OUTRAS PÁGINAS DO BLOG

domingo, 28 de abril de 2019

Ministério do Meio Ambiente tira do ar site especial com mapas de áreas prioritárias para conservação



Mapa das áreas prioritárias aponta regiões sensíveis em seis biomas brasileiros — Foto: Divulgação


Conteúdo detalha áreas de risco para espécies nativas e ecossistemas frágeis em 6 biomas brasileiros. Pasta diz que fará ajustes por causa de 'sombreamento entre biomas'.

O Ministério do Meio Ambiente retirou de seu site diversas páginas que contêm mapas das áreas prioritárias de conservação brasileiras. Estão indisponíveis informações sobre as "Áreas e Ações Prioritárias para a Conservação, Utilização Sustentável e Repartição dos Benefícios da Biodiversidade".

Procurado, o ministério afirma que o conteúdo foi retirado do ar porque foi verificada a necessidade de ajustes no mapa pois havia um "sombreamento entre biomas". O ministério não divulgou prazo para que o conteúdo seja novamente colocado para consulta.

A página areasprioritarias.mma.gov.br concentrava a maior parte das informações oficiais sobre o tema. Além dela, outras páginas que continham informações sobre o programa também foram excluídas, incluindo notícias sobre o tema feitas pela área de comunicação do ministério e resultados dos processos de atualização dos mapas.

Mapas baseiam ações

As "Áreas e Ações Prioritárias" são um instrumento de política pública constituído em 2004 que baseia a criação de unidades de conservação (UCs), o licenciamento de atividades potencialmente poluidoras, a fiscalização e a regularização ambiental. O programa também recomenda ações prioritárias e caracteriza ameaças e oportunidades em cada um dos biomas brasileiros.

O Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) usam a classificação determinada pelo programa em ações de fiscalização e em processos de licenciamento ambiental.

O primeiro mapa foi divulgado em 2007. Os registros foram atualizados em 2016 e mais uma vez no final de 2018. Na última atualização, os biomas do Cerrado, Caatinga e Pantanal foram classificados em três níveis de prioridades. 


Amazônia era um dos biomas brasileiros representado nos mapas de áreas prioritárias — Foto: Divulgação


Sobreposição de biomas já era conhecida

Em nota, o ministério afirmou que o site foi retirado do ar pois foi verificada a necessidade de ajustes no mapa.

"Os ajustes se fizeram necessários pois havia um sombreamento entre biomas. A decisão de retirar do ar ocorreu para evitar a disseminação de uma informação equivocada", afirmou a pasta em nota.

"Informamos que os ajustes já estão sendo realizados e encontram-se em fase final. Tão logo seja finalizado, as informações serão republicadas."

No site já existiam mapas que abordavam justamente o sombreamento entre biomas, ou seja, a existência de áreas onde um bioma se sobrepõe a outro. Veja o mapa que mostra todas as áreas prioritárias em sobreposição nos biomas:

Mapa com áreas de sobreposição de biomas foi retirado do site do Ministério do Meio Ambiente — Foto: Divulgação


Transparência

"É uma violação à transparência da gestão pública, um desperdício de esforços – gastou-se tempo e dinheiro para produzir esses mapas – e uma infantilidade, porque as informações seguem disponíveis na memória da internet para quem quiser", diz Claudio Angelo, coordenador de comunicação do Observatório do Clima, entidade que reúne 36 ONGs ligadas à defesa do meio ambiente.

De acordo com a diretora-executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, os mapas são um importante instrumento para orientar a tomada de decisão em ações e políticas públicas de conservação de espécies, proteção e restauração das florestas nativas, fiscalização e pesquisa com biomas brasileiros.

"Manter estes dados públicos, é dever das autoridades, como exige a Lei de Acesso à Informação, e direito da sociedade, que acredita na melhoria de sua qualidade de vida", afirma.

Notando que os mapas foram construídos com a participação de especialistas das áreas pública, acadêmica e não-governamental, ela avalia que a elaboração do sistema tenha sido um bom exemplo de "como a colaboração e a participação social foram usados a serviço da população".

Fonte: G1







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribua. Deixe aqui a sua crítica, comentário ou complementação ao conteúdo da mensagem postada no Blog do Axel Grael. Obrigado.