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domingo, 14 de junho de 2020

PARQUE ORLA DE PIRATININGA: início das obras será nos próximos dias. Saiba mais sobre o projeto





O vídeo acima explica como será e a importância do Parque Orla de Piratininga - POP, iniciativa que faz parte do Programa Região Oceânica Sustentável - PRO SUSTENTÁVEL, conduzido pela Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão - SEPLAG, da Prefeitura de Niterói.

Começamos a idealizar o PRO Sustentável em 2014, fizemos as negociações pata a captação dos recursos junto à CAF (Banco de Desenvolvimento da América Latina) e o contrato de empréstimo foi finalmente assinado no final de 2016. Juntamente com os investimentos em saneamento, em mobilidade sustentável (TransOceânica e o Niterói de Bicicleta), o PRO Sustentável é uma das principais alavancas do salto de Niterói para a sustentabilidade urbana.

O Parque Orla de Piratininga - POP é um dos mais importantes componentes do PRO Sustentável e, mesmo antes do início das obras para a sua implantação, o projeto já foi reconhecido e premiado no país e no exterior. Implantação de parques em Niterói, é uma das prioridades de Niterói, conforme foi 

A primeira etapa do Parque Orla de Piratininga - POP, que abrange a infraestrutura verde, está em fase final de licitação, e a segunda etapa, que inclui obras de edificações e infraestrutura física, já está também sendo licitada. Saiba mais sobre a licitação da segunda etapa e o seu escopo de investimentos:

OBJETO: Contratação de empresa especializada para execução das obras de Urbanização e de Edificações do Parque Orla Piratininga, localizado na Região Oceânica de Niterói, no âmbito do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO Sustentável), conforme Projetos Executivos aprovados, constantes das especificações técnicas do Termo de Referência, que constitui o Anexo I.

EDITAL PARA A IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA CICLOVIÁRIO DA REGIÃO É DESTAQUE NO O GLOBO 

Parabéns a toda equipe do PRO Sustentável e das demais inciativas que permitem que Niterói faça história, mostrando o caminho para a sustentabilidade urbana.

Axel Grael 






quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ILHAS DE CALOR URBANO: A influência da brisa marítima no clima da Grande São Paulo



Ao subir a serra, brisa mitiga ilhas de calor e melhora qualidade do ar, dispersando poluentes acumulados na atmosfera, indica estudo. Mas, como a emissão de poluentes continua, o efeito é temporário (imagem: Landsat / Wikimedia)


Chloé Pinheiro | Agência FAPESP – Ao subir a serra, a brisa que vem do litoral pode mitigar as ilhas de calor que se formam na Região Metropolitana de São Paulo, além de interferir na qualidade do ar ao promover temporariamente a dispersão dos poluentes acumulados na atmosfera.

É o que indica um estudo publicado na revista Atmosferic Research e conduzido por Flávia Noronha Dutra Ribeiro, docente do curso de Gestão Ambiental na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP). O trabalho teve apoio da FAPESP.

As circulações termicamente dirigidas provenientes de lagos, mares e montanhas ajudam a determinar não só o clima, mas a qualidade do ar das áreas urbanas próximas.

O foco da pesquisa coordenada por Ribeiro é entender a propagação da brisa marítima na Camada Limite Planetária (CLP), a faixa de ar mais próxima da superfície, da Região Metropolitana de São Paulo e seus efeitos locais.

“É esperado que a brisa traga um ar mais úmido e um pouco mais frio da costa, mas havia poucas informações disponíveis sobre o impacto real dela no perfil vertical da atmosfera”, disse Ribeiro, que também é pesquisadora e orientadora do programa de pós-graduação em Sustentabilidade na EACH-USP.

A CLP é a camada mais próxima do solo da troposfera, última camada da atmosfera, faixa gasosa que envolve a Terra e mantém a temperatura e o clima do planeta, além de filtrar os raios ultravioleta. A CLP é importante para o clima local, pois é responsável pela troca de calor e umidade entre a superfície e a atmosfera.

Ribeiro explica que a CLP recebe a interferência direta do que ocorre na superfície, como a capacidade de o solo refletir ou absorver o calor gerado pela radiação solar, tráfego automotivo, indústria, densidade demográfica e emissão de poluentes.

E é justamente nessa camada que se formam as ilhas de calor, anomalia térmica que torna o ambiente urbano mais quente e seco do que as zonas rurais, que contêm mais vegetação.

“Como já temos uma região mais quente, o calor antropogênico – promovido por atividades humanas – tende a criar movimentos ascendentes na atmosfera e gerar uma circulação maior de ilhas de calor”, disse a pesquisadora.

Nas cidades, o ar é convergido para o centro, o que intensifica o efeito do fenômeno. E é esse fenômeno que acelera a propagação da brisa que, por sua vez, resfria o ar local.

“Em São Paulo, a chegada da brisa marítima é muito positiva, pois deixa a temperatura um pouco mais baixa, o clima mais úmido e o ar menos poluído”, disse Ribeiro.

O efeito, contudo, é temporário.

“A chegada da brisa provoca uma inversão térmica que deixa a CLP mais estável, agindo como uma espécie de tampa na atmosfera. Assim, embora o ar limpo chegue, os poluentes continuam sendo emitidos e não conseguem se dispersar na vertical como deveria ocorrer”, disse a pesquisadora.

Brisas frequentes

O estudo utilizou medições feitas no projeto MCITY Brasil, conduzido em 2013 na USP por Amauri Pereira de Oliveira, que realizou sondagens na região metropolitana em diversos horários do dia por meio de uma radiossonda.

O equipamento forneceu o perfil vertical de temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento. Depois, os dados foram analisados com o modelo atmosférico Weather Research and Forecast (WRF).

“Trata-se de um modelo numérico computacional usado para previsão do tempo e pesquisa, que simula a interação entre superfície e atmosfera e permite a análise da circulação atmosférica”, explica Ribeiro, que comparou o clima no topo do platô da Serra do Mar e de outros pontos da área urbana para calcular a propagação da brisa.

“Pelas simulações do modelo vimos que, mesmo no dia em que não havia brisa na cidade, havia um ar mais frio na estação que ficava no final da serra”, disse.

Para a análise, os pesquisadores escolheram duas ocorrências de brisa marítima na região metropolitana, uma durante o inverno e outra no verão, mas o fenômeno não é raro.

“Outros estudos já haviam demonstrado que a brisa marítima chega a São Paulo pelo menos em metade dos dias do ano. E, agora, confirmamos que ela sobe a serra quase todos os dias, mas depende de condições sinóticas [sistemas de ventos] para atingir a área urbana”, disse Ribeiro.

A presença tão marcante da brisa mesmo a cerca de 700 metros de altitude e 50 quilômetros de distância terrestre é proporcionada pela topografia da Serra do Mar, que impulsiona a brisa marítima.

“Ela se estabelece na costa, mas é propagada com a ajuda da circulação vale-montanha. Por conta da brisa de montanha, conforme a brisa marítima sobe, esfria ainda mais, e, quando atinge o topo, essa diferença térmica provoca a movimentação do ar em direção à cidade”, explicou Ribeiro.

Os pesquisadores agora analisarão o efeito da brisa marítima na qualidade do ar da região metropolitana com outro modelo numérico, o Community Multiscale Air Quality (CMAQ), que analisa a evolução da concentração de poluentes na atmosfera, além de seguir usando o modelo WRF para verificar a influência dela em outras épocas do ano.

Outro objetivo do grupo é avançar no conhecimento das ilhas de calor. “Faremos uma simulação de 10 anos de dados sobre as ilhas de calor em São Paulo durante o mês de janeiro, para comparar o comportamento delas em diversas situações sinóticas”, disse Ribeiro.

O grupo pretende verificar, por exemplo, como as ilhas de calor respondem às massas de ar maiores do que a brisa marítima, como a frente fria.

O artigo Effect of sea breeze propagation on the urban boundary layer of the metropolitan region of São Paulo, Brazil, de Flávia N. D. Ribeiro, Amauri P. de Oliveira, Jacyra Soares Regina M. de Miranda, Michael Barlage e Fei Chen, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0169809518302199.

Fonte: Agência Fapesp




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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Vento pode ser segunda principal fonte de energia elétrica do país em 2019



Vento deve ser segunda principal fonte de energia do Brasil em 2019. Assista ao vídeo aqui. 


Há dez anos, energia eólica abastecia apenas dois milhões de pessoas. Em 2018, número chega a 77 milhões. Investimentos vêm até de empresas de petróleo.

O vento deve se tornar a segunda principal fonte de energia elétrica do Brasil em 2019. Os investimentos em energia eólica estão partindo até de empresas de petróleo.

Em poucos países do mundo a energia do vento cresceu tão rapidamente quanto no Brasil. Há dez anos, os cataventos gigantes abasteciam apenas dois milhões de pessoas. Hoje, esse número chega a 67 milhões. Em 2022, a energia eólica deverá alcançar cem milhões de brasileiros.

“Nós estamos desenvolvendo torres mais altas e mais potentes. Essas torres captam melhor os ventos e produzem mais energia e, inclusive, nós descobrimos potenciais eólicos não só no Nordeste, como no Sul do país, mas em outras regiões. Até onde se sabe, os fabricantes dizem que o Brasil tem o melhor vento do planeta para a produção de energia eólica”, afirmou Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica.

Ventos fortes e regulares, quase sempre na mesma direção, tornaram o Brasil um dos principais destinos dos investimentos em energia eólica no mundo inteiro. Em plena crise econômica, apenas em 2017, o setor movimentou mais de R$ 11 bilhões. A expectativa é de que já em 2019 o vento seja a segunda maior fonte de energia do país.

Hoje, 60% da energia elétrica produzida no Brasil vêm das hidrelétricas; 9%, das usinas de biomassa, principalmente da queima de bagaço de cana; e a energia eólica representa 8,5% da geração, seguida pelo gás natural, 8%.

“Nós temos cada vez mais tecnologia e custos operacionais de acesso, de fornecedores, inclusive fornecedores brasileiros, competitivos. O Brasil é um dos poucos ambientes do mundo em que se tem muito potencial para crescer em terra e no mar, ao mesmo tempo”, disse Jean-Paul Prates, diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais.

Até quem fez do petróleo seu principal negócio, resolveu investir em vento. A Petrobras anunciou o primeiro projeto de energia eólica em alto mar, no Brasil.

O aerogerador será instalado a 20 quilômetros da Costa de Guamaré, no Rio Grande do Norte, a um quilômetro da plataforma de petróleo.

Cabos submarinos de energia vão conectar o gerador à plataforma e a plataforma ao continente.

A capacidade de geração será de aproximadamente que seis megawatts, o suficiente para abastecer 16.500 casas.

É um projeto piloto, que poderá abrir caminhos para novos investimentos.

“O Brasil tem naquela região do Ceará e Rio Grande do Norte uma capacidade, que nós mesmos medimos, de 140 gigawatts de potência. Isso é igual à capacidade total do país hoje. Portanto, a gente vê isso como uma área de negócios absolutamente possível, sim, sempre que economicamente viável”, explica o diretor de Estratégia da Petrobras, Nelson Silva.

Fonte: G1








segunda-feira, 18 de junho de 2018

NITERÓI RESILIENTE: Aplicativo da Defesa Civil de Niterói alerta para o risco de catástrofes



App traz informações sobre previsão de chuvas fortes, ressaca e condições do tempo para risco de fogo em vegetação
Foto: Divulgação / Prefeitura de Niterói



Aplicativo de celular e mensagens de SMS garantem informação para a população e também órgãos municipais

No último dia 19, quando ventos de até 70 km/h atingiram Niterói, equipes da Secretaria Municipal de Conservação, Clin e NitTrans estavam a postos para minimizar os efeitos da tempestade. Todos os órgãos municipais foram informados dos riscos no dia anterior pelo aplicativo Alerta DCNIT e por mensagens de SMS da Defesa Civil de Niterói. Os sistemas de informações sobre previsão de chuvas fortes, ressaca e condições do tempo para risco de fogo em vegetação estão disponíveis para toda a população.

O tenente-coronel Walace Medeiros, secretário da Defesa Civil de Niterói, aponta que esses sistemas de alerta vêm começando a fazer parte do cotidiano da população. Ele ainda frisa a importância do aumento da cultura preventiva aos desastres na cidade.

“O Alerta DCNIT é uma ferramenta importante de prestação de serviço para o niteroiense, com intenção de possibilitar um canal de comunicação constante com a população. Temos certeza que a informação bem transmitida e recebida constitui ferramenta fundamental no processo de prevenção e resiliência”, afirma.

A Defesa Civil de Niterói atua no monitoramento das condições do tempo através de sua Seção de Meteorologia, com o uso de equipamentos como estações meteorológicas e pluviômetros. Para baixar o Alerta DCNIT, basta acessar sua loja de aplicativos e selecionar o programa. Além das informações meteorológicas, o aplicativo disponibiliza avisos emergenciais, localização de sirenes e pontos de apoio, assim como informações importantes em casos de queimadas, chuvas fortes, vendavais e ressacas. O sistema também conta com botão que direciona o aparelho automaticamente para uma ligação com a Defesa Civil, gratuitamente através do 199.

Recentemente, o aplicativo Colab.re passou a complementar o já existente sistema de SMS, que tem mais de 600 cadastrados recebendo mensagens de texto sobre tomada de atitudes preventivas e emergenciais em casos de iminência de desastres. Quando é emitido alerta por SMS pela Defesa Civil, notificações também são recebidas por aqueles que têm o aplicativo.

Sirenes – Niterói também possui 30 sirenes de alerta para desastres naturais, em 25 pontos da cidade. Em setembro de 2016, a Prefeitura de Niterói assumiu a manutenção do sistema após o governo estadual informar que não poderia mais arcar com os custos do serviço. Em cada comunidade onde há sirene, as rotas de fuga foram sinalizadas para facilitar o acesso dos moradores a locais seguros. Em caso de acionamento das sirenes, a Defesa Civil conta com pontos de apoio, onde cada comunidade tem seu local específico – que pode ser uma escola, uma quadra, etc. São acionados também o SAMU e a Assistência Social para integrar a equipe que vai receber os moradores.

A cidade conta, ainda, com 52 Núcleos de Defesa Civil nas Comunidades (Nudecs), formados por voluntários que vivem nos locais onde atuam, agindo em casos de fortes chuvas. Os grupos são formados por cerca de 20 pessoas cada. As equipes multiplicam os conceitos de prevenção nos locais onde residem, além de apoiarem as ações emergenciais da Defesa Civil em caso de chuvas intensas. Em caso de emergência, os niteroienses podem ligar para a Defesa Civil pelos telefones 199, 2717-2631 e 2620-0199.


Fonte: O Fluminense















sábado, 28 de abril de 2018

Você sabe o que é "PIRAJÁ"? Veja como as Pirajás estão influindo na regata Volvo Ocean Race



Como acontece todo dia, o site da regata Volvo Ocean Race publica um vídeo (Daily Live) com entrevistas diretas dos barcos, entrevistando velejadores, abordando alguma curiosidade ou dando alguma explicação sobre aspectos técnicos da regata.

O Daily Live de hoje está especialmente interessante.

Os barcos estão bem próximos à costa do nordeste brasileiro, mais ou menos ao largo do Recife. O comentarista Conrad Colman, diretamente do Quartel General da regata em Alicante, Espanha, faz uma ótima abordagem de um fenômeno típico dos mares do litoral brasileiro, que é chamado em linguagem náutica de "Pirajá".

Pirajá é o vento de chuva que vem sob as nuvens Cummulus nimbus que percorrem o nosso litoral. São velhas conhecidas nos nossos homens do mar.

Os velejadores da Volvo Ocean Race passaram por Pirajás em outros mares, mas estão experimentando agora na costa brasileira os seus efeitos mais intensos na regata, uma vez que estão sendo decisivas nas intensas trocas de posição. Que o diga a tripulação do Dong Feng, que perdeu várias posições.

No Daily Live de hoje, Conrad Colman, com a ajuda de ventiladores, demonstra no escritório de forma criativa e didática a física por trás das nuvens de Pirajá e como os velejadores podem se beneficiar delas ou se meter em encrenca.

Tudo isso aconteceu nas últimas horas na Volvo Ocean Race. Não deixe de assistir ao vídeo.


Daily Live – Saturday 28 April | Volvo Ocean Race












quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Artigo de Tasso Azevedo: "Vento tem dono?"






Deputados estão de olho em um naco das receitas do setor de energia eólica

Seria cômico se não fosse trágico. O Congresso se prepara para votar uma PEC que torna os ventos bens da União e permite a cobrança de royalties pelo aproveitamento energético eólico. Obra de um deputado do Piauí, relatada por outro de Pernambuco. Os ilustres representantes do povo estão de olho em um naco das receitas do setor de energia eólica, a fonte que mais cresceu em nossa matriz energética nos últimos anos.

Os argumentos do projeto de emenda constitucional são patéticos, indicando que a medida seria necessária para compensar os municípios, estados e a União pelas perdas do potencial turístico e outras atividades econômicas (sem apresentar uma única evidência para tal afirmação).

O que viria depois? Cobrar dos pescadores e velejadores por usar a energia do vento para mover as embarcações? Cobrar das companhias aéreas, paraquedistas ou até, quem sabe, dos meninos que empinam pipa por se apoiar no vento para voar? Se o Congresso legisla que vento tem dono, então poderia fazer o mesmo com a energia do sol. Daí o próximo passo seria cobrar dos agricultores por usar o sol para produzir alimentos, fibras e energia ou taxar cada residência que tenha aquecimento solar de água ou células fotovoltaicas.

"O que viria depois? Cobrar dos pescadores e velejadores por usar a energia do vento para mover as embarcações? Cobrar das companhias aéreas, paraquedistas ou até, quem sabe, dos meninos que empinam pipa por se apoiar no vento para voar?" 

O movimento é ainda mais absurdo quando se considera que o governo propôs, e o Congresso aprovou, no apagar das luzes de 2017, um generoso pacote de centenas de bilhões de reais de renúncia fiscal para o setor de petróleo e gás. Agora, parece querer compensar a perda de arrecadação cobrando pelo vento.

Quando mais precisamos lutar para reduzir emissões de gases de efeito estufa, o Brasil resolve ampliar o desserviço à nossa economia e à saúde do planeta ao incentivar energia fóssil e poluente e desincentivar a energia limpa e renovável.

"Quando mais precisamos lutar para reduzir emissões de gases de efeito estufa, o Brasil resolve (...) incentivar energia fóssil e poluente e desincentivar a energia limpa e renovável".

Para o Nordeste, quanto pior. A energia eólica já é a principal fonte de energia da região, provendo mais da metade da demanda de eletricidade. Traz emprego, renda, investimento e segurança energética para a região. Se ela se tornar menos competitiva, pode perder espaço nos leilões de geração para termelétrica e outros projetos em outras regiões do país. O tiro vai sair pela culatra. Vão matar a galinha dos ovos de ouro.

"Para o Nordeste, quanto pior". Se a "energia eólica (...) se tornar menos competitiva, pode perder espaço nos leilões de geração para termelétrica e outros projetos em outras regiões do país. O tiro vai sair pela culatra. Vão matar a galinha dos ovos de ouro".

Se é preciso aumentar a arrecadação sobre o setor de energia, que o façam com uma taxa extra sobre os combustíveis fósseis (por exemplo alterando a Cide), o que seria justificável e alinhado com o compromisso brasileiro para redução de emissões de gases de efeito estufa. Se, ainda assim, querem ser mais abrangentes, poderiam incluir um prêmio extra no valor da energia (de qualquer fonte), evitando reduzir a competitividade das fontes renováveis.

Se o Brasil decidir tomar posse do vento e cobrar royalties pelo seu uso, seria o único país do mundo a fazê-lo. Desta jabuticaba nós, definitivamente, não precisamos.

"Se o Brasil decidir tomar posse do vento e cobrar royalties pelo seu uso, seria o único país do mundo a fazê-lo".


Tasso Azevedo é engenheiro florestal


Fonte: O Globo










quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Em agosto, eólicas abasteceram 10% do País






No mês de agosto, a geração de energia eólica foi responsável por 10% de energia da matriz elétrica brasileira, com 5.825 MWmédios. É a primeira vez que a fonte atinge os dois dígitos de representação na matriz. Os dados são da CCEE e constam do boletim de “Dados Mensais ABEEólica” de outubro de 2017, que apresenta dados consolidados pela ABEEólica e infos da contabilização da CCEE.

“Estamos em plena safra do vento, batendo recordes notáveis de geração. Este dado nacional representa um novo patamar para o setor. E se formos avaliar regionalmente, temos algo muito importante acontecendo no Nordeste, onde estamos atendendo acima de 60% da carga em vários dias, um resultado que está salvando a região em tempos de reservatórios baixos. Além do fato de estarmos passando um momento de seca, é necessário entender que eólica e hidrelétrica têm ciclos diferentes e se complementam, já que em tempos de mais chuvas, temos menos ventos e vice-versa. A inclusão de mais eólicas na matriz aumenta, portanto, a segurança do sistema, especialmente considerando que as ferramentas para trabalhar com a variabilidade natural da fonte eólica evoluíram muito nos últimos anos e hoje o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) atua com altíssima previsibilidade em relação à geração eólica. Este cenário nos mostra que a eólica é uma fonte madura, segura e pronta para se expandir ainda mais na matriz”, explica Elbia Gannoum, Presidente executiva da ABEEólica.

Os dados mensais da ABEEólica também mostram que o Brasil chega a outubro com 12,33 GW de capacidade instalada de energia eólica, em 491 parques eólicos. Em construção e contratados, há 5,12 GW em outros 228 parques que estarão prontos até 2020.

O balanço mensal contém atualização sobre a divisão da matriz elétrica, geração das diversas fontes, gráficos com informações sobre capacidade instalada e em instalação nos diferentes estados, dados de geração e fator de capacidade, além dos valores de emissão de CO₂ evitados pela fonte eólica.

Para ler o documento completo, clique aqui: http://bit.ly/2gTr3w8

E para consultar dados compilados do setor, consulte nosso InfoVento: http://bit.ly/2fWhTy0


Fonte: ABEEólica










terça-feira, 25 de outubro de 2016

METEOROLOGIA: Estudo desvenda como são produzidas as partículas que alimentam as nuvens da Amazônia


 
Pesquisadores do experimento GoAmazon descrevem na revista Nature o papel das nuvens como transportadoras de partículas entre a superfície do planeta e a alta atmosfera; novo conhecimento deve aprimorar modelos climáticos (Foto: Eduardo César)



Karina Toledo | Agência FAPESP – Um estudo divulgado segunda-feira (24/10) na revista Nature solucionou um mistério que há mais de uma década intrigava os cientistas: a origem dos aerossóis atmosféricos que alimentam as nuvens da região amazônica em condições livres de poluição.

Essas partículas microscópicas suspensas no ar desempenham um papel fundamental para o clima, pois dão origem aos chamados núcleos de condensação de nuvens – partículas sobre as quais o vapor d’água presente na atmosfera se condensa para formar as gotas de nuvens e a chuva, explicaram os autores.

De acordo com novos resultados da pesquisa, conduzida com apoio da FAPESP no âmbito da campanha científica Green Ocean Amazon Experiment (GoAmazon), as partículas precursoras dos núcleos de condensação de nuvens são formadas na alta atmosfera e transportadas para perto da superfície pelas nuvens e pela chuva.

“Há pelo menos 15 anos temos tentado medir no solo a formação de novas partículas de aerossóis na Amazônia e o resultado era sempre zero. As novas partículas nanométricas simplesmente não apareciam na Amazônia. As medições eram feitas em solo ou com aviões voando até no máximo 3 mil metros de altura. Mas a resposta, na verdade, estava ainda muito mais no alto”, contou Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e coautor do artigo.

Segundo Artaxo, que coordena o Projeto Temático “GoAmazon: interação da pluma urbana de Manaus com emissões biogênicas da Floresta Amazônica”, a floresta naturalmente emite gases conhecidos como compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês) – entre eles terpenos e isoprenos –, que são carregados pela convecção nas nuvens para a alta atmosfera, podendo chegar a 15 mil metros de altitude, onde a temperatura gira em torno de 55°C negativos.

“Com o frio, os gases voláteis se condensam e formam partículas inicialmente muito pequenas – entre 1 e 5 nanômetros. Essas nanopartículas adsorvem gases e se chocam umas com as outras, rapidamente coagulam e crescem até alcançar um tamanho em que podem atuar como núcleo de condensação de nuvens – em geral acima de 50 a 70 nanômetros”, explicou Artaxo.

Em altitudes elevadas, acrescentou o pesquisador, o processo de coagulação das partículas é facilitado pela baixa pressão atmosférica, baixas temperaturas e pelo grande número de partículas presentes.

“Até que, em uma determinada hora, uma dessas gigantescas nuvens convectivas gera uma forte corrente de ar com ventos descendentes e, ao precipitar, traz essas partículas para perto da superfície”, continuou Artaxo.


Imagem: Nature, Wang et al.


Achado surpreendente

Parte das medições apresentadas no artigo foi feita em março de 2014 – período de chuva na Amazônia – por um avião de pesquisa capaz de voar até 6 mil metros de altura. A aeronave, conhecida como Gulfstream-1, pertence ao Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), dos Estados Unidos.

Outro conjunto de dados foi obtido entre março e maio de 2014 no laboratório operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) – chamado Torre Alta de Observação da Amazônia (ATTO, na sigla em inglês), que tem 320 metros de altura e está situado na Reserva Biológica de Uatumã, uma área de floresta distante 160 quilômetros a nordeste de Manaus, onde a poluição urbana dificilmente chega.

Medições de aerossóis complementares foram feitas em um conjunto de torres situado cerca de 55 quilômetros ao norte de Manaus, conhecido como ZF2. E também na cidade de Manacapuru, a cerca de 100 quilômetros a oeste de Manaus, onde está instalada a infraestrutura do Atmospheric Radiation Measurement (ARM) Facility – um conjunto móvel de equipamentos terrestres e aéreos desenvolvido para estudos climáticos, pertencente ao Departamento de Energia dos Estados Unidos.

“Para nossa surpresa, observamos que a concentração de material particulado aumentava com a altitude – quando o esperado seria uma quantidade maior próximo da superfície. Encontramos uma quantidade muito grande de aerossóis nesse limite de voo de 6 mil metros do Gulfstream-1”, contou Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coautor do artigo.

A observação inicial se confirmou quando, no âmbito do projeto Acridicon-Chuva, coordenado por Machado e apoiado pela FAPESP, foram feitas novas medições com uma aeronave de pesquisa alemã capaz de voar até 16 mil metros de altitude. O avião denominado Halo (High Altitude and Long Range Research Aircraft) é administrado por um consórcio de pesquisa que inclui o Centro Alemão de Aeronáutica (DLR), o Instituto Max Planck (MPI) e a Associação de Pesquisa da Alemanha (DFG).

“Notamos que, em regiões poluídas, havia uma quantidade extremamente grande de material particulado próximo da superfície, o que não acontecia nas regiões livres de poluição. Mas, em altitudes elevadas, encontrávamos grande concentração de partículas independentemente do grau de poluição. Agora, este trabalho mostra que a chuva traz essas nanopartículas para perto da superfície, onde formam novas populações de material particulado que atuam como núcleo de condensação de nuvens”, disse Machado.

Como pontuou o pesquisador do Inpe, já se sabia que a chuva limpa a atmosfera, mas não se conhecia o mecanismo pelo qual os aerossóis eram repostos. “O interessante foi ter apreendido que, ao mesmo tempo que a chuva remove os aerossóis, ela traz, em suas correntes descendentes, os embriões [as nanopartículas] que, após crescerem, vão recompor a concentração de aerossóis.”

Segundo Artaxo, a observação foi surpreendente porque quando se ultrapassa a camada limite planetária – altitudes superiores a 2,5 mil metros – ocorre uma inversão de temperatura que costuma inibir a movimentação vertical de partículas. “Mas não levávamos em conta o papel das nuvens convectivas como transportadoras dos gases emitidos pela floresta”, disse.

Os estudos feitos no âmbito do experimento GoAmazon, acrescentou o pesquisador, estão demonstrando que os VOCs oriundos das plantas fazem parte de um mecanismo fundamental para a produção de aerossóis em áreas continentais.

“Os VOCs emitidos pela floresta e as nuvens fazem uma dinâmica muito peculiar e produzem enormes quantidades de partículas em altas altitudes, onde se acreditava que elas não existiriam. É a biologia da floresta atuando junto com as nuvens para manter o ecossistema amazônico em funcionamento”, ressalta Artaxo.

Esses gases, segundo o pesquisador, são jogados para a alta atmosfera, onde a velocidade do vento é muito grande, e são redistribuídos pelo planeta de forma muito eficiente. No caso da Amazônia, parte é transportada para os Andes, parte para o sul do Brasil e parte afeta a própria região da floresta tropical. “Estamos atualmente realizando trabalhos de modelagem para precisar as regiões afetadas pelas emissões de VOCs da Amazônia e transportadas pela circulação atmosférica”, contou o professor da USP.

Como era até agora desconhecido, esse mecanismo de produção de aerossóis não está contemplado em nenhum modelo climático. “É um conhecimento que terá de ser incluído, pois ajudará a tornar as simulações de chuva mais precisas”, afirmou Machado.

O pesquisador do Inpe ressaltou ainda que a descoberta só foi possível graças aos aviões de pesquisa que estiveram em Manaus por meio das parcerias firmadas no âmbito do experimento GoAmazon, uma campanha internacional do Departamento de Energia dos Estados Unidos conduzida em parceria. “O Brasil ainda não tem uma aeronave laboratório desse porte, o que seria fundamental para o avanço de pesquisas atmosféricas”, disse.

Além do Acridicon-Chuva, coordenado por Machado, e do Projeto Temático coordenado por Artaxo, conta ainda com apoio da FAPESP o projeto “Pesquisa colaborativa Brasil-EUA: modificações causadas pela poluição antrópica na química da atmosfera e na microfísica de partículas da floresta tropical durante as campanhas intensivas do GoAmazon”, coordenado por Henrique de Melo Jorge Barbosa, pesquisador do IF-USP.

O artigo Amazon boundary layer aerosol concentration sustained by vertical transport during rainfall pode ser lido em http://www.nature.com/nature/journal/vaop/ncurrent/full/nature19819.html.

Fonte: Agência FAPESP











terça-feira, 26 de julho de 2016

RIO 2016 - BOM BIA BRASIL: Atletas da vela se preparam para competir na Baía de Guanabara



http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/edicoes/2016/07/26.html#!v/5189499
Para assistir à matéria, clique na imagem ou no link abaixo.


Atletas da Vela, a modalidade olímpica que mais deu medalhas de ouro ao Brasil, se preparam para competir na Baia de Guanabara

Na matéria, do repórter Tino Marcos (que também é velejador), integrantes da Equipe Olímpica de Vela do Brasil falam dos desafios de velejar na Baía de Guanabara.


Assista à matéria do Bom Dia Brasil, da Rede Globo.





quarta-feira, 2 de março de 2016

ENERGIA SOLAR E EÓLICA - Novas regras para geração distribuída entram em vigor





Número de conexões quadruplicaram entre 2014 e 2016

Em 1º de março entram em vigor as novas regras da Resolução Normativa nº 482/2012 que estabelece o Sistema de Compensação de Energia Elétrica, permitindo que o consumidor instale pequenos geradores (tais como painéis solares fotovoltaicos e microturbinas eólicas, entre outras fontes renováveis) em sua unidade consumidora e troque energia com a distribuidora local com objetivo de reduzir o valor da sua fatura de energia elétrica.

As adesões ao modelo de geração distribuída têm crescido expressivamente desde as primeiras instalações, em 2012. Entre 2014 e 2016 os registros quadruplicaram passando de 424 conexões para 1930 conexões. Com a revisão da norma, que simplifica procedimentos de registro, a estimativa é que até 2024 mais 1,2 milhão de consumidores passem a produzir sua própria energia, o equivalente a 4,5 gigawatts (GW) de potência instalada.

A resolução autoriza o uso de qualquer fonte renovável, além da cogeração qualificada, denominando-se microgeração distribuída a central geradora com potência instalada até 75 quilowatts (KW) e minigeração distribuída aquela com potência acima de 75 kW e menor ou igual a 5 MW (sendo 3 MW para a fonte hídrica), conectadas na rede de distribuição por meio de instalações de unidades consumidoras.





Quando a quantidade de energia gerada em determinado mês for superior à energia consumida naquele período, o consumidor fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes. O prazo de validade dos créditos passou de 36 para 60 meses, e podem ser usados também para abater o consumo de unidades consumidoras do mesmo titular situadas em outro local, desde que na área de atendimento de uma mesma distribuidora. Esse tipo de utilização dos créditos é chamado de “autoconsumo remoto”.

Outra inovação da norma diz respeito à possibilidade de instalação de geração distribuída em condomínios (empreendimentos de múltiplas unidades consumidoras). Nessa configuração, a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

A ANEEL criou ainda a figura da “geração compartilhada”, possibilitando que diversos interessados se unam em um consórcio ou em uma cooperativa, instalem uma micro ou minigeração distribuída e utilizem a energia gerada para redução das faturas dos consorciados ou cooperados.

Com relação aos procedimentos necessários para se conectar a micro ou minigeração distribuída à rede da distribuidora, a ANEEL estabeleceu regras que simplificam o processo: foram instituídos formulários padrão para realização da solicitação de acesso pelo consumidor. O prazo total para a distribuidora conectar usinas de até 75 kW, que era de 82 dias, foi reduzido para 34 dias.

Adicionalmente, a partir de janeiro de 2017, os consumidores poderão fazer a solicitação e acompanhar o andamento de seu pedido junto à distribuidora pela internet.

A geração de energia perto do local de consumo traz uma série de vantagens, tais como redução dos gastos dos consumidores, economia dos investimentos em transmissão, redução das perdas nas redes e melhoria da qualidade do serviço de energia elétrica. A expansão da geração distribuída beneficia o consumidor-gerador, a economia do país e os demais consumidores, pois esses benefícios se estendem a todo o sistema elétrico.

Fonte: Aneel









segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Capacidade de geração eólica cresce 56,9% no Brasil em 2015




Entre todas as fontes de geração de energia elétrica, a eólica teve a maior expansão.

A geração de energia eólica está em alta no Brasil. A edição mais recente do Boletim Mensal de Monitoramento do Sistema Elétrico, do Ministério de Minas e Energia, mostra que a capacidade instalada do setor de geração eólica cresceu 56,9%, considerando o período de 12 meses encerrado em novembro de 2015 ante os 12 meses anteriores. Entre todas as fontes de geração de energia elétrica, a eólica teve a maior expansão.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), foram inauguradas mais de 100 usinas eólicas em 2015, o que representou um investimento da ordem de R$ 19,2 bilhões. “Hoje, o Brasil precisa ampliar sua matriz e essa expansão se passa necessariamente pela fonte eólica. Nosso País tem uma política de energia que prima pela fonte limpa, renovável e competitiva, e a fonte eólica tem essas três características”, diz a presidente da associação, Elbia Gannoum.

A inauguração mais recente foi realizada nesta quinta-feira (14). Trata-se do Complexo Eólico Chapada do Piauí, localizado nos municípios de Marcolândia, Simões, Padre Marcos e Caldeirão Grande. Os investimentos são estimados em R$ 1,85 bilhão, sendo R$ 1,3 bilhão financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As instalações têm capacidade instalada de 436,6 megawatts (MW), o suficiente para gerar energia para mais de um milhão de residências.

Dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia apontam que o País, em 2014, foi o quarto país do mundo que mais expandiu sua capacidade eólica. Segundo especialistas, a metodologia de leilões para a contratação de energia ajudou nesse processo.

Nos cinco leilões realizados em 2015 para ampliar a capacidade de geração no País, foram contratados 1.789 MW médios de diversas fontes, com investimentos previstos em R$ 13,3 bilhões. As energias renováveis tiveram destaque, com a contratação de energia eólica de 22 empreendimentos, 30 de energia solar e 13 de biomassa, de acordo com o MME.

“Neste ano, devemos atingir o equivalente a uma Belo Monte de capacidade instalada (de geração eólica). E já temos contratado o equivalente a mais de uma Itaipu, que é a segunda hidrelétrica do mundo. As perspectivas são muito boas. Em pouco tempo a geração eólica será, depois da hídrica, uma das fontes mais importantes da matriz elétrica nacional”, destaca o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim.

Fonte original: Portal Brasil, com informações da EPE e Abeeólica

Fonte: EcoDebate








quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

DEFESA CIVIL - Rajada de vento causa transtornos em Niterói


Ventania provocou a queda de uma árvore sobre um coletivo no Barreto.
Foto: André Redlich

Quedas de árvores provocaram acidentes e falta de luz

Ventos de aproximadamente 105 km/h passaram por Niterói na tarde desta quarta-feira (30) e causaram transtornos a motoristas e moradores. Junto à forte chuva, que teve início por volta das 16h, a tempestade derrubou árvores no Barreto e Icaraí; placas e barracas no centro da cidade, além de obrigar a EcoPonte, concessionária administradora da Ponte Rio-Niterói, a realizar intervenções nos dois sentidos da via.

No Barreto, uma árvore foi derrubada pela ventania e caiu sobre um ônibus da linha 42 (Barreto -Centro). No acidente, ocorrido na Avenida Presidente Craveiro Lópes, ninguém ficou ferido, já que o coletivo saia do ponto final em direção ao Centro.

Na Rua Luís Palmier, mais à frente, uma outra árvore caiu sobre a fiação de um poste e deixou o quarteirão sem energia elétrica. Homens do Corpo de Bombeiros estiveram em ambos os locais, assim como agentes da NitTrans.

Já no Centro, na Avenida Visconde Rio Branco, a ventania derrubou algumas barracas próximo à Praça Arariboia. Ninguém se feriu.

Ponte - Na Ponte o trânsito precisou de duas intervenções da concessionária devido as fortes rajadas de vento, uma às 16h e outra às 18h. Uma placa de publicidade caiu na via, altura da Grande Reta, sentido Niterói, prejudicando ainda mais o trânsito. Um sistema de comboio foi utilizado pela concessionária. A travessia no sentido Niterói chegou a 80 minutos.

Fonte: O Fluminense


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Ventos de 105 km/h prejudicam passagem na Ponte Rio-Niterói


Trânsito ficou parado por cerca de 15 minutos nos dois sentidos da via
Foto: Reprodução/Facebook


Concessionária precisou interditar os dois sentidos para retirar uma placa publicitária que caiu com a ventania

Ventos de aproximadamente 105 km/h passaram pela Ponte Rio-Niterói na tarde desta quarta-feira (30) e derrubaram uma placa de publicidade no sentido Niterói da via, complicando o trânsito e obrigando a concessionária EcoPonte a utilizar o sistema de comboio nos dois sentidos do trecho. Na ação, quatro caminhões guincho foram utilizados pela concessionária, dois em cada sentido, para garantir a redução de velocidade dos veículos que trafegavam pelas pistas. Para a retirada da placa, localizada na altura da Grande Reta, a Ponte chegou a ser interditada nos dois sentidos por aproximadamente 15 minutos, por volta das 18h14.


Funcionários da Ecoponte retiram a placa de publicidade danificada
Foto: Reprodução Facebook/Neide Balonecker

Apesar da queda do placa na pista, ninguém ficou ferido. Antes, às 16h10 painéis com aviso de redução de velocidade já eram utilizados para sinalizar os motoristas. Por causa da redução houve lentidão nos dois sentidos, mas segundo a Ecoponte, o trafego foi normalizado e o tempo de travessia seguiu normalmente nos dois sentidos.

Fonte: O Fluminense


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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

DEFESA CIVIL - Sobre as chuvas e ventos do fim de semana em Niterói


Equipe da SECONSER retira remanescentes das árvores que tombaram na Rua Nóbrega. Foto Seconser.


Texto: Raquel Morais

Apesar do estrago que chuva e vento fizeram em Niterói na madrugada de ontem, meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Climatempo descartaram a passagem de um tornado na cidade. A destruição pôde ser vista em diversos bairros na manhã de ontem. Equipes de limpeza e energia tiveram muito trabalho para arrumar todo o rescaldo da chuva. Icaraí, Centro e São Francisco foram alguns bairros que colecionaram destruições. Só nesta madrugada choveu o equivalente a 26% do que é esperado para todo o mês. Os ventos chegaram a 90 quilômetros por hora.

Segundo a Defesa Civil municipal foram registrados 20 chamados para queda de árvore, com 13 confirmados, sendo o caso mais grave o da Rua Adelino Martins, no Boa Vista, que caiu sobre uma casa e telhas atingiram uma criança de três anos. Ela foi socorrida pelos próprios pais e conduzida para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, com escoriações leves. Além dessa moradia, outra casa também foi interditada e há um total de sete pessoas desalojadas, que buscaram abrigo em casas de parentes. A Defesa Civil e a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser) continuam em alerta.

Árvores foram arrancadas pela raiz com a força dos ventos, como na Rua Presidente Castelo Branco, no Centro, atrás do 12º Batalhão de Polícia Militar de Niterói; na Rua Nóbrega, onde o tronco de uma delas caiu sobre um veículo e na Rua Ministro Otávio Kelly, ambas em Icaraí, onde as ruas ficaram interditadas. Nessa última, fios de alta tensão foram rompidos e um quarteirão ficou sem luz por 20 horas.

“Escutei um barulho muito grande e ficamos sem energia. Não dava nem para abrir a janela para ver o que aconteceu, pois a chuva era muito forte”, comentou a dona de casa Maria Célia Vasconcellos, de 34 anos. Em nota a Ampla esclareceu que os fortes ventos, a chuva intensa e os raios causaram a interrupção do serviço de parte dos clientes de algumas localidades. Houve queda de árvores sobre a rede elétrica, deixando muitos cabos partidos e equipamentos danificados.

Toldos, telhados e marquises também foram destruídos com a ação do vento como na Rua Gavião Peixoto, onde o telhado de uma clínica de estética desabou na calçada. Toldos de restaurantes no Jardim Icaraí também ficaram rasgados e até uma grande estrutura metálica com lona da Copa Brasil de Vela, em São Francisco, montada nas areias, ficou totalmente retorcida. Por toda a orla de São Francisco, Charitas até Jurujuba o rastro de destruição mudou a paisagem do local, uma das mais bonitas da cidade. Areias sujas, tapumes de alumínio retorcidos do canteiro de obras da garagem subterrânea, muitas árvores e galhos das amendoeiras que ornamentam a orla e até o deslizamento de uma pedra em São Francisco foram registrados na manhã de ontem. Em Jurujuba um pescador passou horas com um balde retirando água do seu barco e os danos podem ser irreparáveis.

No Centro, na Rua Jornalista Moacir Padilha, parte de um barranco desmoronou e atingiu a calçada da rua, assim como pedras que rolaram para a Rua Doutor Borman junto com muito lixo. A Prefeitura de Niterói informou que no Morro do Estado foi registrada a maior pancada de chuva, de 18,2 mm em 10 minutos. Ainda no Centro, atrás do Terminal Rodoviário João Goulart, na altura do Teatro Popular, muitos galhos sujaram a via e os ventos derrubaram parte da grade de proteção de um antigo supermercado. Já na Rua Senador Nabuco outra árvore centenária foi arrancada da calçada, que ficou parcialmente destruída. O túnel subterrâneo, popularmente Mergulhão, também ficou interditado na manhã de ontem, para que toda a água empoçada fosse retirada.

Em algumas ruas do Centro e do Barreto sinais de trânsito ficaram inoperantes e agentes da Niterói Transportes e Trânsito (NitTrans) tiveram que auxiliar os motoristas. Mais em algumas ruas desses locais motoristas tiveram que usar o bom senso para conseguirem trafegar.

TORNADO É DESCARTADO

A meteorologista Marlene Leal, do Inmet, explicou que pela imagem do satélite pode observar uma frente fria no litoral do Rio de Janeiro, associada a uma região de baixa pressão atmosférica, desde o Noroeste de Minas Gerais, passando pelo interior de Minas, parte Sul e Serrana do Rio, como Niterói.

“Essa situação de ventos e chuvas fortes foi muito localizada. O maior vento registrado foi em Arraial do Cabo com 66 km/h e a maior chuva em Resende com 72,2 mm de volume”, comentou.

Já a Aline Tochio, meteorologista do Climatempo, acrescentou que nuvens muito carregadas avançaram para o Grande Rio durante a noite e provocaram temporais. Pelas imagens analisadas “só mostram árvores caídas e um poste torto, que poderiam ser consequência de ventos fortes apenas, não tem nada retorcido nem um ‘caminho’ de destruição que indique a passagem do tornado. Por isso, os meteorologistas descartam a ocorrência de tornado”, finalizou.

Fonte: A Tribuna



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Balanço de ocorrências das chuvas na cidade durante o fim de semana












DEFESA CIVIL - Balanço de ocorrências das chuvas na cidade durante o fim de semana



Carro afetado por queda de árvore na Rua Nóbrega, Jardim Icaraí. Foto Dayse Monassa.

Queda de árvore na Rua Tapuias, em Sâo Francisco. Foto Axel Grael

Quada de árvores na Rua Tupinambás, São Francisco. Foto Elias Ramos.

 
Queda de árvore na Rua Tupinambás, São Francisco. Fotos Christa Grael.
 
Casa afetada por queda de árvore. Comunidade da Boa Vista. Foto Bianca Neves / Defesa Civil de Niterói.
 


15/12/2015 - A Prefeitura de Niterói informa que, devido à forte chuva da noite de ontem (13/12) - choveu o equivalente a 26 % do esperado para todo o mês de dezembro - foram identificados diversos pontos de alagamento na cidade. O escoamento da água se deu de forma rápida após o término do temporal.

Em algumas regiões o vento chegou a ter rajadas de mais de 90 km/hora, fenômeno raro em Niterói e no Estado.

Os fortes ventos durante a chuva causaram a queda de árvores em Santa Rosa, Icaraí, Jardim Icaraí, Bairro de Fátima, Centro, Barreto, Boa Vista e São Francisco, sendo este último o bairro mais afetado. Foram registrados 20 chamados para remoção de árvores, além de diversos galhos. Desde o final do temporal, as equipes da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos e da Clin, com o apoio do Corpo de Bombeiros, trabalharam na desobstrução das vias principais, como as ruas Joaquim Távora e Nóbrega e o Canal de São Francisco. Dezenas de funcionários da Clin e Seconser foram para as ruas atender aos chamados nos bairros.

As equipes seguem trabalhando desde o início da manhã de hoje na retirada das árvores e dos galhos das vias secundárias, com o apoio da Ampla. O forte vento também entortou um poste de iluminação pública no Terminal Sul, no Centro. Ontem à noite, foram removidas as luminárias do poste, que não apresenta risco de queda. A remoção será realizada hoje.

Sobre as equipes:
Desde o início da manhã desta segunda, as três equipes de poda da Seconser seguem trabalhando com o auxílio de caminhões, caminhões munck e motosserras.

Defesa Civil:
Os maiores registros de chuva foram:
Centro: Morro do Estado - 39,4mm
Centro: Rua Visconde de Itaboraí - 33,7mm
Icaraí: 29,6mm

A Defesa Civil entrou em estado de atenção às 20 horas e retornou para vigilância à zero hora.

Os índices não atingiram os níveis de escorregamento de acordo com o Protocolo da Defesa Civil do Estado.

Ocorreram pancadas fortes em períodos concentrados. A maior pancada de chuva registrada foi a de 18,2mm em 10 minutos no Morro do Estado às 20 horas.

Com relação aos ventos, a velocidade registrada foi de 51,8 km/h às 22 horas, com rajadas de mais de 90 kms.

A Defesa Civil recebeu várias solicitações acerca de quedas de árvores, que estão sendo atendidas pela SECONSER e o Corpo de Bombeiros .

Desde a noite de domingo até o presente momento, a Defesa Civil registra:

  • 13 situações de queda de árvore (maioria no Centro, Icaraí e São Francisco), sendo o caso mais grave o da Rua Adelino Martins, 134, Boa Vista, que caiu sobre a casa, e telhas atingiram criança de 3 anos. Ela foi socorrida pelos próprios pais e conduzida para o Azevedo Lima com escoriações leves. Além dessa moradia, outra casa também foi interditada e há um total de 7 pessoas desalojadas (seguiram para a casa de familiares).
  • 2 Pontos de alagamento em Icaraí; Todas as equipes da DC em atendimento às situações mencionadas.
A Defesa Civil do Município e a Seconser continuam em alerta.
 

Fonte: Prefeitura de Niterói



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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Concluído primeiro recenseamento de nuvens do Brasil

 
 
Resultados dos seis experimentos realizados no Projeto Chuva foram descritos em artigo de capa do Bulletin of the American Meteorological Society. Objetivo é aprimorar modelos capazes de prever eventos extremos (foto: Projeto Chuva). 


Por Karina Toledo

Agência FAPESP – Para conseguir prever com precisão eventos extremos, como tempestades, ou simular cenários de impactos das mudanças climáticas, é preciso avançar no conhecimento dos processos físicos que ocorrem no interior das nuvens e descobrir a variação de fatores como o tamanho das gotas de chuva, a proporção das camadas de água e de gelo e o funcionamento das descargas elétricas.

Com esse objetivo, uma série de campanhas para coleta de dados foi realizada entre 2010 e 2014 em seis cidades brasileiras – Alcântara (MA), Fortaleza (CE), Belém (PA), São José dos Campos (SP), Santa Maria (RS) e Manaus (AM) – no âmbito de um Projeto Temático FAPESP coordenado por Luiz Augusto Toledo Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essas campanhas contaram com a participação de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e de diversas faculdades de Meteorologia no Brasil, que sediaram os experimentos.

Os principais resultados da iniciativa, conhecida como “Projeto Chuva”, foram descritos em um artigo de capa do Bulletin of the American Meteorological Society, revista de grande impacto na área de meteorologia.

Segundo Machado, as regiões escolhidas para a pesquisa de campo representam os diferentes regimes de precipitação existentes no Brasil. “É importante fazer essa caracterização regional para que os modelos matemáticos possam fazer previsões em alta resolução, ou seja, em escala de poucos quilômetros”, disse o pesquisador.

Um conjunto comum de instrumentos – que inclui radares de nuvens de dupla polarização – foi usado nos diferentes sítios de forma que as medidas pudessem ser comparadas e parametrizadas para modelagem.

O radar de dupla polarização, em conjunto com outros instrumentos, envia ondas horizontais e verticais que, por reflexão, indicam o formato dos cristais de gelo e das gotas de chuva, ajudando a elucidar a composição das nuvens e os mecanismos de formação e intensificação das descargas elétricas durante as tempestades. Também foram coletados dados como temperatura, umidade e composição de aerossóis.

Além disso, experimentos adicionais distintos foram realizados em cada uma das seis cidades. No caso de Alcântara, onde a coleta de dados ocorreu em março de 2010, o experimento teve como foco o desenvolvimento de algoritmos de estimativa de precipitação para o satélite internacional Global Precipitation Measurement (GPM) – lançado em fevereiro de 2014 pela Nasa (a agência espacial americana) e pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa).

“Naquela região, o grande desafio é conseguir estimar a precipitação das chamadas nuvens quentes, que não têm cristais de gelo em seu interior. Elas são comuns na região do semiárido nordestino”, explicou Machado.

Por não abrigarem gelo, a chuva dessas nuvens passa despercebida pelos sensores de micro-ondas que equipam os satélites usados normalmente para medir a precipitação, resultando em dados imprecisos.

"... a região que abrange o sul do Brasil e o norte da Argentina que ocorrem as tempestades mais severas do mundo".

As medições de nuvens quentes feitas por radar em Alcântara, comparadas com as medições feitas por satélite, indicaram que os valores de volume de água estavam subestimados em mais de 50%.

Em Fortaleza, onde a coleta foi feita em abril de 2011, foi testado em parceria com a Defesa Civil um sistema de previsão de tempestades em tempo real e de acesso aberto chamado Sistema de Observação de Tempo Severo (SOS Chuva).

“Usamos os dados que estavam sendo coletados pelos radares e os colocamos em tempo real dentro de um sistema de informações geográficas. Dessa forma, é possível fazer previsões para as próximas duas horas. E saber onde chove forte no momento, onde tem relâmpago e como a situação vai se modificar em 20 ou 30 minutos. Também acrescentamos um mapa de alagamento, que permite prever as regiões que podem ficar alagadas caso a água suba um metro, por exemplo”, contou Machado.

A experiência foi tão bem-sucedida, contou o pesquisador, que a equipe decidiu repeti-la nas campanhas realizadas posteriormente. “O SOS Chuva contribui para diminuir a vulnerabilidade da população a eventos extremos do clima, pois oferece informações não apenas para os agentes da Defesa Civil como também para os cidadãos”, disse.

Em junho de 2011 foi realizada a campanha de coleta de dados em Belém, onde os pesquisadores usaram uma rede de instrumentos de GPS para estimar a quantidade de água na atmosfera. Os resultados devem ser publicados em breve. Também foram lançados balões meteorológicos capazes de voar durante 10 horas e coletar dados da atmosfera. “O objetivo era entender o fluxo de vapor d’água que vem do Oceano Atlântico que forma a chuva na Amazônia", contou Machado.

Entre novembro de 2011 e março de 2012, foi realizada a campanha de São José dos Campos, cujo foco era estudar os relâmpagos e a eletricidade atmosférica. Para isso, foi utilizado um conjunto de redes de detecção de descargas elétricas em parceria com a Agência de Pesquisas Oceânicas e Atmosféricas (NOAA), dos Estados Unidos, e a Agência Europeia de Satélites Meteorológicos (Eumetsat).

“Foram coletados dados para desenvolver os algoritmos dos sensores de descarga elétrica dos satélites geoestacionários de terceira geração, que ainda serão lançados pela NOAA e pela Eumetsat nesta década. Outro objetivo era entender como a nuvem vai se modificando antes que ocorra a primeira descarga elétrica, de forma a prever a ocorrência de raios”, contou Machado.

Em Santa Maria, entre novembro e dezembro de 2012, foram testados, em parceria com pesquisadores argentinos, modelos matemáticos de previsão de eventos extremos. Segundo Machado, a região que abrange o sul do Brasil e o norte da Argentina que ocorrem as tempestades mais severas do mundo.

“Os resultados mostraram que os modelos ainda não são precisos o suficiente para prever com eficácia a ocorrência desses eventos extremos. Em 2017, faremos um novo experimento semelhante, chamado Relâmpago, no norte da Argentina”, contou Machado.

GOAmazon

As duas operações intensivas de coleta de dados realizadas em Manaus – a primeira entre fevereiro e março de 2014 e a segunda entre setembro e outubro do mesmo ano – ainda não haviam ocorrido quando o artigo foi submetido à publicação.

A campanha foi feita no âmbito do projeto Green Ocean Amazon e contou com dois aviões voando em diferentes alturas para acompanhar a pluma de poluição emitida pela região metropolitana de Manaus. O objetivo era avaliar a interação entre os poluentes e os compostos emitidos pela floresta, bem como seu impacto nas propriedades de nuvens (leia mais em http://agencia.fapesp.br/avioes_sobrevoam_a_amazonia_por_quase_200_horas_para_medir_impacto_da_poluicao/20150/). Os dados ainda estão em fase de análise.

Ao comentar as principais diferenças encontradas nas diversas regiões brasileiras, Machado destaca que as regiões Sul e Sudeste são as que apresentam gotas de chuva de tamanhos maiores e uma camada mista, na qual há água no estado líquido e sólido, mais desenvolvida. Essa é, segundo o pesquisador, a principal razão da maior incidência de descargas elétricas nesses locais.

Já as nuvens da Amazônia apresentam a camada de gelo no topo – acima de 20 quilômetros de altura – mais bem desenvolvida que a de outras regiões. As regiões litorâneas, como Alcântara e Fortaleza, apresentam em maior quantidade as chamadas nuvens quentes, nas quais quase não há descargas elétricas.

“Foi o primeiro recenseamento de nuvens feito no Brasil. Essas informações servirão de base para testar e desenvolver modelos capazes de descrever em detalhes a formação de nuvens, com alta resolução espacial e temporal”, concluiu o pesquisador.

Fonte: Fapesp




quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Vento a favor para as energias limpas no Brasil

 

Em 2018 Brasil produzirá mais do triplo de energia eólica. Foto: Banco Mundial/Mariana Kaipper Ceratti

Ameaçado pelo racionamento elétrico, o país descartou a hipótese de apagão em 2014 e agora busca fortalecer alternativas às usinas hidrelétricas

A chance de um apagão no Brasil em pleno ano de Copa do Mundo e eleições deixou de cabelo em pé não só a população, mas o governo. Culpa, entre outros motivos, das secas que afetam o país desde 2011, fazendo baixar o nível dos reservatórios que fornecem água para as hidrelétricas.

A hipótese de escassez de energia foi afastada diversas vezes pela presidenta Dilma Rousseff, inclusive na última semana. Mas nem por isso especialistas deixam de insistir na importância de fazer investimentos mais diversificados no setor – sobretudo em parques eólicos e solares, menos poluentes do que usinas termelétricas, por exemplo – para o país não depender tanto das hidrelétricas.

Com o crescimento do país e da classe média na última década, a demanda por energia no Brasil aumenta numa média anual de 4,5%. É menos do que a China e Índia, cujo crescimento fica entre 8% e 10%, mas mais do que os Estados Unidos e Europa, onde essa cifra fica entre 2% e 3%, segundo dados da PSR, consultoria especializada em estudos energéticos.

“Num país com tantos recursos renováveis como o Brasil, é fundamental encontrar fontes complementares às hidrelétricas. A energia eólica tem todas as condições de atender a essa necessidade”, defende Elbia Melo, presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

Os ventos que sopram no Brasil nem de longe produzem a mesma energia gerada em países como Alemanha, Espanha e Dinamarca, que têm em torno de 20% a 30% de eólicas na matriz. No maior país da América Latina, as eólicas correspondiam a apenas 1,6% da capacidade instalada de geração elétrica no Brasil em 2012 (ante 66% das hidrelétricas), segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“É importante ressaltar que os países europeus tiveram crescimento brutal da energia eólica devido a políticas públicas específicas e subsídios para estimular o crescimento de fontes renováveis, além da falta de outras opções”, explica Luiz Barroso, diretor técnico da PSR.

Aumentar essa participação no Brasil, porém, é questão de tempo. Até 2018, o país passará dos 4.5 gigawatts já instalados a 14.4 gigawatts (equivalentes a pouco mais da capacidade da polêmica hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia), de acordo com a ABEEólica. Esses números serão ainda maiores a depender do resultado de um leilão em 31 de outubro.

Competitividade

Há 10 anos o Brasil realiza eventos desse tipo. “São necessários para promover a expansão das energias limpas no mundo todo, em especial nos mercados emergentes”, comenta Gabriela Elizondo, especialista em energia no Banco Mundial. E, desde então, os projetos eólicos ficam em segundo lugar na modalidade mais contratada, perdendo só para os de hidrelétricas.

Para o certame de outubro, foram inscritos 1.034 projetos de fornecedores de energia, dos quais 626 eólicos, 400 solares e oito de biogás e resíduos sólidos urbanos, ofertando 26.3GW de capacidade instalada.

A energia gerada pelo vento ganha em competitividade. “O preço do megawatt/hora produzido por uma usina eólica ao consumidor final é o mais baixo, entre R$ 120 e R$ 130; em uma termelétrica, o valor fica entre R$ 160 e R$ 200”, compara Luiz Barroso. Além disso, as eólicas não emitem CO2.

O Brasil, por sinal, vem se tornando um dos países com a maior experiência mundial no uso de leilões, como mostra o recente estudo Promovendo Energias Renováveis por meio de Leilões: o Caso Brasileiro, do Banco Mundial.

Como mostrado no relatório, os leilões vêm sendo aperfeiçoados, e o próximo exige que os fornecedores entreguem pelo menos 90% da capacidade prometida no projeto, ante os 50% pedidos nos anteriores. Para completar, as penalidades por atrasos tornaram-se muito maiores.
"Num país com tantos recursos renováveis como o Brasil, é fundamental encontrar fontes complementares às hidrelétricas. A energia eólica tem todas as condições de atender a essa necessidade". Elbia Melo, presidente executiva presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica

Atrasos

Demoras, por sinal, incomodaram os especialistas no setor em todos esses anos. Por falta de linhas de transmissão, por exemplo, 28 usinas concluídas em 2012 demoraram dois anos para começar a operar. E a conta foi para o bolso dos brasileiros, que pagaram por energia não entregue.

“O esquema montado para coordenar a geração e transmissão causou aborrecimentos. A maioria deles pode ser atribuída às dificuldades de obter licenciamento ambiental e a problemas de gestão nas empresas vencedoras dos leilões”, informa o estudo do Banco Mundial.

“São desafios típicos da adoção de uma fonte energética tão nova. Creio que o país não corre mais o risco de sofrer atrasos como esse porque os leilões estão se adequando. Hoje a gente já sabe que construir essas linhas leva pelo menos três anos”, avalia a presidente executiva da AbeEólica.

O aprendizado com todos esses problemas fez com que o Brasil se tornasse um modelo para outros países da América Latina (onde experiências no Peru, no México e na Argentina também dão bons frutos) e mesmo para mercados como Índia e China, como analisado pelo Banco Mundial.

Mais ainda, o Brasil subiu duas posições e hoje ocupa o 10º lugar no índice de atratividade de investimento em energia renovável elaborado pela Ernst & Young, que analisou o mercado de fontes limpas em 40 países. Resta saber se o país conseguirá de fato seguir aproveitando todo esse potencial para evitar futuros riscos de racionamento.

Fonte: Banco Mundial