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terça-feira, 21 de agosto de 2018

MapBiomas: Em três décadas, Brasil perde 71 milhões de hectares de florestas



Imagem mostra o uso da terra no Brasil em 1985 e 2017 - MapBiomas


Plataforma MapBiomas detalha o uso da terra no país entre 1985 e 2017

RIO — O Brasil perdeu 71 milhões de hectares, o equivalente a área dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo somados, entre 1985 e 2017, período que viu a área destinada à agricultura triplicar e a de pecuária crescer 43%. Essas são algumas das informações disponibilizadas ao público pelo projeto MapBiomas, apresentado nesta sexta-feira em Brasília. A ferramenta, inédita no mundo, permite a investigação da ocupação territorial de qualquer parte do Brasil, ano a ano, com resolução de 30 metros.

— É o mapa mais detalhados sobre a ocupação da terra já feito para um país — comemorou o coordenador-geral do projeto, Tasso Azevedo, da ONG Observatório do Clima. — Não é só um mapa, são 33, um para cada ano entre 1985 e 2017. Essa plataforma permite pegar qualquer parte do país, selecionar estados ou municípios, e acompanhar o histórico até os dias atuais.

Com o MapBiomas é possível saber, por exemplo, que a cidade com menor cobertura vegetal do país é São Caetano do Sul, em São Paulo, e a com mais florestas é Altamira, no Pará. Nos últimos 33 anos, a Amazônia foi o bioma que mais perdeu áreas de florestas, mas, proporcionalmente, o Cerrado foi o mais devastado, com 18% de perdas líquidas. O Pampa perdeu 15%, a Caatinga, 8% e o Pantanal, 7%. Na contramão, a Mata Atlântica perdeu 5 milhões de hectares, mas, nos últimos dez anos, a regeneração superou o desmate.

Azevedo explica que o MapBiomas foi construído a partir de imagens tornadas públicas recentemente do programa americano de satélites Landsat. Nesses arquivos estavam preciosidades com imagens em alta resolução de todo o território brasileiro a partir de 1985. E a análise só foi possível com a aplicação de tecnologias modernas de análise de imagens, aprendizado de máquina e processamento em nuvem.

As imagens usadas pelo projeto são séries históricas produzidas pelos satélites Landsat, dos EUA. Para cada área de 30m por 30m do Brasil, o projeto atribui uma classificação de uso da terra (floresta, campo, pastagem, plantação, água, cidade etc.). Para cobrir o país inteiro, é preciso analisar mais de 9 bilhões de pixels, montados a partir de milhares de imagens de satélite para a série histórica.

— Cada área de 30 metros por 30 metros representa um pixel. Cada mapa completo do Brasil tem 9 bilhões de pixels — contou Azevedo. — Nós montamos um consórcio com 34 organizações e fechamos uma parceria com o Google Earth Engines, que roda o Google Maps, o Google Earth e o Waze. Nós criamos um algoritmo que aprendeu a classificar cada um dos pixels (em floresta, campo, pastagem, plantação, água, cidade, etc.) e processamos os dados na nuvem.

O resultado é impressionante, com possibilidades de uso incalculáveis. Seja por curiosidade, para fins científicos ou de planejamento estratégico, o MapBiomas é uma excelente fonte primária de informações. Além de mensurar as perdas florestais, a ferramenta informa as transições: no que as áreas de matas se transformaram. Entre 1985 e 2017, por exemplo, 74,5 milhões de hectares de florestas foram transformados em pastos ou campos para a produção agropecuária.

A Fiocruz, por exemplo, está usando as informações para cruzar dados de mortalidade de primatas com as mudanças no uso da terra, para tentar identificar locais prováveis para o aparecimento de surtos de febre amarela. No Pantanal, um projeto que investiga a contaminação de onças por mercúrio descobriu que as regiões onde os animais vivem tiveram garimpos instalados. A análise da cobertura florestal das bacias hidrográficas sugere que o desmatamento seja uma das explicações para a crise hídrica em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

O projeto prevê a atualização do MapBiomas, mas a tecnologia deve ser ampliada para um sistema de monitoramento, atualizada mensalmente, para identificar de forma ágil as alterações no ambiente, com resolução de 3 metros.

Fonte: O Globo








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