quarta-feira, 5 de maio de 2010

Pensando a educação

05/05/2010 - 12:54:43

Estudo aponta que recursos financeiros não garantem bom ensino

Por Redação TN / IG Educação

Um levantamento realizado pelo Ministério da Educação demonstrou que recursos financeiros em caixa não garantem um ensino de qualidade às crianças e aos adolescentes do País. Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, dinheiro explica apenas 50% dos resultados de desempenho de uma escola, cidade ou Estado. O restante depende de boa gestão, projetos pedagógicos consistentes e envolvimento.

O estudo elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) utilizou os últimos resultados consolidados e divulgados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) para séries iniciais do ensino fundamental, de 2007, e o investimento feito por cada Estado (por aluno) naquele ano. A análise não se estendeu a municípios. O intuito era conferir a relação entre dinheiro e qualidade de ensino a partir de critérios estatísticos.

A comparação revela situações interessantes entre os Estados. Há uma tendência de melhoria no desempenho a partir do aumento de investimentos. A relação, no entanto, não é tão direta. Pode-se perceber isso ao analisar o Distrito Federal, por exemplo, que é o Estado que mais gasta com educação – R$ 3,8 mil por aluno em 2007 – e tem boas notas, mas não a mais alta.
O índice de desempenho mais alto é do Paraná. O Estado atingiu média 4,82, investindo R$ 2.637 por cada estudante. Para a secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, as lições paranaenses merecem ser seguidas. “É o bom exemplo porque tem muito recurso e ele é bem utilizado. O Estado tem características de boa gestão, que promove inovação e garantia do direito de aprender”, diz.

Na avaliação de Pilar, não há dúvidas de que o País precisa investir mais em educação. Opinião endossada pelo ministro Fernando Haddad em recente entrevista ao iG, que ainda defendeu melhorias na organização das redes de ensino. “O dinheiro tem de estar aliado a projetos pedagógicos consistentes”, frisa a secretária de Educação Básica.

“Não por acaso 80% dos municípios prioritários do Ideb estão nos Estados mais pobres do País”, ressalta Pilar. Todos que ficaram abaixo da média brasileira no Ideb – que foi de 4,2 nas séries iniciais do ensino fundamental – recebem apoio extra do ministério. Na Bahia, o Estado que menos investiu em educação (R$ 1.614), estão 279 dos 1.827 municípios considerados prioritários pelo MEC.

Apesar de ter o mais baixo investimento em educação, a Bahia não possui o pior Ideb - 3,22. O lugar com o índice mais baixo apontado pelo estudo do MEC é o Pará, que obteve nota 3,02 em 2007. As escolas paraenses gastaram naquele ano R$ 1.756 com cada aluno.
Desigualdades repetidas na sala de aula

A comparação feita entre investimentos em educação e qualidade precisa ser cuidadosa. Os dados mostram que Minas Gerais, por exemplo, obteve o quinto melhor resultado no Ideb 2007: 4,58. Em termos de recursos gastos com ensino, a proporção não é a mesma. O estado mineiro investiu R$ 2.277 por cada estudante. A aparente excelência esconde fragilidades que não devem ser esquecidas, salienta Pilar.

As diferenças de desempenho entre as regiões do Estado só aparecem na decomposição da nota. Os municípios mais pobres possuem índices de desempenho muito ruins. “Não podemos achar que só a gestão vai vencer os desafios da educação. A pobreza da sociedade precisa ser vencida. É preciso discutir a distribuição de renda e a diferença de oportunidades para mudarmos o cenário”, defende Pilar.

Para a coordenadora do programa de educação do Unicef no Brasil, Maria de Salete Silva, a sociedade brasileira possui uma grande dívida na área da educação. “O investimento deve estar ao lado do direito de aprender universalizado. É preciso ter clareza sobre as enormes desigualdades do País. A zona rural é pior que a urbana, a situação dos negros e indígenas é pior que a dos brancos, a situação do adolescente é pior que a da criança. A desigualdade deve mostrar o caminho do investimento”, diz.
O que mudar ?

Em junho, o Ministério da Educação vai divulgar uma pesquisa feita com as escolas que demonstraram o maior salto de qualidade entre o primeiro e o segundo resultados do Ideb. O Unicef, responsável pelo estudo, fez uma comparação entre as notas de 2005 e 2007. A partir daí, buscou identificar o que proporcionou a melhora no desempenho.

Pilar adianta que as escolas declararam que só tiveram noção do próprio desempenho a partir da divulgação do Ideb. Até então, professores e diretores não sabiam avaliar o próprio trabalho. Além disso, o Plano de Ações Articuladas é apontado como fundamental para orientar o trabalho de escolas e municípios.

O PAR dá suporte aos municípios considerados prioritários pelo MEC. A verba extra liberada pelo ministério para essas localidades está condicionada à apresentação de planos de trabalho, com metas, ações e estratégias previamente definidas. “Sem políticas públicas de Estado, não há como mudarmos a realidade”, diz Pilar.

Além de gestão eficiente, os especialistas apontam como fundamental para o sucesso da escola a construção de um projeto pedagógico com os professores e os funcionários – para que eles entendam o que estão fazendo e o porquê –, a participação da comunidade e o clima de otimismo. “É subjetivo, mas faz muita diferença o olhar da direção e dos professores sobre si mesmos e os alunos. Isso melhora a autoestima”, defende Pilar.

Para Salete, a formação dos professores também precisa ser revista para garantir melhorias na educação. Ela acredita que os universitários não têm, durante a graduação, noção da realidade que os espera nas escolas. “Essa articulação precisa ser garantida. Muitas vezes, a formação continuada apenas tapa buracos da formação inicial.”

domingo, 2 de maio de 2010

Escândalo: 50% de evasão nas escolas públicas do RJ


A secretária estadual de Educação, Tereza Porto, considerada um dos melhores quadros da administração estadual fluminense, traz um dado alarmante em entrevista ao Jornal do Brasil ("Sobram vagas nas escolas estaduais", JB Cidade, Pág A13, 2 de maio de 2010). Segundo ela: "Hoje, cerca de 50% dos alunos que ingressam no primeiro ano do ensino médio não o concluem". Considero isso um escândalo!!!!

A afirmação é um choque de realidade e deve acender um sinal de alerta para toda a sociedade. Nos últimos meses, talvez inflados pelo cenário eleitoral, temos sido adulados com notícias de que o Brasil, enfim, é Primeiro Mundo. Somos badalados no cenário internacional e internamente vende-se a ideia que em breve deixaremos de ser um rico país pobre. As pessoas estariam deixando a miséria graças aos programas sociais do governo. O próprio presidente da República afirmou recentemente em mais um de seus arroubos ufanistas: "estamos fazendo uma revolução na educação".

Todos nós queremos acreditar nisso, torcemos para que aconteça, e nos decepcionamos quando uma verdade, como nos traz a secretária, nos derruba do alto da nossa ilusão.

O que Tereza Porto exprime em sua declaração demonstra a realidade de quase todos os estados, portanto é a cara da educação pública do Brasil. O que ela nos diz demonstra que temos questões fundamentais, estruturantes de uma nova sociedade (como é a educação), ainda nos amarra fortemente ao Terceiro Mundo. Na verdade, os nossos indicadores de qualidade da educação não nos dá destaque sequer na Amarica Latina e nos deixa a uma distância abissal dos países desenvolvidos. E sem educação, num mundo cada vez mais sofisticado, tecnológico e competitivo, não iremos a lugar nenhum. Qualquer projeção ufanista para o futuro do país se mostrará falsa se não formos capazes de preparar os brasileiros do amanhã.

Sou presidente do Instituto Rumo Náutico, organização que promove o Projeto Grael (http://www.projetograel.org.br/). Trabalhamos exclusivamente com estudantes da rede pública, exatamente com o público que a secretária tem dificuldade de manter na escola. A nossa taxa de evasão, da ordem de 20 a 30% (muito mais baixa do que a das escolas públicas), também nos tira o sono. Um aluno que se evade deixa um rastro de derrota, de desperdício de oportunidade e de investimentos e a provocação para que façamos uma permanente reflexão sobre os motivos.

A evasão é grave, mas a qualidade do aprendizado dos que permanecem na escola também é muito preocupante. O que verificamos entre nossos alunos no Projeto Grael, é que a formação básica nas escolas públicas está realmente muito falha. Os alunos mostram carência graves de redação, de matemática, ciências e de conhecimentos gerais. E pior, nota-se uma forte desmotivação do jovem, justamente nessa faixa etária em que as ambições e os sonhos deveriam estar aflorando e se transformando em energia, trabalho e preparação profissional. Ao contrário, o que vemos é que, com boas e frequentes excessões, temos um ambiente de apatia, de um desconcertante conformismo. Com barcos e programas profissionalizante voltados para o mercado náutico, procuramos injetar ânimo e sonhos de volta nas cabecinhas desses jovens, mas apesar de todo o nosso esforço, de receber cerca de 700 jovens por ano no Projeto Grael, ainda somos uma pequena gota no oceano.

E então o que fazer? Apesar de ser uma das mais importantes obrigações do governo, não podemos deixar que o problema se resolva só na esfera governamental, só dentro dos muros das escolas públicas. Isso seria inócuo. A educação tem que ser uma bandeira de toda a sociedade.

Precisamos de mais iniciativas que motivem os jovens para o aprendizado. Que se repense o papel das iniciativas independentes da sociedade civil como o Projeto Grael, a Fundação Gol de Letra, o Projeto Vencer e tantos outros na estratégia da educação formal. Podemos ser muito mais úteis do que temos conseguido ser. Cabe às lideranças governamentais e também da sociedade acharem os caminhos para aproximar escola e sociedade, para benefício do aluno e de todo o Brasil.

Enfim, que a gente se pergunte sempre: será que estamos dando a nossa cota pessoal ou coletiva de contribuição para que essa realidade mude?

Axel Grael

sábado, 1 de maio de 2010

O óleo derramado





A severidade do acidente ambiental causado pela explosão de uma plataforma de petróleo no Golfo do México reacende a preocupação com o potencial de risco da atividade petroleira. Os impactos ambientais de um acidente como este são enormes e podem afetar os ecossistemas e a economia por muitas décadas. Um acidente como o ocorrido com a plataforma Deepwater Horizon poderia ocorrer também nas proximidades do litoral fluminense e os prejuízos seriam semelhantes.

Diante deste risco, mostra-se o tamanho do absurdo que é retirar do Rio de Janeiro os seus direitos aos royalties do petróleo, instrumento criado justamente para compensar os estados produtores que são obrigados a conviver com o fantasma destes acidentes.
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Para quem se interessar por acompanhar as medidas que estão sendo tomadas para controlar os impactos ambientais do acidente, sugerimos a página que o EPA, órgão ambiental federal americano, criou para informar a população: http://www.epa.gov/bpspill/
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Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, Niterói, 01-05-2010.

Plástico reciclado de melhor qualidade poderá diminuir o descarte no meio ambiente


Que os plásticos são um dos maiores vilões dos ecossistemas de rios e oceanos ninguém duvida. A Baía de Guanabara e os rios que nela desembocam são um triste exemplo disso. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, quando são planejadas obras de dragagens na Baía de Guanabara, calcula-se que as dragas fiquem paradas de 20% a 30% da sua jornada de operação, visto a quantidade de problemas mecânicos gerados pelo lixo que existe entranhado nos sedimentos.


A reciclagem é sempre lembrada como uma das melhores soluções para se evitar os impactos ambientais dos plásticos. No entanto, um dos entraves para que a reciclagem seja o destino de uma parcela maior do lixo plástico é a baixa qualidade do produto reciclado, em comparação ao produto original. É o que os especialistas chamam de “down cycling”.


Uma notícia alentadora chega da COPPE/UFRJ. Uma nova técnica desenvolvida pelos pesquisadores daquela instituição acadêmica promete resolver o problema incorporando o plástico usado com a matéria prima que formará o plástico novo, no próprio processo de polimerização. O professor José Carlos Pinto, responsável pelo projeto, afirmou que, mesmo utilizando 40% de plástico velho para a produção de um novo produto, suas propriedades finais são similares às dos polímeros de primeiro uso, ou seja não-reciclados. Estima-se que 2,2 milhões de toneladas de plásticos são descartados anualmente no Brasil.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 01/05/2010.

Representante do Projeto Grael será um dos delegados do estado do Rio de Janeiro na Conferência Nacional do Esporte

Aconteceu, nessa semana, a Conferência Estadual do Esporte. Durante o evento, foram discutidas políticas e estratégias para o esporte no Rio de Janeiro e no país, além da eleitos os delegados estaduais que participarão da Conferência Nacional do Esporte, em Brasília. Joanna Alves Dutra, gerente-executiva adjunta do Projeto Grael, fará parte da delegação que nos representará no Rio. Ela atuará ainda como representante da Rede Esporte pela Mudança Social.

Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 01-05-2010.

Governador de Maryland se solidariza com o Rio de Janeiro.

Governador de Maryland, Martin O'Malley.


Debora Fajer-Smith, do Sister State Program e do Comitê Maryland-Rio de Janeiro da organização Partners of the Americas.


O governador do Estado de Maryland (EUA), Martin O’Malley, enviou uma carta ao governador Sérgio Cabral se solidarizando com as vítimas das chuvas que causaram tanta destruição no RJ. Há mais de 40 anos, Maryland e Rio de Janeiro são considerados estados-irmãos e muitas frentes de colaboração existem, mantidas por grupos de voluntários, reunidos na organização Companheiros das Américas (Partners of the Americas). Os voluntários do lado americano estão desenvolvendo campanhas de arrecadação de recursos para ajudar as vítimas e a recuperar os danos causados pelas fortes chuvas.

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A carta do governador Martin O'Malley:

"April 20, 2010.

Dear governor Cabral,

We are deeply saddenned by the news of floods that have taken the lives of so many residents of the State of Rio de Janeiro. Our hearts go out to all the victims and their loved ones.

On behalf of the citizens of the State of Maryland, please accept our most sincere condolences. At this sad and difficult time, know that you and the citizens of Rio de Janeiro are in our thoughts and prayers.

Our Sister State committee members, under the leadership of Debora Fajer-Smith, are mobilizing and will work to send our support. We are thinking of you at this time and using what ever means of communications to get the word out to our community.

Sincerely,

Martin O'Malley".
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A Sra. Debora Fajer-Smith, que o governador de Maryland menciona, é uma grande amiga do estado do Rio de Janeiro, de Niterói e do Projeto Grael. Através do Comitê Maryland-Rio de Janeiro da organização Partners of the Americas ou do Comitê Maryland-Rio de Janeiro, do programa Sister State (Estados Irmãos) do Governo de Maryland, Debora não tem medido esforços para ajudar.

Graças a ela e aos colaboradores de Maryland, foi possível, por exemplo, levar 10 alunos do Projeto Grael para participar de um programa esportivo, educativo e cultural a aquele estado-irmão, há exatamente quatro anos.

Também com a ajuda dela e dos Companheiros das Américas, foi possível articular a parceria entre as cidades de Niterói e de Annapolis (Capital de Maryland). Annapolis é considerada a Capital da Vela nos EUA e tem tudo para oferecer para que Niterói também receba esse reconhecimento no Brasil.

Com base em nota da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 01/05/2010.

Lamentáveis perdas e as lições não aprendidas com as chuvas

Deslizamento de encostas do Morro do Santo Inácio, em São Francisco, Niterói. Verifique que o deslizamento atingiu encosta com florestas, mas teve origem em área de topo de morro desmatada. Foto de Axel Grael.

INIMIGOS DA FLORESTA


Parece que muita gente não aprendeu a lição. Foi esta a sensação que tive, na última terça-feira, ao ver a vegetação de encostas de Niterói sendo consumidas pelo fogo, principalmente no Preventório. E é sempre bom lembrar que florestas não pegam fogo sozinhas, pois a única possibilidade plausível de ignição espontânea é a ação de raios. Não haviam raios naquele dia, era um dia ensolarado, quente e seco. Se as encostas estavam queimando foi porque alguém pôs fogo.


É surpreendente que isso aconteça poucos dias após os traumáticos efeitos das chuvas torrenciais que custaram tantas mortes e destruição na cidade. As florestas ajudam a estabilizar as encostas e a prevenir acidentes. Ouvi muita gente contrariar essa verdade, que é comprovada pela ciência florestal, dizendo que muitas encostas deslizaram, mesmo com florestas. Bem, florestas não fazem milagres. Estive observando que, quando isso aconteceu, havia alterações em partes mais elevadas da encosta, como foi o caso do Morro de Santo Inácio. O desmatamento das áreas designadas no Código Florestal como “topo de morro” afeta a drenagem e favorece os deslizamentos, mesmo que haja floresta nas encostas. Por isso, essas áreas são justamente protegidas pela legislação.


Air Tractor. Avião de combate a incêndios florestais do governo do RJ.



Avião de combate a incêndios florestais


Para combater os incêndios florestais, o Estado do Rio de Janeiro adquiriu, em 2001, o primeiro avião especial para essa finalidade no Brasil. Uma grande conquista naquela época, em que sonhávamos que teríamos enfim uma forma eficiente de combater incêndios florestais, o grande vilão das florestas do Rio e de todo o Brasil. Infelizmente, apesar do elevado investimento (foi comprado com a compensação imposta à Petrobras pelo vazamento de óleo da REDUC, em 2000) e da importância da sua utilização, o avião nunca teve o aproveitado esperado e, praticamente, não evitou a queima de um hectare sequer de florestas.
Soubemos que, exatamente no dia que víamos as encostas queimando em Niterói, o avião florestal caiu próximo a Resende, matando os seus dois tripulantes, o major Jasper Sanderson e o aspirante Luis Guilherme Neto. O acidente ocorreu justamente quando se pretendia colocar, enfim, o avião em uso. O equipamento e, principalmente, seus tripulantes que tanto lutaram para ter o avião enfim em uso, farão muita falta.
Com base em nota da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 01/05/2010.

Desafio Solar será disputado em Niterói

"Peixe Galo", barco solar do Projeto Grael, vice campeão do Desafio Solar 2009, navega em frente a Paraty.
Na próxima semana, Niterói receberá, pela primeira vez, uma etapa do Desafio Solar. Trata-se de uma competição - internacional - em que os barcos são movidos, como o próprio nome diz, à energia solar. As provas serão sediadas pelo Clube Naval – Charitas nos dias 7, 8, 9 e 15 e 16. Alunos do Projeto Grael participarão a bordo do catamarã Peixe Galo, já com uma medalha no currículo. No ano passado, o Projeto Grael ficou em segundo lugar na categoria multicasco durante prova realizada em Paraty. O Desafio Solar Brasil 2010 é uma realização do Pólo Náutico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Os prêmios da competição estão sendo preparados pela Caminho Forte Artesanato, empresa constituída com o apoio do Programa de Geração de Renda do Projeto Grael.
Após esta etapa, os competidores se prepararão para a segunda fase, que será realizada em agosto, em Cabo Frio.
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O "Peixe Galo" tem patrocínio da G-Comex e Optima Batteries.
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Com base em nota da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 01/05/2010.

domingo, 25 de abril de 2010

Projeto Grael ajudará a despoluir a Baía de Guanabara


Matéria publicada nesse domingo, no jornal O Fluminense, de Niterói-RJ.

Projeto Grael, em parceria com empresa inglesa, irá recolher dados que auxiliarão na despoluição na segunda maior baía do país.

O trabalho de despoluição da Baía de Guanabara ganhará mais um reforço. É que a BG Brasil – companhia inglesa que atua no segmento de exploração e produção de petróleo e distribuição de gás natural – se uniu ao Projeto Grael em um programa de monitoramento da Baía, a segunda maior do litoral brasileiro. A partir deste mês, alunos do Projeto passarão a lançar boias com emissores de sinal por satélite – chamados de derivadores oceânicos – semanalmente para estudar as correntes marítimas e dados físico-químicos da água.

O objetivo desta parceria é, através do reconhecimento do movimento das correntes, auxiliar o trabalho de coleta do lixo flutuante, já que os resíduos tendem a seguir tais trajetórias. Os dados oceanográficos colhidos poderão ser acompanhados em tempo real pela internet e ser utilizados para os mais diversos fins científicos. Segundo a coordenadora de Projetos Ambientais do Projeto Grael, Valéria Braga, os dados colhidos facilitarão no reconhecimento dos pontos de convergência e divergência de material nas águas.

Com investimento de R$ 800 mil, o programa de monitoramento da Baía de Guanabara terá a duração de dois anos e meio. Serão disponibilizados três alunos do Projeto Grael – dois que ficarão na lancha e um dando suporte por terra – se revezando em turnos. A data prevista para o início das atividades ainda não foi definida, pois os alunos ainda passarão por treinamentos, mas a estimativa é que comecem já na primeira semana de abril.

Também participam desta parceria a empresa Pró-Oceano e os laboratórios de Meteorologia e de Modelos Computacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Despoluição

Com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, o Governo do Estado vai investir R$ 2,2 bilhões na despoluição da Baía de Guanabara. Os recursos serão direcionados principalmente ao tratamento de esgotos da Região Metropolitana, que até 2013 deverá alcançar 60% do total de efluentes tratados e superado a meta inicial de se tratar 58% do esgoto lançado na Baía.

Dos investimentos previstos para a primeira fase do Plano de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), de US$ 1,2 bilhão, já foram gastos, até agora, US$ 989,3 milhões. Das ações de abastecimento de água e de esgotamento sanitário a cargo da Companhia Estadual de Água e Esgoto (Cedae), 84% já foram executadas.

sábado, 24 de abril de 2010

Ilhas em frente à Baía de Guanabara ganham proteção

Cagarras e Ilha Redonda ao fundo. Foto obtida na internet, de Luiz Castro http://www.flickr.com/photos/lfcastro/

Finalmente, após muitos anos de espera, longos debates e muita expectativa, a maior parte das ilhas localizadas em frente às praias da Zona Sul do Rio de Janeiro passa a ser legalmente protegidas como uma unidade de conservação federal. A Lei 12.229, de 13 de abril de 2010, que foi enfim sancionada pelo presidente Lula, criou o Monumento Natural do Arquipélago das Ilhas Cagarras. Com a medida, ficam protegidas as ilhas Cagarras, Palmas, Comprida, a ilhota Filhote da Cagarra, a ilha Redonda, a ilhota Filhote da Redonda e uma área marinha de dez metros no entorno de cada um desses territórios. Todas as ilhas passarão a ser geridas e fiscalizadas pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade – ICMBio. O presidente Lula vetou o artigo que incluía a Ilha Rasa, alegando que a mesma abriga uma unidade militar da Marinha, responsável pela operação do histórico farol que existe na ilha. Dentre as medidas impostas pela nova Lei para garantir a proteção dos ecossistemas locais, estão proibidas competições esportivas, bem como quaisquer atividades que possam perturbar a fauna aquática e as aves marinhas que habitam essas ilhas e seu entorno, a pesca predatória e os acampamentos nas ilhas. As ilhas Cagarras, em particular, são bastante visitadas, sendo consideradas a segunda mais importante atração para o turismo náutico na região, depois da Praia de Itaipu. O processo de criação da nova área protegida foi, como de costume, cercada de bastante polêmica. Houve muita resistência de pescadores, mergulhadores e praticantes de caça submarina, bem como operadores turísticos nas ilhas que temiam as restrições que serão impostas pelas autoridades. Entendemos alguns dos argumentos contrários, mas somos totalmente favoráveis à medida, pois esses frágeis ecossistemas estavam se deteriorando rapidamente pela pesca predatória e outros usos indevidos. As ilhas têm sido seriamente afetadas pelo fogo que dizima a sua belíssima vegetação original, que encontra sérias dificuldades de regeneração natural. Importantes ilhas que marcam a paisagem da região, como as ilhas como do Pai, da Mãe, da Menina, da Cotunduba e Maricás, já têm grande parte da sua extensão desprovida de cobertura arbórea, restando apenas vegetação herbácea. O fogo que consome gradativamente a vegetação é causado por pessoas que acampam ou pescam nessas ilhas e pelos balões, que são soprados em direção às ilhas pelo vento terral (da terra para o mar) do período noturno. Daqui para frente, esperamos uma gestão eficiente, participativa e transparente, que reúna todos os diversos usuários das ilhas, mas que realmente sejam impostas regras para proteger esse importante patrimônio.
Da coluna "Rumo Náutico", de Axel Grael. Jornel O Fluminense, 24 de abril de 2010.