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sábado, 5 de maio de 2018

TORBEN GRAEL: "Hoje, temos poucos fazendo vela olímpica"



Torben Schmidt Grael, velejador bicampeão olímpico e tetracampeão mundial. 


Aurélio Lima

Em Salvador para acompanhar a Copa da Juventude, encerrada na sexta-feira, 4, na Base Naval de Aratu, a lenda olímpica Torben Grael falou ao A TARDE sobre o momento da vela no País. Grael destacou que o esporte ganhou em profissionalismo, o que exige muito treinamento e dedicação dos atletas, e falou também sobre o desafio de fazer política como vice-presidente da Isaf (Federação Internacional de Vela).

Torben elegeu o bicampeonato olímpico em Atenas, em 2004, como seu melhor título. Ele coleciona cinco medalhas olímpicas – duas de ouro (Atlanta, em 1996, e Atenas, em 2004), uma de prata (Los Angeles, em 1984) e duas de bronze (Seul, em 1988, e Sidney, em 2000) – e venceu quatro mundiais.

Qual a missão em Salvador?

Eu sou o coordenador técnico da Confederação Brasileira de Vela. Aqui está o futuro da nossa vela olímpica. Então, a gente tem a classe Optmist, que é a daquele barquinho-escola, no qual a garotada começa e, em seguida, vem para esses tipos de barcos daqui da Copa da Juventude. São várias classes diferentes e são as que normalmente são usadas no Mundial da Juventude também. E é a partir daí que eles começam a se desenvolver mais e buscarem, eventualmente, as classes olímpicas que se assemelham a esses barcos aqui. Então, é importante estar aqui participando e incentivando. A gente tem poucas pessoas, temos muito bons atletas, mas poucos fazendo vela olímpica. É preciso levar mais jovens para a vela olímpica, para mantermos esses bons resultados que conseguimos no passado.

Seu olhar especialista viu algum ‘Torben Grael’ aqui?

Não dá para fazer isso aqui. O objetivo é uma primeira fase, incentivá-los a continuarem competindo. Os resultados vêm com o tempo. O importante é mantê-los ativos e dar um caminho para que eles cheguem à vela olímpica.

Que leitura você faz da vela atual como velejador dono de cinco medalhas olímpicas?

Está cada vez em um nível de profissionalismo maior, exigindo preparação, mais dedicação, mais treinamento, mais horas de prática para chegar em um alto nível. Então, é importante começar mais cedo com a garotada para que ela chegue no período olímpico no auge.

Há uma jovem promessa?

A gente costuma formar bastante gente. O desafio é mantê-los na vela olímpica. Muita gente começa e por conta de dificuldades... É um momento complicado em relação a estudos, aos hormônios. Então é difícil, mas a gente tem a obrigação de tentar facilitar esse caminho para eles.

Aponta talentos na Bahia?

Aqui, especialmente o Yacht Clube da Bahia, tem se desenvolvido bastante. É bom conseguir colocar mais clubes nessa mesma condição para dar condição aos velejadores de se desenvolverem. Principalmente a vela olímpica, que depende bastante de equipamento bem caro.

Você aprendeu a competir com os tios. Sua filha Martine, campeã olímpica em 2016, aprendeu com o tio Lars ou o próprio pai?

Quem despertou o interesse dela por competir foi mais a mãe (Andrea Soffiatti), velejadora e campeã brasileira. Fiquei um pouquinho de fora porque acabava botando mais pressão. Quando ela passou a competir em alto nível, na parte técnica ajudo bastante. Não somente ela. Meu filho (Marco Grael) foi 11º nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

Como está sua atuação pelo esporte na vice-presidência da Federação Internacional?

A gente está atravessando um momento muito delicado, com a escolha das classes dos eventos e correspondentemente das classes para 2020, em Tóquio, e 2024, na França. É um momento de muito lobby, interesse e política. Mas tento dar a minha contribuição positiva. São oito vice-presidentes, mas a decisão é complexa, porque você tem algumas comissões que analisam assuntos específicos e reportam ao conselho. A decisão final é sempre do conselho. A política lá é complexa e não muito fácil de fazer mudanças com a velocidade que, você gostaria.

Sobre o projeto Grael, voltado para alunos da rede pública, quantos talentos tem revelado? Existe algum potencial campeão olímpico?

O projeto está fazendo 20 anos e forma 350 alunos por semestre. Não é apenas a vela: tem cursos profissionalizantes como carpintaria, capotaria, elétrica, mecânica. A gente tem casos como o de quatro ex-alunos que foram campeões da Regata Cape Town Rio, barco que era metade de brasileiros e metade de um projeto semelhante ao nosso na África do Sul.

Tem como destacar um título especial, que goste mais?

É difícil destacar um porque cada um é muito importante naquele momento e contexto em que ele ou eles chegaram. Depois você vai mais adiante e consegue uma coisa maior, mas talvez se não tivesse conseguido aquele título lá, não teria conseguido ir adiante. Então, é difícil escolher assim, mas o que eu gosto mais e tenho muito orgulho é o bicampeonato olímpico em Atenas. Até Atenas tinha um único bicampeão olímpico, que era o Adhemar Ferreira da Silva (medalha de ouro em 1952 e 1956 no salto triplo). Hoje temos muitos bicampeões olímpicos. E foi em um lugar muito especial pra mim, berço do olimpismo. Em Atenas, eu levei a bandeira do Brasil na abertura dos Jogos, então foi uma Olimpíada para mim bastante especial.


Fonte: A Tarde







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