sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Americanos e europeus veem as mudanças climáticas de formas opostas

Why We Hate Global Warming

Gary Liberson


It's not that Americans don't believe in global warming, they are just afraid of what it means to their way of life. The potential economic consequences of climate change are so great in the US that people are willing to deny empirical evidence and make all forms of illogical statements to reject the fact that the earth is warming. Psychologists call this cognitive dissonance.


Europeans and Americans have polar opposite views of global warming. Polls show less than one-third of the US population believes climate change is a "serious problem" compared with a near supermajority of EU voters (31% vs. 63%). 87% of the EU considers global warming a serious problem! Americans rank it 21st in important issues for government while in the EU it is 2nd!

Why this bipolar perspective? There are two reasons why Europeans accept the significance of global warming:

•Not an Out of Sight Out of Mind Problem -- Unlike the US, Europeans see the empirical evidence of glaciers receding in their countries or know their governments are actively preparing for the potential damages (e.g., Netherlands, Venice, and Thames River project); and

•Burden on Industry NOT Individual - For Europeans the economic implications for mitigating global warming has a minimal (indirect) affect on their personal lives. Europeans always have been taxed to the bone for fuel, electricity, and automobiles for no other reason than increasing government revenues (e.g.,7.50 a gallon for gasoline). These higher prices have driven down consumption of the major sources of greenhouse gases -- cars and electricity. For the EU, the Kyoto Protocol was just placing controls and goals on Industry.

It is easy for voters to accept national policies that minimally affect their pocketbooks and lifestyle. For the US, the Kyoto Protocol, and thus global warming, was an assertion that we in the U.S. should wrap ourselves in sackcloth and ashes for our use of cars and electricity. Fighting global warming means a direct assault on pocketbook issues and our lifestyle.

Europeans can be accepting while preservation of our present way of life makes denial a healthy psychological defense against the potentially dire implications.

Yet, here is the perversity of our thinking. Name one hypothesized economic consequence from accepting the actions necessary to mitigate global warming that have not already happened. Gasoline is up 95% AFTER inflation since the Kyoto Protocol. The price of oil is now $100 a barrel, an increase of 300% since 1997. There is not a food commodity (or any commodity) that has not risen at a rate 5 to 10 times inflation. There really is no economic fear of accepting global warming because we are living the economic consequences without any planning by the government.

Fonte: Huffington Post

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Poluição do ar provoca aumento de chuvas fortes em áreas urbanizadas


O excesso de chuva em áreas urbanizadas pode ter efeitos dramáticos para as populações locais, como se vê todo verão em alguma região do Brasil. Dois novos estudos destacam que gases estufa produzidos pela industrialização têm aumentado significativamente a probabilidade de precipitação pesada e o risco de enchentes. As pesquisas, que reforçam a importância da contribuição humana em eventos hidrológicos extremos, tiveram seus resultados publicados na edição de hoje (17/2) da revista Nature.


Trabalhos anteriores haviam apontado que a influência antropogênica no aquecimento global podia ser responsável em parte pelo aumento nas chuvas. Entretanto, por causa da disponibilidade limitada de observações diárias, a maior parte dos estudos até hoje examinou apenas o potencial de mudanças na precipitação em comparações entre modelos climáticos.

Em um dos artigos agora publicados, Francis Zwiers, da Environment Canada, e colegas analisaram os índices de precipitação em áreas continentais no hemisfério Norte de 1951 a 1999. De acordo com os pesquisadores, os aumentos induzidos pelo homem na emissão de gases que causam o efeito estufa contribuíram para o aumento nos eventos de precipitação pesada observados em cerca de dois terços das áreas analisadas.

Os resultados foram baseados na comparação de mudanças observadas e simuladas em modelos da precipitação extrema na última metade do século 20. Mudanças na precipitação projetadas pelos modelos – e, consequentemente, os impactos de mudanças futuras na precipitação extrema – podem ter sido subestimadas porque os modelos aparentemente subestimam o aumento observado na precipitação por causa do aquecimento”, destacaram os autores.

No outro estudo, Pardeep Pall, da Universidade Oxford, e colegas centraram nas enchentes ocorridas no Reino Unido em outubro e novembro de 2000, o outono mais úmido na Inglaterra e no País de Gales desde 1766, quando os registros começaram a ser feitos. Os cientistas produziram milhares de simulações em computador para como deveria ter sido o tempo no período em questão, tanto em condições realísticas como caso não tivesse ocorrido qualquer emissão de gás estufa.

O resultado é que, de cada três casos, em dois as simulações indicaram que as emissões antropogênicas no século 20 aumentaram o risco de enchentes nos dois países em mais de 90%. Entretanto, os pesquisadores ressaltam que ainda não se conhece com exatidão a magnitude da contribuição humana aos eventos extremos e que mais estudos são necessários para aumentar o conhecimento no tema.

Os artigos Human contribution to more-intense precipitation extremes (doi:10.1038/nature09763), de Seung-Ki Min e outros, e Anthropogenic greenhouse gas contribution to flood risk in England and Wales in autumn 2000 (doi:10.1038/nature09762), de Pardeep Pall e outros, podem ser lidos por assinantes da Nature em http://www.nature.com/.

Fonte: TN Sustentável

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España cuenta ya con 356 puntos de recarga para coches eléctricos

El secretario de Estado de Energía, Fabrizio Hernández, ha asegurado en el Congreso que el Proyecto Movele para la promoción del coche eléctrico ha permitido que la red de infraestructuras cuente ya con 356 puntos de recarga.


Enviado por: ECOticias.com / Red / Agencias, 17/02/2011, 18:20 h

Durante su primera comparecencia ante la Comisión de Industria, Turismo y Comercio, Hernández ha informado además de que se han suscrito convenios en Madrid, Barcelona y Sevilla para la instalación de más de 500 puntos de recarga, con una dotación de más 500 puntos.

Precisamente, el Proyecto fijaba también como objetivo el establecimiento de 500 puntos de recarga de coches eléctricos entre 2009 y 2010.

Asimismo, Hernández ha recordado que los Presupuestos de Industria para 2011 cuentan con una partida específica de ayuda a la compra de coches eléctricos por 81 millones de euros, fren a los 8 millones de 2010. "El impulso va a continuar", ha asegurado.

Fonte: ECOticias.com

Ministra Izabella Teixeira ataca relatório de Aldo Rebelo

Por: Redação TN / Valor Econômico


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, foi enfática ontem (16/2), durante coletiva de imprensa em São Paulo, ao defender que as principais bandeiras do movimento ruralista presentes no projeto de alteração do Código Florestal Nacional, relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), não deverão ser aceitas pelo governo federal. Segundo ela, pontos como a anistia a desmatadores e a redução de áreas preservadas precisam ser discutidas na tentativa de estabelecer "novas bases".

"Não dá para anistiar quem desmatou sabendo que estava fora da lei. Isso tem que estar claro", disse a ministra após encontro com empresários do setor de infraestrutura. Outro ponto polêmico do projeto de novo Código Florestal, que elimina das áreas de proteção topos de morro, foi rechaçado pela ministra. "Topo de morro tem que ser reserva", diz ela.

Um dos argumentos do ministério contra a proposta dos parlamentares é o embate do novo código com outras políticas do governo federal. "Não posso ter algo que inviabilize a nossa política de mudanças climáticas, por exemplo", diz ela.

A proposta do governo já está em discussão desde meados do ano passado, mas ainda não há data para ser apresentada. Segundo a ministra, os pontos estão sendo discutidos com os ministros envolvidos com o tema. A proposta não deve ser um projeto substitutivo, segundo a ministra, nem uma revisão da proposta dos parlamentares, mas sim uma ampliação do debate. "Eu não uso a palavra flexibilização. O que estamos fazendo é a tentativa de construir novas bases para uma política de Código Florestal que seja recepcionada por todas a sociedade."

Apesar de a ministra do Meio Ambiente afirmar que a proposta do governo é uma questão de diálogo, o enfrentamento com os pontos mais polêmicos mostra que será difícil um acordo com os deputados. "Nossa preocupação é manter o que existe hoje", disse ela em relação às áreas que estão sob proteção ambiental (APP) e reserva.

O grupo de deputados ligado ao agronegócio está se movimentando na busca de apoio de secretários estaduais e os parlamentares estão trabalhando para adiantar a votação do projeto. A ministra defende o que chama de "agricultura sustentável", e diz não ver riscos de redução de áreas cultiváveis conforme argumentam os agricultores. Segundo a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), caso o projeto de lei em tramitação no Congresso não seja aprovado, a agropecuária brasileira deve perder, nos próximos dez anos, 20 milhões de hectares de área produtiva.

Izabella diz que há uma preocupação do governo em colocar em pauta na proposta também a questão das cidades, olhando o problema da ocupação de encostas de morros. "Basta ver o que aconteceu no Rio de Janeiro. Vejam quais são as áreas que foram levadas pelas águas e vejam se não são áreas de preservação. A realidade nos mostra que tem um sentido haver as APPs", diz ela. Em janeiro deste ano, a região serrana do Rio sofreu com fortes deslizamentos de terra em áreas urbanas, que levaram à morte mais de 800 pessoas.

A bandeira da revisão do relatório do Código Florestal ganhou força ontem, em Brasília, com o relançamento da Frente Ambientalista da Câmara dos Deputados. Os deputados que integram a Frente querem evitar que a proposta seja votada em março, como prometeu o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), durante sua campanha para a Mesa Diretora da Casa.

"A nossa prioridade número um é o Código Florestal, porque a proposta que saiu da comissão especial alarga as possibilidades de desmatamento", disse ontem o deputado Sarney Filho (PV-MA), coordenador da Frente. Novamente, a tragédia fluminense é usada como argumento para a revisão.

No entanto, informalmente, os deputados ambientalistas admitem que a tentativa é de reverter as derrotas para os ruralistas na comissão especial de 2010. Dentre os principais aspectos a serem revistos está a isenção de desmatamento em áreas de reserva legal para qualquer imóvel de até quatro módulos fiscais.

O presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), participou do relançamento da Frente e anunciou a criação de uma comissão de negociação entre ruralistas e ambientalistas para discutir o relatório de Aldo, que está pronto para ser votado em plenário.

Fonte: TN Sustentável

Video sobre a Caravana do Esporte, que tem a participação do Projeto Grael

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Empreendedor social questiona: até que ponto as parcerias institucionais valem a pena?


O texto abaixo é de um experiente empreendedor social e foi publicado no site especializado em gestão de ONGs, o Social Edge. Saul Garlick levanta uma boa polêmica ao questionar a efetividade em termos de resultados das tão propaladas parcerias institucionais. Para provocar o debate, ele cita que muitos sites de ONGs apresentam orgulhosamente uma longa lista de instituições parceiras, mas duvida que todas estas parcerias efetivamente gerem resultados para a missão da instituição.

O autor do artigo alfineta: "Penso que estas parcerias podem acabar sendo como um funcionário medíocre. Consomem tempo e energia, mas dão pouco retorno".

Então, a importância das parcerias seria apenas um mito?

Se Garlick está certo ou errado, só mesmo cada gestor de ONG refletindo sobre os resultados de suas parcerias para julgá-lo. Provavelmente, você vai verificar que algumas parcerias da sua instituição são importantes e até indispensáveis, mas, de fato, há uma tendência de se produzir longas listas de parcerias apenas como "uma política de boa vizinhança", como solidariedade com organizações amigas ou, quando o parceiro tem prestígio, para reforçar a imagem de quem divulga a parceria.

Pegando o exemplo do Projeto Grael, temos parcerias indispensáveis com instituições públicas e privadas que nos dão retorno na forma de serviços ou que potencializam as ações pois as sinergias são reais. Não estamos falando em relações de patrocínio ou vínculos formais obrigatórios por força de lei, mas em relações de sinergia e complemetariedade. É o caso das parcerias com o Clube Naval Charitas, com o escritório de advocacia Vinhas & Redenschi, etc. Também, temos boa experiência com redes e alianças estratégicas, como a REMS - Rede Esportes pela Mudança Social e a Caravana do Esporte. Outras parcerias, que quando foram formalizadas pareciam promissoras e nas quais já depositamos grande expectativa, gerou pouco ou nenhum resultado. Mas, é bom pensar que as vezes as parcerias demoram um pouco a amadurecer e os resultados acabam surgindo com o tempo.

O texto é interessante. No mínimo, Garlick oferece uma boa provocação para a reflexão e para o debate.

Axel Grael



Rethinking Partnerships

Saul Garlick, fundador e diretor executivo da ThinkImpact.

I think it is time for social entrepreneurs to rethink partnerships. I’m a huge fan of collaboration, but I am strongly opposed to gratuitous collaboration. Too often donors, executive directors and employees think that by forging massive quantities of partnerships – rosters of partnering organizations often go on for pages on some of our websites – we are somehow getting ahead. I disagree.

I think of extraneous partnerships the way I think of mediocre staff. They fill time, energy and don’t add all that much.

So it’s time to rethink partnerships. We should talk about them as opportunities for efficiency gains, period. Partners should fulfill key roles that we cannot successfully fulfill without partners. In some ways we should think about partners as consultants. When you need help raising money for a specific project, bring in a partner (or a consultant). When you need programmatic expertise, bring in a partner (or a consultant).

The problem for many social entrepreneurs is that often we want to build an incredibly vast network, gain legitimacy early, and please as many people as possible (community members, donors, employees, other NGOs or companies, etc.) and we make terrible sacrifices along the way that we don’t realize we are making.

We should team up with organizations that not only share our values, but in a very specific, tangible and time-bound way provide value to our programming. Partnership means that we do the same for them; they should assess a partnership opportunity in the same light.

Over the years ThinkImpact has had literally 100+ partners. Of course they are not all active. It is almost dishonest to include them on a list of partners after a year of not directly collaborating. But even more problematic is that many meetings are approached with an attitude that there might/should be a way to work together. It’s time for all of us to be more critical than that: sometimes there is NOT a way to work together, and that’s okay!

1. Do you have any examples of partnerships that soaked up time with little result?
2. How do you deal with partnership opportunities that seem like potentially beneficial but you aren’t quite clear how or why?
3. When do you tell partners that you should stop working together?


Fonte: Social Edge

Você já pensou por que as pessoas se impressionam com os penhascos?


Why Do People Always Overestimate Slope?

"Holy Crap" is a very common phrase among mountain hikers when confronted by an intimidating slope. After plodding along at a nice five degree incline, a sudden rise in elevation can seem like either a daunting task or an irresistible challenge. I personally like sharp inclines because it means you can get more of the climb out of the way in quicker time. But sometimes that intimidating slope is not quite what it seems. According to a new study in the journal, Psychological Science, people routinely overestimate slope, whether they stand from the top or bottom. Our brains are hardwired to believe the incline is worse than it actually is.

It was previously believed that the reason for this was mankind's primeval fear of falling or an overwhelming sense of fatigue. Our minds perceive large hills as difficult and our thinking is therefore clouded by the potential physical exertion required and a sense of danger.

However, new research from Dennis Shaffer and Mariagrace Flint of the Ohio State University has found a contradiction to this common belief by looking at how people perceive the angle of stairs versus escalators. "We found that people tend to overestimate a slant even when they are looking at an escalator, and climbing or descending it would require practically no effort at all," Shaffer said.

The researchers surveyed 200 people, half from the top of an escalator and half from the bottom. Another 200 people were similarly surveyed at a staircase. The subjects consistently overestimated the angle of the slope by 18-19 degrees regardless of their location or whether they were at the stairs or escalator.

In reality, the stairs were set at 25 degrees, but people guessed they were 44 degrees. The escalator was really 30 degrees, but people guessed 48 degrees. The estimates were practically identical, even though the escalators require no physical effort. Therefore, our perceived avoidance of physical exertion or danger does not have as strong an influence as previously believed.

The researchers believe our perception is skewed due to the angle of our gaze. "If people believe they are looking more downward towards the bottom of the hill, and the hill looks perpendicular to their line of sight from there, the hill could look steeper to them," Shaffer said. "But this hasn't been tested — we’re working on that next."

Other research has shown that people think a hill is less steep when viewed from the edge, and more steep when they move back. From the bottom of the hill, our overestimates of slope are greater when viewed from farther away rather than up close. Shaffer believes our constant misperceptions of slope can be eliminated by learning. For example, roofers, who make their living on a slope, always seem to be more accurate with their estimations.
Link to published article: http://pss.sagepub.com/content/22/2/209.full

Fonte: Environmental News Network

Diesel já soma 53% das emissões de CO2 no Brasil


O diesel é o maior colaborador para o agravamento do efeito estufa no Brasil. Usado como principal combustível para deslocamento de cargas, em ônibus e caminhões, o diesel respondeu, somente em 2009, por 53% de todo o lançamento de CO2 no transporte rodoviário do país, seguido de longe pela gasolina, com 26%. O relatório produzido pelo governo responsabilizou a falta de preocupação das autoridades brasileiras e o fraco investimento em outros tipos de transporte, como o ferroviário, para esse aumento das emissões da nação.


Para André Ferreira, diretor- presidente do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) e um dos elaboradores do inventário, a centralização da questão energética do país na gasolina pode ter agravado o problema em relação ao diesel. "A troca de gasolina pelo álcool nos carros flex fuel é importante, mas não resolverá o problema", afirmou Ferreira.

O álcool é um bom substituto da gasolina pois, apesar de emitir gases-estufa, a cana-de-açúcar absorve CO2 durante seu crescimento. Mas, para Ferreira, a redução das emissões só acontecerá quando o governo investir ou na melhoria dos motores e na logística do transporte rodoviário ou, principalmente, no financiamento do transporte ferroviário, ainda incipiente no país.

Sobre o sistema ferroviário, o Brasil só possui 25% do transporte de cargas relacionadas a esse setor contra 58% das rodovias. Esse fator diferencia o Brasil dos países mais desenvolvidos, que tem uma participação muito maior do transporte ferroviário. Na Rússia, por exemplo, o transporte sobre trilhos de mercadorias chega a 81%, contra apenas 8% do rodoviário.

Resultados do inventário

Esse foi o primeiro inventário nacional de emissões veiculares feito pelo Brasil e os resultados não foram muito satisfatórios. Ao identificar os culpados pelas emissões, o relatório mostrou que a grande participação do diesel deve se manter até 2020, quando as emissões desse derivado do petróleo pode chegar a 49% de todas as emissões de CO2.

Outro dado negativo é de que em 2020, a frota rodoviária do país atinja 48,7 milhões e as emissões de CO2 aumentem para 267,5 milhões de toneladas. Esse resultado é consequência do grande aumento dos veículos desde 1980. O número da frota que era de apenas 9,3 milhões em 1980, registrou 38,2 milhões de veículos em 2009, alcançando um acréscimo de 310,7%

Para a secretária nacional de Mudanças Climáticas, Branca Americano, esse inventário foi necessário para orientar o governo em suas políticas públicas. Para ela, o relatório foi um “grande avanço” porque informou que o país ainda é muito dependente do transporte rodoviário. Na opinião de Branca, o biodiesel pode ser uma arma eficaz contra o aquecimento global agravado pelo diesel. As futuras mudanças no setor serão informadas nas provavéis atualizações do inventário.

Além da importância do relatório para notificar as autoridades sobre as emissões brasileiras de CO2, outros pontos devem ser valorizados. A queda da emissão dos chamados "poluentes locais", como o monóxido de carbono (CO) e material particulado (MP) devem ser celebradas. As emissões dessas partículas e de CO, que pioram a qualidade do ar, foram reduzidas devido a decisões do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que exigiram que as fábricas de veículos inovassem em busca de tecnologias e melhorassem a produção dos combustíveis para essa questão.

A emissão de MP, mistura de poeiras e fumaça, que havia crescido até 1997, quando foram lançadas 69 mil toneladas do poluente, diminuiu para menos da metade em 2009.

Enxofre

A alta concentração de enxofre no diesel brasileiro é outro problema relatado pelo inventário. Bastante prejudicial à saúde da população, podendo causar câncer, o enxofre já poderia ter sido diminuído na atmosfera se o adiamento da medida da TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) assinada em 2009 pelo governo paulista, indústrias de petróleo, montadoras e o Ministério Público Federal já estivesse vigorando.

Porém, um diesel de melhor qualidade e menos poluente ainda não está pronto para rodar por todo o país. Distribuído apenas em ônibus da cidade de São Paulo e do Rio de Janeiro, que já calculou uma redução de 15% nos níveis de fumaça, o diesel S50, 900% menos poluente do que o usado comumente, ainda não é respeitado pelas grandes produtoras de diesel do país.

*As informações são do Estadão.

Fonte: TN Sustentável 16/02/2011

Obras de tratamento de esgoto no litoral de SP recebem US$ 200 milhões do Japão

Praia de Maresias. Litoral Norte de São Paulo.

O governo de São Paulo assinou contrato com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica) para implementar sistema de coleta e tratamento de esgoto no litoral de São Paulo. O financiamento é de US$ 200 milhões para o programa Onda Limpa. O objetivo é chegar ao final deste ano com 95% de todo o esgoto na Baixada Santista coletado.


Já no litoral norte a data limite para melhorar o atendimento é 2015. Atualmente, chega a 53% da Baixada Santista e a 35% do litoral norte. A evolução projetada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é que Caraguatatuba passe de 35% para 85% de esgoto coletado; São Sebastião, de 44% para 91%; Ubatuba, de 28% para 84% e Ilhabela, de 4% para 86%.

Fonte: O Estado de São Paulo

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Geólogo explica a tragédia da Região Serrana do RJ

Imagem divulgada pela NASA, com cena registrada no dia 02-02-2011, da devastação na Região Serrana.


AS TRAGÉDIAS E O ESSENCIAL DA DINÂMICA EVOLUTIVA DA ESCARPA DA SERRA DO MAR

Texto de Geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos.

Ao menos aprender definitivamente a lição: caso os empreendimentos humanos não levem em conta, desde seu projeto até sua implantação e operação, as características dos materiais e dos processos geológicos naturais com que vão interferir e interagir, é certo que a Natureza reagirá com conseqüências extremamente onerosas social e financeiramente, e muitas vezes trágicas no que diz respeito à perda de vidas humanas.

Há cerca de 60 milhões de anos, ao início do período Terciário (65 milhões de anos atrás), a escarpa da Serra do Mar (então uma proto-Serra do Mar) estava situada a cerca de 50 Km à frente da atual linha do litoral sudeste brasileiro. Sabem como ela chegou até a atual posição, ou, mais cientificamente, procedeu essa incrível regressão geológica? À custa de muito escorregamento, muita corrida de detritos, muita erosão. Essa é nossa querida Serra do Mar, com sua história, suas leis, seus ritmos, seu calendário próprio, suas idiossincrasias, sua deslumbrante beleza...

Em momentos geológicos como o atual, de domínio da floresta atlântica (floresta ombrófila densa), a regressão erosiva da escarpa da Serra do Mar se dá como consequência de deslizamentos isolados, em episódios de chuvas não muito intensas, e miríade de deslizamentos concomitantes (de todas as naturezas), em eventos de elevada pluviosidade concentrada, como esse evento que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro. E que, identicamente, ocorreu em 1967 em Caraguatatuba –SP e na Serra das Araras, no Rio.

Mas é como se o processo mais radical de erosão regressiva da escarpa, ainda que vivo, respirando sem aparelhos, estivesse em boa parte contido, latente, como conseqüência da espetacular proteção proporcionada pela floresta.

Preteritamente, em ocasião de mudanças climáticas radicais, ambiente geológico em que a floresta atlântica em grande parte desaparecia, recolhendo-se a pequenos refúgios, os solos formados durante o anterior clima quente florestado, e então desprotegidos, eram lavrados violentamente por chuvas torrenciais, momentos geológicos de intensa regressão geomorfológica da escarpa. Para onde foi todo esse material? Está ainda em depósitos coluvionares e aluvionares mais próximos, na própria Serra ou em seu sopé, ou lá na Bacia de Santos sendo furado pela Petrobrás.

Bem, é com esse organismo vivo, com suas leis próprias, processos, sua história e dinâmicas evolutivas, que estamos lidando. Senão por venerar, até religiosamente, essa entidade natural (a Serra), que seja por alguma inteligência e responsabilidade: é preciso chegar com um pouco mais de respeito no pedaço.

Todas as feições aluvionares e coluvionares que se espalham das meias encostas até o sopé da Serra, sugerem que não chove mais hoje na região do que já choveu ao longo do Quaternário (iniciado há 2 milhões de anos) todo e parte do Terciário. É preciso, portanto, ter-se mais cuidado em tratar essa questão das mudanças climáticas globais. Se essas mudanças realmente estão ocorrendo em escala global, não há nada a elas relacionado ocorrendo hoje em nossa Serra. Há apenas a continuidade de sua longa história geológica. O único fator novo atuante é o bicho homem potencializando escorregamentos com suas intervenções tecnicamente desastradas.

É possível que com o histórico das chuvas que caíram nesse início de 2011 na região serrana nobre do Rio houvesse acontecido um grande evento natural de deslizamentos e corridas, mesmo sem a intervenção do homem. Como em 1967 aconteceu em Caraguatatuba e Serra das Araras. Mas o fato é que o homem potencializa e transforma, por sua presença, esses eventos em terríveis tragédias. Enfim, sabe-se que de tantos em tantos anos há a probabilidade de ocorrência de trombas d’água concentradas como essas. Não há nada de novo no quartel pluviométrico de Abrantes.

Por outro lado, se as encostas de alta declividade já nos chamavam a atenção por seu alto grau natural de instabilidade, essas últimas tragédias têm nos alertado sobre a importância em termos mais cuidado em definir como geologicamente estáveis certas feições de relevo de topografia mais suave. Por exemplo: áreas de topografia suave à frente da boca e ao longo de vales com evidências geológicas de anterior ocorrência de corridas de lamas e detritos, corpos de tálus e corpos coluvionares, sopé e topo imediatos de encostas de alta declividade.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br )
  • Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT e Ex-Diretor da Divisão de Geologia
  • Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos”
  • Consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente