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domingo, 22 de novembro de 2009

Brasil: de avestruz a protagonista do clima

Emissão de Monóxido de Carbono proveniente das queimadas. Uma situação inaceitável que o governo agora promete controlar até 2020. Fonte: Earth Observatory, NASA.


Conferência de Copenhague

Faltam 15 dias para a Conferência de Copenhague, convocada pela ONU para discutir os problemas climáticos do nosso planeta. O Brasil anunciou que apresentará na Conferência compromissos voluntários para a redução de 36,1% a 38,9% nas suas emissões de gases do efeito estufa, até 2020. A notícia é um avanço enorme tendo em vista a atitude histórica do Brasil diante das discussões sobre mudanças climáticas.


Culpas ou desculpas?

A diplomacia brasileira sempre se esforçou na defesa da tese que a responsabilidade pela ação deve ser dos países industrializados, pois estes poluem desde o início da Revolução Industrial e, portanto, teriam maior culpa pelo problema. Juntamente com países como a China, Índia, México e Indonésia, que defendiam o mesmo argumento, o Brasil conseguiu esquivar-se dos compromissos de redução de emissão de poluentes. O problema é que esse grupo de países está dentre os que mais poluem atualmente. Segundo o World Resources Institute, em 2000, os EUA eram os maiores emissores de gases do efeito estufa, seguidos da China, que acaba de passá-los, passando a ser a campeã da poluição da atualidade. A seguir, a lista suja indicava a Indonésia em terceiro lugar e o Brasil, em quarto, com 1,71 bilhão de toneladas de CO2/ano.

A principal fonte de emissão de CO2 do Brasil e da Indonésia são as inaceitáveis queimadas de florestas tropicais. Mesmo assim, a política do Itamarati diante do tema sempre foi a “atitude do avestruz”, que, segundo a expressão popular, enfia a cabeça no buraco diante do problema: o mundo caminha para o caos climático, mas para o “Brasil das queimadas”, a culpa era sempre dos outros!


Nova postura é uma motivação

Por isso, independente das críticas quanto à precisão dos números apresentados pelo governo e da suspeita de uma possível motivação eleitoral – o chamado efeito Marina Silva - a mudança de atitude é louvável. O ministro Minc venceu as resistência de quase todos os outros ministérios e emplacou a nova política. Lula, agora mais verde, foi para a França e, ao lado de Sarkosy, apresentou a agenda climática brasileira e passou, então a cobrar uma atitude igualmente responsável aos demais líderes mundiais. E isso é animador. Sejamos protagonistas! Façamos a nossa parte e teremos legitimidade para cobrar dos outros. A decepção da semana foi o anúncio por Barack Obama que os EUA, em Copenhague, ainda estará apegado à doutrina Bush e continuará impedindo a adoção de um plano de ação mundial. “Discussão de metas, só no próximo ano”, avisou.


Da Coluna Rumo Náutico, de Axel Grael. Jornal O Fluminense, 21 de novembro de 2009.

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