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terça-feira, 30 de junho de 2026

SB64, em Bonn: Mais um evento da agenda global do clima a acabar em frustração?



Retornei recentemente de mais uma agenda em Bonn, a bela e histórica "Cidade Federal" da Alemanha, localizada às margens do Rio Reno. 

Entre os dias 08 e 13 de junho de 2026, representei o ICLEI - Local Governments for Sustainability (organização que reúne mais de 2.500 cidades e regiões em todo o mundo), em três eventos importantes realizados em Bonn: 



Membros do GexCom do ICLEI (2025).

SB64 - DIÁLOGOS DE BONN

Bonn foi a capital da Alemanha no pós-guerra, de 1949 até 1999, quando a capital retornou para Berlin, após a reunificação alemã. Mas, a cidade manteve o status de "Capital Federal" e permaneceu relevante no cenário diplomático, sediando vários organismos internacionais, principalmente organizações da estrutura da ONU. Assim, Bonn tornou-se o ponto focal da diplomacia climática global, uma vez que sedia a Secretaria Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - UNFCCC e, portanto, a cidade recebe muitas reuniões técnicas e diplomáticas relevantes para a agenda climática. 

A 64ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), ou SB64, é uma reunião promovida regularmente (sempre no meio do ano) pelos chamados Órgãos Subsidiários, sendo eles: Subsidiary Body for Scientific and Technological Advice - SBSTA (Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico) e o Subsidiary Body for Implementação - SBI (Órgão Subsidiário para a Implementação). Ambas estruturas subsidiam as atividades da Secretaria Executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas - UNFCCC, organização com sede em Bonn e que é responsável pela condução da agenda climática sob a responsabilidade da ONU.

Os chamados "Diálogos de Bonn" dão prosseguimento aos entendimentos das COPs anteriores e buscam estruturar temas para acordos e documentos a serem aprovados na COP seguinte. Oficialmente, os diálogos da SB64 tiveram dezenove tópicos para discussão, mas o objetivo principal foi dar continuidade e buscar acordos para os temas debatidos na COP30, de Belém (PA), sob a presidência brasileira, e estruturar documentos que façam parte da agenda da COP31. Representantes das cidades e a sociedade civil mantiveram entre as suas prioridades a cobrança por avanços dos temas relacionados ao financiamento, à adaptação climática, à transição energética e outros temas que têm sido sistematicamente bloqueados pelos lobbies que atuam nos bastidores diplomáticos da agenda do clima.

MAIS UM EVENTO DA AGENDA CLIMÁTICA OFICIAL QUE ACABA EM FRUSTRAÇÃO, MAS COM ALGUNS AVANÇOS 

A grande dificuldade de produzir acordos no âmbito da UNFCCC é a necessidade de alcançar consensos dentre todos os países signatários da convenção para que as decisões sejam formalizadas. É um enorme desafio construir consensos entre países com realidades tão desiguais (exemplo: grandes potências econômicas x pequenas nações insulares) e com interesses tão distintos (exemplo: países industrializados precocemente e com mais responsabilidade nas emissões históricas de Gases do Efeito Estufa e países em desenvolvimento). A necessidade de consenso também facilita o trabalho dos lobistas do petróleo e dos inimigos da descarbonização.

A SB64 concluiu os seus trabalhos no dia 18 de junho. Mais uma vez, observadores da sociedade civil, muitos representantes governamentais e especialistas acadêmicos manifestaram frustração e preocupação com os resultados alcançados na rodada de Bonn (SB64), que indicam tendências de impasses persistentes para próxima COP. 

Como estive em Bonn apenas na primeira semana e participei agendas também de outros eventos, utilizarei informações disponíveis em alguns sites especializados de reconhecida qualidade de informação e idoneidade, organizados principalmente por organizações da sociedade civil que acompanham de perto os debates. 

Dentre as principais críticas dos observadores sobre os resultados (ou falta de resultados) dos Diálogos de Bonn, são destaques:

Discurso x ação: Segundo o Climate Action Network International (CAN), os impasses que persistiram em Bonn comprovam a crescente lacuna existente entre a retórica de implementação e as entregas efetivas. Segundo a CAN, em vez de marcar a transição entre o compromisso com a implementação, o que se viu foi uma estratégia de negociação que valoriza a linguagem da implementação, mas sempre recua para argumentos procedimentais quando chegava-se à necessidade de tomada de decisão. Durante as duas semanas de discussões, governos afirmavam a importância da adaptação, transição justa, resiliência e o apoio às comunidades mais vulneráveis e que já sofrem os efeitos da crise climática. O tema de uma transição centrada nas pessoas (people-centred) se tornou o conceito dominante.

Quando o debate chegava às finanças a conversa sempre retrocedia para medidas de obstrução ou protelatórias, como pedidos de revisões, questionamentos sobre "tecnicidades", solicitações de termos de referência e debates procedimentais. Para o CAN, "o debate passou a ser não mais sobre a necessidade de ação, mas sobre quem tem o poder e os meios para viabilizar a implementação".

Financiamento: o primeiro grande impasse foi no tema sempre mais sensível: quem paga, quanto paga e como paga. Este é o principal entrave para que se avance nas medidas de mitigação e adaptação climática. As expectativas de triplicar o financiamento do financiamento foi bloqueado pelos países mais ricos já no primeiro dia. Os debates e a decisão foram mais uma vez empurrados para frente e devem ser retomado na COP31.

Adaptação: As negociações de adaptação em Bonn terminaram com um balanço preocupante, especialmente pela falta de acordo sobre a Meta Global de Adaptação (GGA, em inglês). O tema foi encerrado sob a Regra 16 (Rule 16), o que significa que as Partes não chegaram a um consenso e que a discussão será retomada apenas na COP31, em novembro, na Turquia. Na prática, isso adia decisões importantes para a implementação, principalmente em um ano de El Niño. Com as previsões de que o fenômeno se desenvolva com força entre o fim do próximo semestre e início de 2027, os impactos da crise climática podem ser acentuados e sentidos de forma desigual pelas populações vulnerabilizadas. (Política por Inteiro)

Transição justa: Neste tema tivemos avanços. Segundo o Política por Inteiro, "no Programa de Trabalho sobre a Transição Justa (JTWP, na sigla em inglês), o principal resultado foi menos relacionado ao conteúdo substantivo e mais à arquitetura institucional que definirá o futuro do processo. Os negociadores concordaram com os termos de referência para uma revisão formal do programa, que ocorrerá na Turquia, durante a COP31 e que servirá de base para sua decisão quanto à continuidade. A revisão avaliará a efetividade do programa desde sua criação, a utilidade de seus produtos para Partes e atores não estatais, a qualidade de seus formatos de trabalho e possíveis melhorias para aumentar sua relevância e impacto".

Mapa do Caminho para longe dos Fósseis: O Mapa do Caminho da Presidência brasileira da COP30 para o Abandono Gradual dos Combustíveis Fósseis (“TAFF Roadmap”, como é conhecido em inglês) consolidou-se como uma das principais iniciativas políticas para operacionalizar o chamado do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris (Global Stocktake) para a transição para longe dos combustíveis fósseis. Segundo a Presidência, o ambiente político em Bonn foi significativamente mais favorável do que em Belém, refletindo uma crescente percepção de que o TAFF Roadmap funcionará como uma ferramenta de implementação, e não como uma tentativa de reabrir negociações já concluídas.

O processo já recebeu mais de 100 contribuições de governos, demonstrando, segundo a Presidência da COP30, um interesse crescente em moldar o conteúdo do roteiro e manter o debate sobre sua implementação vivo. Apesar desse avanço, permanecem desafios políticos importantes. O apoio ao TAFF Roadmap é claramente desigual entre os grupos negociadores. Enquanto alguns países desenvolvidos e membros do Environmental Integrity Group1 (Grupo de Integridade Ambiental) demonstraram apoio explícito, grupos como o African Group of Negotiators (Grupo Africano de Negociadores), o Grupo Árabe e os Like-Minded Developing Countries2 (Países em Desenvolvimento de Pensamento Similar) ainda não sinalizaram alinhamento claro. Em proposições paralelas, representantes africanos buscaram inclusive reforçar a dimensão de equidade do debate por meio da ideia de um “Equitable TAFF Roadmap”, indicando que questões de diferenciação e justiça distributiva continuarão centrais para ampliar o apoio político ao processo (Política por Inteiro).

CONJUNTURA GLOBAL

A conjuntura atual é de grande instabilidade e pouco favorável ao avanço das negociações internacionais da agenda climática. Diante das tensões geopolíticas, causadas principalmente pela posição do governo dos EUA, acontecem retrocessos no multilateralismo, com consequências para o enfraquecimento da ONU e suas organizações. 

Além disso, cabe destaque aos seguintes aspectos:

Guerra do Irã: Em fevereiro de 2026, EUA e Israel deram início a um ataque contra o Irã, sob o pretexto de destruir um pretenso arsenal nuclear daquele país. Diante da agressão, o Irã fechou o Estreito de Ormuz e atacou instalações militares dor EUA nos países vizinhos. A crise causada pela guerra e pela impossibilidade de escoamento do petróleo e seus derivados a partir do Estreito de Ormuz, causou uma crise de abastecimento energético global e alta do preço do petróleo. A guerra aumenta o debate e a pressão pela descarbonização da economia e por uma transição energética global que nos afaste da dependência do petróleo ("phase out" do petróleo). 

Também cabe aqui fazer alguns alertas. Uma análise feita pelo Climate and Community Institute e divulgada pelo The Guardian, apontou que somente os primeiros 14 dias da Guerra contra o Irã produziu uma emissão de 5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (tCO2e). Relatório da ONU denunciou que os gastos militares bateram um novo recorde mundial no ano passado chegando a US$ 2,7 trilhões. Mais de 100 países, de todas as regiões do planeta, aumentaram os orçamentos de defesa levando a corrida armamentista a um patamar jamais visto. Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, "gastos militares excessivos não garantem a paz" e podem, inclusive, prejudicá-la, “alimentando corridas armamentistas, aprofundando desconfianças e desviando recursos das verdadeiras bases da estabilidade”. Segundo o relatório, apenas 4% desse gasto já seria suficiente para acabar com a fome no mundo e 10% acabariam com a pobreza extrema. (Saiba mais aqui). Também é fato que o aumento dos gastos militares desviam recursos que antes tinham prioridade para a agenda climática e outros temas ambientais.

Ondas de Calor na Europa causa mortes: Logo após a SB64, de 20 a 28 de junho, aconteceu a Semana de Ação Climática de Londres (London Action Climate Week 2026), quando cerca de 75 mil pessoas, dentre elas muitas das principais lideranças climáticas, dentre gestores públicos, representantes da sociedade civil, empresários, reuniram-se novamente para debater a transição para o "Net Zero" e indicar caminhos para as negociações na COP31. 

Fonte: Earth.org

Os dois eventos ocorreram quando vimos a Europa enfrentar mais uma grave onda de calor, que segundo a Organização Mundial da Saúde - OMS, já causou mais de 1.300 mortes - sendo mais de 1.000 só na França, somente na semana do dia 21 de junho, com causas "associadas às altas temperaturas na Europa". A atual onda de calor já é considerada a mais intensa na história da Europa e seria a consequência do que os meteorologistas chamam de Bloqueio Ômega, um padrão atmosférico  que mantém a massa de ar quente estagnada sobre uma mesma região, impedindo a chegada das frentes frias. Nos últimos dias, o nível de calor bateu recordes em várias partes da Europa (fonte: G1):
  • Na França, os termômetros ultrapassaram os 40°C em diferentes regiões ao longo da semana. 
  • Na Alemanha, a temperatura chegou a 41,5°C no sábado, a maior já medida no país. O serviço meteorológico alemão ainda alertou que os termômetros poderiam se aproximar dos 42°C. 
  • Na República Tcheca, a temperatura chegou a 40,8°C ao norte de Praga, com previsão de ultrapassar os 41°C neste domingo. 
  • Em Basileia, na Suíça, os termômetros marcaram 39°C, estabelecendo pelo terceiro dia seguido um novo recorde para o mês de junho. 
  • Já a Dinamarca registrou 37°C, a maior temperatura desde o início das medições no país.
Fonte: Earth.org, com dados do World Weather Attribution (WWA).

Alguns relatos afirmam que foram registrados quase 59°C no pavimento das ruas. Devido ao calor, escolas fecharam, transporte ferroviário foi paralisado por medo de dilatação dos trilhos. 

A OMS afirmou que cerca de 150 milhões de pessoas vivem atualmente sob condições de calor extremo, que já pressionam os sistemas de saúde, afetam a infraestrutura e sobrecarregam as redes elétricas em diferentes países. Cerca de 489 mil pessoas morrem todos os anos em decorrência de problemas de saúde associados ao calor extremo. Desse total, 45% das mortes ocorrem no Sudeste Asiático e 36% na Europa, evidenciando que o calor já é uma das ameaças climáticas mais letais do mundo (fonte: OMS, in Política por Inteiro). Eventos da Semana do Clima de Londres chegaram a ser cancelados devido ao excesso de calor!

Uma Copa sob a marca das Mudanças Climáticas: A Copa do Mundo de Futebol em curso, que se realiza no México, EUA e Canadá, já é considerada a mais quente da história. Portanto, foram estabelecidas regras relacionadas às previsões de ondas de calor e a possibilidade de como tempestades, granizo e outros eventos climáticos extremos que seriam potencializados pela ocorrência do Super El Niño. Diante disso, foram estabelecidas novas regras como a Pausa para Hidratação dos atletas em cada tempo do jogo e, para jogos nos EUA, haverá a suspenção dos jogos a qualquer momento, sempre que houver ocorrência de raios a uma determinada distância dos estádios. Interessante a regra estabelecida justamente no país com o governo mais negacionista climático do planeta.

Negacionismo climático do Governo Trump: A CEO da COP30, Ana Toni, comentou em entrevista à GloboNews que os EUA acabam de lançar um plano de resiliência climática, que curiosamente não se refere uma vez sequer à emergência climática. Portanto, mantendo a atitude negacionista mesmo diante de todos os alertas da Ciência, como nos documentos emitidos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas - IPCC, o relatório do governo Trump tenta convencer da normalidade dos fenômenos climáticos observados em todo o mundo.

O QUE TEREMOS PELA FRENTE?

Duplo comando na COP31: A COP31 tem um grave complicador que vem atrapalhando o avanço dos debates além do normal: a conferência será liderada pela Turquia, que sediará o evento (Antalya), e a Austrália que terá a presidência da conferência, comandando as negociações. O duplo comando foi o resultado da falta de entendimento entre os países membros da UNFCCC e, obviamente, será um desafio a mais para a próxima COP. 

Novas formas para buscas de consenso: O embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em entrevista para a Sumaúma, usou duas frases importantes: “Nós somos muito mais livres para implementar do que para negociar” e "A negociação exige consenso, a implementação, não”. 

Não é possível que o mundo fique refém da ação dos lobbies, de interesses mesquinhos e da busca obrigatória de consensos. É preciso reunir e trabalhar com os "convertidos" e agentes desejosos de ver as ações implementadas imediatamente, formando coalisões de forças com compromissos com a segurança climática global. 

Com base nesse sentimento, há um movimento para o fortalecimento de fóruns de discussão alternativos ou complementares aos espaços formais da UNFCCC, onde pode-se avançar sem estar atrelado às regras de obrigatoriedade de consenso. Entre 24 e 29 de abril de 2026, realizou-se a I Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, em Santa Marta, na Colômbia (Conferência de Santa Marta), um encontro voluntário e paralelo à agenda oficial da ONU, realizada pela primeira vez, com o objetivo de avançar na transição para longe do petróleo, do carvão e do gás. A realização do encontro foi decidida durante a COP30, quando houve lamentavelmente um bem-sucedido movimento lobista contra qualquer decisão ou até menção nos documentos finais sobre o tema da descarbonização.

O nível de apoio da Conferência de Santa Marta, realizada com o apoio do governo da Colômbia e da Holanda, surpreendeu com a presença de 57 países (1/3 da economia mundial). Um encontro preparatório reuniu cerca de 400 especialistas acadêmicos para gerar argumentação para o resultado do encontro. Também foi dada especial atenção à participação de povos indígenas e representações da sociedade civil. (Saiba mais em Carbon Brief).

O fórum de Santa Bárbara é um exemplo do que se está chamando de 'Multilateralismo Climático de Dois Níveis", uma ideia que permaneceu como legado da COP30. Significa que, diante das dificuldades nas instâncias formais de se construir acordos multilaterais, propõe-se o caminho que de "um lado, permanece o eixo formal das negociações da UNFCCC, responsável por garantir legitimidade, universalidade e direção normativa. De outro, ganha força um eixo voltado à implementação, baseado na mobilização de governos, instituições financeiras, sociedade civil, setor privado, especialistas e atores subnacionais capazes de acelerar a execução das metas climáticas", como explica a Plataforma Cipó.

Foco estratégico no metano: O metano é 80 vezes mais potente do que o CO2 e permanece na atmosfera por apenas 10 ou 15 anos, ou seja, bem menos do que o CO2. Como declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres, "Cortar o metano é o freio mais rápido que podemos ter para o aquecimento do planeta". Por isso, há uma mobilização para a priorização às ações de mitigação das emissões de metano, que pode ter grande efetividade e onde não há um lobby contrário tão poderoso como no caso do petróleo. Ou seja, avançamos no metano, enquanto enfrentamos as resistências contra o phase out do petróleo.

Cidades ganharão relevância: Em março de 2027, o IPCC lançará o novo relatório, dessa vez tendo como o tema "Cidades e Clima" (Special Report on Climate and Cities). O foco estará nos impactos urbanos e nos esforços de adaptação climática em curso nas cidades. Espera-se que o relatório fortaleça o reconhecimento da importância das ações locais e a necessidade de avanços nas políticas climáticas multinível.

Axel Grael
Doutorando PPGAU/UFF
Membro do GexCom/ICLEI


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Texto produzido com observações e conclusões pessoais, bem como com informações de:


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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Bora de Bike é sucesso e lota ruas de Niterói em prol da mobilidade ativa

 

Onde está Wally? Foto de Luciana Carceiro.

Participei no último domingo do evento "Bora de Bike", iniciativa da Record Rio, em parceria com a Associação de Ciclistas do Rio de Janeiro (ACERJ). A pedalada contou com patrocínio da Prefeitura de Niterói, por meio do Niterói de Bicicleta, além do apoio de diversos órgãos municipais. Ao todo, foram aproximadamente 10 mil pessoas, entre famílias, grupos de amigos e amantes do ciclismo de diferentes cidades da região metropolitana, como São Gonçalo, Maricá e diversos bairros do Rio de Janeiro.

A iniciativa reforça o crescimento da cultura da bicicleta em Niterói, cidade que se consolidou como referência em mobilidade urbana sustentável. O município possui uma das maiores malhas cicloviárias do estado do Rio de Janeiro, com mais de 90 quilômetros de infraestrutura cicloviária implantada, entre ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas.


sábado, 23 de maio de 2026

Prioridade para o turismo: Niterói recebeu 1,5 milhão de visitantes em 2025

Niterói tem vocação para o turismo, atividade que tem potencial para ser uma das alavancas da economia da cidade, mas nunca havia sido dada a devida prioridade.

No que se refere ao turismo, ao contrário do que alguns pensam, ter a cidade do Rio de Janeiro como vizinho é uma grande oportunidade para Niterói e não um problema. O Rio de Janeiro continua a ser líder em turismo no país e bateu o recorde de visitantes em 2025. A cidade recebeu 12,5 milhões de turistas, sendo 10,5 milhões (83,1%), de visitantes nacionais e 2,1 milhões (16,9%) de estrangeiros. Apesar de representarem a menor parcela, os turistas internacionais cresceram 44,8% no ano passado. O impacto do turismo na economia da cidade do Rio foi de R$ 27,2 bilhões (saiba mais aqui), gerando R$ 10,6 bilhões em gastos diretos, 198 mil empregos e R$ 6 bilhões em remuneração.

Como podemos ver na matéria abaixo, o turismo em Niterói está crescendo, mas ainda representa 12%) do contingente de visitantes que chega à cidade vizinha. Não é pouco - é proporcional à diferença de porte entre as cidades - mas pode ser muito mais. Isso mostra o grande potencial de crescimento da atividade em Niterói, caso a cidade adote as políticas corretas.

Na minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024), orientei a Niterói Empresa de Lazer e Turismo - Neltur a continuar fazendo o seu bom trabalho na promoção de grandes eventos (Carnaval, Reveillon etc.), mas priorizar a vocação de Niterói e colocar a cidade como um destino turístico rentável e promotor do desenvolvimento local.

Para permitir isso, investimos na infraestrutura e em estratégias para promover o turismo, com as seguintes iniciativas:

Infraestrutura verde:
  • Desapropriação dos imóveis e criação do Parque Natural Municipal do Morro do Morcego Dora Negreiros, com o objetivo de proteger os recursos naturais e paisagísticos do locais, além de permitir a maior qualificação do produto turístico de visitação dos fortes de Jurujuba.
  • Criação, em 2014, do Programa Niterói Mais Verde, com a criação do Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT, que elevou a área protegida da cidade a 57% do território da cidade. Com o PARNIT foi criado também a APA dos Morros da Guanabara, com mais de 500 hectares de áreas verdes protegidas na Região Norte da cidade.
  • Implantação de trilhas e apoio ao turismo ecológico. 
  • Implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP, que conta com o sistema de jardins filtrantes, o maior investimento na America Latina em Soluções Baseadas na Natureza. O POP conta também com o Centro Ecocultural Sueli Pontes. 
  • Reforma da infraestrutura do Parque da Cidade, o segundo lugar mais visitado na cidade após o MAC.
  • Criação dos parques de Pendotiba, da Floresta do Baldeador, Águas Escondidas, alem do Morro do Morcego já citado
  • Ampliação e requalificação da arborização urbana
  • Reflorestamento de encostas
  • Duplicação das areas ajardinadas da cidade.
Infraestrutura urbana:
  • Requalificação do Centro de Niterói, com a reurbanização da Avenida Visconde do Rio Branco, da Praça Arariboia e da Avenida Amaral Peixoto.
  • Melhoria na infraestrutura viária da Região Oceânica
  • Obras de melhoria dos acessos à Fortaleza de Santa Cruz e revitalização do Canto de Itaipu, ambos investimentos de grande importância para o turismo
  • Quase 100 km de ciclovias, bicicletários e bicicletas compartilhadas gratuitas (Nit Bike)
  • Requalificação urbana da região de São Domingos e Gragoatá
  • Solução dos principais problemas de drenagem da cidade.
  • A cidade se aproxima da universalização do saneamento e é considerada uma das cidades mais limpas do país (2° lugar no índice ISLU).
Infraestrutura para eventos:
  • Construção da Arena Niterói, no Centro de Niterói 
  • Reforma do Complexo de Atletismo Aída dos Santos (UFF) e a implantação da infraestrutura esportiva na Concha Acústica. 
  • Niterói trabalha para viabilizar o seu Centro de Convenções 
  • Implantação da pista de Downhill no Parque da Cidade
  • Apoio a eventos nacionais e internacionais para esportes de praia, vela, canoagem Va'a, surf etc.
Patrimônio histórico e cultural:
  • Restauração e abertura da Ilha da Boa Viagem, 
  • Restauração do Cinema Icaraí que será entregue à população como centro cultural Cine Concerto Sérgio Mendes.
  • Restauração da Casa Norival de Freitas.
  • Desapropriação e reforma do prédio da Cantareira, que seráum Distrito de Inovação, 
  • Reabertura do Mercado Municipal após décadas fechado.
  • Reforma de casarão histórico na Alameda São Boaventura e abertura do Centro Cultural Cauby Peixoto, primeiro da Zona Norte. 
Além da infraestrutura, a NELTUR tem feito um grande esforço de divulgação da cidade em eventos nacionais e internacionais do trade turístico e tem estruturado programas de turismo de avistagem de cetáceos, cicloturismo, turismo náutico e outros.

Há uma crescente atração de grandes eventos culturais e esportivos na cidade, além de congressos cientificos e acadêmicos. Em 2024, firmamos acordo com a Fira Barcelona, para trazer para Niterói a Tomorrow Blue Economy, a maior feira da economia azul no mundo. O evento já irá para a sua terceira edição.

Juntamente com o turismo de negócios - ligado à indústria naval, ao setor de saúde, comércio etc. - essas atividades têm feito crescer muito a demanda por mais hotelaria. Como prefeito, abrimos diálogos importantes com o setor, no Brasil e exterior, para atrair investimentos para a cidade.

Que Niterói siga avançando, potencializando as suas vocações para o desenvolvimento econômico e social, criando oportunidades para mais empregos qualificados e melhoria da qualidade de vida.

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)


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Turismo em alta: Niterói recebeu 1,5 milhão de visitantes em 2025; veja locais mais procurados

Demildes Freitas veio do Piauí e ficou hospedada na casa da irmã, em São Gonçalo — Foto: Divulgação/Luciana Carneiro

Viagens de lazer representam maior parte do crescimento de 20%, e um em cada quatro turistas é estrangeiro, diz prefeitura

Por Felipe Gelani

Niterói recebeu cerca de 1,5 milhão de turistas em 2025, segundo dados do Observatório de Turismo da prefeitura. O crescimento de 20% em relação ao ano anterior foi puxado principalmente pelo turismo de lazer, responsável por 79,13% dos atendimentos realizados nos Centros de Atendimento ao Turista (CATs), e pela presença cada vez maior de estrangeiros, que já representam 28,20% do público atendido na cidade.

O perfil dos visitantes mostra predominância de moradores do próprio estado, principalmente da capital, de São Gonçalo, de Maricá e de Itaboraí. Entre os nacionais, São Paulo lidera o ranking (34,59%), seguido por Minas (11,66%) e Rio Grande do Sul (7,56%). Bahia e Paraná vêm atrás. Já no turismo internacional, Argentina (25,63%), França (11,67%) e Estados Unidos (8%) lideram.

A percepção positiva da cidade aparece também nos relatos de quem inclui Niterói no roteiro, mesmo estando hospedado no Rio. A advogada colombiana Natalia Bueno afirmou ter se surpreendido.

— Vim conhecer Niterói hoje, antes de seguir para Paraty. Achei uma cidade amigável e agradável. Antes da viagem, eu não tinha muitas informações sobre ela. Falta um pouco mais de divulgação, porque Niterói é linda. Quero voltar da próxima vez — comentou.

Mais tranquilidade

Os estudantes belgas Lalo Istat e Henri Mouligneaux conheceram Niterói depois de encontrar um roteiro de passeio no TikTok enquanto viajavam pelo Rio de Janeiro. Durante uma visita ao MAC, Istat destacou a tranquilidade no município.

— Chegamos ao Rio há três dias. Aqui tenho uma sensação maior de segurança — acrescentou.

Já a aposentada Demildes Freitas, piauiense de Teresina que se hospedou na casa da irmã, Edenilze, em São Gonçalo, achou a paisagem de Niterói “deslumbrante”.

A colombiana Natalia Bueno visitou Niterói pela primeira vez — Foto: Felipe Gelani

—Como diz a música, “no Rio tudo é lindo por natureza” — brincou.

Segundo a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur), o bom momento do turismo na cidade está ligado a uma combinação de investimentos públicos, calendário de eventos e valorização de espaços urbanos e culturais. O eixo formado por Caminho Niemeyer, Mercado Municipal e MAC concentra mais de 70% dos atendimentos turísticos, com destaque para o primeiro, responsável sozinho por 36,67% do total.

Nos últimos anos, a cidade também passou a apostar em eventos esportivos e culturais para ampliar o fluxo de visitantes ao longo do ano. Entre os destaques estão competições internacionais, como Itacoatiara Big Wave e campeonatos de canoa havaiana, e eventos como Mercocidades, que reuniu delegações de vários países latino-americanos.

O presidente da Neltur, André Bento, afirma que Niterói deixou de ser apenas um passeio complementar para quem visita o Rio de Janeiro.

— A cidade passou a ser uma escolha no roteiro. Existe uma política estruturada para impulsionar o turismo como vetor econômico, com promoção do destino, calendário de eventos e qualificação dos espaços — diz.

O prefeito Rodrigo Neves destaca que o município vem investindo na revitalização de áreas turísticas, na preservação ambiental e na criação de novos equipamentos:

— Niterói vem se consolidando como destino turístico a partir de investimentos e planejamento. Avançamos na revitalização do Centro e na valorização do patrimônio histórico e seguimos ampliando a infraestrutura cultural e de eventos da cidade.

Mercado de casamentos

Especialista no mercado de casamentos e convicta de que o segmento tem potencial para movimentar uma ampla cadeia produtiva na cidade, a advogada Dilma Resende foi uma das organizadoras do congresso Destination Wedding Niterói 2026, realizado em abril. Segundo ela, noivos de fora impulsionam setores como hotelaria, gastronomia, fotografia, moda e turismo, e Niterói reúne cenários capazes de atraí-los, como a Igrejinha da Boa Viagem, o entorno do MAC e espaços históricos:

— O Rio é fortíssimo em se apresentar como destino de casamento. Quando percebi esse cenário, olhei para Niterói e pensei: “Estamos em um lugar mágico. Falta divulgação”. Mas isso está mudando.

Os oito locais mais visitados

Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Parque da Cidade
Caminho Niemeyer
Fortaleza de Santa Cruz da Barra
Ilha da Boa Viagem
Parque Histórico Monte Bastione
Museu Popular Janete Costa
Solar do Jambeiro


Fonte: Globo Niterói




terça-feira, 25 de novembro de 2025

4ª EDIÇÃO DA RIO WOMEN’S CUP ACIRRA DISPUTA PELA LIDERANÇA DO RANKING FEMININO DA CLASSE SNIPE NO RIO DE JANEIRO

 


Fotos da edição do evento do ano passado.

Nos dias 29 e 30 de novembro, o Iate Clube do Rio de Janeiro será sede da quarta edição da Rio Women’s Cup, campeonato da classe Snipe exclusivamente feminino. Criada em 2022 com o objetivo de estimular a presença feminina numa das classes mais tradicionais da vela, a competição deste ano será fundamental para definir a velejadora que vai ocupar o primeiro lugar do ranking carioca. 

“O ranking da classe premia a assiduidade e também o desempenho nas regatas. Esse ano, pela primeira vez, duas mulheres disputam a liderança, e isso é resultado dos esforços para trazer mais mulheres para a classe”, afirma Roberto Adler, velejador responsável pelo ranking e um dos criadores da Rio Women’s Cup. Uma das velejadoras que disputa a liderança do ranking deste ano é Sophia Osthoff, de apenas 16 anos. Sophia acredita que ter duas mulheres disputando a liderança do ranking mostra o alto nível técnico das atletas e o quanto o campo competitivo está se renovando.

“Esse momento representa a força e a qualidade das duplas que têm surgido nos últimos anos, além de reforçar que a classe está cada vez mais diversa e aberta para novos perfis de velejadores. É um sinal da evolução natural do esporte e, sem dúvida, algo que inspira mais pessoas a se envolverem e competirem na classe Snipe”, reforça Sophia.

O Snipe é um barco para duas pessoas: o proeiro cuida da vela menor (buja) e realiza regulagens na parte da frente da embarcação e o timoneiro cuida da vela grande, e é o responsável pelo leme, definindo a direção do barco e as manobras. “Quando eu comecei a velejar de Snipe, em 2017, éramos somente duas velejadoras presentes nas regatas da classe, e velejávamos como proeiras. Depois que participei do mundial feminino de Snipe em 2021, como timoneira, decidi comprar meu barco. Tenho visto outras mulheres comprando Snipes e velejando como timoneiras e isso é fruto dos eventos femininos da classe pelo Brasil e pelo mundo”, explica Michelle Chevrand, criadora da Rio Women’s Cup. 

Somente este ano, aconteceram o Troféu Marina Prada, em São Paulo; o Troféu da Vela Feminina, em Brasília; o Mundial Feminino de Snipe, no Japão; e o Hemisphere Cup, em Miami, uma regata que reuniu velejadoras do continente americano e Japão e que será realizada no Brasil no ano que vem. 

A Rio Women’s Cup se consolidou no calendário carioca e algumas das velejadoras participaram de todas as edições até agora. É o caso da Renata Pellicano Grael. Esse ano, ela comprou com a irmã, Marcia MacDonald, um Snipe, batizado de "Pelli". “É muito bom ver que a participação de mulheres nas regatas de Snipe tem aumentado e com alto nível técnico. Eventos exclusivamente femininos ajudam a trazer cada vez mais meninas. E nas regatas abertas, muitas duplas mistas também ajudam a elevar o nível das mulheres”, reforça Renata. 

A programação do evento inclui atividades que vão além das regatas, uma forma de gerar integração entre as competidoras e proporcionar encontros para futuras parcerias. No sábado, as velejadoras poderão relaxar depois das regatas na tenda de massagem, pelas mãos da fisioterapeuta Liliana Azevedo, que já cuidou da dupla de ouro Martine Grael e Kahena Kunze. No domingo, após as regatas, acontece a cerimônia de premiação regada a pizza, e serão sorteados brindes. A edição deste ano tem o patrocínio exclusivo da OceanPact.

Fonte: Divulgação



quinta-feira, 20 de novembro de 2025

VAMOS DEBATER OS RESULTADOS DA COP30 E OS PRÓXIMOS PASSOS?

 


A convite do magnífico reitor da Universidade Federal Fluminense - UFF, professor doutor Antonio Claudio Lucas da Nóbrega, farei uma conferência sobre "COP30: Resultados e Próximos Passos no Enfrentamento da Emergência Climática". 

Será no auditório do NAB/UFF, dia 28/11, às 14:00.

TRAJETÓRIA PESSOAL

Movimento ambientalista e terceiro setor: Militância ambientalista iniciada em 1980, com a criação do Movimento de Resistência Ecológica - MORE, organização pioneira do ambientalismo de Niterói e do RJ. Dentre as principais conquistas e atuações destacam-se a campanha contra a poluição da Baía de Guanabara, a luta pelo saneamento de Niterói, a criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca - PESET e a recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu. 

Carreira: Engenheiro florestal formado pela UFRRJ (1977-1983), com 42 anos de carreira, tendo atuado na Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado e Caatinga. Trabalhei com projetos de restauração de áreas mineradas e outros projetos ambientais. É servidor público de carreira da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima - SMAC, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro. 

Dentre as principais funções públicas exercidas, destacam-se:
  • Presidente do Instituto Estadual de Floresta - IEF/RJ (1991-1994)
  • Duas vezes presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA (1999-2000 e 2007-2008)
  • Subsecretário da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável-SEMADS (2008-2009)
  • Vice-prefeito de Niterói (2013-2016) e 
  • PREFEITO DE NITERÓI (2021-2024).
Niterói: Como prefeito de Niterói, criou a primeira secretaria municipal para o Clima no país e fomos pioneiros nas políticas de mitigação e adaptação climática local no país. Em 10 anos, Niterói investiu mais de R$ 1,5 bilhão em adaptação climática, com obras de contenção de encostas (R$ 1 bilhão) e drenagem (R$ 500 milhões). Implantou o Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP) que conta com o maior investimento no país em drenagem sustentável e Soluções Baseadas na Natureza - SBN. Em 2024, Niterói desenvolveu o seu Plano Municipal de Adaptação, Mitigação e Resiliência Climática (Plano de Ação Climática), com 30 metas em três eixos: (1) Desenvolvimento Urbano Sustentável; (2) Resiliência e Qualidade de Vida e (3) Engajamento e Inovação. Comprometeu-se ainda com metas de redução de emissões líquidas de CO2e da seguinte forma: 34% até 2030; 40% até 2040 e 100% até 2050. Por todos estes motivos, a cidade é considerada uma referência de sustentabilidade urbana e de política climática local.

Liderança: Exerceu a vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos - FNP, onde atuou na temática climática, presidindo também a Comissão Permanente da FNP de Cidades Atingidas por Desastres Climáticos.

Clima: Acompanha a agenda do clima desde antes da RIO-92 e já estive presencialmente em seis COPs, sendo: 
  • COP04, Buenos Aires, Argentina, 1998; 
  • COP26, Glasgow, Escócia, 2021; 
  • COP27, Sharm el Sheyk, Egito, 2022; 
  • COP28, Dubai, EAU, 2023; 
  • COP29, Baku, Azerbaijão, 2024 e 
  • COP30, Belém, Brasil, 2025.
Integra o Comitê Executivo Global do ICLEI - Governos Locais pela Sustentabilidade, uma organização que reúne mais de 2.500 cidades no mundo e tem sede em Bonn, na Alemanha. É o responsável pelo portfólio de Mudanças Climáticas da organização. 

Estudos acadêmicos UFF: Desenvolve atualmente um doutorado no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo - PPGAU/UFF, com pesquisa em Cidades e Clima.

COP30

Participei de eventos preparatórios para a COP30, como a 62ª Sessão dos Órgãos Subsidiários da UNFCCC (SB62), realizada em junho de 2025, em Bonn, Alemanha. O evento ajudou a avançar nas negociações dos temas que estão em discussão na COP30.

Estivemos, em Belém, na primeira semana da COP30, onde apresentamos a experiência de Niterói e debatemos os principais temas do encontro e continuamos acompanhando de perto os desdobramentos da Conferência.

EVENTO 

No evento na UFF, vamos debater os resultados da COP30 e os próximos passos que virão ao longo da presidência brasileira, que se prolongará até a realização da COP31.

Vamos conversar sobre a conjuntura politica global e suas consequências para a agenda do clima, as conquistas e legados da COP30, o protagonismo das cidades e a implementação das ações de mitigação e adaptação climática. 

Nos vemos lá.

Axel Grael



domingo, 9 de novembro de 2025

Presidência da COP divulga a 9ª Carta aos países para avanços no enfrentamento da Emergência Climática


O presidente designado da COP30 (assume a presidência oficialmente nesta segunda-feira), embaixador André Corrêa do Lago, publicou nesse sábado a Nona Carta da Presidência Brasileira. Mais uma vez, seguindo o tom dos documentos anteriores, a Carta exorta os países a avançar para assumam o compromisso para a efetiva ação e que as medidas para enfrentar a Emergência Climática: 

"Esta carta trata do desafio decisivo de manter vivo o objetivo de 1,5 °C – respondendo à urgência climática por meio da aceleração da implementação e do fortalecimento da cooperação internacional", enfatiza o comunicado.

Leia a íntegra do texto, a seguir:

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Prezadas amigas, prezados amigos,

Na continuidade do nosso Mutirão Global contra a mudança do clima, a Presidência brasileira da 30ª Sessão da Conferência das Partes (COP30) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) apresenta sua nona carta à comunidade internacional. Esta carta trata do desafio decisivo de manter vivo o objetivo de 1,5 °C – respondendo à urgência climática por meio da aceleração da implementação e do fortalecimento da cooperação internacional.

Convido a comunidade internacional a enfrentar a verdade que nos aguarda em Belém. A COP30 representa um ponto de inflexão para o cumprimento do objetivo último da Convenção – o mesmo propósito que orienta o Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris. Devemos escolher: permitir que a inércia nos conduza ao colapso, ou unir-nos, com coragem e cooperação, para conduzir o mundo ao avanço.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) adverte que os riscos decorrentes da mudança do clima vão muito além do aumento na frequência e na intensidade dos eventos climáticos extremos. Cada incremento no aquecimento global eleva a probabilidade de mudanças abruptas e irreversíveis no sistema climático, inclusive aquelas desencadeadas quando pontos críticos de inflexão são alcançados. Essas transformações podem comprometer a resiliência dos sistemas sociais, econômicos e políticos, com consequências devastadoras. Em poucas palavras, desequilibrar os sistemas vitais da Terra pode precipitar um colapso sistêmico de economias, sociedades e instituições.

À beira dos pontos de inflexão: a Ciência se une ao nosso Mutirão Global

Lançado durante a Pré-COP30 (Brasília, outubro), o Relatório de 2025 sobre Pontos de Inflexão Globais confirmou que o mundo entrou em uma nova realidade. O aquecimento global caminha para ultrapassar 1,5 °C, empurrando a humanidade para uma zona de perigo na qual múltiplos pontos de inflexão podem desencadear transformações em cadeia e que se reforçam mutuamente. À medida que um sistema desestabiliza outro, o equilíbrio do qual depende a vida humana começa a se desfazer.

Os pontos de inflexão representam, portanto, uma interferência antrópica perigosa no sistema climático – exatamente o que a UNFCCC e o Acordo de Paris foram concebidos para evitar. A ciência adverte que minimizar o excedente além de 1,5 °C é essencial para evitar efeitos em cascata, mas a janela de ação está se fechando rapidamente. Cada fração de grau e cada ano além do limite de 1,5 °C fazem diferença.

A mesma ciência que nos alerta sobre os riscos também revela caminhos para a esperança. Ela mostra que é possível acionar pontos de inflexão positivos – limiares em que mudanças tecnológicas, comportamentais e sociais se aceleram em direção a um desenvolvimento de baixo carbono e resiliente. Quedas rápidas nos custos das energias renováveis já criam processos de retroalimentação positiva, impulsionando transformações mais velozes do que aquelas alcançadas por políticas públicas isoladamente. Ao conectar essas dinâmicas por meio da cooperação e da ação coletiva, a humanidade pode transformar a crise em regeneração. Entre as principais alavancas identificadas pelo Relatório sobre Pontos de Inflexão Globais estão infraestrutura pública digital, financiamento acessível para países em desenvolvimento, regeneração da natureza, instrumentos de política pública que orientam a transição energética e transições geridas pelas comunidades para enfrentar a fome, a pobreza e a desigualdade.

Pontos de inflexão positivos já começam a gerar efeitos em cascata em diferentes setores e regiões. Embora a janela de oportunidade esteja se estreitando, manter vivo objetivo de 1,5 °C ainda é possível – desde que a cooperação internacional seja direcionada para catalisar círculos virtuosos de transformação acelerada. Este é o momento de transformar o risco de pontos de inflexão planetários em oportunidade para uma guinada global.

De lacunas a alavancas: Acelerando a implementação, a solidariedade e a cooperação

Caminhos em direção a Belém ainda enfrentando grandes lacunas em ação e ambição climática global. O Relatório de Síntese das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), publicado pelo Secretariado da UNFCCC, juntamente com o Relatório de 2025 sobre a Lacuna de Adaptação e o Relatório de 2025 sobre a Lacuna de Emissões, ambos do PNUMA, revelam um cenário preocupante.

Ainda assim, apesar dos desafios crescentes, a transição climática global já se afirma como uma tendência irreversível e um motor essencial do desenvolvimento sustentável – demonstrando que o Acordo de Paris está funcionando. A tarefa adiante é acelerar a implementação para manter 1,5 °C ao nosso alcance, ao mesmo tempo em que construímos resiliência aos impactos crescentes e compartilhamos os benefícios dessa transformação de forma justa e equitativa, entre países e dentro deles.

Registro meu apreço aos países que apresentaram novas NDCs em resposta ao primeiro Balanço Global (GST) e conclamo os demais a fazê-lo até a COP30.

Coletivamente, as novas NDCs apontam para uma redução projetada inédita nas emissões até 2035. Por meio da cooperação internacional e de esforços nacionais, a humanidade está curvando a trajetória das emissões para baixo pela primeira vez na história. Mas ainda não nos movemos rápido o suficiente. Nossa direção está melhorando, mas agora enfrentamos uma verdade inegável: precisamos de mais velocidade.

Esses resultados reforçam a urgência de transformar lacunas em alavancas de progresso. O desafio que se coloca não é apenas identificar o que falta, mas mobilizar o que impulsiona – converter os déficits de ambição, financiamento e tecnologia em forças de aceleração.

A ação climática já não pode mais se limitar a uma agenda linear de descarbonização. Ela deve ser impulsionada pelo desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões – social, econômica e ambiental – rumo a uma transformação não linear, exponencial em velocidade e escala. Essa abordagem multidimensional constitui a base das três prioridades interligadas definidas pela Presidência da COP30: (1) reforçar o multilateralismo e o regime climático sob a UNFCCC; (2) conectar o regime climático à vida real das pessoas e à economia real e; (3) acelerar a implementação do Acordo de Paris.

Na COP30, manter vivo o objetivo de 1,5 °C deve, portanto, continuar sendo nossa Estrela Polar. Para alcançá-la, devemos mobilizar as cinco dimensões da ação climática – mitigação, adaptação, financiamento, tecnologia e capacitação – orientados pelo Cruzeiro do Sul, nossa bússola de cooperação e equidade. Que as estrelas se alinhem em Belém. Que os hemisférios se encontrem rumo à transformação. Norte e Sul, Leste e Oeste – uma só humanidade, um só planeta.

De soluções ilusórias a um ecossistema de soluções

A COP30 não oferecerá uma única resposta às lacunas de implementação e ambição do mundo – porque nenhuma resposta isolada é capaz de corresponder à escala e à diversidade desse desafio. Em vez disso, Belém reunirá um conjunto de respostas, entrelaçadas entre as negociações, a Agenda de Ação, a Cúpula de Líderes e uma mobilização global – todas voltadas a acelerar a implementação e fortalecer a cooperação internacional.

A implementação acelerada deve tornar-se nosso novo parâmetro de ambição diante da urgência climática. Conclamamos todos os atores a trabalharem juntos para ampliar e acelerar significativamente a ação climática em todo o mundo, em todos os setores, níveis e esferas de atuação, como parte de uma mobilização global contra a mudança do clima.

Na COP30, nossa resposta coletiva à urgência climática deve se materializar por meio da implementação acelerada, da solidariedade e da cooperação internacional. Essas ações nos darão confiança, recursos e capacidade para estabelecer metas ainda mais ambiciosas. Financiamento, tecnologia e fortalecimento de capacidades devem evoluir de instrumentos de negociação para alavancas de transformação, permitindo que os países em desenvolvimento avancem com mais rapidez e alcance. Desde a mobilização do financiamento climático até a integração da agenda climática no sistema financeiro, precisamos avançar simultaneamente na provisão de recursos e no alinhamento de fluxos financeiros rumo a um desenvolvimento de baixa emissões e resiliente ao clima. Juntamente com a Presidência da COP29, a Presidência da COP30 espera que o “Mapa do Caminho de Baku a Belém para 1,3T” sirva tanto como um caminho para liberar esse potencial como uma ponte entre ambição climática e mudança sistêmica em nossa arquitetura financeira internacional.

Em minha sexta carta, de 19 de agosto, lancei as Consultas da Presidência da COP30, antecipando discussões que de outra forma ficariam restritas às duas semanas da Conferência. Essas consultas incluíram reuniões virtuais e encontros presenciais à margem da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (Nova York, setembro) e da Pré-COP30. Senti-me honrado e inspirado pelo que ouvi. De todas as Partes, escutei um compromisso inabalável com o multilateralismo, com o Acordo de Paris e com resultados bem-sucedidos na COP30, capazes de enviar uma forte mensagem de unidade na celebração do décimo aniversário do Acordo de Paris. Todos reconhecemos que a transição climática é a tendência do nosso tempo, como observou o presidente da China, Xi Jinping. Há muito mais que nos une do que nos separa.

Também ouvi das Partes uma determinação clara de enfrentar as lacunas de implementação e ambição na COP30, por meio da aceleração da implementação e do fortalecimento da cooperação internacional, em especial nos meios de implementação – como parte dos esforços contínuos para limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C, levando em consideração as diferentes circunstâncias nacionais, trajetórias e abordagens, bem como as disposições legais, princípios e objetivos de longo prazo do Acordo de Paris.

Ouvi igualmente das Partes o quão orgulhosos estamos da arquitetura do Acordo de Paris que construímos juntos. Convido os países a chegarem à COP30 de cabeça erguida: o progresso e o legado institucional alcançados desde a adoção do Acordo de Paris na COP21 (Paris, 2015) são uma realização monumental. Com a conclusão do Livro de Regras de Paris na COP29 (Baku, 2024), a COP30 marcará a primeira conferência em que o ciclo de políticas do Acordo de Paris estará plenamente em funcionamento. NDCs, NAPs e GSTs periódicos, bem como a Estrutura Aprimorada de Transparência (ETF) – incluindo o primeiro ciclo de Relatórios Bienais de Transparência (BTRs) e a Consideração Multilateral Facilitadora do Progresso (FMCP) – não são meros processos burocráticos, mas uma demonstração inegável da sofisticação institucional do multilateralismo climático. Para além da UNFCCC, esse ciclo de políticas serve como sinal e guia para que atores e instituições se alinhem a decisões multilaterais e repositórios de recursos.

Conclamo todas as Partes a fazerem de nosso trabalho sob a agenda de negociações um verdadeiro Mutirão, capaz de transformar o ciclo de políticas do Acordo de Paris do desenho à entrega. A COP30 pode representar a maturidade do regime climático – a passagem da negociação para a implementação coordenada, ancorada na equidade, na ciência e na cooperação.

Uma Agenda de Ação Acelerada

Conectando ambição e implementação em seis eixos – de florestas, oceanos e sistemas alimentares a energia, transporte, cidades, finanças, empregos e tecnologia –, a Agenda de Ação foi concebida como uma plataforma para canalizar a cooperação e a coordenação globais em torno de pontos de inflexão positivos, guiada pelo resultado do primeiro Balanço Global (GST), acordado na COP28.

Mais do que um repositório de instrumentos, o celeiro de soluções torna-se agora um integrador de soluções. Combinadas, soluções existentes e emergentes podem tornar-se maiores do que a soma de suas partes. Ao mesmo tempo em que fortalece a transparência de iniciativas lançadas em COPs anteriores, os planos de aceleração da transição funcionarão como planos de ação para pontos de inflexão positivos – conectando iniciativas entre setores e regiões, de modo que se reforcem e multipliquem transformações, em vez de competirem por visibilidade.

Por meio dessa abordagem em rede, a COP30 encarnará a transição da governança pela negociação para a governança pela ativação – onde decisões se traduzem em implementação e compromissos evoluem em colaboração. A Agenda de Ação funcionará como um ecossistema vivo de implementação, conectando atores, recursos, mecanismos e processos a soluções concretas.

Ao longo dos dias temáticos da Agenda de Ação, a Presidência da COP30, em parceria com diversos atores, anunciará iniciativas emblemáticas voltadas a responder à urgência climática por meio da implementação acelerada e do reforço da cooperação internacional. A redução do metano e a restauração de florestas e ecossistemas representam medidas de ação rápida e de grande impacto. Elas são capazes de atuar como freios de emergência acionados pela humanidade – desacelerando o aquecimento global na década crítica que temos pela frente, mantendo 1,5 °C ao nosso alcance e protegendo os mais vulneráveis ao redor do mundo.

A COP30 também representa uma oportunidade histórica para unir as transições digital e climática em uma única transformação planetária. As tecnologias digitais podem oferecer a velocidade e a escala necessárias para acelerar o desenvolvimento de baixo carbono e resiliente ao clima em todo o mundo. A Presidência do G20 da Índia em 2023 demonstrou que uma infraestrutura pública digital (DPI) bem desenhada, ampliada pela inteligência artificial, pode viabilizar o uso de dados para acelerar o progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) por meio de uma transformação digital inclusiva. Em apenas alguns anos, o ecossistema de pagamentos digitais PIX, no Brasil, transformou profundamente a economia e a sociedade brasileiras, impulsionando a inclusão financeira, o empreendedorismo e a prosperidade de empresas e cidadãos. No enfrentamento da mudança do clima, as aplicações de DPI podem abranger desde o compartilhamento de dados em tempo real para alertas precoces e resposta a desastres, até a geração de renda para pequenos agricultores que recebam pagamentos por práticas agrícolas sustentáveis, e para famílias que comercializam a energia que produzem por meio de sistemas descentralizados. O acesso aberto a dados e a interoperabilidade podem nos permitir criar uma rede inédita de inteligência planetária, capaz de acelerar a implementação e conectá-la às pessoas.

Aproveitando a transparência radical, a modularidade, a escala e a velocidade proporcionadas pela infraestrutura pública digital (DPI), a Presidência da COP30 tem trabalhado de perto com parceiros internacionais para fortalecer instituições e construir capacidades estatais. Instituições mais robustas – especialmente nos países em desenvolvimento – são fundamentais não apenas para o desenho e a implementação dos NAPs, NDCs e BTRs, mas também para o planejamento de longo prazo, a resposta a crises e a preparação para transições integradas em toda a administração pública, a sociedade e a economia rumo ao futuro. Com o apoio da cooperação internacional, instituições nacionais sólidas de planejamento e implementação podem permitir que os países em desenvolvimento aproveitem plenamente as oportunidades da transição climática, transformando NAPs e NDCs em planos nacionais de investimento de propriedade dos países, conectados ao financiamento internacional, aos mercados de capitais e às tecnologias de ponta.

O mundo vem à Amazônia: Quando fazemos a virada juntos

A COP30 acontecerá no coração da Amazônia, um ecossistema que sustenta a vida – e que hoje se encontra à beira de um ponto de inflexão irreversível. O Relatório de 2025 sobre Pontos de Inflexão Globais adverte que a mudança do clima e o desmatamento, em conjunto, colocam a floresta amazônica sob o risco de um colapso ecológico generalizado acima de 1,5 °C e abaixo de 2 °C, com consequências capazes de devastar a biodiversidade, desestabilizar os sistemas de chuvas em toda a América do Sul e ameaçar a vida de mais de cem milhões de pessoas que dependem da floresta para sua água, alimento e cultura.

A Amazônia encarna a verdade que nos aguarda em Belém: o futuro da humanidade e a saúde do planeta são inseparáveis. A floresta não é uma fronteira distante, mas sim um centro vivo do sistema climático global, o coração pulsante dos ciclos hidrológicos e uma guardiã do equilíbrio de carbono do mundo. Se a Amazônia ultrapassar seu ponto de não retorno, o planeta lutará para recuperar o equilíbrio.

Ainda assim, há esperança nos dados mais recentes. Em 2025, o Brasil registrou o terceiro ano consecutivo de queda no desmatamento da Amazônia, alcançando a terceira menor taxa da série histórica. Desde o início do governo do Presidente Lula, o desmatamento no bioma caiu 50% em termos acumulados. O Cerrado também registrou o segundo ano consecutivo de redução do desmatamento.

À medida que os esforços para combater o desmatamento avançam, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) inaugura uma nova forma de financiar a proteção das florestas tropicais – um mecanismo baseado em resultados, que recompensará os países com florestas tropicais por cada hectare conservado, ajudando a corrigir a falha de mercado que ainda torna as florestas mais valiosas destruídas do que em pé. O Brasil comprometeu-se com 1 bilhão de dólares para o TFFF, acolhe compromissos já anunciados e convida outros países e parceiros a apresentarem contribuições igualmente ambiciosas.

Como disse o Presidente Lula, a COP30 deve ser a COP da Verdade. Em Belém, a verdade deve encontrar a transformação, e a ciência deve tornar-se solidariedade. Podemos transformar nossa luta climática do colapso ao avanço. A COP30 pode ser a COP em que mudamos o rumo da luta climática.

Vamos puxar as alavancas juntos. Vamos mover o mundo. Mudando por escolha, juntos.

André Aranha Corrêa do Lago
Presidente Designado da COP30

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sábado, 25 de outubro de 2025

Renovada na Sail GP, Martine Grael sonha com etapa do Rio em 2026: 'Estou esperando demais por esse dia'

 

Martine Grael é capitão do barco brasileiro na Sail GP — Foto: Divulgação/AT Films


Evento deste ano foi cancelado por problemas nas embarcações, mas está confirmado para abril do próximo ano.

Por Tatiana Furtado

Bicampeã olímpica na vela, no Rio e em Tóquio, Martine Grael traz no semblante a alegria pueril de quem ganhou um brinquedo novo neste ano. No caso, o “brinquedo” custa alguns milhões de dólares, tem 15 metros de comprimento, conta com a mais alta tecnologia de aerodinâmica náutica e pode chegar a 100km/h. Capitã da equipe brasileira estreante na Sail GP — considerada a Fórmula 1 dos mares —, ela tirou algumas semanas de folga no Rio antes da última etapa da temporada, no final de novembro, em Abu Dhabi.

Única mulher a liderar uma embarcação entre as 12 nações presentes na competição, Martine compartilhou a nova experiência com outros oito velejadores —incluindo o irmão Marco — e mais de 20 profissionais de outras áreas. E o saldo até aqui transparece na empolgação da atleta de 34 anos.

—Esse projeto me estimulou demais, é um espetáculo a corrida. Já são cinco anos de competição e sempre visualizei como sendo o top da vela mundial — diz Martine Grael, que será uma das personagens principais do documentário sobre o time brasileiro produzido pela Globoplay, com estreia em dezembro.

Saiba mais sobre a SailGP, modalidade radical da vela mundial com barcos que ultrapassam os 100 km/h. Martine é a primeira mulher a comandar um barco na SailGP e, mesmo na temporada de estreia, já venceu duas regatas. Em abril do ano que vem, vamos torcer por Martine e a tripulação do Mubadala Brazil SailGP Team, que representa o nosso país.

Em seu ano de estreia, ela viveu a emoção de comandar o barco na primeira vitória brasileira numa regata da competição, em Nova York — o Brasil ficou em quarto na etapa americana. Mês passado, a equipe sentiu novamente o gostinho do topo, ao vencer a regata geral de Cádiz.

Mas também teve que conviver com as dificuldades de uma embarcação extremamente tecnológica e dependente de uma comunicação afiada entre os tripulantes. Além dos percalços devido a acidentes e avarias com o barco que impediram a participação completa em duas etapas (Sassnitz, na Alemanha, e Genebra, na Suíça).

—São pequenas vitórias do time que não são exatamente de resultado mas o q conseguimos chegar na água. Há uma cultura de time muito legal. Ao entrar numa liga que já existe há tempo, precisamos saber onde queremos chegar — afirma a capitã.

Assista a primeira vitória de Martine e do Mubadala Brazil SailGP Team, em Nova York.

Os novos desafios, no entanto, deram um novo colorido à vida de uma atleta que se dedicou quase integralmente aos últimos quatro ciclos olímpicos, com presença em três Olimpíadas consecutivas — e duas medalhas de ouro na categoria 49erFX. Los Angeles-2028 já não tem o mesmo apelo, mas ela não descarta totalmente.

Recentemente, Martine se uniu novamente à parceira Kahena Kunze no Mundial da categoria, em Cagliari, na Itália. Elas terminaram em 9º lugar.

— Nós nos divertimos muito — conta Martine, acrescentando. — Não penso em 2028 agora. Minha energia está toda na Sail GP. Foram 13 anos de parceria, estávamos com pouca evolução, cometendo os mesmos erros. Precisava fazer algo diferente.

Pelo visto, Martine também não vai pensar no ciclo olímpico no próximo ano. A expectativa para a temporada 2026 é maior ainda. Finalmente, o Rio vai sediar uma etapa da Sail GP — a desse ano teve que ser cancelada por causa de problemas estruturais das embarcações. O evento já tem data marcada: 11 e 12 de abril, no Aterro do Flamengo:

—Estou esperando demais por esse dia.

Fonte: O Globo



sexta-feira, 10 de outubro de 2025

ASSUNÇÃO DO PARAGUAI CONQUISTA O DIREITO DE SEDIAR OS JOGOS PAN-AMERICANOS DE 2031



Fotos: Panam Sports.

Realizou-se, na manhã de hoje (10/10), em Santiago do Chile, a Assembleia Geral Extraordinária da Panam Sports, para a eleição da cidade que sediará a 21ª edição dos Jogos Pan-Americanos, em 2031. Eram duas candidaturas: Rio de Janeiro e Niterói (apresentaram uma proposta conjunta) x Assunção, capital paraguaia. 

Assunção venceu por uma diferença de quatro votos (28 a 24) e conquistou o direto de ser a sede do maior evento esportivo do continente americano.

Como disse Marco Antônio La Porta, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro - COB, pesou a favor de Assunção o fato de ser a primeira vez do Paraguai: "Nós usamos o mesmo argumento para conquistar o Pan 2007 e a Rio 2016". Ou seja, eles tiveram méritos e utilizaram os seus argumentos com eficiência. 

Mas, quase deu certo! Nossa candidatura era forte, mas largamos atrasados! Assunção já estava em campanha há mais de quatro anos, quando se candidatou para sediar o Pan 2027. Perderam para Lima, Peru. A cidade não esmoreceu e manteve a mobilização, buscando votos para conquistar o sonho Pan-Americano. 

Rio de Janeiro e Niterói lançaram a candidatura no início de 2025, com a iniciativa da vice-prefeita de Niterói, Isabel Swan, que tem assento na governança da Panam Sports, onde representa os atletas do continente na organização. Ela viu a oportunidade, acionou o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, que construiu a ideia de uma forte candidatura integrando as duas cidades. A proposição foi fortemente abraçada também pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. 

Como seria

Pela concepção, Niterói sediaria 20 modalidades esportivas, dentre elas, o vôlei de praia, que seria nas areias de Icaraí, numa arena temporária para 8 mil pessoas. A icônica Praia de Itacoatiara receberia o surfe. A vela ficaria na Enseada de São Francisco, palco histórico da modalidade no país. O Rio de Janeiro receberia 39 modalidades, aproveitando as instalações olímpicas e outros espaços da cidade.

Rio e Niterói apresentaram como legado dos Jogos para as duas cidades, grandes obras estruturantes como a Linha 3 do Metrô, ligando as duas cidades e, posteriormente, se estendendo até Itaboraí. O Rio também ofereceu a conversão dos BRTs (ônibus em corredores exclusivos) na Zona Oeste do Rio em VLT (bondes modernos). Niterói apresentou a obra do VLT, ligando o Terminal João Goulart até o Barreto, cujos recursos já haviam sido garantidos em 2024. 

A proposta também reacendeu uma frustrante promessa de 2007 e 2016: a despoluição da Baia de Guanabara. Dessa vez, é uma meta mais factível, considerando os investimentos em saneamento em execução atualmente, proporcionados pelos contratos de concessão dos serviços. 

Todos esses investimentos seriam legados importantes, mas cá entre nós: são metas alcançáveis mesmo sem o Pan. São indispensáveis e já estão na agenda das cidades há muitos anos. 

Bora fazer!

Nova infraestrutura esportiva viabiliza a ambição de Niterói de atrair mais eventos internacionais

Fiquei feliz que investimentos em obras de infraestrutura esportiva iniciadas nos últimos anos, principalmente na minha gestão como prefeito (2021 e 2024), permitiram que Niterói sonhasse com o Pan 2031. 

Veja aqui alguns exemplos: 

Implantação da Arena Niterói (capacidade de 2.600 pessoas), que fará parte do Parque Poliesportivo da Concha Acústica.

  • Parque Poliesportivo da Concha Acústica, que inclui a Arena Niterói que está em fase avançada de construção e permitirá receber eventos nacionais e internacionais; 
  • Complexo de Atletismo Aída dos Santos (da UFF) foi modernizado e reformado com projeto e investimento da Prefeitura. Segundo a Confederação Brasileira de Atletismo - CBAt, o equipamento de Niterói é hoje uma das melhores instalações para o esporte do país, 
  • Centro Esportivo da Zona Norte, no Barreto, que foi integrado através da municipalização das instalações do antigo ginásio do Tio Sam.

Além disso, Niterói avançou em instalações esportivas entregues nas comunidades durante a gestão, como os mais de 30 campos e quadras públicas, só na Zona Norte da cidade, construídas para oferecer iniciação esportiva, lazer e socialização nas comunidades. Com este objetivo, cabe destacar também:

  • Parques Esportivos e Sociais do Caramujo, cuja implantação foi coordenada por mim, como vice-prefeito (2013-2016)  
  • Parque Esportivo do Viradouro, entregue em 2024. 
  • Núcleo Avançado de Sustentabilidade, Cultura e Esporte - NASCE, que atua na infraestrutura implantada na Ilha do Tibau, como parte do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis - POP.
Hoje, estas atividades beneficiam cerca de 10.000 atletas e outros participantes na cidade, cabendo registrar aqui a importância do projeto Niterói Esporte nas Comunidades - NEC, que atua em muitos destes equipamentos esportivos na cidade.

Pan comprova o potencial da parceria Niterói + Rio de Janeiro

Apesar de não lograr sucesso, a candidatura Rio-Niterói serviu para mostrar, mais uma vez, o potencial da aliança das duas cidades, que guardam grande complementariedade econômica, de infraestrutura e serviços, estabelecendo-se como parceiras naturais em ações estratégicas. Vejam aqui a grande sinergia entre as duas cidades, nos exemplos a seguir: 

  • CAPITALIDADE: O Rio de Janeiro é a atual capital do estado e Niterói foi, por muitas décadas, a capital do antigo estado Rio de Janeiro, antes da Fusão;
  • DEFESA: Importância histórica das duas cidades na defesa militar da Baía de Guanabara, que sediam até hoje as mais importantes bases da Marinha do Brasil. Niterói é a sede da Esquadra da Marinha do Brasil;
  • DESPOLUIÇÃO: Liderança na despoluição da Baía de Guanabara, sendo que a Enseada de São Francisco é a mais avançada no esforço de despoluição;
  • PORTOS: As duas cidades compartilham as atividades portuárias na baía
  • OFF-SHORE: Niterói é a cidade mais importante do país na indústria naval e da logística off-shore, atividades compartilhadas com o Rio de Janeiro.
Pelos motivos aqui citados e pela localização geográfica das duas cidades - firmemente posicionadas na entrada da Baía de Guanabara, com um olhar para o horizonte, assim como para o seu cenário interno, considero a cooperação das duas cidades a parceria das "Sentinelas da Baía de Guanabara". 

Parcerias que já deram certo

Cito aqui, apenas três exemplos de parcerias de sucesso entre Rio e Niterói: 

Novos projetos comuns hão de vir pela frente se continuarmos a pensar e trabalhar em cooperação.

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Eventos promovem a cidade, geram empregos e movimentam a economia. Temos outros eventos programados e outros bons em perspectiva.

Enfim, ganhamos mais que perdemos. Niterói confirmou e deu visibilidade à sua capacidade empreendedora e se lança como protagonista para futuros eventos.

Como latino-americanos, sul-americanos e amantes do esporte, torcemos agora para que Assunção faça um excelente Pan 2031! E, por aqui, vamos aproveitar as muitas perspectivas de colaboração que Rio-Niterói têm pela frente. Quem ganha com a união de esforços é a população. 

Que venham mais parcerias!

Axel Grael