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quarta-feira, 20 de março de 2013

Amazonas incentiva arquearia indígena visando Olimpíada de 2016

Talento indígena no esporte olímpico. Quem sabe?

A matéria abaixo refere-se a uma interessante iniciativa no estado do Amazonas, que visa identificar talentos da arquearia indígena que possam se tornar competidores do Tiro com Arco nos Jogos Olímpicos de 2016. A iniciativa mobilizou a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) - cujo superintendente geral é o meu amigo e combativo ambientalista Virgílio Viana, além da Federação Amazonense de Tiro com Arco (FATARCO), a Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer do Amazonas (SEJEL).

Entre 1986 e 1990, trabalhei numa empresa chamada Enge-Rio, já extinta, com forte atuação em projetos na Região Amazônica. Na empresa, tive a grande sorte de participar de uma equipe de profissionais que desenvolveu estudos ambientais na Aldeia Wai-Wai e seu entorno, na Área Indígena Nhamundá-Mapuera, Pará.

Permaneci na aldeia, à beira do Rio Mapuera, um afluente do Rio Trombetas, por cerca de um mês, experiência que considero uma das mais marcantes de toda a minha carreira profissional. Convivi e aprendi muito com os Wai-Wai (e outras etnias ali presentes), esses brasileiros que não falavam português, não conheciam a cidade, mas sabiam tudo sobre a floresta: um sonho para qualquer engenheiro florestal como eu.

As fotos abaixo foram registradas naquela ocasião:

Crianças indígenas da Aldeia Wai-Wai, Rio Mapuera (PA), preparadas para exercício de pontaria com arcos e flechas. A brincadeira consistia em acertar um disco cortado do tronco de uma bananeira. Foto Axel Grael.

Umaná, casa comunitária da Aldeia, onde eventos culturais aconteciam. Foto Axel Grael.

Vista para o alto no interior da Umaná. Neste local, bonecos de palha, representando animais eram amarrados. Durante um ritual, no início da temporada de caça, homens ad tribo dançavam e atiravam suas flechas para acertar os animais de palha. Foto Axel Grael.

" Búúúú...!!! "
Meu pequeno e simpático amigo na tribo praticando a sua brincadeira predileta: me dar sustos. Escondeu-se por baixo do tronco e tentou me assustar no momento em que eu passava.  Foto Axel Grael.

Durante o período que estive na aldeia Mapuera, onde desenvolvi mapeamentos florestais, estudos etnobotânicos e apoiei o trabalho de outros membros da equipe (antropólogo, arqueólogo, topógrafo e um representante da Funai), pude acompanhar o cotidiano local e fiquei fascinado com a destreza das crianças e dos adolescentes indígenas no uso do arco e flechas.

Sempre imaginei que se fossem treinados para as regras do tiro com arco esportivo, poderiam ter excelentes resultados. Por isso, louvo a iniciativa do Virgílio Viana e espero encontrar alguns desses atletas da floresta competindo aqui no Rio, em 2016.

Canoagem tradicional

Assim como procura-se valorizar os arqueiros indígenas, algumas boas iniciativas têm surgido com a canoagem. Evaldo Malato, presidente na Federação de Canoagem do Pará, obteve em 2012 o reconhecimento da canoagem tradicional como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará.

Algumas competições com canoas tradicionais também visam identificar talentos para o esporte da canoagem.

Que venham os atletas da floresta!

Axel Grael

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Saiba mais aqui sobre a Canoagem Tradicional.
Saiba mais sobre a experiência de Axel Grael
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Amazonas incentiva arquearia indígena visando Olimpíada de 2016


Levar o nome do Brasil o mais longe possível na Olimpíada de 2016: o objetivo do país mobilizou a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a Federação Amazonense de Tiro com Arco (FATARCO), em parceria com a Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer do Amazonas (SEJEL), para uma iniciativa inédita.

O Projeto Arquearia Indígena na Rio 2016 será lançado na próxima quarta-feira, às 8h da manhã, na sede da FAS, por ocasião da inauguração da Escola de Arquearia Floresta Flecha, já filiada na Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO).

Além de valorizar a cultura brasileira por meio do índio da Amazônia, o projeto visa contribuir para o fortalecimento da equipe olímpica Brasileira de Arco e Flecha e popularizar a arquearia no país.

A expectativa é unir empresas privadas comprometidas com o esporte olímpico, governos e organizações da sociedade civil, com foco naquelas que patrocinam modalidades esportivas, atletas e a própria olimpíada Rio 2016. Essa união de esforços deve agregar os profissionais do mais alto nível na área do esporte e as organizações desportivas, comenta a secretária de esportes do Amazonas, Alessandra Campêlo.

Seletiva no Rio Negro

A primeira Seletiva Indígena de Arco e Flecha da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, sob gerência geral de Márcia Lot e apoio do indígena Fidelis Baniwa (coordenador da COIPAM) aconteceu no último sábado (02/03), na comunidade Três Unidos. A iniciativa reuniu 17 jovens, de ambos os sexos, na faixa-etária de 14 a 20 anos, que trouxeram arcos e flechas produzidos totalmente na reserva.

Drean, Deivide e Félix foram os destaques da competição. Eles acertaram no alvo, a uma distância de 30 metros. O arco de Drean, feito de um pequeno pedaço de paxiúba, uma árvore típica da região, chamou atenção: totalmente produzido com matéria prima das margens do Rio Cuieiras, afluente da margem esquerda do Rio Negro.

Drean conta que também montou sua flecha na própria comunidade: usou talas de buriti, uma ponta de muirapiranga e uma peninha. “A pena serve para estabilidade, para não variar”, atenta o jovem indígena.

Assim como no Rio Cuieiras, a seleção acontecerá em oito regiões do Estado do Amazonas que possuem aldeias e comunidades indígenas. Os melhores arqueiros receberão alojamento, alimentação, bem como treinamento intensivo, na Vila Olímpica de Manaus, sob os cuidados da SEJEL, com o mesmo técnico da Seleção Amazonense de Tiro com Arco, Roberval dos Santos.

Modalidade olímpica

O Tiro com arco é modalidade esportiva que faz parte do quadro olímpico desde 1900. Em comparação com outras modalidades, o Brasil não tem uma longa história na arquearia. Embora seja um país que cultive raízes indígenas, o esporte só foi difundido como competição na década de 50.

Mesmo assim, o país conta com medalhas internacionais importantes como a conquista do bronze, no Pan-Americano de 1972. Em 1983, o país subiu mais três vezes ao terceiro lugar do pódio. Nos jogos Olímpicos, a equipe de Arco e Flecha brasileira, estreou em 1980, mas não obteve nenhuma posição de destaque. Em Londres, em 2012, contou apenas com um representante.

Hoje no Brasil são 11 federações estaduais ligadas à Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO). No último Campeonato Brasileiro de Arco e Flecha, em Recife-PE, o Amazonas já subiu ao podium com Larissa Feitosa, Aníbal Forte, Francisco das Chagas, Carlos Galindo e Roberval dos Santos.

“Nenhuma outra modalidade se relaciona de forma tão clara e óbvia com a história do Brasil. As populações indígenas habitavam todo o território nacional à época da chegada dos europeus. Foram dizimadas por guerras, escravidão e doenças. Temos uma dívida histórica a ser resgatada”, explica o superintendente geral da FAS, Professor Virgílio Viana.

Fonte: Mercado Ético


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LEIA TAMBÉM:

Em reportagem do Instituto Socioambiental sobre o povo Wai-Wai, a lembrança de uma das melhores experiências da minha vida  RETROCESSOS: projeto de lei do governo ameaça áreas indígenas   Engenharia Florestal: minha profissão e um pouco da minha trajetória  





Um comentário:

  1. Lars Grael fez o seguinte comentário sobre o tema:

    "O caminho de aproximação da cultura indígena com o desporto nacional, devemos ao Ex-Ministro Pelé que criou os Jogos Nacionais dos Povos Indígenas na sua edição original em 1997.

    Outro Ministro, Rafael Grecca (1999 e 2000) deu impulso a esta ação e fez uma demonstração em plena Esplanada dos Ministérios.

    Como Diretor do Ministério do Esporte e Turismo e posteriormente Secretário Nacional dos Esportes, fui o organizador dos Jogos Nacionais dos Povos Indígenas, nas edições de Guaíra/PR (1999); Marabá/PA (2000); Campo Grande/MS (2001) e Marapanim/PA (2002).

    A parceria com o Ministério da Justiça através da FUNAI floresceu e os jogos mesmo descontinuados de um evento anual, ainda existem e despertaram a vocação de brasileiros de comunidades indígenas, direcionados para o desporto formal".

    Lars

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