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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

COP30: negociações acontecerão em uma Amazônia mais quente e seca

Ouriços de castanha vazios, após a seca recorde de 2024. RF1. Lúcia Muzell

Com secas severas em 2023 e 2024, 40% da floresta amazônica está em algum estágio de degradação.

Enquanto autoridades, negociadores e sociedade civil se preparam para a COP30, estudos mostram que a Amazônia é uma floresta que tenta se recuperar de secas e calor extremos. A temperatura tem aumentado de 0,3°C a 0,4°C por década e 40% do bioma já está em algum estágio de degradação.

A RFI acompanhou como as mudanças climáticas são sentidas pelos Povos Tradicionais, que se alimentam e comercializam a castanha, planta sensível ao aumento das temperaturas. “O verão [de 2024] castigou o nosso castanhal e não teve frutos”, relembra o cacique Kwain Asurini, da Terra Indígena (TI) Koatinemo (PA). “A gente também está sentindo essa mudança climática aqui, mesmo sendo a floresta. A floresta sente que o aquecimento está, cada vez mais, prejudicando a própria floresta.”

Iuri Parakanã, um dos caciques da TI Apyterewa (PA), descreve a situação como “um desespero” para Terra do Meio, região amazônica preservada entre os rios Xingu e Iriri, com cerca de 8 milhões de hectares. Ele conta que, em 2024, a mandioca também não cresceu como deveria.

O ano de 2023 e 2024 foi marcado pela influência do El Niño, que alterou os padrões de precipitação na região, o que gerou a seca histórica dos principais rios da Amazônia. Em 2024, a região também teve uma das temporadas mais avassaladoras de incêndios florestais em mais de duas décadas na América do Sul, lembra o Mongabay Brasil.

A degradação florestal gerada pelos incêndios emitiu 791 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), número sete vezes maior que a média nos dois anos anteriores. O cientista do Painel de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), Carlos Nobre, adverte para o período de regeneração da floresta depois de episódios tão extremos: “Quando tem uma seca muito forte, são quatro ou cinco anos para começar a recompor. Mas aí vem uma outra seca, então, o que está acontecendo é que com essas quatro secas muito fortes, aumentou demais a área degradada na Amazônia.”

Algumas organizações levarão à COP30 a demanda da população que já sente as mudanças da floresta. É o caso do Observatório das Baixadas, criado em 2024, para promover educação ambiental e engajamento comunitário, conectando moradores de periferias brasileiras.

“Trazemos a ideia de que a emergência climática também está aqui nas nossas comunidades, nas ruas inundadas, nas secas e cheias frequentes da Amazônia. Quando falamos sobre clima no Norte do país, a gente destaca o risco de o açaí acabar até 2050, por exemplo”, explica Waleska Queiroz, uma das fundadoras da organização, n’O Globo.

O projeto conta com o Atlas das Baixadas, que mapeia os problemas socioambientais das “baixadas” (periferias). Construído de forma colaborativa, ele já possui cerca de cem contribuições individuais e deve ganhar nova edição neste mês.

Levar as demandas da juventude preta para a COP30 também é missão do Geledés – Instituto da Mulher Negra. Na Folha, a assessora de clima e juventude do Geledés, Ester Sena, afirma que os jovens afrodescendentes enfrentam obstáculos estruturais para acessar o direito ao território e ao meio ambiente saudável, mas que ainda assim a juventude negra tem liderado iniciativas de reflorestamento, agroecologia, energia limpa e educação ambiental.

“O Movimento Negro não está dialogando agora sobre a crise climática, mas desde a Eco 92. O objetivo é avançar nas conquistas para as próximas gerações”, pontua.

Em Tempo: As organizações Instituto Igarapé e Amazon Investor Coalition publicaram o estudo Fora do Radar, que documenta riscos para a sociedade civil e empreendimentos verdes e as estratégias locais para enfrentá-los. No caso brasileiro, as organizações apontam que desmatamento ilegal, insegurança fundiária e captura institucional convivem com falhas de fiscalização e órgãos subfinanciados, com o adicional de exploração de organizações criminosas na região, conta a Revista Exame.

Fonte: ClimaInfo


sexta-feira, 11 de julho de 2025

Artigo do WRI Brasil: benefícios econômicos das florestas no abastecimento de água na Região Metropolitana do RJ

Florestas geram benefícios sociais, ambientais e econômicos no abastecimento de água

Foto: Marizilda Cruppe/ WRI Brasil


A infraestrutura natural é um recurso importante para adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, que têm como consequência uma série de crises hídricas e estiagens nas cidades brasileiras. Investir em infraestrutura natural e aliá-la à infraestrutura convencional já existente no setor de abastecimento, como mananciais e reservatórios, pode melhorar a qualidade da água, tornar as estruturas mais resilientes e trazer benefícios econômicos.

A infraestrutura natural é uma solução baseada na natureza que envolve conservação, manejo e restauração de florestas, paisagens e ecossistemas. Quando a restauração de florestas é implementada em áreas degradas ou no entorno de reservatórios, por exemplo, benefícios como a regulação no abastecimento de água, a conservação do solo e a redução de custos na utilização de produtos químicos e energia para o tratamento da água são alcançados ao longo do tempo.

Fonte: WRI Brasil

A partir da experiência com análises do potencial da infraestrutura natural para água em cinco regiões metropolitanas no Sudeste do Brasil, consolidando dados sobre a importância e os potenciais benefícios gerados para a água e para as pessoas, o WRI Brasil publica o documento "O Estado da Arte da Infraestrutura Natural". O trabalho compila exemplos e resultados dos estudos desenvolvidos pela instituição e parceiros, e inclui reflexões dos atores locais sobre desdobramentos, lacunas e desafios identificados nas regiões após o desenvolvimento dos estudos. A intenção é apresentar dados que estimulem ações para a melhoria da gestão hídrica.


Exemplos e resultados de cinco regiões metropolitanas do Sudeste brasileiro. Acesse aqui

Conheça os benefícios da infraestrutura para a água a partir de análises do impacto da infraestrutura natural nos sistemas de abastecimento de São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Vitória.

Economia no tratamento da água em São Paulo

A restauração de 4 mil hectares de florestas em áreas prioritárias no Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, pode reduzir a descarga de sedimentos nos reservatórios de água, melhorar sua qualidade e gerar economia no tratamento hídrico.
Com o investimento de aproximadamente R$ 119 milhões, em 20 anos, a restauração gera uma economia de R$ 338 milhões, o que contabiliza 28% de retorno do investimento.
Ainda, com a restauração de 4 mil hectares, as florestas reduzem, por ano, 18.160 toneladas de sedimentos que acabam indo para os reservatórios. Com isso, são utilizados menos produtos químicos para o tratamento da água, são realizadas menos operações para remoção de sedimentos, reduzem-se os custos de energia no tratamento e há a oportunidade de compensar emissões de gases de efeito estufa.

O estudo Infraestrutura Natural para Água no Sistema Cantareira, em São Paulo, avalia como a restauração pode salvaguardar o Sistema de Abastecimento de água do Sistema Cantareira. O relatório apresenta uma análise da infraestrutura natural para o controle de sedimentos, o efeito da infraestrutura natural nos fluxos hídricos sazonais, um roteiro para investimentos de escala em infraestrutura natural e recomendações para gestores de recursos hídricos.

Menos impacto no tratamento da água e economia para a população do Rio de Janeiro

Considerada a maior Estação de Tratamento de Água (ETA) do mundo, a ETA Guandu abastece 92% da população da região metropolitana do Rio de Janeiro. A restauração de áreas degradadas na bacia do Guandu pode reduzir impactos no tratamento da água e gera benefícios para a população do Rio.
Restaurar 3 mil hectares em áreas prioritárias resulta em uma redução de 33% nos sedimentos.
Em 30 anos, essa diminuição evita o uso de 4 milhões de toneladas de produtos químicos e 260 mil MWh em energia elétrica.
Além da economia nos custos com tratamento da água, também são possíveis benefícios como o sequestro de carbono e refúgio de fauna.

O estudo Infraestrutura Natural para Água no Sistema Guandu, Rio de Janeiro oferece análises que podem ajudar nas estratégias de saneamento e manejo de recursos hídricos. O documento apresenta uma análise de investimento de infraestrutura natural para o controle de sedimentos, e elementos para a implantação da infraestrutura natural segundo os atores-chave da região.

Melhoria na segurança hídrica para Vitória e todo o Espírito Santo

Em Vitória, capital do Espírito Santo, a restauração de áreas prioritárias nas bacias do Jucu e Santa Maria da Vitória pode garantir melhor segurança hídrica para a capital e todo o estado. Na capital, combinar infraestrutura natural com a convencional gera 50% mais benefícios econômicos do que investir apenas nas infraestruturas tradicionais.
Ao longo de 20 anos, a restauração de 2,5 mil hectares de florestas geraria uma economia de R$ 93 milhões. Isso evitaria o equivalente a deixar de jogar 40 caminhões-caçamba de sedimentos nos rios todos os anos e economizaria energia o suficiente para iluminar 130 mil casas por um mês.
O estudo Infraestrutura Natural para Água na Região Metropolitana da Grande Vitória visa demonstrar como a restauração florestal de áreas degradadas nas Bacias do Jucu e do Santa Maria da Vitória poderia melhorar o desempenho operacional do armazenamento e tratamento de água da região da Grande Vitória.

O poder da conservação e restauração das florestas em Campinas

Nos municípios a montante da captação de água que abastece a região metropolitana de Campinas já existem 78 mil hectares de vegetação nativa em áreas prioritárias para a água. Conservar essas áreas economizaria, por ano, R$ 6,6 milhões com produtos químicos.

Na região também existem 14 mil hectares degradados. Nesse caso, a restauração dessas áreas resultaria em uma economia de R$ 1,7 milhão por ano. 
Juntas, a conservação e a restauração das florestas geram uma economia anual de R$ 8,4 milhões por ano.
O estudo Infraestrutura Natural para Água em Campinas (SP) e Região oferece um panorama da relação custo-benefício e do potencial da infraestrutura natural no controle de sedimentos lançados aos corpos d’água que abastecem a região. O relatório contém uma avaliação da infraestrutura natural para controle de sedimentos e estratégias para a implementação da infraestrutura natural.

Benefícios no abastecimento de água e renda para agricultores em Belo Horizonte

Restaurar 900 hectares em áreas prioritárias de Belo Horizonte teria como resultados:
Prevenção de 200 toneladas por dia de sedimentos nos rios.
Redução de 26,5% no uso de produtos químicos para o tratamento de água.
Economia de R$ 2 milhões no sistema de abastecimento.
A restauração pode ainda gerar renda e garantir segurança alimentar na região metropolitana de BH, se for feita em áreas prioritárias e a partir de modelos integrados, como os Sistemas Agroflorestais (SAFs).

O estudo Infraestrutura Natural para Água na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais identifica as melhores formas de prover serviços ecossistêmicos relacionados à sedimentação evitada e seus impactos no abastecimento hídrico da Região Metropolitana de Belo Horizonte, além de apresentar proposições de como e onde a infraestrutura natural pode promover benefícios a populações de baixa renda.

O sucesso da infraestrutura natural não depende apenas de dados

Os dados gerados apoiaram uma série de ações nas regiões de estudo, como por exemplo na formulação de políticas públicas, no estabelecimento de critérios para implementação de ações de restauração e na mobilização e engajamento de pessoas no tema.

Isso nos mostra que dados são importantes para subsidiar ações e projetos relacionados à gestão hídrica, mas eles não são a única coisa necessária para solucionar os desafios climáticos e hídricos. Nesse caso, os benefícios e a economia que podem ser alcançados com a infraestrutura natural, além de presentes nas dimensões ambientais e econômicas, precisam ser expandidos à dimensão social. O sucesso da infraestrutura natural também depende de uma governança efetiva, da comunicação entre os atores sociais e o seu envolvimento ativo. Dessa maneira, a economia gerada a partir da infraestrutura natural pode ter como resultado, além dos custos evitados, o respeito a cultura e a promoção de inclusão, emprego e renda.

Fonte: WRI Brasil


Infraestrutura Natural para a Água

A restauração de paisagens e florestas pode melhorar a qualidade da água nos reservatórios e gerar renda no campo, resultando em benefícios ambientais e econômicos para toda a sociedade.


Apesar de ser um país com grande disponibilidade de água, o Brasil não está imune aos riscos de estresse hídrico. Nas grandes cidades e regiões metropolitanas, uma população crescente pode precisar acessar recursos hídricos de áreas próximas, e as mudanças climáticas já estão tornando o clima mais instável, aumentando as chances de secas que possam comprometer o abastecimento.

Para fazer frente a esses desafios e garantir água de qualidade para a população, governos, empresas de saneamento e financiadores precisarão investir recursos públicos e privados no sistema de abastecimento. Esses investimentos muitas vezes são feitos em infraestrutura convencional, como reservatórios, represas e estações de tratamento. Essas obras são necessárias, mas sozinhas não darão conta do desafio de atender uma demanda crescente pela água.

Novos estudos e experiências em várias partes do mundo mostram que um outro tipo de investimento pode, em conjunto com as obras convencionais, trazer grandes benefícios econômicos, sociais e ambientais. Esses novos investimentos estão sendo chamados de “infraestrutura natural” ou “infraestrutura verde”. São soluções baseadas na natureza como a conservação da vegetação nativa em áreas de mananciais, a restauração florestal e a gestão sustentável e agroecológica das paisagens.

O WRI Brasil dedica-se a desenvolver estudos relacionados a infraestrutura natural para água e a soluções baseadas na natureza, além de articular com tomadores de decisão das esferas municipais e estaduais no Brasil para fomentar e dar escala a conservação e restauração de florestas no entorno de reservatórios e mananciais. O objetivo é gerar soluções inteligentes e eficientes para setores público e privado, reunindo conhecimento já existente em economia, restauração florestal e mapeamento geoespacial para identificar riscos, oportunidades de implantação de infraestrutura natural e estratégias para proteção dos recursos hídricos.
 
Estimando os benefícios econômicos da infraestrutura natural para água

Para que soluções baseadas na natureza como a conservação da vegetação nativa e a restauração florestal sejam de fato colocadas em prática pelas empresas de abastecimento e poder público, em um primeiro momento foram evidenciados os benefícios econômicos da infraestrutura natural.

Ao restaurar florestas que estão em paisagens degradadas e em áreas prioritárias para o abastecimento de água, como no entorno de reservatórios, as árvores evitam que grande parte dos sedimentos chegue aos cursos d’água, funcionando como barreiras naturais. Isso gera economia, na medida em que reduz a quantidade necessária de produtos químicos para o tratamento da água e diminui os custos de energia das estações de tratamento relativos à dragagem, além de prolongar a vida útil dos reservatórios.


Em uma série de três estudos feitas por WRI Brasil, TNC, UICN, Natural Capital Project, Instituto Bioatlântica, Fundação Boticário e FEMSA, foi possível calcular esses resultados para três importantes bacias hidrográficas do Brasil: a Cantareira, em São Paulo; a bacia do Guandu, no Rio de Janeiro; a bacia do Jucu, no Espírito Santo.

Os resultados já estão disponíveis para download: 

Incluindo as dimensões social, de biodiversidade e de conservação para a infraestrutura natural

Nos últimos anos, a abordagem de infraestrutura natural para a água foi integrada ao programa Cities4Forests, que atua para conservar, restaurar e gerenciar de forma sustentável a natureza em prol do bem-estar humano, partindo das cidades como catalisadoras de grandes mudanças políticas em prol das florestas, facilitadoras do fluxo de financiamento para projetos baseados na natureza e defensoras globais da conservação e restauração de florestas tropicais.

Dois novos estudos foram produzidos, desta vez para as regiões metropolitanas de Campinas e de Belo Horizonte. Os resultados trazem recomendações conectadas com políticas públicas de cada território e buscam fundamentar, estimular e facilitar a criação e o fortalecimento de programas relacionados principalmente à restauração e à gestão hídrica. 

Infraestrutura Natural para Água na Região Metropolitana de Campinas (SP)
Infraestrutura Natural para Água na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG)

Na região metropolitana de Campinas, o estudo foi elaborado dentro do projeto INTERACT-Bio, do ICLEI América do Sul. Além da análise de benefícios econômicos, o relatório ampliou a abordagem para entender o papel da conservação das áreas de vegetação nativa já existentes e a conexão com políticas públicas municipais em vigor, como no Plano de Ação para Implementação da Área de Conectividade na Região Metropolitana de Campinas, do Programa Reconecta RMC.

Já as análises feitas para a Região Metropolitana de Belo Horizonte avançaram ao incluir uma perspectiva social. O relatório, produzido por WRI Brasil em parceria com a Copasa MG e o programa Pró-Mananciais, utiliza a ferramenta ROAM para entender como a restauração florestal a partir de modelos econômicos, como os sistemas agroflorestais, pode gerar renda para produtores rurais residentes nas áreas prioritárias, que muitas vezes são também áreas de maior vulnerabilidade social. O trabalho apresenta recomendações para a destinação de recursos com vistas à promoção de benefícios sociais para além da gestão hídrica e da restauração.

Uma rede internacional em prol de uma melhor gestão da água

O WRI Brasil trabalha a questão de infraestrutura natural em parceria com o World Resources Institute (WRI) em outros países, como Estados Unidos e Índia, e convoca e empodera pessoas em todos os níveis da tomada de decisão. A organização oferece um banco de dados com evidências e melhores práticas para colocar a infraestrutura natural em ação. A educação coletiva também é conduzida por meio de extensas redes de gestores, conservacionistas, negócios e governos que estão reunidos por um objetivo em comum: melhorar o acesso à água e fomentar o desenvolvimento econômico pela conservação e a restauração de paisagens.

Fonte: WRI Brasil  



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Superexploração das águas subterrâneas está comprometendo a vazão dos rios no Brasil

Reservatório da represa de Itaparica, no rio São Francisco, fotografado a partir da Estação Espacial Internacional, em 2016 (crédito: Nasa/Wikimedia Commons)

Estudo constatou que mais da metade dos rios brasileiros pode sofrer redução no fluxo devido à transferência de água para os aquíferos. O bombeamento para irrigação está entre os principais fatores. Mais de 88% dos poços operam em condições ilegais

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – Mais da metade dos rios brasileiros apresenta risco de redução de fluxo devido à percolação da água em direção aos aquíferos subterrâneos. Esta constatação resultou da análise de 17.972 poços em todo o território nacional. Destes, 55,4% apresentaram níveis de água abaixo da superfície dos rios mais próximos. Essa diferença no nível hidráulico cria um gradiente que favorece a percolação da água do rio para o subsolo, podendo transformar rios em perdedores de fluxo de água. O estudo, realizado por pesquisadores do país e do exterior, foi publicado no periódico Nature Communications “Widespread potential for streamflow leakage across Brazil”.

“Devido a condições climáticas e à intensa atividade agrícola, são áreas especialmente críticas a bacia do rio São Francisco e a região do Matopiba [que abrange os Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia], ambas muito dependentes de águas subterrâneas para irrigação e abastecimento humano”, diz Paulo Tarso Sanches de Oliveira, segundo autor do estudo, professor de hidrologia e recursos hídricos na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Saneamento da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP).

No caso da bacia do São Francisco, 61% dos rios analisados mostraram potencial de perda de fluxo de água para o aquífero, resultado atribuído ao uso intensivo de águas subterrâneas principalmente para irrigação. A situação é ainda pior na bacia do rio Verde Grande, um afluente do São Francisco, que se estende pelo norte de Minas Gerais e sudoeste da Bahia. Neste caso, o potencial de perda de fluxo chega a afetar 74% dos rios. “Essas duas bacias são cruciais para a agricultura e geração de energia hidrelétrica no Brasil. O que está acontecendo põe em risco não apenas a sustentabilidade local, mas também a segurança hídrica, alimentar e energética em grande escala”, comenta Oliveira.

Um forte fator de impacto é a perfuração indiscriminada de poços, para irrigação agrícola ou consumo privado. Estudo publicado em 2021 por Ricardo Hirata e colaboradores mostrou que existiam naquela data cerca de 2,5 milhões de poços tubulares no Brasil e que mais de 88% deles eram ilegais, sem licença ou registro para bombeamento. O volume de água bombeada, da ordem de 17,6 bilhões de metros cúbicos por ano, seria suficiente para atender toda a população brasileira, mas era usufruído por menos de 20% da população.

Além de o bombeamento comprometer seriamente a vazão dos rios, afetando a disponibilidade de água para o consumo humano, os ecossistemas aquáticos e a própria paisagem, o uso excessivo de água subterrânea pode causar a subsidência do solo – isto é, o afundamento e até mesmo o colapso da superfície. “Esse cenário já foi observado na Índia e na Califórnia, e o Brasil pode vir a enfrentar problemas semelhantes se não houver planejamento e controle adequados. O alerta é ainda mais relevante diante das projeções que indicam um aumento superior a 50% nas áreas irrigadas no país nos próximos 20 anos, o que pressionará ainda mais os recursos hídricos superficiais e subterrâneos”, sublinha o pesquisador.

Planejamento e controle são indispensáveis, pois, apesar de deter 15% da água doce renovável do mundo, o país já está enfrentando grandes problemas hídricos, que o acirramento da crise climática deverá agravar. “A região do bioma Cerrado, que abriga importantes aquíferos e rios estratégicos, além de ser a principal área de expansão agrícola e responsável por 70% da produção de milho do país, está entre as regiões mais vulneráveis. O equilíbrio entre rios e aquíferos na região pode ser comprometido pelas recentes mudanças no uso e cobertura do solo, impulsionadas pelo avanço da fronteira agrícola e, sobretudo, pela crescente demanda por irrigação”, pontua Oliveira.

Para enfrentar esse cenário, os pesquisadores envolvidos no estudo enfatizam a necessidade de integrar a gestão de águas superficiais e subterrâneas. Ferramentas baseadas em sensoriamento remoto e dados de campo podem ajudar a mapear regiões críticas e a orientar políticas públicas. Além disso, investimentos em monitoramento hidrogeológico são cruciais. “O Brasil tem potencial para ampliar a irrigação de forma sustentável, mas é necessário planejar melhor o uso integrado das águas subterrâneas e superficiais para evitar impactos negativos”, afirma José Gescilam Uchôa, primeiro autor do artigo.

Foi ele o responsável pelo levantamento exaustivo de informações sobre os 17.972 poços investigados. Para esse levantamento, feito durante sua pesquisa de mestrado, Uchôa utilizou a base de dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). Agora doutorando na EESC-USP, sob a orientação de Edson Cezar Wendland, que também assina o artigo, Uchôa está pesquisando o impacto do uso e da ocupação do solo, bem como das mudanças climáticas, nos fluxos hidrológicos entre as águas subterrâneas e superficiais em área de afloramento do aquífero Guarani. A investigação é apoiada por bolsa da FAPESP.

Oliveira e Uchôa argumentam que ainda é possível minimizar o problema, mas que medidas efetivas não podem ser postergadas, porque, do jeito que as coisas estão, a depleção do sistema hídrico já está impactando, inclusive, a saúde da população. “Em 2017, foi registrado um aumento significativo nos casos de pressão alta entre os moradores de um pequeno vilarejo no litoral de Alagoas, que consomem água proveniente do rio São Francisco. Posteriormente, constatou-se que o problema estava relacionado à ingestão de uma maior concentração de sal na água, causada pela intrusão de água do mar no rio, em decorrência da redução de sua vazão”, informa Oliveira. O assunto foi objeto de reportagens na mídia.

O estudo em pauta é muito significativo para o Brasil, que pode enfrentar um agravamento do estresse hídrico, com consequências severas para o abastecimento de água, a segurança alimentar e os ecossistemas. Mas seu alcance é ainda maior, pois serve como um chamado global para a revisão de estratégias de manejo hídrico em países tropicais, onde o uso crescente de águas subterrâneas coloca em risco os recursos hídricos superficiais.

O artigo Widespread potential for streamflow leakage across Brazil pode ser acessado em: www.nature.com/articles/s41467-024-54370-3.

Fonte: Agência FAPESP 



sexta-feira, 15 de março de 2024

Prefeitura de Niterói assume definitivamente o terminal pesqueiro do Barreto


Assinei ontem o documento de aquisição do imóvel do Terminal Pesqueiro de Niterói, localizado no Barreto. O imóvel, que pertencia à PortosRio, tem uma área de 6.548 metros quadrados e permitirá o fortalecimento do setor pesqueiro, que será uma das atividades econômicas mais importantes na economia da cidade. O terminal foi inaugurado há 15 anos pelo Governo Federal, mas embora tenha sido entregue na ocasião equipado e pronto para uso, nunca foi posto em operação pois não havia condições de navegação para que as embarcações pesqueiras pudessem acessá-lo, devido ao assoreamento.

Em acordo com o governo federal, a Prefeitura assumiu o investimento na dragagem do Canal de São Lourenço, que inclui o Porto de Niterói e a região dos estaleiros. A obra, orçada em 140 milhões, já foi licitada e foi concedida a ordem de início. A dragagem finalmente permitirá que o Terminal Pesqueiro possa operar e, portanto, a reforma do equipamento e a dragagem serão feitas de forma simultânea. Para viabilizar o Terminal, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico - SEDEN está estruturando uma parceria público-privada que será lançada em breve, podendo contar inclusive com investidores estrangeiros.

Com mais este investimento, Niterói reforça a sua vocação para a economia do mar e se prepara para gerar mais empregos.

Axel Grael
Prefeito de Niterói

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Termo de aquisição do imóvel do Terminal Pesqueiro.


Prefeitura assume definitivamente o terminal pesqueiro do Barreto

O Terminal Pesqueiro do Barreto, que foi inaugurado há cerca de 15 anos pelo Governo Federal e nunca chegou a funcionar, passou definitivamente para a administração da Prefeitura de Niterói, nesta quinta-feira (14). O Município adquiriu o terreno, que pertencia a PortosRio, empresa pública federal que atua como Autoridade Portuária responsável pela gestão dos portos públicos do estado do Rio. A infraestrutura do terminal já tinha sido cedida ao Município pelo Ministério da Pesca e Agricultura.

O imóvel será revitalizado através de uma Parceria Público Privada (PPP), entre o Município e a iniciativa privada, e será transformado em um entreposto que segue modelos internacionais, para atuar como local de carga e descarga, além de comércio atacadista e realização de serviços da frota pesqueira. O novo terminal vai atender a Indústria da Pesca de todo o estado e colocar a cidade entre as principais cidades do País em captura, exportação e distribuição em grande escala de pescado industrial.

“Esse espaço dedicado à infraestrutura da Pesca foi construído, inaugurado e, por uma questão logística de falta de acesso marítimo, nunca conseguiu funcionar. Agora a Prefeitura vai realizar a obra de dragagem do Canal de São Lourenço e vai desenvolver, em paralelo, um projeto de revitalização e ativação do Terminal Pesqueiro. Será um marco para a revitalização da indústria Naval e da Pesca no Estado do Rio de Janeiro”, ressalta o prefeito de Niterói, Axel Grael.

Grael destaca o trabalho integrado com as várias esferas do governo para permitir

“Muitos não acreditavam que tiraríamos do papel o Túnel Charitas-Cafubá e o Mercado Municipal, mas conseguimos. A pesca é uma das principais vocações da cidade. Esse terminal vai viabilizar que a atividade pesqueira possa ser umas das principais atividades da cidade, gerando empregos, renda e impulsionando a economia”, pontua o prefeito.

Através de Parceria Público Privada (PPP), a Prefeitura quer trazer para a cidade o que há de mais moderno na Indústria da Pesca, com base em portos pesqueiros semelhantes existente em grandes cidades europeias e asiáticas, beneficiando pescadores e armadores. Seguindo os modelos internacionais de sucesso, o local também servirá para a realização de leilões. A área será de 6.548 metros quadrados.

“Essa parceria tem uma importância muito grande. A Prefeitura vai poder colocar em prática o que deveria ter sido feito há muitos anos: implementar um terminal de pesca para abrigar e receber toda a colônia de pescadores e desenvolver essa atividade que é tão importante para o município. A Prefeitura também vai realizar a dragagem do Canal de São Lourenço, que inclui o Porto de Niterói. O aumento do calado vai abrir possibilidades para o Porto. É uma nova perspectiva para a economia da cidade e de todo o estado”, disse Francisco Leite Martins Neto, diretor-presidente da PortosRio.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Indústria Naval (Seden) está trabalhando para captar novos parceiros que queiram investir no empreendimento. Toda a área ao redor também poderá ser revitalizada.

“Esse será um dos maiores empreendimentos já feitos por uma administração municipal no Brasil, já que envolve não só a revitalização da indústria de Pesca, mas chegará junto com a dragagem do Canal de São Lourenço, que é o grande marco para tornar Niterói destaque na indústria naval. A expectativa dos setores é muito grande e estamos ouvindo tanto o Sindicato de Pesca como o dos Armadores, para construirmos uma modelagem que seja adequada a todos”, explica Luiz Paulino Moreira Leite, secretário de Desenvolvimento Econômico de Niterói.

A atividade pesqueira é a segunda maior geradora de renda do agronegócio no estado do Rio, atrás apenas da bovinocultura de corte e de leite. Dados do Sindicato dos Armadores de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Saperj) sobre a pesca extrativa marinha do Brasil mostram que Niterói está em segundo lugar na atividade no país, atrás apenas de Itajaí, em Santa Catarina. A cidade já é líder no estado com produção média anual de 31.400 toneladas, seguida por Angra dos Reis com 31 toneladas e Cabo Frio com 17.250. No entanto, boa parte do produto acaba sendo comercializada em outros estados por conta da falta de um espaço que tenha todas as condições para o desenvolvimento da atividade desde sua pesagem à distribuição.

Atualmente, no Rio de Janeiro, são cerca de 140 barcos de pesca industrial filiados ao Saperj com mil pescadores embarcados. A região de mar aberto próxima a Niterói é considerada uma das melhores do país, já que produz pescados nobres como robalo.

“Hoje, o estado do Rio de Janeiro é o maior consumidor de peixe fresco do Brasil. Temos essa demanda grande e não temos nenhum entreposto de pesca. Niterói tem essa oportunidade de ter um terminal pesqueiro que vai trazer empregos para a redondeza. O terminal pesqueiro vai permitir a estruturação de toda uma cadeia produtiva, com grande potencial econômico”, frisa o presidente do Sindicato dos Pescadores do Rio de Janeiro e do Espírito Santo (Siperjes), Maxuel José Monteiro da Costa.

Atualmente, os locais de desembarque pesqueiro de Niterói e São Gonçalo são provisórios e não comportam a demanda, desde a desativação, em 1992, do Terminal Pesqueiro da Praça XV. O principal cais de desembarque da Baía de Guanabara funciona de maneira insuficiente na Ilha da Conceição, fazendo com que grande parte da frota fluminense desembarque em outros estados ou municípios como Cabo Frio, Angra dos Reis e Itajaí, em Santa Catarina.

Canal de São Lourenço – A Prefeitura de Niterói também é responsável pela obra de dragagem do Canal de São Lourenço, que tem previsão para iniciar ainda neste semestre. O vencedor da licitação foi o consórcio formado pelas empresas DTA Engenharia Ltda e SK Infraestrutura Ltda, e terá investimento de cerca de R$ 138 milhões, por parte da Prefeitura de Niterói e previsão de término em até 15 meses.

O objetivo é recuperar a profundidade do Canal de São Lourenço, que deve chegar até 11 metros. Desta forma, será possível a aproximação de embarcações de maior porte, o que vai proporcionar a revitalização do setor naval em Niterói.

Para garantir a execução das obras, a Prefeitura de Niterói custeou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) com um investimento de R$ 772 mil. O estudo foi entregue ao Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e, após a análise para liberação das licenças, os resultados foram apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH) aos órgãos do Governo Federal.

Fonte: Prefeitura de Niterói



sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Marisqueiros de Niterói são reconhecidos como comunidade tradicional e agora têm prática legalizada nas praias da cidade

 


Foi com muito orgulho que assinei, no início desta semana, um decreto que reconhece os marisqueiros de Niterói como comunidade tradicional no município. Essa nova medida é muito importante porque, além de legalizar a prática nas praias da nossa cidade, permite uma maior fiscalização do manuseio dos mariscos. Os marisqueiros compõem um grupo que é marca da cultura niteroiense e o reconhecimento de sua atividade é fruto do trabalho em parceria da Prefeitura de Niterói com a Universidade Federal Fluminense (UFF), através do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados (PDPA).


Recebi um grupo de lideranças dos marisqueiros, a subsecretária de Cidadania e Economia Criativa, Walkiria Nichteroy, e a coordenadora do PDPA no Escritório Escola de Engenharia e Design (E3D) da UFF, Suzana Hecksher, para a assinatura da nova legislação e para uma boa conversa sobre a importância da prática da maricultura em nossa cidade. O reconhecimento da atividade dos marisqueiros como tradicional, além da importância simbólica, também vai permitir que esses trabalhadores sejam formalizados, viabilizando sua inclusão em diversos serviços públicos.

Fiquei especialmente feliz com a fala da Dona Salete Ferreira, liderança marisqueira que falou da importância de poder trabalhar de forma legalizada, em seu espaço, garantindo seu sustento e de sua família. Para a Prefeitura de Niterói, é fundamental que este grupo tenha condições de avançar em sua qualidade de vida, enquanto preserva a sua identidade. Acompanho há muitos anos a prática da maricultura. Quando realizada de forma correta e sustentável, é positiva até para a fauna marinha, que pode ser atraída pela boa oferta de alimentos.

O projeto desenvolvido através do PDPA - O reconhecimento da atividade dos marisqueiros é fruto de um trabalho em parceria da prefeitura de Niterói com a Universidade Federal Fluminense (UFF), que desenvolveu o projeto “Futuro Próspero da Produção de Mexilhões em Niterói: da Tradição ao Dinamismo”. Através da proposta, pesquisadores da universidade atuam no desenvolvimento econômico e social da maricultura. A iniciativa faz parte do Programa de Desenvolvimento de Projetos Aplicados (PDPA) e conta com o apoio da Fundação Euclides da Cunha (FEC).

Entre os principais objetivos do PDPA, destacam-se o monitoramento da qualidade higiênico-sanitária dos mexilhões produzidos no município de Niterói, a disseminação de informações, também sobre empreendedorismo e de caráter financeiro, para o grupo de marisqueiros, além da criação de uma unidade de beneficiamento de moluscos.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Prefeitos reúnem-se com a ministra Sônia Guajajara em solidariedade ao povo Yanomami



Participei na manhã de hoje de uma reunião da Frente Nacional de Prefeitos - FNP com a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, para prestar solidariedade e debater formas de cooperação das cidades brasileiras com a causa dos Yanomami, que sofrem com as ameaças do garimpo ilegal, do desmatamento, da fome, das doenças e da violência dos invasores de suas terras. Os danos ambientais causados pelos garimpos destroem as fontes de alimentação tradicional dos indígenas.

Yanomami na própria língua significa "ser humano ou gente" e é justamente o oposto disso que estão sofrendo: um tratamento desumano. Durante quatro anos, o Governo Bolsonaro protegeu e estimulou o garimpo ilegal e negligenciou apoio aos Yanomami que, conforme denunciado nos últimos dias, sofrem uma tragédia humanitária com inanição crônica e falta de atendimento à saúde.

A ministra agradeceu o engajamento das prefeitas e prefeitos. “É importante este apoio para que o Estado brasileiro esteja presente. É inaceitável que a situação tenha chegado a esse ponto”, afirmou.

Guajajara detalhou que foi instituído o comitê que atuará em três frentes simultâneas. “Vamos trabalhar no atendimento em saúde, garantia de alimentação e no combate à invasão dos garimpeiros”, disse. Também salientou que “o garimpo contamina rios e o lençol freático, com isso não há água potável. Hoje os Yanonami não podem circular livremente na sua terra, na sua casa. São 30 mil Yanomami e 20 mil garimpeiros na região, o que gera muita insegurança, porque eles estão cercados pelo garimpo”.

Segundo a ministra, na terra Yanomami só se chega de avião e há falta até desse transporte para os que estão doentes. “Na próxima semana ficará mais claro de como cada município poderá colaborar porque estamos fazendo um levantamento para atender o povo Yanomami de acordo com seus hábitos”, completou afirmando que manterá o contato do ministério com a FNP para avançar na ajuda humanitária.

A iniciativa inédita do atual Governo Lula de criar o Ministério dos Povos Indígenas, ao qual está agora vinculado a FUNAI, aponta para o posicionamento de retomada das políticas de proteção, apoio e respeito, de forma a resgatar a grande dívida histórica, ética e humanitária que o Brasil tem com os povos originários.

Participaram da reunião com a ministra cerca de 40 pessoas, dentre prefeitos e secretários de cidades como Niterói, Belém (PA), Campinas (SP), Campo Grande (MS), Curvelo (MG), Hortolândia (SP), Sabará (MG), Lauro de Freitas (BA), Contagem (MG), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Juiz de Fora (MG), Palmas (TO), Parauapebas (PA), além de outros representantes da FNP. A reunião foi coordenada pela prefeita de Abaetetuba (PA), Francineti Carvalho.

Leia, a seguir, a Nota Sobre a Calamidade Sanitária do Povo Yanomami:


Nota da FNP sobre a calamidade sanitária do povo Yanomami


NOTA SOBRE A CALAMIDADE SANITÁRIA DO POVO YANOMAMI 

Prefeitas e prefeitos das capitais, médias e grandes cidades do país, colocam-se à disposição para atuar em ação articulada com o comitê interministerial instituído pelo Governo Federal para tratar da crise humanitária que atinge os Yanomami. Reunidos extraordinariamente, nesta sexta-feira, 27, com a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, os governantes locais reafirmam que estão estarrecidos com a situação e estão prontos a participar de forma planejada e concreta das ações governamentais naquele território. 

O garimpo na Terra Indígena, segundo relatório do povo Yanomami, passou de 1.200 para 3.272 hectares, somente de 2018 a 2021. Mais de 570 crianças morreram por contaminação de mercúrio, desnutrição e fome, devido o avanço do garimpo ilegal, de acordo com o Ministério dos Povos Indígenas. A chocante crise sanitária na região, reúne insegurança alimentar, falta de atendimento médico regular, e mortes por doenças evitáveis. A reversão desse cenário somente será possível com a retomada de políticas públicas e o trabalho pelo fim do garimpo ilegal. 

Assim, como os Yanomami, que habitam território com biodiversidade capaz de prover suas necessidades, mas estão com seus direitos às terras, demarcadas e homologadas, tolhidos, outros povos indígenas estão sob ameaça humanitária e também necessitam de atenção e auxílio. Diante disso, a Frente Nacional de Prefeitos, se manifesta pela urgente implementação de políticas públicas que promovam recursos básicos e garantam os direitos dos indígenas brasileiros. 

Brasília, 27 de janeiro de 2023.

Frente Nacional de Prefeitos



quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

RESTAURANTE POPULAR DO FONSECA SERÁ ENTREGUE NO SEGUNDO SEMESTRE DE 2023

 






Na última terça-feira (17), fiz uma visita de vistoria às obras do Restaurante Popular da Zona Norte, que a Prefeitura de Niterói está construindo no Fonseca. O novo espaço, na Alameda São Boaventura, será entregue no segundo semestre de 2023 com 200 lugares e capacidade para servir duas mil refeições por dia. Assim como já acontece no Restaurante Cidadão Jorge Amado, no Centro, será um local com comida boa e barata para quem mais precisa.

Durante a vistoria vi de perto o andamento da obra, que já está com toda a etapa hidráulica e elétrica realizada. O telhado foi revisto e as equipes estão trabalhando na construção de um anexo. O restaurante terá dois pavimentos, totalizando 1.200 m². A unidade contará com cozinha industrial e pedagógica, sala de aula, auditório, recepção, salão para refeições e varanda. 

O novo Restaurante Popular da Zona Norte será mais uma opção para que as pessoas de outras regiões não precisem ir até o Centro em busca de boa alimentação a um preço acessível. Vamos ampliar o acesso à comida de qualidade, reafirmando o compromisso da Prefeitura de Niterói com a segurança alimentar do povo. As refeições serão servidas a preços simbólicos: R$ 2 no almoço e R$ 0,50 no café da manhã. O cardápio será variado e preparado por nutricionistas. O investimento da Prefeitura no espaço será de cerca de R$ 5,2 milhões por ano. 

Este será também um lugar de oportunidades. O restaurante vai abrigar a primeira Escola de Formação em Gastronomia Popular do estado, na qual jovens e adultos vão poder obter qualificação profissional para o mercado de trabalho e para o empreendedorismo com diversos cursos na área de gastronomia, padaria e serviços para bares e restaurantes.

O Restaurante Popular da Zona Norte faz parte do eixo Zona Norte do Plano Niterói 450 anos, que inclui também o Centro Cultural da Zona Norte e a revitalização da Alameda São Boaventura. Como acontece desde 2013, a Prefeitura de Niterói segue olhando com muito carinho para essa região da nossa cidade. Vamos em frente por uma cidade com comida na mesa, oportunidades para todos e justiça social. 

SOBRE O RESTAURANTE POPULAR CIDADÃO JORGE AMADO - O primeiro Restaurante Popular da cidade, no Centro de Niterói, foi municipalizado no início do segundo mandato do prefeito Rodrigo Neves, em 2017. Desde então a unidade já serviu 3 milhões de refeições para a população que mais precisa. A unidade funciona de segunda a sexta-feira, de 6h às 9h, para o café da manhã e, de 10h às 15h, para o almoço.

Uma pesquisa realizada com frequentadores, em 2021, revela que 40,2% dos frequentadores estão desempregados. A pesquisa também mostrou que 47,7% são moradores de outros municípios, sendo 31,8% de São Gonçalo, 4,7% da cidade do Rio de Janeiro, 3,7% de Itaboraí e 3,7% também de Maricá. Também apareceram no estudo moradores de Mesquita, São Fidélis, Quissamã e até de São Paulo.



terça-feira, 13 de setembro de 2022

INÍCIO DAS OBRAS DO RESTAURANTE POPULAR DA ZONA NORTE, NO FONSECA


Assinando a Ordem de Início para as obras.

Imóvel onde se dará o início das obras de implantação do Restaurante Popular.

Restaurante Popular Jorge Amado, que já funciona no Centro de Niterói.


Assinei na semana passada a ordem de início das obras de um equipamento muito aguardado por nós: o Restaurante Popular da Zona Norte. Localizado em um imóvel na Alameda São Boaventura, bem no coração do Fonseca, o restaurante terá cozinha industrial e pedagógica, sala de aula, auditório, recepção, salão para refeições e varanda. A previsão é de que já em fevereiro de 2023 os niteroienses tenham mais uma opção barata para alimentação de qualidade: R$ 2 no almoço e R$ 0,50 no café da manhã. O investimento da Prefeitura de Niterói neste projeto é de R$ 3 milhões.

O Restaurante Popular da Zona Norte será o segundo restaurante popular da cidade. No dia 2 de janeiro de 2017, assim que iniciou seu segundo mandato como prefeito de Niterói, meu amigo Rodrigo Neves reabriu e municipalizou o Restaurante Popular Jorge Amado, no Centro da cidade, que tinha sido fechado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. Desde então, já foram 2,72 milhões de refeições servidas; mais de 300 mil em 2022. Por estar localizado em uma região central, o equipamento atende inúmeras pessoas de municípios vizinhos, como São Gonçalo e Itaboraí. No grave momento que vivemos, com 2,7 milhões de pessoas sem ter o que comer no Estado do Rio, o restaurante popular cumpre papel fundamental. De acordo com um levantamento da Ação da Cidadania, 15% da população do nosso Estado sofre com a fome. Aqui em Niterói, a segurança alimentar do povo é levada muito a sério.

Soube pelo secretário municipal de Assistência Social e Economia Solidária, Elton Teixeira, que comparado ao mesmo período de 2019, antes da pandemia, o Restaurante Popular Jorge Amado teve um aumento de quase 6% na busca por refeições. É um número muito alto e que mostra a importância de ampliar esse projeto. O Restaurante Popular da Zona Norte terá cerca de 200 lugares e capacidade para servir duas mil refeições diárias. Terá comida boa e barata para os niteroienses que mais precisam.

Além de um local de alimentação e socialização, a unidade do Fonseca será também um lugar de oportunidades. O restaurante vai abrigar a primeira Escola de Formação em Gastronomia Popular do estado, na qual jovens e adultos vão poder obter qualificação profissional para o mercado de trabalho e para o empreendedorismo com diversos cursos na área de gastronomia, padaria e serviços para bares e restaurantes.

O Restaurante Popular da Zona Norte integra o Programa Niterói 450 anos no eixo Zona Norte. Nesse mesmo pacote, recentemente anunciamos a desapropriação do imóvel que vai receber o Centro Cultural da Zona Norte e estamos nos preparando para iniciar as obras na Alameda São Boaventura, que vai requalificar completamente um dos principais eixos de mobilidade do município. A Prefeitura de Niterói continua olhando com muito carinho para essa região da nossa cidade. Estamos animados e com fôlego para trabalhar por um novo ciclo de desenvolvimento com sustentabilidade e justiça social para Niterói!

INFORMAÇÃO: O restaurante do Centro funciona de segunda a sexta-feira, de 6h às 9h para o café da manhã; e de 11h às 15h para o almoço. Os preços são os mesmos da futura unidade da Zona Norte: R$ 2 no almoço e R$ 0,50 no café da manhã.

Axel Grael
Prefeito de Niterói





sábado, 11 de abril de 2020

CORONAVÍRUS: Hotel arrendado para abrigar a população de rua de Niterói tem 49 hóspedes



Uma das medidas sociais adotadas pela Prefeitura de Niterói no combate à pandemia da COVID-19 foi arrendar um hotel no Centro de Niterói para abrigar a população de rua, de forma que possam também cumprir a quarentena. A matéria abaixo refere-se à logística estruturada pela prefeitura para abrigar este contingente, que na data de 11 de abril de 2020 já tinha recebido 49 hóspedes.

As pessoas em condição de rua são abordados pelas equipes especializadas da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos - SASDH, muitas vezes acompanhados pela própria secretária Flávia Mariano, para convence-los a aceitar o convite para ficar no hotel.

Ao aceitar o convite, os interessados assumem o compromisso de permanecer em isolamento e de se submeter às regras de convívio estabelecidas. No hotel, há equipes de atendimento composta por psicólogo, profissionais de saúde, educadores sociais e outros profissionais de apoio.

É importante lembrar que durante a gestão do prefeito Rodrigo Neves a capacidade de atendimento dos abrigos da cidade triplicou. Os abrigos oferecem alimentação, hospedagem e cuidados com a saúde dos abrigados, além de programas profissionalizantes para a inclusão social.

Niterói continuará trabalhando para que ninguém fique para trás e para que a cidade vença a batalha contra o coronavírus. Vamos em frente!

Axel Grael
Coordenador das Ações Sociais do Gabinete de Crise do COVID-19

Secretário 
Secretaria de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG 
Prefeitura de Niterói



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Hotel arrendado em Niterói para população em situação de rua tem 46 hóspedes


Ao se hospedarem, usuários passam por atendimento social e de saúde para cumprir isolamento social
Berg Silva/ Prefeitura de Niterói


Local conta com 70 vagas no total

A iniciativa da Prefeitura de Niterói de arrendar um hotel no Centro da cidade para que a população em situação de rua possa cumprir o isolamento social com segurança, já apresenta resultados positivos. Das 70 vagas disponibilizadas, 46 já foram preenchidas. E o Município está se preparando caso seja necessário a abertura de mais vagas para atender a novas demandas de acolhimento.

“Esse hotel atende a homens e mulheres adultos que não estejam infectados, que concordem e queiram estar no isolamento social. Até o momento, nenhuma dessas pessoas saiu ou pediu para ser desligado do acolhimento. Estão aqui contribuindo com a saúde deles e com a saúde da população”, afirma a secretária municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Niterói, Flávia Mariano. “Isso já é reflexo da conscientização do trabalho que vem sendo feito para o enfrentamento da doença”, completa.

Desde o início da pandemia, a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos de Niterói, em parceria com a equipe do Consultório na Rua, projeto da Fundação Municipal de Saúde, está reforçando as abordagens de prevenção e informação sobre o novo coronavírus. As ações acontecem em todos os bairros da cidade, diariamente.

Para ter acesso a uma vaga no hotel, após a abordagem feita pelas equipes nas ruas, os usuários passam por atendimento social, que é realizado por equipe especializada no Centro de Referência a População em Situação de Rua, o Centro Pop, responsável pela regulação da vaga de acolhimento.

O secretário municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão, Axel Grael, explica que todas essas pessoas antes de entrarem no hotel assinam um termo de compromisso para cumprir o isolamento social.

“O isolamento social é para todos, até para pessoas em situação de rua. Estamos fazendo de tudo para que os impactos sociais e econômicos gerados pela pandemia sejam os menores possíveis em nossa cidade. No hotel, eles recebem todas as refeições, além de terem acesso ao atendimento e acompanhamento com as equipes técnicas da assistência social e da saúde, que estão disponíveis 24 horas para esta população. Estamos nos preparando caso seja necessário ampliar a oferta de vagas e atender a novas demandas de acolhimento”, enfatiza Axel.

Luciano Costa é um dos acolhidos no hotel e conta como a iniciativa está sendo importante para ele neste momento tão delicado.

“A gente, em situação de rua, pode pegar o vírus também. Essa ajuda da Prefeitura em nos dar um lugar para dormir, fazer nossas refeições e um local para higiene é muito importante. Aqui, nós temos atendimento, cama limpa, álcool em gel, lençol, toalha e tudo que a gente precisa. Espero que os outros que ainda não vieram, possam vir também”, diz ele.

A secretária Flávia Mariano ressalta, ainda, que todos os Centros de Acolhimento estão funcionando. Ela reforça que os espaços estão preparados de acordo com as normas de higiene e prevenção à Covid-19, para receber quem quiser ser acolhido. Além disso, os Centros de Referência da Assistência Social (Cras) funcionam de segunda à sexta, das 11h às 15h para atender a população.

“As equipes da Assistência Social e do Consultório na Rua também estão fazendo um rastreamento de pacientes sintomáticos. Além da avaliação dos acolhidos nos centros de acolhimento da Prefeitura todos os dias, fazem orientações sobre os cuidados com a saúde, para que eles se sintam mais seguros em relação à prevenção da doença”, pontua Flávia.

Fonte: O Fluminense





terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Um breve vídeo sobre o legado científico de Johanna Döbereiner



Assista ao vídeo acima, da Academia Brasileira de Ciências, e conheça o trabalho dessa brilhante engenheira agrônoma sobre bactérias fixadoras de nitrogênio, crucial para que o Brasil se tornasse o segundo maior produtor de soja do mundo.



Quando fui estudante de engenharia florestal, na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro - UFRRJ, tive a honra e a felicidade de conhecer a Dra. Johanna Döbereiner, um dos grandes nomes da ciência brasileira. Nascida na República Tcheca, migrou ainda jovem para o Brasil onde desenvolveu o seu trabalho científico, tendo se destacado pelas pesquisas sobre a associação de bactérias com as raízes e como estas promovem a fixação de nitrogênio e outros elementos fundamentais para as plantas. Trabalhou na Embrapa e na Universidade Rural.

A descoberta teve grande impacto sobre a agricultura mundial, pois reduziu drasticamente a dependência sobre fertilizantes químicos e deu um enorme impulso ao cultivo de leguminosas, como a soja. Em 1997, a Dra Döbereiner foi indicada para o Prêmio Nobel de Química.

Tornei-me amigo do filho de Johanna, Christian, com quem trabalhei na área de consultoria ambiental.

Axel Grael








sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Niterói vai criar programa de apoio à agroecologia






Objetivo é criar mecanismos de indução e fomento da produção rural gerando emprego e renda

A prefeitura de Niterói vai criar políticas públicas de apoio a agroecologia para incentivar e fomentar a produção rural urbana na cidade. O anúncio foi feito pelo prefeito Rodrigo Neves durante reunião com representantes deste segmento nesta quinta-feira (15). O chefe do Executivo propôs a criação de um grupo de trabalho para que, no mês de setembro, o projeto seja lançado. Entre os benefícios estarão a criação de oportunidades para o escoamento interno da produção, abertura de linha de crédito para os agricultores, incentivo para comercialização e criação de um selo de qualidade e certificação.

Niterói tem hoje cerca de 68 produtores rurais diretos e 102 indiretos, trabalhando em sítios ou chácaras em corredores produtivos em localidades como: Muriqui, Pendotiba, Sapê, Rio do Ouro, Chibante, Vila Romana, Alto do Muriqui, Jacaré, Várzea das Moças e Engenho do Mato. Nesses locais, entre outras coisas, são produzidos queijo e leite de cabra, frutas e hortaliças, e cogumelos shiitake.

“Estamos criando o grupo de trabalho para o programa de apoio ao produtor urbano”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves. “Vamos regulamentar a agroecologia em Niterói de forma que o segmento fique garantido e tenha perenidade. A certificação é muito importante, mas até que se tenha o selo podemos criar outras iniciativas que possam dar suporte aos produtores”, reforçou.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Paulino Moreira Leite, destacou que vai se reunir com os representantes dos produtores e das secretarias de Meio Ambiente, Educação e Assistência Social para traçar o planejamento para apoio aos produtores e regulamentação do selo.

“Niterói tem um bom mercado consumidor. Assim como fizemos com o selo cervejeiro, também vamos dar apoio aos produtores rurais da cidade. Vamos estudar a forma de legalização, certificação e também podemos intermediar financiamento com agências de fomento. É mais uma forma de movimentar a economia da cidade e promover emprego e renda”, disse o secretário.


Fonte: Folha de Niterói









terça-feira, 20 de agosto de 2019

Fumaça da Amazônia fez São Paulo anoitecer no meio da tarde



Escuridão às 16h10
O céu às 16h10 na Marginal do Pinheiros, proximo à ponte Eusebio Matoso; nas redes sociais, especulou-se que escuridão poderia ser resultado de queimadas, mas especialistas do Inp e descartam a hipótese Foto: NILTON FUKUDA/ESTADÃO


COMENTÁRIO:

LITERALMENTE NAS TREVAS

Um fato estarrecedor na última segunda-feira, 19 de agosto, chamou a atenção para a dimensão do problema das queimadas na Amazônia, dando um exemplo mais perceptível - até para os céticos - que a destruição da floresta não traz consequência apenas local.

O efeito da entrada de uma frente fria e a fumaça das queimadas da Amazônia, empurradas para os céus de São Paulo por correntes atmosféricas, fez com que a tarde paulistana escurecesse a partir das 15:00 / 16:00 horas.

A perplexidade dos paulistas foi esclarecida por técnicos especialistas, que demonstraram que a cor e o cheiro da água da chuva estavam relacionados com a fumaça e as partículas em suspensão na atmosfera, provenientes das queimadas na Amazônia. O fato foi noticiado pela mídia e chegou à TV em rede nacional.

A origem e o trajeto da fumaça em direção a regiões mais ao sul do continente sul-americano foi comprovada por imagens da NASA.

Queimadas, destruição da Amazônia e o governo Bolsonaro

Não é de hoje que as queimadas e a destruição da Amazônia e outros biomas preocupam. O desmatamento a ferro e fogo é parte da história do Brasil, desde o início da colonização, e o problema nunca foi resolvido. Segue até hoje e se agrava a medida que a fronteira agrícola se expande e a floresta se encolhe.

A diferença é que, agora na gestão Bolsonaro, o desmatamento é uma política de governo. O discurso do presidente se opõe abertamente à agenda ambiental, da sustentabilidade e das mudanças climáticas. Bolsonaro propõe acabar com parques, quer garimpos em áreas indígenas, rejeita a ajuda internacional para a Amazônia e constrange antigos parceiros ambientais brasileiros.
Ao nomear um inimigo confesso do meio ambiente para o Ministério do Meio Ambiente, subordinar a agenda ambiental à agenda ruralista e o esforçar-se para o desmonte da legislação e dos órgãos ambientais, o governo passa uma mensagem clara aos desmatadores: "vai em frente que liberou geral".


A revista britânica The Economist publicou o gráfico acima mostrando o salto do desmatamento na Amazônia. Veja em Economist.


É o que estamos vendo agora: mesmo com o pouco tempo do atual governo, o desmatamento saiu do controle e a Floresta Amazônica está indo para o chão ou (literalmente) pelos ares. E a consequência está sendo assustadora, como podemos verificar com esse episódio da tarde paulistana.

Cientistas no Brasil e no exterior alertam que o rápido processo de destruição está nos levando ao "tipping point", ou seja um ponto de não retorno. A evapotranspiração da floresta será interrompida ou reduzida a tal ponto que os ciclos da água, na interação floresta-atmosfera, interferirão nos regimes de chuvas locais, regionais e continentais. Significa que a destruição chegará ao ponto de promover mudanças climáticas que forçarão os remanescentes da Floresta Amazônica a uma adaptação para uma condição de menos chuva. É o que chamam de "savanização", ou seja, a floresta vai se transformar em cerrado, com consequências para a biodiversidade.

Se isso acontecer, segundo estudos, uma das maiores prejudicadas será justamente a agricultura nas regiões onde é mais produtiva no país. É o "ruralismo" do atraso dando um tiro no próprio pé.

Que o susto de uma tarde escura em São Paulo promova a reflexão sobre a insensatez e a irresponsabilidade da política ambiental do atual governo.

Que se faça luz nas trevas!!!

Axel Grael
Engenheiro Florestal



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Análises confirmam presença de partículas de queimadas maior do que o normal em água de chuva preta de SP

Pesquisadores explicam efeitos da fuligem de queimadas na cor da chuva em São Paulo. Inmet afirma que maior parte da fumaça veio de outros países. Testes mostram quantidade elevada de substâncias provenientes de incêndios florestais.

Por G1 SP, GloboNews e TV Globo

Assista ao vídeo com a reportagem da Globo clicando aqui


Análises técnicas feitas por duas universidades mostraram que a água da chuva de cor escura, coletada por moradores de São Paulo nesta segunda-feira (19) após nebulosidade forte encobrir a cidade, contém partículas provenientes de queimadas. Nas redes sociais, moradores da Grande São Paulo postaram fotos da água da chuva escura.

O teste feito pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) identificou a presença de reteno, uma substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas, na água da chuva coletada na segunda-feira.

Já o exame realizado pela Universidade Municipal de São Caetano (USCS) mostrou que a concentração de material particulado, ou seja, de fuligem, foi sete vezes maior do que a registrada na água de uma chuva normal.

Queimadas aumentam 82% em relação ao mesmo período de 2018Amazônia concentra metade das queimadas em 2019

A fumaça das queimadas atingiu as nuvens de chuva que já estavam sobre a cidade na segunda-feira. A fuligem, que viaja a uma altura maior do que o material particulado proveniente da poluição comum, foi então absorvida pela nuvem - dando origem à chuva "preta", segundo Theotonio Pauliquevis, físico e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"As nuvens de chuva ficam de 1,5 km a 10 km do solo. Quando a poluição parte do nível de superfície e vem de carros ou fábricas, ela fica presa embaixo das nuvens, formando uma camada visível, mais escura, no horizonte", explica. "Aí, quando a água cai, ela bate nas partículas e a enxurrada leva essa poluição comum."

"Já a nuvem de fumaça viaja a cerca de 3 km ou 4 km do solo. Ela bate de frente com a nuvem de chuva, que absorve a fuligem e forma essa espécie de gosma que dá origem às nuvens escuras e avermelhadas e também à chuva 'preta', mais escura que o normal", diz o pesquisador, que estuda a composição química da chuva na Amazônia em períodos de queimadas.

Enquanto os pesquisadores da USP analisaram a identificação de reteno, que é um marcador de queimadas, a análise da USCS verificou quantidade de fuligem 7 vezes mais que o normal e a presença de sulfetos 10 vezes superior à média. A substância é proveniente da queima de combustíveis fósseis e queimadas.

"Se eu estou com 7 vezes mais do que deveria ter, eu tenho nessa água substâncias químicas que podem afetar a saúde. Agora a gente vai ter que investigar o que que é isso", diz Marta Marcondes, bióloga e professora da linha de pesquisa de saúde e meio ambiente da USCS.

Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), diz que a fuligem proveniente das queimadas também pode conter substâncias tóxicas aos seres humanos. "Se nós tivéssemos recebido a fumaça sobre a cidade, sem a presença de uma frente fria que trouxe chuva, isso poderia ter um efeito muito pior nas pessoas", diz.

A meteorologista Beatriz Oyama, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), explica que as nuvens de chuva podem acumular o material particulado que se encontra na atmosfera.

"A chuva é um processo de limpeza da atmosfera. Como a gente está abaixo da nuvem, a gente não sabe exatamente qual é a concentração de partículas lá em cima, onde a nuvem se forma. No nível de superfície, o ar já está relativamente limpo por conta da chuva", explica Oyama.

O repórter cinematográfico Leandro Matozo, da GloboNews, coletou a água com fuligem em baldes no quintal da casa onde mora, em São Mateus, na Zona Leste da capital. As amostras recolhidas no local foram utilizadas nos exames das universidades. Agora, novos testes devem mostrar para a saúde das substâncias encontradas.


Água escura coletada em casa de São Mateus, na Zona Leste de SP — Foto: Leandro Matozo/GloboNews

Água preta coletada em São Mateus — Foto: Leandro Matozo/GloboNews

Água da chuva de cor escura foi coletada em diversos pontos de São Paulo nesta segunda (19). — Foto: Luciana Cantão/TV Globo

Dia virou noite

Na tarde desta segunda-feira (19) a cidade de São Paulo ficou com o céu encoberto por nuvens escuras e o "dia virou noite". O fenômeno está relacionado à chegada de uma frente fria e também de partículas oriundas da fumaça produzida em incêndios florestais.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), parte deste material particulado é de origem local e oriundo da Amazônia brasileira, mas "outra parte considerável, talvez a predominante, de queimadas de grandes proporções, originadas nos últimos dias perto da tríplice fronteira da Bolívia, Paraguai e Brasil, próximo da região de Corumbá, em Mato Grosso do Sul."

A Climatempo confirma a análise do Inmet de que a fumaça das queimadas atingiu o estado de São Paulo.

"A fumaça não veio de queimadas do estado de São Paulo, mas de queimadas muito densas e amplas que estão acontecendo há vários dias em Rondônia e na Bolívia. A frente fria mudou a direção dos ventos e transportou essa fumaça pra São Paulo", diz Josélia Pegorim, meteorologista da Climatempo. “Aqui na região da Grande São Paulo a gente teve a combinação desse excesso de umidade com a fumaça, então deu essa aparência no céu."

No final de semana, a direção do vento estava levando a fumaça para o Sul do Brasil. Com a chegada da frente fria no Sudeste, a fumaça começou a ser direcionada para o estado de São Paulo, segundo a Climatempo.

Os meteorologistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que também monitora o clima no país, ainda não verificaram influência das queimadas no aumento na nebulosidade que tornou o céu da capital tão escuro.

"O vento até pode trazer essa fumaça de queimadas, mas teria que ser bem intenso o incêndio. Geralmente, isso ocorre mais com fumaça de vulcões", diz Caroline Vidal, meteorologista do Inpe.


Fonte: G1




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Com escuridão atípica, dia vira noite em São Paulo nesta segunda


Segundo meteorologista, cenário foi provocado por nuvem muito baixa e profunda; internautas tentam 'provar' que é de tarde

Felipe Cordeiro e Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Três da noite? O relógio ainda marcava 15 horas nesta segunda-feira, 19, em São Paulo quando o céu escureceu, o que causou a impressão de que a tarde tivesse virado noite na cidade.

Quatro da noite? Às 16 horas, o céu em São Paulo estava escuro Foto: Alex Silva/Estadão


De acordo com Helena Turon Balbino, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), trata-se de uma nuvem muito baixa e profunda, por isso ela é tão escura, que se formou a partir de ventos bastante úmidos vindos de sudeste e sul.

"É mais ou menos como quando estamos em um avião, descendo e entramos no meio de uma nuvem", diz.

Nas redes sociais, especulou-se que a escuridão poderia ser resultado das queimadas da Amazônia ou da Bolívia – que chegou a provocar uma nuvem de fumaça de 30 km –, mas tanto a especialista quanto o pesquisador Alberto Setzer, do Programa de Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), disseram ser pouco provável essa hipótese.

Segundo Setzer, um pouco dessa fumaça de fato chega a São Paulo, mas não a ponto de ser a principal explicação para a escuridão desta segunda-feira. Imagens de satélite compiladas pelo pesquisador na semana passada mostraram um corredor de fumaça da Amazônia descendo para o centro-sul do País.


Dia vira noite em Sâo Paulo, com escuridão atípica

De acordo com os dados do Inpe, o número de focos de incêndio neste ano no País – dados contabilizados do dia 1 de janeiro até este domingo – já é 82% maior do que o mesmo período do ano passado. Foram registrados 71.497 focos no País neste ano, contra 39.194 em 2018. É o número mais alto dos últimos sete anos, batendo 2016, que até então tinha sido o líder, com 66.622 de 1º de janeiro a 18 de agosto.

No Twitter, internautas de São Paulo brincaram com a mudança repentina do céu. Um dos assuntos mais comentados da rede social era a expressão "São 16h", em que os usuários publicavam fotos para tentar "provar" que o dia virou noite.

Além do céu encoberto e da escuridão atípica para o horário, a capital paulista enfrenta frio e chuva fraca. Segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura, o tempo fechado e chuvoso vai continuar nas próximas horas.

"Por conta do tempo fechado, úmido e da entrada do ar de origem polar, a temperatura apresentou gradual declínio desde as primeiras horas da madrugada quando foi observada a máxima de 17,4°C", informou o órgão, em nota.


Além do céu encoberto e da escuridão atípica para o horário, São Paulo enfrenta frio e chuva fraca Foto: Alex Silva/Estadão

As estações meteorológicas automáticas do CGE registraram 16ºC em Perus, na zona norte, e 13ºC no extremo da zona sul. A umidade relativa do ar nessas regiões é, respectivamente, de 85% e 100%.

O CGE afirma que os ventos causam maior sensação de frio. Já as áreas de instabilidade que se deslocam do interior do Estado para a capital provocam chuvas de intensidade moderada.

Durante a noite, há potencial para chuvas fortes, trovoadas e rajadas de vento.

Fonte: Estadão