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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Uma campanha verde, sem poluir... Sirkis responde ao humorista Marcelo Tas

O emblemático líder político europeu Daniel Cohn Bendit com as tais "placas poluidoras", objeto da polêmica.


No calor da campanha, como de hábito, encontramo-nos em meio a um tiroteio eleitoral marcado principalmente pela baixaria e pelas mais explícitas demonstrações de cara de pau e mal-caratismo político. Felizmente, ainda existem raras manifestações de inteligência, reflexão, ironia, humor e talento de argumentação, que salvam a aridez do momento.
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Por este motivo, tomo a liberdade de publicar aqui a resposta que Alfredo Sirkis, candidato a deputado federal pelo PV-RJ, deu ao humorista Marcelo Tas, sobre o que chamou de "poluição" na campanha de rua do candidato.
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Sirkis é um dos fundadores do PV, ambientalista histórico, político com vários mandatos no legislativo municipal carioca e com serviços da maior qualidade prestados ao meio ambiente também na administração pública, nas funções que exerceu na Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, como secretário de Meio Ambiente (SMAC), de Urbanismo (SMU) e como presidente do Instituto Pereira Passos (IPP).
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Embora persistam a sujeira da política (embora a Lei da Ficha Limpa possa ajudar neste aspecto para o futuro), a atual campanha eleitoral é uma das mais limpas no que concerne aos impactos ambientais nas ruas. Sem banners e placas amarrados nos postes ou presas com arames nas árvores (danificando a arborização), sem carros de som, menos papeis de panfletagens rejeitados pelos eleitores a sujar o chão como víamos no passado. Pela lei eleitoral as tais placas portáteis são uma das poucas formas de exposição possível nas ruas.
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Ainda assim, o tema gera debate. A polêmica envolvendo Alfredo Sirkis e Marcelo Tas refere-se à contradição de um candidato verde, ambientalista de fortes convicções, usar os tais cavaletes e placas de propaganda eleitoral para promover a sua candidatura. Seria isso poluição visual? Quais formas alternativas de comunicação para um político com as bandeiras do Sirkis? Caso existam, estas alternativas manteriam a sua viabilidade eleitoral?
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Segue o texto com a resposta de Alfredo Sirkis:
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Alfredo Sirkis

Recebi uma sacaneada de um dos meus humoristas favoritos, o Marcelo Tas –o magistral testa di cazzo- que me acusa de “poluição” exibindo a foto de uma plaquinha minha no Posto 6. Uma incoerência dos verdes poluindo Copacabana!

Tá legal, Marcelo. Faço autocrítica. Vou ver se consigo agrada-lo. Que fazer? Bom, retirar todas as placas e deixar os concorrentes todos com as deles. Bem, preciso também parar de distribuir panfletos. Embora a gente sempre coloque neles “passe adiante ou jogue no lixo” e nossos militantes sejam instruídos a repassar nos locais para recolher alguns que tenham sido jogados no chão, sempre pode sobrar algum, né? Melhor então não panfletar.

Também vou tirar o programa de TV do ar. Afinal o horário gratuito é chato pra cacete e sem dúvida é uma forma de poluição psicológica do telespectador que aguarda ansioso sua mui educativa telenovela.

Carro de som com jingle e megafone, nem pensar, é poluição sonora, claro!

Campanha pela internet? Ninguém mais agüenta este tipo de spam. Limitar-se ao blog com seus mil e tantos fieis? É melhor tirar do ar também porque alguém pode sempre repassar a quem não solicitou e acaba virando spam. Rede social? Como tanta gente falando coisas tão importantes, profundas, relevantes e edificantes sobre suas vidas vamos poluí-las com papo de político??? Ninguém mais agüenta esses candidatos no Facebook ou no Orkut, comprometendo seu alto nível cultural e filosófico.

Comício doméstico? Não deixa de ser um desrespeito aos vizinhos. Imagina encontrar no elevador aquele bando de pessoas ansiosas estranhamente interessadas nesse evento grotesco que são as eleições, atrasando o elevador. Uma forma de poluição intra-muros... Já encontrei moradores reclamando. O que estes candidatos pensam que são para invadir assim meu condomínio?

Anúncio em jornal? Não seria uma forma de compactuar com essa poluição que são os próprios jornais? Pense bem, verde de araque, quantas árvores –ainda que de eucaliptos plantados com essa finalidade-- custa uma edição dominical de um jornalão? Melhor não compactuar com isso se de fato verdes somos.

Sair à rua cumprimentando as pessoas? Atrapalhar a vida dos outros e ocupar indevidamente as calçadas? Elas são feitas para que o povo circule produtivamente e não fique parado, ocioso, ouvindo conversa fiada de político.

Bom, então o que fazer???

Elementar, meus caros, devemos simplesmente fazer o que 90% dos políticos brasileiros já fazem. Montar um Centro Assistencial! Oferecer consulta médica, dentária, serviço de despachante, fornecer ambulância, cadeira de rodas, dentadura, etc... Tenho até um colega vereador que dá o maxilar de cima, antes da eleição e, uma vez eleito, o debaixo. Aí não vai ter mais papel, nem poluição visual, nem sonora.

Não corremos mais risco algum de incomodar quem quer que seja com essa nossa ridícula imagem de ratos magros pedintes de votos. É pão, pão, queijo, queijo. Prestou o serviço, ganhou o voto. Coisa séria, rapaz. Outra possibilidade é comprar voto diretamente como fazem com grande talento no Mato Grosso do Sul e em muitos outros lugares politicamente high tech. Isso a rigor dispensa essas campanhas eleitorais poluentes. Tudo é feito na intimidade do Centro Assistencial ou no apê do candidato com o cabo eleitoral entre duas rodadas de uísque sem poluir e sem incomodar.

Pena que para manter seus Centros Assistenciais benfazejos e comprar seus votinhos os políticos de responsa, os profissas, tenham que roubar. Mas isso é detalhe. O importante é que a sua relação com o eleitor é sólida, inquebrantável. O político em questão pode até ser flagrado pelo Jornal Nacional num ato de pedofilia mas vai continuar recebendo todos aqueles votinhos fieis do “seu” povo ao qual presta não menos fiel assistência. Isso é que é uma base política sólida. Nada parecido com a patética fragilidade desses pretensiosos otários vulneráveis a uma notinha de jornal, a uma sacaneadazinha na net. Uns votinhos a menos e babau eles!

Isso ai, galera, vamos nos livrar de vez por todas da excrescência anacrônica que são esses políticos de “opinião”, metidos a dar lições, falar de temas complicados e chatos e que insistem em encher o nosso saco, querem nos obrigar a ler coisas e a ver coisas na rua informando que pensam logo existem. Melhor que não existam! Não existindo não precisarão tentar informar mediante placas poluentes, panfletos e outros subterfúgios vis que existem.

Desexistam poluidores!


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Do Blog do Sirkis: http://alfredosirkis.blogspot.com/2010/09/considerando-minha-eventual.html

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