial da ONU para o acompanhamento da Década da Restauração de Ecossistemas (2021–2030), que consolida dados validados por governos. Juntas, Restor e FERM cumprem uma função global e institucional: a primeira integra e comunica, enquanto o segundo reporta e valida, transformando as informações em sínteses oficiais sobre o avanço mundial da restauração. FERM e ORR firmaram recentemente parceria para integração de dados em tempo real, visando aumentar a interoperabilidade das informações para quem as utiliza.

Em resumo, essas plataformas se complementam ao responder perguntas distintas dentro do mesmo esforço coletivo: o MapBiomas mostra onde a recomposição acontece; o Pacto, quem está restaurando e como na Mata Atlântica; o ORR, porque e em que contexto; enquanto Restor e FERM conectam e comunicam o avanço global da restauração. Juntas, formam um sistema integrado que une ciência, gestão e ação coletiva. O desafio permanece em transformar a base de evidências em políticas e decisões efetivas, consolidando uma restauração verificável, mensurável e em constante aprimoramento.

Conheça mais as plataformas:
> Monitor da Recuperação
> Plataforma Pacto pela Restauração da Mata Atlântica
> Observatório da Restauração e Reflorestamento
> Restor
> Framework for Ecosystem Restoration Monitoring

Fonte: Diálogo Florestal





quinta-feira, 19 de março de 2026

Fundo Clima: BNDES investe R$ 150 milhões para recuperar 15 mil hectares de Mata Atlântica no Norte do RJ

Foto: Lucas Ninno/Getty Images

Projeto apoiado com recursos do Fundo Clima terá foco inicial nas cidades fluminenses de Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana e Quissamã 

No longo prazo, a recuperação da cobertura vegetal contribuirá para proteger a biodiversidade, reduzir enchentes, mitigar a estiagem, melhorar a infiltração da água no solo e estabilizar áreas sujeitas à erosão

O financiamento reforça a posição do Brasil como referência global em restauração florestal. Desde 2023, BNDES já mobilizou mais R$ 7 bilhões para o setor

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a empresa Tree Agroflorestal S.A. (Tree+) assinaram nesta segunda-feira, 2,contrato de financiamento de R$ 151,8 milhões para apoio a restauração ecológica de 15 mil hectares de áreas degradadas do bioma Mata Atlântica. Os recursos são provenientes do Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos e destinam-se ao plantio e à regeneração de vegetação nativa. Participaram da assinatura do contrato, a diretora Socioambiental do Banco, Tereza Campello e o diretor geral da Tree+, Sandro Longuinho.

A Tree+ desenvolve suas atividades inicialmente no Norte Fluminense, nos municípios de Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana e Quissamã. O território-alvo poderá incluir áreas complementares no sul do Espírito Santo e na Zona da Mata Mineira, fortalecendo a conectividade ecológica regional. Ao longo de 2025, a Tree+ já realizou ações de recuperação em cerca de 2 mil hectares.

Foto: André Telles/BNDES

A recuperação será realizada em Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais (RLs) e áreas voluntárias adicionais, em conformidade com o Código Florestal e a Lei da Mata Atlântica. Serão utilizadas exclusivamente espécies nativas do bioma, de forma a estimular a reconexão de fragmentos florestais, a recuperação de habitats e o retorno gradual da fauna silvestre.

“O governo Lula recolocou o Brasil no centro da agenda global do clima, com compromisso real com a redução do desmatamento e a restauração de florestas. A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, mais degradados do país. Apoiar projetos de recuperação em escala é essencial para proteger a biodiversidade, enfrentar eventos climáticos extremos e gerar emprego e renda nos territórios”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O bioma Mata Atlântica abriga cerca de 20 mil espécies vegetais — aproximadamente 35% das espécies brasileiras, muitas delas endêmicas. Segundo dados do MapBiomas, a Mata Atlântica é o bioma brasileiro com menor cobertura vegetal remanescente, cenário particularmente crítico no Norte Fluminense.

No longo prazo, a iniciativa promoverá a recuperação estrutural do solo, com melhoria significativa de suas condições físicas, biológicas e hidrológicas, ampliando a infiltração e o armazenamento de água, mitigando alagamentos sazonais e processos erosivos. O projeto adota uma abordagem integrada da paisagem, que incorpora os produtores rurais como parceiros estratégicos do negócio. Utilizando sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) como ferramenta-chave de incentivo produtivo, essa abordagem recupera a funcionalidade e produtividade das áreas de agropecuária, criando viabilidade econômica para a adesão voluntária à restauração florestal. Assim, o modelo de desenvolvimento rural se torna sustentável e alia conservação ambiental, segurança hídrica e geração de renda, além de ser um instrumento de mitigação climática.

Portanto, além dos ganhos ambientais, o projeto vai gerar impactos socioeconômicos na região. Durante a fase de implantação, a estimativa é de criação de mais de 800 empregos diretos e indiretos, com destaque para atividades de campo, viveiros, coleta de sementes, manutenção florestal e serviços técnicos especializados. A iniciativa também tem um compromisso com a inclusão de mulheres e está desenvolvendo parcerias para capacitação de mão-de-obra feminina e projetos de incentivo ao empreendedorismo local, com foco especial nesse público.

A certificação de créditos de carbono, estruturada segundo metodologias internacionais de alta integridade, associa a recuperação florestal à remoção de gases de efeito estufa e amplia o potencial de geração de receitas através de serviços ambientais. O projeto contribui ainda para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6, 13 e 15, relacionados à água, à ação climática e à vida terrestre.

“O investimento do BNDES representa um valor que vai além do econômico: é um indicativo de que a recuperação de áreas degradadas se tornou uma prioridade nacional, estimulando também o engajamento do capital privado nesse propósito. Essa parceria, além de promover ganhos ambientais por meio do restabelecimento de habitats, cria um verdadeiro hub de serviços florestais e ecossistêmicos que expressam a vocação natural do Brasil e do Norte fluminense, gerando emprego e renda a partir de seus recursos renováveis” afirmou a diretora de ESG da Tree+, Adauta Braga.

O financiamento reforça o papel do BNDES para posicionar o Brasil como referência global em restauração florestal, bioeconomia e soluções baseadas na natureza, em consonância com o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destaca que a operação reforça o papel do Banco como indutor do desenvolvimento sustentável nos territórios. “A restauração florestal é uma política pública estratégica. Ela recupera o meio ambiente, gera trabalho, fortalece economias locais e reduz a vulnerabilidade climática. Ao apoiar projetos como este no Norte Fluminense, o BNDES contribui para diversificar a base econômica da região e construir uma nova trajetória de desenvolvimento associada à bioeconomia”, afirmou.

O apoio à Tree+ está alinhado à estratégia BNDES Florestas, que posiciona a restauração florestal e a bioeconomia de espécies nativas como eixos estruturantes do desenvolvimento sustentável. A atuação do Banco vem sendo significativamente ampliada nesse setor. Desde 2023, o BNDES já mobilizou mais de R$ 7 bilhões para a conservação e a restauração de florestas brasileiras, por meio de instrumentos reembolsáveis e não reembolsáveis, crédito, garantias, concessões e apoio produtivo. Esses recursos têm fortalecido cadeias produtivas associadas à restauração, como viveiros de mudas, redes de sementes, brigadas florestais, manejo sustentável e projetos de reflorestamento e recuperação ambiental em diferentes biomas.

Sobre o Fundo Clima – Operado pelo BNDES, o Fundo Clima é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima. O fundo apoia projetos voltados à mitigação e adaptação climática, à conservação e recuperação de florestas, à proteção da biodiversidade e à segurança hídrica, promovendo o desenvolvimento sustentável e a transição para uma economia de baixo carbono. O Fundo Clima é destinado a pessoas jurídicas de direito privado com sede e administração no País e oferece financiamento para atividades de restauração e mitigação climática, com foco em áreas prioritárias para biodiversidade e desenvolvimento socioeconômico.

Sobre o BNDES Florestas – O BNDES Florestas é a estratégia do Banco para impulsionar a restauração florestal e a bioeconomia de espécies nativas em escala, integrando instrumentos que se reforçam mutuamente, como o BNDES Florestas Crédito (Fundo Clima), o Floresta Viva, o Arco da Restauração, o ProFloresta+, as concessões florestais com restauro e manejo sustentável, o BNDES Floresta Inovação e o Fundo Amazônia, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando impactos ambientais, climáticos e sociais.

Sobre a Tree+ - A Tree Agroflorestal S.A. é uma empresa brasileira do setor de bioeconomia que desenvolve projetos de restauração ecológica, manejo florestal sustentável e geração de créditos de carbono, integrados à recuperação de paisagens degradadas. A companhia desenvolve a implantação de um mosaico florestal de cerca de 50 mil hectares no Sudeste brasileiro, combinando recuperação da Mata Atlântica, sistemas agroflorestais e manejo florestal sustentável. Os investimentos totais previstos pela Tree+ ultrapassam R$ 800 milhões até 2031, com foco na conectividade ecológica, na recuperação de solos e na proteção de recursos hídricos. A Tree+ pertence ao portfólio da Lorinvest Gestora de Investimentos."

Fonte: Agência BNDES de Notícias 



quinta-feira, 12 de março de 2026

PLANAVEG: MMA e BNDES anunciam aporte de R$ 69,5 milhões para restaurar áreas protegidas em seis estados da Amazônia

Anúncio foi feito durante o workshop na CNI, em Brasília. - Foto: Augusto Coelho/CNI

Quarto ciclo da iniciativa seleciona 11 propostas para restaurar áreas prioritárias da Amazônia Legal; projetos apoiados vão recuperar 2.877 hectares em Unidades de Conservação e fortalecer cadeias produtivas da restauração florestal

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciaram, nesta quarta-feira (11), em Brasília (DF), o resultado do 4º ciclo de editais da iniciativa Restaura Amazônia, que selecionou 11 projetos voltados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal na Amazônia Legal.

A iniciativa integra a estratégia do Governo do Brasil para ampliar a escala da restauração no país e fortalecer a implementação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que estabelece a meta de restaurar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030.

Ao todo, foram selecionados 11 projetos que somam R$ 69,5 milhões destinados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal, com previsão de restaurar 2.877 hectares em Unidades de Conservação prioritárias da Amazônia Legal. As ações serão implementadas nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão. O edital contou ainda com recursos adicionais da Petrobras.

A Petrobras vem apoiando iniciativas como o Restaura Amazônia, programa que estimula a utilização de soluções baseadas na natureza. São soluções que promovem a conservação da biodiversidade ao mesmo tempo que impulsionam transformações sociais positivas nas comunidades envolvidas, com geração de renda e oportunidades de mitigação das mudanças do clima, adaptação e aumento da resiliência climática. Ao lado de ações como a descarbonização da produção e o desenvolvimento de novas fontes de energia, esses investimentos socioambientais fazem parte da estratégia da Petrobras no processo de transição energética justa, em linha com os desafios globais de sustentabilidade.

O anúncio foi feito durante o workshop Restauração em Escala – Integração Federativa para a Recuperação da Vegetação Nativa, realizado no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O evento reuniu representantes do Governo do Brasil, do setor produtivo e de organizações da sociedade civil para debater estratégias de ampliação da restauração florestal no país.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para a criação de um novo ciclo de prosperidade baseado em uma dinâmica econômica que preserve a floresta.

“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo arco do desmatamento no arco da restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito", afirmou.

Na avaliação do secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, a restauração florestal, alvo da iniciativa do Fundo Amazônia, se tornou um compromisso estratégico do país no cenário internacional e uma agenda transversal dentro do Governo do Brasil.

“O Brasil assumiu, no âmbito do Acordo de Paris e da sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada, o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030. Essa agenda deixou de ser apenas uma política ambiental e passou a perpassar diversos programas de governo, e estamos avançando muito rapidamente. Temos enorme potencial de regeneração por sermos um país tropical, com elementos vitais para acelerar a restauração. Já contamos com cerca de 3,4 milhões de hectares em processo de restauração, principalmente natural, que precisamos apoiar e garantir que continuem seu processo de recuperação”, disse.

A secretária de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, destacou que as iniciativas de restauração florestal precisam estar conectadas a objetivos de longo prazo e à construção de cadeias produtivas sustentáveis. Segundo ela, os projetos apoiados pelo governo, como os editais voltados à restauração em Unidades de Conservação e em terras indígenas, buscam não apenas recuperar áreas degradadas, mas também preparar as florestas que serão manejadas no futuro.

“As escolhas que fazemos agora terão repercussão em diversas cadeias produtivas. A restauração não é um fim em si mesma; ela é uma etapa, um meio para impulsionar outras cadeias e fortalecer a conservação em territórios como Unidades de Conservação e terras indígenas", reforçou.

“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

O quarto ciclo de editais teve como foco Unidades de Conservação prioritárias e contou com três chamadas públicas organizadas pelo IBAM, pela FBDS e pela CI-Brasil em três macrorregiões da Amazônia Legal.

Foram selecionadas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas. Os projetos atuarão em áreas estratégicas da Amazônia Legal, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), o Parque Nacional Campos Amazônicos e as Florestas Nacionais do Jamari e do Jacundá (RO), a APA Ilha do Bananal/Cantão (TO), a APA Cabeceiras do Rio Cuiabá e a Estação Ecológica do Rio Roosevelt (MT), além da Reserva Biológica do Gurupi, da Reserva Extrativista do Ciriaco e da Terra Indígena Awá (MA), bem como da Reserva Extrativista do Rio Iriri (PA).

Esses territórios são considerados prioritários tanto para a restauração da vegetação nativa quanto para o fortalecimento de cadeias produtivas da bioeconomia associadas à recuperação florestal na Amazônia.

A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a iniciativa articula conservação ambiental e desenvolvimento econômico local. “A restauração da vegetação nativa também significa geração de renda, fortalecimento de cadeias produtivas e oportunidades para comunidades que vivem na floresta. O Restaura Amazônia apoia projetos que unem recuperação ambiental e inclusão produtiva”, afirmou.

Restaura Amazônia

O Restaura Amazônia dialoga com o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), principal instrumento da Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), que estabelece a meta de recuperar 12 milhões de hectares de florestas em todo o país até 2030.

O programa integra a estratégia do Arco da Restauração, iniciativa do Governo do Brasil voltada à recuperação de áreas degradadas na região conhecida como Arco do Desmatamento. O projeto prevê aporte total de R$ 1 bilhão, sendo R$ 450 milhões não reembolsáveis do Fundo Amazônia destinados ao Restaura Amazônia.

A iniciativa é financiada com recursos do Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES, e conta com a parceria do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, responsável pela coordenação do Fundo.

Criado em 2023, o programa apoia projetos de restauração ecológica e produtiva com espécies nativas na Amazônia Legal, especialmente no chamado Arco do Desmatamento, buscando promover sua transformação no chamado Arco da Restauração.

Com o anúncio do quarto ciclo, o Restaura Amazônia consolida um conjunto de 12 chamadas públicas voltadas a diferentes territórios prioritários da região.

Os três primeiros ciclos contemplaram projetos em Unidades de Conservação, assentamentos da reforma agrária e terras indígenas, fortalecendo estratégias de restauração florestal com participação de comunidades locais e organizações socioambientais.

Nesta etapa, o programa passa a alcançar 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos e 35 Terras Indígenas, por meio do apoio a 58 projetos de restauração ecológica e produtiva no Arco do Desmatamento. Ao todo, quase 15 mil hectares serão recuperados pela iniciativa.

As chamadas integram uma estratégia mais ampla de mobilização de investimentos para restaurar áreas degradadas na Amazônia e desenvolver uma cadeia produtiva estruturada para a recuperação da vegetação nativa.

Fonte: MMA


sábado, 29 de novembro de 2025

PLANAVEG: Brasil anuncia 3,4 milhões de hectares em processo de restauração

3,4 milhões de hectares em processo de recuperação da vegetação nativa foram anunciados na COP30. - Foto: Fernando Donasci/MMA

Número representa quase um terço da meta nacional de 12 milhões de hectares previstos no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg)

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) anunciou, durante a COP30, que o Brasil já conta com 3,4 milhões de hectares em processo de recuperação da vegetação nativa no âmbito do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg). O resultado representa quase um terço da meta nacional de 12 milhões de hectares até 2030 e consolida a restauração como uma agenda estruturante para enfrentar a emergência climática, a perda de biodiversidade e a degradação dos solos.

O anúncio foi feito durante o evento Agenda Restaura Brasil – Conectando Convenções, Impactando Pessoas e Natureza, onde o MMA apresentou seu conjunto de iniciativas estruturantes para ampliar a restauração em todos os biomas. A atividade destacou como o MMA articula políticas públicas, cooperação internacional, mecanismos financeiros e governança territorial para transformar a recuperação da vegetação nativa em um esforço integrado, contínuo e capaz de gerar impacto ambiental, social e econômico em todo o país.

O avanço histórico decorre de um processo de mapeamento conduzido pelo MMA, no âmbito da Comissão Nacional para a Recuperação da Vegetação Nativa (CONAVEG), em parceria com a FAO e a União pela Restauração — aliança formada por CI-Brasil, TNC Brasil, WRI Brasil e WWF-Brasil, além da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura. Esse trabalho permitiu integrar diferentes camadas de monitoramento e produzir a visão mais robusta já elaborada sobre a restauração em todos os biomas brasileiros.

A secretária de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, ressalta que o país vive uma inflexão positiva nesse campo. “A agenda da restauração é positiva, e a natureza trabalha a nosso favor. Muitas áreas em regeneração natural avançam com intensidade e contribuem para a regularização ambiental e para paisagens mais resilientes. O engajamento de comunidades, coletivos e empreendedores da restauração tem sido decisivo para agregar valor às florestas recuperadas e fortalecer a cadeia produtiva.”

Grande parte dos 3,4 milhões de hectares mapeados pelo MMA corresponde justamente a áreas de vegetação secundária em regeneração — florestas que avançam de forma natural e espontânea, impulsionadas pela resiliência dos ecossistemas, pela redução das pressões e pelo esforço de proteção e governança ambiental. Essa dinâmica destaca a importância da regeneração natural como caminho estratégico, eficiente e de baixo custo para alcançar escala em restauração no Brasil.

"Os dados mostram que a restauração no Brasil deixou de ser expectativa e se tornou realidade concreta, medida com rigor técnico e distribuída em todos os biomas. Este é um esforço coletivo do Estado brasileiro e da sociedade”, afirma Thiago Belote, diretor do Departamento de Florestas do MMA.

Avanço distribuído por Terras Indígenas, áreas privadas e unidades de conservação

A consolidação de 3,4 milhões de hectares resulta da integração de bases de dados oficiais e processos de monitoramento que revelam a recuperação da vegetação em áreas públicas e privadas. Entre elas, estão Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Áreas de Preservação Permanente (APPs), áreas de uso restrito, Reservas legais e instrumentos de responsabilização ambiental.

No caso das APPs, Áreas de Uso Restrito e Reservas Legais incluídas no cômputo, trata-se exclusivamente de áreas localizadas em propriedades com Cadastro Ambiental Rural (CAR) já validado, garantindo rastreabilidade, segurança jurídica e consistência técnica.

Resumo do cômputo da restauração (hectares)
Observação: APP, AUR e RL contabilizadas referem-se a áreas situadas em propriedades com CAR validado

O papel do governo federal: transformar restauração em política de Estado

O governo federal, por meio do MMA, tem orientado a agenda de restauração para que ela seja permanente, integrada e capaz de gerar impacto em escala. Isso envolve o fortalecimento da governança federativa e multissetorial, liderada pela CONAVEG, e suas estruturas de articulação territorial e temática; a garantia de transparência da contabilização, com bases integradas e critérios técnicos claros; a estruturação de cadeias produtivas capazes de sustentar a restauração, da semente ao mercado; e a operação de sistemas de monitoramento robustos, assegurando rastreabilidade e consistência técnica.

Novos instrumentos: ciência, governança e priorização territorial

Durante a agenda, foi divulgado o primeiro mapa de áreas prioritárias para restauração na Amazônia, validado pela Câmara Consultiva Temática do Planaveg. O levantamento considera critérios ambientais, sociais e econômicos — biodiversidade, clima, água, emprego, custo-efetividade e uso do solo — e representa um passo essencial para orientar investimentos e garantir impacto territorial.

Até meados de 2026, serão apresentados os mapas de áreas prioritárias dos demais biomas, integrando bases públicas e privadas em um Sistema Nacional Unificado de Monitoramento.

Um mapa de futuro: permanência da restauração, finanças inovadoras e cooperação internacional

O marco dos 3,4 milhões de hectares inaugura uma nova fase da política pública de restauração no Brasil. O país avança agora em três frentes decisivas.

A primeira delas é a garantia da permanência da vegetação secundária. Os próximos anos serão determinantes para assegurar que a vegetação em processo de recuperação avance para estágios mais maduros e permanentes. Para isso, o MMA reforçará a implementação dos Planos de Prevenção e Controle do Desmatamento (PPCDs) em todos os biomas e a a execução efetiva do Código Florestal, garantindo proteção e manejo adequado de APPs, Reservas Legais e áreas em regeneração.

Esses instrumentos são essenciais para dar estabilidade, segurança jurídica e previsibilidade à restauração.

A segunda é a integração dos mecanismos financeiros e atração de novos investimentos. Para alcançar escala, o Brasil avançará na integração de mecanismos financeiros em modelos de blended finance, combinando recursos públicos, privados e internacionais para reduzir riscos, ampliar investimentos e estimular atividades sustentáveis nos territórios.

Além disso, o país está em processo de formalização de novas parcerias com organismos internacionais, fortalecendo o acesso a financiamentos de longo prazo para restauração, biodiversidade, clima e desenvolvimento territorial.

A terceira é a implementação de instrumentos que aceleram o impacto. Iniciativas como o Fundo Tropical das Florestas (TFFF), o fortalecimento das cadeias produtivas da restauração, territórios prioritários e as florestas produtivas são caminhos estratégicos para ampliar resultados e conectar conservação, produção e geração de renda.

Esforço coletivo, visão de longo prazo

O Brasil demonstra que a restauração é um compromisso de Estado, uma agenda de país e uma oportunidade para construir paisagens mais resilientes, produtivas e inclusivas.

O avanço até aqui só foi possível porque governos, organizações, comunidades, povos e comunidades tradicionais, produtores rurais e o setor privado caminham juntos.

O país seguirá ampliando esse esforço — com base técnica sólida, instrumentos financeiros inovadores e cooperação internacional — para atingir os 12 milhões de hectares até 2030 e consolidar uma nova economia da restauração.

Fonte: MMA


domingo, 5 de outubro de 2025

PRINICIPAIS INICIATIVAS DE RESTAURAÇÃO DE ECOSSISTEMAS EM ANDAMENTO NO MUNDO

Floresta secundária – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

Em 2019, seguindo uma proposta assinada por 70 países, a ONU lançou a Década Para a Restauração dos Ecossistemas 2021-2030 e exortou os países a se dedicarem a um grande esforço de plantios e recuperação de florestas, para ajudar a enfrentar a emergência climática, para proteger solos e mananciais, para proteger a biodiversidade e para garantir a segurança alimentar.

Apesar dos investimentos em desenvolvimento de tecnologias para retirar artificialmente o carbono da atmosfera, até agora o método mais barato, eficaz e que mais gera benefícios diretos e indiretos é o plantio de florestas e a restauração de ecossistemas. Além disso, cientistas afirmam que a restauração de apenas 15% dos ecossistemas em áreas prioritárias pode reduzir as extinções em 60%, por meio da melhoria dos habitats (PNUMA). 

Florestas fixam o dobro de carbono (CO2) do que emitem. Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change e disponível no Global Forest Watch concluiu que as florestas do mundo sequestraram cerca de duas vezes mais dióxido de carbono do que emitiram entre 2001 e 2019. Em outras palavras, as florestas fornecem um “sumidouro de carbono” com uma absorção líquida de 7,6 bilhões de toneladas de CO2 por ano, 1,5 vez mais carbono do que os Estados Unidos, segundo maior emissor do mundo, emitem anualmente (WRI). No entanto, a fixação de carbono acontece de forma diferenciada dependendo do bioma. É o que mostra o mapa abaixo:


Usando essa informação granular, descobrimos que as florestas do mundo emitem em média 8,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera todos os anos por conta de desmatamento e degradação, e absorvem 16 bilhões de toneladas de CO2 por ano (WRI).


Como pode ser visto na figura acima, as florestas em pé fixam carbono. As áreas desmatadas liberam carbono devido ao fogo ou à decomposição da matéria orgânica e as florestas em regeneração tem grande capacidade de fixação de carbono devido ao seu aumento de biomassa.

Para mais informações, acesso Florestas absorvem duas vezes mais CO2 do que emitem por ano.

Importante destacar que estudos consideram que mesmo recuperando a cobertura vegetal (dossel) através da regeneração natural, há uma significativa redução do número de espécies. "Um estudo internacional sobre florestas tropicais traz certo otimismo sobre a recuperação de áreas desmatadas. A partir de observações de ecólogos em todo o mundo, foi relatado que as espécies de árvores se regeneram em questão de décadas, formando as chamadas florestas secundárias. A perda de espécies, por outro lado, é inevitável" (Jornal da USP).

Devemos sempre alertar que as queimadas fazem com que todo o estoque de carbono retido na floresta vá para a atmosfera, agravando a crise climática. O Brasil precisa enfrentar e prevenir esse mal, pois o fogo em vegetação é a maior fonte de emissões de gases do efeito estufa (GEE) do país. 

BRASIL - Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa - PLANAVEG: 12 milhões de hectares

Capa do novo PLANAVEG 2025-2028. Para acessar o relatório, clique aqui.

O PLANAVEG foi lançado em 2019, mas só ganhou impulso a partir do lançamento da sua versão atualizada em 2024. O programa tem uma forte ambição de restaurar 12 milhões de hectares de áreas degradadas até 2030. Saiba mais aqui: QUEIMADAS: QUANTO CUSTA RESTAURAR AS FLORESTAS PERDIDAS?

A iniciativa brasileira tem potencial para ser uma das mais relevantes no mundo e ser decisiva na agenda climática. Os trabalhos estão começando e temos uma grande perspectiva pela frente, considerando as condições favoráveis brasileiras e pelo fato de termos a maior extensão de terras disponíveis para este tipo de trabalho.

Apesar da relevância e da ambição do PLANAVEG, o programa não fez parte das atividades selecionadas pela ONU, talvez por não ser ainda um projeto maduro e em execução na época da seleção do programa Década de Restauração, que foi divulgado em 2022. Que o PLANAVEG avance e conquiste o seu lugar dentre as maiores iniativas do mundo.

AS 10 INICIATIVAS DE RESTAURAÇÃO PREMIADAS PELA ONU

Os países já se comprometeram perante o Acordo de Paris a restaurar 1 bilhão de hectares - uma área maior do que a China - como parte das metas internacionais de clima, natureza e terra. No entanto, pouco se sabe sobre o progresso ou a qualidade dessa restauração (PNUMA)

Passados os primeiros 5 anos da Década da Restauração, apresentamos algumas das mais destacadas experiências em andamento no mundo, com base no anúncio realizado pela ONU, em 2022, das 10 principais iniciativas de restauração no mundo. O anúncio foi feito durante a COP15 da Conferência da Biodiversidade, realizada em Montreal. As iniciativas foram reconhecidas como Iniciativas de Referência da Restauração Mundial da ONU (UN World Restoration Flagship). O objetivo é dar visibilidade para as melhores iniciativas em larga escala e de longo prazo.

Juntas, as 10 iniciativas selecionadas já representam mais de 68 milhões de hectares - uma área maior do que Mianmar, França e Somália juntos - e criam 15 milhões de empregos (PNUMA). O PLANAVEG ainda não faz parte desta conta, mas caso sejam incluídos os 12 milhões de hectares da contribuição brasileira, a conta aumentaria em quase 18% e chegaria a 80 milhões de hectares.

Vejam, a seguir, as 10 melhores iniciativas selecionadas pelo PNUMA:


Imagem de: Lucca Messer/PNUMA

Brasil, Paraguai e Argentina - Pacto Trinacional pela Mata Atlântica - 15 milhões de hectares até 2050. (para mais informações: site)

A Mata Atlântica cobria originalmente uma faixa do Brasil, Paraguai e Argentina. Mas ela foi reduzida a fragmentos por séculos de exploração madeireira, expansão agrícola e construção de cidades.

Centenas de organizações estão ativas nos esforços de décadas para proteger e restaurar a floresta em todos os três países. Suas iniciativas estão criando corredores de vida selvagem para espécies ameaçadas, como a onça-pintada e o mico-leão dourado, garantindo o abastecimento de água para as pessoas e a natureza, combatendo e construindo resistência às mudanças climáticas e criando milhares de empregos.

Cerca de 700.000 hectares já foram restaurados, com a meta de restaurar mais 1 milhão de hectares até 2030 e 15 milhões até 2050.

A iniciativa é coordenada pelo Pacto pela Restauração da Mata Atlântica e pela Rede Trinacional para a Restauração da Mata Atlântica. Recebe apoio de mais de 300 parceiros, inclusive: Sociedade Brasileira para a Restauração Ecológica, União Internacional para a Conservação da Natureza, The Nature Conservancy Brazil, World Resources Institute Brazil, World Wide Fund Brazil, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e muitas outras organizações internacionais e locais.

Saiba mais sobre a iniciativa acessando aqui: WWF


Image by: Abu Dhabi Environment Agency

Emirados Árabes Unidos - Restauração dos Ecossistemas Costeiros e Marinhos de Abu Dhabi - 12 mil hectares (Para mais informações: site)

Salvaguardar a segunda maior população mundial de dugongos é um objetivo do esforço dos Emirados Árabes Unidos para restaurar leitos de ervas marinhas — a comida preferida dos dugongos vegetarianos — recifes de coral e mangues ao longo da costa do Golfo.

O projeto no emirado de Abu Dhabi irá melhorar as condições de muitas outras plantas e animais, incluindo quatro espécies de tartarugas e três tipos de golfinhos. As comunidades locais se beneficiarão do renascimento de algumas das 500 espécies de peixes, bem como de maiores oportunidades para o ecoturismo.

Abu Dhabi quer garantir que seus ecossistemas costeiros sejam resistentes diante do aquecimento global e do rápido desenvolvimento costeiro no que já é um dos mares mais quentes do mundo.

Cerca de 7.500 hectares de áreas costeiras já foram restaurados, com outros 4.500 hectares em restauração para 2030. A iniciativa é coordenada pela The Environment Agency - Abu Dhabi.


Image by: Artisan Productions/UNEP

África - Grande Muralha Verde para a Restauração e a Paz - 100 milhões de hectares e 10 milhões de empregos (para mais informações: site)

A Grande Muralha Verde é uma iniciativa ambiciosa para restaurar savanas, pastagens e terras agrícolas em toda a África para ajudar as famílias e a biodiversidade a lidar com a mudança climática e evitar que a desertificação continue ameaçando comunidades já vulneráveis.

Lançado pela União Africana em 2007, esta iniciativa procura transformar a vida de milhões de pessoas na região do Sahel, criando um cinturão de paisagens verdes e produtivas em 11 países.

As metas para 2030 da Grande Muralha Verde são restaurar 100 milhões de hectares, sequestrar 250 milhões de toneladas de carbono e criar 10 milhões de empregos.

Enquanto a Grande Muralha Verde tem como meta restaurar terras degradadas que se estendem por todo o continente, o Iniciativa de Referência da Década da ONU tem um foco especial em Burkina Faso e no Níger.

Esta Iniciativa de Referência da Restauração Mundial é coordenada pela Agência Pan-Africana da Grande Muralha Verde, Iniciativa da Grande Muralha Verde do Saara e do Sahel Burkina Faso, Agência Nacional da Grande Muralha Verde da Nigéria, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, A Grande Aceleradora da Muralha Verde - A Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, O Centro de Pesquisa Florestal Internacional, Fórum Mundial de Paisagens e o Programa Mundial de Alimentação.


Image by: Arun Beeman/UNEP

Índia - Rejuvenescimento do Rio Ganges - 135 mil hectares (para mais informações: site)

A restauração da saúde do Ganges, o rio sagrado da Índia, é o foco de um grande impulso para cortar a poluição, reconstruir a cobertura florestal e trazer uma ampla gama de benefícios para as 520 milhões de pessoas que vivem ao redor de sua vasta bacia.

A mudança climática, o crescimento populacional, a industrialização e a irrigação degradaram o Ganges ao longo de seu curso arqueado de 2.700 km desde o Himalaia até a Baía de Bengala.

Lançada em 2014, a iniciativa liderada pelo governo Namami Gange está reflorestando partes da bacia do Ganges e promovendo a agricultura sustentável. Ela também visa reavivar espécies-chave da vida selvagem, incluindo golfinhos de rio, tartarugas-de-casca, lontras e o peixe hilsa shad.

O investimento do governo indiano é de até 4,25 bilhões de dólares até o momento. A iniciativa tem o envolvimento de 230 organizações, com 370 km de rio restaurados. Além disso, até agora foram 30.000 hectares de reflorestamento, com uma meta de 135.000 hectares em 2030.

A iniciativa é coordenada pelo Governo da Índia e pelo Programa Namami Gange com o apoio do Programa de Assentamentos Humanos das Nações Unidas, Banco Mundial, Instituto de Recursos Mundiais e a Agência Alemã de Desenvolvimento.


Crédito Darya Kuznetsova/UNEP

Sérvia, Quirguistão, Uganda e Ruanda - Iniciativa de Montanha Multi-países - (para mais informação: acesse o site)

As regiões montanhosas enfrentam desafios únicos. A mudança climática está derretendo as geleiras, desgastando os solos e fazendo com que as espécies migrem para altitudes maiores — muitas vezes em direção à extinção. A água que as montanhas fornecem às fazendas e cidades nas planícies abaixo está se tornando pouco confiável.

A iniciativa — baseada na Sérvia, Quirguistão, Uganda e Ruanda — mostra como projetos em três regiões diversas estão utilizando a restauração para tornar os ecossistemas de montanha mais resistentes para que possam sustentar sua vida selvagem única e proporcionar benefícios vitais para as pessoas.

Uganda e Ruanda são o lar de uma das duas únicas populações remanescentes do gorila de montanha ameaçado de extinção. Graças à proteção de seu habitat, o número de gorilas duplicou nos últimos 30 anos. No Quirguistão, os pastores estão administrando as pastagens de forma mais sustentável, de modo que fornecem melhores alimentos tanto para o gado quanto para o ibex asiático. Os leopardos da neve estão recuperando lentamente. Na Sérvia, as autoridades estão expandindo a cobertura arbórea e revitalizando os pastos em duas áreas protegidas. Os ursos marrons voltaram às florestas, onde a restauração também está ajudando os ecossistemas a se recuperarem dos incêndios florestais.

Esta Iniciativa de Referência da Restauração Mundial é coordenada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, pela Convenção dos Cárpatos e pela The Mountain Partnership.


Image by: Frank Papushka/UNEP

Vanuatu, Santa Lucia e Comores - Pequenas ilhas em desenvolvimento (para mais informações: site)

Focado em três pequenos estados insulares em desenvolvimento — Vanuatu, Santa Lúcia e Comores — esta iniciativa de referência está ampliando a restauração de ecossistemas únicos e aproveitando o crescimento econômico azul para ajudar as comunidades insulares a se recuperarem da pandemia da covid-19.

As metas incluem uma redução das pressões sobre os recifes de coral, vulneráveis aos danos causados pelas tempestades, para que os estoques de peixes possam se recuperar. Os ecossistemas em restauração também incluem leitos de ervas marinhas, manguezais e florestas.

Além de criar uma "caixa de ferramentas" de soluções para o desenvolvimento sustentável das ilhas, esta iniciativa tem como objetivo ampliar a voz das nações insulares que enfrentam a elevação do nível do mar e a intensificação das tempestades como resultado da mudança climática.

Esta Iniciativa de Referência da Restauração Mundial é coordenada pelo Governo de Comores, Governo de Santa Lúcia, Governo de Vanuatu, The Small Island Developing States Coalition for Nature, The United Nations Department of Economic and Social Affairs, Food and Agriculture Organization of the United Nations, e The United Nations Environment Programme.


Image by: Darya Kuznetsova/UNEP

Cazaquistão e outros países - Iniciativa de Conservação Altyn Dala - 1 bilhão de hectares (para mais informações: site)

Como muitas pastagens no mundo, as vastas estepes da Ásia Central estão em declínio devido a fatores como o pastoreio excessivo, a conversão para terras aráveis e a mudança do clima.

No Cazaquistão, a Iniciativa de Conservação Altyn Dala está trabalhando desde 2005 para restaurar os ecossistemas de pastagens, semidesertos e desertos dentro da faixa histórica do Saiga, um antílope outrora abundante, criticamente ameaçado pela caça e pela perda de habitat.

De fato, a população Saiga havia declinado para 50.000 em 2006, mas recuperou para 1,3 milhões em 2022. Além de revitalizar e proteger a estepe, a iniciativa ajudou a conservar as áreas úmidas que são uma parada vital para uma estimativa de 10 milhões de aves migratórias. Entre as principais espécies de pássaros estão o abibe sociável, o ganso de peito vermelho, o pato de cabeça branca e o grou siberiano.

Esta Iniciativa de Referência da Restauração Mundial é coordenada pela Associação Cazaque para a Conservação da Biodiversidade, Ministério da Ecologia, Geologia e Recursos Naturais da República do Cazaquistão, Fauna & Flora International, Sociedade Zoológica de Frankfurt, Sociedade Real para a Proteção das Aves e a Iniciativa de Conservação de Cambridge.


Image by: Tapi Story Productions/UNEP

Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá - Corredor Seco Agroflorestal da América Central - 100 mil hectares, 5.000 empregos (para mais informações: site)

Expostos a ondas de calor e chuvas imprevisíveis, os ecossistemas e os povos do Corredor Seco da América Central são especialmente vulneráveis às mudanças climáticas. Recentemente, em 2019, um quinto ano de seca deixou 1,2 milhões de pessoas na região precisando de ajuda alimentar.

A utilização de métodos agrícolas tradicionais para construir a produtividade das paisagens, incluindo sua biodiversidade, está no centro desta iniciativa de referência da restauração que abrange seis países: Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá.

Por exemplo, os sistemas agroflorestais que integram a cobertura de árvores com culturas como café, cacau e cardamomo podem aumentar a fertilidade do solo e a disponibilidade de água, enquanto sustentam grande parte da biodiversidade da floresta tropical original.

Até 2030, o objetivo é ter 100.000 hectares em restauração e criar 5.000 empregos permanentes.

Esta iniciativa é coordenada pela Comissão Centro-Americana de Meio Ambiente e Desenvolvimento, o Conselho Agrícola Centro-Americano, o Sistema de Integração Centro-Americana, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o Fundo para o Clima Verde, o Governo de El Salvador, o Centro de Pesquisa Florestal Internacional e a União Internacional para a Conservação da Natureza.


Image by: Nathanial Brown/UNEP

Indonésia - Construindo com a natureza na Indonésia - (para mais informação: site)

Demak, uma comunidade costeira de baixa altitude na ilha principal de Java, na Indonésia, foi flagelada pela erosão, inundações e perda de terras causadas pela remoção de mangues para tanques de aquicultura, subsidência de terras e infraestrutura.

Em vez de replantar árvores de manguezais, esta inovadora iniciativa da Restauração Mundial construiu estruturas semelhantes a cercas com materiais naturais ao longo da costa para acalmar as ondas e reter sedimentos, criando condições para que os manguezais se recuperem naturalmente. O comprimento total das estruturas permeáveis construídas é de 3,4 km e 199 hectares de manguezais foram restaurados.

Em troca da regeneração dos manguezais, os agricultores foram educados em técnicas sustentáveis que aumentaram sua produção de camarão. Com os manguezais fornecendo habitat para uma infinidade de organismos marinhos, os pescadores também viram suas capturas perto da costa melhorar.

Esta Iniciativa de Referência da Restauração Mundial é coordenada pelo Ministério Indonésio de Assuntos Marinhos e Pesca, o Ministério Indonésio de Obras Públicas e Habitação, Wetlands International e Ecoshape com o apoio da Witteveen + Bos, DeltaresTU Delft, Wageningen University & Research, UNESCO-IHE, Blue Forests, Kota Kita, Von Lieberman, a Universidade Diponegoro e as comunidades locais.


Braunosarus Studios/UNEP

China - Iniciativa Shan-Shui - 10 milhões de hectares (para mais informações)

Esta ambiciosa iniciativa combina 75 projetos de grande escala para restaurar ecossistemas, de montanhas a estuários costeiros, em toda a nação mais populosa do mundo.

Lançada em 2016, a iniciativa resulta de uma abordagem sistemática para a restauração. Os projetos se encaixam nos planos espaciais nacionais, trabalham na escala da paisagem ou bacia hidrográfica, incluem áreas agrícolas e urbanas, assim como ecossistemas naturais, e procuram impulsionar múltiplas indústrias locais. Todos incluem metas para a biodiversidade.

Exemplos incluem o Projeto Oujiang River Headwaters na província de Zhejiang, que integra o conhecimento científico com métodos agrícolas tradicionais, como terraplenagem em declive e combinação de culturas com criação de peixes e patos, para tornar o uso do solo mais sustentável.

Até agora, cerca de 2 milhões de hectares foram restaurados. A meta para 2030 é de 10 milhões de hectares.

Fonte: baseado em várias fontes citadas ao longo do texto, mas seguindo prioritariamente as informações do PNUMA.


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QUEIMADAS: QUANTO CUSTA RESTAURAR AS FLORESTAS PERDIDAS?



sexta-feira, 3 de outubro de 2025

QUEIMADAS: QUANTO CUSTA RESTAURAR AS FLORESTAS PERDIDAS?

ÁREA DE PASTO COM ELEVADO NÍVEL DE DEGRADAÇÃO E BAIXA PRODUTIVIDADE: queimadas e o manejo inadequado do solo tem levado extensas áreas do país à erosão, degradação severa e até à desertificação. Através do PLANAVEG e outras iniciativas, o Governo Federal pretende restaurar estas áreas.

Estamos mais uma vez no período de seca no Brasil e as cenas de queimadas, do trabalho duro dos brigadistas, florestas protegidas se perdendo e de sofrimento dos animais, voltam ao noticiário. Ardem o Pantanal, o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica...

Desta vez, temos a notícia divulgada pelo Governo Federal, no dia 01 de outubro, que a área de florestas perdida para o fogo no mês de agosto é bem menor do que nos anos anteriores. Veja, a seguir:

O Brasil alcançou uma redução histórica no número de queimadas registradas no mês de agosto. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram contabilizados 18.451 focos de calor, o menor índice desde o início do monitoramento, em 1998. O resultado representa uma queda de 61% em relação à média histórica para o mês (47.348 focos) e de 13,8% em relação ao recorde anterior, registrado em 2013 (21.410). Esta é a primeira vez que o número fica abaixo de 20 mil focos em agosto (gov.br).

O resultado é muito importante e foi ajudado pelas condições atmosféricas atuais e, importante lembrar, também graças a muito trabalho das autoridades para estruturar uma estratégia de prevenção e respostas ao fogo. Este serviço havia sido desmantelado na gestão federal anterior. Enfim, a queda do número de focos é uma boa notícia e alimenta as nossas esperanças. Mas ainda são 18.451 focos de queimadas no país! 

Queimadas: o que vai pelos ares é muito mais do que fumaça. 

Para quase todas as pessoas (exceto para aqueles que causam as queimadas), ver um incêndio em vegetação é uma imagem de tristeza e sofrimento. 

Para mim, como engenheiro florestal e ambientalista, além da indignação, os incêndios representam a extinção de espécies, a perda da biodiversidade e é a certeza de muito esforço e custos pela frente para a recuperação dos ecossistemas perdidos.

Você sabe como os incêndios começam? Existe combustão espontânea? Um caco de vidro pode causar uma queimada? Saiba as respostas aqui: Queimadas: mitos e verdades

Também para mim, que me dedico a estudar as mudanças do clima, as queimadas são a representação da maior causa de emissões de gases de efeito estufa do nosso país. 

Além de tudo isso, o fogo em larga escala ainda: 

  • diminui a quantidade de chuvas, desregula as bacias hidrográficas, diminui a oferta de água, causa erosão, empobrece o solo e, portanto, prejudica a produtividade agropecuária e a produção de alimentos; 
  • causa sérios problemas para a saúde humana. De acordo com pesquisas, viver em uma cidade próxima aos focos de incêndio aumenta em 36% o risco de se internar por problemas respiratórios;
  • aumenta riscos de acidentes rodoviários;
  • etc.
Restauração de ecossistemas

Em 2017, o Brasil apresentou o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa - PLANAVEG, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima - MMA, com a previsão de restauração de 12 milhões de hectares até 2030. Sua implantação corresponderá a uma das maiores iniciativas de restauração, comparável apenas ao que a China está fazendo. Esta área a ser restaurada corresponde a mais do que a área somada dos estados do RJ, ES e SE juntos. Em 2022, na COP27, realizada em Sharm el Sheikh (Egito), assisti Lula anunciar com entusiasmo o seu compromisso com essa missão, prometer cumpri-la e ser aclamado. O Brasil voltava a ser protagonista climático naquela ocasião.

Em 2024, uma nova versão mais bem preparada foi apresentada e passou a ser conhecida como PLANAVEG 2025-2028 ou PLANAVEG 2.0, e reafirmou a meta dos 12 milhões de hectares, que passou a ser um compromisso formal do governo brasileiro perante o mundo ao ser incluído na NDC - Contribuição Nacionalmente Determinada, para a COP30.

O MMA também avança no estabelecimento de diretrizes para a Regeneração Natural Assistida - RNA, que são técnicas de aceleração do processo de regeneração natural de florestas. Estudos mostram que, por esse processo de regeneração natural, as florestas podem atingir, após 20 anos, quase 80% da fertilidade do solo, do estoque de carbono do solo e da diversidade de árvores das florestas maduras. O estudo conclui que a regeneração natural é uma solução de baixo custo para a mitigação das mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e restauração do ecossistema. A regeneração natural é uma solução de baixo custo para a mitigação das mudanças climáticas, conservação da biodiversidade e restauração do ecossistema. Na América Latina tropical, essas florestas em regeneração cobrem até 28% da área terrestre.

Restauração, economia e empregos

Além dos ganhos ambientais e climáticos, cumprir o PLANAVEG será também uma grande revolução econômica e de geração de empregos, principalmente nas pequenas cidades do interior. Imaginem o esforço de planejamento e formulação de projetos, de logística, de estruturação de uma cadeia produtiva para suprir a demanda de mudas, insumos, equipamentos etc., além da mobilização e formação de mão-de-obra. 

Não existem 12 milhões de hectares de terras públicas para implantar o PLANAVEG, portanto o plano só se viabilizará se contar com a adesão dos proprietários rurais. Portanto, isso pressupõe também a formulação de uma política pública complexa e atraente para muitos segmentos da sociedade.

Financiamento e implementação 

E quanto custa isso? Segundo o texto abaixo, da The Nature Conservancy - TNC, o investimento que o Brasil deverá fazer será entre US$ 700 milhões e US$ 1,2 bilhão ao ano, dependendo da técnica utilizada. Com a utilização de técnicas mais convencionais de restauração, a estimativa da TNC é que o custo médio, por hectare, pode ser próximo a US$ 2 mil no caso da Amazônia, US$ 2,1 mil para a Mata Atlântica e US$ 3 mil no Cerrado.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima - MMA e o Ministério da Fazenda já têm tomado medidas importantes para a implementação do PLANAVEG. No caso do MMA, já foram lançados os primeiros editais em parceria com o BNDES para a implantação de ações de restauração de áreas, como por exemplo aqueles voltados a Amazônia, priorizando o chamado "Arco do Desmatamento", que o programa passa a chamar de "Arco da Restauração". O Ministério da Fazenda lançou os Leilões EcoInvest, dedicados a captar recursos de investidores internacionais interessados em participar dos esforços brasileiros. O Eco Invest foi criado para impulsionar investimentos privados sustentáveis e atrair capital externo para projetos de longo prazo. Para se ter uma ideia do potencial do Eco Invest, o segundo leilão atraiu a participação de 11 instituições financeiras e representou uma demanda de R$ 17,3 bilhões em recursos catalíticos, com potencial de destravar R$ 31,4 bilhões em investimentos totais – combinando recursos públicos e privados – para a recuperação de áreas degradadas em todo o território nacional. Os recursos já captados permitirão a restauração produtiva de cerca de 1,4 milhão de hectares.

O Governo Federal, tem um amplo programa de investimentos através do "Plano de Transformação Ecológica", envolvendo várias iniciativas estruturantes como, por exemplo: 
  • Fundo Clima (tem como alguns dos seus eixos a Restauração de Florestas e o Desenvolvimento Urbano Resiliente e Sustentável - que inclui a infraestrutura verde das cidades), 
  • Mercado de Carbono o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões foi aprovado em 11 de dezembro de 2024. Conforme consta no site do programa: "o Mercado de Carbono estabelece um teto para emissões de gases do efeito estufa - reduzido anualmente - em atividades econômicas de grande porte. Empresas de grande porte terão que obter quotas para atividades poluentes e as que reduzirem suas emissões poderão negociar as licenças excedentes com outras empresas que necessitam de quota adicional. Além disso, algumas atividades poderão resultar em compensações e gerar créditos, como a captura e a estocagem de carbono e o reflorestamento"
  • BIP: Através dos ministérios da Fazenda; do Meio Ambiente e Mudança do Clima; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e de Minas e Energia (MME), com a participação do BNDES, o Governo Federal lançou também a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica – BIP, com o objetivo de ampliar os investimentos na transformação ecológica rumo à descarbonização da economia, o uso sustentável dos recursos e a melhora da qualidade de vida da população.
  • Eco Invest: programa já citado acima.
  • Outras iniciativas de estímulo a ações sustentáveis.
Cabe destacar também a iniciativa do governo brasileiro para o cenário internacional de proposição do TFFF - Tropical Forests Forever Fund, para mobilizar recursos para países com florestas tropicais. A ideia é que os recursos sejam investidos em projetos rentáveis e que se dediquem também à conservação e restauração dos ecossistemas. De acordo com o site, "o Fundo Tropical das Florestas (TFFF) cria um novo modelo de financiamento climático: países que preservam suas florestas tropicais serão recompensados financeiramente via fundo de investimento global. Em vez da destruição, a conservação se torna economicamente vantajosa, gerando desenvolvimento social e econômico".


Estamos no caminho certo. Há muito ainda o que fazer e pouco tempo pela frente - como alerta a ciência - antes que ultrapassemos o "ponto de não retorno". Que o Brasil nunca mais volte aos tristes tempos de retrocessos e siga firme fazendo a sua parte na restauração de áreas degradadas e na sua agenda climática. 

Só temos a ganhar com isso.

Axel Grael
Engenheiro florestal e ambientalista
Doutorando em Arquitetura e Urbanismo (UFF)

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Recuperar florestas pode custar US$ 1,2 bilhões por ano

Céu do Cerrado: Vista do cerrado em Alto Paraíso-GO. © Roberto Fantini/Concurso de Fotos TNC 2019

Estudo mostra que o Cerrado tem situação mais delicada que a Amazônia e a Mata Atlântica.

Para cumprir a meta de recuperar 12 milhões de hectares em áreas degradadas na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica até 2030, o investimento que o Brasil deverá fazer será entre US$ 700 milhões e US$ 1,2 bilhão ao ano, dependendo da técnica utilizada.

O cálculo para implementar o compromisso brasileiro no Acordo de Paris foi feito por pesquisadores da The Nature Conservancy (TNC) junto com técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e das universidades de São Paulo e da Califórnia.

Segundo o estudo “What makes ecosystem restoration expensive? A systematic cost assessment of projects in Brazil”, publicado na revista “Biological Conservation”, é mais caro regenerar a vegetação do Cerrado que a da Amazônia e da Mata Atlântica, considerando o plantio total da área.

O custo médio, por hectare, pode ser próximo a US$ 2 mil no caso da Amazônia, US$ 2,1 mil para a Mata Atlântica e US$ 3 mil no Cerrado. Na técnica de plantio total é preciso preparar o solo, retirar gramíneas e aplicar nutrientes.

ESCASSEZ DE MUDAS NO CERRADO Apesar da consolidação da cadeia da restauração em alguns biomas, no Cerrado ainda existem poucos projetos de restauração e uma cadeia pequena. © Felipe Fittipaldi

“No caso do Cerrado, a cadeia de restauração é pequena, ainda estamos em processo de conhecimento de como regenerar o bioma”, diz Julio Tymus, Especialista em Restauração da TNC e um dos autores do estudo. “Não existe disponibilidade de mudas para o Cerrado”, completa.

Além do desafio em implementar cadeias de restauração dos biomas que consigam dar conta do objetivo brasileiro, há um atraso em iniciar a implementação. É preciso ter um plano e incentivos para cumprir a meta, além de estratégias e cadeias de produção de mudas e sementes.

O estudo dos pesquisadores, contudo, indica potencial de investimento e inovação no setor. Os métodos mais econômicos para expandir a vegetação nativa no mundo são a regeneração natural, quando a vegetação se recupera sozinha desde que a área seja delimitada, e a regeneração assistida, que exige ações específicas para acelerar o processo de recuperação do bioma.

Estes métodos, entretanto, estão presentes em apenas 15% dos projetos em curso no Brasil. Os mais usados são os mais caros, com plantio de mudas e semeadura direta. Estes casos, em que mudas e sementes são usadas na área total a ser recuperada, correspondem a algo entre 60% e 90% de todos os projetos de restauração em andamento no país.

Fonte: The Nature Conservancy


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