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domingo, 19 de julho de 2026

Na Copa do calor, agora a fumaça


A Copa do Mundo mais quente da história (até agora) chega ao fim, lembrando-nos de que vivemos uma época de eventos extremos mais frequentes e intensos. O estádio onde será a final entre Argentina e Espanha, em Nova Jersey (região de Nova York), foi encoberto nos últimos dias pela fumaça decorrente dos incêndios florestais no Canadá.

Segundo a empresa suíça IQAir, que monitora a qualidade do ar em tempo real, a cidade de Nova York acordou nesta sexta-feira (17) com níveis insalubres de poluição, chegando a um Índice de Qualidade do Ar de 188 (AQI, na sigla em inglês). Outras localidades nos Estados Unidos também sofrem com o evento. Detroit registrou a pior qualidade de ar do mundo nesta sexta, com um AQI 222 – mas esse índice ainda é bem melhor do que os impressionantes AQI 600 atingidos na véspera. Com valores acima de 100, o ar é considerado insalubre para grupos de risco e, acima de 150, para todos.


A World Weather Attribution, consórcio internacional de cientistas climáticos, afirmou que a maior recorrência e intensidade dos incêndios florestais devem ser atribuídas às mudanças climáticas. O aquecimento global tornou a temporada de incêndios no leste do Canadá cerca de 50% mais intensa. A falta de umidade na vegetação e o solo ressecado transformaram as florestas boreais em combustível altamente inflamável. O país enfrenta, neste momento, mais de 850 focos de incêndios florestais.

O calor extremo marcou o tom de muitos jogos desta Copa. Paraguai x França registrou uma sensação térmica de 42°C. E três jogos foram disputados com sensação térmica de 40°C (Argentina x França, Colômbia x Senegal e Brasil x Noruega). O sindicato internacional de jogadores, a FIFPRO, recomenda que partidas de futebol sejam repensadas a partir do Índice de Temperatura de Globo e Bulbo Úmido, que mede o estresse térmico no corpo (WBGT, na sigla em inglês). Partidas com um WBGT acima de 28°C devem ser adiadas ou canceladas por questões de segurança. A entidade também recomenda pausas para hidratação e resfriamento quando o valor atinge 26°C.

Pela primeira vez, todas as partidas da competição tiveram duas pausas para hidratação – uma em cada tempo. Adotadas como uma medida de adaptação, essas pausas acabaram no centro do debate sobre o quanto interferiram no desenrolar esportivo ou se, na verdade, foram motivadas por razões comerciais.

A FIFA também inaugurou seu protocolo para tempestades nesta Copa. Durante esse mês de competição, o protocolo de tempestades e raios foi ativado e provocou interrupções diretas em três partidas: França x Iraque, México x Equador e México x Inglaterra. No entanto, a FIFA não possui um protocolo específico para lidar com a fumaça decorrente de incêndios florestais. Previsões desta sexta-feira indicam que a situação deva melhorar até domingo. O possível alívio deve vir com a chuva prevista para sábado. A cerimônia de encerramento promete, além do jogo entre Argentina e Espanha, um mega espetáculo musical, com shows de Madonna, Shakira, BTS e Justin Bieber. Diante dos elevados custos logísticos e financeiros de um eventual adiamento, não é exagero dizer que os organizadores devem estar fazendo a dança da chuva.

Fonte: Política por Inteiro





sexta-feira, 6 de setembro de 2024

SAIL GP: NITERÓI RECEBERÁ UM DOS EVENTOS MAIS IMPORTANTES DA VELA MUNDIAL

Martine Grael, bicampeã olímpica, será a comandante da tripulação brasileira e a primeira mulher a liderar uma equipe na SAIL GP.


Marco Grael, velejador da equipe olímpica brasileira, também fará parte da tripulação.



Velocidade, tecnologia e competitividade.


Tripulações representam países e as competições são em cidades emblemáticas no mundo todo

Niterói será receberá a SAIL GP, um das mais midiáticas e radicais modalidades da vela mundial, nos dias 3 e 4 de maio de 2025. A categoria é considerada por muitos como a "Formula 1" da vela, pela tecnologia envolvida e pela velocidade dos barcos que podem atingir mais de 100 km de velocidade, impulsionados apenas pela força dos ventos. Será a primeira vez que a competição acontecerá na América Latina e terá uma equipe brasileira, comandada pela minha sobrinha Martine Grael, bicampeã olímpica de vela e que será a primeira mulher capitã de uma equipe na SAIL GP. A bordo também estará Marco Grael, velejador olímpico de vela do Brasil, irmão de Martine. A equipe brasileira terá três velejadores brasileiros (contando com Martine e Marco) e três estrangeiros. O Time Brasil terá como principal patrocinador o fundo de investimentos Mubadala.

Ao todo, serão 11 onze barcos disputando o circuito mundial 2024-2025. São eles: Brasil, Alemanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Espanha, França, Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Suíça. As competições serão numa raia montada próximo ao Aterro do Flamengo, mas todas as equipes estarão sediadas no Caminho Niemeyer, onde ficarão as embarcações, tripulações e equipes técnicas de manutenção e apoio. Portanto, os atletas da cidade serão protagonistas e seremos anfitriões de todas as equipes, com grande impacto positivo para a economia da cidade.

A etapa na Baía de Guanabara (ENEL Rio Sail Grand Prix, 3 e 4 de maio) terá o patrocínio das empresas ENEL, TIM, além da participação do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Prefeitura de Niterói. O evento terá transmissão para vários países no mundo, dando um grande retorno de imagem para o evento e para as cidades sede.


Dando as boas-vindas ao evento a Niterói durante o evento de anúncio da etapa do Rio de Janeiro e da participação pela primeira vez de uma equipe brasileira, comandada por Martine Grael.

Sustentabilidade

A sustentabilidade é um compromisso primordial da SAIL GP que anunciou que atingirá a neutralidade de carbono no final de 2024 e seguirá avançando para contabilizar resultados climáticos positivos. Ou seja, o compromisso é avançar mais do que a neutralidade e obter benefícios climáticos, envolvendo todos os negócios que se relacionam com a competição e todas as etapas da SAIL GP. Além disso, há uma competição paralela entre as equipes para definir aquela que alcança os melhores resultados ambientais, apoiando iniciativas positivas na sociedade. A equipe campeã do desafio ambiental "Race for the Future" receberá uma premiação em dinheiro para que seja doado para as iniciativas apoiadas pelo time vencedor.

Axel Grael
Prefeito de Niterói


domingo, 12 de junho de 2022

Prefeitura de Niterói lança Projeto de Neutralização de Carbono na Zona Norte






Política climática de Niterói também beneficia as comunidades

A Prefeitura de Niterói lançou, neste sábado (11), o Programa Social de Neutralização de Carbono na Comunidade do Caramujo. O projeto, que vai iniciar no entorno do Parque Esportivo e Social do Caramujo (Pesc), na localidade conhecida como Igrejinha, vai capacitar os moradores para agirem de forma ativa no processo de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) na cidade. Dentre as medidas estão o plantio de mudas e orientação às comunidades sobre meios de reduzir o carbono através de palestras e oficinas. O lançamento do programa fez parte do Sabadão do Pesc, que também contou com uma programação especial com atividades de esporte, música e ações ambientais e culturais.

O prefeito de Niterói, Axel Grael, ressaltou que o Brasil tem tudo para ser um país protagonista que cumpre seu papel com sustentabilidade e com responsabilidade.

“Temos emergência de transformarmos as ideias em ações práticas. Esse lugar é muito simbólico. O Caramujo tem o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade e é um bairro que vem recebendo obras de infraestrutura e de resiliência climática. Trouxemos para cá esse equipamento esportivo para fazer com que a garotada tenha oportunidade de desenvolver talentos seja no esporte, cultura ou cidadania e agora trazemos para cá ações práticas de implementação de uma política climática que estamos desenvolvendo em Niterói. Essa ação também faz um trabalho de educação e de conscientização para uma geração de cidadãos que vai se preocupar com a situação climática e com a sustentabilidade e pretendemos fazer com que a ação climática seja uma oportunidade de renda para essa população. Queremos ter o papel e o protagonismo de fazer essas ações aconteçam na prática”, disse o prefeito.





Com participantes das atividades do Parque Esportivo e Social do Caramujo.


Axel citou ainda o trabalho que o governo municipal vem fazendo na cidade como a despoluição da Lagoa de Piratininga, de fazer Niterói uma cidade de referência como cidade amiga da bicicleta com a ampliação e criação de novas ciclovias como meio de transporte limpo e a ação de renaturalização do Rio Jacaré. “Niterói tem um acúmulo de ações e de discussões em relação aos temas ambientais. Por isso, queremos fazer com que a experiência de Niterói ajude a mobilizar outras cidades também”, declarou o prefeito.

O Programa Social de Neutralização do Carbono tem como objetivo promover o debate acerca das mudanças climáticas em comunidades de baixa renda e se expandir para outras localidades, atingindo toda a cidade como forma de envolver todos os cidadãos com ações concretas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Participaram do lançamento, os secretários Luciano Paez (Clima) e Anderson Pipico (Participação Social), os subsecretários Allan Cruz (Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e Maicon Carlos (Assistência Social e Economia Solidária), além dos representantes das concessionárias Águas de Niterói e Enel, além de Ivan Mello (secretário do Meio Ambiente e Agricultura de Salvador).

Luciano Paez, secretário do Clima de Niterói, destacou a ideia de que hoje se começa um novo marco na cidade e contou que este é um projeto desafiador e precisa da parceria e da participação social, mas que já está ganhando visibilidade internacional.

“Esse é um projeto que nasceu na construção coletiva desse pensamento dentro da comunidade. A ideia é promover ações socioeconômicas na captação do remendo frente a eventos extremos. Todos nós já estamos sendo afetados pelos eventos extremos com chuvas fortes, estiagens, chuvas de granizo e provavelmente esses eventos ocorrerão cada vez mais vezes e nosso objetivo é adaptar a cidade e acolher melhor a população mais vulnerável. Vamos iniciar o projeto no entorno do Pesc, chamado de Igrejinha. Esse processo é complexo, mas é fundamental que seja iniciado. A primeira etapa já começa em junho e julho com a capacitação das famílias para dar o start no mês de agosto. Vamos desenvolver premiações ao longo do projeto para famílias que alcançarem as mitigações na redução do carbono seja com plantio, separação de seus resíduos ou compostagem. É um processo amplo e de desenvolvimento que nasce no Caramujo com o objetivo de ser levado para todas as comunidades de Niterói”, explicou Luciano.

O secretário contou do projeto que será levado para votação na Câmara de Vereadores que vai promover uma forma de premiação aos moradores que atingirem percentuais de redução de CO2 em suas casas. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Secretaria de Assistência Social e Economia Solidária para que o crédito seja pago em Arariboia.

Segundo o secretário, Niterói terá a primeira moeda do clima do país, em parceria com a Moeda Social Arariboia. A ideia é criar um banco local que vai organizar todas as etapas do processo e transformar o recurso em Arariboia. A premiação será dividida em quatro áreas: mobilidade, energia, resíduo e compensação e pode variar de R$ 250 a R$ 750.

O secretário do Núcleo Executivo do Baldeador, Caramujo, Santa Bárbara e Maria Paula, Otto Bahia, conta da importância de existir equipamentos como o Parque Esportivo e Social do Caramujo.

“Se tivéssemos projetos como esse espalhado pelo estado do Rio de Janeiro, não viveríamos momentos como o que vivenciamos atualmente e isso foi graças ao governo que acreditou na possibilidade de fazer esse espaço. Aqui era um problema social do bairro e da cidade e hoje temos 1.200 pessoas no projeto entre crianças e adultos e vamos mudar essa situação sem ceifar uma vida, porque geramos oportunidade. Em pouco tempo já temos resultados no esporte, as mudanças estão acontecendo e aos poucos vamos mudar a história desse bairro. O Caramujo ser o primeiro bairro do mundo a receber esse projeto de redução de carbono é um grande privilégio. Quero externalizar aos moradores a importância dessa escolha e que possamos comprar essa ideia do meio ambiente. Niterói está na contramão, trazendo para as áreas periféricas essa oportunidade porque são as áreas que mais sofrem com as mudanças climáticas. Tivemos, em 2010, um triste histórico onde morreram 16 pessoas. A comunidade, de lá para cá, já recebeu grandes intervenções, contenções de encostas, e estamos conquistando muitas melhorias para nosso bairro. A única forma que temos de evitar isso é cuidando do meio ambiente porque as mudanças climáticas já estão ocorrendo”, declarou Otto.

O evento reuniu representantes de diversas secretarias e órgãos municipais, do Fórum de Juventude, participantes da Conferência do Clima de cidades como Manaus, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador, de empresas parceiras como Enel, Águas de Niterói, além dos moradores e crianças que participam dos projetos do Pesc.

“É um grande prazer estar aqui para conhecer essa comunidade e esse projeto. O Instituto Ethos trabalha com empresas com responsabilidade social e viemos participar da Conferência do Clima na cidade. Niterói tem sido um grande parceiro nessa caminhada e talvez vocês não tenham ideia da referência que vocês são nacional e internacionalmente na transição de uma sociedade de baixo carbono de uma forma justa, sustentável com grande articulação entre diferentes secretarias, olhando a questão climática de forma séria e comprometida e não é todo dia que vemos isso. Estamos saindo daqui muito impactados com tudo que estamos vendo”, disse Marina Ferro, representante do Instituto Ethos.

A atividade é uma parceria com as Secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Conversação e Serviços Públicos, Habitação e Regularização Fundiária, Assistência Social e Economia Solidária, Clima, Defesa Civil e Geotecnia, Participação Social, Desenvolvimento Econômico e Clin. O evento também conta com a parceria da Viva Rio, Águas de Niterói, Enel e o Centro de Pró-Melhoramento do Caramujo.

O sábado contou ainda com diversas atividades educativas, ambientais e culturais no Parque Social e Esportivo do Caramujo e premiou todas as crianças que participaram das ações.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

REGATA DE PROTESTO EM DEFESA DA BAÍA DE GUANABARA (1980): Um registro histórico do início da minha militância ambientalista

 

Quinta-feira é dia de TBT!!! 


Matéria na revista Vela e Motor de 1980, registrando manifestação que eu organizei para protestar contra a poluição da Baía de Guanabara. Eu estou na foto, a bordo do meu barco da classe Laser, com uma inscrição de protesto na vela: "Não à Poluição"!


Do sonho ambientalista a uma cidade que ruma para a sustentabilidade

Há poucos dias, uma boa surpresa me deixou muito feliz e me fez relembrar o início da minha trajetória como ambientalista em Niterói. Ao fazer uma pesquisa sobre a história da vela no Brasil, o meu amigo, jornalista, escritor e velejador, Murillo Novaes, encontrou e me presenteou o importante registro acima. 

Que saudades desse tempo! Trata-se de uma matéria da revista Vela e Motor, de outubro de 1980, sobre a Regata de Protesto que eu organizei naquele ano, para reivindicar uma Baía de Guanabara limpa e bradar duas denúncias: a poluição causada pelas fábricas de sardinha de Jurujuba que poluíam as águas do Saco de São Francisco e a falta de saneamento em Niterói.

Jurujuba tinha três indústrias de processamento de pescado (fábricas de sardinha): Atlantic, Ribeiro e Santa Iria. Outras localizavam-se na Ilha da Conceição, no Barreto e São Gonçalo. Nenhuma delas contava com o devido equipamento para prevenir a poluição que era causado pelo resto do óleo utilizado na conserva, restos de peixe (escama, vísceras, cabeça etc.).

Estas fábricas de sardinha lançavam seus efluentes mal-cheirosos diretamente no mar e a nossa luta era para que cumprissem a legislação e instalassem as suas Estações de Tratamento de Despejos Industriais - ETDI. Quem viveu esta época, certamente se lembra que os bairros nos entorno da enseada, como São Francisco, Jurujuba, Charitas, a Estrada Fróes e, eventualmente Icaraí (conforme a direção do vento), fedia a peixe podre.

Eu tinha 20 anos e estudava engenharia florestal na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, velejava na Baía de Guanabara e meu barco ficava impregnado com o chamado "óleo de sardinha". Ao voltar ao Rio Yacht Club (Sailing), era obrigado a passar um bom tempo limpando a sujeira encardida no barco. Resolvi fazer alguma coisa. O primeiro passo foi tentar descobrir quem poderia resolver o problema. Verifiquei que não haveria como transferir o problema para outros. O RJ já contava com a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA, órgão ambiental pioneiro no país, mas não tive atenção ao meu pleito na ocasião. Fui estagiário na Feema e aproveitava para aprender sobre o problema e tentar sensibilizar dirigentes e técnicos da instituição. Décadas depois (1999-2000 e 2007-2008), tornei-me presidente do órgão e uma das primeiras medidas foi intensificar ações sobre as indústrias de pescado. Na época, as poucas fábricas que ainda existiam já estavam em situação pré-falimentar.


Convocação do MORE para uma manifestação contra as fábricas de sardinha. 17 de julho de 1988.


Percebi, então, que se eu não fizesse alguma coisa, o problema continuaria e se agravaria. Reuni amigos velejadores como Hilário Alencar, Ricardo Chebar e Eric Fischer, além de jornalistas como Jardel Ferre e Luiz Antônio Mello, que escreviam ou eram editores de jornais semanais em Niterói. Organizamos uma "Regata de Protesto". 

Na verdade, apesar do nome, era de fato um protesto e nada de regata, no sentido de "competição". O protesto aconteceu nas proximidades da Ilha dos Amores, em frente ao Preventório, próximo a onde hoje localiza-se a estação Charitas do Catamarã e onde muitos anos depois (1998) começou o Projeto Grael. Conseguimos reunir cerca de 100 embarcações participantes, dentre velejadores, pescadores e atraímos a atenção de muitos apoiadores que assistiram da praia.

O evento foi um dos primeiros protestos ambientalistas organizados para defender a Baía de Guanabara e conseguimos o que almejávamos na época: atrair a atenção da população e da imprensa para a causa ambiental, tema este que ainda estava fora da pauta jornalística e das preocupações da maioria da população.

Convidamos o programa Fantástico, da Rede Globo, criado em 1973, para cobrir o evento. Para nossa surpresa, eles compareceram e nosso mobilização foi para a TV no domingo! Tivemos uma ótima repercussão.

A partir do sucesso do evento, para dar prosseguimento à campanha, decidimos criar uma organização ambientalista pioneira em Niterói e uma das primeiras em todo o estado. Assim surgiu o Movimento de Resistência Ecológica - MORE e nossas primeiras bandeiras foram a despoluição da Baía de Guanabara e o "salvamento" das lagoas de Piratininga e Itaipu. Pouco tempo depois, vieram as campanhas pela criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, por ciclovias em Niterói. Posteriormente, outras campanhas se seguiram.

O MORE marcou época e formou uma geração de ambientalistas, muitos ainda ativos em Niterói. Chegamos a ter mais de 500 associados e uma mala direta com cerca de 1.000 nomes, o que nos dava um grande poder de mobilização e, portanto, nossas atividades reuniam muitos participantes. Há que se contextualizar o momento que vivíamos na época da criação do MORE: o país ainda vivia a ditadura militar e a lógica predominante era do desenvolvimento a qualquer custo. Mesmo assim, alcançamos grandes resultados e fincamos as bases para os avanços que se consolidaram depois.

Legados

Essa história me enche de orgulho. Décadas depois daquelas iniciativas pioneiras, conseguimos avançar em cada uma das agendas, como pode ser visto a seguir:

Serra da Tiririca: Foi a primeira grande vitória dos ambientalistas de Niterói e Maricá. Após liderar, como presidente do Movimento Cidadania Ecológica - MCE, a campanha pela criação do Parque Estadual da Serra da Tiririca, assumi, em março de 1991, a presidência do Instituto Estadual de Florestas - IEF-RJ, órgão do estado responsável pela gestão de áreas protegidas (hoje foi incorporado ao INEA). No mesmo ano, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro - ALERJ criou o PESET através da Lei nº 1.901, de 29 de novembro de 1991.

Na gestão do prefeito Rodrigo Neves, avançamos ainda mais com a criação do programa Niterói Mais Verde, que criou o Parque Natural Municipal de Niterói - PARNIT. A cidade alcançou uma cobertura de mais de 50% do território de Niterói protegido por unidades de conservação. Um outro marco importante na agenda da conservação e recuperação de ecossistemas foi a criação do projeto e o início da implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, com uma concepção inovadora que ajudará a recuperar as lagoas de Piratininga e Itaipu.

Poluição da Baía: As fétidas fábricas de sardinha não fizeram a sua parte e fecharam. Devido à transgressão à legislação ambiental, sofreram as sanções da Feema, Ministério Público e diante da campanha dos ambientalistas acabaram por se inviabilizar. Na verdade, sucumbiram principalmente à própria precariedade gerencial e à destruição ambiental que elas mesmas causaram. 

Saneamento: Em 1999, a Prefeitura de Niterói, que contava apenas com 35% da população atendida por rede e tratamento de esgoto, decidiu romper com a empresa estadual de saneamento (CEDAE) e concedeu os serviços de água e esgoto para a Concessionária Águas de Niterói. Hoje, estamos dentre as melhores cidades do país em saneamento e estamos nos aproximando da universalização da coleta e tratamento de esgoto.

Enseada Limpa: A partir de 2013, quando fui eleito para o cargo de vice-prefeito junto com o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, demos início ao programa Enseada Limpa e avançamos de cerca de 15% de balneabilidade nas praias de Jurujuba, Charitas, São Francisco, Icaraí, Flechas, Boa Viagem, Adão e Eva, e chegamos a alcançar o índice de 65%. Mostramos que despoluir a Baía de Guanabara é possível e que a nossa enseada será a primeira cidade a ser recuperada.

Ciclovias: quando reivindicávamos ciclovias na década de 1980, ouvíamos dos críticos e céticos que essa ideia jamais vingaria em Niterói, pois nosso clima era muito quente e o relevo montanhoso desestimularia os ciclistas. Em 2013, como vice-prefeito, com o apoio do prefeito Rodrigo Neves, criamos o programa Niterói de Bicicleta. Hoje, a cidade já conta com 40 km de ciclovias e está licitando mais 60 km na Região Oceânica. Graças ao túnel Charitas-Cafubá, que conta com ciclovias nas duas galerias, atualmente o ciclista de Niterói já pode pedalar de Itaipu à Zona Norte no plano. 

O ciclistas tomaram as ruas da cidade, quintuplicando o número de bicicletas em Niterói entre 2015 e 2019. A cidade já é considerada uma das mais amigas da bicicleta e ostentamos o título da cidade com a maior proporção de mulheres pedalando.

Lagoas de Piratininga e Itaipu: A criação do MORE ocorreu num momento de pico no processo de degradação das lagoas de Piratininga e Itaipu, cuja destruição ganhou mais velocidade a partir da década de 1970, embora a raiz do processo de degradação remonte há cerca de 80 anos. Ao longo do processo, verificaram-se algumas tentativas tímidas de recuperação por parte do poder público, baseadas principalmente em ações paliativas, com poucos resultados. 

Na atual gestão da Prefeitura de Niterói, desenvolvemos o Programa Região Oceânica Sustentável - PRO Sustentável, que inclui a implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis, e outras medidas voltadas para a recuperação das lagoas de Piratininga e Itaipu. 

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Como se vê neste longo processo histórico, a causa ambiental requer perseverança e muita fé no futuro. As mudanças começaram a ocorrer de fato após a chegada de dirigentes públicos com compromisso com a sustentabilidade e capazes de priorizar, finalmente, estas ações. 

E Niterói precisa seguir em frente neste rumo que teve a inspiração num processo que teve início numa singela manifestação ocorrida há exatos 40 anos atrás, mas que rendeu frutos.

Por uma Niterói cada vez mais próspera, sustentável, progressista e socialmente justa.

Axel Grael



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domingo, 21 de julho de 2019

ÚLTIMAS VAGAS: Projeto Grael recebe inscrições para curso sobre ENERGIA SOLAR





Olá, pessoal!

Ainda estão abertas as inscrições para o Projeto Vento Solar, em parceria com a UFF - Universidade Federal Fluminense. Mas, se liguem! É só até a próxima segunda, dia 22 de julho. 

Para se inscrever, basta entrar neste link e preencher com suas informações http://bit.ly/VentoSolar

Não esqueça de ler o edital!

A divulgação das selecionadas e selecionados sairá dia 26 de julho, sexta-feira da semana que vem. Aguardamos vocês para estudar sobre energia solar!

Fonte: Projeto Grael








sexta-feira, 31 de maio de 2019

Projeto Grael realiza Semana do Meio Ambiente 2019



O evento vai acontecer entre os dias 3 e 7 de junho e vai contar com mesas de debate, oficinas, gincana ecológica, caravana da ciência, entre outros. Lucas Benevides / Arquivo


Evento terá como tema 'O Futuro em Águas Limpas'

O dia 5 de junho foi instituído como o Dia Mundial do Meio Ambiente pela Organização das Nações Unidas- ONU com a finalidade de alertar e conscientizar a população mundial sobre a importância de valorizar o planeta por meio da preservação de recursos naturais. Já no dia 8 de junho é comemorado o Dia Mundial dos Oceanos, que visa mobilizar a humanidade em prol de sua defesa e preservação. Tendo em vista o agravamento dos problemas ambientais no decorrer dos anos e, para promover um meio de discussão e conscientização com a população, o Projeto Grael vai realizar a Semana do Meio Ambiente 2019 com o tema: "O Futuro em Águas Limpas".

Dados divulgados pela ONU revelam que aproximadamente 8 milhões de toneladas de plásticos chegam aos oceanos e que o plástico representa uma média de 90% do lixo flutuante encontrados nos mares. Estima-se, no entanto, que até 2050, se o ritmo de poluição marinha (com descartes de garrafa plástica, sacolas e copos) não for desacelerado, será encontrado mais plástico do que peixes no oceano.

O problema de plástico e microplástico nos oceanos já não é novidade e os dados são alarmantes. Felizmente várias iniciativas têm sido testadas e elaboradas para solucionar o problema, e o Projeto Águas Limpas é uma delas. Patrocinado pela Águas de Niterói em parceria com o Instituto Rumo Náutico – Projeto Grael, o projeto utiliza uma embarcação específica e capacitada para realizar um trabalho totalmente inovador, a coleta de lixo flutuante no mar. Além disso, também são realizadas inúmeras pesquisas com instituições parceiras sobre as diversas questões que envolvem este assunto.

A abertura da Semana do Meio Ambiente 2019, que acontece na próxima terça, dia 4 de junho, às 14h, vai trazer a apresentação do resultado inédito de uma pesquisa realizada sobre os impactos da contaminação por microplástico no meio ambiente como um todo e nos seres vivos. Para isso, foi realizado um estudo da contaminação encontrada nos Siris que habitam a Baía de Guanabara e de que forma essa contaminação pode afetar a vida da população.

De acordo com o Coordenador de Meio Ambiente do Projeto Grael, Thiago Marques, a iniciativa da Semana do Meio Ambiente deste ano tem a finalidade de refletir sobre nosso modo de consumo atual e a consequente geração de resíduos, promover o debate sobre a água o saneamento básico e sensibilizar a população sobre ao impacto do lixo flutuante nos oceanos e, sobretudo, na Baía de Guanabara. “Além disso, serão apresentados projetos inovadores em parceria com as universidades integrando a pesquisa científica e a produção de conhecimentos sobre a Baía de Guanabara, por meio do protagonismo e participação dos alunos do Projeto Grael, com o objetivo de formar uma nova geração de cientistas cidadãos”, afirmou Thiago.

A programação vai contar com mesas de debate, oficinas, gincana ecológica, caravana da ciência, entre outros. A proposta do evento é promover o debate e a reflexão acerca de alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que estão diretamente alinhados ao legado ambiental do Projeto Grael, sobretudo, o ODS 14- Vida na ÁGUA.

O evento possui uma programação específica para os alunos da instituição e para o público em geral, entre os dias 03 e 07 de junho nos horários de 8h às 17h. O Projeto Grael fica situado na Avenida Carlos Ermelindo Marins, número 494, em Jurububa- Niterói e conta com a participação de todos para essa ação educativa.

Fonte: O Fluminense








quarta-feira, 27 de março de 2019

quarta-feira, 20 de março de 2019

PROJETO GRAEL 20 ANOS: assista ao vídeo institucional







O Projeto Grael foi criado, em 1998, pelos velejadores Torben Grael, Lars Grael, Axel Grael e Marcelo Ferreira, com o objetivo de dar uma oportunidade de acesso aos esportes náuticos e fazer dos barcos ferramentas de educação, inclusão social, formação cidadã e mobilização para o meio ambiente e a sustentabilidade. O público-alvo são alunos ou egressos da rede pública de educação ou egressos da mesma, em idades entre 9 e 29 anos.

Inicialmente, o Projeto Grael estabeleceu-se na areia da praia da Praia de Charitas, próximo à localização atual do Terminal de Catamarãs que presta o serviço de transporte para o Rio de Janeiro. Em 2004, houve a aquisição da sede própria em Jurujuba, Niterói (Av. Carlos Ermelindo Marins, 494), o que permitiu um maior desenvolvimento metodológico, ampliação do escopo do programa e do número de alunos atendidos e o fortalecimento institucional do Instituto Rumo Náutico, nome formal da instituição.

O Projeto Grael organiza-se sob três pilares principais:

  • Programa Esportivo: Vela e Canoagem
  • Programa Profissionalizante: Oficinas de Fibra de Vidro, Eletrônica, Carpintaria, Capotaria e Mecânica Diesel e Motor de Popa
  • Programa Ambiental, onde se destacam os cursos Vento Solar (Energia Solar), parcerias com a UFF e outras instituições. Os principais focos do Programa Ambiental são o ecossistema da Baía de Guanabara e o problema do lixo flutuante.

Ao longo de 20 anos de atuação, o Projeto Grael já ofereceu mais de 17.000 vagas nos seus programas e já conquistou vários prêmios e reconhecimentos no país e no exterior.

Axel Grael






quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

OPORTUNIDADE: PROJETO GRAEL oferece curso gratuito de ENERGIA SOLAR





Estão abertas as inscrições para o curso de Energia Solar, que acontece no primeiro semestre de 2019, no Projeto Grael. 

O curso é uma realização da instituição com a Universidade Federal Fluminense- UFF e em parceria com a Ersol. 

As inscrições podem ser realizadas até o dia 22 de fevereiro através do link: https://bit.ly/2E5gemH.

Fonte: Projeto Grael



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Energia solar e o Projeto Grael

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

MANATEE: Visitante ilustre dá as boas-vindas aos velejadores em Miami



O velejador medalhista olímpico e campeão mundial Lars Grael está na Flórida (EUA), onde acontece o Campeonato Mundial Júnior da Classe Star, que é sediado pelo Coral Reef Yacht Club.

O Brasil é representado pela dupla Nicholas Grael (filho de Lars) e Samuel Gonçalves (velejador revelado pelo Projeto Grael e que já sagrou-se campeão mundial ao lado de Lars). Os velejadores tiveram um bom início no campeonato com um quinto lugar.

Estamos na torcida por Nick e Samuca. 🏁🏁

Você pode acompanhar as regatas através do link: https://2019jrworlds.starchampionships.org/

MANATEE

Lars encaminhou para a família imagens de uma bela surpresa no Coral Reef Yacht Club, antes das regatas. A visita de um manatee, o peixe-boi da América do Norte e Caribe.

Veja as imagens:

Lars Grael e Colin Gomm, velejadores do Rio Yacht Club, de Niterói, observam o manattee junto ao cais do Coral Reef Yacht Club.

Visitante veia dar as boas vindas para os velejadores do Campeonato Mundial Júnior da Classe Star

Vídeo mostrando o comportamento do manattee, que parece se deliciar e se divertir com o jato de água doce que sai da mangueira.





BOA SORTE E BONS VENTOS PARA NICK E SAMUEL!!!!

Axel Grael






segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Projeto Grael abre inscrição para cursos em Niterói



Além das aulas de vela haverá cursos de canoagem, natação e informática. Lucas Benevides / Arquivo


As matrículas serão abertas nesta segunda-feira, na sede da instituição

O Projeto Grael, em Niterói, anunciou para esta segunda-feira, 28 de janeiro, a abertura de matrículas para os cursos oferecidos pela instituição, voltada aos esportes náuticos. Os cursos são todos gratuitos e voltados para jovens com idades entre 9 e 29 anos.


Assista ao vídeo institucional do Projeto Grael e verifique as atividades desenvolvidas pela instituição. Tudo isso está à sua disposição.



Além das aulas de vela, canoagem, natação e informática, alunos com idade entre 16 e 29 anos são preparados para atuar no setor náutico, carente de mão de obra especializada.

Entre as oficinas náuticas oferecidas pelo Projeto Grael estão: Fibra de Vidro, Mecânica de Motores Diesel, Mecânica de Motores de Popa, Capotaria Náutica, Marcenaria Náutica e Instalações Eletroeletrônicas para Barcos.

Para efetuar a matrícula, é necessário comparecer à instituição com os documentos exigidos. É válido lembrar que os responsáveis pelos menores de 18 anos devem estar presentes no ato da matrícula, já nesta segunda-feira. 

Projeto Grael 20 Anos.

Documentos – Os documentos necessários para a matrícula são:
  • Declaração escolar ou certificado de conclusão de ensino na rede pública; 
  • Atestado médico (de 2019) para a prática de atividades esportivas; 
  • Xerox de identidade e CPF ou certidão de nascimento do aluno; 
  • Xerox da Identidade e CPF do responsável (para menores de 18 anos) e 
  • Comprovante de Residência.

O Projeto Grael fica localizado na Avenida Carlos Ermelindo Marins, no número 494, no bairro de Jurujuba, Zona Sul de Niterói. A instituição fica próxima ao Clube Naval de Charitas, e o horário de funcionamento da secretaria da instituição é de segunda a sexta, de 8h às 12h e 13h às 16h. Maiores informações em 2711-9875.


Fonte: O Fluminense



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CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE O PROJETO GRAEL







Aula de Vela.


"ESTRELAS DO MAR": Equipe de competição do Projeto Grael.

Aula de canoagem.


Aula de natação.

CURSOS PROFISSIONALIZANTES


Oficina de Capotaria


Oficina de Carpintaria Náutica




Oficina de Fibra de Vidro.

Oficina de Mecânica Diesel

PROJETOS AMBIENTAIS





OUTRAS ATIVIDADES


Ciência e Tecnologia

Biblioteca

PROJETO GRAEL

Revelar um MAR de oportunidades;
Promover ONDAS de inclusão social;
Inspirar VENTOS de cidadania;
Sonhar com um MUNDO justo e sustentável.


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Maiores informações em 2711-9875.