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domingo, 7 de dezembro de 2025

FORÇAS DO ATRASO AGORA DEFENDEM ESPÉCIES INVASORAS: mais um ataque à política ambiental

Já dizia o Barão de Itararé: "De onde menos se espera, daí que não sai nada". É o que estamos vendo mais uma vez.

Mais um ataque das forças do atraso contra o meio ambiente e o bom senso. Após o desmonte do Licenciamento Ambiental, o ataque ao sistema de rastreabilidade do uso de agrotóxicos, agora os negacionistas ambientais atacam uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente de controlar os danos causados pelas espécies invasoras na nossa biodiversidade. 

A Comissão de Agricultura, por solicitação do senador bolsonarista Jorge Leif (PL-SC), que compõe a Bancada Ruralista no Congresso Nacional, convocou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, para explicar a resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade para a instituição de listas nacionais de Espécies Exóticas Invasoras (EEIs). O senador argumenta que a iniciativa pode trazer prejuízos ao setor do agronegócio.

A reação vem exatamente quando o Brasil aprova a nova Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade. Ora, o que se pretende é evitar a extinção de espécies, o que pode acontecer com a competição de espécies que disputam os nichos ecológicos com as espécies nativas, sem ter predadores e inimigos naturais. Portanto, pretende-se evitar a introdução de espécies exóticas que possam representar riscos de se tornar pragas. Quem é de fato da agricultura sabe o que isso representa no país.

Será que o parlamentar e seus pares pensaram sobre os prejuízos à biodiversidade nacional (a maior e mais importante do mundo), à saúde humana, ao próprio setor agropecuário e à economia da entrada dessas espécies?

Veja aqui alguns exemplos:

LEUCENA: A invasão da espécie Leucena leucocephala que causa graves danos aos ecossistemas e à arborização urbana. Saiba mais em: LEUCENA: UMA ALIADA QUE SE TORNOU VILÃ

CAPIM-COLONIÃO: uma das maiores dores de cabeça para os projetos de reflorestamento na região do Rio de Janeiro e outras partes do país. A espécies faz jus ao próprio nome científico: Panicum maximum. Saiba mais em ICMBio combate o capim-colonião no Monumento Natural das Ilhas Cagarras e também QUEIMADAS: MITOS E VERDADES

CORAIS: Os corais brasileiros têm sido ameaçados por espécies invasoras. Veja em ICMBio preocupa-se com a invasão do coral-sol, espécie que ameaça o litoral brasileiro, também Corais brasileiros são ameaçados por espécie invasora originária do Oceano Pacífico e Cientistas encontram nova espécie invasora de coral na Baía da Ilha Grande

FAUNA: Também merece destaque a situação de espécies exóticas da fauna que causam grandes preocupações. É o caso do javali, no sul do país, de várias situações de peixes introduzidos em bacias hidrográficas e do caramujo-africano que ameaça a saúde das pessoas em várias partes do Brasil. Também cabe destaque o problema do mexilhão-zebra, originário da Ásia, que tornou-se uma praga em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. A espécie prolifera-se trazida principalmente no casco de navios e na "água-de-lastro". Há um esforço mundial para o seu controle. Para saber mais, acesse a publicação "Espécies Exóticas Invasoras de Águas Continentais no Brasil", do Ministério do Meio Ambiente.

CASOS EM OUTROS PAÍSES:  A história de uma bela árvore exótica que se tornou um pesadelo nos EUA

A preocupação do CONABIO está correta. Que a razão vença a ganância e a ignorância no Congresso Nacional.

Axel Grael
Engenheiro Florestal

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Marina Silva presta esclarecimentos sobre espécies invasoras no Senado

Comissão de Agricultura convocou a ministra do Meio Ambiente a pedido do senador Jorge Seif (PL-SC).

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, participará de audiência pública na Comissão de Agricultura (CRA) do Senado nesta quarta-feira (10). O objetivo é que a ministra explique a resolução da Comissão Nacional da Biodiversidade (Conabio) que propõe listas nacionais de Espécies Exóticas Invasoras (EEIs).

A convocação foi solicitada pelo senador Jorge Seif (PL-SC). Para o parlamentar, a classificação indiscriminada de espécies como invasoras traz consequências à agropecuária, o que pode afetar empregos e comprometer a segurança jurídica do setor produtivo.

"A minuta submetida à Conabio tem gerado ampla controvérsia técnica, institucional e econômica. A Nota Técnica 46/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontou fragilidades metodológicas, ausência de base científica robusta e falta de articulação entre os órgãos governamentais envolvidos."

Oitiva está marcada para início às 14h.Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Segundo Seif, os critérios de inclusão na lista devem ser esclarecidos por Marina Silva. Em requerimento anterior, a ministra havia sido convidada e faltou à oitiva, por isso foi convocada.

Espécies invasoras

A lista, divulgada em fevereiro, reúne 60 espécies de peixes, 36 de invertebrados, 19 de mamíferos e cinco de aves. O documento reúne animais que foram trazidas ao Brasil e se espalharam em degradação à biodiversidade local.

A principal preocupação dos parlamentares, como afirmou Seif, é a inclusão das espécies de tilápia, Oreochromis niloticus e Coptodon rendalli, utilizadas em aquicultura.

Também se destacam entre as espécies: 

Invertebrados: abelha africanizada, Apis mellifera;
Mamíferos: roedores camundongo, Mus musculus, e a ratazana preta, Rattus rattus;
Aves: pardal, Passer domesticus.





domingo, 28 de janeiro de 2024

ARBORIZAÇÃO URBANA: georreferenciamento mostra que Niterói tem cerca de 70 mil árvores nas ruas

 

Ipê-rosa na Praça da República, no Centro de Niterói. Foto: Vinícius Martins / Divulgação/Vinícius Martins

A secretária Dayse Monassa, da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos - SECONSER, responsável pela gestão da arborização pública da cidade, me apresentou nessa semana o resultado do levantamento realizado pela equipe do Arboribus - projeto censitário da flora urbana em vias públicas e praças, mostrando que Niterói possui 69.244 árvores na sua arborização pública. O número será ainda maior, uma vez que ainda faltam os registros do Morro do Estado e Viradouro. O projeto Arboribus, lançado em 2013, tem por objetivo catalogar e georreferenciar todas as árvores em espaços públicos, como ruas, praças e parques urbanos da cidade. Não inclui os parques naturais e outras áreas protegidas.

Niterói Cidade das Árvores:
Arborização: Niterói tem 1 árvore para cada 8,13 habitantes.
Áreas verdes: Niterói tem 56% do seu território protegido, que corresponde a 137,9 m2 de área verde por habitante.
Reflorestamento: Niterói plantou uma árvore nas encostas para cada 5,7 habitantes (total 84 mil mudas plantadas desde 2013).

O levantamento ajuda a SECONSER a planejar o manejo do arboreto público da cidade, priorizando as ações de plantio, poda, supressão, transplante e substituição, quando necessário. Cada árvore passa a ter um "prontuário eletrônico" ou um "Curriculum Vitae", ou seja, um histórico de intervenções e é possível gerar estatísticas a respeito da adaptação de cada espécie. É importante também para o cidadão, pois poderá ter informações sobre as árvores da cidade.

Distribuição da arborização urbana de Niterói. Os grandes espaços sem indicações de arborização são basicamente as áreas protegidas (parques etc).

Arboribus

Através do Arboribus, uma equipe de profissionais avalia cada árvore da cidade, observando suas características e interações com o meio urbano. Cada indivíduo é identificado com o seu nome popular, seu táxon (nome científico) e a sua origem: nativa (espécie da flora brasileira) ou exótica (espécie trazida de outro país). São medidos dados dendrométricos, ou seja, as dimensões visíveis do indivíduo, como diâmetro da copa, altura e CAP (circunferência do tronco na altura do peito). O estado fitossanitário é observado, sendo o estado das árvores classificados como: Bom, Regular, Ruim e Morto. 

A avaliação do risco é uma das mais importantes avaliações realizadas pela equipe. Cada árvore é classificada quanto ao risco e avaliada sobre a urgência da intervenção. Para aquelas árvores consideradas como em situação de risco aplica-se protocolo de segurança, que age de forma rápida e precisa evitando acidentes e perdas maiores para a cidade.

Também verifica-se as condições da gola (espaço na calçada onde a árvore esta localizada) ou canteiros e eventuais situações de conflito, como a interferência de redes aéreas de eletricidade, danos às calçadas e proximidade com edificações. As árvores são georreferenciadas e todas as informações são incluídas em um layer específico do Sistema de Gestão da Geoinformação de Niterói - SIGEO.

Cada árvore suprimida ou que por algum outro motivo não esteja mais no local, o ícone representativo daquele indivíduo é transferido para uma camada exclusiva do SIGEO de supressões, para um controle prioritário das reposições e para monitorar os motivos das perdas.

Veja, a seguir, a localização e os números referentes à quantidade de árvores em alguns bairros:

São Francisco: 3.754 árvores

Camboinhas: 4.227 árvores

Centro: 3.654 árvores.

Engenho do Mato: 5.201 árvores.

Bairro de Fátima: 271 árvores

Fonseca: 1.750 árvores

Icaraí: 4.064 árvores

Itacoatiara: 1.993 árvores

Itaipu: 4.153

Piratininga: 5.629 árvores

OBS: Os números acima precisam ser avaliados segundo alguns cuidados: levar em consideração que os bairros possuem dimensões territoriais diferentes e extensão de logradouros variadas, portanto a comparação entre a cobertura de arborização não pode ser feita apenas comparando o número de árvores. O presença das árvores depende da amplitude das calçadas e do tipo de urbanização. Alguns bairros podem ter menos árvores nas ruas, mas não por isso deixam de ser arborizados, pois têm uma grande contribuição das árvores em áreas internas ou privadas. Por isso, é importante considerar a densidade urbana e a taxa de ocupação dos lotes, pois algumas partes da cidade têm características que permitem lotes maiores, com mais presença de quintais com arborização interna aos imóveis, que são decisivas na cobertura arbórea geral da região da cidade.

Como se vê, a arborização tem muita correlação com parâmetros urbanísticos e, por isso, está muito presente no planejamento e na legislação urbana de Niterói. É citada, por exemplo, 33 vezes no Plano Diretor de Niterói e o artigo 194 prevê a elaboração de um Plano Municipal de Arborização Urbana, que será desenvolvido assim que a Câmara Municipal aprovar a Lei de Uso e Ocupação do Solo - LUOS. 

A Prefeitura já conta com o Manual Técnico de Arborização Urbana de Niterói, elaborado conjuntamente pela SECONSER e a SMARHS e publicado em 2020. Em 2017, publicamos o Manual de Arborização e Poda Urbana, preparado pela SECONSER. São dois documentos importantes que já orientam os trabalhos e que embasarão o futuro Plano Municipal de Arborização Urbana. Lembramos que também publicamos o Guia Botânico de Niterói, uma bela publicação sobre mapeou as árvores mais exuberantes, raras ou charmosas da cidade, tornando-as parte dos atrativos turísticos do município. A publicação é uma realização da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade de Niterói – SMARHS.

Capa do Manual Técnico de Arborização Urbana de Niterói. 

Importante lembrar que um das diretrizes mais importantes do projeto de LUOS que encaminhamos para o Legislativo é a redução da taxa de impermeabilização dos imóveis, permitindo a disponibilização de mais espaço para o verde. 

Outros exemplos de legislação local relacionada à arborização são a Lei de Diretrizes de Uso das Vias Públicas e Espaço Aéreo pelas Concessionárias de Serviços Públicos (lei 3.082/14), a chamada "Lei dos Fios", sancionada pelo prefeito Rodrigo Neves. O Decreto Nº 12641/2017 estabeleceu as reponsabilidades da SECONSER com relação à arborização pública e da SMARHS quanto ao licenciamento da intervenção em árvores localizadas em imóveis particulares.

Além de avançar na política local de gestão da arborização, Niterói tem contribuído com o tema, compartilhando a experiência com outras cidades e buscando aprendizados com a experiência dos outros. Em novembro de 2023, a cidade recebeu o VI Encontro Fluminense de Arborização Urbana, que aconteceu pela segunda vez na cidade.

Avanços na arborização e reflorestamento

De 2013 até o final de 2021 foram plantadas cerca de 8 mil novas árvores na arborização da cidade e outras 7.000 foram previstas até o final de 2024. Só em 2024 serão plantadas 2.000 novas mudas nas ruas e praças de Niterói. 

Veja acima os números do trabalho de gestão da arborização urbana de Niterói em 2023.

No reflorestamento das encostas, foram mais de 84 mil mudas plantadas nas encostas e outras áreas degradadas de Niterói desde 2013. É uma média de cerca de 7.600 mudas/ano.

Desafios

Não são poucos os desafios da gestão da arborização pública. O ambiente urbano é em geral hostil às árvores devido à poluição, aos conflitos por espaço, aos danos causados por acidentes e o comportamento das pessoas, que como se vê no cotidiano, nutrem às vezes paixão e às vezes ódio pelas árvores. Não são poucas vezes que se verificam árvores danificadas criminosamente. Listamos, a seguir, alguns dos maiores desafios e dificuldades da gestão da arborização:
  • Conflitos com a fiação: desde 2014, quando foi sancionada a Lei dos Fios, a Prefeitura trava uma disputa judicial com a concessionária de energia sobre essa questão. A empresa recorre judicialmente contra a aplicação da lei que tem por objetivo regular o conflito entre a rede aérea e a arborização. A Prefeitura defende a solução do enterramento da fiação e encontra a resistência da empresa. Além dos danos paisagísticos, dos riscos para a população, dos danos para a arborização, a rede aérea é muito vulnerável aos danos causados por ventos e chuvas fortes.
  • Espécies inadequadas: ao longo dos anos muitas espécies inadequadas ao ambiente urbano foram plantadas e hoje causam danos às calçadas, são caducifólias (perdem as folhas periodicamente), gerando mais dificuldades de limpeza, causam alergia ou são tóxicas para a fauna, produzem frutos volumosos e pesados etc. Aos poucos as espécies estão sendo substituídas por outras mais adequadas.
  • Decrepitude: em muitos bairros, a arborização foi implantada na mesma época (na origem dos loteamentos ou por iniciativas do poder público) e as árvores - já muito antigas - apresentam sinais de senescência, demandando podas de manutenção e proteção fitossanitária. A medida que as árvores passam a oferecer riscos, mediante laudo técnico, são substituídas por outras árvores. Importante lembrar que, na busca por resultados mais rápidos, muitas vezes é dada preferência para espécies de crescimento mais acelerado mas, com frequência, estas têm ciclos de vida mais curto e apresentam decrepitude mais cedo.
  • Erva-de-passarinho: a erva-de-passarinho é um dos grandes inimigos da arborização pública, essa espécie parasita infesta a copa das árvores e pode causar a morte das mesmas. A SECONSER tem um trabalho de manejo através de podas para controlar o problema.
  • Espécies invasoras: o caso mais notável é da espécie Leucena leucocephala, cuja presença na cidade é combatida pala SECONSER através da supressão das árvores e controle da sua dispersão. 

Parques e áreas verdes

Niterói é um exemplo de cidade verde, contando com 56% do seu território protegido por unidades de conservação. Em 2019, fiz um levantamento sobre as áreas verdes de Niterói e apuramos que a cidade possuía um índice de 137,9 m2 de área verde por habitante, considerado muito elevado, principalmente para uma cidade num contexto metropolitano. Vale comparar o índice de Niterói com a realidade de outras cidades: Curitiba (64,5 m2), Goiânia (94 m2), São Paulo (14,02 m2), Vitória (91 m2), Recife (0,7 m2), Nova York (23,10 m2), Edmonton (100 m2).

A cidade conta também com várias frentes de reflorestamento de encostas, sendo a maior no Morro da Boa Vista, no Centro da cidade. Também merece destaque o "PROJETO DE RESTAURAÇÃO ECOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE NITERÓI", com financiamento do BNDES, que investe no reflorestamento de 203 hectares na cidade de Niterói. O projeto inclui a restauração da vegetação na Ilha da Menina, em Itaipu.

Visitando áreas de reflorestamento no Morro da Boa Vista.


Reflorestamento da Ilha da Menina, em Itaipu. O trabalho é um desafio logístico e exige grande determinação da equipe. 

Dentre as iniciativas de implantação de parques, cabe destaque a implantação do Parque Orla de Piratininga Alfredo Sirkis (POP), que é um dos maiores investimentos do gênero no país, com destaque para a adoção de Soluções Baseadas na Natureza - SBN para a drenagem urbana, de forma a proteger a Lagoa de Piratininga. O POP está em fase final de implantação mas, mesmo assim, já recebeu prêmios no Brasil e no exterior.

Também estamos avançando com a desapropriação e os estudos para implantação do Parque Natural Municipal do Morro do Morcego Dora Negreiros, em Jurujuba. O primeiro parque da Região Norte está sendo implantado, através do PNM Floresta do Baldeador.

Outros bons exemplos são a Ilha da Boa Viagem e o Parque Natural Municipal de Niterói no Morro da Viração (Parque da Cidade), que vem recebendo investimentos para a melhoria da infraestrutura. 

Prêmios

O trabalho de Niterói para proteger e recuperar as suas áreas verdes rendeu à cidade o reconhecimento internacional através da publicação "Forests and Sustainable Cities: Inspiring stories from around the world", na qual Niterói e Lima são as únicas cidade citadas na América Latina. Em 2022, a cidade passou a ser uma das oito cidades do país a contar com o selo "Tree Cities of the World". Este prêmio é concedido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela Arbor Day Foundation.

Com relação aos parques, como já nos referimos aqui, o nosso carro-chefe é o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis (POP). O POP é o maior projeto no Brasil, América Latina e Caribe utilizando Soluções baseadas na Natureza, com 35.000 m² de alagados construídos, 3,2 km de biovaletas e 70m² de recuperação e preservação de conectores entre Mata Atlântica da encosta do Parque da Cidade às áreas úmidas da Lagoa. Em razão disto recebeu, só em 2023, as seguintes premiações:
O POP também é considerado um complexo socioambiental por disponibilizar para a população equipamentos de esporte e lazer como ciclovias, pistas de caminhada, cerca de 13 pequenas praças e duas delas, mais amplas, com equipamentos para esporte como quadras e vestiários, além de aparelhos de ginástica para a terceira idade e play-ground, nove píeres e cinco estruturas para apoio à pesca artesanal.
Saiba mais sobre a arborização e reflorestamento em Niterói, sobre o Arboribus e sobre parques.
Seguiremos em frente fazendo de Niterói uma referência de sustentabilidade e resiliência urbana, fazendo da oportunidade de poder contar com suas florestas para garantir a qualidade de vida, permitir o lazer da população, gerar empregos e fomentar a economia.

Axel Grael
Prefeito de Niterói

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segunda-feira, 8 de junho de 2020

Cientistas dizem que proteger a floresta é combater o avanço de vírus



Reserva Biológica de Guapiaçu. A reserva é uma área particular que investe em reflorestamento e parcerias públicas e privadas. Na foto, Nicholas Locke, proprietário da terra transformada em reserva, junto ao limpo rio Guapiaçu Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo



Desmatamento da Mata Atlântica, em cujos domínios vivem dois terços da população brasileira, preocupa: ganha força no mundo conceito de equilíbrio com meio ambiente para garantir saúde


Ana Lucia Azevedo

É sabido que o desmatamento desequilibra o clima e reduz a oferta de água, mas a epidemia de Covid-19 evidencia outro efeito perverso. Fogo, correntões e motosserras libertam vírus mantidos longe do ser humano por florestas e afetam a saúde humana até nas cidades. Coronavírus de morcegos, por exemplo, foram descobertos na Mata Atlântica, onde o desmatamento voltou a crescer e aumentou 27,2%, segundo dados divulgados semana passada. A preservação da floresta é capaz de proteger o homem e reduzir infecções.

É o princípio de Saúde Única (One Health), adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e que ganhou relevância com a atual pandemia, nascida do contato de homens com um coronavírus de morcegos na China.

As florestas controlam doenças ao diluir o risco de transmissão multiplicando os hospedeiros para os vírus em suas milhares de espécies de animais. Toda doença infecciosa nova está ligada a desequilíbrios ambientais, diz Edison Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

O grupo dele descobriu na Mata Atlântica de São Paulo quatro tipos de coronavírus com potencial de sofrer mutações e passar a infectar seres humanos: dois de morcegos e os outros dois, de aves. Encontraram ainda um vírus da influenza em morcegos, o HL18NL11, achado relatado em 2019 na revista “Emerging Infectious Diseases”.

A Amazônia, com sua colossal biodiversidade, é um dos lugares mais prováveis para o surgimento de vírus com potencial de causar pandemias. Porém, muito mais devastada, a Mata Atlântica, em cujos domínios vivem dois terços da população do país, é onde coronavírus e outros têm sido descobertos.

Noventa por cento das doenças emergentes no planeta, como a Covid-19, o Ebola, a Sars, a Mers e a Aids, vêm de animais silvestres que saíram de áreas degradadas.

— A China tem mais gente, mas temos mais desmatamento, que aumenta sem controle — lamenta Durigon.

Vigilância e pesquisa

Durigon explica que a diversidade de vírus na Mata Atlântica é imensa, principalmente em morcegos, cujo sistema imune peculiar permite que carreguem patógenos sem adoecer. O Brasil abriga 15% das espécies de morcegos do mundo. São 178, das quais 113 da Mata Atlântica.

— Na floresta, eles são mantidos em segurança. Mas se um vírus tiver alguma mutação que permita pular de espécies, como o Sars-CoV-2 na China, pode passar para seres humanos — diz o cientista.

Epicentro: Região amazônica concentra casos da Covid-19 em diversos países da América do Sul

Os coronavírus que o grupo da USP encontrou na Mata Atlântica são parecidos com o Sars-CoV-2, mas não têm receptores para se ligar a células humanas. Não podem nos infectar. O vírus que causa a Covid-19 originalmente também não podia, e passou a fazer isso após sofrer uma mutação que lhe permitiu invadir células humanas.

— O encontro de um vírus silvestre com capacidade de infectar um ser humano não é um evento fácil. Mas a Covid-19 nos mostra que acontece. Temos que nos preparar para futuras pandemias. Vigilância e pesquisa são essenciais. Desmatamento e caça trazem doenças — salienta.

Segundo Durigon, a Mata Atlântica em volta da cidade de São Paulo é como um escudo contra doenças. Resta muito pouco dela e os vírus estão sempre em busca de novos hospedeiros. Coronavírus estão longe de ser raros. O grupo do professor André Santos, do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), encontrou uma nova espécie em catetos (porcos selvagens). Ele explica que não existe um número estimado de vírus no Brasil e seu grupo tem um projeto para estudar coronavírus de morcegos em todo o país.

O zoólogo Hugo Fernandes, da Universidade Estadual do Ceará, cujo trabalho é apoiado pelo Instituto Serrapilheira, também se preocupa com o impacto da caça na transmissão de doenças.

— Criticamos o chinês por comer ratos. Mas os brasileiros caçam e comem roedores como paca, cutia, mocó, preá e capivaras. Sem falar em macacos e outros bichos comidos ou traficados. Desmatamento, fragmentação de florestas e caça criam a receita para um desastre — diz.

Marcia Chame, coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre da Fiocruz, enfatiza que caça e o tráfico de animais silvestres espalham patógenos. Ela lembra que surtos atuais de doenças como febre amarela, malária e leishmaniose estão associados ao desmatamento.

O maior descobridor de vírus do Brasil, Pedro Vasconcelos, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, diz que na Amazônia os efeitos da destruição da floresta já são vistos no processo de urbanização de vírus como o mayaro e o oropouche, que causam infecções com sintomas semelhantes aos da dengue.

— Os vírus jamais desaparecerão da Terra. À medida que nos tornamos mais numerosos, precisamos aprender a mantê-los distantes. Proteger a floresta é uma questão de saúde.

Fonte: O Globo








sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Prefeitura de Niterói combate a proliferação de Leucenas







A Prefeitura de Niterói, através do programa Verdes Notáveis, da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos - SECONSER, tem mantido um esforço de controle da proliferação da Leucena, uma espécie exótica (não é da flora brasileira) que se reproduz de forma descontrolada e acaba competindo com as nossas espécies, ou invadindo praças, parques e até áreas de florestas naturais.

Saiba mais sobre a espécie em LEUCENA: UMA ALIADA QUE SE TORNOU VILà 


É o aconteceu recentemente numa encosta da Estrada Francisco da Cruz Nunes, no terreno do CIEP Cantagalo, recém reformado e inaugurado pela Prefeitura de Niterói. No local, havia uma colônia de Leucenas que foi retirada pelos profissionais da SECONSER e foram substituídas por outras espécies adequadas.


Imagem do Google Maps mostrando à esquerda prédios do CIEP Cantagalo e as Leucenas ainda presentes próximo à via.

Axel Grael
Engenheiro Florestal

Secretário
Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG
Prefeitura de Niterói




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LEIA TAMBÉM:

LEUCENA: UMA ALIADA QUE SE TORNOU VILà 








quarta-feira, 3 de abril de 2019

A história de uma bela árvore exótica que se tornou um pesadelo nos EUA




COMENTÁRIO:

Da década de 1960 a 1990, uma árvore se tornou mania na arborização urbana nos EUA: a "pereira de Bradford" ("Bradford pear"). A variedade de pereira tornou-se a árvore mais utilizada no rápido processo de expansão urbana do pós-guerra americano.

A árvore tem um porte belo e apropriado para as calçadas e tem uma floração branca, muito vistosa e atraente, que florescia entre março e meados de abril, ou seja no início da Primavera do Hemisfério Norte. Por isso se tornou tão desejada. Milhões de árvores foram plantadas da Califórnia a Massachusetts.

Passadas várias décadas, hoje há a preocupação com o alastramento descontrolado da espécie, ocupando áreas livre e agriculturáveis. É considerada hoje uma "espécie exótica invasora" e especialistas dedicam-se a erradica-la das ruas, praças e jardins. 

A espécie espalha´se rapidamente, compete com as espécies locais que acabam sendo derrotadas e ão aos poucos sendo expulsas da paisagem.

O problema tornou-se tão sério que o autor do artigo, Adrian Higgins, afirma que "gerações que nem nasceram ainda terão que aprender a odiar essa árvore".





O que deu errado?

O texto abaixo, publicado pelo jornal The Washington Post, conta a história da chegada do vegetal aos EUA, motivado pela necessidade de proteção dos cultivos da pera contra doenças que estavam dizimando a produção.

Em 1908, um especialista chamado Frank Meyer foi enviado à China para uma expedição em busca de variedades geneticamente resistentes às doenças dos pomares americanos, atacados principalmente por males nas raízes.

Meyer conheceu uma espécie que o impressionou pela rusticidade e versatilidade, uma vez que adaptava-se tanto em ambientes úmidos como em ambientes rupestres mais hostis.

Apesar de seus frutos não serem comestíveis, começou a ser utilizada como "cavalo" para enxertia com as variedades produtivas locais.

O problema das árvores é que seis meses após a belíssima floração, chegam os frutos em grande intensidade, que nós não consideramos apetitosos, mas as aves adoram e dispersam a espécie para todo o seu entorno.

A percepção da real ameaça da árvore ficou mais evidente no final dos anos 1990 e meados da década de 2000, quando era considerada uma praga em Washington (DC) e 19 estados. Hoje, já está espalhada por 29 estados americanos.

Espécies invasoras no Brasil

No Brasil, temos vários exemplos de problemas causados por espécies invasoras, que causam desequilíbrios ecológicos e prejuízos à biodiversidade nativa. Vide os links ao final da presente postagem.

Em Niterói, o exemplo mais marcante é a proliferação da Leucena, uma espécie exótica invasora que tem sido combatida pela Prefeitura.

Axel Grael



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Carole Bergmann, a field botanist in the Montgomery County Parks Department in suburban Maryland, spends much of her time fighting the incursion of Bradford pear trees in the park system. In this meadow in Great Seneca Stream Valley Park near Germantown, she surveys thousands of pear seedlings that cover the field and are kept in check by an annual mowing. The aim is to weaken the plants and prevent them from flowering and seeding. (Jennifer Heffner/For The Washington Post)


Scientists thought they had created the perfect tree. But it became a nightmare.

By Adrian Higgins
September 17, 2018


Carole Bergmann pulls her small parks department SUV into an aging 1980s subdivision in Germantown, Md., and takes me to the edge of an expansive meadow. A dense screen of charcoal-gray trees stands between the open ground and the backyards of several houses. The trees are callery pears, the escaped offspring of landscape specimens and street trees from the neighborhood. With no gardener to guide them, the spindly wildlings form an impenetrable thicket of dark twigs with three-inch thorns.

Bergmann, a field botanist for the Montgomery County Parks Department, extricates herself from the thicket and in the meadow shows me that what I take to be blades of grass are actually shoots of trees, mowed to a few inches high. There are countless thousands, hiding in plain sight in Great Seneca Stream Valley Park. If it were not cut back once a year, the meadow would become like the adjacent screen, wall upon wall, acre upon acre of black-limbed, armored trees worthy of Sleeping Beauty’s castle.

“You can’t mow this once and walk away,” said Bergmann, who began her 25-year career in the department as a forest ecologist but has been consumed by an ever-pressing need to address the escape of the Bradford pear and other variants of callery pear, a species that originated in China, along with other invasive exotics.

The U.S. Agriculture Department scientists who gave us the Bradford pear thought they were improving our world. Instead, they left an environmental time bomb that has now exploded.

From the 1960s to the 1990s, the callery pear was the urban planner’s gift from above. A seedling selection named Bradford was cloned by the gazillion to become the ubiquitous street tree of America’s postwar suburban expansion.

The Bradford pear seemed to leap from an architect’s idealized rendering. But in this case, reality outshone the artist’s vision. It was upright and symmetric in silhouette. It exploded with white flowers when we most needed it, in early spring. Its glossy green leaves shimmered coolly in the summer heat, and in the fall, its foliage turned crimson, maroon and orange — a perfect New England study in autumnal color almost everywhere it grew. And it grew everywhere. It flourished in poor soil, wet or dry, acidic or alkaline. It shrugged off pests and diseases, it didn’t drop messy fruit like mulberries or crab apples. Millions of Bradford pears would be planted from California to Massachusetts and would come to signal the dream and aspirations of postwar suburbia. Like the cookie-cutter suburbs themselves, the Bradford pear would embody that quintessentially American idea of the goodness of mass-produced uniformity.


The community of University Park became the test bed for the Bradford pear, with 180 saplings planted in 1954, seven years before this picture was taken. The pear’s showy white flowers in early spring made it a wildly popular tree soon after its introduction in the early 1960s. The careful formative pruning of these specimens would mask the tree’s structural flaws. (USDA National Agricultural Library)

But like a comic book supervillain who had started off good, the Bradford pear crossed over to something darker. It turned from thornless to spiky, limber to brittle, chaste to promiscuous, tame to feral. Most of all, it became invasive. It is now an ecological marauder destined to continue its spread for decades, long after those suburban tract houses have faded away. Generations yet to be born will come to know this tree and learn to hate it.

It is at its most conspicuous in early spring, when it bursts into flower. Suddenly whole rural landscapes — meadows, old pastures, woodland edges, ditches, the sides of highways and railroads — are lit up by its blossoms. From early March to mid-April, you can now track the arrival and progression of spring in the United States not as amber waves of grain but as a frothing tide of Bradford pear.

You might even enjoy its beauty, until you realize that it is squeezing out native flora and reducing biodiversity. As eye-catching as the flowers are, they are simply the start of the seasonal march of this invader. Six months after the blooms appear, clusters of seedy berries invite birds to fatten up for winter. In the bird’s droppings, the seeds will germinate and advance, becoming ever more genetically diverse in the process and making the pear ever more adapted to its own spread.

Its invasive tendencies became widely noticed by the late 1990s, and by the mid-2000s, it had become a weed in the District and 19 states, from Texas to New York. “While callery pear was introduced with the best of intentions, it now seems that a plague is truly upon us,” botanist Michael Vincent wrote at the time. It has now spread to 29 states.

The roots of the Bradford pear fiasco go back more than a century, and had nothing to do with decorating suburbia. By the turn of the 20th century, Northern California and southern Oregon had become the centers of pear production in the United States. The common or European pear was a high-value fruit; in one Oregon county alone, Jackson, the pear industry in 1916 was worth a mind-boggling $10 million.

But the orchards were threatened by a new disease called fire blight. George Roeding, a nurseryman in Fresno, Calif., wrote in 1916 that “in the San Joaquin Valley, which sixteen years ago was one of the great pear producing sections of California, the pear has been absolutely wiped out of existence.”


The Bradford pear’s small fruit was meant to be sterile, but when pollinated by other callery pears, it became fertile. Less than an inch in diameter, it is the perfect size for birds to eat and disperse into natural areas. (Jennifer Heffner/For The Washington Post)


In Talent, Ore., a plant scientist named Frank Reimer was using a test orchard to work on fire-blight control and found that the callery pear, first brought to the States in 1908, was highly resistant to fire blight and might be used as a rootstock onto which varieties of the European pear could be grafted. The much smaller callery fruit is used to make tea in China but is considered inedible.

But to take his research further, Reimer needed lots of genetically rich wild seed from China. He turned to David Fairchild, a dynamic young botanist in Washington. Fairchild is best remembered as the guy who helped bring the Japanese cherry blossoms to the capital, by first growing 125 imported trees on his estate in Chevy Chase, Md.

Fairchild headed the Agriculture Department’s Office of Foreign Seed and Plant Introduction. He traveled far during his career in search of new plants, but he relied on another explorer, Frank Meyer, in the quest for a super-pear. Meyer, an emigre from the Netherlands, had already explored extensively in northern and central China when Fairchild tapped him, in 1916, to go to southern China. (Meyer is best known for giving Americans the lemon variety named after him.)


Frank Meyer, a Dutch-born plant explorer for the U.S. Agriculture Department, on a plant collecting trip to China in 1908, a decade before his death during another Chinese expedition. (USDA/Science Photo Library)


In an age before passenger jets and digital communication, the quest for the callery pear would be no quick or easy excursion. A century ago, plant explorers needed an extraordinary set of skills to complete their missions and survive a range of perils.

A haunting image of Meyer in China is captured in a 1908 photo. With a big black beard, sheepskin leggings and a staff, he is seen gazing into the distance from a mountainous, arid landscape. All about him, burlapped cuttings rest like tablets brought down from Mount Sinai. He is in his early 30s but seems older.

Meyer left Washington in mid-August of 1916, traveling west to see Reimer’s pear trials in Oregon and finally departing Seattle bound for Japan on the last day of summer. Within a couple of months, he had sent six large shipments of seed from Beijing containing pine nuts, walnuts and chestnuts, but no callery pear. Fairchild, exasperated that Meyer was hanging around Beijing, urged him to make his way up the Yangtze River to look for the callery. “You must not leave any stone unturned to secure it,” he wrote. The correspondence between Meyer and Fairchild form part of an archive of the Chinese expedition in the National Agricultural Library in Beltsville, Md.

Meyer eventually made his way to Yichang, a four-day boat ride from Hankou (now Wuhan) up the Yangtze, and he soon found wild-growing callery pears, if not in the extravagant amounts Reimer was seeking. “Altho’ not rare in the hills around here, the trees are very widely scattered, they are often quite small and as such produce individually but little fruit,” he wrote.

Many of the trees were stunted in dry, poor sites, but one remarkable aspect of this species soon became apparent. It could grow virtually anywhere. Meyer recorded pear trees on sterile mountain slopes, on the edge of a pond in wet soil, on screes, in bamboo stands and even in running water.

Having made arrangements for locals to collect and process the seed the following fall, he set out to southern China in search of other plants but got only as far as Hankou, where he took to his bed with “nervous prostration.”

After several weeks of rest and therapy he was back on his feet, and by late summer, he had made his way to the area around Jingmen, today a large city in Hubei province.

He sent his first shipment of callery pear seed to Fairchild in September, and the following month he teamed up with Reimer and gathered another 25 pounds of seed — enough to grow a small forest of callery pears. Reimer also collected on his own, before the two men went to Yichang in early November.


A 1917 photo by Meyer shows the incredible adaptability of the callery pear to both arid and wet environments. Here, trees, though stunted, are growing out of the thin, rocky soil of a mountain in Hupeh, China. The hat provides scale to the image. (F.N. Meyer/USDA National Agricultural Library)


Another calamity was about to overtake Meyer, however, as China had become gripped by spreading internal strife. Factional warlords fought for dominance. This kept him confined to Yichang while seeds and notes were isolated in Jingmen. “As I am writing,” he wrote in February 1918, “we hear the rickety noise of rifle fire.”

That spring, he made his way to Jingmen to retrieve his pear seeds and baggage, and then took a steamer down the Yangtze back to Hankou.

On the evening of May 31, 1918, Meyer boarded another ship sailing downriver to Shanghai, where he planned to stay a month to escape the heat of Hankou and to ship his pear seeds to Fairchild.

Meyer had been suffering from a stomach ailment but appeared to be getting better the next day, a Saturday. His mental state may have been getting worse. Meyer told his servant Yao Feng T’ing that his father and some old friends had come to him in a dream, and that he considered this an omen.

That Saturday night, when the boat was about 30 miles upriver from the city of Wuhu, Meyer was seen by a cabin boy making for the deck. The lad thought Meyer was going to the toilet, but he was never seen alive again. His body was fished out of the Yangtze four days later near a settlement named Ti Keng.

Samuel Sokobin, the American vice consul in Shanghai, conducted an investigation and reported that although it seemed Meyer had not been killed, it was “impossible to state” whether Meyer’s death was an accident or suicide. Signs point to the latter. After talking to the explorer’s servant and fellow passengers, Sokobin wrote: “It appears certain that Mr. Meyer had been depressed for some time.” He was 42. Sokobin had Meyer’s body moved to the Protestant Cemetery in Shanghai and his seed collections sent to Washington.

Reimer, in his time with Meyer in Jingmen, had come to see just how low he was. “He told me of his life’s struggles,” he later wrote. “Few people ever realized the tremendous battle that was raging in his soul.”

The seed that Meyer and others would collect ended up in Reimer’s test orchard in Oregon and the U.S. Plant Introduction Station in Glenn Dale, then a rural enclave in Prince George’s County.

In the early 1950s, a horticulturist at Glenn Dale named John L. Creech began to see the callery pears there not as a rootstock for the common pear but as an extraordinarily handsome and tough street tree in its own right. He latched on to a single specimen that had been grown from seed that was not part of Meyer’s shipment but acquired soon afterward in Nanjing as part of Fairchild’s same feverish search for callery pear seed.


John L. Creech (1920-2009) headed the National Arboretum in the 1970s during a golden period of plant breeding and exploration, but he is remembered, too, as the scientist who introduced the Bradford pear to the world. It would turn into an ecological marauder. (U.S. National Arboretum)


The tree was 30 years old when Creech first evaluated it, and judging from his later writings, he was besotted by this specimen. He was struck by its vigor, its handsome, mature spread and its evident ornamental qualities. But a plant’s value lies too in what it is not. This one tree did not have the thorns of other callery pears; it was free of diseases and pests and held together in storms. In selecting this individual to mass-produce, Creech named it Bradford after the station’s former head, F.C. Bradford. This specimen’s resilience in storms belied what would become a major problem with its mass-produced Bradford clones: Tight branch-to-trunk angles and congested branching invited the limbs to break apart.

Before releasing the Bradford ornamental pear to the nursery trade, Creech decided to trial it in the nearby Washington suburb of University Park, which was then treeless and had difficult soil — perfect for putting this wondertree to the test. He planted 180 saplings in 1954. He pruned them to keep lower branches out of the way of pedestrians and cars, but also to give each tree a handsome profile. This undoubtedly produced more attractive and useful trees but further hid the Bradford’s weak-wooded Achilles’ heel.

Happy with its performance in University Park — some of the original Bradfords are still there, as lanky, open shade trees — he officially released the Bradford pear to the nursery trade in January 1960 and invited growers to obtain shoots for grafting onto callery pear seedlings. Each Bradford scion would be genetically identical, but the rootstocks each had their own DNA. This would come back to bite us.

For a few innocent years, the only thing working against the Bradford pear was its ubiquity. It was so golden that every nursery grower wanted to propagate it and every home builder and highway department wanted to plant it.

In 1966, Creech and his colleague William Ackerman wrote that the University Park plantings had displayed very little fruit, in contrast to the situation back at Glenn Dale, where the whole zoo of callery pears — 2,500 seedlings — had produced “abundant fruit development” on similarly aged Bradfords. Their point was that if you kept Bradfords away from other pears, messy fruiting wouldn’t be a problem. But they clearly missed the ecological repercussions. And in the University Park planting, they noticed something else that should have raised alarms. On a few grafted trees where the scion had failed, the rootstock had produced suckers that then bloomed. These flowers, with the help of bees, caused the “sterile” street trees to set viable fruit. Creech and Ackerman minimized the problem, saying it was highly localized.


New shoots of the Bradford pear tree sprout in Great Seneca Stream Valley Park in Germantown, Md. Without an annual mowing, the pears would soon turn meadows into thickets of spiny trees. (Jennifer Heffner/For The Washington Post)


Clues to the callery pear’s invasiveness are buried in a journal paper written by Ackerman in 1977, when he announced the introduction of another variety named Whitehouse, chosen because it was more upright than Bradford and better suited to small gardens. But this selection was a fugitive from Glenn Dale, growing as a seed deposited by a bird on a neighboring property; Bradford was one of its parents. The callery pear had escaped the reservation.

Four years later, the National Arboretum introduced an even more columnar variety named Capital. Meanwhile, commercial plant breeders were bringing to market other varieties of the callery pear, and by the mid-1980s, a dozen or so were available for planting. Many of these were introduced to get around the Bradford’s poor branch structure and propensity to break. Sterile by themselves, any two of these varieties together would produce a heavy fruit set for winter bird dispersal. The stage was set for the callery pear’s quiet occupation of the countryside.

Since 2012, Bergmann has led efforts to contain the callery pear on 232 acres, though it has been mapped on 425 acres within the Montgomery park system and may occupy countless more areas, she said. Crews have employed a number of tactics, including felling trees with chain saws, girdling their trunks with a blade and spraying the wound with a systemic herbicide. But the trees are mostly beaten back with an annual cutting by a Bush Hog mower or in woodier areas a beefier machine called a forestry mulcher.

“It’s not a fix like building a bridge or putting down a road,” she said. “Once you cut down a field of Bradford pears, they’re going to try to come back.”

It seems that the callery pear has been a curse to those who tried to master it. Wild trees of Pyrus calleryana in China are not invasive or particularly common. It’s what we did to the pear that has turned it against us: We brought it to an alien environment, selected one for unnatural propagation and then fused genetically different individuals together. We planted it intensively across the entire continental United States, seeding its eventual spread. Today it is a roving, free-range freak.

In Mary Shelley’s epic tale, Victor Frankenstein laments the monster he created. “I must pursue and destroy the being to whom I gave existence,” he tells Captain Walton.

If Creech had regrets about introducing the Bradford pear, he kept them to himself. In economic terms for nursery growers, the tree was manna from heaven. By the 1990s, he knew of its structural ailments and the problem with self-seeding. But when these were raised, his response was always the same. “He would say, ‘Yes, the tree has had its problems, but it put a lot of kids through college,’ ” said Lynn Batdorf, the arboretum’s retired boxwood expert, who was a young horticulturist under Creech in the 1970s.

A decorated World War II Army veteran who ended the war in a German POW camp, Creech was beloved by the horticulturists who worked for him. He organized scientifically important plant-collecting trips to Japan and presided over a golden period of ornamental tree and shrub development at Glenn Dale and later at the National Arboretum, where he was director from 1973 to 1980. He leveraged his contacts in Japan to establish the world-famous bonsai collection at the arboretum.

I sat down with the current arboretum director, Richard T. Olsen, and asked him to explain how Creech could have gotten the Bradford pear so wrong. Olsen says you can’t judge what happened without understanding the historical context. The mission of scientists like Creech and Fairchild was to find and manipulate plants in a way that solved a problem, met an unmet need or simply offered an attractive new plant for the American nursery industry and consumers.

Olsen recites Thomas Jefferson’s line: “The greatest service which can be rendered any country is to add a useful plant to its culture.”

For Creech and his peers working in the 1950s, the potential environmental effects were not part of the decision-making. “These people were pretty smart,” Olsen said. “Our values have changed.”

In addition, he said, invasive plants have been enabled in their spread by centuries of environmental disturbance. “If we think in our forests we are dealing with a pristine habitat, we are deluding ourselves,” he said. Peter Del Tredici, a retired senior research scientist at Harvard’s Arnold Arboretum, said the concept of exotic invasive species didn’t emerge until 30 years ago, even though European settlers recorded escaped plants as early as 1672.


Bradford pear trees line Watkins Meadow Drive in Germantown, Md. The tree was planted by the millions across the United States between the 1970s and 1990s, providing a base population for its successive invasion of natural areas. The pear, originally from China, has escaped in at least 29 states and the District. (Jennifer Heffner/For The Washington Post)


Only a fraction of nonnative ornamental plants become invasive, but those that do have the capacity to completely transform natural areas. Bergmann has established an army of weed-control volunteers to work in county parks, but the idea of eradicating almost 40 species of key invasives is unrealistic.

“Without thinking much about it, we have globalized our environment in much the same way we have globalized our economy,” Del Tredici has written. He lives in the Boston suburb of Watertown, where he is seeing the first wave of callery pear invasion, young plants “in highly disturbed habitats where no maintenance has occurred,” he told me.

In the South, the march of the callery is much more evident. “It’s definitely starting to really become a prominent invasive in Alabama,” said Nancy Loewenstein, an extension specialist at Auburn University. She sees it in disturbed industrialized areas, in the understory of pine plantations and along the banks of the Alabama River and other riparian areas. “There are some areas that are just white in the spring,” she said.


The invasion of the pear can be seen clearly each spring, when its flowering reveals its presence, here near Auburn, Ala. Callery pears are well adapted to spreading in the wild. They grow in a range of soil and light conditions, and begin to flower and seed at a young age. These volunteers were spread by birds and, if left unchecked, will cover the field in a few short years. (Nancy Loewenstein/Auburn University)


Bergmann, who is 67 and looking at the end of her career, says she owes it to future generations to try to contain the Bradford pear and other invasives in the hope that one day scientists can find a way to eradicate them.

It is a problem that Fairchild could not have envisioned a century ago, but the Bradford pear persists as a case study in how even the brightest scientific minds can be blind to what they might be creating long after they have gone. In November 1917, Fairchild wrote to Meyer thanking him for the first batch of callery pear seed. “I believe,” he predicted, “these will hardly fail to have in them something of extreme value for this country.”


Fonte: Washington Post




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