quarta-feira, 19 de agosto de 2026

IBGE divulga a 4º edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil


Nota: Para favorecimento da visualização na escala de representação apresentada, as subcategorias Áreas Urbanizadas, Outros Equipamentos Urbanos e Vazios Intraurbanos estão agregadas na legenda como Feições Urbanizadas, e os contornos dos polígonos estão realçados com maior espessura. A base de dados geoespacial com tal desagregação pode ser acessada no Portal do IBGE na Internet.

Publicação faz referência ao ano de 2022.

O IBGE disponibilizou ao público, nesta terça-feira (18), a quarta edição da série Áreas Urbanizadas do Brasil, com ano de referência de 2022. A publicação apresenta a representação espacial do fenômeno urbano no País, fundamentada nas relações do espaço vivido que caracterizam as interações de vizinhança e o modo de vida urbano, evidenciadas pela presença de edificações, pela circulação de pessoas, pela rede viária e pela distribuição e proximidade entre residências, entre outros aspectos.
O processo de urbanização, marcado por sua complexidade e dinamismo, está entre os principais responsáveis pelas transformações socioespaciais observadas no território brasileiro. Nesse contexto, o mapeamento foi elaborado a partir da interpretação visual de imagens de satélite, cuja metodologia permite identificar e analisar processos de expansão, estabilidade, densificação e retração das morfologias urbanas em todo o País.

As Feições Urbanizadas se referem à agregação das subcategorias Áreas Urbanizadas, Vazios Intraurbanos e Outros Equipamentos Urbanos.

Entre os principais destaques estão as morfologias urbanas que ocupavam, em 2022, 50 981,91 km² do País, o equivalente a 0,60% da sua área territorial. Das Unidades da Federação, cinco concentraram 50,35% do total de Feições Urbanizadas: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e Bahia. Por outro lado, 13 Unidades da Federação tiveram participação inferior a 2% das Feições Urbanizadas no total do País.

O Nordeste apresentou maior incremento de área absoluta (1 961,44 km²) e de área relativa no período (16,52%) de Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios em relação as demais Grandes Regiões entre 2019 e 2022.

O monitoramento das Áreas Urbanizadas do Brasil é fundamental para compreender a ocupação do território e as dinâmicas da sociedade brasileira. A atualização periódica deste levantamento permite acompanhar a expansão das cidades e as transformações da paisagem, além de subsidiar o planejamento territorial, a implementação de políticas públicas e análises relacionadas à mobilidade urbana, habitação, meio ambiente e sustentabilidade.


Distribuição Geral das Feições Urbanizadas e Loteamentos Vazios

A distribuição geral destaca a concentração do fenômeno urbano no seu litoral: os 443 Municípios Costeiros, ocupam apenas 5,02% do território brasileiro, mas reuniram 9 941,50 km² de Feições Urbanizadas, equivalentes a 19,50% do total do País. Enquanto os 772 Municípios da Amazônia Legal representam 59,11% da área do território nacional, estes apresentaram apenas 14,27% das Feições Urbanizadas do País em 2022.

Na maior parte das Unidades da Federação, a distribuição das Feições Urbanizadas situou-se entre 65% e 80% de áreas Densas, frente a 20% a 35% de áreas Pouco Densas. As exceções foram o Distrito Federal e os Estados do Rio de Janeiro e de Rondônia, onde as áreas Densas se aproximaram de 85%, assim como os Estados do Acre e de Roraima, nos quais as áreas Pouco Densas ultrapassaram 40% do total.


O Sudeste destacou-se acentuadamente pela predominância de Feições Urbanizadas Densas em relação as demais Grandes Regiões, tanto absoluta com 14 529,63 km², quanto relativa, com 38,13% de todas as áreas Densas do País.

O Nordeste teve a maior extensão de Feições Urbanizadas Pouco Densas em relação as demais Grandes Regiões com 3 936,79 km² (30,56% do total nacional).

São Paulo foi a Unidade da Federação com a maior extensão de Feições identificadas no ano de 2022, com 9 622,68 km², incluindo áreas Densas e Pouco Densas (9 343,66 km², o equivalente a 18,33% do total brasileiro), bem como Loteamentos Vazios (279,0 km²). Por outro lado, o Amapá foi a Unidade da Federação com a menor extensão de morfologias urbanas, somando 184,64 km² de Feições Urbanizadas, apenas 0,36% do total do País e 70,03 km² de Loteamentos Vazios.

O Nordeste representou 30,22% da expansão horizontal de Feições Urbanizadas do País (1 448,18 km²), seguido pelo Sudeste com 27,77% (1 330,54 km²) e Sul, com 25,86% (1 239,17 km²) no período entre 2019-2022.

Em relação ao acréscimo de Loteamentos Vazios, observou-se 44,08% do total no Nordeste, 23,7% no Sudeste, 13,83% no Centro-Oeste, 9,69% no Norte e 8,70% no Sul do país.

Mudanças nas características urbanas entre 2019 e 2022

As Áreas Urbanizadas são identificadas principalmente pela presença de moradias e a proximidade entre elas. Podem conter escolas, igrejas, cemitérios, estabelecimentos comerciais, de serviços, indústrias, dentre outros, em seu meio. Em 2022, a Grande Região com maior extensão de Áreas Urbanizadas foi a Sudeste, com 17 454,11 km², seguida da Nordeste com 12 031,46 km². Porém, essa ordem se inverteu quando se analisa a expansão horizontal detectada entre os mapeamentos de 2019 e 2022, de modo que o Nordeste lidera a expansão com 1 362,26 km² e no Sudeste sobressaem 1 190,22 km².

Treze Unidades da Federação apresentaram menos de 1 000 km² de Áreas Urbanizadas: os Estados do Norte, a exceção do Pará, os Estados de pequena extensão territorial do Nordeste (Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe), duas Unidades da Federação do Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal) e, no Sudeste, apenas o Espírito Santo. Essas mesmas Unidades da Federação, acrescidas do Mato Grosso e do Rio de Janeiro também tiveram a expansão horizontal entre 2019 e 2022 inferior ao valor de 100 km².

Outros Equipamentos Urbanos englobam estabelecimentos não residenciais no entorno ou com distâncias inferiores a 3 km de manchas urbanizadas, como universidades, aeroportos, portos, shopping centers, estruturas industriais, estações de energia, dentre outros. No âmbito estadual, São Paulo apresentou a maior extensão de Outros Equipamentos Urbanos em 2022, alcançando 326,30 km², e a segunda maior expansão da subcategoria no País, com aumento de 51,86 km². Minas Gerais apareceu em seguida, com 217,81 km², e liderou o crescimento no período, com expansão de 62,24 km². O Paraná ocupou a terceira posição em área total no ano mais recente, com 159,92 km², enquanto Mato Grosso apresentou a terceira maior expansão entre 2019 e 2022, com incremento de 23,28 km².

Em contraponto, 17 Unidades da Federação - Estados do Norte e Nordeste (exceto Pernambuco e Bahia), Espírito Santo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul - apresentaram extensão de Outros Equipamentos Urbanos menor que 50 km² e, somadas ao Rio de Janeiro, tiveram expansão horizontal dessa subcategoria inferior a 10 km².

Os Vazios Intraurbanos podem indicar diferentes áreas não ocupadas por construções (desde que com área entre 0,25 km² e 2,5 km²) que estão circunscritas às Áreas Urbanizadas, como por exemplo áreas verdes, parques, corpos d’água, áreas não ocupadas por condicionamento de relevo, áreas de preservação determinadas por lei, dentre outros. Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina apresentaram incrementos significativos nessa classe, somando expansões horizontais respectivas de 15,65 km², 10,52 km² e 12,73 km².

Capitais se destacam dentre as maiores extensões absolutas

Entre os 20 Municípios com maiores extensões absolutas de Feições Urbanizadas em 2022, 15 são capitais, além de três cidades do Estado de São Paulo (Campinas, Guarulhos e Ribeirão Preto) e dois relevantes centros regionais: Feira de Santana (BA) e Uberlândia (MG).

Ocorreram mudanças de posição neste mesmo ranking em relação à 2019: Brasília (DF) passou a ter maior extensão absoluta de feições urbanizadas em relação ao Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e Teresina (PI) também ganharam posições em relação à Salvador (BA) e Uberlândia (MG), assim como Belém (PA) e Feira de Santana (BA) superaram Guarulhos (SP) e Ribeirão Preto (SP).

Municípios com maiores expansões de Feições Urbanizadas

No que se refere às 20 maiores expansões de Feições Urbanizadas Densas e Pouco Densas por Municípios, Brasília (DF) ocupou a primeira posição com expansão de 72,08 km² entre 2019 e 2022, mais que o dobro, em termos absolutos, do que o Município com o segundo maior crescimento, São Luís (MA) com 35,76 km².


Com este lançamento, a série de mapeamentos das Áreas Urbanizadas do Brasil consolida-se como instrumento fundamental para compreender a dinâmica de expansão e organização do território brasileiro, ao oferecer uma representação padronizada e comparável da urbanização em escala nacional. Os resultados revelam um padrão complexo, no qual coexistem áreas de crescimento acelerado – frequentemente associadas à expansão horizontal e à ocupação de novas frentes urbanas – e outras caracterizadas por menor dinamismo ou maior consolidação do tecido urbano.

A partir disto, verifica-se que as Áreas Urbanizadas do Brasil apresentam dinâmicas heterogêneas e que demandam respostas integradas para sua ampla compreensão, seja por meio do monitoramento geoespacial, que aqui se apresenta, seja por indicadores socioeconômicos e ambientais, no sentido de prover informações a políticas públicas de ordenamento territorial. Nesse sentido, o IBGE está comprometido com o avanço da integração de fontes não convencionais, como o sensoriamento remoto, para a produção de estatísticas oficiais de qualidade, para melhor subsidiar decisões baseadas em evidências.

Fonte: IBGE 


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Teresina, no Piauí, está entre as cidades com expansão da área urbana — Foto: Alexandro Dias/winkipédia

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional

Por Lívia Nani e Lucas Altino

O Brasil ganhou quase 6 mil quilômetros quadrados de área urbanizada em três anos, avanço de 12,27%, segundo o IBGE. A expansão equivale a cerca de 770 campos de futebol por dia. O Sudeste concentra a maior extensão urbanizada, mas foi o Nordeste que mais avançou proporcionalmente. Entre os municípios, Brasília liderou, com 72 km² incorporados à área urbanizada — mais que o dobro de São Luís, segunda colocada.

Os dados fazem parte do “Mapeamento das Áreas Urbanizadas do Brasil”, divulgado ontem pelo IBGE. Produzido por imagens de satélite, o levantamento identifica a expansão horizontal das cidades de 2019 a 2022, números mais recentes, e não a verticalização. O crescimento corresponde a áreas antes desocupadas que passaram a ter edificações, equipamentos urbanos ou outro tipo de ocupação, inclusive lotes vazios.

O IBGE considera “área urbanizada” o conjunto de formas e estruturas que materializam o fenômeno urbano nos territórios. Loteamentos vazios passaram a ser considerados um novo tipo de ocupação.

Para especialistas em planejamento urbano, porém, a expansão da área ocupada não significa, necessariamente, cidades mais urbanizadas. Arquiteto e urbanista e professor titular da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Zeca Brandão lembra que o Brasil está entre os países mais urbanizados do mundo pela concentração da população nas cidades, mas o processo ocorreu rapidamente e sem o planejamento necessário.

— O Brasil já é um dos países mais urbanos do mundo, o que não quer dizer mais urbanizado — explica. — Urbanizado requer bom saneamento básico, bom sistema de mobilidade urbana, espaços públicos, não ter déficit habitacional e ter infraestrutura para a dimensão do território urbano. Isso não ocorre no Brasil.

Distribuição das feições urbanizadas no Brasil — Foto: Arte O Globo

Benny Schvarsberg, professor de Planejamento Urbano da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, também afirma que a expansão não é sinônimo de territórios mais urbanizados em planejamento e serviços. A migração, em parte das classes média e alta, para novos territórios pode gerar ocupação de baixa densidade e “ambientalmente insustentável”, com alto custo para expandir redes de infraestrutura viária, de drenagem, água, esgoto e energia, afirma.

— É preciso qualificar esse processo de expansão urbana e entender as lógicas desse modelo dispersivo de espalhamento territorial com as consequências que ela tem, do ponto de vista dos custos de infraestruturas — observa.

O especialista chama atenção para a migração de moradores de metrópoles para cidades pequenas e médias, fenômeno também observado em países como os Estados Unidos. A expansão dos chamados subúrbios, diz, pode fazer áreas perderem características rurais sem, necessariamente, ganhar condições urbana:

— Mais do que um crescimento da urbanização, seria um processo de crescimento da suburbanização no Brasil.

Schvarsberg aponta ainda o aumento dos perímetros urbanos nos planos diretores. Segundo ele, uma das possíveis razões seria elevar a arrecadação de IPTU, que gera mais dinheiro do que o ITR, imposto territorial rural.

— É uma tendência expressiva. Mais de 1.500 municípios realizaram planos diretores, e a maioria deles ampliou os seus perímetros urbanos.

O país tem 53.925 km² de “morfologia urbana”, 0,6% de seu território. Florestas, grandes parques, campos e rios não entram no cálculo. Do total, 70,6% são ocupações densas, com edificações próximas e poucos espaços livres; 23,9% são pouco densas, com moradias mais afastadas; e 5,4% correspondem a loteamentos vazios, áreas alteradas pela ação humana e delimitadas, ainda que sem construções, indicando intenção de ocupação.

Embora o Sudeste concentre a maior extensão urbanizada, foi o Nordeste que teve maior expansão proporcional: cresceu 1.961 km², ou 16,5%. No Sudeste, foram 1.606 km², aumento de 9,09%.

O IBGE não analisa as causas. Para Brandão, algumas hipóteses podem ser consideradas a partir do Censo 2022, que apontou reduções populacionais inéditas em grandes capitais nordestinas, como Fortaleza, Natal, Salvador e Recife. Uma possibilidade é que esse êxodo, em parte motivado por custo e qualidade de vida, tenha contribuído para o crescimento de cidades médias e pequenas, numa espécie de “interiorização da urbanização”, observa.

— A urbanização brasileira pode estar passando de um modelo centrado no crescimento das grandes metrópoles para um processo em que cidades médias, pequenas cidades, corredores urbanos e áreas periurbanas passam a ter um papel cada vez mais importante — diz.

Outra hipótese é a influência do turismo e da segunda residência em áreas litorâneas do Nordeste antes menos exploradas. Condomínios, loteamentos, hotéis, resorts e casas de veraneio podem estar ampliando a mancha urbana.

Brandão chama atenção para o período analisado. Entre 2019 e 2022, a pandemia produziu mudanças nos padrões de localização residencial, valorizou espaços mais amplos e estimulou a procura por cidades médias, condomínios horizontais e áreas de lazer.

Schvarsberg cita uma recente pesquisa de mestrado da UnB sobre a mudança na ocupação do Nordeste. O estudo identificou crescimento das chamadas “franjas urbanas” das principais capitais, com criação de loteamentos, como condomínios destinados às classes média e alta.

— É um crescimento que compromete reservas ambientais ou áreas antigas de produção agrícola, inclusive, com unidades imobiliárias urbanas, basicamente residenciais, especialmente de média e alta renda. Um mercado imobiliário de “amenidades verdes”. É muito comum serem chamados de condomínios sustentáveis, com anúncios para “viver na natureza” — explica.

Expansão no litoral

O mapeamento retrata um padrão de ocupação presente desde a colonização, com concentração do fenômeno nos municípios costeiros. As 443 cidades do litoral concentram 9.941,5 km² de feições urbanizadas, equivalentes a 19,5% do total do país, embora ocupem apenas 5% do território.

Na chamada faixa de fronteira, os 590 municípios ocupam 26,61% da área brasileira, mas concentram 4.223,81 km² de feições urbanizadas, ou 8,28% do total de 2022.

Entre as unidades federativas, o Distrito Federal teve a maior expansão proporcional, de 1,25%. Brasília também liderou entre os municípios, com acréscimo de 72 km², mais que o dobro dos 35 km² de São Luís, no Maranhão.

— O resultado é justificável pela sua extensão diminuta e pelo planejamento coordenado de urbanização (do Distrito Federal e de Brasília) — explicou Andressa Rosas de Menezes, técnica do IBGE.

Schvarsberg observa que o Distrito Federal tem 35 regiões administrativas, consideradas, na prática, cidades-satélites. Para ele, a expansão ocorreu com a criação de novos condomínios e lotes nas franjas desses territórios.

Fonte: O Globo


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Desastres climáticos causaram perdas de R$ 6,6 bilhões no Brasil neste ano e El Niño pode intensificar danos, diz relatório

Deslizamentos assolaram diversos bairros em Juiz de Fora, em fevereiro de 2026 — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo

Levantamento da AON, empresa de seguros, mostra que os impactos financeiros foram de R$ 565 bilhões no mundo inteiro nesse primeiro semestre por causa de secas, enchentes e deslizamentos

Por Lucas Altino

No primeiro semestre de 2026, secas, deslizamentos e enchentes no Brasil causaram um prejuízo financeiro de R$ 6,6 bilhões, aponta um relatório da AON, empresa de seguros, que alerta para os riscos do El Niño ampliar esses danos. Os eventos brasileiros foram os mais impactantes no continente, ao lado de casos semelhantes na Colômbia e dos terremotos na Venezuela. No mundo, foram estimadas perdas de R$ 565 bilhões no primeiro semestre.

O Brasil foi destacado no relatório como um dos principais exemplos de impactos do El Niño, principalmente nas perdas agrícolas, eventos de clima extremos e no mercado de seguros. A AON cita um estudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que identificou 220 eventos em 16 estados brasileiros entre 2000 e 2021 associados ao El Niño, que, no Brasil, gera fortes chuvas no Sul e seca no Norte.

Há previsão de que um forte El Niño atue nos próximos meses. Nas últimas semanas, intensas ventanias registradas no Sul e Sudeste podem ter acontecido por influência do aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, o que configura o El Niño e altera a circulação dos ventos e da atmosfera.

Principais desastres no ano

O Global Catastrophe Recap (retrospectiva global de catástrofes), nome do relatório da Aon, identificou quatro eventos extremos no Brasil no primeiro semestre: um de seca, um de tempestade, e dois de enchentes e deslizamentos. Esses episódios somaram 127 mortes e perdas econômicas estimadas em R$ 6,6 bilhões.

O caso mais grave aconteceu em Minas, em fevereiro, onde chuvas, enchentes e deslizamentos resultaram em 72 mortes em Juiz de Fora e Ubá.

O principal desastre climático da América Latina em 2026 foi a sequência de terremotos que atingiu a Venezuela em 24 de junho, com cerca de 5 mil mortes e perdas preliminares estimadas entre 20 bilhões e 30 bilhões de dólares. Foi o terremoto mais severo no continente desde o ocorrido no Chile em 2010.

Na Colômbia, os principais problemas foram inundações. Chile e Argentina sofreram com incêndios florestais, enquanto enquanto Peru e Equador registraram enchentes e deslizamentos de terra. Já o México foi afetado pela tempestade tropical Boris.

O relatório considerou que houve menos eventos que a média, porém com intensidade acima do normal, o que gerou "impacto humano e financeiro significativo".

Panorama global

Globalmente, as perdas econômicas provocadas por desastres climáticos totalizaram 111 bilhões de dólares, ou R$ 565 bilhões, no primeiro semestre de 2026, cerca de 25% abaixo da média do século. Ainda assim, o patamar é muito alto, reforça o relatório, com 23 eventos com perdas superiores a 1 bilhão de dólares.

Houve, por exemplo, a tempestade de vento mais impactante já registrada em Portugal e uma intensa temporada de tempestades marítimas nos Estados Unidos.

O relatório destaca que a frequência de eventos extremos e o crescimento das perdas seguradas reforçam a necessidade de ampliar a resiliência da infraestrutura, fortalecer estratégias de prevenção e aperfeiçoar a gestão integrada de riscos diante de um cenário climático cada vez mais volátil.

Fonte: O Globo




sexta-feira, 14 de agosto de 2026

TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE BALEIAS: programa iniciado na minha gestão como prefeito de Niterói segue avançando

Jubarte em frente a Niterói. Foto de Luciana Carneiro.

Em 2022, como prefeito de Niterói, assinei uma parceria com o projeto Amigos da Jubarte e o Instituto O Canal, e demos início a um programa pioneiro e devidamente estruturado para o desenvolvimento do Turismo de Observação de Baleias no litoral de Niterói. 

A iniciativa teve por objetivo planejar atividades que possam mapear, capacitar, desenvolver e monitorar atores e iniciativas locais que atuam nas áreas de Meio Ambiente, Turismo e Educação, bem como promover o ecoturismo e a educação ambiental. Foi desenvolvido um estudo para comprovar a viabilidade da implementação do Turismo de Observação Natural da Vida Marinha em Niterói e previu, inicialmente, a realização de quatro expedições em janelas diferenciadas com elaboração de diagnóstico da costa e fluxo de evolução migratória das jubartes.

Em Niterói, a atividade é promovida pela NELTUR Empresa de Turismo e Lazer, da Prefeitura de Niterói, presidida com competência pelo turismólogo André Bento.

Com dirigentes do Amigos da Jubarte, especialistas no estudo dos cetáceos, celebrando a parceria firmada em 2022.

O programa foi aberto ao público em 2024 e passou a contar com uma grande procura. Com o sucesso da iniciativa, aumentou muito a procura pela atividade e a necessidade de capacitar profissionais e certificar operadores. Por isso, a NELTUR uniu-se à Prefeitura do Rio de Janeiro e à Capitania dos Portos do Rio de Janeiro para promover o ordenamento e a garantia da segurança das atividades para o público e para as jubartes.

É animador ver nossa cidade integrada nas ações de fortalecimento do ecoturismo ordenado para a observação natural da vida marinha, que inclui baleias, golfinhos, tartarugas e aves pelágicas. Passadas as primeiras temporadas da atividade, vimos o interesse pelas jubartes crescer muito na imprensa e na opinião pública, com uma disponibilidade cada vez maior de fotos sensacionais da presença dos animais em adição à sensacional paisagem da Baía de Guanabara e do seu entorno. 

Niterói tem uma forte relação com o mar. Além do potencial nos esportes náuticos e da tradição na pesca, a cidade tem forte vocação na indústria naval e sedia a esquadra brasileira. Nossa biodiversidade é rica e através da pesquisa científica, fomento ao turismo e trabalhos de educação ambiental, Niterói pode contribuir de forma substancial para o desenvolvimento econômico sustentável do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo neste período de retomada da economia. 

Em 2024, trouxemos para Niterói a primeira edição do Tomorrow Blue Economy, um grande evento anual para promover o potencial de Niterói para a economia do mar.

A ONU declarou que o período de 2021 a 2030 é a Década do Oceano. Mais do que nunca, é fundamental refletirmos sobre a nossa relação com o mar e nos comprometermos com uma mudança de comportamento que gere benefícios para o ambiente marinho.

Para mais informações e saber como participar, acesse: www.queroverbaleia.com

Axel Grael

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Exemplar da espécie observada na Baía de Guanabara — Foto: Ricardo Gomes/Instituto Urbano

Observação de baleias no Rio e em Niterói terá selo em embarcações para disciplinar atividade

Parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio e a Neltur tem objetivo de garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros

Por Madson Gama — Rio de Janeiro

Vindas da gélida Antártica, as baleias jubarte são uma presença marcante nas águas quentes do Brasil entre junho e novembro, período de reprodução, nascimento e amamentação dos filhotes. Com o turismo de observação da espécie cada vez mais em alta, as prefeituras do Rio e de Niterói criaram um selo para certificar as embarcações que realizam expedições desse tipo nas duas cidades. O objetivo é garantir ao mesmo tempo a proteção do animal e a segurança de tripulantes e passageiros.

Fruto de uma parceria entre a Secretaria municipal de Turismo do Rio (SMTUR) e a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), o projeto inclui a capacitação de mestres de embarcação e de seus proprietários, além de outros personagens da cadeia produtiva do turismo, como guias, agências e hotéis, num esforço para garantir o ordenamento e a sustentabilidade da observação da vida marinha. O treinamento é oferecido pela ONG Amigos da Jubarte. Ao final, os profissionais também são certificados.

— Há uma capacitação teórica, com foco na biologia e ecologia desses animais, conscientizando sobre a sua importância para o ecossistema marinho, para o planeta como um todo e para nós enquanto sociedade. Falamos do histórico da caça e como as baleias são impactadas negativamente pelas atividades humanas. Todo esse conteúdo é repassado durante um dia inteiro de treinamento. Posteriormente, fazemos a parte prática, com a aula de ecologia a bordo de uma embarcação — detalha o ambientalista Thiago Ferrari, diretor da ONG.

Projeto Baleia Jubarte acompanha a passagem pelo Rio — Foto: Custodio Coimbra

Cartilha informativa

Uma das capacitações em campo vai acontecer amanhã, pela manhã. O roteiro abrange as ilhas Pai e Mãe, em Niterói; e Rasa, Redonda e Cagarras, no Rio, onde há grande ocorrência dessa espécie. O projeto de conservação da jubarte elaborou uma cartilha informativa destacando as boas práticas de navegação na observação do mamífero.

— É preciso manter a distância de cem metros da baleia, ou de duzentos metros, se ela estiver com seu filhote. Não se pode observar por mais de 30 minutos o mesmo grupo, para não estressar o animal. Recomendados que no máximo duas embarcações observem um mesmo grupo ao mesmo tempo. Se você estiver numa terceira embarcação, aguarde os 30 minutos, para que uma delas se afaste e você se aproxime. Jamais pratique natação ou mergulhe em área de baleia. Apesar de ser um animal muito dócil, é muito grande, pesado e pode machucar. As baleias são curiosas, então, às vezes vêm investigar o barco. A orientação é manter o motor em neutro ligado, porque ela se orienta pelo ruído, e vai se aproximar sabendo que há um objeto ali, evitando colisão. Depois que ela se afasta cinquenta metros, você segue pelo lado oposto — orienta Thiago.

Treze embarcações de Rio e Niterói já receberam o selo, que tem validade de um ano, e um adesivo com a inscrição “Certificado turismo de observação de cetáceos”. Algumas expedições feitas por esses barcos já certificados contam com um pesquisador da Amigos da Jubarte, que transmite aos turistas conceitos de educação ambiental.

Para conquistar a chancela, a embarcação deve estar homologada para transporte de passageiro pela Capitania dos Portos e dispor de itens de segurança, como botes salva-vidas, sinalizadores e radiocomunicadores. A tripulação deve estar com a documentação em dia.

— O turismo de observação de baleia é uma importante e potente ferramenta de conservação da espécie, se feito de forma sustentável e ordenada. É o momento em que conseguimos aproximar a sociedade desse verdadeiro tesouro natural que está na nossa costa. E as pessoas só preservam aquilo que elas conhecem — observa o Thiago Ferrari.

Além de Amigos da Jubarte, SMTUR e Neltur, o grupo de trabalho para a criação do selo, que fez um mapeamento da incidência da espécie, incluiu Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Capitania dos Portos.

— A Capitania, ao ver esse selo, entende que aquela embarcação foi certificada para boas práticas de navegação — explica André Bento, presidente da Neltur. — Há um esforço muito grande para um ordenamento e conscientização das pessoas, a fim de que possamos desenvolver um turismo sustentável, perene, que gere emprego e renda e, mais do que isso, preservação para esses animais.

Canoa havaiana

Além das embarcações motorizadas, recentemente a observação passou a ser promovida por clubes de canoa havaiana. Um próximo passo do projeto é elaborar um protocolo de segurança adaptando as boas práticas para essa modalidade. Dona do clube Dihva'a, na Praia de Botafogo, Diana Tavares, de 40 anos, passou por treinamento recente com a Amigos da Jubarte. Ela liderava um grupo a bordo de uma canoa que avistou um espécime na Baía de Guanabara, na semana passada.

— Junto com a gente havia mais umas 30 canoas. Ela nos rodeava e passava por debaixo. Como nós não temos motor, precisamos fazer barulho com o remo para ela notar nossa presença e não se chocar com a gente. Isso eu aprendi depois da capacitação. Não tinha noção do perigo. A única sensação foi de encantamento. Vamos trabalhar para uma interação mais consciente, evitando estressar o animal e nos colocar em risco — conta Diana.

Fonte: O Globo




segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Niterói abre edital de R$ 15 mil por agricultor e prioriza cotas para mulheres

A Secretaria de Assistência Social utilizará todo o hortifrúti arrecadado para abastecer a rede de segurança alimentar da cidade - Imagem ilustrativa


A Prefeitura de Niterói abriu, nesta sexta-feira (31), a Chamada Pública nº 003/2026 para comprar alimentos frescos da agricultura familiar. Por meio da medida, o município repassará até R$ 15 mil por ano para cada produtor rural credenciado.

Com essa iniciativa, a gestão municipal estimula a economia do campo e garante comida saudável para moradores em vulnerabilidade social.

Além disso, a Secretaria de Assistência Social utilizará todo o hortifrúti arrecadado para abastecer a rede de segurança alimentar da cidade nos próximos meses.

O que muda na seleção dos produtores?

Para garantir equidade de renda no campo, a prefeitura estabeleceu regras afirmativas inéditas no novo edital do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Municipal).

  • Cota feminina obriga participação: O edital reserva pelo menos 50% de todas as vagas de fornecedores exclusivamente para mulheres agricultoras.
  • Foco na baixa renda: A gestão exige que no mínimo 60% dos produtores selecionados pertençam ao Cadastro Único (CadÚnico).
  • Pontuação prioritária: A comissão avaliadora priorizará trabalhadores negros, indígenas, quilombolas, assentados da reforma agrária, pescadores e jovens de 18 a 29 anos.

Regras oficiais e execução do programa

A contratação pública baseia-se nos critérios do artigo 4º da Lei Federal nº 14.628/2023 e do Termo de Adesão nº 02083/2024.

Paralelamente a isso, os agricultores entregarão os mantimentos no Banco Municipal de Alimentos Herbert de Souza, em São Domingos, onde os agentes públicos organizarão a distribuição das cestas.

O QUE VOCÊ PRECISA SABER: PAA e CAF:

PAA (Programa de Aquisição de Alimentos): Política pública que compra alimentos diretamente de pequenos produtores para abastecer redes de assistência social.

CAF / DAP: O Cadastro Nacional da Agricultura Familiar é o documento oficial que comprova que o trabalhador produz no campo de forma familiar.

Como se inscrever e garantir a vaga

Diante desse cenário, os interessados devem realizar a inscrição entre os dias 03 e 12 de agosto de 2026. Portanto, produtores individuais, cooperativas ou associações precisam apresentar cópias do CPF, documento com foto, extrato da CAF/DAP e a proposta de fornecimento.

Para isso, o trabalhador pode entregar a documentação presencialmente na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social (Rua Coronel Gomes Machado, nº 281, Centro), das 10h às 16h.

Alternativamente, a equipe aceitará os arquivos pelo e-mail subsan@smases.niteroi.rj.gov.br. Por fim, a prefeitura divulgará o resultado definitivo no dia 31 de agosto.

Agricultura familiar: alimento, renda e desenvolvimento

Produção que nasce no campo e chega à mesa: Famílias agricultoras cultivam alimentos, preservam conhecimentos e movimentam a economia local.

A agricultura familiar reúne pequenos produtores que utilizam principalmente o trabalho da própria família na plantação, criação de animais e comercialização dos alimentos. Além de abastecer feiras, mercados e programas públicos, esse modelo produtivo fortalece as comunidades rurais e contribui para uma alimentação mais diversificada.

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Alimentos frescos

Primeiramente, a produção familiar amplia a oferta de frutas, verduras, legumes, ovos, leite e outros alimentos que fazem parte da rotina da população.

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Geração de renda

Além disso, a venda direta em feiras e mercados garante renda aos produtores e mantém uma parcela maior dos recursos circulando dentro da própria comunidade.

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Fortalecimento local

Do mesmo modo, cooperativas e associações ajudam as famílias a compartilhar equipamentos, reduzir custos e alcançar novos compradores.

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Preservação ambiental

Paralelamente, práticas sustentáveis podem proteger o solo, conservar a água e valorizar sementes, técnicas e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Valorizar quem produz

Portanto, comprar de pequenos produtores, visitar feiras locais e incentivar políticas de crédito, capacitação e assistência técnica são atitudes que fortalecem a agricultura familiar e aproximam o campo da cidade.





domingo, 19 de julho de 2026

Na Copa do calor, agora a fumaça


A Copa do Mundo mais quente da história (até agora) chega ao fim, lembrando-nos de que vivemos uma época de eventos extremos mais frequentes e intensos. O estádio onde será a final entre Argentina e Espanha, em Nova Jersey (região de Nova York), foi encoberto nos últimos dias pela fumaça decorrente dos incêndios florestais no Canadá.

Segundo a empresa suíça IQAir, que monitora a qualidade do ar em tempo real, a cidade de Nova York acordou nesta sexta-feira (17) com níveis insalubres de poluição, chegando a um Índice de Qualidade do Ar de 188 (AQI, na sigla em inglês). Outras localidades nos Estados Unidos também sofrem com o evento. Detroit registrou a pior qualidade de ar do mundo nesta sexta, com um AQI 222 – mas esse índice ainda é bem melhor do que os impressionantes AQI 600 atingidos na véspera. Com valores acima de 100, o ar é considerado insalubre para grupos de risco e, acima de 150, para todos.


A World Weather Attribution, consórcio internacional de cientistas climáticos, afirmou que a maior recorrência e intensidade dos incêndios florestais devem ser atribuídas às mudanças climáticas. O aquecimento global tornou a temporada de incêndios no leste do Canadá cerca de 50% mais intensa. A falta de umidade na vegetação e o solo ressecado transformaram as florestas boreais em combustível altamente inflamável. O país enfrenta, neste momento, mais de 850 focos de incêndios florestais.

O calor extremo marcou o tom de muitos jogos desta Copa. Paraguai x França registrou uma sensação térmica de 42°C. E três jogos foram disputados com sensação térmica de 40°C (Argentina x França, Colômbia x Senegal e Brasil x Noruega). O sindicato internacional de jogadores, a FIFPRO, recomenda que partidas de futebol sejam repensadas a partir do Índice de Temperatura de Globo e Bulbo Úmido, que mede o estresse térmico no corpo (WBGT, na sigla em inglês). Partidas com um WBGT acima de 28°C devem ser adiadas ou canceladas por questões de segurança. A entidade também recomenda pausas para hidratação e resfriamento quando o valor atinge 26°C.

Pela primeira vez, todas as partidas da competição tiveram duas pausas para hidratação – uma em cada tempo. Adotadas como uma medida de adaptação, essas pausas acabaram no centro do debate sobre o quanto interferiram no desenrolar esportivo ou se, na verdade, foram motivadas por razões comerciais.

A FIFA também inaugurou seu protocolo para tempestades nesta Copa. Durante esse mês de competição, o protocolo de tempestades e raios foi ativado e provocou interrupções diretas em três partidas: França x Iraque, México x Equador e México x Inglaterra. No entanto, a FIFA não possui um protocolo específico para lidar com a fumaça decorrente de incêndios florestais. Previsões desta sexta-feira indicam que a situação deva melhorar até domingo. O possível alívio deve vir com a chuva prevista para sábado. A cerimônia de encerramento promete, além do jogo entre Argentina e Espanha, um mega espetáculo musical, com shows de Madonna, Shakira, BTS e Justin Bieber. Diante dos elevados custos logísticos e financeiros de um eventual adiamento, não é exagero dizer que os organizadores devem estar fazendo a dança da chuva.

Fonte: Política por Inteiro





quinta-feira, 9 de julho de 2026

PARQUE SOLAR É MAIS UM LEGADO DE SUSTENTABILIDADE E INOVAÇÃO QUE DEIXAMOS PARA NITERÓI

Quem chega em Niterói pela Ponte, ao se aproximar da Praça do Pedágio e olhar para o Morro da Boa Vista localizado bem à sua frente, já deve ter notado que há uma novidade na encosta: é o PARQUE SOLAR, um projeto inovador e um novo conceito de geração de energia de forma limpa, sustentável e que beneficia a comunidade.

Parque Solar implantado em encosta de Niterói é mais um legado de inovação iniciado na nossa gestão como prefeito da cidade. Projeto é uma referência para outras comunidades de Niterói e para outras cidades. Foto Leonardo Simplicio (Divulgação). 

O projeto de implantação do Parque Solar na Encosta do Morro da Boa Vista, no Centro de Niterói, era uma antiga ideia que acalentei por anos e consegui desenvolver quando fui secretário da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, da Prefeitura de Niterói. O projeto avançou e saiu do papel graças principalmente ao empenho da engenheira florestal Valéria Braga e do secretário de Defesa Civil Walace Medeiros. 

Na sua concepção inicial, a iniciativa teve como objetivo aproveitar as condições favoráveis da encosta para a produção de energia fotovoltaica, proteger a maior área de reflorestamento da mantido pela Prefeitura e beneficiar a comunidade. A água da chuva acumulada nas próprios painéis solares é captada e estocada em reservatórios com capacidade para 30 mil litros, para ser utilizada na manutenção e limpeza do Parque Solar, permitir a irrigação das mudas e proteger a área dos constantes incêndios que prejudicam as áreas de reflorestamento.

Em 2018, o conceito inovador do projeto foi reconhecido com a conquista do Prêmio Lidera Rio, vencendo na categoria principal - "Prêmio de Melhor Projeto" - e na categoria "Sustentabilidade e Resiliência". A premiação foi promovida pelo SEBRAE-RJ, em parceria com o Instituto República, CLP e Cidadis e contou com a participação de várias prefeituras fluminenses.

Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024) contratamos um serviço especializado para o desenvolvimento do projeto executivo, licitamos e demos início às obras de sua implantação, que foram concluídas na atual gestão do prefeito Rodrigo Neves. A obra foi concluída e entregue no dia último dia 04 de julho. 

Fotos Leonardo Simplicio (Divulgação)

O Parque Solar, que contou com um investimento de R$ 7,7 milhões, possui 2 mil módulos fotovoltaicos e ocupa uma área de 36 mil metros quadrados. A usina tem capacidade para produzir cerca de 150 mil quilowatts-hora (kWh) de energia por mês energia, reduzindo as despesas do consumo de energia dos prédios públicos. Para se ter uma ideia, a energia produzida é suficiente para suprir o consumo de 19 creches públicas. Com isso, o retorno do investimento virá em dois anos. 

O Parque Solar é parte do esforço que iniciamos na nossa gestão para a transição energética da cidade, que incluiu a captação de recursos junto ao PAC, do Governo Federal, para a implantação de ônibus elétricos, do VLT de Niterói e a aquisição de veículos elétricos para a descarbonização da frota da Prefeitura e mitigar emissões de Gases de Efeito Estufa na cidade.

A energia solar é uma das formas mais sustentáveis de geração de energia, é a fonte que mais cresceu no Brasil entre 2024 e 2025, com o excepcional avanço de 24,%.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)



quarta-feira, 8 de julho de 2026

PREFEITURA DE NITERÓI RETIRA CERCA DE 20 T DE RESÍDUOS DO PARQUE ORLA DE PIRATININGA TODA SEMANA


Prefeitura reforça ações de monitoramento e preservação ambiental na Lagoa de Piratininga

A Prefeitura de Niterói realizou, nesta quarta-feira (8), mais uma operação de ordenamento e limpeza na Lagoa de Piratininga. Coordenada pelo Grupo Executivo para o Crescimento Ordenado de Preservação das Áreas Verdes (Gecopav), com o objetivo de garantir a ocupação adequada do espaço público e a preservação ambiental naquela área, a ação foi executada pela Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), que retirou entulhos e resíduos descartados incorretamente. O serviço contou com apoio de um caminhão para a remoção de materiais como ferro, madeira, plástico e outros detritos.

O coordenador do Gecopav, major Antônio Luiz Pereira Lima, ressaltou a importância da atuação integrada dos órgãos municipais para garantir a proteção das áreas verdes da cidade.

“Nosso principal objetivo é impedir o avanço de construções irregulares sobre áreas de proteção ambiental. Para isso, atuamos com planejamento, uso de tecnologia e integração entre diversos órgãos municipais, garantindo uma fiscalização eficiente e contribuindo para a preservação do patrimônio ambiental de Niterói”, afirmou.

O trabalho desenvolvido na região tem como foco a preservação da restinga, a fiscalização de construções irregulares e descartes incorretos de resíduos, além do monitoramento de possíveis áreas afetadas por desmatamento. As equipes realizam vistorias frequentes, com acompanhamento por terra e apoio de aeronaves tripuladas, ampliando a capacidade de identificação de ocorrências e garantindo uma atuação mais eficiente na proteção ambiental. Sempre que são constatados problemas, como o descarte inadequado de lixo ou o acúmulo de entulho, são promovidas ações de limpeza e conservação, contribuindo para a preservação da Lagoa de Piratininga e para a manutenção de um ambiente mais saudável para a população.

Wellington Silva, funcionário da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) há 11 anos, destacou a importância do trabalho que tem feito semanalmente na Lagoa de Piratininga, ressaltando que a ação vai além da limpeza do espaço.

“Todas as quartas-feiras realizamos uma ação de limpeza na orla da Lagoa de Piratininga, em parceria com a Secretaria de Ordem Pública, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do descarte correto de resíduos. Durante essas operações, recolhemos, em média, cerca de 20 toneladas de resíduos descartados de forma irregular na região. Esse trabalho é fundamental não apenas para manter a cidade limpa, mas também para preservar o meio ambiente e a qualidade da lagoa”, destacou.

O Gecopav atua em três frentes principais: monitoramento das áreas de preservação para evitar invasões e desmatamentos; combate a construções irregulares com medidas judiciais e embargos; e implantação de marcos delimitadores em áreas protegidas.

A operação seguiu o que está previsto na Lei nº 2624/2008, que integra o Código de Posturas do município e estabelece diretrizes sobre convivência, ocupação do espaço público e preservação ambiental.

Fonte: Prefeitura de Niterói




domingo, 5 de julho de 2026

The Ethical Dimension of Tackling Climate Change

 

Stephen Gardiner, autor de "A Perfect Moral Storm: Climate Change, Intergenerational Ethics and the Problem of Moral Corruption" (2008). Saiba mais sobre o autor.

The global challenge of climate change poses a perfect moral storm — by failing to take action to rein in carbon emissions, the current generation is spreading the costs of its behavior far into the future. Why should people in the future pay to clean up our mess?

By Stephen Gardiner
October 20, 2011


Sometimes the best way to make progress on a problem is to get clearer on what that problem is. Arguably, the biggest issue facing humanity at the moment is the looming global environmental crisis. Here, the problem is not that we are unaware that trouble is coming. After all, the basic science is both well known and continually being reiterated in major national and international reports. Rather, the core problem is that thus far effective action seems beyond us. We seem at best paralyzed, and at worst indifferent. Put starkly, there seems little place within our grand institutions and busy lives for what may turn out to be the defining issue of our generation.

Why? In my view, at the heart of the matter is the fact that humanity is in the grip of a profound ethical challenge that our current institutions and theories are ill-equipped to meet.

Sebastian Junger’s book The Perfect Storm tells the story of a fishing boat caught at sea during the rare convergence of three independently powerful storms. Similarly, the global crisis of climate change brings together three major challenges to ethical action — and in a mutually reinforcing way. It is genuinely global, profoundly intergenerational, and occurs in a setting where we lack robust theory and institutions to guide us. Neglect of this perfect moral storm leads us to underestimate the climate problem and fail to appreciate the wider implications in predictable ways.

Those least responsible for past emissions are likely to suffer the most serious impacts.

Conventional wisdom identifies climate change as primarily a global problem. Wherever they originate, emissions of the main greenhouse gas (carbon dioxide) quickly become mixed in the atmosphere, affecting climate everywhere. According to the standard analysis, this makes climate change a traditional “tragedy of the commons,” played out between nation states that represent the interests of their citizens in perpetuity. In Garrett Hardin’s tragedy, each herdsman prefers the collective outcome where none over-consume — so that the commons is not overburdened. Nevertheless, when acting individually each prefers to over-consume himself, no matter what the others do — with ruinous results for all.

In climate change, we are often told, states reason in the same way. Each prefers the collective outcome where none over-consume with carbon emissions — so that dangerous climate change is avoided. Yet, when acting individually, each prefers to over-consume, no matter what the others do — so overconsumption is rife. In both cases, then, we are led to an outcome that no one wants, and which is severe enough to seem tragic.

Unfortunately, this traditional model is at best dangerously incomplete. To begin with, it ignores one central spatial aspect of the climate problem. Those least responsible for past emissions are likely to suffer the most serious impacts (at least in the short- to medium-term). This is partly because the poorer nations are disproportionately located in more climate-sensitive regions, but it is also because, being poor, they lack the resources available to the rich to address negative impacts. Since it ignores this basic problem of fairness, the traditional model underestimates the nature of the relevant “tragedy.”

Even more importantly, the traditional model obscures the temporal aspect of the perfect moral storm. Once emitted, a substantial proportion of climate emissions typically remain in the atmosphere for hundreds of years, and some persist for tens — even hundreds — of thousands. This means that the current generation takes benefits now, but spreads the costs of its behavior far into the future.

Most victims of climate change cannot hold us to account, being very poor, not yet born, or nonhuman.

Worse, many of these benefits are comparatively modest (e.g., those of bigger and more powerful vehicles), and many of the projected costs are severe, even catastrophic (e.g., severe flooding and famine). Worse still, the problem is iterated: The same temptation to take modest benefits now even in the face of severe costs to the future is repeated for subsequent generations as they come to hold the reins of power. Hence, there are cumulative impacts further in the future. Worst of all, such impacts may eventually provoke the equivalent of an intergenerational arms race. Perhaps some future generations will face such appalling environmental conditions that they are entitled to emit more in self-defense, even foreseeing that this behavior makes matters even worse for their successors. And so it goes on.

The third storm exacerbates the situation. Climate change brings together many areas in which our best theories are far from robust, such as intergenerational ethics, global justice, scientific uncertainty, and humanity’s relationship to nature. The problem here is not that we do not have any guidance at all. For example, the idea that imposing catastrophe on the future for the sake of our own modest benefits is not a defensible way to behave is a relatively secure basic ethical intuition. Rather, the problem is that it is difficult to move beyond those basic intuitions to deal with the details, and we are too easily distracted by counterarguments, especially from theories that have merits in other contexts, but fail to take the future seriously enough.

For example, some influential economists claim the current generation is justified in moving slowly on climate change because future people will be richer due to economic growth, and so should pay more. But are we entitled to assume that the future will be richer even in a climate catastrophe? And even if they are, why should they pay to clean up our mess?

We face a profound challenge that current institutions and theories were not designed to meet.

This worry about distraction leads to a further important result. The intersection of the global, intergenerational and theoretical storms threatens to undermine public discourse. We in the current generation — and especially the more affluent — are in a position to continue taking modest benefits for ourselves, while passing nasty costs onto the poor, future generations, and nature. However, pointing this out is morally uncomfortable. Better, then, to cover it up with clever but shallow arguments that distort public discussion, and solutions that do little to get at the core problems. After all, most of the victims are poorly placed to hold us to account — being very poor, not yet born, or nonhuman.

Unfortunately, there is ample evidence for such shenanigans in the climate arena. If existing institutions are good at representing only the interests of their current members — or, worse, of the current generation of political and economic leaders — then we would expect agreements that reflect this. In particular, we might expect a succession of “shadow solutions” to the climate problem: processes, proposals, and agreements that pay lip service to wider ideals but ultimately deliver very little in the way of substance.

Sadly, this seems all too plausible a reading of the sorry history of international climate policy. The road from Rio to Kyoto to Bali to Copenhagen to Cancun is littered with procrastination, obfuscation, and empty promises. For example, all major countries including the United States agreed to the United Nations Framework Convention on Climate Change, which took effect in 1994, and so committed themselves to “protect the climate system for present and future generations.” However, global emissions are now up more than 40 percent since 1990, and more than 17 percent in the United States. Similarly, in 2009 in Copenhagen, the global community publicly committed itself to limiting global temperature rise to 2 degrees Celsius. However, it left the hard question of who should do what to a subsequent national pledge system that does not get close to that target, and few have any confidence such a system will actually be implemented. (Witness, for example, the U.S. pledge of a 17-percent reduction on 2005 levels by 2020, which rests on legislation that has since been abandoned.)

Most recently, we see headlines such as “Cancún deal leaves hard climate tasks to Durban summit in 2011” (in the Guardian on Dec. 14, 2010), followed by “Durban Climate Deal Impossible Say US and EU Envoys” (in the same publication on April 18, 2011). Alas, given the temptations of the global and intergenerational storms, such dithering is all too predictable, and highly convenient.

As bad as this news is, there may be worse to come. We should not expect a buck-passing strategy to limit itself to inaction and distraction, but rather to evolve over time. Given this, as the overall situation worsens, we might predict that the current generation will begin to press for a quick technological fix to hold off the worst impacts, at least until after they have exited the scene. In doing so they might even strive to seize the ethical high ground by declaring such a fix a “necessary” and “lesser” evil to prevent climate catastrophe. (Implausible? Welcome to the emerging debate about geoengineering.)

This is a grim state of affairs. However, recognizing the shape of the perfect moral storm can help us to make progress. We face a profound global and intergenerational challenge that current institutions and theories were not designed to meet. Given this, we need to move beyond the short-term economic and geopolitical framings that dominate current public discussion. We must acknowledge the global and intergenerational power that we yield and take responsibility for it, rather than taking solace in comfortable distraction. No one will stop us from exploiting that power but us. This is why ethics is at the heart of the matter.

Fonte: Yale Environmental 360



sábado, 4 de julho de 2026

RJ anuncia nova etapa de programa de restauração florestal com investimento de R$ 39,5 milhões


Edital prevê a recuperação de 482 hectares de Mata Atlântica em dez municípios fluminenses e de 18,7 hectares de manguezais na Baía de Guanabara e na Baía de Sepetiba.

A Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Aegea Saneamento apresentaram, nesta quarta-feira (24/6), o resultado do edital Florestas do Rio, vinculado ao Programa Estadual Florestas do Amanhã. Com investimento previsto de R$ 39,5 milhões, a iniciativa vai viabilizar a restauração de 482 hectares de vegetação nativa em dez municípios fluminenses. Ao todo, sete instituições serão responsáveis pela execução dos projetos.

A nova etapa do programa, anunciada em cerimônia na sede da Seas, no Centro do Rio, reforça a estratégia estadual de ampliação da cobertura florestal em áreas prioritárias para a produção de água e conservação da biodiversidade. Os municípios que integram a nova fase são Cachoeiras de Macacu, Itaboraí, Magé, Silva Jardim, Paracambi, Miguel Pereira, Rio de Janeiro, Engenheiro Paulo de Frontin, Maricá e Rio Bonito.

O edital também amplia o escopo das ações do programa ao incluir a recuperação de 18,7 hectares de manguezais em áreas estratégicas para a conservação ambiental do estado. As intervenções ocorrerão no fundo da Baía de Guanabara, em Magé, e na Reserva Biológica Estadual de Guaratiba, localizada na Baía de Sepetiba, na capital fluminense.

Além da recuperação da vegetação nativa, os projetos preveem ações de mobilização social, capacitação de produtores rurais e fortalecimento das cadeias produtivas da restauração florestal, ampliando os benefícios ambientais, econômicos e sociais nos territórios atendidos.

A nova etapa reforça uma parceria que vem impulsionando a restauração ecológica no Rio de Janeiro. Desde sua criação, o Florestas do Amanhã já lançou cinco editais — dois deles em parceria com o BNDES — e se consolidou como o maior programa estadual de restauração florestal do país.

Com o edital Florestas do Rio, os números do programa chegam a mais de R$ 100 milhões investidos, o plantio de mais de 2,15 milhões de mudas e a recuperação de mais de 1.294 hectares de Mata Atlântica em 18 municípios fluminenses. As ações já geraram mais de 3 mil empregos e vêm contribuindo para a proteção de mananciais estratégicos para o abastecimento de água da população.

Além da recuperação de áreas degradadas, as ações promovidas pelo programa fortalecem a conectividade entre fragmentos florestais, favorecem a proteção de recursos hídricos e ampliam as condições para o retorno da fauna silvestre. Registros recentes realizados em áreas restauradas identificaram espécies como anta, onça-parda e jaguatirica, evidenciando os impactos positivos da restauração ambiental.

Os sete projetos selecionados atuarão em diferentes realidades ambientais do estado. As iniciativas incluem a restauração de áreas de Mata Atlântica em unidades de conservação, propriedades rurais e áreas públicas municipais, além da recuperação de manguezais, implantação de polos de restauração florestal e fortalecimento da assistência técnica a produtores rurais.

A meta do Governo do Estado é reflorestar 440 mil hectares de Mata Atlântica até 2050, elevando a cobertura vegetal fluminense dos atuais 30% para 40%. A expectativa é que os investimentos em restauração ecológica ultrapassem R$ 500 milhões nos próximos anos, ampliando o alcance das ações em diferentes regiões do estado.

Fonte: SEAS



sexta-feira, 3 de julho de 2026

Árvores gigantes de florestas tropicais superam limites físicos para transportar água até o topo

 

O pesquisador Arne Scheire, um dos autores do artigo, escala um dipterocarpo de 67 metros na Malásia (imagem: Arne Scheire/University Exeter)

Estudo publicado na Science mostra que espécies com altura equivalente à de prédios de 30 andares desenvolveram adaptações internas e – ao contrário do que se pensava – não são mais vulneráveis a secas do que a vegetação mais baixa.

Luciana Constantino | Agência FAPESP – Contrariando um paradigma da botânica, uma pesquisa divulgada hoje (02/07) na revista Science revelou que as árvores gigantes das florestas tropicais – com altura equivalente à de prédios de 20 ou 30 andares – não têm dificuldade em transportar água da raiz até o topo e tampouco são mais vulneráveis à seca do que as menores. O trabalho detalha o mecanismo de sobrevivência dessas espécies ainda pouco compreendidas pela ciência, embora essenciais para a regulação do clima por sua capacidade de armazenar carbono.

Pesquisas anteriores sugeriam que, conforme as árvores ganham altura, a capacidade de mover água até o alto poderia ser prejudicada pela maior distância entre raízes e folhas e pelos efeitos da gravidade. Isso reduziria a fotossíntese, limitaria o crescimento e aumentaria a vulnerabilidade à seca.

Mas, de acordo com o novo artigo, as árvores gigantes desenvolveram adaptações internas que compensam os desafios de transportar água até os galhos mais altos. Além disso, testes realizados durante secas severas mostraram que elas não tiveram declínio acentuado de crescimento em comparação com árvores menores, contrariando a hipótese de que espécimes muito altos seriam mais suscetíveis ao estresse hídrico.

Os pesquisadores descobriram que ajustes dos conduítes do xilema (“tubos” microscópicos que a planta usa para conduzir água e nutrientes até as folhas), com diâmetros maiores conforme fica mais alta, compensaram o aumento da resistência ao fluxo de água durante o trajeto. Na prática, é como se a árvore precisasse de uma mangueira maior para levar água mais longe. Essas adaptações complexas são capazes de reduzir a chance de falhas no transporte hídrico quando a planta está em situações de seca.

No caso das folhas, o efeito da gravidade as obriga a funcionar com menor hidratação (potencial hídrico mais negativo), levando-as a ficar murchas e ter que fechar o estômato (estrutura microscópica que funciona como “poros”) mais cedo, reduzindo sua fotossíntese. O estudo mostra, porém, que as árvores gigantes aumentam a tolerância a essas condições, sem prejuízo ao seu funcionamento.

Esses achados avançam na biologia das árvores gigantes, ajudando a explicar como conseguem superar limitações físicas e fisiológicas para conduzir água e continuar crescendo; aprimoram olhares sobre o papel das florestas nas mudanças climáticas e geram evidências para orientar ações de conservação, visando manter o equilíbrio do ciclo de carbono, de chuvas e da biodiversidade.

“Existem poucos dados sobre como as funções hidráulicas de uma planta mudam conforme ela cresce. É aceito que árvores maiores têm dificuldade em transportar água e, por isso, podem morrer mais em função de secas. Ficamos muito surpresos com o resultado do nosso estudo, verificando que elas têm um mecanismo interno de ajuste”, diz à Agência FAPESP o autor correspondente do artigo, Paulo Bittencourt, professor da Escola de Ciências da Terra e Ambiente da Universidade Cardiff (Reino Unido) e pesquisador colaborador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

Segundo o ecólogo, 1% das maiores árvores do planeta armazena mais da metade do carbono em ecossistemas florestais tropicais, além de contribuir com o ciclo de chuvas pela evapotranspiração.

O trabalho teve apoio da FAPESP por meio de um projeto Jovem Pesquisador concedido ao biólogo Peter Groenendijk, que assina o artigo com Rafael Oliveira, ambos do Centro de Ecologia Integrativa do IB-Unicamp.

(Esquerda) Palasiah Jotan, pesquisadora, usa câmara de pressão para medir o potencial hídrico de folhas de dipterocarpo antes do nascer do sol, quando as árvores estão bem hidratadas; (centro) vista de um dipterocarpo de grande porte; (direita) autores do artigo diante de um dipterocarpo: da esquerda para a direita Arne Scheire, Palasiah Jotan, Martin Svátek, David Burslem e Paulo Bittencourt (créditos: Palasiah Jotan/Czech University of Life Sciences Prague e Lindsay Banin /UK Centre for Ecology & Hydrology))

‘Escalando a floresta’

Para realizar o estudo, que levou mais de dois anos, o grupo utilizou uma amostra de 38 árvores da família Dipterocarpaceae, de cinco espécies, localizadas na Reserva Florestal Kabili-Sepilok (Malásia), na ilha asiática de Bornéu. A reserva é mundialmente conhecida por abrigar centros de conservação, inclusive o primeiro criado no mundo para reabilitação de orangotangos.

Essas árvores, variando de 7,1 a 71 metros, são consideradas as mais altas com flores dos trópicos.

O trabalho de campo foi possível com a contribuição de escaladores treinados por Jamiludding Jami, arborista ligado à Parceria de Pesquisa da Floresta Tropical do Sudeste Asiático (SEARPP, na sigla em inglês). Jami foi responsável, em 2018, por escalar e medir um dipterocarpo (meranti amarelo, Shorea faguetiana) de 100,8 metros, considerado a árvore tropical mais alta encontrada até agora.

Escalar uma árvore de mais de 70 metros é um trabalho muito especial, que pouquíssimos fazem no mundo. São pessoas que conseguem, no meio da floresta, passar uma corda em uma árvore da altura de um prédio de 20 a 30 andares, subir e coletar galhos, por exemplo. Algumas coletas tiveram de ser sem sol, à noite. Não é só saber passar a corda e ter condicionamento físico. Precisa ver se tem vespeiro, saber se aquele galho é bom, se a madeira é forte, não é uma coisa trivial”, relata Bittencourt.

Essa expertise foi levada a escaladores no Amapá, pertencentes a comunidades ribeirinhas no Estado, que, após o treinamento, contribuíram com a coleta de material para pesquisa semelhante na floresta amazônica. Parte desses resultados deve ser divulgada até o final de 2026.

Há alguns anos, esse grupo de cientistas vem estudando gigantes da Amazônia na região do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e da Floresta Nacional do Amapá, para onde já foram realizadas algumas expedições. O projeto busca entender reações fisiológicas da floresta amazônica às mudanças climáticas. É liderado pela ecóloga britânica Lucy Rowland, da Universidade de Exeter, com quem Bittencourt trabalhou diretamente quando estava na instituição e que também é autora da pesquisa publicada na Science.

Estimativa apresentada em outro estudo liderado por Robson Borges de Lima, da Universidade do Estado do Amapá, e do qual Bittencourt e Groenendijk fizeram parte, indica que a Amazônia brasileira tem cerca de 55,5 milhões de árvores gigantes, mas a distribuição geográfica é desigual. Apenas 1% da área de floresta concentra 14% delas e metade está localizada em aproximadamente 11% do bioma. Ficam principalmente em Roraima e no Escudo das Guianas (formação geológica que inclui parte do Amapá), onde a disponibilidade de água é alta.



Impactos das mudanças climáticas

Para analisar como os dipterocarpos reagem ao estresse hídrico, os pesquisadores mediram as taxas de crescimento dos troncos antes, durante e depois do forte período de seca associado ao El Niño em 2023-2024. Fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do oceano Pacífico Equatorial, o El Niño de 2023-2024 foi considerado um dos cinco mais intensos já medidos. Classificado no limite da categoria “muito forte”, elevou as temperaturas em cerca de 2°C acima da média, com diferentes impactos no clima de vários países.

No estudo, os resultados da comparação entre os períodos não mostraram declínios na taxa de crescimento associada à altura das árvores durante a seca severa. Ou seja, as maiores foram tão afetadas quanto as menores, sofrendo impactos semelhantes das mudanças climáticas.

Nossos achados demonstram que os sistemas hidráulicos de dipterocarpos muito altos evoluíram de forma a se adequar perfeitamente à sua altura, não devendo sofrer mais do que os de menor porte expostos às mesmas condições de seca”, afirma Rowland, por meio de comunicado à imprensa.

Nesse sentido, a pesquisa sugere que diferenças na capacidade das árvores de evitar bolhas de ar (embolia) que interrompem a circulação interna de água durante a seca podem estar mais relacionadas ao microclima da copa e ao sombreamento do que à altura.

Para Oliveira, os resultados sinalizam a necessidade de entender melhor os mecanismos que determinam a mortalidade das árvores gigantes durante secas extremas. “Em vez de assumir que a altura por si só aumenta a vulnerabilidade hidráulica, os achados apontam que existem outros mecanismos fisiológicos e anatômicos que podem ser igualmente ou mais importantes para explicar a sobrevivência dessas árvores às mudanças climáticas. Essa nova perspectiva pode ajudar o desenvolvimento de modelos mais realistas sobre o funcionamento das florestas e suas respostas a climas cada vez mais secos”, afirma Oliveira à Agência FAPESP.

Groenendijk reforça a importância de compreender as taxas de crescimento dessas espécies. “Entender quais idades as gigantes atingem, como crescem e como se comportam frente à variabilidade climática são questões cruciais que estamos tentando responder usando sensores automatizados e a análise de anéis de crescimento”, completa.

No Brasil, um grupo internacional de cientistas está coletando dados na Reserva Florestal Adolfo Ducke, em Manaus (AM), para quantificar e mapear as causas e os fatores de morte de árvores tropicais altas. O “Projeto Gigante” vem sendo desenvolvido por integrantes do Cary Institute of Ecosystem Studies Millbrook (Estados Unidos) em cooperação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Oliveira destaca que, provavelmente, um mecanismo que compensa a resistência a secas está ligado à capacidade das folhas mais altas de absorver orvalho e neblina. “Pesquisas anteriores que fizemos mostraram que fontes atmosféricas podem ser importantes para manter a hidratação de plantas em geral, mesmo as de folhas muito grandes”, conclui.

O artigo Height does not impair the hydraulic system of the tallest tropical Dipterocarp trees pode ser lido em: science.org/doi/10.1126/science.aea9013.

Fonte: Agência FAPESP



quarta-feira, 1 de julho de 2026

Grandes mamíferos alteram a química do solo e aumentam a fertilidade da Mata Atlântica

 


Estudo revela que antas, queixadas, catetos e veados atuam como verdadeiros engenheiros do ecossistema ao diminuir a acidez da terra, aumentar a diversidade e acelerar a decomposição de matéria orgânica na floresta

André Julião | Agência FAPESP – Um estudo publicado na revista Ecological Monographs aponta que grandes mamíferos, como antas, queixadas, catetos e veados, alteram a composição química da serrapilheira e do solo em florestas tropicais da Mata Atlântica brasileira. Como consequência, proporcionam maior disponibilidade de nutrientes e, possivelmente, uma maior fertilidade do solo.

O trabalho foi realizado por integrantes do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP e sediado no Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (IB-Unesp), em Rio Claro. Os resultados enfatizam a importância que esses animais – muito visados pela caça ilegal e com populações em declínio – têm para a sobrevivência a longo prazo do bioma, mesmo dentro de áreas onde a cobertura florestal permanece intacta.

“A maior parte da biomassa de mamíferos em áreas contínuas de Mata Atlântica é composta pela queixada, um porco selvagem nativo que vive em bandos que podem passar de cem indivíduos”, conta Letícia Gonçalves Ribeiro, primeira autora do trabalho, realizado como parte de seu doutorado no IB-Unesp com bolsa da FAPESP.

“Eles chegam numa área e passam muito tempo pisoteando e fuçando a terra, à procura de frutos caídos e sementes, além de defecar e urinar. Com isso, acabam influenciando a ciclagem de nutrientes, alterando a química do solo e a diversidade da serrapilheira – a camada de folhas, galhos e frutos que fica na superfície do solo”, explica a cientista. Outros exemplos de mamíferos herbívoros de grande porte que povoam o bioma incluem as antas, os veados e os catetos, que são uma outra espécie de porco selvagem.

Para entender melhor a relevância desses animais no funcionamento da Mata Atlântica, os pesquisadores compararam amostras do solo e da serrapilheira de áreas onde esses mamíferos circulam livremente com as de outras áreas, que foram cercadas para eliminar temporariamente a presença deles. Os resultados apontaram diferenças substanciais na acidez (pH) – menos ácido com animais, mais ácido sem – e na disponibilidade de nutrientes como cálcio e alumínio.

“O alumínio, que em altos níveis é prejudicial às plantas, foi reduzido onde havia maior presença de animais. Esse nutriente tem uma relação especial com o pH e o cálcio. O equilíbrio entre eles é necessário para uma maior fertilidade do solo”, afirma Ribeiro. Isso significa, na prática, que a presença de grandes mamíferos aumenta a fertilidade do solo da floresta.

Na serrapilheira das áreas com mamíferos, foi observada uma redução de lignina, uma molécula complexa que recobre as células das plantas e dificulta sua decomposição. Ao ser remexida e pisoteada pelos animais, a serrapilheira é mais bem distribuída no espaço e se fragmenta em pedaços menores, o que aumenta o contato com o solo e facilita a quebra da lignina e o processo de decomposição.

Foi constatada ainda uma maior diversidade na serrapilheira que era fuçada e pisoteada pelos grandes animais. As amostras coletadas na parte com presença de grandes mamíferos tinham uma proporção mais equilibrada de folhas, galhos, frutos e sementes, outro fator que contribui para a decomposição desses materiais no solo da floresta.

“Nossa pesquisa tem demonstrado, de forma cada vez mais robusta, como os grandes herbívoros têm uma importância primordial para as florestas. São justamente esses animais, mais visados pela caça, que atuam como engenheiros de ecossistemas, influenciando desde a composição das plantas na paisagem até mesmo a química do solo”, afirma Mauro Galetti, professor do IB-Unesp que coordenou o estudo e é um dos pesquisadores principais do CBioClima.

Fezes de anta no Parque Estadual Carlos Botelho: presença de grandes mamíferos aumenta disponibilidade de nutrientes para a manutenção da floresta (foto: Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp)

Estudo de longo prazo

A investigação se baseou em dados obtidos por meio do projeto “DEFAU-BIOTA: efeitos da defaunação no carbono do solo e na diversidade funcional de plantas da Mata Atlântica”, apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa BIOTA.

No experimento, conduzido desde 2009 na Serra do Mar, são comparadas áreas (parcelas) de 15 metros quadrados abertas para a livre passagem dos animais com outras onde o acesso é restrito por cercas, que são instaladas pelos pesquisadores para impedir a entrada de mamíferos de grande porte.

No trabalho atual, foram analisadas dez parcelas abertas e dez fechadas no Parque Estadual Carlos Botelho, no município de São Miguel Arcanjo, parte de um grande mosaico de áreas protegidas de Mata Atlântica na região do Vale do Ribeira, no sudeste do Estado de São Paulo. A biomassa de mamíferos foi estimada a partir de imagens de câmeras conhecidas como “armadilhas fotográficas", que são acionadas automaticamente quando algum animal passa na frente delas.

Em estudos anteriores, os pesquisadores já haviam demonstrado que a ausência de grandes mamíferos herbívoros reduz a quantidade de nitrogênio no solo, diminui a diversidade de plantas e altera as relações entre plantas e seus inimigos naturais — modificando, assim, a dinâmica ecológica da floresta (leia mais em: agencia.fapesp.br/34879, agencia.fapesp.br/31388 e agencia.fapesp.br/50818).

Em março deste ano, outro estudo do grupo indicou que a falta de grandes mamíferos leva a uma homogeneização da floresta, ou seja, a dominância de algumas poucas espécies de plantas que prosperam na ausência desses herbívoros.

No alto, veado-mateiro (Mazama rufa) e anta (Tapirus terrestris) flagrados por câmeras trap instaladas nas áreas do estudo, que flagraram ainda a queixada (Tayasu pecari), à direita (fotos: câmeras trap e Letícia Gonçalves Ribeiro/IB-Unesp).

Vida no solo

Numa etapa mais recente da pesquisa, ainda em desenvolvimento, Ribeiro está analisando o efeito dos grandes mamíferos sobre os nematoides, animais microscópicos, parecidos com vermes, que vivem no solo e são indicadores de qualidade do ecossistema.

“Os nematoides são um dos grupos mais abundantes da fauna do solo, ocupando diferentes níveis tróficos: alguns são especializados em comer bactérias, outros se alimentam apenas de fungos e há ainda os predadores, que se alimentam de outros nematoides e organismos da fauna do solo”, explica Ribeiro, que atualmente realiza estágio de doutorado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, com bolsa da FAPESP.

As análises preliminares realizadas até agora em amostras de solo coletadas das áreas de pesquisa apontam que a presença dos grandes mamíferos contribui para uma presença maior de nematoides predadores. “É preciso ter todos os outros níveis tróficos presentes para que haja esse tipo de nematoide. Portanto, sua abundância indica um ecossistema mais saudável”, diz.

Os resultados dessa nova fase do estudo, no entanto, ainda não têm data para serem publicados.

O trabalho agora publicado teve apoio da FAPESP também por meio de bolsa de doutorado concedida a Mateus de Melo Dias, coautor do texto.

O artigo Mammals' zoogeochemical effects change litter and soil biogeochemistry in a tropical rainforest pode ser lido em: esajournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ecm.70070.

Veja vídeo sobre a pesquisa em: youtu.be/nUNav9OPhcU.

Fonte: Agência FAPESP