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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Secas já deixam cerca de 1.700 municípios brasileiros sob alto risco de falta de água

Vista aérea da represa Jaguari-Jacareí durante seca de 2025. Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Crise climática adiciona novos extremos a regiões que historicamente convivem com o problema, mostra levantamento do Observatório do Clima sobre índices da plataforma AdaptaBrasil

Por Aldem Bourscheit

Dos 5.569 municípios brasileiros, 1.699 estão sob risco alto ou muito alto de sofrer com a falta de água em razão de períodos de seca. O número equivale a 30,5% dos municípios do país, sujeitos a consequências mais graves em um mundo mais quente, marcado pela intensificação dos eventos extremos, entre eles as estiagens severas. A análise foi realizada pelo Observatório do Clima com base em dados do AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O problema se concentra no Nordeste. Todos os 15 municípios classificados com risco muito alto ficam na região e, em oito dos nove estados nordestinos, há ao menos uma cidade nessa faixa. Os demais municípios com risco alto estão espalhados pelas cinco regiões do país.

Fora do Nordeste, os índices recuam, mas o problema continua. Brasília (DF), Governador Valadares (MG), Capanema (PA) e Pelotas (RS), por exemplo, estão na faixa de risco alto.

“A gente não vai viver os próximos 30 anos como a gente viveu nos últimos 30 anos”, Jean Ometto

O AdaptaBrasil avalia o risco de impacto das mudanças climáticas no balanço hídrico a partir da combinação de três fatores: ameaça, exposição e vulnerabilidade do município.

Conforme Jean Ometto, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador científico do AdaptaBrasil, a ameaça mede quanto fatores como mudanças na chuva e na temperatura podem reduzir a água disponível. “A grosso modo, o que a gente chama de ameaça de escassez são os aspectos físicos do sistema”, disse.

A exposição mostra quem e o que pode ser atingido pela falta d’água, das pessoas às atividades econômicas que dependem do recurso, como irrigação e pecuária. Já a vulnerabilidade mostra quanto o município pode sofrer e que condições ele tem para reagir à escassez. Entram nessa conta itens como gestão da água, reservatórios e alternativas de abastecimento. “É quanto o município atuou ou atua para reduzir o risco de faltar água”, detalhou Ometto.

Juazeiro e Recife são os municípios com maior risco de falta d’água no país. O primeiro fica no semiárido do norte da Bahia, às margens do São Francisco. O outro é a capital pernambucana, na Mata Atlântica litorânea.

Quando avaliados os três fatores que compõem o risco, tem-se que Juazeiro e Recife têm ameaça média, vulnerabilidade alta e exposição máxima. Assim, municípios tão diferentes chegam ao mesmo patamar por razões que vão bem além de chover pouco.

Mapa de risco de impacto do estresse hídrico no Brasil. Fonte: AdaptaBrasil/MCTI

A forma como cada município lida com tais fatores — e o grau de risco que recebe — também fica explícita no caso de Guaribas, no sudoeste do Piauí. No território, historicamente sujeito a estiagens, ameaça e vulnerabilidade são médias, mas a exposição é muito baixa. Com isso, o risco final cai para muito baixo. “Isso quer dizer que não vai ter seca? Não!”, afirmou Ometto.

Na Amazônia, a combinação muda outra vez. Pelos dados da plataforma, Manaus tem o maior risco no estado do Amazonas, mas fica apenas na faixa média. Sua exposição é máxima, mas os níveis menores de ameaça e vulnerabilidade puxam o resultado para baixo.

Isso não significa que a água seja sempre abundante na região. Ometto citou áreas onde poços secam na época menos chuvosa e comunidades precisam recorrer a cisternas. “Você pode estar numa região […] abundante de água e ter problema de distribuição”, resumiu.

A crise do clima entra na conta do risco ao alterar chuvas, intensificar secas e interferir na disponibilidade de água no país, adicionando novos extremos a regiões que já convivem com problemas antigos.

Para Diosmar Santana Filho, geógrafo e pesquisador da Associação de Pesquisa Iyaleta, de Salvador (BA), a escassez merece atenção especial. “Secas e longas estiagens são o maior evento climático do Brasil”, avaliou, citando a frequência de emergências e calamidades ligadas à falta d’água, sobretudo no semiárido nordestino.

No outro extremo estão municípios que agora têm de lidar com fortes chuvas e inundações, como é o caso de pequenos municípios nordestinos.

Dos índices à ação

Ometto pontuou que o AdaptaBrasil não foi criado como um sistema de alerta, mas para ser uma referência nacional para antecipar riscos e orientar decisões climáticas. Ou seja, os dados ganham ainda maior utilidade se entrarem no planejamento político.

“Essa escala de risco é uma escala de orientação”, afirmou. O passo seguinte é abrir os dados de cada município, entender o que empurra seu índice para cima e identificar onde o poder público pode agir.

Isso pode significar melhorar a gestão da água, buscar novas fontes, ampliar cisternas e reservatórios ou estudar alternativas subterrâneas. “O que ele não vai conseguir mexer é no ‘botãozinho do clima’”, resumiu Ometto. “Mas nas ações no município ele consegue”.

Conhecer os riscos também pode ajudar uma prefeitura a buscar recursos. Segundo Ometto, municípios que conseguem mostrar onde estão mais vulneráveis têm melhores condições de justificar investimentos em adaptação.

Mas nem todos conseguem bancá-los. Outro levantamento do OC encontrou 1.594 municípios com risco médio a muito alto de deslizamentos e/ou enxurradas e baixa capacidade fiscal. São cidades que precisam investir em adaptação, mas têm mais dificuldade para conseguir crédito e financiar obras.

Para Santana Filho, fortalecer quem executa as políticas “na ponta” é essencial. “Investir hoje em pesquisa, capacitação e aumentar as capacidades de gestão pública local […] é um primeiro ponto”, afirmou.

Ometto vai na mesma direção. Para ele, a mudança do padrão climático precisa entrar na gestão cotidiana de estados e municípios. A lógica que por décadas orientou a agricultura, o uso dos mananciais e a relação com os recursos naturais já não serve para o clima atual nem para o futuro.

“A gente não vai viver os próximos 30 anos como a gente viveu nos últimos 30 anos”, ressaltou o cientista.

Os dados municipais analisados pelo OC têm 2020 como ano de referência, mas o AdaptaBrasil vem sendo atualizado com novas bases e modelagens, incluindo informações de órgãos federais como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e projeções climáticas usadas pelo IPCC, sigla em inglês do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima.

Fonte: Observatório do Clima 





quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IBGE divulga a 4º edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil


Nota: Para favorecimento da visualização na escala de representação apresentada, as subcategorias Áreas Urbanizadas, Outros Equipamentos Urbanos e Vazios Intraurbanos estão agregadas na legenda como Feições Urbanizadas, e os contornos dos polígonos estão realçados com maior espessura. A base de dados geoespacial com tal desagregação pode ser acessada no Portal do IBGE na Internet.

Publicação faz referência ao ano de 2022.

O IBGE disponibilizou ao público, nesta terça-feira (18), a quarta edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil, com ano de referência de 2022. A publicação apresenta a representação espacial do fenômeno urbano no País, fundamentada nas relações do espaço vivido que caracterizam as interações de vizinhança e o modo de vida urbano, evidenciadas pela presença de edificações, pela circulação de pessoas, pela rede viária e pela distribuição e proximidade entre residências, entre outros aspectos.
O processo de urbanização, marcado por sua complexidade e dinamismo, está entre os principais responsáveis pelas transformações socioespaciais observadas no território brasileiro. Nesse contexto, o mapeamento foi elaborado a partir da interpretação visual de imagens de satélite, cuja metodologia permite identificar e analisar processos de expansão, estabilidade, densificação e retração das morfologias urbanas em todo o País.

As Feições Urbanizadas se referem à agregação das subcategorias Áreas Urbanizadas, Vazios Intraurbanos e Outros Equipamentos Urbanos.

Entre os principais destaques estão as morfologias urbanas que ocupavam, em 2022, 50 981,91 km² do País, o equivalente a 0,60% da sua área territorial. Das Unidades da Federação, cinco concentraram 50,35% do total de Feições Urbanizadas: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. Por outro lado, 13 Unidades da Federação tiveram participação inferior a 2% das Feições Urbanizadas no total do País.

O Nordeste apresentou maior incremento de área absoluta (1 961,44 km²) e de área relativa no período (16,52%) de Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios em relação as demais Grandes Regiões entre 2019 e 2022.

O monitoramento das Áreas Urbanizadas do Brasil é fundamental para compreender a ocupação do território e as dinâmicas da sociedade brasileira. A atualização periódica deste levantamento permite acompanhar a expansão das cidades e as transformações da paisagem, além de subsidiar o planejamento territorial, a implementação de políticas públicas e análises relacionadas à mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e sustentabilidade.


Distribuição Geral das Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios

A distribuição geral destaca a concentração do fenômeno urbano no seu litoral: os 443 Municípios Costeiros, ocupam apenas 5,02% do território brasileiro, mas reuniram 9 941,50 km² de Feições Urbanizadas, equivalentes a 19,50% do total do País. Enquanto os 772 Municípios da Amazônia Legal representam 59,11% da área do território nacional, estes apresentaram apenas 14,27% das Feições Urbanizadas do País em 2022.

Na maior parte das Unidades da Federação, a distribuição das Feições Urbanizadas situou-se entre 65% e 80% de áreas Densas, frente a 20% a 35% de áreas Pouco Densas. As exceções foram o Distrito Federal e os Estados do Rio de Janeiro e de Rondônia, onde as áreas Densas se aproximaram de 85%, assim como os Estados do Acre e de Roraima, nos quais as áreas Pouco Densas ultrapassaram 40% do total.


O Sudeste destacou-se acentuadamente pela predominância de Feições Urbanizadas Densas em relação as demais Grandes Regiões, tanto absoluta com 14 529,63 km², quanto relativa, com 38,13% de todas as áreas Densas do País.

O Nordeste teve a maior extensão de Feições Urbanizadas Pouco Densas em relação as demais Grandes Regiões com 3 936,79 km² (30,56% do total nacional).

São Paulo foi a Unidade da Federação com a maior extensão de Feições identificadas no ano de 2022, com 9 622,68 km², incluindo áreas Densas e Pouco Densas (9 343,66 km², o equivalente a 18,33% do total brasileiro), bem como Loteamentos Vazios (279,0 km²). Por outro lado, o Amapá foi a Unidade da Federação com a menor extensão de morfologias urbanas, somando 184,64 km² de Feições Urbanizadas, apenas 0,36% do total do País e 70,03 km² de Loteamentos Vazios.

O Nordeste representou 30,22% da expansão horizontal de Feições Urbanizadas do País (1 448,18 km²), seguido pelo Sudeste com 27,77% (1 330,54 km²) e Sul, com 25,86% (1 239,17 km²) no período entre 2019-2022.

Em relação ao acréscimo de Loteamentos Vazios, observou-se 44,08% do total no Nordeste, 23,7% no Sudeste, 13,83% no Centro-Oeste, 9,69% no Norte e 8,70% no Sul do país.

Mudanças nas características urbanas entre 2019 e 2022

As Áreas Urbanizadas são identificadas principalmente pela presença de moradias e a proximidade entre elas. Podem conter escolas, igrejas, cemitérios, estabelecimentos comerciais, de serviços, indústrias, dentre outros, em seu meio. Em 2022, a Grande Região com maior extensão de Áreas Urbanizadas foi a Sudeste, com 17 454,11 km², seguida da Nordeste com 12 031,46 km². Porém, essa ordem se inverteu quando se analisa a expansão horizontal detectada entre os mapeamentos de 2019 e 2022, de modo que o Nordeste lidera a expansão com 1 362,26 km² e no Sudeste sobressaem 1 190,22 km².

Treze Unidades da Federação apresentaram menos de 1 000 km² de Áreas Urbanizadas: os Estados do Norte, a exceção do Pará, os Estados de pequena extensão territorial do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe), duas Unidades da Federação do Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal) e, no Sudeste, apenas o Espírito Santo. Essas mesmas Unidades da Federação, acrescidas do Mato Grosso e do Rio de Janeiro também tiveram a expansão horizontal entre 2019 e 2022 inferior ao valor de 100 km².

Outros Equipamentos Urbanos englobam estabelecimentos não residenciais no entorno ou com distâncias inferiores a 3 km de manchas urbanizadas, como universidades, aeroportos, portos, shopping centers, estruturas industriais, estações de energia, dentre outros. No âmbito estadual, São Paulo apresentou a maior extensão de Outros Equipamentos Urbanos em 2022, alcançando 326,30 km², e a segunda maior expansão da subcategoria no País, com aumento de 51,86 km². Minas Gerais apareceu em seguida, com 217,81 km², e liderou o crescimento no período, com expansão de 62,24 km². O Paraná ocupou a terceira posição em área total no ano mais recente, com 159,92 km², enquanto Mato Grosso apresentou a terceira maior expansão entre 2019 e 2022, com incremento de 23,28 km².

Em contraponto, 17 Unidades da Federação - Estados do Norte e Nordeste (exceto Pernambuco e Bahia), Espírito Santo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul - apresentaram extensão de Outros Equipamentos Urbanos menor que 50 km² e, somadas ao Rio de Janeiro, tiveram expansão horizontal dessa subcategoria inferior a 10 km².

Os Vazios Intraurbanos podem indicar diferentes áreas não ocupadas por construções (desde que com área entre 0,25 km² e 2,5 km²) que estão circunscritas às Áreas Urbanizadas, como por exemplo áreas verdes, parques, corpos d’água, áreas não ocupadas por condicionamento de relevo, áreas de preservação determinadas por lei, dentre outros. Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina apresentaram incrementos significativos nessa classe, somando expansões horizontais respectivas de 15,65 km², 10,52 km² e 12,73 km².

Capitais se destacam dentre as maiores extensões absolutas

Entre os 20 Municípios com maiores extensões absolutas de Feições Urbanizadas em 2022, 15 são capitais, além de três cidades do Estado de São Paulo (Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto) e dois relevantes centros regionais: Feira de Santana (BA) e Uberlândia (MG).

Ocorreram mudanças de posição neste mesmo ranking em relação à 2019: Brasília (DF) passou a ter maior extensão absoluta de feições urbanizadas em relação ao Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e Teresina (PI) também ganharam posições em relação à Salvador (BA) e Uberlândia (MG), assim como Belém (PA) e Feira de Santana (BA) superaram Guarulhos (SP) e Ribeirão Preto (SP).

Municípios com maiores expansões de Feições Urbanizadas

No que se refere às 20 maiores expansões de Feições Urbanizadas Densas e Pouco Densas por Municípios, Brasília (DF) ocupou a primeira posição com expansão de 72,08 km² entre 2019 e 2022, mais que o dobro, em termos absolutos, do que o Município com o segundo maior crescimento, São Luís (MA) com 35,76 km².


Com este lançamento, a série de mapeamentos das Áreas Urbanizadas do Brasil consolida-se como instrumento fundamental para compreender a dinâmica de expansão e organização do território brasileiro, ao oferecer uma representação padronizada e comparável da urbanização em escala nacional. Os resultados revelam um padrão complexo, no qual coexistem áreas de crescimento acelerado – frequentemente associadas à expansão horizontal e à ocupação de novas frentes urbanas – e outras caracterizadas por menor dinamismo ou maior consolidação do tecido urbano.

A partir disto, verifica-se que as Áreas Urbanizadas do Brasil apresentam dinâmicas heterogêneas e que demandam respostas integradas para sua ampla compreensão, seja por meio do monitoramento geoespacial, que aqui se apresenta, seja por indicadores socioeconômicos e ambientais, no sentido de prover informações a políticas públicas de ordenamento territorial. Nesse sentido, o IBGE está comprometido com o avanço da integração de fontes não convencionais, como o sensoriamento remoto, para a produção de estatísticas oficiais de qualidade, para melhor subsidiar decisões baseadas em evidências.

Fonte: IBGE 


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Teresina, no Piauí, está entre as cidades com expansão da área urbana — Foto: Alexandro Dias/winkipédia

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional

Por Lívia Nani e Lucas Altino

O Brasil ganhou quase 6 mil quilômetros quadrados de área urbanizada em três anos, avanço de 12,27%, segundo o IBGE. A expansão equivale a cerca de 770 campos de futebol por dia. O Sudeste concentra a maior extensão urbanizada, mas foi o Nordeste que mais avançou proporcionalmente. Entre os municípios, Brasília liderou, com 72 km² incorporados à área urbanizada — mais que o dobro de São Luís, segunda colocada.

Os dados fazem parte do “Mapeamento das Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado ontem pelo IBGE. Produzido por imagens de satélite, o levantamento identifica a expansão horizontal das cidades de 2019 a 2022, números mais recentes, e não a verticalização. O crescimento corresponde a áreas antes desocupadas que passaram a ter edificações, equipamentos urbanos ou outro tipo de ocupação, inclusive lotes vazios.

O IBGE considera “área urbanizada” o conjunto de formas e estruturas que materializam o fenômeno urbano nos territórios. Loteamentos vazios passaram a ser considerados um novo tipo de ocupação.

Para especialistas em planejamento urbano, porém, a expansão da área ocupada não significa, necessariamente, cidades mais urbanizadas. Arquiteto e urbanista e professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Zeca Brandão lembra que o Brasil está entre os países mais urbanizados do mundo pela concentração da população nas cidades, mas o processo ocorreu rapidamente e sem o planejamento necessário.

— O Brasil já é um dos países mais urbanos do mundo, o que não quer dizer mais urbanizado — explica. — Urbanizado requer bom saneamento básico, bom sistema de mobilidade urbana, espaços públicos, não ter déficit habitacional e ter infraestrutura para a dimensão do território urbano. Isso não ocorre no Brasil.

Distribuição das feições urbanizadas no Brasil — Foto: Arte O Globo

Benny Schvarsberg, professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, também afirma que a expansão não é sinônimo de territórios mais urbanizados em planejamento e serviços. A migração, em parte das classes média e alta, para novos territórios pode gerar ocupação de baixa densidade e “ambientalmente insustentável”, com alto custo para expandir redes de infraestrutura viária, de drenagem, água, esgoto e energia, afirma.

— É preciso qualificar esse processo de expansão urbana e entender as lógicas desse modelo dispersivo de espalhamento territorial com as consequências que ela tem, do ponto de vista dos custos de infraestruturas — observa.

O especialista chama atenção para a migração de moradores de metrópoles para cidades pequenas e médias, fenômeno também observado em países como os Estados Unidos. A expansão dos chamados subúrbios, diz, pode fazer áreas perderem características rurais sem, necessariamente, ganhar condições urbana:

— Mais do que um crescimento da urbanização, seria um processo de crescimento da suburbanização no Brasil.

Schvarsberg aponta ainda o aumento dos perímetros urbanos nos planos diretores. Segundo ele, uma das possíveis razões seria elevar a arrecadação de IPTU, que gera mais dinheiro do que o ITR, imposto territorial rural.

— É uma tendência expressiva. Mais de 1.500 municípios realizaram planos diretores, e a maioria deles ampliou os seus perímetros urbanos.

O país tem 53.925 km² de “morfologia urbana”, 0,6% de seu território. Florestas, grandes parques, campos e rios não entram no cálculo. Do total, 70,6% são ocupações densas, com edificações próximas e poucos espaços livres; 23,9% são pouco densas, com moradias mais afastadas; e 5,4% correspondem a loteamentos vazios, áreas alteradas pela ação humana e delimitadas, ainda que sem construções, indicando intenção de ocupação.

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional: cresceu 1.961 km², ou 16,5%. No Sudeste, foram 1.606 km², aumento de 9,09%.

O IBGE não analisa as causas. Para Brandão, algumas hipóteses podem ser consideradas a partir do Censo 2022, que apontou reduções populacionais inéditas em grandes capitais nordestinas, como Fortaleza, Natal, Salvador e Recife. Uma possibilidade é que esse êxodo, em parte motivado por custo e qualidade de vida, tenha contribuído para o crescimento de cidades médias e pequenas, numa espécie de “interiorização da urbanização”, observa.

— A urbanização brasileira pode estar passando de um modelo centrado no crescimento das grandes metrópoles para um processo em que cidades médias, pequenas cidades, corredores urbanos e áreas periurbanas passam a ter um papel cada vez mais importante — diz.

Outra hipótese é a influência do turismo e da segunda residência em áreas litorâneas do Nordeste antes menos exploradas. Condomínios, loteamentos, hotéis, resorts e casas de veraneio podem estar ampliando a mancha urbana.

Brandão chama atenção para o período analisado. Entre 2019 e 2022, a pandemia produziu mudanças nos padrões de localização residencial, valorizou espaços mais amplos e estimulou a procura por cidades médias, condomínios horizontais e áreas de lazer.

Schvarsberg cita uma recente pesquisa de mestrado da UnB sobre a mudança na ocupação do Nordeste. O estudo identificou crescimento das chamadas “franjas urbanas” das principais capitais, com criação de loteamentos, como condomínios destinados às classes média e alta.

— É um crescimento que compromete reservas ambientais ou áreas antigas de produção agrícola, inclusive, com unidades imobiliárias urbanas, basicamente residenciais, especialmente de média e alta renda. Um mercado imobiliário de “amenidades verdes”. É muito comum serem chamados de condomínios sustentáveis, com anúncios para “viver na natureza” — explica.

Expansão no litoral

O mapeamento retrata um padrão de ocupação presente desde a colonização, com concentração do fenômeno nos municípios costeiros. As 443 cidades do litoral concentram 9.941,5 km² de feições urbanizadas, equivalentes a 19,5% do total do país, embora ocupem apenas 5% do território.

Na chamada faixa de fronteira, os 590 municípios ocupam 26,61% da área brasileira, mas concentram 4.223,81 km² de feições urbanizadas, ou 8,28% do total de 2022.

Entre as unidades federativas, o Distrito Federal teve a maior expansão proporcional, de 1,25%. Brasília também liderou entre os municípios, com acréscimo de 72 km², mais que o dobro dos 35 km² de São Luís, no Maranhão.

— O resultado é justificável pela sua extensão diminuta e pelo planejamento coordenado de urbanização (do Distrito Federal e de Brasília) — explicou Andressa Rosas de Menezes, técnica do IBGE.

Schvarsberg observa que o Distrito Federal tem 35 regiões administrativas, consideradas, na prática, cidades-satélites. Para ele, a expansão ocorreu com a criação de novos condomínios e lotes nas franjas desses territórios.

Fonte: O Globo


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Desastres climáticos causaram perdas de R$ 6,6 bilhões no Brasil neste ano e El Niño pode intensificar danos, diz relatório

Deslizamentos assolaram diversos bairros em Juiz de Fora, em fevereiro de 2026 — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Levantamento da AON, empresa de seguros, mostra que os impactos financeiros foram de R$ 565 bilhões no mundo inteiro nesse primeiro semestre por causa de secas, enchentes e deslizamentos

Por Lucas Altino

No primeiro semestre de 2026, secas, deslizamentos e enchentes no Brasil causaram um prejuízo financeiro de R$ 6,6 bilhões, aponta um relatório da AON, empresa de seguros, que alerta para os riscos do El Niño ampliar esses danos. Os eventos brasileiros foram os mais impactantes no continente, ao lado de casos semelhantes na Colômbia e dos terremotos na Venezuela. No mundo, foram estimadas perdas de R$ 565 bilhões no primeiro semestre.

O Brasil foi destacado no relatório como um dos principais exemplos de impactos do El Niño, principalmente nas perdas agrícolas, eventos de clima extremos e no mercado de seguros. A AON cita um estudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que identificou 220 eventos em 16 estados brasileiros entre 2000 e 2021 associados ao El Niño, que, no Brasil, gera fortes chuvas no Sul e seca no Norte.

Há previsão de que um forte El Niño atue nos próximos meses. Nas últimas semanas, intensas ventanias registradas no Sul e Sudeste podem ter acontecido por influência do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que configura o El Niño e altera a circulação dos ventos e da atmosfera.

Principais desastres no ano

O Global Catastrophe Recap (retrospectiva global de catástrofes), nome do relatório da Aon, identificou quatro eventos extremos no Brasil no primeiro semestre: um de seca, um de tempestade, e dois de enchentes e deslizamentos. Esses episódios somaram 127 mortes e perdas econômicas estimadas em R$ 6,6 bilhões.

O caso mais grave aconteceu em Minas, em fevereiro, onde chuvas, enchentes e deslizamentos resultaram em 72 mortes em Juiz de Fora e Ubá.

O principal desastre climático da América Latina em 2026 foi a sequência de terremotos que atingiu a Venezuela em 24 de junho, com cerca de 5 mil mortes e perdas preliminares estimadas entre 20 bilhões e 30 bilhões de dólares. Foi o terremoto mais severo no continente desde o ocorrido no Chile em 2010.

Na Colômbia, os principais problemas foram inundações. Chile e Argentina sofreram com incêndios florestais, enquanto enquanto Peru e Equador registraram enchentes e deslizamentos de terra. Já o México foi afetado pela tempestade tropical Boris.

O relatório considerou que houve menos eventos que a média, porém com intensidade acima do normal, o que gerou "impacto humano e financeiro significativo".

Panorama global

Globalmente, as perdas econômicas provocadas por desastres climáticos totalizaram 111 bilhões de dólares, ou R$ 565 bilhões, no primeiro semestre de 2026, cerca de 25% abaixo da média do século. Ainda assim, o patamar é muito alto, reforça o relatório, com 23 eventos com perdas superiores a 1 bilhão de dólares.

Houve, por exemplo, a tempestade de vento mais impactante já registrada em Portugal e uma intensa temporada de tempestades marítimas nos Estados Unidos.

O relatório destaca que a frequência de eventos extremos e o crescimento das perdas seguradas reforçam a necessidade de ampliar a resiliência da infraestrutura, fortalecer estratégias de prevenção e aperfeiçoar a gestão integrada de riscos diante de um cenário climático cada vez mais volátil.

Fonte: O Globo




segunda-feira, 4 de maio de 2026

Nova York lança Plano de Floresta Urbana com meta de alcançar 30% de cobertura verde em 2040

Nova York acaba de anunciar o seu primeiro Plano de Floresta Urbana (Urban Forest Plan - UFP).

Uma das métricas para se avaliar a arborização das cidades e florestas urbanas é a mensuração do chamado "dossel", que é a cobertura verde composta pela copa das árvores da cidade. Isso pode ser medido através de sensoriamento remoto e permite avaliar a expansão da arborização, áreas mais deficitárias de vegetação e planejar a ação da administração pública. Quanto mais árvores e quanto mais qualidade da copa das árvores - volume e densidade - mais eficiência na proteção da cidade para os extremos de calor e mais fixação de carbono.

O plano tem por objetivo expandir o dossel dos atuais 23,4% para 30%, em 2040. Para atingir o objetivo, o plano prevê conservar o dossel florestal atual, ampliar para ruas e espaços públicos e promover plantios em propriedades privadas. Também está no planejamento a mobilização dos nova-iorquinos a cuidar e proteger a floresta urbana. 

Isso é parte do objetivo do Plano de Floresta Urbana que a cidade de Nova York acaba de lançar, como parte de uma política de resiliência climática que começou a ser estruturado após a tragédia causada pelo furacão Katrina, em agosto de 2005, que assolou os EUA, causando milhares de mortes no país e foi devastador também em Nova York.

Com o UFP, a municipalidade pretende também atuar sobre o aspecto da Justiça Ambiental, corrigindo o déficit de arborização nas comunidades menos atendidas por infraestrutura verde. Segundo o plano, as comunidades objeto da ação prioritária de Justiça Ambiental contam com a cobertura de 19% de dossel, enquanto as demais comunidades possuem 26% de dossel. 

Axel Grael
Engenheiro florestal
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-Prefeito de Niterói (2013-2016)
Presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2001 e 2007-2008)
Presidente do Instituto Estadual de Florestas - IEF (1991-1994)


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New York City Announces Release of First-Ever Urban Forest Plan

Plan lays out NYC’s strategy to achieve 30% tree canopy by 2040 through protection, preservation, and planting of more trees


Read the full plan here.

New York City Chief Climate Officer Louise Yeung (middle) waters a new tree at NYCHA's Red Hook House East during the release of the City's first-ever Urban Forest Plan.

BROOKLYN, NY – Today at NYCHA’s Red Hook Houses in southern Brooklyn, Chief Climate Officer Louise Yeung announced the release of New York City’s first-ever Urban Forest Plan (UFP): a comprehensive roadmap to preserve tree canopy, plant more trees, and cultivate an ecosystem of stewardship. Climate Officer Yeung, the head of the Mayor’s Office of Climate & Environmental Justice (MOCEJ), was joined by Deputy Mayor for Operations Julia Kerson, Department of Parks & Recreation Commissioner Tricia Shimamura, NYCHA Vice President of Sustainability Siobhan Watson, and the Executive Director of Trees New York for the announcement and subsequent stewardship activity on the NYCHA campus.

The UFP lays out the City’s goal of achieving 30 percent tree canopy by 2040. Today, the urban forest canopy shades 23.4% of New York City, covering roughly 45,000 acres — an area about the size of Brooklyn. Reaching this expanded canopy will help the City achieve broader goals of advancing environmental justice, mitigating the effects of heat, and improving quality of life.

“New York has always been defined by the dreams we dare to build together. Today, we’re planting those dreams in the soil itself,” said Mayor Zohran Kwame Mamdani. “The Urban Forest Plan is a commitment that no matter your neighborhood, you deserve clean air, shade in the heat of summer, and streets that reflect the possibility of our great city. Together, we’re going to grow a New York that is greener, healthier, and more beautiful for everyone who calls it home.”

“No matter where you live, work, or spend time outside, all New Yorkers know the immediate relief that comes from standing under the shade of a tree on a hot day. What may be less obvious is that trees are one of the most affordable and accessible ways to help adapt to a changing climate,” said New York City Chief Climate Officer Louise Yeung. “Yet for too long, New Yorkers of color in environmental justice communities have been left behind, lacking critical access to trees and all the benefits they provide. Expanding and caring for our urban forest is a matter of racial and environmental justice, and I look forward to bringing our first-ever Urban Forest Plan to life.”

“Our urban forest serves as essential living infrastructure to keep our city cool and resilient, and every New Yorker deserves equal access to its benefits. The Urban Forest Plan marks a turning point for how New York City grows, protects, and cares for its more than seven million trees, and NYC Parks is proud to help lead this effort alongside our partners and communities,” said NYC Parks Commissioner Tricia Shimamura. “Year over year we have planted a record number of trees, adding canopy where it is needed most, and investing in our forestry workforce to ensure our trees are protected. Now the Urban Forest Plan will help ensure a unified strategy for lessening the effects of climate change and ensuring that New Yorkers in every neighborhood can benefit from a healthier, greener, and more resilient city.”

"At City Parks Foundation, we are incredibly proud to have played a role in the development and release of New York City's first Urban Forest Plan," said Heather Lubov, Executive Director of City Parks Foundation. "Planting and preserving the canopy will, of course, be critical to the success of the city's efforts to cool and clean our communities, but we're thrilled that the newly released plan also puts stewardship front and center to ensure that both trees and communities thrive. We look forward to working with the city and the many dedicated individuals and grassroots and nonprofit partners to achieve the goals of the plan."

"We are thrilled that New York City's first Urban Forest Plan acknowledges the vital role of NYCHA campuses' tree canopy," said NYCHA Chief Executive Officer Lisa Bova-Hiatt. "Preserving and expanding the tree canopy not only provides physical comfort but also empowers residents through hands-on workforce opportunities. We are proud to work with our partners across the city toward greener NYCHA campuses and a more resilient New York City."

NYC Parks manages and cares for millions of street and park trees across all five boroughs, helping to grow and sustain the city’s urban forest.

Expanding Tree Canopy as an Environmental Justice Priority

An equitably distributed and ecologically diverse urban forest in New York City will cool neighborhoods, help manage stormwater, improve air quality, reduce greenhouse gas emissions, increase habitat for wildlife, and enhance the health of, and quality of life for, all New Yorkers. At the core of the UFP is the City’s commitment to addressing unequal distribution of tree canopy as a critical matter of racial and environmental justice. Environmental Justice communities have approximately 19% canopy cover, compared to 26% in non-Environmental Justice areas.

In the Bronx, for example, neighborhoods like Pelham Bay live under a dense, connected tree canopy that cools the air, filters pollution, and absorbs stormwater. Just a few miles away in Hunts Point, one of the hottest, most pollution-burdened neighborhoods in the city, the tree canopy covers only six percent of the neighborhood, among the lowest in the entire city and a fraction of the borough-wide canopy level of 27%.

Cross-Agency Coordination and Partnership

The Urban Forest Plan outlines strategies to close these gaps and expand canopy where it is needed most.

“Reaching 30 percent canopy will be a true whole-of-city effort, bringing together agencies across city government to work in lockstep with communities, nonprofits, and property owners, who will be the true stewards of these forests,” said Deputy Mayor for Operations Julia Kerson. “New York’s urban forest is living infrastructure, and like every system that keeps this city running, it deserves investment, care, and measurable goals. We look forward to delivering all three.”

To reach 30% canopy coverage by 2040, the UFP outlines measures to protect existing canopy, expand planting in streets and public spaces, promote tree planting on private property, and strengthen workforce and stewardship programs that engage New Yorkers in caring for the urban forest.

City agencies will coordinate implementation of the plan in partnership with community organizations, nonprofit and institutional partners, and private property owners. Progress toward the city’s 30% canopy goal will be tracked over time, with updates and continued public engagement helping guide the plan’s implementation and future iterations. The plan fulfills requirements under Local Law 148 of 2023, which mandated that the city develop and regularly update a long-term urban forest strategy informed by public engagement.

Read the full Urban Forest Plan: https://on.nyc.gov/ufp

Fonte: NYC



sábado, 2 de maio de 2026

Informações sobre a revolução de adaptação climática de Paris

Paris is adding color, with boulevards, parks and multiple climate plans 

The City of Paris is famous for its boulevards, bistros and unmistakable character. But behind the historic façades, a nature revolution is taking place that increasingly attracting international attention. Streets, squares and parks are being redesigned and new green spaces are being created, gradually - but significantly - reintegrating nature into the urban landscape.

The capital is becoming greener – and for good reason. With its Climate Plan 2024–2030, the city has developed a master plan to make Paris more resilient, vibrant, and in tune with nature. But what does that mean in practice? It's not just about new parks; it's about an interconnected concept. Trees, schoolyards, measures to promote biodiversity, rainwater management and climate adaptation strategies will work together to prepare the city for future challenges. The goal is to create a city that is more resilient, healthier and equitable.

More nature despite the many paving stones

Paris is a densely populated city. Space is scarce. The city is exercising creativity to solve this problem:
  • A mini urban forest in the middle of the city? Yes, on Place de Catalogne. Can you imagine a small forest in the middle of your city?
  • School Streets: By 2026, 100 streets outside schools are set to become car-free and greener. Children can play safely, and the neighbourhood benefits from new recreational areas that serve as real meeting places in the middle of the city.
  • A three-hectare green space is being created in the east of the city. It will offer recreation and leisure opportunities, as well as providing a habitat for plants and animals.
Paris was an early adopter of environmental protection. Pesticides were banned in parks and gardens as early as the 1990s, long before this became a nationwide requirement. Since 2015, the ban has also applied to cemeteries. What has been the result? Foxes and other wild animals are returning. Who would have thought that you could encounter wild animals in the middle of Paris?

Of course, more greenery also brings challenges. Trees need water, meadows need maintenance, and people must accept spontaneous vegetation. Not everyone immediately realises that unmown meadows and wildflowers are beneficial for the city and its residents. Fostering nature in a city is thus not only a planning challenge, it is an acceptance challenge.

People are getting involved – and that's crucial!

Participation plays a central role in Paris. In addition to experts and the city administration, NGOs, scientists and citizens were also involved in the Biodiversity Strategy 2030. Online consultations, public discussions and workshops ensured that as many voices as possible were heard. But what does this look like in everyday life?

Through the 'Embellir votre quartier' initiative, residents can actively participate in deciding which streets or neighbourhoods should be greened next. They can contribute their own ideas. Which tree species should be planted? Which places would be suitable for green retreats? This commitment is particularly evident in the School Streets initiative. Parents, teachers and children collaborate to design car-free zones outside schools. They also take over the maintenance later.

The initiative has a positive impact that goes beyond mere renaturing: it fosters a sense of responsibility, strengthens social bonds and creates a stronger sense of community. Those who get involved can see how urban planning can directly change their neighbourhood. And let's be honest – who wouldn't want to see their ideas suddenly brought to life in the heart of the city?

Paris as a laboratory for the city of the future

Paris is focusing on more than just individual parks and street trees. Instead, the city aims to become a laboratory for urban sustainability, striving to be dense, vibrant and socially just, as well as green and climate-resilient. To achieve this, it is relying on several interlinked comprehensive plans:
  • The Bioclimatic Urban Master Plan: This plan sets out rules for increasing greenery in public and private spaces.
  • The Biodiversity Strategy 2030 protects species and habitats, and includes specific actions for flora and fauna.
  • The Tree Plan 2021–2026 involves planting 170,000 new trees on streets, in squares and forests, and along ring roads. These measures will improve the urban climate and create habitats for animals.
  • The Paris Rain Plan aims to implement smart rainwater management to increase the city's resilience to climate change and protect it from flooding.
  • Resilience Strategy: The city is to be made crisis-proof against heatwaves, flooding and social inequalities.
What Paris is currently building is therefore more than just an environmental programme. It is a laboratory for the city of the future: dense, vibrant and socially just, as well as green and climate-resilient. Once the plans have been implemented by 2030, Paris will not only be known for its culture and history, but also for a new kind of urban life in which trees, boulevards, parks, squares and people coexist with nature as a matter of course.

Fonte: Urban Nature Plans+ 


New Report: Paris Tomorrow

Paris was the birthplace of the 2015 Paris Agreement, which laid the foundations for a global commitment to climate protection. Since then, the City of Paris has prioritised the fight against climate change. By transforming public spaces to reduce motorised traffic, carrying out a large-scale renovation of buildings and committing to an ambitious energy transition to promote renewable energies and move away from fossil fuels, Paris has reduced greenhouse gas emissions by 26%. Paris has published a retrospective report, “Paris of Tomorrow” (“Paris Demain”), which reflects on sustainability actions implemented in 2024 - a landmark year for the ecological transition in Paris.

The new edition of Paris Tomorrow aims to monitor and analyze ecological and social transition in the city. Structured around 30 strategic indicators, it highlights the progress achieved so far.

For example:
  • One-third reduction in CO₂ emissions since 2004 (start of GHG monitoring)
  • From 35 to 45% decrease concerning the main air pollutants over the past 10 years
  • 1,500 km of cycling routes developed across the city
  • 1,500 cooling islands accessible to residents by 2025
  • More than 130,000 trees planted since 2020
  • 45% organic products served in municipal collective catering in 2024
The report also showcases concrete actions implemented in Paris in 2024, with a special focus on the Olympic Games.

Together with an online open data platform providing an update on the main indicators (in French), these two tools are designed to support decision-making, enhance transparency, and foster collective action toward carbon neutrality and resilience in Paris.

Read the report to learn more about Paris’s ecologic transition.





Paris shows how citizen-driven greening can make cities cooler and fairer

As European cities prepare Urban Nature Plans, one insight from ICLEI Member Paris (France) stands out: urban greening only succeeds when residents help shape it.

Over the past decade, Paris has expanded tree planting, opened green and blue corridors – connecting parks, waterways and former railway lines, allowing flora and fauna to move freely across the metropolis – and has restored water quality in the Seine. As a result, species diversity has grown tenfold since the 1970s – and Parisians can now swim in the river once again.

The city’s reimagining of its urban landscape was made possible through an ambitious biodiversity agenda, beginning with its 2011 Biodiversity Plan and continuing through today’s 2025 Biodiversity Strategy. Milestones include greening schoolyards, transforming 10% of city streets into pedestrian-friendly spaces and planting 150,000 trees by 2025.

But the city says the biggest gains come from working directly with communities, especially in areas most affected by heat and pollution. Through participatory budgeting, social housing safeguards and community-led design, Paris ensures greening efforts enhance – rather than displace – local communities.

UNP+ supports this shift by helping cities develop Urban Nature Plans that combine data, equity and public participation. Paris’s experience shows how mapping heat risks, identifying biodiversity gaps and involving citizens early can guide smarter investment.

The city’s advice for others is simple: start with a shared vision, engage people from the beginning and treat nature as a common good. Urban nature plans work best when cities and citizens act together.

Hear more about Paris’ successes in the most recent episode of Local Voices for Sustainability: How Paris is growing into a garden city, in which host Laura Schubert (ICLEI Europe) speaks with Céleste Roberol, International Projects and Outreach Manager at the Agency for Urban Ecology for the City of Paris, about how the French capital is redefining its relationship with nature.

Fonte: Urban Nature Plans 


OUTRAS CIDADES EM DESTAQUE

Barcelona, Espanha
Burgas, Bulgária
Belgrado, Sérvia
Mannheim, Alemanha




Reclaiming the City: How Paris Is Transforming Public Space Through Pedestrianization and Greening


By Create Streets


Cities around the world are facing a common challenge: how to adapt dense, historically car-oriented urban environments, to the social and environmental issues of the 21st century. Local governments need to rethink the role of streets and squares as common public spaces.

Under its recent urban policies and a strategy begun with Anne Hildago’s first term as Mayor of Paris a decade ago, Paris has pioneered a people-first approach that integrates pedestrianization, greening, and community empowerment. The Parisian method is not simply about repaving streets or planting trees for their aesthetic value, it is a structural shift in how cities function, how residents move, and how communities interact. It reflects a broader ambition: to create healthier, more resilient, and more inclusive urban environments.

From Car-Centered Streets to People-Centered Spaces

Like most major cities, Paris was designed for the car in the 20th century. Wide boulevards and busy intersections prioritized motorway flow over public space, limited to narrow sidewalks, pinched between buildings and parking lanes. Yet over the past decade, Paris has undertaken one of the most ambitious programmes in Europe to reverse that trend.

Since 2014, Paris has restructured mobility around people rather than vehicles, through a network of pedestrian zones, green spaces and “calmed” streets, designed for people in everyday neighborhoods.

In Paris, street space, once used for parking or driving is now reimagined for multiple uses: walking, play, and social life. This shift is guided by the principle that reclaiming streets fosters not only mobility, but also community. Pedestrianization is at the heart of this shift. As traffic decreases and green corridors expand, Paris shows that urban vitality and environmental sustainability can reinforce each other.

By limiting or removing through-traffic in certain areas, cities significantly lower local air pollution, and create safer and more pleasant environments for walking, shopping, gathering, and cultural activities. It also stimulates local economic activity: businesses in pedestrian-friendly districts often benefit from increased foot traffic and longer visitor dwell time.

©Instagram @christophenajdovski – Before/After: Mouton-Duvernet Street (14th arrondissement), where a road used to cut the park in two.

Beautify Your Neighborhood: Local Change, Citywide Impact

At the heart of the Parisian shift lies “Embellir votre quartier” (“Beautify Your Neighborhood”), a participatory program inviting residents to co-design their own streets. Operating in 2 to 7 sub-districts in each arrondissement (approximately 1 km²), the initiative empowers citizens to propose and prioritize projects such as wider pavements, new trees, pedestrianized squares and bike lanes.

This hyperlocal approach turns planning into a democratic process. Instead of imposing a uniform citywide template, Parisian officials work with local communities to respond to specific environmental, mobility, and social needs, sharing budgetary issues transparently. Each project, while modest in scale, becomes a piece of a broader metropolitan puzzle connecting active travel routes and green networks.

For example, a previously congested street in the 13th arrondissement might now feature school play areas, greening and bike parking spots, chosen through workshops with residents.

Transforming public space inevitably raises concerns. Shop owners may fear reduced accessibility, residents may worry about traffic displacement, and drivers may perceive restrictions as constraints. Transparent communication about objectives, timelines and budget, and participatory processes facilitate acceptance and result in a tangible sense of ownership: citizens not only use public space but help shape it. This participatory philosophy has become one of the city’s most effective tools for civic engagement and ecological renewal.

©Instagram @christophenajdovski – Before/After: Dr Lecène Street (13th arrdt.) which was redesigned as part of the Beautify Your Neighborhood initiative

©Instagram @christophenajdovski – Before/After: Meaux Street (19th arrdt.) which was redesigned as part of the Beautify Your Neighborhood initiative

The Tree Strategy: Greening as Infrastructure

The Paris Tree Strategy has made possible the planting of 150,000 trees and the greening of 370 streets in six years. Furthermore the strategy committed to diversifying species and layouts to maximize nature’s ecological benefits. It embodies the transformation of Paris from a city with gardens to a “garden city” (“ville-jardin”).

This “garden city” vision complements the pedestrian’s everyday journeys across a city which sorely lacks green spaces and has been demonstrated to be the deadliest in Europe during heatwaves. Every new project – from redesigned avenues to new schoolyards – integrates shade and biodiversity corridors.

Tree-planting efforts are deliberately concentrated in working-class districts and social housing areas, neighborhoods where green space and air quality have historically lagged, particularly in the densely populated north and east of the city.

370 streets greened in Paris since 2020 ©Victor Baron

Paris reframes greenery as essential infrastructure, vital for resilience and public health: high-quality public green areas are critical for well-being and social cohesion.

Oasis Schoolyards and School Streets: Learning and Living in a Shared Urban Space

Greening initiatives also create opportunities for rethinking the design of school environments. More than 200 schoolyards have been redesigned as green spaces, some of them serving both students during the day and residents outside school hours. This dual function maximizes land use in dense districts and strengthens community ties.

Another innovative dimension of Paris’s transformation is found in its approach to School Streets (“Rues aux écoles”). Over 300 school streets have been redesigned as low-traffic or car-free areas where children can arrive safely on foot or by bike, away from congestion and emissions, and when it’s possible, alongside green infrastructure.

More than a child-safety project, School Streets visibly embody the “garden city”. They teach future generations that urban mobility and sustainability are compatible and that the quality of the urban environment matters to daily life.

©Instagram @christophenajdovski – Before/After: Le Vau Street (20th arrdt.) redesigned into a School Street

They also embody a political method that reflects how Anne Hidalgo has brought about change throughout her decade as Mayor of Paris: Set radical and high ambition goals: here with School Streets, the pedestrianization of every street in front of a school.
 
Test the design: from the very first School Street and to this day, the Paris officials and political leaders observed what was not working and what was supported by residents and were not afraid to adjust
Keep repeating popular, local interventions in order to gradually transform the whole city: as the trials progressed, Parisians responded enthusiastically to some of these street transformations and began asking for those changes on their own streets. This allowed the City of Paris to identify the measures that both advanced its objectives and won public support, creating the conditions to roll them out at scale and deliver ambitious programmes (such as the transformation of 300 school streets.)

From Local Actions to Structural Change

Over time, these individual interventions accumulate into a structural transformation.


Results have been striking: as cycling infrastructure has expanded traffic volumes have declined on certain corridors and air pollution has decreased significantly, green spaces have multiplied and the Canopy Index has increased with them (from 21% in 2018 to 25% in 2025). A new urban ecosystem is taking shape.

Streets that once felt dominated by vehicles have become lively social spaces. Neighborhoods have gained an identity and vibrancy through redesigned plazas and tree-lined avenues that people then make their own and want to see multiplied.

Average annual NO2 concentration: in Paris, air pollution has decreased by 40% in 10 years
©AirParif

Conclusion: The Parisian Way of Reclaiming the City

Bringing together bottom-up innovation and top-down strategy, Paris is bringing about a radical transformation of public space as well as redefining the social contract of the city. By empowering citizens to beautify their neighborhoods, investing in a tree planting strategy, and creating safer and greener school environments, Paris illustrates how 21st century cities can reconcile density with livability.

Political commitment in Paris proves that reclaiming streets for people and nature can produce not only cleaner air and quieter roads but also stronger, more connected communities.

The decisive victory of Emmanuel Grégoire in the 2026 mayoral election of the last few days signals continuity for the city’s urban agenda as the new mayor is set to embrace the legacy of Anne Hidalgo’s policies. He is set to continue the ongoing transformation of public spaces and mobility around Paris. This will not only persist but deepen: the pedestrianization of a further 1000 streets, the transformation of 10 avenues into parks, the extension of the park on the Banks of the Seine, with climate adaptation remaining a central priority. In this context, Paris is poised to further integrate environmental resilience into everyday urban life, accelerating its transition toward arguably the most climate-ready city in Europe.

The process begins small: one tree planted, one sidewalk reimagined, one street redesigned. Yet these local interventions accumulate into a profound structural change. In doing so, Paris is sending out a powerful signal about collective priorities: health over speed, quality of life over traffic throughput and community over congestion.

Fonte: Create Streets 


sábado, 25 de abril de 2026

PROJETO DE REVITALIZAÇÃO DA ORLA DO CENTRO DE NITERÓI CONQUISTA PREMIAÇÃO NACIONAL DO IAB 2025

 

Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói, vencedor da etapa nacional da Premiação IAB 2025. Instagram IAB-Brasil.

Foi com muita alegria que celebramos mais uma premiação conferida à gestão, às políticas públicas, projetos urbanos, ambientais, de saneamento e de mobilidade da Prefeitura de Niterói. Desta vez, foi a prestigiosa Premiação Nacional IAB 2025, que reconheceu a qualidade e a relevância do Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói. A premiação foi na categoria “Urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades”. O proponente do projeto ao Prêmio foi a Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura Urbana, por iniciativa do secretário Renato Barandier e do subsecretário Fabrício Arriaga.

O projeto foi desenvolvido, em 2021, na minha gestão como prefeito de Niterói e a obra foi entregue em dezembro de 2024. Estabeleci a Revitalização da Orla do Centro como uma das metas da Secretaria Municipal de Urbanismo e Mobilidade, que tinha então o arquiteto e urbanista Renato Barandier no comando e uma competente equipe a apoiá-lo. O projeto foi desenvolvido de acordo com o conceito de "Ruas Completas", implantado principalmente na Avenida Visconde do Rio Branco. A obra requalificou 2,5 km de orla e 500 mil m² de área reurbanizada. Dentre os diversos benefícios, o projeto entregou para Niterói as seguintes melhorias:

  • Reurbanização da Avenida Visconde do Rio Branco, que ganhou solução para os ônibus, com pontos de ônibus confortáveis e localizados no canteiro central da via.
  • Nova ciclovia ao longo da orla
  • Calçadas acessíveis 
  • Nova iluminação LED
  • Novo Terminal de Ônibus para a Zona Sul.
  • Nova Praça Arariboia: a implantação de uma explanada que valorizou a vista da Baia de Guanabara na Praça Arariboia, que antes estava obstruído por construções e um inadequado estacionamento, ao lado da estação hidroviária, que persistia naquele local há décadas.
  • Duplicação do Bicicletário Arariboia.
  • Conexão da Praça Arariboia ao Parque Esportivo da Concha Acústica, à Arena Niterói (fizemos o projeto e fizemos grande parte da obra, que está agora prestes a inaugurar), o Complexo de Atletismo da UFF, a Cantareira, a "Praça da Bicicleta" (onde localiza-se o Castelinho do Gragoatá, prédio tombado e que foi restaurado pela Prefeitura e que hoje é a sede da Coordenadoria do Niterói de Bicicleta) e o Forte do Gragoatá. 
  • O projeto retirou outros estacionamentos que existiam no PEUC do Aterrado Norte (entre a Av. Visconde do Rio Branco e o Caminho Niemeyer), retirando um fluxo de cerca de 1.400 carros que se dirigiam ao Centro todas as manhãs e voltavam aos seus lugares de origem no final da tarde.
  • Ampliação de 47% das áreas verdes (de 14.735 m² para 21.593 m²) e o plantio de 357 árvores melhoraram o microclima e a drenagem urbana, enquanto a ampliação de calçadas e travessias seguras promoveu conforto térmico e segurança viária.
  • Poluição visual: retirada dos fios de telefonia aérea.

Não é a primeira vez que a Prefeitura é premiada pelos projetos urbanísticos da cidade. Conheça outros prêmios já conquistados aqui.

Parabéns Niterói, parabéns aos planejadores do desenvolvimento da Cidade de Niterói.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)
Vice-prefeito de Niterói (2013-2016)

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Informações abaixo são do site do IAB.

Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói


Veja, a seguir, as informações 

Por quase cinco décadas, o Centro de Niterói viveu um processo de esvaziamento urbano após a perda da condição de capital do antigo Estado do Rio de Janeiro e a inauguração da Ponte Rio-Niterói. O avanço da urbanização rodoviarista e a conversão de imóveis e áreas vazias em estacionamentos corroeram o espaço público e interromperam a relação histórica entre a cidade e o mar.

O projeto Revitalização da Orla Centro propõe uma reconciliação física e simbólica entre cidade e baía, reconfigurando um território antes degradado em um ambiente de mobilidade sustentável, vida urbana e inclusão social. A operação combina infraestrutura, habitação, paisagem e cultura em um sistema contínuo de espaços públicos que devolve à cidade sua frente marítima e sua centralidade.

A transformação abrange 2,5 km de orla e 500 mil m² de área requalificada, conectando o Caminho Niemeyer, a Praça Arariboia e o Parque Esportivo Municipal em um grande parque linear costeiro. Essa rearticulação urbana restabelece a visada para a Baía de Guanabara e integra os principais terminais metropolitanos de transporte, incluindo o sistema de barcas e o Terminal João Goulart, por onde circulam mais de 300 mil pessoas diariamente. A nova Praça Arariboia, implantada onde havia imóveis abandonados e um estacionamento, tornou-se o principal portal da mobilidade da cidade — um espaço de encontro entre o mar, o transporte e a cidadania.

A Av. Visconde do Rio Branco, eixo central da intervenção, foi totalmente reurbanizada segundo o conceito de Ruas Completas, priorizando pedestres, ciclistas e transporte coletivo. O novo corredor de ônibus, o Terminal Sul ampliado e as estações de design transparente materializam a integração entre transporte e paisagem. A restrição de 1.400 vagas de estacionamentos privados e a redução de 26% dos espaços públicos destinados ao automóvel reverteram a lógica rodoviarista, permitindo destinar solo a modos ativos e à convivência urbana.

Do ponto de vista habitacional, o PEUC do Aterrado Norte redefine o papel dos vazios centrais, transformando-os em instrumentos de concretização do direito à cidade e da moradia digna. Mais de 68 mil m² de áreas antes ocupadas por estacionamentos passam a cumprir sua função social, com 4.250 moradias adequadas e acessíveis licenciadas e 3 mil em construção, inseridas no maior polo de oportunidades urbanas do Leste Metropolitano. O conjunto segue os princípios de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (TOD), aproximando moradia, trabalho e serviços, e induzindo a transição de um modelo disperso e dependente do automóvel para uma cidade compacta, acessível e de baixas emissões.

Os ganhos ambientais são expressivos: a ampliação de 47% das áreas verdes — de 14.735 m² para 21.593 m² — e o plantio de 357 árvores melhoraram o microclima e a drenagem urbana, enquanto a ampliação de calçadas e travessias seguras promoveu conforto térmico e segurança viária. A iluminação de alta eficiência e o mobiliário permeável visualmente reforçam a sensação de transparência e pertencimento, estimulando o uso noturno e contínuo dos espaços públicos.

Mais do que uma requalificação, a intervenção estabelece um novo paradigma de planejamento urbano para a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, articulando transporte, habitação e sustentabilidade sob um mesmo desenho urbano.

Alinhado ao Plano Estratégico Niterói 2033, ao Plano Diretor e ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, o projeto consolida uma mudança estrutural nas políticas urbanas de Niterói, redefinindo os padrões de deslocamento e moradia adequada de forma duradoura e coerente com a visão de futuro da cidade, garantindo benefícios permanentes para as gerações presentes e futuras.

Suas transformações pavimentam o caminho para uma cidade mais equitativa, resiliente e sustentável, onde as próximas gerações herdarão não apenas uma nova paisagem, mas um novo modo de viver, se deslocar e habitar — uma cidade que volta a se orientar pelas pessoas, e não pelos automóveis.


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PROPONENTE:

Secretaria Municipal de Mobilidade e Infraestrutura de Niterói
https://niteroi.rj.gov.br/

Autoria: Renato Barandier (arquiteto e urbanista, Secretário Municipal de Mobilidade e Infraestrutura), Fabrício Arriaga (arquiteto e urbanista, subsecretário de Desenvolvimento Urbano).

Demais membros da equipe principal: Dayse Monassa (arquiteta e urbanista, secretária municipal de conservação), Betina Araújo (arquiteta e urbanista, subsecretária de desenvolvimento urbano), Fernanda Carvalho (arquiteta e urbanista, subsecretária de urbanismo), Paula Viana (arquiteta e urbanista, diretora de parcelamento do solo).

Equipe ou instituições indiretamente envolvidas: Burle Marx Escritório de Paisagismo (projeto de paisagismo), Joaquim Andrade Arquitetos Associados (projeto de parcelamento do solo), Guto Índio da Costa (projeto de mobiliário urbano), Serpen Servicos e Projetos de Engenharia Ltda. (projeto geométrico), Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói – ION (coordenação das obras).

Crédito das imagens:
Fabrício Arriaga

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Projeto de Revitalização da Orla do Centro de Niterói

🏆 Vencedor na Etapa Departamental do IAB/RJ da Premiação Nacional do IAB 2025

🏅 Finalista da Etapa Nacional no Eixo 3 – urbanismo, arquitetura da paisagem, planejamento e cidades


Cidade/UF: Niterói, RJ
Ano do projeto: 2021
Conclusão da obra: janeiro de 2025

Eixo / Categoria: Eixo 3 / Infraestrutura verde urbana
Modalidade: Projeto com obra executada






quinta-feira, 23 de abril de 2026

ICLEI: A reforma da ONU e a salvação do multilateralismo


Faltam apenas quatro anos para o final do prazo da Agenda 2030, instituída pela ONU, em 2015, com a assinatura de 193 países que compartilhavam muita esperança em promover a transição global para a sustentabilidade. O fim do prazo chega diante de uma das maiores crises já vividas pela ONU, que se vê diante dos ataques retóricos e pela retirada de apoio financeiro por parte do atual governo dos EUA e pela cobrança crescente de muitos dos seus membros por uma reforma institucional que reforce a sua democracia interna e capacidade de mediação de conflitos e sua liderança mundial. Na verdade, trata-se de uma crise do multilateralismo, que reflete na dificuldade de avanços da agenda global e na paz mundial, com sanções econômicas, agressões armadas, guerras unilaterais, com sérias consequências humanitárias e econômicas.

É nesse contexto, que o texto abaixo, assinado por Yunus Arikan, diretor de Advocacy do ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, analisa o momento de crise, mas também as iniciativas reformistas em curso e as perspectivas para uma nova ONU e para uma governança mais multinível e com uma participação mais ativa das instâncias subnacionais e, portanto, das cidades. 

O ICLEI  foi fundado em setembro de 1990, durante o Congresso Mundial de Governos Locais por um Futuro Sustentável na sede da ONU em Nova York. Atualmente, a sua sede está em Bonn, na Alemanha, reunindo mais de 2.500 cidades e governos regionais, em mais de 125 países, abrangendo todos os continentes. O ICLEI possui mais de 25 escritórios pelo mundo. Para mais informações, acesse www.iclei.org  

Como ressalta o nosso amigo Yunus, "o que falta não é ambição, mas alinhamento". Ou seja, é preciso avançar em direção a consensos que permitam os necessários acordos em torno de uma nova ONU.

Axel Grael
Membro do Comitê Executivo Global, com o Portfolio de Mudanças Climáticas.
ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade

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UN beyond 80: An opportunity to position multilevel collaboration and urbanization to save multilateralism and sustainability

By Yunus Arikan

The United Nations marked its 80th anniversary in 2025. Over time, numerous UN Secretaries-General have sought reforms of the UN system, but were unable to achieve more than incremental progress due to limited buy-in from Member States.

This year is different.

The question is no longer whether the system needs reform, but whether it can deliver significant enough reform in time. With just four years until the review of the 2030 Agenda, the negotiations on what comes next will shape not only the future of sustainability, but also the credibility of the multilateral system itself. In a world shaped by overlapping crises – armed conflict, climate, biodiversity, inequality, and technological disruption – the gap between global commitments and real-world delivery is becoming almost impossible to ignore.

But this is not due to a lack of ambition – it is due to a lack of alignment.

The UN80 Initiative – an ambitious, system-wide reform effort – as well as the reform of the United Nations Economic and Social Council (ECOSOC) and the High-Level Political Forum, the review of the New Urban Agenda and SDG 11, the push for stronger synergies across the Rio Conventions, and the transition toward new UN leadership are all unfolding at once. The challenge is whether they can be composed into a coherent system for action, or remain fragmented efforts in an increasingly complex global landscape.

UN-wide reforms process: A portfolio of notes waiting for a composer to turn into a symphony

The Secretary-General of the United Nations, António Guterres – who will leave the position in December 2026 –, launched the UN80 Initiative to make the UN system more agile, integrated, and fit for today’s overlapping crises. The process also built on the outcomes of the Summit of the Future in 2024.

The start of the process happened to coincide with the beginning of the second Trump Administration in early 2025. The plan for the UN80 Initiative included budgetary implications amongst others, and it gradually transformed into a three-track process, focusing on administrative changes, options for redesigning existing institutions and opening the space for a more holistic system-wide approach.

The process reached a new momentum with the historic resolution of the UN General Assembly in March 2026, which introduced a strong support from UN Member States to the effort of the UN Secretary-General and extended the process until April 2027.

The ongoing reviews of the UN Economic and Social Council (ECOSOC) and the UN High-level Political Forum on Sustainable Development (HLPF) point in that same direction but through slightly different mandates and processes. While ECOSOC is the main UN body since 1945 covering all issues related to development, HLPF was created in 2015 to lead the 2030 Agenda for Sustainable Development. It merged the Commission for Sustainable Development under Agenda 21 – led by the environmental community since 1992 – and the Millenium Development Goals – dominated by economic and social actors since 2000. Joint review of ECOSOC and HLPF is especially important as the global community has to decide on the modalities for sustainable development beyond 2030, which is the target year for Sustainable Development Goals.

This July will herald the review of SDG 11 on Sustainable Cities and Communities by the HLPF and the midterm review of the New Urban Agenda by the UN General Assembly – two particularly important moments for the urban community. Until the inclusion of a dedicated goal for cities among 17 Sustainable Development Goals in 2015, urbanization was not considered part of sustainable development by the national governments and the UN system under Agenda 21.

Similarly, the HABITAT II community evolving since 1996 did not relate itself to sustainability until the New Urban Agenda in 2016. It would be desirable that with these two separate, consecutive and parallel reviews in July, a more systematic approach to converge urbanization and sustainable development can be established as one of the concrete inputs in the UN reforms package.

The UN reforms agenda is an opportunity for the environment community as well. For decades, global environmental governance was scattered around the Conference of Parties (COPs) of numerous multilateral environmental agreements, in particular of the three Rio Conventions on climate (UNFCCC), biodiversity/nature (CBD) and desertification/land (UNCCD), the UN Environment Assembly and the overall sustainable development community under the HLPF.

The Work Package 27 on Environment under UN80 Initiative to be led by UNEP and the UNFCCC could conclude this long overdue synergy process, building on ongoing efforts such as the CBD’s Bern Process, the UNCCD’s efforts and the Riyadh Action Agenda, as well as UNFCCC´s Action Agenda and COP30 Global Implementation Accelerator and reach to renewed modalities that are embedded into the overall UN reforms package.

Progress and, more importantly, the implementation and follow-up from 2026 onward of all these processes, will be shaped by the selection of the next UN Secretary-General, expected to take office in January 2027. Efforts are evolving from a diversity of Member States, the Presidency of the UN General Assembly, the UN SG Office and civil society that ensure transparency and accountability in the selection process which heavily depends on the veto power of the five Permanent Members of the UN Security Council, as well as high expectations for a female leader to take this helm for the first time in the history of the United Nations.

Non-UN processes: For good or for worse

If the formal multilateral system is under pressure, it is no surprise that alternative processes are emerging around it.

Some examples are positive – such as the The Fossil Fuel Non-Proliferation Treaty Initiative and the upcoming First Conference on the Transition Away from Fossil Fuels – a coalition of willing nations coming together outside of the climate negotiations process to drive forward the transition, which was a part of the outcomes of COP28.

But other examples seek to undermine the UN. The Board of Peace was organized outside the UN system and endorsed only in limited terms by the UN Security Council to coordinate reconstruction efforts in Gaza, and is an example of exclusive processes, which has yet to prove its effectiveness, taking into account consequences of escalation of military conflicts in the Gulf came after the launch of the initiative in early 2026.

At the same time, initiatives such as the Article 109 Coalition move in a slightly different style and direction. Rather than bypassing the UN system, they call for its review, operate on the provisions of its Charter, and update reflecting on the changing realities of the world. They argue that the current institutional architecture can no longer absorb the pressures placed upon it.

Seizing the time for multilevel collaboration and urbanization

This is precisely where local and regional governments matter, not as symbolic participants, but as institutional connectors.

Since 2012, the Global Taskforce of Local and Regional Governments, where ICLEI is a founding member and leads actively as its focal point to the Rio Conventions related processes, has shown what coordinated self-organization can achieve. It has unified a constituency, created common advocacy positions, and enabled more structured engagement across UN processes. The good practice in engaging with the UN Secretary-General’s Advisory Group on Local and Regional Governments built on that momentum and produced a strategy for more permanent and structured engagement of local and regional governments in intergovernmental processes and UN political bodies, which is actively presented at the ECOSOC/HLPF review process.

Another practical entry point into the UN system is the Forum of Mayors under the UN Economic Commission for Europe, format and impact of which have significantly evolved since its inception in 2020. Innovative practices like Forum of Mayor and proactive proposals of Global Task Force for constituency-based engagements should be seen as complementary efforts that can be discussed with Members States and partners within the UN system partners to ensure multilevel collaboration is appropriately reflected into the UN reforms packages.

The Local Governments and Municipal Authorities (LGMA) Constituency to the UNFCCC has been one of the good practices in constituency-based engagement in the UN system and shape the evolution of global climate governance by demonstrating that multilevel collaboration and urbanization as two-sides of the same coin to advance climate emergency action. Its COP30 Position – endorsed by more than 50 networks of local and regional governments from around the world – already made clear the relevance and importance of this, with a call to connect the COP30 outcomes to the UN80 reforms, for a new era for multilevel cooperation in the global climate and sustainability agenda. The LGMA has also wholeheartedly supported the Coalition for High Ambition Multilevel Partnership (CHAMP) launched at COP28 in Dubai in 2023 and since then, actively supported its implementation as well as advancing its governance and implementation. The CHAMP experience – where national governments commit to collaborate with their local and other subnational governments in design and implementation of national plans – can be considered as a good practice in evolving the UN system towards enhanced multilevel collaboration.

As part of UN75 consultations in 2020, ICLEI released a blueprint with four concrete proposals for UN reforms to enhance collaboration with local and regional governments and advanced it further in 2022. In 2025, ICLEI’s first Annual Review of Local and Subnational Action on the Rio Conventions confirmed how urgent this is. Climate, biodiversity, and land are converging. Governance is becoming more complex. Innovation is increasingly happening below and beyond formal structures. And local and regional governments are where this convergence is already being managed in practice, through land use, infrastructure, food systems, ecosystems, risk management, and public services.

Fonte: ICLEI/City Talk