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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Coleta seletiva de embalagens custa menos de 1 centavo para cada produto



Depósito da Coopamare, uma das cooperativas da cidade de São Paulo (Foto: Julio Avanzo)

Dados mostram que a indústria poderia ajudar a subsidiar a reciclagem em larga escala – conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos


ALEXANDRE MANSUR
24/05/2017 - 21h05 - Atualizado 24/05/2017 21h27

A coleta seletiva do nosso lixo é mais viável economicamente do que se imagina. É o que mostra um relatório divulgado pela BVRio. A empresa negocia créditos de coleta seletiva de lixo promovida por catadores organizados em cooperativas do país. O levantamento foi feito com base no trabalho realizado pela BVRio entre 2014 e 2015 com cerca de 3 mil catadores de aproximadamente 100 cooperativas distribuídas por 21 estados brasileiros. Entre outros dados, o relatório apresenta uma média do custo da coleta realizada por essas cooperativas. O trabalho das cooperativas envolve recolher, separar e enviar para reciclagem ou reúso as embalagens mais comuns, como garrafa PET, latinha ou sacolas plásticas. É a chamada logística reversa. Essa operação, segundo a BVRio, custa menos de R$ 0,01 (1 centavo de real) por unidade nos principais materiais coletados.

O potencial da economia circular para acabar com o lixo

O custo é mais baixo ainda para um dos materiais mais comuns no supermercado hoje. É o Bopp, sigla em inglês para Polipropileno Biorientado. Trata-se de um tipo de plástico que pode ser metalizado ou laminado. É usado na embalagem de sachês de alimentos, de saquinhos de batata frita, barras de cereais, biscoitos e vários outros produtos. Segundo o levantamento da BVRio, a coleta de cada unidade de Bopp custa R$ 0,0010 em média.

O custo por unidade coletada de cada tipo de resíduo é o seguinte:

latinha: R$ 0,0014
sacolinha plástica: R$ 0,0003
garrafa PET: R$ 0,0051
vidro: R$ 0,0245
caixa de papelão: R$ 0,0140
BOPP (embalagem comum em sachês, biscoitos barras de cereal): R$ 0,0010

Esse custo relativamente baixo pode significar que uma coleta seletiva feita em larga escala com ajuda da indústria seria mais viável do que se imagina. O Brasil produz cerca de 67 milhões de toneladas por ano de lixo. Menos de 1% disso é reciclado. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, uma legislação criada em 2010, determina que as empresas devem assumir responsabilidades pela coleta e pelo descarte devido dos resíduos de seus produtos. Mas essa diretriz está longe de ser colocada em prática. O principal argumento da indústria é que embutir no custo dos produtos as despesas com a coleta e a destinação teria um grande impacto no preço ao consumidor.

Lixões sem fim no Brasil

“Quando você olha os custos reais de recolher os produtos usando a rede nacional de catadores, vê que é absurdo não termos mais incentivos para aumentar o alcance da coleta”, diz Pedro Moura Costa, presidente da BVRio. “Fica evidente que, se a indústria assumisse uma responsabilidade maior para viabilizar a coleta, o impacto no preço final dos produtos não seria relevante.”

Podemos chegar ao lixo zero?

Além de reduzir a pressão sobre os aterros e lixões, esse investimento melhoraria a renda dos 800 mil catadores de lixo que atuam hoje no país. Permitiria que tivessem um incremento na qualidade de vida e nas condições de trabalho.

Fonte: Época


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Acesse o relatório do Instituto BV Rio: "Créditos de Logística Reversa: uma inovação sócio-ambiental para gestão de resíduos sólidos urbanos"









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