sábado, 10 de julho de 2010

Parceria dos Clubes abraça a campanha "Niterói Capital da Vela"

Campeonato Brasileiro da Classe Optimist, organizado pelo Iate Clube Brasileiro, 2009. Em primeiro plano, barco Marga, de Lars Grael. Foto de Fred Hoffmann.


Em reunião realizada na última quarta-feira (7), a Parceria dos Clubes da Zona Sul de Niterói, presidida por César de Paula Serrão, comodoro do Iate Clube Brasileiro, decidiu abraçar a causa de fazer de Niterói a capital da vela no Brasil. Com a presença do secretário municipal de Esporte, Eduardo Caminha, foram estabelecidas ações para consolidar esse desejo, que nada mais é do que fazer justiça à história náutica da cidade.

A vela brasileira nasceu em Niterói, com o surgimento do primeiro clube náutico - o Iate Clube Brasileiro, em 1906. Aqui, são realizadas competições em praticamente todos finais de semana, e são inúmeros os títulos já conquistados pelos velejadores da cidade. Se Niterói fosse um país, estaríamos em 73º lugar no quadro de medalhas olímpicas, uma posição atrás do Uruguai e à frente de países como Peru, Venezuela, Colômbia e Costa Rica. Na condição de Capital da Vela, Niterói terá mais força para atrair eventos náuticos para a cidade, como o Campeonato Mundial da Classe Optimist, que no final de 2009 trouxe cerca de 500 visitantes estrangeiros para a cidade, que aqui permaneceram por mais de 11 dias, trazendo divisas para a economia de Niterói.

Artigo da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 10 de julho de 2010.

domingo, 4 de julho de 2010

Niterói quer ser reconhecida como a Capital da Vela

Campeonato Centro-Sul Americano de Laser Master, em Niterói. A cidade abriga competições de vela praticamente todo fim de semana. Nos últimos meses, abrigou o Campeonato Mundial da Classe Optimist, campeonatos sulamericanos, brasileiros, estaduais e competições locais. (Foto de Fred Hoffmann).


Niterói pode ser a capital da vela no Brasil

Um grupo de atletas e autoridades niteroienses se une para fazer de Niterói a capital da vela no Brasil. Com esse objetivo, a primeira grande ação foi anunciada: em novembro será realizada a Regata Cidade de Niterói, que também integrará o calendário de atividades em comemoração ao aniversário do município, dia 22.
O iatista Axel Grael, idealizador do projeto, lembra que a cidade tem grande número de iate clubes, embarcações, medalhistas e competições. Ele espera que a administração municipal e a população abracem a campanha, fazendo dela uma oportunidade para a cidade. Grael lembra que o projeto teve início em 2006, quando foi assinado um acordo entre Niterói e a cidade de Annapolis, capital americana da vela. No entanto, enquanto nos Estados Unidos foi criada uma comissão de parceiros para Niterói, por aqui, na época, nada foi feito. A parceria, no entanto, deverá ser retomada em breve, com a vinda de uma nova delegação ao estado do Rio, em agosto.

Niterói fará ainda uma comitiva que vai a Brasília solicitar, no Congresso Nacional, que seja elaborado um projeto de lei que dê o título à cidade.



Fonte: O Globo Niterói. 03 de julho de 2010.
http://oglobo.globo.com/rio/bairros/posts/2010/07/03/niteroi-pode-ser-capital-da-vela-no-brasil-305143.asp

sábado, 3 de julho de 2010

Ganhar e perder

Dunga lamenta a derrota. Foto O Globo.


Estamos fora da Copa do Mundo e, para nós, que damos mais importância a vencer no futebol do que qualquer outra nação, isso se equivale a uma tragédia. Com a derrota, abandonaremos temporariamente o nosso tradicional ufanismo com relação ao nosso time e a soberba com relação aos adversários, e passaremos a buscar os culpados para o nosso inadmissível fracasso.
Ora, precisamos mudar essa mentalidade. Querer vencer faz parte do esporte, mas não admitir a derrota é antiesportivo. Agora, temos que tocar a bola para frente e nos preparar para a grande responsabilidade que temos, que é organizar a próxima Copa. E devemos fazê-lo tão bem como os africanos.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 03-07-2010.

O lado social da Copa


Cresce em todo o mundo o número de iniciativas educativas e sociais construídas em torno do esporte da jabulani. O governo americano acaba de lançar o documentário “Goal! Soccer for a better future” sobre algumas dessas iniciativas, incluindo o Projeto Vencedoras, mantido pelo Instituto Companheiros das Américas, no Rio de Janeiro. Durante a Copa, a FIFA organizou, em conjunto com a ONG Streetfootballworld, um torneio chamado Futebol pela Esperança, com a participação de 32 equipes de cinco continentes, formadas por adolescentes de baixa renda atendidos em projetos sociais apoiados pela Fifa e pela Streetfootballworld. O Brasil possui um time no evento, formado por adolescentes atendidos pela Fundação EPROCAD, de Santana do Parnaíba (SP), e pela Formação, organização de São Luís, capital maranhense. As regras da competição são peculiares. O time vencedor nem sempre é o que faz mais gols, já que as equipes somam pontos também com tarefas culturais e educacionais. É a primeira vez que um evento com este objetivo faz parte da programação oficial da FIFA.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 03 de julho de 2010.

Veja mais em: http://www.streetfootballworld.org/football-for-hope2

Esporte e política

Barack Obama recebe a tripulação do BMW Oracle, barco americano vencedor da última America´s Cup.


Não é raro vermos políticos querendo surfar na onda de popularidade de equipes e de atletas vitoriosos ou até mesmo capitalizar em cima da comoção ou decepção da derrota. Os últimos dias foram pródigos de exemplos. Na terça-feira, Barack Obama recebeu a tripulação do BMW Oracle, campeã da última regata America’s Cup.

Também na Copa do Mundo, vimos manifestações de interferência política nos assuntos do futebol. A crise interna da equipe francesa na Copa mobilizou a ministra do Esporte do país, que foi à África do Sul tentar pacificar o time. Derrotados, o técnico e o presidente da federação de futebol francês, ambos demitidos, foram convocados para se explicar no Congresso. O governo da Nigéria anunciou que a equipe do país ficará fora das competições internacionais por dois anos como castigo pelo péssimo resultado do time, eliminado na primeira fase e terminando em último lugar na sua chave. O caso nigeriano exemplifica que a influência política nem sempre prima pelo bom senso e nem ajuda o esporte.

Esperamos que a nossa seleção seja recebida de forma mais civilizada, afinal, seus integrantes são esportistas e não gladiadores em defesa da pátria.




Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói-RJ, 03/07/2010.

Encalhando o barco


Acaba de ser divulgado um relatório sobre a situação de disponibilidade de água no mundo. Foram apontados os 10 países com a situação mais crítica: Somália, Mauritânia, Sudão, Níger, Iraque, Uzbequistão, Paquistão, Egito, Turcomenistão e Síria. Países como a Mauritânia e o Níger já dependem de importação de 90% da água que consomem. Mesmo sem figurar entre os primeiros da lista, os países da região do Himalaia são os que recebem as maiores preocupações, devido à velocidade com que o problema se agrava. Com o derretimento das geleiras, a oferta de água tem se reduzido drasticamente. Estima-se que, nos próximos 20 anos, a região terá que conviver com uma redução de 275 bilhões de metros cúbicos de água a menos.
Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 03-07-2010. Fonte das informações: http://www.theecologist.org/News/news_round_up/523066/report_lists_top_ten_countries_at_risk_of_water_shortages.html

Elmo Amador

Elmo Amador. Foto do Museu da Pessoa: www.museudapessoa.net


A defesa da Baía de Guanabara perdeu nessa semana um de seus maiores protagonistas: o geógrafo e ambientalista Elmo da Silva Amador. Era também pesquisador, professor da UFRJ e exerceu cargo de diretor da Feema. Foi também um ambientalista de primeira hora, tendo participado de vários momentos emblemáticos da causa ambiental. Na década de 1970, teve atuação determinante na luta pela criação da Área de Proteção Ambiental de Guapimirim e uniu-se a Marcello Ipanema, liderança ambientalista pioneira do Estado do Rio de Janeiro, na campanha contra a Veplan, empresa cujo projeto causou sérios danos à Lagoa de Itaipu. A mobilização contra a Veplan gerou a primeira Ação Popular impetrada no Brasil.

De suas pesquisas acadêmicas e de sua militância em defesa da Baía, surgiu o livro “Baía de Guanabara e ecossistemas periféricos: homem e natureza”, publicado em 1997. Na obra, que é uma referência obrigatória para quem estuda ou usufrui da Baía, entende-se a sua origem geológica, os efeitos da transgressão e regressão marinha (avanços e recuos da linha de costa durante os períodos glaciais distintos), seus ecossistemas, bem como o início da ação humana sobre a região, desde a pré-história, até os dias de hoje, debatendo os impactos da urbanização, dos aterros e da degradação do seu entorno.

Em sua atuação ambientalista, Elmo era duro, ríspido e intransigente na crítica às autoridades. Possuía um discurso vigoroso até mesmo nos debates com os seus pares da luta ambiental. Mas sempre foi muito respeitado.

Na ocasião do lançamento de seu livro, Elmo Amador fez uma dedicatória em meu exemplar em que alertava: “Baía de Guanabara, personagem de uma longa história, ainda não concluída”. Suas sábias palavras são referenciadas na longa trajetória da Baía pelos milênios passados, sobre como nós a degradamos em tão pouco tempo e que há um futuro pela frente. Depende de nós construí-lo no caminho da sustentabilidade.

Obrigado, Elmo.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói-RJ. 03/07/2010.

sábado, 26 de junho de 2010

Aluno do Projeto Grael disputa Campeonato Europeu na Italia








Quando um grupo de representantes do Projeto Grael chegou a sua escola, em 2001, para convidar os estudantes para os cursos de vela, Samuel Gonçalves, hoje com 23 anos, não fazia ideia como o esporte poderia render na sua vida. Muito menos conquistar um terceiro lugar na categoria master do campeonato Europeu de Star (na cidade de Viareggio, Itália, de 5 a 15 de junho). Samuca foi para o Europeu a convite do starista Luis André Reis, de Brasília, medalista de prata na Classe Snipe nos Jogos Panamericanos de 1975. Na proa de Luis, Samuel correu ao lado dos maiores velejadores do mundo na classe considerada a Fórmula 1 da vela. E lá estavam também os nossos campeões Torben Grael e Marcelo Ferreira e Lars Grael, idealizadores do Projeto Grael. Samuel conta que em uma das regatas do Europeu ele e Luis ficaram entre os Top Ten. A felicidade foi tanta que o rapaz se jogou no mar para festejar o feito entre 132 barcos concorrentes. Parecia que tinha conquistado o título.

"Hoje, posso dizer com absoluta certeza que a minha vida é dividida em duas partes. Antes e depois de conhecer o Projeto Grael. Uma primeira oportunidade me foi dada naquele ano (2001), e a agarrei com as duas mãos, para não mais soltar. Me dediquei e, com a ajuda de grandes amigos, melhor, da família que constituí junto ao Projeto Grael, de Deus, do Clube Naval Charitas - que me acolheu - e o meu trabalho, estou colhendo alguns frutos", conta Samuel.

Fonte: Blog de Mariane Thamsten - http://oglobo.globo.com/blogs/demaremmar/

Mancha de óleo e de confusão




Diante do maior acidente ambiental da história que ocorre no Golfo do México e da falta de resultados do governo americano e da BP (empresa britânica dona da plataforma que explodiu e causou o desastre) em controlar o vazamento, donos de embarcações do sul dos EUA estão se mobilizando para ajudar a limpar o petróleo no mar.
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Ao longo da semana, uma flotilha de cerca de cem pequenas embarcações se uniu para evitar que o óleo atingisse Orange Beach, no Alabama, uma região cuja economia depende do turismo. A grande preocupação de todos é que o óleo atinja as áreas estuarinas e os pântanos litorâneos, pois as consequências ecológicas poderiam ser dramáticas. Como em certos casos isso já é visto como inevitável, alguns donos de embarcações feitas para navegar em águas rasas estão atuando como voluntários para resgatar animais atingidos e transportá-los rapidamente para os centros de triagem. Estaleiros da Flórida também estão adaptando modelos de embarcações comerciais para que se tornem verdadeiras “ambulâncias flutuantes” para atender aos animais nas próprias áreas impactadas pelo óleo. O cantor americano Jimmy Buffet, “bancou” a construção de algumas dessas embarcações, que foram cedidas a instituições de pesquisa. A primeira já foi entregue à Universidade do Sul do Mississippi.
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Não bastasse o drama do óleo, a região está sendo assolada também por uma fogueira de vaidades e pelas disputas pelas gordas verbas. As brigas têm dificultado que todos os recursos humanos e materiais disponíveis sejam mobilizados em defesa do meio ambiente. Há uma grande frustração, pois tanto o governo quanto a BP credenciaram apenas duas instituições para agir no salvamento da fauna e bloquearam a atuação dos voluntários e das instituições independentes. Também há dificuldades para aqueles que querem ajudar no recolhimento do óleo.
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É compreensível que as autoridades queiram manter um controle devido ao risco da atuação nas frentes de trabalho de pessoal despreparado, mas é incrível que isso aconteça no país que prima pela capacidade de planejamento, que se orgulha de ser a terra das oportunidades e que é considerado um exemplo de filantropia e de voluntariado.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 26 de junho de 2010.

Campeonato Mundial de Vela para Cegos


O Lago de Garda, na Itália, é o belo cenário para o Campeonato Mundial de Vela para Cegos, organizado pela Federação Internacional de Vela para Deficientes (IFDS). O evento, realizado em sistema de Match Race (disputado entre dois barcos de cada vez), conta com 13 tripulações representantes de sete países: Itália, Espanha, Grã Bretanha, Malta, São Marino, EUA e Finlândia.
Os velejadores que são classificados quanto ao nível de deficiência visual em B1 e B2 são divididos por este critério em duas chaves, formando sete tripulações na Divisão B1 e seis na B2.
Superando as suas deficiências e os ventos fracos, as tripulações têm demonstrado arrojo e competitividade, não faltando nem mesmo as tradicionais disputas pré-largada, típicas das regatas de Match Race. As regatas terminam amanhã.
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 26 de junho de 2010.