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domingo, 30 de dezembro de 2012

Colunista Tetê Suzuki repercute homenagem a Ingrid Grael




Tetê Suzuki, que tem um trabalho jornalístico relevante e muito reconhecido na cidade, é uma antiga amiga e apoiadora das minhas ações ambientalistas. O apoio de Tetê vem desde o tempo em que eu militava como ambientalista no MORE -Movimento de Resistência Ecólogica, antiga e pioneira organização ambientalista de Niterói, fundada por mim e um grupo de militantes em 1980. As filhas de Tetê, Cristiane e Elzinha Suzuki fizeram parte da diretoria do More.

Aproveitando a nota na Coluna da Tetê, apresento um pouco da história de Ingrid Grael.

Ingrid Schmidt Grael, nos tempos de Miss.

Ingrid Schmidt Grael posa para foto.

Ingrid Grael cumprimenta Getúlio Vargas.

Um pouco da história de Ingrid Grael
"Ingrid fez história desde cedo. Em 1953, aos 15 anos, foi eleita a Rainha dos Jogos da Primavera. Os Jogos da Primavera foram idealizados e promovidos pelo jornalista Mário Filho, para promover o esporte nas escolas do Rio de Janeiro. O concurso da Rainha dos Jogos da Primavera, associado ao evento esportivo, reunia as qualidades atléticas e a beleza da candidata, procurando atrair, bem ao estilo da época, a participação feminina nas atividades esportivas. Vale lembrar que o esporte para as mulheres não era muito praticado e nem bem visto, a ponto de anos antes, em 1941, um Decreto-Lei ter vedado a participação feminina em vários esportes, por considerar “inapropriado à condição feminina”. O concurso pretendia mostrar que as mulheres poderiam sim praticar esportes e ainda serem bonitas. Antes de Ingrid, sua irmã mais velha Margret Schmidt, foi eleita duas vezes (1949-1950)a Rainha dos Jogos da Primavera e, então, mudaram a regra. Não era mais possível a reeleição. Seguindo os passos de Margret, Ingrid também se candidatou, em 1953, concorrendo pelo Colégio Anglo-Americano, do Rio de Janeiro. A beleza marcante, associada ao seu desempenho esportivo na vela, natação, saltos ornamentais e esgrima, fez com que conquistasse o título com facilidade. Depois, em 1955, foi eleita Miss Icaraí, Miss Niterói, Miss Rio de Janeiro e terminou em segundo lugar no concurso Miss Brasil. Mas ela era muito mais do que bela. Com temperamento forte e decidido, foi a grande referência da família, inclusive em momentos difíceis, como na ocasião do acidente que custou a perna direita de seu filho Lars. Na época, suas declarações firmes na imprensa mobilizaram a opinião pública a torcer pela recuperação de Lars e a exigir a punição do culpado pelo acidente. Como uma rainha nunca perde a majestade, Ingrid faleceu no primeiro dia da primavera e agora veleja lá em cima em ventos muito melhores".
O texto acima é parte de uma nota publicada na Coluna Rumo Náutico, no dia 27 de setembro de 2008, logo após o falecimento de Ingrid Schmidt Grael. A Coluna Rumo Náutico era escrita por mim e foi publicada aos sábados, no Jornal O Fluminense, entre setembro de 2008 e agosto de 2010.

sábado, 4 de setembro de 2010

Fim da "Coluna Rumo Náutico"

Os leitores do Jornal O Fluminense podem ter estranhado hoje a ausência de nossa coluna semanal, que há mais de quatro anos publicávamos todos os sábados.

Na semana que se finda, fomos surpreendidos por uma comunicação formal do jornal informando friamente a "...denúncia do Contrato de cessão de espaço...". Era o fim da Coluna Rumo Náutico, que mantivemos voluntariamente neste jornal desde 29 de julho de 2006.

Ao longo deste tempo, nunca deixamos de cumprir o nosso compromisso com os leitores e procuramos abordar temas como os esportes náuticos, políticas públicas para o esporte e para o meio ambiente, movimentos ambientalista e social, inclusão social através do esporte e outros temas.

Temos muito orgulho da singela colaboração que demos ao debate sobre estes temas e sempre consideramos muito satisfatório o resultado e o retorno obtido dos leitores.

Enfim. A experiência foi válida, mas encerra-se o ciclo. Continuaremos fazendo o mesmo aqui no Blog e convidamos a todos que interagiam com a coluna que o façam aqui neste espaço que é nosso e não estará vulnerável às mesmas desagradáveis surpresas.

Apesar da forma com que a Coluna Rumo Náutico foi interrompida, sem que tivéssemos tido qualquer contato por parte dos editores ou da direção do jornal, agradecemos aos leitores pela acolhida e ao jornal pela oportunidade que nos foi dada.

Bons ventos a todos que estiveram a bordo da Coluna Rumo Náutico.

Axel Grael

domingo, 29 de agosto de 2010

Queimadas também prejudicam a navegação


Qual a relação entre as queimadas e a navegação?

As queimadas são uma grande ameaça para a navegação, veja os motivos:


O fogo tem sido uma das principais ferramentas e causas históricas do desmatamento e um dos maiores problemas decorrentes da perda de floretas é a erosão do solo e, consequentemente, o assoreamento dos rios. Rios assoreados, por sua vez, dificultam ou impedem a navegação. Nas últimas semanas, o número de queimadas registrado em todo o Brasil foi um dos mais intensos. Um relato que chegou de Rondônia foi um dos mais impressionantes. O suprimento de alimentos e outros produtos essenciais chegam ao estado por transporte hidrográfico, pelo Rio Madeira, sendo a principal rota o trecho Porto Velho – Manaus. Nos últimos dias, por motivo de segurança, os operadores de embarcações tiveram que interromper as suas atividades. A fumaça tirou em quase 100% a visibilidade de quem trafega no rio. Aliadas ao baixo nível do rio, a fumaça transforma as viagens no Madeira em uma aventura extremamente perigosa. Para se ter uma ideia, gigantescas balsas estão encalhando nas areias e batendo nas pedras que, geralmente, ficariam submersas. Além disso, pelas águas do rio Madeira descem cerca de 20.000 toras de madeira por ano, de onde vem o nome do rio. A falta de visibilidade impede que as embarcações desviem dessas toras, tornando a navegação impossível.

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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 28 de agosto de 2010.

Portal do Mar

Ambientalistas e militantes dos movimentos sociais reunidos no Fórum em Defesa da Zona Costeira do Ceará aproveitaram a realização da Oficina de Justiça Climática do Nordeste para apresentar o Portal do Mar - Observatório de Direitos da Zona Costeira.
O recurso está disponível na internet (www.portaldomar.org.br) desde 2005 e reúne “os saberes e lutas das populações costeiras”. O portal é uma boa fonte de informações e é bem inspirador para aqueles que se preocupam e atuam em defesa do litoral.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 28 de agosto de 2010.

Europa repensa a ocupação do seu litoral

Vulnerabilidade costeira da Europa à elevação do nível do mar: a área em vermelho ficaria submersa com uma elevação de apenas 2 metros. A área amarela seria com o mar elevando-se 25 metros. Países como a Holanda, Bélgica e a Dinamarca seria varridos do mapa.

Ocupação da Almeria, na Espanha. Imagem à esquerda representa a área em 1974 e à direita a com a intensa expansão urbana verificada no local já no ano 2000.

A foto acima parece uma cena bem familiar, não é mesmo? Poderia ser em muitas praias brasileiras. Mas, não é. A construção sobre a areia da praia é em La Manga, Castela, Espanha.


Com frequência, o modelo turístico adotado na região costeira da Europa é apontado como um modelo para o Brasil e, com esta bandeira, chegam muitas propostas de investimentos em resorts e outras infraestruturas oferecidas por empresas daqueles países.
O Brasil tem um litoral rico em belezas e atrações e o aproveita muito mal. Nossa costa é quase um deserto em marinas e em serviços turísticos de qualidade. Investimentos em infraestrutura costeira poderiam ser uma importante opção de desenvolvimento para o país, mas é importante que estejamos alerta. A Europa, hoje, vive um processo de revisão da sua política de ocupação do litoral. Metade da população europeia vive próximo ao litoral e, assim como no Brasil, na faixa litorânea concentram-se as zonas urbanizadas, indústrias, além das principais áreas turísticas e de recreação.
A Agência Ambiental Europeia acaba de publicar um estudo sobre o nível de degradação dos ecossistemas e sobre o estado da biodiversidade na Zona Costeira e concluiu que os impactos da erosão, poluição, mudanças climáticas, urbanização e o turismo estão comprometendo não só o meio ambiente, mas também a economia e a qualidade de vida da população. O estudo preocupa-se também com as consequências da elevação do nível do mar e a consequência para o meio ambiente e a população.
A Agência admite que a perda da metade das áreas úmidas costeiras (4.500 km2) devido às alterações climáticas já é quase irreversível.

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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. O Fluminense, 28 de agosto de 2010.

Vela nos Jogos Olímpicos da Juventude

Os Jogos Olímpicos da Juventude, realizado em Cingapura entre os dias 14 e 26, reuniu 3.600 atletas com idades entre 14 e 16 anos, que representaram 204 países. A vela estava entre as 26 modalidades esportivas que participaram do evento e contou com cem atletas. As regatas foram disputadas nas classes Techno 293 (masculino e feminino) e Byte CII (masculino e feminino). No entanto, como as classes não eram conhecidas pela delegação brasileira, não conquistamos medalhas. Mesmo assim, o nível técnico da competição foi considerado muito equilibrado, o que pode ser verificado pelo quadro de medalhas. As 12 medalhas em disputa foram conquistadas por velejadores de 11 países. Uma grata surpresa foi a ótima atuação dos jovens velejadores asiáticos, mostrando que esses países - de pouca tradição na vela - estarão cada vez mais presentes no cenário náutico mundial. Eles já haviam mostrado isso no Campeonato Mundial da Classe Optimist, realizado em Niterói, no ano passado. Na ocasião, a garotada oriental já mostrava domínio do leme, dominando o evento.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 28 de agosto de 2010.

sábado, 21 de agosto de 2010

Inauguração da Biblioteca Náutica Ingrid Schmidt Grael

Foto de Fred Hoffman.


Na terça feira (10) o Projeto Grael promoveu uma festa para a inauguração da Biblioteca Ingrid Schmidt Grael, que teve como as principais atrações a apresentação da cantora Bia Bedran e a presença do velejador Torben Grael. A Biblioteca, que é aberta também à comunidade, já conta com um acervo de cerca de 3 mil volumes, tendo como temas prioritários a náutica, as profissões a ela relacionadas, assim como educação, meio ambiente, gestão de ONGs, literatura em geral, dentre outros assuntos de interesse dos alunos. Em breve, o acervo estará disponível na internet.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 21 de agosto de 2010.

Queimadas: o Brasil arde


O Brasil enfrenta uma das maiores incidências de queimadas da história. Do início do ano até o último dia 13, o INPE registrou 204,8 mil focos de incêndio em todo o país, o que representa um crescimento de 179% em comparação ao mesmo período do ano passado. O Rio teve 424 focos de queimada, contra 126 em 2009. O campeão das queimadas é o Estado de Mato Grosso, onde o número de ocorrências registradas foi de 5.173, o que corresponde ao quíntuplo do que foi registrado no ano passado. Com os incêndios, Mato Grosso emite 20 vezes mais monóxido de carbono na atmosfera que a cidade de São Paulo, maior polo industrial do país. Naquele estado, a maior parte dos focos (59%) registrados entre julho e início de agosto ocorreu em propriedades rurais, sendo 13% em áreas cadastradas no Sistema Integrado de Monitoramento e Licenciamento Ambiental (SIMLAM) e 46% em propriedades não cadastradas. Sendo assim, o fogo ocorre principalmente naquelas propriedades que resistem a se adequar à legislação ambiental. Vale lembrar a forte pressão que os ruralistas exercem sobre o Congresso Nacional para forçar a mudança do Código Florestal Brasileiro, afrouxando as regras sobre o desmatamento e anistiando as multas já aplicadas pelos órgãos ambientais.

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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 21 de agosto de 2010.

Rio polui menos

Transporte: a principal fonte de poluição do ar no Rio de Janeiro.


O município do Rio é o primeiro a atualizar o seu Inventário de Emissões de Gases do Efeito Estufa. O novo relatório, que teve como base o ano de 2005, compara os seus resultados com o inventário anterior que teve o ano de 1998 como referência. A comparação indicou que as emissões anuais per capita de CO2 diminuíram de 2,3 toneladas (1998) para 2,17 toneladas (2005).
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A principal forte de gases poluentes no Rio é a geração de energia, responsável por 63% das emissões. No cálculo da energia inclui-se o transporte, com mais da metade destas emissões. A seguir estão o lixo (31%), indústria (3%) e queimadas (2%).
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Para comparar os dados do Rio com outras cidades, podemos citar: Washington (DC) tem índice de 19,7 t/hab/ano; Nova York, 7,1 toneladas. Pequim tem índice per capita de 6,9; Londres, na Inglaterra, de 6,2; Roma, de 5,2; e Tóquio, de 4,8. Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro tem índice de 4,5; e Minas Gerais, de 6,38. A taxa total no Brasil é de 9,4 t/hab/ano.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 21 de agosto de 2010.

Copa América: meio ambiente pode ser obstáculo para São Francisco

Torben Grael (à esquerda) a bordo do Luna Rossa, barco italiano na America´s Cup, 2006.


A equipe americana BMW Oracle Racing Team, campeã da última Copa América, sonha em promover a próxima edição da regata (2013-2014) em São Francisco, Califórnia, onde localiza-se o Golden Gate Yacht Club, clube sede da equipe. Conforme a tradição, a escolha do local é uma prerrogativa da equipe campeã mas, hoje, a mais importante competição da vela é também um negócio milionário. São Francisco estima que o impacto da competição em sua economia será de US$ 1,4 bilhões, gerando 9 mil empregos.
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Ocorre que a cidade de Valência, Espanha, e uma cidade italiana cujo nome ainda não foi revelado, apresentaram ofertas generosas para sediar a regata, caso São Francisco não viabilize a sua candidatura. Comenta-se que os italianos teriam oferecido US$ 645 milhões.
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O maior obstáculo dos californianos é o meio ambiente. A seis semanas do prazo para apresentar a proposta oficial da cidade, há um impasse com as autoridades ambientais, comprometendo as obras de infraestrutura. Para superar o impasse, o legislativo analisa uma proposta de isenção excepcional das obras das obrigações do licenciamento ambiental.
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Os ambientalistas, compreensivelmente, não aceitam a medida alegando que o precedente desmoralizaria a Lei da Qualidade Ambiental da Califórnia e abriria uma brecha para futuras postulações.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 21 de agosto de 2010.

Classe Dingue apóia o Projeto Grael

Dingue veleja em frente ao Projeto Grael. Foto de Axel Grael.


Velejadores da equipe Estrelas do Mar, da qual fazem parte os melhores atletas do Projeto Grael, foram convidados para disputar o Campeonato Sudeste Brasileiro da Classe Dingue, que será realizado em Vitória/ES entre os dias 4 e 6 de setembro. A participação dos alunos acontecerá graças à iniciativa da organização do evento e de alguns velejadores, que se empenharam em levantar recursos para cobrir as despesas. Segundo estes, a presença dos velejadores do Projeto Grael é importante considerando-se a qualidade técnica que agregam à competição.

O fato é comemorado no Projeto Grael, pois comprova que o objetivo da instituição de desmistificar a vela como esporte elitista está sendo conquistado pela qualidade dos velejadores e pelo reconhecimento da comunidade náutica.

As duas tripulações representantes do Projeto Grael serão: Leonardo Santana da Costa Reis (do Colégio Estadual Sizínio Soares Pinto), Paulo Eduardo Alves Ferreira, Ramon Nascimento de Oliveira e Jonathan Oliveira Coutinho, todos do Colégio Estadual Fernando Magalhães. O técnico da equipe será Thiago Alcântara, instrutor de vela do Projeto Grael.

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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 21 de agosto de 2010.

sábado, 14 de agosto de 2010

Barco cata-lixo: lançado o Projeto Águas Limpas

Foto: Fred Hoffmann


Foi lançada, na terça-feira (10), o “Águas Limpas”, embarcação que será operada por alunos do Projeto Grael e que recolherá o lixo flutuante da Baía de Guanabara. A iniciativa foi possível graças ao investimento da concessionária Águas de Niterói, a parceria do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Companhia de Limpeza de Niterói (CLIN). A embarcação, importada da França, é feita de alumínio e tem capacidade para armazenar 500 kg de lixo. Uma vez retirado do mar, o lixo será depositado em caçambas específicas no Clube Naval Charitas e no Jurujuba Iate Clube, de onde os resíduos serão recolhidos por funcionários da CLIN. O “Águas Limpas” também pode ser utilizado para retirar manchas de óleo no mar, contando com um compartimento capaz de armazenar mil litros do poluente. O lançamento da embarcação é mais um passo de uma parceria entre o Projeto Grael e Águas de Niterói, iniciada em 2006. Naquele ano, alunos do Projeto Grael mapearam os pontos de acúmulo de lixo, com a orientação da professora Marli Cigagna, da UFF. Os dados ajudarão agora no trabalho do barco “Águas Limpas”, que dará prioridade para atuar nesses locais de maior acúmulo de lixo. A embarcação vai operar todos os dias da semana, no trecho da orla entre a Ilha de Boa Viagem e o Morro do Morcego, incluindo a enseada de São Francisco e as praias de Icaraí e das Flechas.

Guerra ao lixo


O “Águas Limpas” não estará só na luta contra o lixo. A sua operação começa em um momento emblemático, quando acaba de ser sancionada a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que tramitava no Congresso há mais de 10 anos. A lei promete mudar a realidade brasileira. Atualmente, no país, apenas 13% do lixo produzido chegam aos aterros sanitários e outros destinos adequados. Os lixões, para onde ainda vão 59% do lixo produzido no Brasil, enfim, têm prazo para acabar: quatro anos. A lei também instituiu a obrigação da logística reversa, ou seja, fabricantes serão obrigados a receber de volta as embalagens e produtos descartados pós-consumo. Isso se aplica a produtos como: agrotóxicos, pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, lâmpadas fluorescentes, produtos eletrônicos e seus componentes etc. No Rio, uma lei estadual recente também proibiu a distribuição de sacolas plásticas em supermercados e outros estabelecimentos comerciais. Nessa semana, a fiscalização ambiental estadual atuou em Niterói e já multou infratores. Esperamos que a ação diminua muito a presença marcante dessas sacolas no lixo flutuante.


Da coluna "Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 14 de agosto de 2010

Projeto Grael e INEA assinam convênio de cooperação

Foto: Fred Hoffmann

Parceria pela Baía de Guanabara


Os alunos do Projeto Grael vão colaborar com o Instituto Estadual do Ambiente- INEA no monitoramento ambiental da Baía de Guanabara. Presente ao evento de lançamento do “Águas Limpas”, o presidente do INEA, Luiz Firmino Martins, assinou um convênio com o Projeto Grael com o objetivo de aproveitar a presença constante dos alunos na Baía para que sejam coletados dados físico-químicos das suas águas. Os alunos serão capacitados pelos técnicos do INEA para como proceder em relação à coleta das amostras, a utilizar os equipamentos e as orientações para cumprir uma rotina de monitoramento nos pontos definidos pelo órgão ambiental do estado.


Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 14 de agosto de 2010.

sábado, 7 de agosto de 2010

Polêmica do Túnel Charitas-Cafubá: solução ou apenas uma forma de se chegar mais rápido ao engarrafamento?

O jornal O Fluminense de ontem (06/08/2010) publicou matéria sobre os entraves à construção do túnel Charitas-Cafubá. Em 2007, quando eu era presidente da antiga FEEMA- hoje INEA - recebi o EIA/RIMA do empreendimento encaminhado para análise pela Prefeitura de Niterói. O documento era de má qualidade e não cumpria as normas ambientais, precisou ser refeito e ainda não tem condições de ser aprovado.
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A principal pendência atual é a falta de um estudo de impacto viário, o ponto mais vulnerável do projeto e sobre o qual temos as nossas maiores críticas.
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Túnel não pode ser analisado isoladamente
Na nossa visão, o debate sobre o túnel só faz sentido se analisado no contexto de um planejamento mais amplo, que pense nas soluções de transporte para toda a cidade e que inclua também as alternativas ao falido rodoviarismo, cuja consequência é o caos diário em que nos encontramos.
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Esse planejamento poderá vir com o PDTT - Plano Diretor de Transporte e Trânsito em elaboração pela prefeitura.
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Túnel poderá ser uma frustração
Apesar de ser a grande esperança de muitos moradores da Região Oceânica, a opção pelo túnel poderá frustrar os seus anseios, pois considerando as dificuldades de escoamento do atual túnel São Francisco-Icaraí e as demais vias até o Centro e a Ponte, principalmente no período matinal, a nova obra fará apenas, que os motoristas da Região Oceânica cheguem mais rápido ao engarrafamento e só tornará o problema ainda pior.
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Um termômetro do quanto o assunto é importante para os niteroienses, é a quantidade de comentários que recebi em meu blog (http://www.axelgrael.blogspot.com/) sobre o assunto. Nas manifestações recebidas, podemos verificar como as opiniões divergem. Ao contrário dos moradores da Região Oceânica, os que residem nas imediações da obra manifestam-se contrários. As razões de ambas as partes são relevantes e a preocupação é legítima.
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Sabemos que o assunto é polêmico e por isso merece muito debate. Que venha logo o PDTT e que traga soluções!!!
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 07 de agosto de 2010.
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Para mais informações, leia aqui no Blog toda a polêmica e o debate em torno da postagem:


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24 de junho de 2013
Esclarecimento:

ERROS DO PROJETO DO TÚNEL CHARITAS-CAFUBÁ SÃO CORRIGIDOS COM A TRANSOCEÂNICA

Saiba como a TransOceânica substituirá com muitas vantagens o antigo projeto do túnel

O texto acima foi postado originalmente em 2010 e eu reafirmo as minhas opiniões de então sobre a proposta equivocada então apresentada pela Prefeitura, na gestão anterior, para a implantação do túnel Charitas-Cafubá.

Na gestão de Rodrigo Neves, os problemas da concepção rodoviarista do túnel, conforme foi apresentado na gestão passada, foram corrigidos com a concepção do projeto do BRT da TransOceânica, iniciativa por mim coordenada.

A TransOceânica ligará Charitas ao Engenho do Mato, contando com um túnel entre Charitas e o Cafubá.

A diferença é que o projeto anterior era um projeto rodoviarista, com prioridade para o trânsito de automóveis, mediante a concessão do túnel para a iniciativa privada por um prazo de 30 anos, com a cobrança de um pedágio de R$ 9,00, sendo R$ 4,50 em cada sentido. Provavelmente, este seria a maior tarifa/km do país. Vale lembrar que o túnel então concebido teria 1,3 km. Compare o preço do pedágio previsto com o atualmente cobrado pela Ponte, que é de R$ 4,90 (cobrado apenas no sentido Niterói) para uma ponte de 13 km.

O túnel anterior previa apenas duas pistas em cada sentido. O túnel da TransOceânica não terá pedágio, terá três pistas em cada sentido, sendo uma exclusiva para o BRT. Há ainda a previsão de uma ciclovia pelo túnel. Para que o ciclista possa atravessá-lo de forma saudável e segura, estuda-se a melhor solução de ventilação da ciclovia. E a TransOceânica não é apenas um túnel, mas um equipamento que permitirá que o passageiro desloque-se com conforto e na metade do tempo entre o Engenho do Mato e Charitas, podendo embarcar em estações e terminais intermediários.


O túnel da TransOceânica não terá pedágio, terá três pistas em cada sentido, sendo uma exclusiva para o BRT. Há ainda a previsão de uma ciclovia pelo túnel. Para que o ciclista possa atravessá-lo de forma saudável e segura, estuda-se a melhor solução de ventilação da ciclovia.

A TransOceânica contará ainda com linhas troncais que facilitarão o deslocamento dos bairros da Região Oceânica aos seus equipamentos. Estão previstos também ciclovias e bicicletários nas estações.

Portanto, a TransOceânica, por dar prioridade para o transporte coletivo, é uma solução de mobilidade para a população da Região Oceância, com consequências positivas para toda a cidade.

Apesar do governo passado ter oficializado a concessão do túnel Charitas-Cafubá, a obra não tinha verba destinada pelo governo ou captada pela concessionária. A obra não tinha nem mesmo licenca ambiental para ser executada. A TransOceânica já possui uma verba de R$ 292 milhões aprovada, o detalhamento do projeto já está sendo contratado, o licenciamento ambiental já está sendo providenciado pela Prefeitura junto ao INEA e uma série de outros estudos estão sendo realizados.

A TransOceânica não é a única solução de mobilidade a ser implantada pelo governo municipal. Também está sendo planejado um VLT entre Charitas e o Centro de Niterói e a Prefeitura prepara-se para captar também recursos para a TransNiterói, que ligará o Largo da Batalha à Ponte e ao Centro da cidade. A Prefeitura também faz gestões junto ao governo do estado para que a ligação hidroviária entre Charitas e a Praça XV ocorra com tarifas mais adequadas.

Portanto, a TransOceânica é parte de um planejamento para dotar Niterói de uma alternativa multimodal para o transporte coletivo, melhorando significativamente os problemas atuais de engarrafamentos diários que atormentam os niteroienses.

Veja, a seguir, tudo o que já está sendo feito para a implantação da TransOceânica, cujas obras começam no início de 2014:


Prefeito Rodrigo Neves sanciona Lei da TransOceânica
TRANSOCEÂNICA: CÂMARA AUTORIZA PEDIDO DE EMPRÉSTIMO PARA MOBILIDADE URBANA
Vídeo: Apresentação da TransOceânica aos vereadores na Câmara Municipal de Niterói
Presidenta Dilma anuncia liberação de R$ 292,3 milhões para PAC da Mobilidade de Niterói
Recebendo em Brasília a aprovação do projeto da TransOceânica


Relatório do US Coast Guard sobre acidentes náuticos nos EUA

Operador de embarcação é preso pela Guarda Costeira americana por conduzir sob efeito do álcool. Foto US Coast Guard. http://www.uscgboating.org


A Guarda Costeira dos Estados Unidos acaba de publicar o relatório “Estatísticas da Náutica Recreativa 2009”. Chamou a atenção os números relacionados a acidentes com embarcações. Embora o número de acidentes tenha diminuído 1,2% com relação ao ano anterior o número de fatalidades aumentou 3,8%.
Foram registrados no ano 4.730 acidentes, com 736 mortes, 3.300 feridos e danos materiais que somaram US$ 36 milhões. Dentre as principais causas de acidentes estavam:
  • a falta de atenção,
  • inexperiência,
  • excesso de velocidade e
  • consumo de álcool.

As autoridades alertaram que 86% das pessoas que causaram acidentes não tinham qualquer capacitação sobre segurança náutica. O relatório informa ainda também que 75% das fatalidades foram por afogamento e 84% destas vítimas não utilizavam coletes salva-vidas.


Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 07 de agosto de 2010.

Para mais informações: http://www.uscgboating.org/statistics/accident_statistics.aspx

Velas e cataventos

Ilustração simulando a Hywind em operação. Do site Statoil (http://www.statoil.com/) .

Concepção da Hywind. Do site da Statoil (www.satatoil.com)

Instalação da Hywind.

Base inferior da Hywind. Fonte: http://www.aftenbladet.no/energi/fornybar/1018825/Er_dette_Norges_neste_eksportartikkel.html


Preparação da base inferior da Hywind, antes do transporte para o seu local definitivo. Fonte: http://www.aftenbladet.no/energi/fornybar/1018825/Er_dette_Norges_neste_eksportartikkel.html


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De agora em diante, usufruir dos ventos em alto mar não será mais um privilégio só dos velejadores. As velas agora dividirão a solidão dos oceanos também com os geradores eólicos. A empresa norueguesa Statoil Hydro fixou em alto mar, a 10 km da costa da Noruega, a primeira usina eólica flutuante do mundo, batizada de Hywind.
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A unidade experimental, que começou a ser projetada em 1999, é uma jaqueta com uma estrutura cilíndrica vertical que alcança 100 metros abaixo da superfície, sendo ancorada ao fundo através de três cabos. A turbina que fica a uma altura de 65 metros acima do nível do mar, tem capacidade de geração de 2,3 MW, é acionada por um rotor com 82,4 metros de diâmetro e, futuramente, poderá ser utilizada em outros lugares com potencial eólico, desde que tenham uma profundidade entre 120 e 700 metros.
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A presença de geradores eólicos em águas rasas já é parte da paisagem de muitas regiões litorâneas do norte da Europa. Isso acontece, pois é a melhor forma de aproveitar o potencial eólico evitando-se os conflitos que a presença dos equipamentos geram em terra firme.
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Ao buscar ventos mais intensos e constantes em águas profundas, a tecnologia do Hywind abre uma nova importância estratégica para os oceanos, em particular para as Zonas Econômicas Exclusivas, ou seja, o território marítimo sob a soberania dos países litorâneos. Com mais de 8 mil quilômetros de litoral, e muito potencial eólico, o Brasil mais uma vez tem no mar mais uma grande oportunidade para o seu desenvolvimento.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 07 de agosto de 2010.

Submarinos nucleares em Sepetiba

Ilustração do projeto de implantação do Estaleiro e Base de Submarinos. Fonte: www.naval.com.br/blog/tag/submarino-nuclear/


O IBAMA concedeu a licença ambiental que permite o início das obras (LI) para a implantação do Estaleiro e Base Naval da Marinha do Brasil.

O empreendimento tem por finalidade a construção, manutenção e comando de submarinos convencionais e de propulsão nuclear, na Baía de Sepetiba, na Ilha da Madeira, município de Itaguaí. As obras serão executadas em aterro hidráulico protegido por enrocamento, num total de 413 mil m².

A Licença de Instalação assinada pelo presidente do Ibama, Abelardo Bayma, contem 12 condicionantes, dentre as quais se destacam a exigência de programas de monitoramento da biota aquática, dos sedimentos resultantes da atividades de dragagem e do gerenciamento de riscos ambientais.
Fonte dados: www.ibama.gov.br
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 07/08/2010.

Saúde de vento em popa

O Projeto Grael recebeu uma valiosa colaboração voluntária de um grupo de médicos que está fazendo exames médicos em todos os novos alunos que se matricularam para os cursos que se iniciam na segunda feira (9 de agosto). Os voluntários são:
  • Dr. Pedro Ângelo Bittencourt,
  • Dr. Carlos Alberto Cordeiro,
  • Dr. José Gonzaga Rossi,
  • Dra. Elizabeth Souza Magalhães Bastos e
  • Dr. José de Moura Nascimento.

Trata-se de uma parceria com a Unimed Leste Fluminense, que já prometeu que outras contribuições para ajudar a saúde dos velejadores do Projeto Grael virão.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 07/08/2010.

sábado, 31 de julho de 2010

Lambança histórica



Ilustração do site oficial da BP mostrando os tipos de operação para o controle das manchas de óleo no mar do Golfo do México. Dentre as operações estão a queima de óleo na superfície do mar e a aplicação de dispersantes químicos por avião. (www.deepwaterhorizonresponse.com)


Há duas semanas, anunciou-se que estaria controlado, ainda que provisoriamente, o vazamento de óleo no Golfo do México. O acidente ambiental, um dos maiores da história, teve início no dia 24 de abril com a explosão da plataforma Deepwater Horizon, de propriedade da empresa BP-British Petroleum.
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Desde então, estima-se que vazaram para o mar cerca de 378,5 milhões de litros de óleo, alarmando a população do litoral sul dos EUA e ilhas do Caribe, além chocar o mundo com as lamentáveis cenas de animais agonizantes sob o efeito do óleo. Pesquisadores, ambientalistas e autoridades procuram, agora, compreender o que aconteceu com todo o óleo derramado e a real dimensão dos impactos ambientais.
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A empresa responsável pelo desastre anunciou que conseguiu retirar do mar cerca de 140 milhões de litros e que promoveu a queima no próprio mar (uma prática questionável) de cerca de 38 milhões de litros de óleo. Ou seja, apenas teriam sido retirados do mar cerca de 47% de todo o óleo, e isso confiando-se na contabilidade da própria empresa. Mais da metade do óleo teria se volatizado na superfície, ou estaria no fundo do mar, ou, ainda, permaneceria em camadas intermediárias da coluna d´água.
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O óleo submerso é a maior preocupação de todos, pois esse quantitativo, que deve ser a maior parte do óleo ainda remanescente, tem alto potencial de danos e é praticamente impossível de ser resgatado. Esse problema teria sido agravado com a decisão do uso indiscriminado de dispersantes químicos aplicados por aviões e embarcações sobre as manchas que se aproximavam da costa. O efeito colateral do uso desses produtos é a precipitação da parte mais pesada do óleo, atingindo as camadas mais profundas do mar.
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Os cientistas não têm ideia dos impactos gerais do acidente para a vida marinha e até mesmo sobre a economia. Uma das poucas certezas que se pode ter é que, depois desse acidente, muita coisa deve mudar na exploração de petróleo em águas profundas, com forte impacto nas perspectivas brasileiras de exploração do pré-sal.
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Da coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 31/07/2010.
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OPINIÃO:
Governo anuncia o PNC- Plano Nacional de Contingência de Derramamento de Óleo
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A ministra do Meio Ambiente, Izabella Monica Teixeira, anunciou que o governo está preparando um plano para evitar e combater acidentes semelhantes ao ocorrido no Golfo do México, caso ocorram no llitoral brasileiro.
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Segundo declarou ao jornal O Globo, o governo quer seguir o exemplo da estratégia de atuação do governo americano no caso da BP e mudar a legislação brasileira que proibe a queima e o uso de dispersantes diretamente no poço, onde há o vazamento. Com muitas restrições, a legislação brasileira permite apenas o uso de dispersantes nas manchas de óleo na superfície.
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Quando fui presidente da Feema, de 1999 a 2001, enfrentei o acidente com o vazamento de óleo da REDUC na Baía de Guanabara, o vazamento da Plataforma P-7 e o afundamento da P-36. Em todos esses casos, tivemos que ser firmes e impedir que os dispersantes fossem utilizados. A sua aplicação é uma solução bastante atraente para as empresas de petróleo, pois faz com que a prova do crime saia rapidamente da cena. Vazamentos de óleo são desastres terríveis para o meio ambiente, mas também para a imagem das empresas e dispersar manchas de óleo é uma tentação compreensível.
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O problema são os efeitos colaterias destes produtos químicos. Dispersar tem vantagens nestes momentos de contingência, é claro: aumenta a velocidade de volatização e evita que grandes quantidades de óleo cheguem aos frágeis ecossistemas costeiros, como costões rochosos, estuários, manguezais, pântanos e outras áreas úmidas, etc. O problema é que a ação dos dispersantes (mesmo algumas formulações mais recentes e menos tóxicas) é muito lesiva para o plâncton e faz com que uma parte importante do óleo afunde no mar, ficando em camadas intermediárias da coluna d´água, atingindo também as comunidades bentônicas (fundo do mar) que são a base da cadeia alimentar e de onde é praticamente impossível removê-la.
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Em outras palavras, o uso dos dispersantes pode servir para jogar a "sujeira para debaixo do tapete". Outro problema, que não pode deixar de ser considerado é que, de acordo com a legislação ambiental brasileira, os órgãos ambientais precisam avaliar a dimensão do dano ambiental na hora de calcular as multas que serão aplicadas aos responsáveis pelos desastres ambientais. Neste caso, o uso de dispersantes pode prejudicar muito o trabalho dos técnicos, pois simplesmente muda rapidamente "a cena do crime".
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Axel Grael